Sob o olhar das Estrelas
Parte 27
No domingo era o dia dos namorados, nossas mães ainda
estavam em São Paulo, já que ficariam até assinarem os papéis do apartamento.
Eu liguei para ela e a convidei para almoçarmos em algum lugar.
— Hum, eu vou adorar, quero mesmo levar minha mãe em
algum lugar bem legal. Mas só tem um problema.
— Qual? — indaguei deduzindo o que poderia ser.
— O César quer passar o dia comigo. É dia dos namorados.
— Droga, é verdade, nem me lembrei. — menti.
— Vou falar com
ele, acho que ele não se importará em ir com a gente. Encontro vocês no hotel,
pode ser?
— Claro! — respondi, fingindo não me importar.
Pouco mais de duas horas, ela chegou com a mãe no hotel,
onde eu e minha mãe aguardávamos por elas.
— Oi. — falei encarando-a todo sorridente.
Respirei aliviado. Ele não estava.
Senti que um certo rubor apareceu em seu rosto.
— Oi. — ela disse sorrindo.
— E seu namorado não vem?
— Não. Ah... Ele precisa preparar umas aulas, nos veremos
mais tarde.
Não consegui disfarçar meu contentamento. Seguimos para
um restaurante indicado pelo Felipe. Era daqueles cheios de frescura, mas o
lugar era realmente incrível. Conversamos como há muito tempo não fazíamos.
Aproveitamos para passar a limpo os seis meses que ficamos separados. Minha mãe
e a Marília quiseram ir para um shopping e eu e a Carol ficamos conversando em
um parque próximo de lá. E era como se não tivéssemos nos afastado por nenhum
dia sequer, a afinidade entre nós dois era simplesmente inexplicável. Ela não
era apenas a garota da minha vida, era também minha amiga, minha confidente e
minha melhor metade.
Fizemos planos em relação aos nossos apartamentos, sobre como
seria nosso dia a dia, possíveis programas que poderíamos fazer juntos e claro,
ela tratou de elaborar um lista sobre tudo o que tínhamos que comprar.
Carol foi para casa já estava anoitecendo e eu e minha
mãe ficamos no hotel, onde Felipe apareceu com Tiago e Gustavo e ficamos
conversando por horas e horas e no final da noite, levamos Gustavo para o
aeroporto.
Na segunda-feira pela manhã o pai da Carol também chegou,
ele queria acompanhar de perto o novo lugar onde a filha iria morar.
Eu tinha que ir me
apresentar na empresa, mas minha mãe cuidaria de toda a papelada do apartamento
para mim. O emprego era excelente. Logicamente que trabalhar no Brasil tinha
suas vantagens, por exemplo, as pessoas eram mais carismáticas. E eu que estava
totalmente nervoso, saí de lá satisfeito mais do que com a minha escolha.
No final do dia, corri para o apartamento da Carol, onde
minha mãe, a Marília e o Ricardo estavam reunidos para conversarmos sobre o
contrato. Claro que trataram logo de nos passar vários e vários sermões, sobre
responsabilidade, segurança entre outras coisas. Eu até tentava me controlar,
mas puta-merda, ela estava linda com a roupa de trabalho, usando saia lápis e
uma camisa de seda. Estava embasbacado olhando a mulher mais linda que eu já
conhecera.
“Bruno se concentra! ” Pensava comigo mesmo. Minutos após
eu me auto censurar, peguei-me olhando para ela novamente. Ela olhou para mim e
sorriu. Aquilo encheu minha noite.
A conversa foi bem como eu imaginava. Nossos pais falaram
dos termos do contrato dos apartamentos, e nos rezaram uma bíblia, sobre nos
cuidarmos, pois São Paulo era uma cidade que não era nenhum pouco segura, sobre
nos respeitarmos, sobre um cuidar do outro, enfim, tudo o que já sabíamos décor
e salteado.
Ricardo quis que deixássemos com ele a questão da mobília
do apartamento. Como ele tinha as lojas de móveis, fez questão de presentear
não só a filha dele, mas a mim também. Tentei argumentar várias vezes, mas ele
não quis saber de conversa. Ele nos fez acessar o site da loja e escolher o que
quiséssemos. Tanto eu, quanto a Carol achávamos isso totalmente errado, porém,
o pai dela foi resoluto. Minha mãe quis entrar na onde e disse que compraria
todo o resto, porém, nem a deixei terminar de falar. Eu já estava me
estabilizando e queria começar minha nova vida conquistando minhas coisas, sem
depender de ninguém.
Quando Ricardo estava indo embora, despediu-se delas e
quando foi se despedir de mim, falou quase que inaudível.
— Acho que você ainda será meu genro!
Olhei para ele e apenas lhe dei um sorriso amarelo. Era
tudo o que eu mais queria.
Passei quase uma semana sem ver a Carol. Estava saindo
tarde da empresa e ela andava cheia de compromisso com o professorzinho. Na
sexta-feira liguei para ela e a convidei pra sair para beber alguma coisa
comigo e com o Felipe. Ela topou na hora e felizmente, era a noite que o
namorado dela estaria dando aula em outra cidade. Trabalhei o dia todo pensando
que reencontraria e aquilo fez com que meu coração quase explodisse de
felicidade.
Fomos a um bar onde uma banda de rock estava se
apresentando. Carol estava linda usando uma saia preta e uma blusa ameixa. Seu
sorriso não saía dos lábios e a todo momento ela me flagrava olhando pra ela.
O foda foi quando o cara apareceu e se juntou a nós.
Aquilo me deixou desconcertado e inquieto, mas tentei ao máximo disfarçar.
No começo da outra semana a corretora me ligou dizendo
que estava tudo certo e que poderíamos pegar nossas chaves. Liguei para a Carol
que disse que nossa mobília iria começar a chegar no final daquela tarde.
E foi assim, no fim do dia, nos encontramos eufóricos em
frente ao condomínio. Carol me abraçou alegremente e em seguida subimos até o
vigésimo andar, onde começaríamos a organizar nossas coisas. Começamos pelo
apartamento dela, já que ela tinha mais coisas encaixotadas do que eu. Foi um
entra e saí de montadores de móveis, tanto no apê dela, quanto no meu. Após desencaixotarmos
e arrumarmos várias e várias coisas, Felipe e Tiago chegaram levando o jantar,
sentamo-nos em meio a bagunça da sala e jantamos animadamente.
Fiquei no apartamento da Carol até tarde da noite, mas
depois tanto ela quanto eu fomos embora. Já que a bagunça ainda era grande.
Levamos uma semana até que conseguíssemos organizar tudo.
Os caras sempre apareciam e o professorzinho também. Na verdade, sentia que
minha presença o incomodava assim como a dele a mim.
Na sexta-feira à tarde, fui direto para o apartamento,
onde levei o resto das minhas roupas. Aquela seria minha primeira noite ali, já
que estava ficando no apartamento do Felipe. Tudo já estava em seus devidos
lugares e todos os móveis montados. A única coisa que faltava era abastecer a
dispensa e fazer uma compra de cama, mesa e banho. Saquei meu celular de pensei
em ligar para ela, porém, tive medo de estar sendo inoportudo, afinal, ela
tinha a porra de um namorado.
Estava saindo do apartamento quando meu celular tocou.
Era ela.
— Oi. — falei animadamente.
— Oi Bruno, eu preciso ir ao supermercado, como você
disse que se mudaria hoje, também já quero me instalar definitivamente no apê
novo. Assim tenho uns dias para arrumar toda a minha bagunça. Liguei para saber
se você quer ir comigo.
Eu ri descrente.
— É exatamente para onde estou indo, pensei em chamá-la,
mas não quis atrapalhá-la.
— Por que me atrapalharia?
— Ah, sei lá, talvez você quisesse ir com seu namorado.
— Ele está dando aula em São José dos Campos, só volta
amanhã de manhã.
Vibrei por dentro.
— Estou passando para pegar você, pode ser?
— Encontro você no condomíno, estou entrando no
estacionamento.
Eu ri. Ela estava mais perto do que nunca e o melhor,
dali por diante seria minha vizinha outra vez.
— Tá, estou te esperando. — disse com um sorriso gigante
nos lábios.
Minutos depois ela apareceu com o restante das coisas. Eu
a ajudei a carregar até seu apartamento e então ela me abraçou forte.
— Nem acredito. Chegou o grande dia. Esperamos isso por
anos. Estou tão feliz.
O cheiro dela me deixava alucinado. Tive que ser forte
para não beijá-la ali mesmo. Mas eu tinha prometido pra mim mesmo, iria com
calma. Não ia forçar a barra.
— Vamos? — ela falou toda eufórica.
— Sim senhora. — respondi ainda mais feliz.
Eu sorri. Tudo estava dando mais do que certo.
Fomos ao supermercado onde compramos tudo o que
precisávamos, desde produtos de limpeza, até utensílios domésticos. Depois compramos
toda a parte têxtil da qual eu precisava. Ela ficou maluca, pois fiz questão de
pagar pelas minhas compras e pelas compras dela tanto do mercado, quanto da
loja.
Depois de muita discussão, ela acabou cedendo e voltamos
para casa. Carol me ajudou a guardar minhas coisas, e praticamente decorou meu
apartamento. Colocando em minha cama as roupas de cama nova em tons de cinza,
jogos de toalhas nos banheiros, tapetes e almofadas na sala, e deixou minha
cozinha, parecendo uma cozinha de menina. Não era minha cara, mas achei lindo,
afinal, ela havia escolhido absolutamente tudo, e tudo com cores neutras.
Enquanto tomei um banho, Carol organizou meu
guarda-roupa. Arrumando um lugar para cada coisa. Eu sabia que com a minha
experiência de morar sozinho, toda aquela organização não iria durar. Mas, ela
se prontificou em pegar no meu pé, para que tudo ficasse exatamente em seus
devidos lugares. Eu vibrava com tudo o que ela dizia.
Depois foi a vez de arrumarmos as coisas dela, que teve o
mesmo cuidado em deixar tudo impecável.
Carol foi tomar um banho, enquanto isso, preparei o nosso
jantar. Fiz um risoto com funghi e salada verde. Minutos depois, ela apareceu vestindo
uma blusa de malha branca de mangas longas, que deixavam seus ombros de fora e
uma calça preta colada no corpo. Confesso que quase tive uma ereção em vê-la
tão sexy daquela maneira.
Tentei disfarçar meus pensamentos e abri um vinho que
tinha comprado especialmente para nosso jantar, já que aquele foi nosso jantar
de inauguração. Seus olhares se cruzavam com os meus o tempo todo e eu sabia
que ela estava pensando o mesmo que eu. Quando estávamos lavando a louça, nos
nós trombamos na cozinha e eu quase a beijei. Mas fomos interrompidos por um
telefonema do professorzinho. Fingimos esquecer o que tinha acontecido. Ela se
manteve na defensiva o tempo todo, como se não tivesse abalada. Foi então que
coloquei um filme e só saí de lá de madrugada.
No sábado pela manhã, acordei faminto e doido para tomar
um café, mas olhei por toda a dispensa e vi que tinha me esquecido de comprar o
pó de café. Tomei um banho, coloquei uma bermuda cargo, camiseta branca e meus
tênis e quando fui sair para comprar, minha campainha tocou. Abri a porta e me
deparei com ela só de roupão e com cara de sono.
— Bruno, eu esqueci do café, você comprou?
— Estava descendo para comprar.
— Tá, eu me arrumo rapidinho e vou com você.
Concordei no mesmo segundo e fui até o apartamento dela.
O “ me arrumo rapidinho” não foi tão rápido assim, assisti quase todo o jornal
esperando por ela. Então ela apareceu vestindo um jeans rasgado e uma blusa
preta justa ao corpo, que a deixava gostosa para caramba.
— Já estava quase me desintegrando com sua demora.
— Fui super rápida. — ela disse fazendo careta.
Sorri balançando a cabeça negativamente. Então saímos
para tomar um café. Fomos a uma cafeteria bem legal perto do condomínio e em
seguida eu quis ir até uma loja para comprar uma cafeteira. Ela me ajudou a
escolher a cafeteira, e quis a mais cara, já que fazia tudo, inclusive
cappuccino. Voltamos para o condomínio e fui sentido ao apartamento dela.
— Eu vou deixar a cafeteira em seu apartamento, pode ser?
Era uma desculpa para que eu pudesse vê-la todas as
manhãs.
— Sério? Mas por quê?
— Ah, assim eu me livro da louça do café da manhã.
— Engraçadinho.
Depois de testarmos nossa cafeteira, Carol saiu de perto
e voltou com uma cópia da chave de seu apartamento.
— Fica com ela, assim quando eu não estiver, você vem
preparar seu café.
Aquela era a maior prova de cumplicidade que poderíamos
ter.
— Então quero que fique com uma cópia da minha chave
também. — falei tirando a cópia do meu molho de chaves.
Ela sorriu satisfeita e nesse momento a campainha tocou.
Era o professor e ele a cumprimentou com um beijo demorado.
— Senti sua falta, minha linda! — ele disse enquanto a
beijava.
Ela bem que disfarçou se esquivando dele, mas ele não pareceu
notar. Então ele me viu parado bem no meio da sala totalmente sem graça e parou
instantaneamente o beijo.
— Ei cara, desculpa! Não tinha visto que você estava aí.
— Não se preocupe, já estou de saída, só vim trazer a
cafeteira.
— César, olha a cafeteira que o Bruno comprou.
César passou por mim e nos cumprimentamos.
— Tá, mas por que ela ficará aqui se o Bruno comprou?
— Ah, ele quis deixá-la aqui, e virá tomar café aqui
comigo, afinal, vocês homens não se dão muito bem com essas coisas.
César me encarou sem entender e provavelmente me odiando
um pouco mais.
— Bom, eu vou nessa. — falei e me despedi deles em
seguida.
— Ah, César, eu vou fazer um jantar em meu apartamento de
inauguração. Somente para os amigos, então, se vocês não tiverem compromisso,
gostaria muito que fossem.
Aquilo foi puro improviso. Talvez fosse um modo de vê-la
novamente à noite. Mesmo estando ao lado dele.
— Ah, eu vejo e te falo depois.
— César, mas não temos nada para hoje temos?
— Depois a gente vê isso Carol.
Ela concordou sem graça e me levou até a porta.
— Obrigada pelo café Bruno, e quando quiser, já sabe,
agora é só entrar. — ela disse quase um sussurro.
Pisquei para ela e saí. Estava fodidamente enciumado, já
que o namorado iria ficar com ela possivelmente o dia todo.
Fui com o Felipe e o Tiago ao aeroporto buscar o Gustavo.
E de lá fomos em uma cervejaria onde almoçamos, depois paramos em um barzinho
bem badalado na Vila Madalena e voltei para o apartamento somente no final do
dia, onde comecei a preparar o jantar.
A campainha tocou e era a Carol. Sorri por dentro e por
fora.
— Precisa de ajuda?
— Muita por sinal!
Ela sorriu e entrou em seguida. Preparamos os aperitivos,
as bebidas, mas o jantar propriamente dito, estava encomendado e quando ela
saiu para tomar banho eu saí para buscá-lo.
Os caras chegaram logo depois que eu cheguei com o jantar,
e em seguida, chegaram Lucas e Beto, meus novos colegas do laboratório.
Estávamos bebendo cerveja quando a campainha tocou. Corri
atender e era a Carol com o professor. Ela usava uma saia bordada com tons de
marrom e dourado e uma camisa clara com uma leve transparência. Aquela visão
chegou a me tirar o foco, de tão gata que ela estava.
— Oi, ah, entrem!
Eles entraram e o professor me cumprimentou e entregou-me
uma garrafa de vinho. Em seguida ela me beijou o rosto e foi cumprimentar as
caras. Apresentei meus colegas a eles e ficamos conversando por um tempo,
enquanto bebíamos e comíamos os aperitivos.
Eu a olhava sempre que possível e tentava em vão me
controlar; mas era impossível não olhar na direção dela, afinal ela estava
simplesmente linda.
— Bruno eu vou até a cozinha pegar um copo de água. — ela
disse levantando-se.
O professor estava conversando com Beto e eu aproveitei
para ir até ela.
— Já disseram que você está linda? — disse baixinho
chegando perto dela.
Ela me olhou e balançou a cabeça negativamente, mas eu vi
um vestígio de sorriso em seus lábios.
— Seu bobo!
Voltamos para a sala e o professor me encarou com desdém.
Após o jantar, estávamos sentados na sala e novamente o professor me encarou.
— Bruno, a Marina tem perguntado de você.
— É mesmo? Bom, então diga a ela que eu não me interesso
em perguntar dela. Aliás, quero distância dela.
— Nossa cara, não precisa ser assim! Afinal você só está onde está
profissionalmente graças a um grande empurrão que ela deu.
Olhei sem entender e nesse momento todos os olhares se
voltaram para mim. Carol ficou sem graça e abaixou a cabeça no mesmo instante.
— Como assim? Eu
estou nesse emprego porque eu fiz uma prova assim que fui para a Alemanha e
passei. Depois disso eles tiveram seis meses para me testar, tanto que queriam
que eu ficasse por lá.
— Sim, claro! Não desmerecendo seu mérito, mas ela
indicou as pessoas certas a você. Sem ela você não teria acesso a essas
pessoas. Na verdade, você não ficou em Berlim, porque meio que ganhou essa
oportunidade de mão beijada. Mas se você tivesse ralado para conseguir esse
emprego, você não voltaria assim tão facilmente.
Eu fiquei cego de ódio com o comentário dele.
— César, você está louco. O Bruno ralou seis meses em Berlim
e podia escolher se ficava ou se voltava para o Brasil, já que o emprego daqui
era garantido.
— Eu sei Carol, o que eu quero dizer é que se não fosse a
Marina, ele jamais teria esses contatos e essa oportunidade. E talvez não teria
a vaga dele assegurada aqui no Brasil.
— Olha cara, eu não sei o que você quer dizer com isso,
também não me importa sua opinião de maneira alguma; e sim, a Marina realmente
me apresentou as pessoas certas, só que se eu fosse um profissional ruim, não
teria ficado nem uma semana por lá. Mas como você pode ver, continuo na mesma
empresa mesmo tendo recusado a oportunidade de ficar em Berlim. Na verdade, eu
só voltei porque no momento minhas prioridades são outras.
Olhei diretamente para a Carol nesse momento e em seguida
o encarei novamente.
— Prioridades essas que também não diz respeito a você. E
se não fosse a Marina, talvez eu realmente não tivesse tido esses contatos, mas
teria outros e me sairia bem da mesma forma.
— Fico feliz por você! — ele disse sarcasticamente.
— Felipe me ajuda a levar esses copos. — disse Carol se
levantando em seguida.
— Claro mascote. — respondeu Felipe ajudando Carol com os
vários copos que estavam sobre a mesa de centro.
Enquanto os outros caras conversavam eu e o
professorzinho ficamos nos encarando com ódio nos olhos. Eu tinha convidado o cara,
mesmo estando ao lado da garota que eu amava, para ir até minha casa e ainda
assim, ele quis me humilhar diante de todos e especialmente diante dela.
Levantei-me e fui até a cozinha, onde Carol estava
falando baixinho com Felipe. Quando ela me viu, fez cara de chateada.
— Bruno, nem sei o que dizer! Me desculpa por aquilo!
— Você não tem culpa de nada. Não se preocupe. — eu disse
dando-lhe um beijo no rosto.
O professor chegou em seguida.
— Carol, vamos? Já está tarde.
— Estou acabando. — ela disse secamente enquanto
enxaguava os últimos copos.
— Carol, deixa essas coisas aí que eu me viro depois.
— Já estou acabou Bruno, fica tranquilo.
Eu voltei para a sala, onde fiquei conversando com meus
amigos e logo eles vieram se despedir.
— Obrigada pela noite. — disse Carol me abraçando.
— Obrigado por ter vindo. — eu disse em sussurro.
Meu coração estava partido em saber que ela sairia pela
minha porta com aquele babaca e o pior, eles ficariam juntos, parte da noite,
senão a noite toda.

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