sábado, 16 de setembro de 2017

Sob o olhar as Estrelas , parte 19, por Érika Prevideli

Sob o olhar as Estrelas

Parte 19

Meu coração ficou apertado.
— Estava de carona com ele, e o cara me deixou. Você está de carro? — indagou Tiago.
— Não, minha mãe me trouxe.
— Vem, depois a gente dá um jeito! — disse ele passando os braços sobre meus ombros.
Eles estavam totalmente animados e eu estava sem chão. Felipe e Gustavo faziam de tudo para que eu me animasse e eu tentei disfarçar minha frustração, mas acho que falhei em todas as vezes. Quando mencionei sobre ir embora, Felipe quase me matou, afinal, eu já não tinha ido na noite anterior, e obviamente ele não me deixaria ir embora cedo. E eu devia isso a ele. Acabei ficando relutantemente, mas fiquei pelo Felipe.
Quando a festa estava acabando, peguei meu celular para ligar para minha mãe, mas Felipe o tirou da minha mão.
 — Eu levo você mascote, não se preocupe!
— Não precisa. Não quero incomodar.
— Ei, você nunca me incomodaria. Eu amo você garota! Você sabe disso.
Felipe me abraçou e beijou meu rosto. Fomos embora algum tempo depois. Eu, Gustavo, Felipe e Tiago, fomos todos no mesmo carro. Quando chegamos, vi que o carro de Bruno ainda não estava lá. Mas não disse nada e nem os rapazes perceberam, eles como sempre foram incríveis comigo e me levaram até a porta do meu apartamento.
Quando fui me despedir deles, suspirei fundo e os encarei.
— Vocês estão muito bêbados? Precisava conversar um pouco.
Eles se entreolharam, tentando negar a embriaguez de cada um.
— A gente dá um jeito. — falou Gustavo.
— Sou ótimo em conselhos. — disse Tiago.
— Vem! — falou Felipe me puxando em direção ao elevador e segundos depois estávamos no terraço.
Sentei-me com cuidado, pois estava de vestido curto. Felipe tirou o terno, jogando-o sobre minhas pernas.
— Porra, mascote, cobre essas pernas, caso contrário não consigo me concentrar.
— Ei, babaca! Estava feliz da vida, pois ia ficar admirando as pernas da Carol. — brincou Gustavo.
Eu ri e dei-lhe um safanão. Acomodei o terno do Felipe, tampando qualquer vestígio das minhas pernas.
— Felipe, você é meu amigo, e por favor, não esconda nada! Assim como vocês. — falei olhando para cada um deles que me encaravam preocupados.
— O que aconteceu na verdade entre a Patrícia e o Bruno? Ele a beijou?
Gustavo olhou para Felipe sem entender.
— Não! Na verdade, ela foi para cima dele. Não posso dizer a você o que eles estava conversando, porque eu estava longe, mas não foi uma conversa demorada.
Assenti apreensiva.
— Eu estava com uns amigos e umas garotas que conheci e então ela passou por mim e foi até ele, que estava falando com o Marcelo. O cara saiu logo em seguida e deixou os dois sozinhos.
Assenti exasperada.
— Logo depois ele foi sair e ela o puxou e o beijou. Foi tudo muito rápido, porque ele a parou e disse algo a ela.
— Não estava sabendo disso. — falou Gustavo.
— Também vi a mesma coisa. Eu estava próximo a eles e vi como aconteceu. A Paty foi para cima do Bruno quando ele estava saindo. Tenho certeza que ela fez isso para provocar o Felipe.
— Eu não entendo. Ela foi ao meu apartamento hoje à tarde e disse uma história totalmente diferente. Disse que o Bruno a beijou, porque não queria mais saber de mim.
—  Que vadia. — emendou Tiago.
— Disse que foi ela quem se esquivou dele e logo depois ele estava indo embora com outra garota.
— Mascote, não sei o que o Bruno disse a ela, muito menos o que ela disse para ele, só o que eu vi foi que ela o beijou. Acontece que a Paty nunca foi nenhuma santa e na certa estava se oferecendo pra ele o tempo todo.
Balancei a cabeça em negação.
— Droga. Ela é minha amiga. Não entendo o porquê ela faria isso.
Eles se entreolharam e Felipe assentiu.
— Ei, podem falar. Não tenho mais nada com ela. — argumentou Felipe.
— Falar o quê?
— Mascote, ela pode ser sua amiga, mas... — Felipe parou como se tomasse fôlego para me contar algo que me magoaria — Bom, ela as vezes falava de você, sei lá, falava meio que mal, fazia uns comentários dos quais eu não gostava.
— Quer saber Carol? Na verdade, ela é uma vaca, desculpa Felipe, mas é essa a verdade. E sim, ela falava de você pelas costas. Tem inveja do seu jeito, das suas coisas, de como você é gata. — falou Gustavo.
Todos olharam para Gustavo nesse momento.
— É verdade, porra. Vocês sabem disso. — continuou Gustavo — No dia seguinte da minha formatura, quando você encheu a cara, ela disse para todo mundo na piscina que você fingiu estar bêbada pra que o Bruno prestasse atenção em você, sendo que o cara não desgrudou de você a noite toda.
— É verdade, ela disse mesmo. — concordou Felipe. Ela sempre de uma forma ou de outra, criticava o que você fazia ou falava. Cheguei a discutir com ela algumas vezes, cheguei até a achar que ela sentia ciúmes da gente, mas não, na verdade ela não suportava que alguém a ofuscasse, e você sabe que quando você estava por perto nós sempre dávamos e ainda damos total atenção a você e isso tirava a Patrícia do sério.
— Caramba, por que nunca me disseram nada? Sei lá, tipo “ei cuidado que sua amiga é uma cobra”. Não sei, mas pelo menos eu teria mais cuidado em relação a ela.
— Bom, não sei como são as coisas entre vocês, mas para mim isso era coisa de garota. As garotas meio que costumam falar umas das outras, é diferente da gente. — concluiu Felipe.
— Não, claro que não, Felipe! Vocês nunca me viram falando uma vírgula da Patrícia. Mesmo ela fazendo coisas das quais eu não concordava. Aliás, se fosse preciso eu até brigava para defendê-la.
—Você é assim, você é legal para caralho e não faria isso com ninguém, tenho certeza. Nunca vi você falando mal de outras pessoas. Já a Paty é diferente. Nós não estamos dizendo que ela não gosta de você. Ela deve gostar sim. Afinal você é a única amiga dela, porém, o jeito dela é esse. Ela precisa estar sempre por cima. Quer ser o centro das atenções e com você perto, ela não se destacava. Até o jeito que os meninos se referem a você, incomoda ela. — disse Gustavo.
Lembrei-me de uma vez que ela advertiu Felipe por ele me chamar de mascote. E ela parecia incomodada com a intimidade dele comigo.
— Cara, não gosto disso. Parece que estamos fazendo fofoca, mas são coisas que você precisa saber.
Assenti atordoada.
— Por exemplo, quando você namorava o Guilherme, ela vivia dizendo que você se fazia de santa, mas vivia se jogando para cima do Bruno mesmo namorando o Guilherme. E quando você foi para Lorena com o Bruno e a Ester, ela foi a primeira a criticar você, pois deixou seu namorado aqui sozinho para ir atrás do outro. — desabafou Felipe.
— Querem saber de uma coisa? Na minha opinião, quando a Paty viu que o Felipe não queria mais saber dela, decidiu causar um atrito entre ele e o Bruno, assim isso chegaria até você, que acreditaria nela e se afastaria do Bruno, e consequentemente se afastaria da gente também. — falou Tiago.
— Caramba, eu não sei o que dizer! Estava muito chateada com o Bruno por ele ter feito isso, por ter dado em cima dela, confesso até que no fundo imaginava que ele tinha feito para me provocar. Mas saber que durante todo esse tempo só o que ela tem feito é me criticar e falar de mim pelas costas, é como se eu tivesse sido apunhalada.
Eles se entreolharam chateados.
— Dizem que a decepção é maior quando vem de quem a gente menos imagina. — falou Gustavo.
— É, tem razão! — falei me levantando em seguida. — Mas obrigada por vocês terem sido francos comigo. Agora eu já sei com quem estou lidando, a minha sorte é que hoje em dia tenho pouco contato com ela. Ainda assim eu sei que vai ser difícil, afinal foram anos e anos de amizade.
Felipe levantou-se em seguida e me abraçou.
— Droga, mascote, eu deveria ter contado antes. Sei lá, nunca imaginei que as coisas fossem chegar a esse ponto. Mas deixa ela para lá, você é um milhão de vezes superior a ela. E fala com o Bruno. Ele sofreu bastante quando você foi embora, eu acompanhei de perto, o cara ficou arrasado. E ontem ele esperou por você a noite toda, o cara merece ser levado em consideração.
— É, eu vou falar com ele amanhã. Preciso resolver essa situação.
Gustavo e Tiago também me abraçaram.
— Espero que tenhamos ajudado você. — falou Gustavo.
— E muito! É por isso que eu amo vocês, porque vocês nunca me decepcionaram.
— Então eu tenho uma chance? — brincou Gustavo.
Sorri, balançando a cabeça em negação.
— Sou bobo. — falei dando-lhe um tapinha.
Minutos depois eu já estava em meu quarto morrendo de vontade de falar com o Bruno. Peguei meu celular para ligar para ele, porém só caía na caixa postal. Respirei fundo tentando tomar coragem e em seguida apertei o número dele. Saí do meu apartamento na ponta dos pés, indo até o apartamento dele. Cheguei em frente à porta e quando fui bater, toda a minha autoconfiança desapareceu e eu voltei para trás.
“Amanhã Carolina”.
Já estava pronta pra dormir, mas nada do sono aparecer. Pensava em duas coisas: na decepção em relação a Paty e no que eu diria ao Bruno, afinal, tinha voltado para Porto Alegre disposta a me acertar com ele e era isso que eu ia fazer. Peguei no sono quando o dia já estava amanhecendo, contudo, só o que eu queria era que chegasse o momento de ir falar com o garoto que estava tirando meu sono.
Acordei por volta das dez horas. Tomei um banho, preparando-me psicologicamente para encarar o Bruno. Coloquei um short branco, uma regata preta de seda e calcei um all star. Escovei meus cabelos e os prendi em um rabo de cavalo. Passei várias camadas de máscara de cílios e um gloss cor de boca. Quando estava saindo do meu quarto, voltei e passei um pouco de pó compacto para amenizar as marcas da noite mal dormida.
— Bom dia! — disse minha mãe toda animada vindo em minha direção.
— Bom dia mãe.
— Vem tomar café! Comprei o bolo que você gosta.
— Hum, mãe, estou sem fome. Obrigada.
— Ah, filha, não é sempre que você está aqui. Não vai recusar passar um tempo a mais com sua mãe, vai?
Respirei fundo.
— Claro que não.
Comi uma fatia do bolo que minha mãe havia comprado acompanhado do café que só ela sabia como eu gostava.
— E a Ester? Você já falou com ela hoje?
 ­— Não filha. Está tudo tão quieto que eu acho que eles nem estão em casa. Eu fui ver um paciente no hospital e cheguei quase agora. Mas e a festa, como estava?
Suspirei.
— Foi legal. Quer dizer, poderia ter sido melhor. Só que... — fiz uma pausa — Eu o Bruno tivemos uma discussão.
— Você e o Bruno? Como assim?
Eu a encarei sem saber o que dizer.
— Mãe, preciso contar uma coisa a você, mas não sei se tenho coragem.
Ela me encarou.
— Que existe alguma coisa entre vocês dois não é surpresa para mim.
Olhei incrédula.
—  Quer dizer, não sei o que existe entre vocês, mas sei que rola alguma coisa, não é?
Eu a encarei pasma.
— Como assim? Você sabia?
— Filha, eu sou sua mãe. Conheço o significado de cada olhar seu. Conheço seu jeito, percebo o jeito que você fica quando está ao lado dele e quando você fica quando não estão juntos. Era por causa dele que você estava magoada ontem? O que houve?
Estava sem palavras.
— Bom... é que...
Respirei fundo tentando tomar coragem.
— Mãe eu gosto do Bruno desde que tinha doze, treze anos. Mas ele não me via da forma como eu gostaria. Com quinze anos dei meu primeiro beijo nele, mas logo depois comecei a namorar com o Guilherme.
— Eu tinha certeza que o Bruno era apaixonado por você naquela época em que você estava com o Guilherme. Era nítido.
— Pois é, naquela época a história se inverteu. Mas eu estava com o Guilherme, então acabou passando. Depois o Bruno foi para a faculdade e quando ele voltou acabamos ficando novamente e foi justamente um dia antes da namorada dele sofrer aquele acidente.
— Você ficou com ele enquanto ele estava namorando?
— Sim. — respondi envergonhada.
Mal sabia ela o que tinha acontecido naquela noite.
— Foi por isso que eu fui para a casa do meu pai. Não podia ver os dois juntos.
— Bom, eu suspeitei que o motivo fosse o Bruno, mas filha, ele tinha namorada. Como pode fazer isso?
— Eu sei que foi errado, mas...
— Tá, deixa isso pra lá, mas e então?
— Depois disso, mal falei com o Bruno. Você sabe, fui pra faculdade, comecei a namorar, enfim...
Ela fez sinal para que eu prosseguisse.
— Então, na festa do Gustavo, nós ficamos outra vez.
— Naquela noite que você bebeu?
— Não, mãe! Na noite seguinte.
Ela assentiu.
— Acontece que eu fiquei com medo de me envolver com ele novamente e sofrer, por isso decidi ir embora e terminar meu curso no Canadá.
— E você estava namorando? Mas que merda, filha. Você sabe que eu reprovo qualquer atitude que envolva traição. Sabe o quanto sofri com seu pai por causa das traições dele.
— Eu sei mãe. Sei que meti os pés pelas mãos, mas era o Bruno, e quando eu estou perto dele, eu meio que...Sei lá, é como se eu não tivesse controle.
— Isso não justifica seu erro. Entretanto, eu pude ver o quanto ele ficou mal quando você foi embora sem se despedir. Ele veio aqui e ficou arrasado quando disse a ele que você tinha ido viajar com seu pai.
— Fiquei muito mal com isso também. E pra ser sincera, arrependi-me profundamente de ter ido embora, mas foi mais forte do que eu. Não podia mais me imaginar sofrendo por ele, como sofri da outra vez. Entretanto, não conseguia mais encarar o Fábio, não depois de ter estado com o Bruno, só o que eu pensava em fazer era jogar tudo para o alto e voltar pra cá.
Ela me olhou compassiva.
— Por isso terminou com o Fábio?
— Foi, mãe. Eu tentei, eu juro, mas não consegui ficar com ele, pensando no Bruno.
— Bom, não aprovo o que fez, mas pelo menos, dentre tantos erros, fez a coisa certa terminando com o Fábio.
— Tem razão.
— E por que você e  Bruno discutiram?
— Porque ontem quando a Patrícia veio aqui, ela me disse que na noite anterior o Bruno deu em cima dela e a beijou. Fiquei arrasada! Claro que ele é livre pra ficar com quem ele quiser, mas, poxa, ela é minha amiga. Era, aliás.
Minha mãe me encarou sem entender.
— Como assim?
— Eu chego lá. Enfim, na festa nós conversamos, mas o clima entre nós estava tenso. Ele magoado comigo justamente por eu ter ido embora sem falar com ele e eu magoada com ele, por ele ter saído com a minha amiga. Acontece que ele ficou pasmo quando disse a ele sobre a Paty ter me contado tudo. E em seguida me contou a história totalmente inversa, alegando que foi ela que o beijou e ainda por cima, quis colocá-lo contra mim.
Minha mãe ficou pensativa nesse momento.
— Hum, uma bela saia justa. Mas faz sentido. Afinal, você deu ouvidos a quem?
— Na verdade acabei levando em consideração a história que a Paty me disse, pois sabia que o Bruno estava com raiva de mim, sei lá. Talvez ele tivesse tentando me provocar. E ela foi tão convincente que... Enfim, não tinha como desconfiar da história que ela me contou.
Suspirei exasperada.
— Só depois falei com os rapazes e eles me disseram que o Bruno estava dizendo a verdade, que foi ela quem o beijou. Na verdade, ela quis provocar ciúmes no Felipe e usou o Bruno. O Felipe e o Tiago viram exatamente como aconteceu.
Minha mãe ficou em silêncio por um instante, mas depois se pronunciou.
— Olha, Carol, eu conheço o Bruno há anos e sei que ele não é desse tipo de garoto. O Bruno é maravilhoso, e se ele quisesse te provocar ciúmes, não faria isso com a sua amiga. Na verdade... — Minha mãe passou a mão em seus cabelos — Eu não sei, não quero ser injusta com o Paty, mas eu tenho um pé atrás com ela. Não que não goste dela, não é isso, ela é uma menina legal, mas é diferente de você. É ousada demais para a idade dela. Muito vulgar na maioria das vezes. A mãe do Felipe viva reclamando do jeito dela. Uma vez eles estavam praticamente... Hmmm... Fazendo coisas na piscina do prédio, sendo que dias depois, já estava saindo com outro garoto.
— Eu sei mãe. E sim, ela tem defeitos dela, assim como todo mundo tem. Mas ela era minha amiga, e até então, ela nunca havia feito nada para mim. Entretanto, o que mais me doeu foi saber que ela falava mal de mim para os garotos.
— Como assim? Ela falava de você para eles?
— Sim, foi o que disseram. Vivia me criticando, sendo que na minha frente, vivia tentando me agradar. Fiquei arrasada com isso! E ontem ela tentou encher minha cabeça contra o Bruno, foi onde contou a toda a história sobre ele tê-la beijado. Pediu até para que eu não fosse na formatura, só pra não correr o risco de me encontrar com o Bruno.
— Ela jogou você contra ele. E queria jogar você contra seus amigos.
— Foi exatamente isso. E agora eu não sei o que fazer em relação a ela.
— Carol, eu acredito que tenha sido exatamente isso que aconteceu. De uma forma ou de outra, ela quis trazer você para o lado dela, afastando você dos meninos e principalmente do Bruno. Vou te dizer uma coisa filha, existem amizades que só nos acrescentam coisas boas, como no seu caso com os rapazes. Eu acho a amizade de vocês simplesmente linda. Eles defendem, cuidam e protegem você até o fim. E tudo isso acabava incomodando ela, que gostava de ser o centro das atenções. Também existem amizades que só nos sugam, tiram nossas energias, nossa paz, e pelo o que eu estou vendo sua amizade com a Patrícia é bem assim. Então, tenha cuidado com ela, cuidado com o que fala, porque ela não e de confiança e pelo visto não é tão sua amiga assim.
Concordei em silêncio.
— Eu vou falar com o Bruno.
— Vai, filha. Vocês precisam colocar os pingos nos is.
Fui até o apartamento do Bruno e toquei a campainha por várias vezes e nada.
Tirei meu celular do bolso e liguei no telefone fixo que tocava, tocava e ninguém atendia. Liguei no celular dele e só caía na caixa postal.
Toquei de novo a campainha e novamente nada. Nisso o elevador parou e abriu a porta em seguida. Meu coração gelou, mas era o Tiago.
— Oi, mascote. É com você mesmo que eu preciso falar.
Ele parecia preocupado.
— Aconteceu alguma coisa?
— Não! É só que preciso conversar com alguém.
— Claro. Mas podemos descer? O Bruno saiu e eu preciso muito falar com ele, assim eu o vejo chegar.
Tiago concordou.
Fui até meu apartamento e avisei minha mãe que ia descer para conversar com o Tiago.
— Falou com o Bruno?
— Não, mãe. Não tem ninguém. Eu e o Tiago vamos descer e quando o Bruno chegar eu converso com ele.
Ela balançou a cabeça positivamente. Eu e o Tiago descemos e nos sentamos em umas poltronas na área externa do prédio. De lá, via-se quem chegava, tanto pela entrada principal do prédio, quanto pelo lado do estacionamento.
— Carol, eu preciso falar uma coisa. Mas eu não tive coragem de dizer ontem, porque o Felipe estava perto.
Meu coração disparou.
— Não me diga que a Paty estava dizendo a verdade?
— Não. Claro que não. Pelo contrário, tudo o que dissemos sobre a sua amiga é a mais pura verdade.
Eu o analisei sem entender.
— Então o que é?
Ele respirou fundo.
— Merda, mascote, eu sou um tremendo filho da puta.
Olhei intrigada para ele.
— Como assim?
— Eu dormi com a Paty.
Arregalei os olhos incrédula.
— Sei que fiz merda. Mas ela meio que vivia se insinuando para mim. E na noite da formatura do Gustavo, você viu, eu estava acompanhado, e ainda assim ela me encarava descaradamente. Eu já estava bêbado e quando fui ao banheiro senti alguém me puxando, quando dei por mim, ela estava me beijando no meio de todo mundo. Porra, o Felipe estava lá. Estava na mesa com vocês. Voltei desconcertado e fingi que nada tinha acontecido.
— Caramba!
— É, pois é! Naquela noite, ela foi para seu apartamento, lembra?
— Sim, me lembro que ela chegou com o dia amanhecendo. Ela estava com o Felipe.
— Ela ficou com o Felipe por um tempo. Então ele a levou até seu aparamento, mas quando ele saiu, ela foi me procurar. Quase morri de susto quando a campainha tocou e eu abri a porta e a vi parada. Cara, juro que não sabia o que fazer, mas aí, acabou rolando. Não sou de ferro, droga.
— Tá falando sério?
—  Foi péssimo o que eu fiz, mas é verdade. Transei com a mina do meu melhor amigo e me sinto um idiota por isso.
— Eu... eu nem sei o que dizer.
— Imagino que sim. No dia seguinte, fiquei mal, tanto que na segunda noite de festa, nem consegui ficar com vocês, por isso fiquei na outra mesa. Na verdade, nem estava a fim de ir, mas se eu não fosse, o Felipe ia perceber e... Enfim... Tentei fugir dela, mas ela ficou no meu pé a noite toda.
— Droga, o Felipe nem imagina uma coisa dessas.

— Eu sei, mascote. Acontece que se eu contar a ele, corro o risco de perder meu amigo e porra, eu estava bêbado e não sabia direito o que eu estava fazendo. Mas isso está me matando por dentro, por isso decidi me abrir com você. 

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