Sob o olhar das Estrelas
Parte 22
Sem pensar em mais nada, inclinei-me a beijei de forma
apaixonada. Senti todas as minhas terminações nervosas reagir sob efeito dos
beijos dela. Estava em uma luta interna contra meu membro que estava preso em
minha boxer. Estava tão excitado que chegava a ser doloroso. Eu a puxei sobre
meu colo, minhas mãos percorriam suas costas, porém, algum tempo depois, ela se
afastou e me encarou.
— Se vamos fazer isso dar certo, não
podemos mais fazer isso. Amigos não se beijam dessa maneira.
— Mas nós somos diferentes. — disse selando os lábios dela.
Nesse momento ela fechou os olhos, deixando um sorriso
escapar.
— Tá, mas eu não confio em mim. — disse ela, levantando —
Vamos descer?
Concordei contrariado. Passei meu braço ao redor da
cintura dela e seguimos para o elevador. O problema era que ela era viciante.
Não conseguia ficar perto dela, tocá-la ou beijá-la. Eu a encarei e ela me
olhou como se estivesse pensando no mesmo que eu.
— Esse lance de não nos beijarmos mais, tá valendo partir
de agora?
Ela balançou a cabeça em negação e sorriu.
Eu a puxei contra meu corpo e a coloquei contra o espelho
do elevador.
Todo meu autocontrole foi para o espaço. Minha ereção
estava prestes a se livrar dos tecidos que nos separavam. Minhas mãos passeavam
pelo seu corpo.
— Bruno. — gemeu ela.
Senti um calor tomando conta de todo meu eu.
— Vamos para o meu apartamento. — sussurrei, prestes a
entrar em combustão.
— Não, acho melhor não. — disse ela, sem
parecer convincente.
Sorri com os lábios ainda nos dela. Eu a pressionei ainda
mais forte e então a droga da porta do elevador se abriu.
— Merda. Que péssima hora. — ouvi uma voz conhecida.
Ambos pulamos assustados e olhamos.
— Ah, desculpa eu... — Bom trouxe seu
carro. Tem uma gostosa aí em baixo me esperando, então...
Nós rimos.
— Boa noite rapazes! — disse Carol seguindo para o apartamento
dela.
— Cara, que mancada, desculpa!
— Seu puto, eu mato você. — falei
sentindo uma frustração gigantesca.
— Pelo menos se entenderam?
— Isso depende do ponto de vista, mas
sim, nos entendemos, pelo menos como amigos.
— Porra! Amigos. Amigos não se pegam
dessa maneira no elevador.
— É foda, cara. Quando eu penso que me curei dessa
garota, eu a vejo e tudo caí por terra.
— Vocês ainda vão rir de tudo isso, cara. Tenho certeza
de que a mascote ainda via ser sua.
Assenti sem saber o que dizer.
— Agora, é melhor ir bater uma, já que te atrapalhei.
— Nem me fale, idiota.
Ele riu, me abraçou e saiu em seguida. Entrei totalmente
desconcertado com tudo o que havia acontecido e minha vontade era de correr no
apartamento ao lado e tomá-la em meus braços de todas as formas possíveis. Fiquei em minha cama rolando de um lado para o
outro e não resisti, peguei meu celular e mandei uma mensagem para ela.
Foi maravilhoso ter falado com você. Melhor ainda foi beijar você. Ops,
pensei alto. Prometo não deixá-la mais
em paz.
Falando nisso estou com fome, o que será que devo comer? Uma torta que
minha mãe fez ou um sanduiche?
Brincadeira
Amo Você, Bruno!
Segundos depois chegou uma mensagem dela.
Era realmente bem assim. Mas eu amava suas mensagens e suas dúvidas.
Isso de certa forma, fazia com que eu me sentisse importante em sua vida.
Também amei falar com você! E quanto aos nossos beijos... Bem... Hmmm...
Sem comentários.
Sua Carol
Era impossível não sorrir ao ver a mensagem de Carol, e
não queria mais parar de falar com ela.
Falando nisso, nem te contei, mas conheci o tal namorado da minha mãe.
Foi estranho, sabia?
Sério? Ouvi falar dele. E como ele é? Fico feliz pela sua mãe. Ela é uma
pessoa incrível e merece ser feliz outra vez.
Respirei fundo e digitei.
Tô indo aí, precisamos conversar sobre isso.
Sem que ela tivesse tempo de responder, joguei meu
celular sobre a cama, enfiei-me em uma bermuda cargo, coloquei uma camiseta e
fui até lá. Bati de leve na porta e Carol apareceu, usando apenas um pijama.
— Tá maluco? O dia está quase amanhecendo!
— Como antes, esqueceu? Tô com um problema e preciso
conversar.
Ela olhou para dentro do apartamento e abriu a porta para
que eu entrasse.
— Mas você precisa ir embora. Nada de dormir aqui.
— Relaxa. Nem tinha pensado nisso.
— Sei, sim.
Seguimos para o quarto dela. Carol caiu em sua cama e se
enrolou no edredom, como se ele fosse uma armadura.
— O que o Tiago disse?
— Nada. Ele ficou sem graça de ter chegado malditamente
na hora errada.
— Nós estávamos errados, não ele.
— Se beijar você é um erro, poderia ir para o inferno que
eu não me arrependeria.
Ela revirou os olhos e sentou-se de frente para mim.
— Agora me fala: o que você achou sobre sua mãe estar
namorando.
Deitei na cama auxiliar, de modo que eu pudesse ficar
olhando pra ela. Minha vontade mesmo era de pular na cama dela. Mas não quis
forçar a barra.
— Ah, sei lá, é estranho ver minha mãe ao lado de outro
cara. Nunca achei que isso fosse acontecer. Merda, é impossível não pensar no
meu pai.
— Tenho certeza que ele ficará feliz em ver sua mãe bem
outra vez. A vida é assim, Bruno. Ela precisa de um companheiro. Ninguém é
feliz sozinho.
Eu a encarei confuso.
— É, talvez tenha razão. Devo estar sendo egoísta, mas é
que...
— Eu sei, é complicado. Foi difícil quando meus pais se
separaram. Foi difícil ver meu pai com outra mulher. Mas no seu caso é
diferente. Talvez seja ainda mais difícil. Porém, sua mãe sempre respeitou seu
pai. E muito tempo se passou desde então. É normal que ela encontre alguém e
refaça a vida dela. A Ester é linda, inteligente e merece encontrar alguém que
preencha esse vazio que existe no coração dela. Claro que essa pessoa jamais
vai substituir seu pai. Mas fará com que ela se sinta amada outra vez.
— Isso tudo é uma grande merda, mas é a verdade. Por mais
que seja difícil, minha mãe precisa ser feliz outra vez.
Carol sorriu.
— E ele é legal? O que ele faz?
— Parece ser legal. Ele também é promotor, mas não nos
falamos muito. Embora ele quisesse saber de toda minha vida.
— Talvez ele estivesse te investigando, para saber se o
enteado dele não é nenhum delinquente. Nunca se sabe.
Fiz uma careta, ela riu e me jogou o travesseiro. Merda,
o travesseiro cheirava tão
— Brincadeira. Com certeza ele gostou muito de você.
Impossível alguém não gostar.
— E você gosta de mim?
Ela ficou em silêncio, mas deixou um resquício de sorriso escapar.
— Não precisa nem perguntar, você sabe o quanto. Embora você esteja
ficando mauricinho demais.
Eu ri.
— Não estou mauricinho. Eu sou mauricinho. — brinquei.
— Hum, desculpa aí senhor Armani.
— Brincadeira. Você sabe que eu não sou assim, não sabe?
— Eu sei. Só não deixe que ela mude você. Quem gosta de
você tem que gostar da maneira que você é. E você é especial assim, desse
jeitinho.
“ Eu amo essa garota.”
— Você também é especial.
— Eu sei, minha mãe sempre me diz isso.
Eu ri. Ela riu. Nos encaramos em silêncio. Ela me queria
assim como eu a queria.
— Acho melhor você ir.
— Ou...
Carol balançou a cabeça e sorriu.
— Nós precisamos fazer isso dar certo.
— E vamos. Como antes. Agora, eu preciso dormir. — disse
jogando o travesseiro pra ela.
Levantei, fui até o armário e peguei o travesseiro
reserva e um edredom. Carol me encarou aturdida.
— Bruno!
Fui até ela e beijei o topo de sua cabeça.
— Boa noite, linda.
— Arg! Você é irritante, Bruno.
— Eu sei.
— Boa noite. — resmungou ela.
— Sonha comigo, gata.
Ela fez uma careta e se afundou no travesseiro.
Levei algum tempo pra dormir, claro. Afinal, a garota da
minha vida estava bem diante de mim. Segurei-me para não ir até a cama dela e
em silêncio, fiquei repassando toda aquela noite.
Acordamos com alguém ligando a luz.
— Bom dia, crianças.
— Mãe! Acabamos de dormir.
— Como assim? Já passa das dez da manhã. Preparei o café
pra vocês. Não sei porquê, mas imaginei que o Bruno estivesse aqui.
— Eu sei que você me ama. — brinquei com a mãe dela.
— Ah, amo mesmo. Falando em amar, sua mãe veio
procurá-lo. Pediu que eu o acordasse logo, pois o Alberto vai almoçar com
vocês.
— Mais essa agora. — resmunguei, escondendo meu rosto por
causa da claridade.
— Deixa de ser rabugento. — disse Carol, me jogando o
travesseiro.
— Espero vocês na cozinha. Não demorem.
Carol se levantou e senti meu volume reagir dentro da
minha boxer. Por sorte estava de bermuda. Seu corpo estava incrivelmente lindo.
O pijama dela marcava cada curva dele.
— Caramba, parece que dormi apenas alguns minutos.
— Isso porque nem transamos.
— Amanhã você pode fazer isso o quanto quiser, com a sua
namorada. — disse ela, dando-me uma piscadela e saindo em seguida.
Assenti, rindo do golpe que ela me deu e me levantei.
Carol saiu do banheiro, com os cabelos presos e foi minha vez de ir mijar.
Quando saí, ela já estava na cozinha com a Marília, que
perguntou várias coisas sobre meu estágio. Porém, o celular dela tocou e ela
saiu pra atender.
— Droga, não quero ter que encarar sozinho o namorado da
minha mãe. Você bem que podia vir comigo.
— Almoçar com vocês? Mas é um momento família. Acho
que... Sei lá, talvez sua mãe prefira que sejam apenas vocês.
— Quem disse que você não é da família? E minha mãe te
adora, sabe disso.
Ela tomou um gole do suco de laranja.
— Tá legal. Eu vou.
Sorri e pisquei pra ela.
Por volta do meio dia, Alberto chegou. Foi todo gentil
com a minha mãe que estava eufórica. Nós nos cumprimentamos e logo a campainha
tocou. Era ela.
Carol estava linda, com um vestido branco, acima dos
joelhos e cabelos soltos.
Ela era toda delicada e extremamente meiga, e aquilo
mexia comigo de todas as formas.
— Oi. — ela disse dando-me um sorriso.
— Oi. — falei embasbacado. — Entra!
Carol entrou e imediatamente minha mãe foi de encontro a
ela e elas se abraçaram.
— Carol que saudades, você está linda
como sempre.
Minha mãe estava completamente certa.
— Oh Ester, obrigada! Você também está
muito linda.
Minha mãe sorriu agradecida.
— Bom, esse é o Alberto, meu namorado. E
Alberto essa é a Carol, nossa amiga há anos.
— É um prazer conhecê-la Carol. Achei
que você fosse a namorada do Bruno.
Carol me olhou totalmente sem graça.
— Ah, não, nós somos — uma pausa — Somos
amigos de infância. A namorada do Bruno é de outra cidade.
— Mmmm, desculpe-me por esse erro.
— Não se preocupe, Alberto. Eu que os conheço há anos,
não sie até hoje o que ele são na verdade.
Minha mãe olhou compassiva para a Carol.
— Mas ainda espero ter a Carol como a minha nora.
Carol ficou vermelha.
— Bom, vou ver o assado e já volto. Vem
comigo Alberto?
— Ah, sim, é claro!
Carol respirou fundo disfarçando o nervosismo.
— Eu disse que ela te
adora.
— Engraçadinho. — disse
ela, fazendo uma careta.
— Tá, desculpe por isso.
— Não, tá tudo bem. —
disse ela, disfarçando.
— Vem aqui, estou organizando minhas
coisas. — falei levando-a
para meu quarto.
Assim que ela chegou, sentou-se em minha cama e eu me
deitei ao lado dela.
— Era tão bom quando ficávamos aqui a
tarde toda, lembra?
— Eu me lembro. Você dormia o dia todo,
enquanto me matava de estudar.
— Como eu era idiota, se fosse hoje eu
jamais dormiria. — falei
dando-lhe uma piscada.
Ela sorriu e passou a mão em meus cabelos.
— Passou muito rápido, não foi?
Concordei sem dizer nada.
— Que horas você vai embora? — Carol
indagou.
— Meu voo é às seis. E o seu?
— O meu é as nove, mas logo meu pai vem
me buscar. Ele quer ficar um tempo comigo antes, então...
— Meninos, o almoço está servido! —
disse minha mãe entrando em meu
quarto.
O almoço foi perfeito. Alberto conversou bastante comigo
e com a Carol. Ela como sempre estava totalmente em casa e confortável em nossa
companhia. Já minha mãe, estava tão feliz que mal se cabia. No fundo, foi bom
vê-la assim, fazia anos que dona Ester não se sentia tão bem.
Após o almoço,
Carol ajudou minha mãe e eu fiquei conversando com o tal do Alberto. Depois, eu
a sequestrei da cozinha e fomos para o meu quarto, onde conversamos por algum
tempo. Por volta das três da tarde o celular dela tocou, era o pai dela.
— Bruno, eu preciso ir! Ainda tenho que
arrumar minhas coisas. E meu pai logo estará aqui.
— Obrigado por ter ficado comigo.
Confesso que não estava me sentindo à vontade quando soube que o namorado da
minha mãe viria. Mas com você aqui, as coisas saíram perfeitamente.
Ela sorriu.
— Fico feliz em ter ajudado.
Nós nos abraçamos e eu quase a beijei. Meus lábios tocou
os lábios dela, mas ela se esquivou.
— Bom...Ah... A gente
vai se falando.
Concordei frustradamente.
— Vou sentir sua falta.
— É. Eu também. — sussurrou ela.
Nossos olhos se encontraram e quando dei por mim, já
estava com meus lábios colados aos dela. Nos beijamos de forma intensa e
apaixonada. Era como se ela se despedisse de mim para sempre.
— Droga, eu tenho que ir.
Ela saiu logo depois. Caí em minha cama arrasado. Pois em
poucas horas, minha vida voltaria ao normal em Lorena. Sendo que estar ao lado
da Carolina, naquelas últimas horas, era como se tivesse sido um sonho, mas eu
tinha que acordar e encarar a realidade. Fui tomar um banho, pois meu tempo
estava estourando e eu precisava ir para o aeroporto.
Liguei meu celular e vi mais uma centena de mensagens da
Marina. Ela estava feito louca atrás de mim. Poucos minutos depois meu celular
tocou, era ela, toda histérica, porque não tinha respondido as mensagens e nem
ligado de volta.
Respirei fundo e contei até vinte, deixando ela falar,
falar, falar e falar.
— Acabou? Porque agora eu preciso correr
para o aeroporto.
— Por que você está fazendo isso, Bruno?
Sorri descrente.
— Marina, eu estava com a minha mãe. Mal
tive tempo de ficar com ela. Cheguei tarde da festa ontem e nem vi a porra do
celular. Fiquei fora apenas um dia, pra que tudo isso?
Ela ficou em silêncio.
— Tudo bem, me desculpa! Eu espero você.
— Tá certo, depois a gente se fala. —
falei e desliguei em seguida.
No fundo eu sabia que estava fazendo tudo errado. Eu e a
Marina não tínhamos nada a ver, nada em comum, então, o mais certo era terminar
tudo de uma vez. Ao invés de tratá-la mal.
Eu e minha mãe saímos do apartamento por volta das quatro
horas da tarde, e por incrível que pareça, foi o mesmo horário que a Carol
estava saindo do apartamento dela, com o Ricardo.
Ela estava de calça jeans, uma blusa azul deixando parte
dos ombros de fora e os cabelos amarrados, onde todo seu pescoço ficava
exposto. Cheguei a ficar desconcertado só de ver a pele dela exposta daquela
maneira.
— Oi Bruno, quanto tempo! — disse Ricardo apertando minha mão.
— Como vai Ricardo?
— Tudo bem, graças a Deus. — ele disse passando o braço sobre os ombros
da Carol e segurando a mala dela com a outra mão.
— E você, Ester, como vai?
— Vou bem, Ricardo. — minha mãe
falou dando-lhe um sorriso afável.
— Olha como o tempo passa! Nossos filhos
de malas feitas, voltando para a casa deles. E a gente fica aqui, com o coração
na mão.
Carol me olhou estranhando o comentário do pai dela,
assim como eu.
Ele não era um pai de ficar com o coração na mão!
Nós dividimos o
mesmo elevador e eu amei poder ficar ao lado dela mais alguns minutos.
— Pois é, agora cada um vai para um
lado. — concluiu minha
mãe.
Ricardo concordou.
— Mas temos sorte, são garotos
excelentes. — disse
Ricardo puxando a filha para mais perto dele.
Senti um certo desconforto vendo ele a abraçar daquela
maneira, afinal, era eu quem queria abraçá-la.
“Porra, Bruno, é o pai dela. ”
— Nossos filhos são maravilhosos,
tivemos muita sorte.
— Você tem razão. — falou ele.
Nossos olhares se cruzaram e ela sorriu. Chegamos ao
saguão e nos despedimos em seguida. Eu e minha mãe seguimos para o
estacionamento e Carol e o pai dela seguiram para a saída principal, pois o
carro dele estava em frente ao prédio.
No meio do caminho, olhei para trás, para dar uma última
olhada em Carol e então ela também olhou. Ela sorriu e eu sorri, dando a ela
uma piscadela.
Cheguei em São José por volta das nove horas da noite.
Passei o voo inteiro pensando no que dizer a Marina. E cheguei a uma conclusão:
simplesmente terminar nosso relacionamento. Não tinha como eu ignorar as
últimas horas que passei ao lado da Carol, não podia mais ignorar meus
sentimentos.
Marina estava me esperando, estava linda como sempre, em
um vestido claro, provavelmente caríssimo, justo ao corpo escultural dela. Ela
era linda, e eu não entendia o porquê de ser tão insegura.
— Já era hora! — ela disse com um sorriso de orelha a
orelha.
— Oi. — falei secamente.
Marina me abraçou e me beijou em seguida.
— Senti tanto sua falta.
Eu a abracei tomando coragem de falar com ela.
— Bruno, você não acredita! Vamos para a
França e passaremos um mês por lá. Aqueles meus amigos me fizeram o convite,
eles irão me apresentar várias universidades por toda a Europa e fazem questão
que eu vá e fique o tempo que quiser por conta deles.
— Como assim vamos?
— Você e eu. Você vai comigo, é claro.
— Eu não posso ir. Tenho a faculdade,
esqueceu?
— Não, já pensei em tudo. Eles queriam
que eu fosse em alguns dias, disseram que têm algumas propostas para mim, mas
eu os convenci de ir apenas nas férias, aleguei os meus compromissos na
faculdade, e eles concordaram. Assim poderemos ir juntos. — ela falou enquanto seguíamos para o
estacionamento.
Ela sempre dava um jeito de me incluir nos compromissos
dela.
— Marina, espera.
Ela parou e me encarou sem entender.
— O que foi? — perguntou sem entender.
Passei as mãos em meu cabelo.
— Nós precisamos
conversar. Eu pensei bem e não dá mais, não está dando certo.
— Como assim? Eu ouvi direito?
— É exatamente o que ouviu. Não dá mais. Eu preciso
seguir com a minha vida.
Marina me olhou sem entender e nesse momento o celular
dela tocou. Ela fez sinal para que eu esperasse e o atendeu em seguida.
— Oi mãe.
Um silêncio.
— O quê? Como assim?
Ela ficou paralisada e sua cor sumiu por completo.
— O que houve?
Marina tirou o celular do ouvido e era como se tivesse
congelada.
— O que aconteceu? — falei ficando preocupado.
— Meu pai... Ele... Ele acabou de ser
levado ao hospital. Minha acha que ele teve um AVC, ela está em pânico Bruno!
— O quê? Como assim?
— Eu...Eu não sei. Vamos para lá.
Marina saiu em disparada e eu fiquei sem saber como agir.

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