Sob o olhar das Estrelas
Parte 10
Ficamos sentados no gramado em frente ao
lago. Até que me deitei no colo dela e ela ficou mexendo em meus cabelos, me
beijando vez ou outra, ou fazendo carinho em meu rosto.
— É o dia mais feliz da minha vida. Você é
linda, é meiga, carinhosa, inteligente. Eu nem sei se mereço tudo isso.
— Não adianta mais querer cair fora, agora
você vai ter que me aguentar. — ela disse selando meus lábios em seguida.
O celular dela tocou.
— Droga, é a Patrícia. — Carol disse
revirando os olhos. — Eu não vou atender. Depois falo com ela.
— Por quê? Você não quer dizer a ela que
saiu comigo?
— Quero contar a ela com calma. Afinal ela
é minha amiga e eu nunca disse nada sobre nós dois, sobre o que eu sentia por
você.
Eu me sentei e a abracei, inalando o
cheiro bom do cabelo dela.
— Vai dar tudo certo, você vai ver!
Nos beijamos mais uma vez e de novo e de
novo. Já estava ficando maluco com ela tão próxima a mim. O cheiro bom que
vinha dela me enfeitiçava. Não queria sair dali nunca mais. Então a mãe dela
ligou. Elas se conversaram por alguns minutos e Carol dessa vez disse que
estávamos dando uma volta. Assim que desligou o celular ela me encarou.
— Acho que minha mãe vai me matar quando
souber.
— Por quê? Sua mãe me ama!
— Eu sei que sim, mas nunca nos viu como
um casal. Ela ainda nos vê como duas crianças. Sei lá, talvez esteja enganada,
no entanto, ela nunca desconfiou dos meus sentimentos por você.
— Ela vai entender, tenho certeza. Ela tem
que entender. Mas tem uma pessoa que não vai gostar.
— Quem?
— O Gustavo. Você sabe que ele é afim de
você, não sabe?
Ela tentou fazer cara de surpresa, mas não
me convenceu.
— Não, acho que não! É só brincadeira da
parte dele.
— Qual é, Carol? Claro que você já
percebeu! Eu vejo os olhares dele para você, desde que éramos garotos.
— O Gustavo é meu amigo. Nunca o vi de uma
outra forma. Acho que no fundo nem ele.
— Conta outra. O cara falta arrancar suas
roupas com o olhar.
Ela sorriu sem graça.
Ficamos ali sentados naquele lugar mágico o
resto da tarde e só saímos quando começou a anoitecer.
Dirigi a maior parte do caminho para Porto
Alegre com uma mão no volante e outra segurando a mão da Carol. Estava
realizado por estar ao lado dela, fazendo planos para os próximos dias e pra quando
ela fosse me visitar em Lorena.
Quando chegamos, o pai da Carol estava
esperando por ela no hall. Fiquei sem graça por chegarmos tão juntos e
sorridentes e darmos de cara com ele.
— Pai? — ela falou surpresa indo de
encontro a ele.
— Oi Filha! Como você está? Sua mãe me
disse que você estava sozinha, então vim dar uma checada, pra ver se está tudo
bem.
Carol me olhou meio que sem entender. Ele
não era lá um pai muito presente.
— Ah, estou bem. Eu e o Bruno saímos pra
comer alguma coisa.
— Como vai Bruno?
— Eu vou bem, e senhor como vai?
— Estou bem, mas senhor não, sinto-me
ainda mais velho. Apenas Ricardo.
Assenti, sentindo-me estranho por dentro.
Afinal, há minutos estava tendo os pensamentos mais perversos com a filha dele.
— Vem pai, vamos entrar!
— Não filha, já estou aqui faz um tempinho,
só passei pra saber como você está e sei lá, pensei em combinarmos alguma
coisa, você pode dormir na minha casa, se quiser.
— Hum, pai, me desculpa, mas é que vou
dormir na casa da Patrícia, vamos estudar um pouco e fazer alguma coisa com
meus amigos do colégio, mas agradeço pela sua preocupação.
— Tem certeza filha? Eu ia gostar muito se
fosse.
Carol ficou sem atitude diante ao pedido
do pai.
— No próximo final de semana eu fico com
você, pode ser? É que agora fica chato, porque já está tudo combinado.
Ricardo pareceu chateado, mas acabou
concordando.
— Tudo bem Carol, eu deveria ter ligado
antes. Mas o próximo final de semana já ficar marcado. Vou gostar muito de
passar um tempo com você.
Carol soltou um sorrio aliviado.
— Eu também.
“Não! Próxima semana é minha última
semana. Ela não pode me deixar para ir dormir na casa do pai. Eles podem
combinarem qualquer outro dia desde que eu não esteja aqui. ”
Ricardo a abraçou e disse alguma coisa no
ouvido dela.
— Não pai! Não precisa! Minha mãe já me
deixou.
— Faço questão. — ele disse colocando
alguma coisa no bolso da calça dela.
Senti ciúmes naquele momento. Estava me
achando um paranoico com ciúmes do próprio pai dela.
— Pai, por favor! Já disse que não
precisa.
— Compra alguma coisa pra você. Faço
questão.
Ela o olhou incrédula e relutante para
ele, mas ele não aceitou a recusa dela. Ricardo se despediu de nós e em poucos
momentos foi embora. Entramos no elevador e ela parecia chateada.
— Você está bem? — perguntei abraçando-a.
— Estou. É que é estranho ter meu pai por
perto. Ele nunca tentou ser meu amigo, mas de uns tempos pra cá vem se aproximando
e sei lá, isso me incomoda um pouco.
— Não é culpa sua. Vocês passaram muito
tempo longe um do outro. Mas por outro lado, é bom saber que ele se preocupa.
— É eu sei, mas eu me sinto estranha na
presença dele, ainda mais quando ele me dá dinheiro. Eu sei que ele é meu pai,
mas...
— Ele se sente bem fazendo isso. Só está
tentando agradar.
Ela balançou a cabeça, ainda não
concordando.
— Sabia que eu sempre tive vontade de beijar
você nesse elevador? — falei olhando pra ela com desejo.
Ela me encarou séria, mas depois soltou
uma risada.
— Então me beija.
Sorri e a puxei pra junto de mim, onde a
beijei com toda a necessidade que eu sentia dela. A porta se abriu logo depois.
— Vamos ao meu apartamento que eu preciso
ver se a minha mãe chegou. Ela deve estar preocupada com nosso sumiço.
— Não. Preciso ligar para a Pati e para a
minha mãe, depois eu vou, pode ser?
— Ah, tudo bem. — respondi chateado.
Nós nos despedimos e ela entrou em seguida
e eu fui para o meu apartamento.
— Onde você estava até agora? — disse
minha mãe vindo ao meu encontro assim que eu entrei.
— Saí com a Carol, fomos dar uma volta
para comer alguma coisa.
— A tarde inteira? Liguei para você várias
vezes.
— Falei para a Maria te avisar que eu
estava com ela.
Minha mãe apenas sorriu, com cara de quem
havia sacado. Preparei um lanche pra mim e pra ela e quando nos sentamos pra
comer, o telefone tocou. Era o Felipe.
— E aí vacilão, não atende mais essa porra
desse celular?
— Fala aí cara, precisei sair e esqueci de
levar e celular.
Era mentira, não tinha levado propositalmente.
— É percebi. Pelo jeito a mascote está
fazendo você perder a cabeça.
— É cara, é bem por aí.
— Bom Brunão, é o seguinte: chamei a Pati para
ir na One hoje, vai ser legal, uma
banda local vai tocar, então, pensei em convidar vocês. Isso é, se você não
tiver outros planos.
One
era uma boate geralmente frequentada por boyzinhos e patricinhas da cidade, na
maioria estudantes das faculdades de Porto Alegre.
— Ah cara, legal. Vou falar com a Carol,
ver o que ela acha, aí te falo.
Felipe riu alto dessa vez.
— Já está assim? Ela que escolhe.
— Seu mané. Não é isso. Talvez de repente
ela... ah sei lá. Vejo com ela e ligo pra você depois.
— Tá certo cara, e fico feliz por vocês.
Até que enfim se acertaram.
— Parece que sim! Bom, ligo para você
daqui a pouco, pode ser?
— Beleza Brunão, espero você. Abraço cara.
— Abraço irmão.
Assim que desliguei o telefone minha mãe apareceu
na cozinha.
— Vai sair, filho?
— Ainda não sei mãe, vou ver com a Carol.
— Hum, com a Carol!
Eu sorri para ela e saí. Cheguei em frente
ao apartamento da Carol e respirei fundo. Ficava nervoso toda vez que eu a via.
Toquei a campainha uma vez, duas vezes,
mas ela só abriu na terceira vez. Estava toda sorridente como sempre.
— Oi. — disse dando-lhe meu melhor
sorriso.
— Olá. — ela disse retribuindo com um
sorriso perfeito. — Entra!
Eu entrei e me virei para beijá-la. E a
beijei com toda a vontade que estava dentro de mim. E ela correspondeu de uma
maneira inexplicável.
— Hum hum!
Ouvi uma voz feminina vindo atrás de nós.
Olhei assustado e vi a Patrícia parada, com cara de felicidade.
— Oi Patrícia. — falei sem graça.
— E aí Bruno, tudo bem? — ela falou com um
sorriso gigante nos lábios. — Fiquei feliz em saber sobre vocês dois. Mas
fiquei uma onça com o fato da Carol nunca ter me dito o que rolava entre vocês.
Olhei para Carol e sorri, então a puxei
ainda mais perto de mim e selei meus lábios nos lábios dela.
— Essa sua amiga é muito complicada.
— Ah, eu? Olha quem fala. — disse Carolina
sorrindo ainda mais.
— O Felipe ligou nos convidando para irmos
na One, o que você acha?
— A Patrícia também me chamou, eu ia ligar
para você, então você chegou.
Olhei para ela com vontade de recusar
imediatamente o convite, pois eu tinha ideias melhores para nossa noite.
— Você quem sabe. — falei torcendo para
que ela tivesse a mesma ideia que eu.
— Sei lá, vamos? Mas será que eu consigo
entrar? Você terá que ser meu responsável novamente.
— Hum, deixa eu pensar! Tá bom, eu faço
esse grande esforço. — brinquei.
— A Pati vai dormir aqui essa noite. Você
avisa sua mãe?
Fiquei surpreso, pois eu tinha certeza que
ela ficaria comigo, em meu apartamento naquela noite. Mesmo assim, disfarcei
minha frustração.
— Bom, então vou deixar vocês se
arrumarem. Passo daqui mais tarde.
Carol me sorriu e não resisti e a beijei
novamente.
Cheguei em meu apê e fui tentar ligar para
Melissa, pois eu devia a ela uma explicação e já queria aproveitar para falar
com ela, embora não achasse certo terminar um relacionamento por telefone, mas
o caso exigia isso. O celular dela estava na caixa postal. Liguei várias vezes
e não consegui falar. Apelei e liguei na casa dos pais dela, e mais uma vez não
consegui falar. O telefone tocou, tocou e nada.
Mais tarde fui me arrumar. Coloquei um
jeans escuro, uma camiseta branca e um casaco preto por cima. Poucos minutos
depois já estava pronto, mas ainda era cedo, afinal, as meninas levavam horas
para se arrumarem. Tentei ligar novamente para a Mel e novamente não consegui
falar.
O telefone tocou e corri atender. Era
minha tia, que queria falar com a minha mãe. Pelo jeito era algo sério, pois
ela parecia preocupada. Depois de alguns minutos minha mãe apareceu em meu
quarto com cara de preocupada.
— Bruno, vou ter que até o hospital. Sua
avó piorou e precisou voltar para lá. Tia Lena disse que o coração dela está
bem fraquinho. E bem hoje ela não poderá ficar, então passarei à noite com ela.
— Sim, claro! Você quer que eu vá com você
mãe?
— Não meu filho! Não precisa. Tenha juízo se
for sair.
— Não se preocupe! Vou voltar cedo e a
Pati vai dormir no apê da Carol.
— Hmmm, olha lá, hein!
— Tá, mãe. Pode deixar mãe.
Dona Ester correu para o quarto e
rapidamente se arrumou e arrumou a bolsa com seus pertences para passar a noite
no hospital.
— Mãe, me liga qualquer coisa, estou com meu
celular.
— Tá filho, se precisar eu ligo sim. E
juízo hein, por favor! — ela repetiu e em seguida me beijou o rosto. — E cuida
da Carol!
Eu sorri. Depois de algum tempo fui até o
apartamento do Felipe que também já estava pronto. Ficamos conversando um pouco
e por volta das dez horas subimos até o vigésimo andar.
Carol abriu a porta após o segundo toque
da campainha. Ela estava linda, com os cabelos castanhos bem lisos, maquiagem
destacando seus olhos claros. Usava uma saia preta e uma blusinha mais curtinha
também preta. Tudo bem que a blusa era de manga longa; todavia, ela congelaria
com aquela roupa; porém, estava linda e gostosa para cacete. E o cheiro então?
Era algo sensacional. E mais uma vez minha vontade era de ficar com ela sozinho
no apartamento ao invés de ir a uma porra de boate.
Fomos em carros separados. Felipe com a
Patrícia no carro dele e eu e a Carol em meu carro. Eu a beijei tanto antes de
sairmos do carro que ela ficou até sem ar.
— Você está linda! — sussurrei no ouvido
dela.
Ela sorriu e me beijou novamente.
— Você está um gato. E esse seu cheiro
está me matando.
Todos os pelos do meu corpo se arrepiaram
naquele momento.
— Não me fala isso! Pois minha vontade é
de voltar agora para aquele apartamento.
Ela sorriu e parecia querer a mesma coisa.
Então quando eu a beijei outra vez alguém bateu no vidro do meu carro. Olhei
assustado e vi Felipe e a Patrícia parados do lado de fora.
— Ei, vocês vão demorar muito? Nós estamos
congelando aqui fora enquanto vocês se beijam aí dentro.
Nós saímos do carro em seguida, mas antes,
Carol retocou seu batom, pois já não havia mais nem sinal dele. A boate estava
lotada e logo que entramos percebi que aquela noite seria daquelas, pois todos
os carinhas faltaram quebrar o pescoço para olhar para a Carol.
Tiago e Gustavo já estavam lá com uma mesa
para todos nós. Eles primeiramente cumprimentaram o Felipe, depois a Patrícia,
eu em seguida e por último a Carol. Aquilo era a cara do Gustavo, onde com
certeza ele a abraçaria mais do que deveria.
Tiago a abraçou forte e em seguida beijou
seu rosto.
— Tá, gata, hein mascote!
Ela sorriu e corou. Quando Gustavo foi cumprimenta-la,
ele a abraçou forte e a tirou do chão. Em seguida beijou seu rosto, quase
pegando no canto dos lábios dela. O desgraçado não se cansava de dar em cima
dela e eu ficava puto. Minha vontade era de quebrar a cara dele.
Carol se afastou dele, ficando toda
encabulada.
— Ei cara, não sei se você sabe, mas ela
está acompanhada. — falei fingindo um sorriso, mas por dentro queria matá-lo.
— Acompanhada de quem? — ele perguntou
incrédulo.
— Ela está comigo.
— O quê? Vocês dois? — ele novamente
perguntou, mas dessa vez olhando para a Carol.
— É verdade, nós estamos meio que...
— Nós estamos juntos. — eu falei cortando
a frente dela.
— Olha só o Bruno! Quem diria! Mas, e sua
namorada?
— Vou falar com ela, não se preocupe com
isso.
— Não com ela, eu me preocupo com a Carol.
Ela que é minha amiga, e se você a enganar, eu juro que esqueço que você também
é meu amigo. Quebro sua cara, cara.
Nós nos encaramos nesse momento. Aquilo
era uma ameaça, mas eu não podia esquecer o fato de que ele se preocupava com
ela e que também era meu amigo.
— Não se preocupe. Não vou magoá-la. Você
me conhece.
Ele balançou a cabeça com desdém e me
encarou feio, porém não falou mais nada. E sim, o clima entre nós ficou bem
tenso.
— Você quer beber alguma coisa?
— Agora não, obrigada.
Ficamos sentados e conversando com os
caras. Algum tempo depois a Patrícia a puxou pelo braço e elas foram dançar. Continuei
com meus amigos, mas não conseguia tirar os olhos da direção da Carol. Minha
garota estava ali e ela era simplesmente a mais linda.
Gustavo foi falar com uma garota que
estava encarando ele por algum tempo. Felipe me olhou com cara de quem queria
saber todas as novidades.
— Brunão, me fala, já falou com a Melissa?
Ou sei lá, você vai tentar conciliar as duas?
Tiago também me olhou intrigado.
— Não, claro que não. Quero ficar com a
Carol. Há anos que é isso que eu quero. Tentei ligar para a Melissa, mas não
consegui. Assim que ela me ligar de volta, vou terminar tudo.
Tiago riu.
— Por telefone? Assim na lata?
— Ah, cara, não tenho outra opção. A
Melissa é uma garota legal, bacana. Ela não merece ser enganada. É melhor que
seja por telefone do que enganá-la por mais uma semana.
— É, você tem razão. E a Carol também é
uma garota legal, não merece ser passada para trás. — continuou Tiago.
— Não, claro que não! — concordei.
— O Gustavo não pareceu muito feliz com a
notícia, ainda acho que no fundo ele ainda tinha esperança. — concluiu Felipe.
— É, eu percebi que o clima pesou.
— Na verdade ele sempre foi afim da Carol,
mas nunca teve coragem de chegar nela, pois ela nunca deu abertura para ele. — falou
Tiago.
Confesso que fiquei aliviado ao escutar
isso do Tiago que era o melhor amigo do Gustavo.
— Nossa história não vem de agora,
acontece que ela estava namorando quando ficamos pela primeira vez e...
— Bruno, eu sei. Quanto a isso não se
preocupe, tanto que o Gustavo nunca chegou nela, porque no fundo ele já
desconfiava que rolava alguma coisa entre vocês. Mas fica de boa, vocês dois
são meus amigos. — falou Tiago.
Senti-me melhor ao escutar essas palavras
do Tiago, não queria de jeito nenhum ter alguma inimizade com ele e nem mesmo
com o Gustavo. Não tinha nada a ser feito. Ela era minha desde sempre, então o
Gustavo que se conformasse.
Olhei para a pista e vi uns carinhas
dançando perto das meninas. Felipe me olhou e balançou a cabeça, pontando em
direção à pista.
— Eu vou lá com a Carol.
— Hum, olha o ciúme. — brincou Tiago.
Dei de ombros e saí em seguida em direção
à pista de dança. Carol abriu um largo sorriso ao me ver e eu inconscientemente
fiz o mesmo. Segurei-a pela cintura e dançamos juntos.
Sua pele, seus cabelos exalavam um cheiro
que me deixavam maluco. Ela era sem dúvida nenhuma a garota mais linda que eu
já tinha ficado antes. E de todas as baladas ou festas que eu havia frequentado
antes, aquela era a primeira vez que me sentia extremamente feliz, pois estava
ao lado da garota que eu mais queria ter ao meu lado.
Eu a puxei bem junto ao meu corpo e ela me
encarou e nos beijamos por vários minutos. A batida da música, o calor da
pista, a pele úmida dela encostada na minha, tudo isso me deixava ainda mais
com vontade de levá-la embora dali e fazer algo bem melhor.
— Vocês não eram apenas amigos como vivia
dizendo? É assim que trata seus amigos?
Eu parei de beijá-la e nos entreolhamos,
em seguida vimos o ex dela parado do nosso lado. Ele bufava exasperado.
— Guilherme, eu...
— Amigos, não é? Tentei me convencer disso
por anos. Como pode?
— Guilherme, era exatamente isso. Nunca
menti para você.
Coloquei minha mão nas costas da Carol, tentando
acalmá-la.
— A Carol tem razão, nós nunca tivemos
nada até então. Sempre fomos amigos.
— Cala a boca que eu não perguntei nada a
você. Meu assunto aqui é com ela.
— Você não tem mais nada com a Carol,
então não tem assunto nenhum para discutir com ela. — argumentei.
— Cala essa boca seu babaca! — falou
Guilherme alterando a voz.
Fechei minha mão louco para socá-lo ali
mesmo. Carol percebeu minha inquietação e olhou para mim.
— Não faz isso! Vamos voltar para nossa
mesa. — ela disse segurando forte minha mão.
— Com certeza você ficava se esfregando
nele nas minhas costas. Devia ter percebido que não passava de uma vadia.
Quando eu escutei isso, simplesmente não
me segurei. Enquanto ele me atacava tudo bem, mas quando ele ofendeu a Carol eu
fiquei cego e quando eu vi, minha mão já estava socando a cara dele e ele
cambaleando no chão.

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