quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Sob o olhar das Estrelas, parte 23, por Érika Prevideli

Sob o olhar das Estrelas

Parte 23

Durante a viagem para casa, não conseguia parar de pensar em Bruno e no quanto foi bom passar o dia com ele. Porém, percebi que não tinha outra escolha, a não ser dobrar meus sentimentos e guardá-los em um lugar bem escondido, afinal, ele sequer tinha mencionado de terminar com a namorada para nos dar mais uma chance.
Cheguei em São Paulo passava da meia noite. Estava exausta, mas por sorte, minha aula no dia seguinte seria apenas na parte da tarde. Meu celular vibrou e eu sorri ao ver quem era. Minha esperança era que ele pudesse me dar a notícia da qual eu tanto esperava: ter terminado tudo com a tal namorada para finalmente ficarmos juntos.

Como foi de viagem? Ah, e você estava linda! Queria ter sido o sortudo que sentou ao seu lado.
Quero agradecer novamente pela sua companhia durante o almoço e dizer que fiquei muito, mas muito feliz em me reaproximar de você. Você não terá paz nunca mais, eu juro!
Passei a viagem toda pensando sobre nós e no quanto sou feliz estando ao seu lado. Tanto que cheguei disposto a terminar com a Marina, ela estava me esperando no aeroporto e quando estávamos indo em direção ao estacionamento, ela mencionou sobre uma viagem que faríamos juntos. Aproveitei esse momento para terminar com ela, porém, o destino me deu outra rasteira.
Comecei a ris histérica, sem saber o que pensar, mas conseguia terminar de ler a mensagem, até que meus olhos caíram sobre as letras e vi que minha alegria não tinha motivo algum.
Marina ainda estava digerindo tudo o que eu disse, quando o celular tocou em sequência.
Era a mãe dela, dizendo que o pai havia passado mal e foi levado ao hospital. Mas ele chegou lá sem vida. E agora estou aqui, rodeado por pessoas que eu não conheço, todas arrasadas e chorando muito.
É foda tudo isso, confesso que estou me sentindo péssimo, porque por mim, esse namoro já teria terminado há algumas horas, mas como posso fazer isso com ela dessa forma? Enfim, só achei que precisava saber.
Depois eu te ligo.
Com amor, Bruno

“Uau! Que merda de destino cruel esse meu”!
Fiquei com os olhos vidrados, olhando para o nada, indignada com a minha própria falta de sorte. Entretanto, imediatamente me arrependi, pois naquele mesmo momento existia várias pessoas estavam sofrendo muito com a partida de uma pessoa querida para eles. Mesmo eu detestando a tal da Marina, sabia que ela estava sofrendo muito e senti-me mal por ela.

Oi, Bruno. Caramba, nem sei o que dizer.
Eu sinto muito pela a Marina. Ela precisa muito de você agora.
Beijos, Carol

Tomei um banho e fui me deitar. Mais tarde chegou outra mensagem dele.

Seu cheiro está em mim, acredita?
Eu fecho os olhos e imagino você ao meu lado.
— Meu cheiro? Como assim? Ele vai acabar me deixando louca.
Respirei fundo.
— Droga, Carol, não seja tola, ele só está tentando agradá-la por que sabia que no fundo você ficou toda esperançosa com ele. Seja sarcástica e irônica e vá dormir. — disse a mim mesa.
Como assim, meu cheiro em você?
Não me diga que você está confundindo meu cheiro com as flores do velório.

Enviei a mensagem e a resposta chegou no mesmo instante.

Sua boba, estou com meu terno da formatura. E quando você o colocou, deixou nele seu cheiro maravilhoso.
Eu ri imaginando a cara que ele fez ao ler minha mensagem.

Oh, me desculpe Sr. Armani. Esqueci que agora você faz parte de uma família tradicional. Vá se acostumando com seus ternos caríssimos. Cuidado! Deixa sua namorada sentir meu cheiro nesse terno que o próximo velório será o meu.

Ele respondeu na sequência.
Ou o meu!
Boa noite, Carol! Falo com você amanhã.
Ah, eu amo você
Senti meu coração apertado. Ele me amava, mas era ao lado dela que ele estava.

Boa noite, Bruno. Sinto muito pelo o que aconteceu.
Enviei a mensagem e caí na cama chorando.


Estávamos em abril. Foi quando recebi uma notícia que me deixou radiante: Felipe estava indo morar em São Paulo, ele tinha arrumado um emprego em um jornal de renome. Ele mesmo brincou que só conseguiu um emprego nesse nível por mérito do pai dele, que era um homem influente em todo país. Caso contrário, ficaria de porta em porta atrás de um emprego meia boca.
Uma semana depois, Felipe se mudou. Morávamos razoavelmente longe, já que eu morava perto do campus da USP no Butantã e ele, bom, ele simplesmente ganhara um apartamento dos pais dele no bairro dos Jardins.
Como ele era novo na cidade, nos tornamos ainda mais amigos. Saíamos quase todas as noites juntos. Ele conheceu alguns amigos meus da faculdade e eu estava começando a conhecer o pessoal do jornal.
Chegamos até a voltarmos juntos para Porto Alegre algumas vezes, mas quando não, ficávamos em São Paulo e saíamos com nossos novos amigos em comum.
Eu e o Bruno nos falávamos diariamente. Ele enfim tinha voltado a ser como antes. E acredite! Pedia-me ajuda até para escolher as roupas que ele usaria para sair com a namorada patricinha dele. Tudo bem que aquilo me matava por dentro, porém, tentava ao máximo disfarçar minha frustração interior.
E eu também ligava para ele para qualquer coisa, tanto que cheguei a falar com a tal Marina diversas vezes, que morria de curiosidade em me conhecer. Também tinha muita curiosidade em conhecê-la, embora já a conhecesse por fotos, após fazer uma busca detalhada dela na internet e confesso ter me assustado, afinal, ela era um mulherão. Impecável. Deixando-me ainda mais devastada por dentro. Mas o Bruno reclamava muito dela, que ela o sufocava cada vez mais. Acontece que mesmo ele reclamando direto, a verdade é que ele não tinha coragem de deixá-la. E isso fazia com que minhas esperanças em relação a ele, fossem cada vez mais por água abaixo. Afinal, não tinha como disputar com alguém como ela, chegava a ser uma comparação desleal.
Em junho, uns dias antes do meu aniversário, Felipe chegou todo animado, em meu apartamento com uma pizza gigante pois os meninos viriam para São Paulo, onde comemoraríamos meus vinte e um anos de idade. Fiquei muito feliz com a notícia de rever meus amigos. Felipe sacou o celular e no mesmo instante ligou para Bruno, o convidando para vir também. Já que meu aniversário cairia no sábado, assim teríamos todo o final de semana para comemorarmos.
Comecei a arrumar minha minúscula mesa para jantarmos e após alguns minutos de conversa, Felipe Scutti finalmente desligou o celular.
— E aí? — perguntei apreensiva. — Ele vem?
— Bom, ele não deu certeza. Parece que ele tem um compromisso com a namorada grã-fina dele no final de semana, mas disse que vai dar um jeito.
Suspirei frustrada, enquanto colocava vinho para nós dois.
— Dúvido que ele consiga. Mas enfim, se ele não vier, comemoraremos nós. — falei disfarçando minha tristeza.
— Com certeza. — disse Felipe entregando-me um pedaço de pizza.
— Ela é uma vadia manipuladora. — deixei escapar.
— É vadia, mas é gostosa e rica.
Fiz uma careta pra ele, que enfiou um pedaço de pizza na boca.
Gustavo e Tiago chegaram na sexta-feira à tarde. Saí da faculdade e fui buscá-los no aeroporto, onde eles me abraçaram até quase me sufocarem, e de lá seguimos para o apartamento do Felipe, onde levei todas as minhas coisas para me arrumar.
Estava com as chaves do apartamento moderno do Felipe, e os rapazes ficaram de cara, assim como eu fiquei quando fui conhecer o tal lugar. Era tudo de muito bom gosto e tinha tudo de mais moderno.
Algum tempo depois, Felipe chegou ficamos conversando animadamente.
— E o Bruno, vem? — indagou Felipe.
— Bom, eu acho que não. — falei com ele mais cedo e ele nem tocou no assunto. Então...
— Então significa que a vadia manipuladora não o liberou. — ele brincou.
Os rapazes riram querendo saber sobre a namorada de Bruno e Felipe contou a eles todas as mancadas que ela dava das quais o Bruno nos contava. Mas, claro, também contou o quanto ela era “ gostosa”, segundo ele.
Enquanto eles conversaram, fui tomar um banho no banheiro de Felipe e me arrumei em seguida. Coloquei uma saia rodada estampada, uma blusa preta de mangas longas, com uma das mangas caída, deixando parte do ombro de fora, calcei meu scarpin preto e fiz uma maquiagem, delineando bem meus olhos. Como tinha passado do salão antes de buscar os rapazes, já estava com o cabelo escovado.
Gustavo como sempre, estava cheio de gracinhas comigo, e eu como sempre, vivia me esquivando. Fomos em dois carros, pois de lá eu ia para meu apartamento. Chegamos na Five Cervejaria por volta das nove horas da noite, e minutos depois, o celular de Felipe tocou e ele saiu para atender. Enquanto conversava com os meninos, olhei para a porta principal e vi Bruno entrando com Felipe. Meu coração disparou e senti um calafrio percorrendo todo meu corpo. Bruno estava lindo. Ele já era um homem, tinha deixado para trás aquela carinha de garoto. Seu corpo estava mais forte, seus cabelos castanhos lisos impecavelmente jogados e uma barba por fazer. Ele usava uma camisa branca, dobrada na altura dos cotovelos e uma calça jeans escura que mostrava o quanto sou corpo estava perfeito.
Eles pararam perto de mim e eu parecia petrificada com um sorriso ridículo no rosto.
— Não acredito! Você veio?
— É claro que eu viria. — ele disse me abraçando.
Conforme o abracei, inalei seu cheiro que fez todos os pelos do meu corpo se arrepiarem.
— Não vou te dar os parabéns ainda. — ele falou sorrindo para mim.
— Você vai ficar?
— Na verdade não! — ele disse fazendo cara de frustrado. — Tenho que ir para São José dos Campos assim que sair daqui.
— O que importa é que você está aqui. Quer dizer que sua namorada aceitou numa boa em te liberar para meu aniversário?
— Opa, o aniversário não é do Felipe? — ele disse dando-me uma piscada.
— Seu patético.
— Eu disse que daria um jeito e esse jeito foi inventar essa desculpa.
— Não importa. Você está aqui. Só espero não lhe causar problemas.
— Não vai.
Assenti e ele beijou meu rosto. Fomos nos sentar e claro, ele sentou-se ao meu lado. Nós brindamos, bebemos, conversamos sobre diversas coisas, brindamos novamente não me lembro o quê, e demos muitas risadas. Era um aniversário perfeito.
Algum tempo depois, percebi um cara me encarando do bar. Bruno também percebeu e parecia enciumado. Então o tal homem se aproximou, chegando ao meu lado.
— Carolina, como vai?
Era o César, meu ex-professor de Ciências Econômicas, do primeiro semestre. Ele era lindo de tirar o fôlego. Tanto que me deixou desconcertada.
— Oi, César, a quanto tempo!
César me abraçou e me beijou o rosto.
— Não pude deixar de notar que vocês estão comemorando seu aniversário. Meus parabéns.
O abraço de César chegou a me engolir, eu ficava minúscula perto dele.
— Obrigada! — respondi sem graça depois daquele abraço de urso. — Bom... Ah... Esses são meus amigos, Felipe, Bruno, Tiago e o Gustavo. — falei apontando cada um.
César imediatamente apertou a mão dos quatro rapazes. Bruno o olhou impassível. Confesso que me senti bem contente com aquela cena.
— Foi um prazer revê-la. — disse ele, com os olhos cravados nos meus. E Carolina, a gente se vê por aí.
— Tudo bem!
— Foi muito bom ver você. — sussurrou ele.
— Foi bom ver você também. — respondi sendo agradável.
César despediu-se dos rapazes e saiu em seguida.
— Que merda, marcote, o cara quase despiu você com olhos. — brincou Felipe — Que babaca!
Bruno olhou para Felipe, forçando um sorriso. Na verdade, ele parecia puto da vida.
— Professor não vale, Carol. — brincou Gustavo.
— Ah, eu sempre tive taras pelas minhas professoras. Quem nunca bateu uma pensando na professora gostosa? — indagou Tiago.
— Vocês são nojentos e estão blefando.
Bruno virou  copo de cerveja e não disse uma palavra.
Minutos depois o clima já havia se normalizado e Bruno estava relaxado novamente. Quando pedimos a conta, os rapazes disseram que eu não pagaria minha parte, já que era meu aniversário. Mas então, o garçom veio dizendo que a conta já havia sido paga pelo César. Olhei para ele desconcertada e ele retribuiu dando-me um sorriso, seguido de uma piscadela.
— Que cara mala. — soltou Bruno.
— Eu vou até lá para agradecê-lo.
Fui até o balcão do bar, onde César estava sentado com uns amigos.
— Não posso acreditar que você fez isso!
— Foi meu presente de aniversário para você.
— Mas César! Isso não é justo. E você nem ao menos sentou-se com a gente. Aliás, desculpa minha indelicadeza, por não ter convidado você a juntar-se a nós.
— Bom, então nesse caso, você fica me devendo um jantar um dia desses. Pode ser?
Olhei sem reação para ele que riu ao ver minha cara.
— Bom... Ah... Tá, um dia desses.
— Não estou te pressionando. Fica tranquila.
— Eu sei disso! E mais uma vez obrigada.
Nós nos despedimos, e ele novamente beijou meu rosto e me abraçou. Em seguida, me juntei aos meus amigos.
— Já que o babacão pagou toda a conta, podemos estender a noite em alguma danceteria? Afinal, não gastamos grana alguma. — concluiu Gustavo.
— Antes de ir para qualquer lugar, eu preciso dar o meu presente para a Carol. Mas eu preciso fazê-lo primeiro.
Todos olhamos sem entender para o Bruno.
— Como assim cara? — perguntou Tiago.
Bruno sorriu deliciosamente.
— Uma tatto. Vi que tem um estúdio aqui perto e está aberto, então é pra lá que eu vou.
Todos olharam para mim nesse momento.
— Uma tatuagem para mim? Como assim?
— É, em sua homenagem.
— Sua namorada patricinha vai matar você. — disse Felipe.
— Bruno, isso é uma coisa séria.
— É por isso que eu quero fazer. Você é importante para mim de todas as formas. E sempre será.
— Ah, essa eu quero ver. — falou Gustavo.
Nós fomos andando para o estúdio, já que ficava na mesma quadra da cervejaria. Assim que chegamos, Bruno foi prontamente atendido, e ele disse que queria fazer uma tatuagem para homenagear uma pessoa importante. O tatuador perguntou se era uma namorada. Bruno me olhou sem graça e disse que não, não era uma namorada, mas era alguém que ele gostava muito. Os rapazes começaram a zoar com ele, e eu estava totalmente desconcertada com aquela situação.
— É ela? — perguntou o tatuador.
— É ela sim. — disse Bruno sem hesitar.
O tatuador nos mostrou diversas tatuagens com nomes, então ele me olhou.
— E você vai fazer uma também?
Fiquei ainda mais sem reação naquele momento.
— Ficaria legal vocês fazerem uma tatuagem com continuação.
Eu e Bruno nos entreolhamos sem entender.
— Uma parte de um desenho em um e a continuação do desenho no outro. Uma espécie de cara metade.
— Eu gostei. — falei.
— Batimentos cardíacos, o que acha? — disse Bruno.
— Fica legal, cara. Os batimentos quando unidos, tornam-se um só.
— Eu amei. — falei sorrindo para o Bruno.
— Mas você topa fazer também?
— Claro, porque não!
Os rapazes olharam descrentes.
— Caralho. Vocês são mais malucos do que eu pensei. — disse Tiago.
Então depois de projetar nossa tatuagem, o tatuador fez toda a profilaxia e em seguida começou por mim. Fiz a tatuagem no lado interno do pulso direito, começando com a letra B e em seguida saía os batimentos cardíacos. Doeu para caramba. Mas ainda assim, eu estava radiante. Em seguida, foi a vez de Bruno, onde ele fez a mesma tatuagem, porém, começando com os batimentos cardíacos e terminando com a letra C. Bruno a fez no lado interno do pulso esquerdo.
Depois de pronta, unimos nossos pulsos onde se formou um batimento cardíaco contínuo, começando com a letra B e terminando com a letra C. Ficou incrível.
Os rapazes se empolgaram tanto que começaram a escolher a deles. Olhei para o Bruno sem saber o que lhe dizer. Sentia-me no céu. E ele também, pois estava com um sorriso imenso nos lábios.
— Ei cara, depois dessa, acho que deveríamos selar nossa amizade, o que acham? — indagou Felipe. — Vamos fazer uma tatoo com as nossas iniciais? Afinal são tantos anos de amizade.
Não sabia se era o álcool ou apenas coragem mesmo, mas nos sentamos e o tatuador nos desenhou uma espécie de mandala com as iniciais dos nossos nomes. Todos nós aprovamos e em seguida os cinco receberam o desenho da mandala do lado de dentro do antebraço esquerdo. A tatuagem era pequena e discreta, com as letras B,C,F,G,T. Tiago e Felipe se empolgaram a agendaram um novo horário para o outro dia onde fariam outro desenho.
Eu não conseguia parar de olhar para meu pulso direito. Teria ali comigo a inicial do nome do Bruno para sempre, e ele teria a minha.
— Sua namorada vai matar você. — falei em sussurro.
— Eu não me importo. — ele disse me dando um beijo no topo da cabeça e me abraçando em seguida.
Nós nos entreolhamos e eu senti naquele momento todo o carinho que existia entre nós. Nosso sentimento era totalmente recíproco, não era um sentimento de mão única.
— Pra balada agora? — perguntou Felipe nos interrompendo. — Tem uma boate aqui nessa quadra, é bem bacana, podemos deixar nossos carros no estacionamento da cervejaria.
Ambos concordamos, mas nenhum dos dois queria isso. No fundo tínhamos outras intenções. Assim que entramos na Boullevard, uma boate típica de playboys, fomos direto para uma mesa em uma área vip. A boate estava lotada, principalmente por ser uma sexta-feira, aliás, já era sábado, já que era madrugada. Os meninos puxaram os parabéns para mim, e eu quase morri de vergonha, pois toda a área vip cantou junto. Com isso, ganhei da casa um Champanhe que na certa custava os olhos da cara. Brindamos outra vez e então Bruno se inclinou.
— Feliz Aniversário, linda! — disse ele, encarando-me. Estávamos a milímetros de distância, tanto que conseguia sentir o hálito de menta que saía de sua boca.
— Obrigada, Bruno! Obrigada pela surpresa e pelo presente. — disse, segurando o pulso dele.
Ficamos nos entreolhando como se estivéssemos sozinhos naquele lugar. Algum tempo depois, Felipe se aproximou.
— Posso interromper e cumprimentar minha amiga?
Bruno sorriu e Felipe me abraçou. Em seguida os outros fizeram a mesma coisa.
— Eu preciso ir ao banheiro. — disse para os rapazes, algum tempo depois.
Estava bem alterada depois de tanto álcool, mas me sentia radiante com a presença dos meus amigos. Já no banheiro, encarei-me. Estava feliz, porém, nervosa com a presença do Bruno. Os olhares incisivos dele me deixava sem chão.
“Você precisa se controlar garota. ” — falei para mim mesma. — “E nem pense nisso”! —adverti-me, por causa das segundas intenções que estavam rondando minha cabeça, em relação ao Bruno.
Respirei fundo. Assim que saí do banheiro, senti alguém me puxando. Olhei assustada e vi o Bruno, com um sorriso que me desarmou.
— Achei você! — ele disse me cercando — Finalmente consegui ficar sozinho com você.
— Não sabia que você estava me procurando. — falei ironicamente.
Ele riu.
— Preciso fazer uma coisa, senão vou ficar ainda mais maluco.
— Você é maluco. Tanto que acabou de tatuar minha inicial no seu pulso.
— Ah, tem razão. Sou maluco, por você.
Engoli seco.
Bruno me encarou e se inclinou sobre mim.
Nossos lábios ficaram a centímetros de distância. Minha vontade era de beijá-lo até não aguentar mais, mas eu não podia fazer aquilo de novo, sendo que ele estava namorando.
— Bruno, não podemos fazer isso. — disse encostando minha testa na testa dele.
Ele encostou o rosto em meu cabelo, como se sugasse todo meu cheiro.
— Carol, eu...
Coloquei meu dedo em seus lábios.
— Não faz isso comigo! Você está namorando. E não é certo. Não é certo nem comigo e muito menos com ela.
Bruno concordou decepcionado.
— Você tem razão. — ele falou beijando meu rosto em seguida.
Suspirei fundo tentando não cair em tentação.
— Então vamos voltar ou eu não respondo por mim. — falei dando-lhe um sorriso malicioso.
Ele sorriu e nós voltamos para nossa mesa, onde Felipe nos esperava aflito.
— Cara, sua namorada me ligou.
— O quê? Como assim?
— Não sei. Mas ela está em São Paulo, no Jardins, procurando você.
Bruno me olhou impassível.
— Eu disse a ela que ficaríamos em seu apartamento no Jardins. Mas nunca imaginei que ela viesse atrás de mim.
— E meu número, como ela conseguiu?
Ele balançou a cabeça desacreditado.
— Eu não acredito! Ela provavelmente mexeu em meu celular.
Olhei para Bruno, agradecendo aos céus por não ter caído em tentação. E ele retribuiu meu olhar, parecendo o ser mais constrangido do mundo.
— Que merda. O que eu faço? — ele me perguntou.
Eu ri nervosamente.
— É a sua namorada, Bruno. Liga para ela. — menti, no fundo, esperava que ele não ligasse.
Bruno irritantemente fez o que eu disse e pegou o celular, saindo de nossas vistas.
— Onde vocês estavam? — indagou Felipe.
— Fui ao banheiro, e ele foi atrás de mim, mas não se preocupe. Não fiz nada que me arrependesse.
— Finalmente! — exclamou Tiago levantando as mãos para o alto.
Sorri exteriormente. Mas estava arrasada por dentro.
— Se quiser fazer alguma coisa comigo, estou à disposição. — brincou Gustavo.
Dei um sorriso constrangido, tentando disfarçar minha frustração.
Minutos depois Bruno voltou e me puxou para o lado.
— Carol, me desculpa. Nunca imaginei que isso aconteceria.
Olhei para ele fingindo não entender.
— Bruno, nós somos amigos e ela é a sua namorada. Não tem nada demais ela se juntar a nós. Não se preocupe, está tudo bem.
— Você não está chateada?
— De maneira alguma! — menti outra vez.
Disfarcei e virei um copo de cerveja, que peguei do Gustavo. Bruno me encarou, como se não acreditasse em mim.
O celular dele tocou e era ela. Provavelmente ela havia chegado. Eu o olhei balançando a cabeça como se desse o consentimento e ele saiu.
Gustavo veio até mim, enganchando seu braço em meu pescoço.
— E a novela mexicana continua!
— Claro que não! Somos apenas amigos, nada além disso.
Gustavo segurou meu queixo e balançou meu rosto em seguida.
— Eu não iria tatuar a inicial de uma pessoa em meu corpo se eu não a amasse. E eu a conheço muito bem Carolina, e quer saber? Você é péssima em mentir. Está fingindo que não se importa, mas está arrasada por dentro.
Olhei para ele, fingindo não entender; porém, não discordei. Nós nos sentamos em seguida.
— Bem, você tatuou minha inicial no seu braço, juntamente com a dos seus amigos. Amigos fazem isso, sabia?
Ele riu.
— Nunca dormi com nenhum de vocês. Diferente de você e do Bruno. Merda, você gosta dele, quando vai assumir isso? E olha só, o cara te deixou aqui e foi correndo atrás da namorada dele, outra vez.
Respirei com dificuldade.
— Você quer me deixar ainda pior? Está conseguindo.
Ele balançou a cabeça em negação.
— Só queria que olhasse ao seu redor e parasse de enxergar apenas o idiota do Bruno. Eu te amo, porra. Quando vai entender isso.
Meu coração ficou ainda mais apertado.
— Eu... Eu também amo você. Mas não dessa forma. Queria que fosse diferente, eu juro.
Ele riu, chateado.
— É. Eu também.
Gustavo me abraçou e beijou o topo da minha cabeça.
— Vem, vamos sentar. — disse ele, segurando minha mão.
Eu me sentei entre Felipe e Gustavo, assim eles seriam meu esteio. E então Bruno entrou com a tal mulher. Que era claramente mais velha. Apesar disso, admito que quase caí da cadeira. Ela era simplesmente linda. Parecia uma atriz internacional. Alta, cabelos platinados, sarada, turbinada e chiquérrima. Fiquei tão sem reação que mal conseguia respirar. Ela estava lá para esfregar na minha cara o quanto era bonita e que era na cama dela que o Bruno acabava a noite.
— Cacete, que gostosa! — disse Gustavo em sussurro.
— Que cara de sorte! — completou Tiago, com a boca entreaberta.
Eles pararam em nossa frente e ela sorriu de orelha a orelha. Bruno chegou a ficar ainda mais lindo ao lado dela e naquele momento tive a certeza de que nunca mais ganharia espaço na vida dele.
— Essa é a Marina e Marina esses são meus amigos. Esse é o Gustavo, o Tiago, o Felipe e... — ele fez uma pausa — Essa é a Carol.
Nós nos levantamos para cumprimentá-la e eu mal podia sentir minhas pernas de tão nervosa que estava. Marina cumprimentou todos os rapazes e parabenizou Felipe, que não sabia como agir por causa da mentira. E em seguida ela virou-se para mim.
— Carol, como vai? Estava ansiosa para conhecer a melhor amiga do Bruno.
Eu ri desconcertada.
— Como vai Marina? É um prazer conhecê-la. — falei estendendo minha mão.
Ela a apertou e imediatamente me beijou o rosto. Me senti uma colegial ao lado dela. Alguns instantes depois, nós nos sentamos e o casal sentou-se ficando de frente para mim. Observei Bruno colocando cerveja no copo dela e meus olhos foram parar na direção da tatuagem dele que estava quase reluzente. Nesse momento, abaixei a manga da minha blusa, escondendo qualquer vestígio da minha.
Marina olhou para ele.
— Amor, eu não bebo cerveja, você sabe!
Em seguida ela chamou o garçom e pediu um drinque.
Olhei para Tiago e quase soltei uma gargalhada. Precisava anotar aquilo para zoar o Bruno futuramente. O garçom chegou levando o drinque da loura poderosa e as cervejas para os pobres mortais, que éramos nós. Bruno completou o copo dos amigos e em seguida completou o meu. Olhei para ele, dado um sorrisinho forçado que o deixou totalmente sem jeito.
Começamos a conversar sobre várias coisas, mas o impressionante era que a Marina não tirava os olhos de mim. Era como se ela analisasse cada movimento, cada olhar, cada sorriso, cada expressão facial. Aquilo estava me deixando totalmente sem ação, mas ainda assim, mantive-me firme o quanto podia, disfarçando toda a tristeza em meu coração. Afinal, ao vê-los juntos, estava claro que minha história com o Bruno tinha terminado. Ele podia até dizer que eu era importante, porém, tinha visto com meus próprios olhos que era da boca pra fora e no fundo Gustavo tinha razão. Eu sempre acabava ficando em segundo plano.
Felipe me disse algo e nós rimos o que chamou a atenção da Marina.
— Vocês são...
Olhei para ela sem entender.
— Um casal?
— Ah, não! Apenas bons amigos. — respondi espontaneamente.
Ela riu.
— Eu nunca perguntei isso para o Bruno, mas sempre desconfiei que você fosse lésbica. Não sei de onde tirei isso. E agora vendo você, assim... Enfim, vejo que me enganei.
Olhei descrente para ela, ela tinha acabado de tirar todo o resto do meu equilíbrio. Gustavo foi rir e acabou cuspindo toda a cerveja. Tiago e Felipe também não aguentaram e começaram a rir. Eu olhei para o Bruno totalmente sem reação.
— Não. Ah... Não quis ofendê-la, afinal isso é tão comum hoje em dia.
Bruno olhou para ela, fulminando-a com o olhar.
— Você está louca? De onde tirou isso?
Ela balançou a cabeça sem entender.
— Não, tudo bem! Na verdade, quando eu era adolescente, os garotos me achavam meio moleca.
Nesse momento olhei para o Bruno e ele ficou ainda mais constrangido.
— Você não me ofendeu não. Afinal, ser homossexual não é uma ofensa para ninguém, é uma opção. Entretanto, sou heterossexual. Sempre tive namorados homens, apenas homens!
— E vários deles por sinal, não é mascote?
— Ah, não exagera, Felipe! — respondi entre um gole e outro de cerveja. — Mas Marina, quanto a minha relação com os rapazes. — disse apontando para eles — Eu os amo! Eles são meu porto-seguro. Fomos criados juntos e ao longo dos anos, nos tornamos inseparáveis, e é uma amizade muito sincera, pode ter certeza.
 — A verdade é que seria um desperdício se você fosse lésbica, afinal, por anos bati uma pensando em você na minha cama. — emendou Gustavo.
— Ah, você é nojento. — falei, bagunçando o cabelo dele.
— Se bem que, pensando assim, imaginar você com uma garota é bem excitante — concluiu ele.
— Vá se ferrar, Gustavo. — virei  copo de cerveja e em seguida, Gustavo o completou pra mim.
— Brincadeira, gata. Quer dizer, não na parte de bater uma pensando em você.
Fiz uma careta pra ele, que riu alto.
Marina me deu um sorriso amarelo. Bruno me encarou, como se estivesse culpado por toda aquela situação. Nossos olhares se encontraram, mas desviei o meu.
Percebi Marina monitorar cada olhar do Bruno e toda aquela inquisição, estava me sufocando.
— Preciso ir ao banheiro. — falei saindo em seguida.
Cheguei em frente ao espelho do banheiro e vi uma garota totalmente derrotada. Queria ficar ali escondida para sempre. Levantei o punho da blusa e olhei minha tatuagem e senti minhas lágrimas rolarem. Em pleno dia do meu aniversário, vi-me devastada pelo furacão louro. Enrolei ao máximo ali, mas precisava sair de lá de um jeito ou de outro. Passei pela nossa mesa e fiz sinal que estava indo ao bar. Eles me acompanharam com os olhos, principalmente Bruno que não disfarçava mais.
Senti uma pegada em meu braço. Olhei assustada e vi Daniel.
— Carol, não acredito? Quanto tempo!
Minha perna bambeou. Afinal, não via Daniel desde o término do nosso namoro.
— Daniel!
— Cara, encontrar você no dia do seu aniversário, é muita coincidência. Tentei ligar para você, mas provavelmente tenho seu número antigo.
Sim, porque eu tinha mudado até o número do meu celular após terminar com ele. Caramba! E ele ainda se lembrava do meu aniversário.
— Vem aqui! Meus parabéns, gata! E você está mais linda como nunca.
— Obrigada Daniel.
Daniel me abraçou me tirando do chão. Mergulhou o rosto em meus cabelos e não me soltava mais. Sim, ele ainda era lindo de morrer e exercia certo desconforto sobre mim, mas era um perigo iminente.
— Como você está? — ele indagou.
— Estou bem! — falei querendo encerrar o assunto.
— E eu estou limpo, Carol! Já não uso mais nada e não tenho contato nenhum com os caras que usava comigo.
Sorri aliviada.
— Fico feliz por você. Você é um cara bacana, merece muito mais do que aquelas coisas. Confesso que não esperava aquilo de você, mas ouvindo você dizer que está limpo, deixa-me muito feliz, com certeza.
Daniel me encarou e segurou minhas mãos.
— Senti sua falta, gata! Você não faz ideia do quanto penso em você.
Fiquei desconcertada. Olhei para minha mesa e descobri que eu tinha uma platéia me assistindo.
— Dani, eu estou com uns amigos e preciso voltar. Uma outra hora a gente se fala.
— Não, Carol! Não foge de mim, por favor! Vamos conversar só um pouco, juro que não vou tentar nada. Só preciso saber de você, ouvir sua voz.
Daniel não soltava minha mão.
— Eu... Ah... Estou com uns amigos de fora e agora não é uma boa hora. Mas prometo que conversaremos um dia desses.
Sair com o Daniel seria uma maneira de provocar Bruno, e sim, faria-me um bem danado para o meu ego, que estava despedaçado, porém, era um caminho sem volta, sabia que se voltasse a me envolver com ele, tudo voltaria a ser como antes. E lembrar da forma de como ele me sufocava, foi que me fez enxergar as coisas com mais clareza e continuar irredutível.
Ele me encarou suspirando fundo.
— Carol, não faz assim! Só te peço uns minutos. É só isso! Só quero que saiba o quanto sinto sua falta e que foi por você que eu mudei.
Ele me puxou e sussurrou em meu ouvido.
— Eu te amo. Isso não mudou. Penso na gente todos os dias.
Eu sabia que se eu cedesse, aquilo não pararia ali. Olhei para os rapazes exasperada.
— Nós iremos conversar, mas não hoje. Eu te disse, estou com uns amigos de fora. Agora eu preciso ir.
— Não vai, gata! Diga a eles que você volta logo.
Bruno me olhava aflito, porém, Marina fazia marcação cerrada. Então Gustavo e Felipe se levantaram e vieram em minha direção.
Quando fui sair, Daniel me puxou.
— Vem comigo, prometo não demorar.
— Daniel, não. Dá pra me soltar!
— Droga, não vou te soltar. Você me deve essa!
— Eu não devo nada a você. — falei, tentando me esquivar dele.
Ele me puxou ainda mais e tentou me beijar ali mesmo.
— Me solta! — disse, o empurrando.
Ele parou e me olhou exasperado.
— Ei cara, deixa a Carol em paz. Ela está com a gente.
Daniel sequer olhou para eles.
— Carol, vamos conversar lá fora!
Daniel me suplicava com seus olhos. Sabia que no fundo ele precisava e queria muito falar comigo, talvez para se explicar, afinal, nunca dei uma oportunidade a ele. Mas ele não me fazia bem, não depois das coisas que me fez passar, e principalmente por ter me enganado em relação ao seu envolvimento com drogas. Se não fosse isso, ele seria um homem perfeito. Afinal, ele era lindo, de boa família e na época parecia apaixonado por mim.
— Daniel, uma outra hora, prometo! Mas não agora, não hoje. Faz isso por mim! Minha vida já está uma bagunça. Só o que eu quero é ir pra casa.
— Então eu a levo pra casa.
— Solta ela cara! — disse Gustavo ficando impaciente.
Daniel olhou para eles e em seguida olhou para mim.
— Fala para os seus amiguinhos irem embora. Só saio daqui se você vier comigo.
— Dani, isso não vai acontecer. Solta meu braço. Você está me machucando.
Ele me ignorou e começou a andar, me levando com ele.
— Carol, vamos embora! — exclamou Bruno vindo em minha frente, tampando nossa passagem.
Daniel parou e o encarou e continuava a segurar meu braço.
— Cara, solta ela, numa boa!
— Eu não conheço nem você e nenhum desses babacas, mas ela é minha garota e nós vamos apenas conversar uns minutos. Então cara, é melhor nenhum de vocês se intrometerem.
— Ela não é sua garota e não vai para lugar algum com você. Eu já disse! — falou Bruno se impondo.
Bruno segurou minha mão que estava livre e nesse momento Tiago, Gustavo e Felipe nos cercaram como se fosse uma barreira para que ele não passasse.
— Daniel, por favor, não faz isso comigo! Não hoje! Se você realmente se importa, deixa-me ir e numa outra vez nos falamos.
Daniel balançou a cabeça positivamente e inclinou-se selando meus lábios.
— Tá legal. Hoje é seu dia, não quero estragá-lo. Vou acreditar em você! Espero você me ligar. — ele disse sussurrando em meu ouvido, soltando meu braço em seguida. — Só não esquece que eu a amei como nunca amei alguém antes e ainda amo você, Carol.
Concordei e balancei a cabeça positivamente.
— Obrigada!
Daniel encarou os rapazes e saiu em seguida.
— Quem é esse idiota? — questionou Bruno sussurrando em meu ouvido.
— Esse é o meu ex-namorado. Aquele do qual te falei.
— O que você achou drogas no apartamento dele? — Bruno perguntou sem que os rapazes escutassem.
— É, ele mesmo.
Bruno balançou a cabeça irritado.
— Vem, vamos sair daqui.
Bruno segurou minha mão, como se fosse meu protetor. Naquele momento, só pensava no Daniel, estava morrendo de medo que ele fizesse alguma coisa.
Marina me encarou com ódio no olhar e não disse nada ao ver Bruno segurando minha mão. Sentamos novamente em nossa mesa e era nítido a preocupação do Bruno em relação ao meu ex. Tanto que ele ficava olhando ao redor o tempo todo. Ficamos ali por algum tempo, mas logo eu quis ir embora.
Para minha segurança Bruno e Marina me seguiram até meu apartamento. Entretanto, Felipe, Gustavo e Tiago ficaram na boate de olho no Daniel, assim eles tinham a certeza de que ele não havia nos seguido.
Dirigi até meu prédio, prestes a explodir, de tanta frustração e nervoso. Estacionei meu carro em minha vaga no estacionamento e fui encontrar Bruno e Marina do lado de fora. Eles estavam no mesmo carro, já que ela tinha ido com o motorista dela, que tinha ido embora para que ela voltasse com o Bruno. Ela pensava em tudo.
— Liguei para o Felipe e o cara despareceu da boate. — falou Bruno com o semblante todo preocupado.
Não se preocupe. Ele não pode entrar aqui. Não sem a autorização de alguém do condomínio. Sinto muito. Não queria atrapalhar vocês.
— De jeito nenhum! Jamais deixaria você voltar sozinha. Meu medo é que ele apareça. — disse Bruno apreensivo.
 Marina deu um sorriso amarelo.
— Bruno, ela não é mais criança. E ela mesma disse que ninguém de fora entra aqui.
— É Bruno, além disso, o Daniel não sabe onde eu moro. Ele só tinha meu endereço antigo.
Ele me encarou.
— Tem certeza? Você vai ficar bem?
Olhei para ele e concordei, sentia uma bola de tênis parada em minha garganta ao vê-lo com aquele monumento louro ao lado dele.
— Ela vai ficar bem, amor. Não se preocupe. Além disso, tenho certeza de que se ela precisar, ela não se importará em nos ligar, não é mesmo, Carol? — disse com sarcasmo.
— Ah, sim, claro. Mas não será preciso. Não se preocupem.
Ela apenas balançou a cabeça e entrou no carro em seguida.
Bruno me encarou e senti meu coração doer, só de imaginá-los indo embora juntos.

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