domingo, 17 de setembro de 2017

Sob o olhar das Estrelas, parte 20, por Érika Prevideli

Sob o olhar das Estrelas

Parte 20

— Caramba, a Paty me surpreendeu de todas as formas.
— Ela é uma vadia, isso sim. O pior que não para de me mandar mensagens, tenho a ignorado desde então, mas a mina é louca.
— E você um idiota em cair nessa, traindo seu melhor amigo.
— Porra, eu sei. Mas agora não tem como voltar atrás.
— Não, não tem.
— Agora,  que você saber é que o Bruno sempre esteve na sua. E sequer olhou na direção dela, na festa ou em qualquer lugar. Ele estava ansioso pra caralho esperando que você chegasse. O cara é gamado em você. Ele ficou muito mal quando você voltou para o Canadá. Acho que já passou da hora de vocês se acertarem
Concordei sem dizer nada.
— Eu ainda não consegui falar com ele.
— Que droga, mascote. Ele vai embora amanhã. Vocês precisam conversar o quanto antes. Mas daqui a pouco ele aparece e aí você ouve com calma o que ele tem a dizer.
— Espero que ele ainda queira falar comigo.
— Tá maluca? O cara deve estar pirado, achando que você está com raiva dele.
Algum tempo depois nós subimos e ainda nem sinal do Bruno. Tentei o celular dele, mas ainda caía na caixa-postal. Após o almoço, minha mãe foi sair, mas antes mesmo de fechar a porta, voltou inquieta.
— A Ester chegou!
Olhei para ela assustada e ela saiu novamente. Segundos após, estava em frente ao apartamento do Bruno tocando a campainha.
Meu coração bateu descompassado, então a porta se abriu.
— Oi, Carol! — disse Ester me abraçando. — Quanto tempo!
Dei a ela um sorriso afável.
— Vem, entra aqui!
— Ester, eu preciso falar com o Bruno, estou tentando falar com ele desde cedo, na verdade, desde ontem depois da festa.
Ester me olhou compassiva.
— O Bruno foi embora bem cedo.
— Ele foi embora?
Senti minha feição mudar no mesmo instante. Foi como se meu chão se abrisse.
— Foi. Eu o levei para o aeroporto um pouco antes das oito da manhã e por sorte ele conseguiu um voo. Ele ia embora amanhã à tarde, mas acordou bem cedo, arrumou as coisas e quis ir hoje mesmo. Tentei fazê-lo mudar de ideia, no entanto, ele estava irredutível.
Balancei a cabeça desacreditada.
— Carol, o que está acontecendo entre vocês? — Ester me perguntou apreensiva.
Comecei a chorar e contei a ela tudo o que estava acontecendo. Quase tudo aliás, tirando a noite do terraço e a primeira vez, é claro. Depois de ouvir atentamente a cada palavra, ela segurou minha mão e assentiu.
— Você não está sozinha nessa, filha. Digo isso porque sei que Bruno gosta muito de você. Vejo o brilho nos olhos dele quando ele fala de você. Sem contar que toda vez que fala seu nome, um sorriso aparece em seus lábios. Você é a menina dos olhos do meu filho. Sei que ele teve outras namoradas, mas nunca foi apaixonado por eles, como ele é por você. E eu sinto isso há anos. Na verdade, não sei porque nunca se entenderam. Mas sinto que mais cedo ou mais tarde isso acabará acontecendo.
Sorri esperançosa.
— E quanto a essa sua “ amiga”, não se preocupe. Não existe absolutamente nada de verdade nessa história, tenho convicção disto. Foi por isso que o Bruno decidiu ir embora, porque você não deu ouvidos a ele.
— E o que eu faço agora?
— Bom, ah, eu não sei. Tenta ligar pra ele, mas não force a barra. As coisas precisam fluir de forma natural.
Assenti exasperada.
— Não fique assim, Carol. Você não tem culpa de nada. Não fez nada de errado. Essa garota quis separar vocês dois. Isso vai passar, tenho certeza. Vocês se gostam.
Ester me abraçou forte.
Saí de lá no final do dia. Minha vontade era de me deitar na cama do Bruno e sentir o cheiro dele que ainda estava nos lençóis, mas não podia fazer isso.
Na segunda-feira cheguei em São Paulo já no final da tarde e encontrei meu apartamento assim como minha vida, de ponta cabeça. Estava longe de casa desde novembro, então ele estava um verdadeiro caos.
Ainda estava nervosa por causa do Bruno, precisava descontar em alguma coisa, e resolvi aliviar minha tensão fazendo uma verdadeira faxina. Lavei todo o apartamento, tirei pó de cada coisa, separei minhas roupas e as lavei. Fui até ao supermercado e comprei comida o suficiente para a semana. Terminei tudo já passava das onze da noite. Tomei um banho e mais uma vez tentei ligar para o Bruno e ele não me atendeu novamente.
9
Bruno - Segundas intenções
Saí de Porto Alegre arrasado. Depois da Carol ir embora sem ao menos se despedir de mim e simplesmente se juntar ao namorado dela no Canadá, ela volta para Porto Alegre e joga na minha cara que eu dei em cima da amiga dela. E o pior  de tudo foi ela acreditar naquela pilantra e não em mim. Então pela primeira vez, estava disposto a tirá-la do meu coração. E não foi que o destino revolver me dar uma mão?
Sim, pois me sentei ao lado de verdadeira gata, na casa dos trinta e poucos anos. Loura, sarada, turbinada e o melhor, foi me dando mole de Porto Alegre até São José dos Campos. Marina era o nome dele. Era divorciada e sócia de uma faculdade de renome em São José dos Campos. Nós conversamos durante todo o voo e trocamos nossos números de celular. Seguimos para o estacionamento pegar nossos carros. Ela parou em frente a uma SUV e se virou pra mim.
— Amanhã eu preciso ir para Lorena, vamos marcar alguma coisa?
Olhei para ela sem saber o que fazer. Não, na verdade eu sabia exatamente o que fazer.
— Claro, vamos sim! Me liga quando estiver livre que eu busco você.
Ela sorriu.
— Combinado!
Marina deu-me uma piscada e saiu em seguida, rebolando seu quadril em seu vestido branco acima dos joelhos.
“Uau! ”
Dirigi até Lorena, tentando afastar a Carol da minha cabeça. Mas era uma missão extremamente difícil, afinal, eu só me lembrava do quanto ela estava linda na noite anterior. No entanto, eu estava muito puto com ela.
— Que inferno! Por que tem que ser tão difícil esquecer essa garota? — falei alto para mim mesmo, enquanto batia em meu volante.
Por mais que eu quisesse apaga-la da minha memória, era impossível fazer isso, porque os olhos dela não saíam da minha memória, nem o sorriso que me deixava maluco, muito menos o cheiro bom que vinha dela.
Assim que cheguei em meu apartamento, peguei meu celular e vi várias e várias ligações da Carol. Confesso que foi difícil resistir para não ligar para ela. Tanto que peguei o celular várias, na intenção de falar com ela, entretanto, desisti. Tinha que virar a página e esquecê-la de vez. Ela tinha razão. Nunca daríamos certo, éramos amigos demais pra isso.
Fui tomar um banho e quando terminei, ouvi meu celular vibrar. Meu coração disparou ao ver que era uma mensagem da única garota que me tirava do sério.
Bruno, por favor, fala comigo!Preciso muito conversar com você. Fui em seu apartamento pela manhã e não encontrei ninguém. Onde você está? Não quero que as coisas fiquem assim entre nós.
Eu acredito em você. Sei que a Patrícia foi totalmente desleal comigo. E me decepcionei demais com ela, você não faz ideia. Apesar de tudo o que descobri, sinto-me aliviada por saber que você não mentiu para mim.
Eu amo você!
Carol
Meu coração disparou nesse momento, fechei meus olhos, tentando lutar contra meus sentimentos, mas não dava. Decidi ligar para ela. No entanto, antes mesmo de apertar o chamar, o celular tocou, mas não era a Carol, era a Marina.
— Oi. Falei surpreso.
— E aí, chegou bem em casa?
— Ah sim, cheguei são e salvo.
— Melhor assim. — disse ela com a voz sexy.
— E você chegou bem?
— Muito bem, confesso que foi uma viagem e tanto, afinal, você fez cada segundo valer a pena.
Eu ri.
Conversamos por horas. Tanto que enquanto conversava com ela, desfiz minhas malas, arrumei o apartamento e preparei meu almoço.
Depois que falei com Marina, deixei meu celular carregando e caí na cama, onde dormi a tarde toda. Quando acordei, vi que a Carol tinha tentado me ligar novamente. Fiquei mais uma vez aguçado pra falar com ela, mas meu orgulho falou mais alto, então, fiz o que achava o certo naquele momento, e tornei a ignorá-la.
No dia seguinte minhas aulas começaram, passei a manhã toda e parte da tarde na faculdade e de lá segui para o estágio. Já era noite quando cheguei em meu apartamento e meu celular tocou, era a Marina, pedindo que eu a encontrasse na Choperia Sall´s. E eu fui, onde passamos horas conversando. Ela estava linda, com um vestido justo preto, sexy sem ser vulgar e os cabelos longos e louros presos. De lá, seguimos para o hotel onde ela estava e passamos a noite inteira juntos.
Marina era uma mulher sensacional. Ela fazia com que eu me sentisse um cara totalmente inexperiente perto dela. Era de tirar o fôlego e o melhor era que ela estava muito na minha. Ligava-me várias vezes ao dia e vivia aparecendo de surpresa em meu apartamento. Nos finais de semana eu a encontrava em São José dos Campos e ficávamos em seu apartamento.
Estávamos extremamente ligados. Cada vez mais sintonizados. Em poucas semanas, já conhecia todos seus amigos, mas tinha um problema, ela era extremamente ciumenta. Eu não entendia como uma mulher linda como ela, podia ser tão insegura. Achava que todas as garotas estavam me olhando, na verdade, as garotas olhavam para ela, por ela ser gata daquele jeito ao lado de um cara qualquer como eu.
Ainda assim, apesar de ter uma gostosa em minha cama na maioria das noites, que queria transar a todo momento, sentia que algo me faltava. Meu coração estava incompleto. E eu sabia o motivo, pois toda a vez que me deitava em minha cama, era na Carol que eu pensava. Pegava o celular quase que diariamente para ligar para ela, pelo menos para ouvir a voz dela, mas nunca tive coragem. Ainda mais porque ela já nem tentava me ligar mais, na certa, tinha entendido que eu não queria mais falar com ela.
Na noite antes do meu aniversário de vinte e dois anos, Marina foi para Lorena me fazer uma surpresa, e fez, pois, cheguei em meu apartamento e a vi apenas de lingerie, sentada em minha cama, sua mala no quanto do quarto.
Olhei surpreso e ela sorriu.
— Vim passar uns dias com meu namorado, porque estava morrendo de vontade de fazer amor com ele.
— Hum, então não passe vontade. — disse indo até ela.
Marina tirou minha roupa como se sentisse fome de mim. Momentos depois, estávamos exaustos na cama, quando o telefone tocou.
— Ah, não atende, por favor. — disse ela, nua sobre meu corpo novamente.
Eu a beijei avidamente e o telefone tocou até cair a ligação, segundos depois, tornou a tocar. Foi então que me desconcentrei e... Enfim, não rolava mais.
— Cacete, preciso atender! — falei saindo de dentro dela.
Marina me olhou furiosa. Peguei meu celular e vi o nome da Carol aparecendo.
Meu coração disparou.
— Alô. — falei saindo do quarto, indo até a sacada.
— Parabéns para você!
Minha boca secou, meu coração disparou e minhas pernas ficaram bambas.
— Bruno, você está aí?
— Oi... Oi, Carol, estou aqui, é que... Bom, fiquei surpreso.
Meus lábios me traíram e quando vi estava sorrindo.
— Eu só liguei para te desejar um Feliz Aniversário, queria ser a primeira pessoa a fazer isso, por isso liguei essa hora. Você estava dormindo?
Foi então que olhei a hora e vi que passava da meia-noite, ou seja, ela relamente tinha sido a primeira a me dar os parabéns.
— Não, claro que não, estava... — fiz uma pausa — Estava vendo um filme.
— Então Feliz Aniversário, queria fazer isso pessoalmente. Queria poder te abraçar nesse momento e olhar no fundo dos seus olhos e dizer que eu sinto muito.
Respirei fundo, sentindo minha glote se fechar.
— Espero que todos os seus sonhos se realizem, porque você merece muito ser feliz. — ela fez uma pausa — Saiba que mesmo longe, e mesmo sem você querer falar comigo, continuo pensando em você a cada segundo do meu dia. Você é a primeira pessoa que vem em minha cabeça quando eu acordo e quando vou dormir, é em você que eu penso antes de fechar os olhos. Sinto sua falta Bruno, sinto falta de falar com você, de rir com você, sinto falta da sua amizade, dos seus beijos, de.... De fazer amor com você. Sinto falta de nós dois juntos. Estou morrendo um pouquinho a cada dia, sem saber notícias sua, sem saber como você está. Tá sendo...
Percebi que a voz da Carol mudou, era como se ela tivesse chorando. E sem que eu percebesse minhas lágrimas também começaram a cair.
— Eu... Eu também sinto sua falta. Também sinto falta de falar com você.
Quando olhei, vi Marina chegando ao meu lado, enrolada em meu lençol.
— Preciso que me desculpe por não ter acreditado em você. Eu sei que não tem como voltar atrás, mas eu te amo.
Não sabia se eu olhava para a Marina, que me olhava com olhar de ódio, ou se falava com a Carol. Virei-me para o lado oposto da Marina.
— Eu te ligo depois, pode ser? Mas não fique..
Marina voou para cima de mim e sem que eu pudesse reagir, tirou o celular da minha mão.
— Com quem está falando?
— Dá meu celular. — pedi, tentando pegá-lo de volta.
Marina me empurrou e colocou o celular na orelha.
— Não sei quem é você, sua vadiazinha, mas não tem que ligar para o meu namorado. Ele estava fazendo amor comigo, se é o que quer saber, e não vai ser uma vagabunda qualquer que vai atrapalhar nossa noite.
Tomei o celular dela, sentindo uma fúria gigante dentro de mim.
— Nunca mais faça isso, está ouvindo?
Ela tentou me bater pra pegar o celular das minhas mãos, mas me esquivei dela e fui para o banheiro.
— Alô, Carol. Carol?
O telefone estava mudo.
— Carol, me desculpa por isso!
— Não, eu quem peço desculpas, nem sei o que dizer. Sinto muito por ter atrapalhando sua noite.
Carol desligou no mesmo instante, sem que eu me explicasse. Na verdade, eu não tinha como me explicar. Saí do banheiro e Marina foi pra cima de mim.
— Você não podia ter feito isso! Não tem esse direito.
— Quem era essa piranha?
Olhei para Marina com desprezo.
— Você não sabe o que está dizendo!
Fui para meu quarto, coloquei minha cueca boxer, uma calça jeans e uma camiseta.
— Aonde você vai?
Não respondi.
— Bruno, estou falando com você!
Carteira, celular e as chave do carro.
— Bruno, onde você vai? — ela gritou para todos os outros condôminos escutarem.
Quando fui sair, Marina puxou minha camiseta, chegando a rasgar um pedaço da manga.
— Marina, por favor, vai para sua casa! Depois a gente se fala.
— Você não pode me deixar aqui assim! Não pode!
Marina cravou as unhas em meu braço. Eu pacientemente tirei a mão dela de mim e saí.
— Bruno, Bruno! — ela gritou em vão.
Dirigi por uns vinte minutos. Estacionei o carro e liguei para a Carol. O telefone dela tocou várias vezes, mas ela não atendeu. Fiquei um tempo ali, pensando no que tinha acabado de acontecer. Apertei meus olhos e tornei a ligar, rezando para que ela atendesse e ela atendeu.
— Oi.
— Carol, Carol, por favor, não desliga! — falei desesperado — Desculpe-me por tudo isso. A Marina é... Bom, eu a conheci há algumas semanas e... Estamos meio que...Droga, você não tinha que ouvir nada daquilo. Ela não tinha esse direito.
— Bruno, eu... Eu nem sei o que dizer. Não tinha que ter ligado a essa hora. Deveria ter imaginado que poderia estar acompanhado. Perdoa-me, não quis estragar sua noite. Sinto muito.
— Não! Você não estragou, aliás, falar com você foi a melhor coisa que podia ter me acontecido, é sério! E é em você que eu penso todas as noites antes de dormir também. Eu tentei tirá-la da minha cabeça, mas não consigo! Tenho vontade de te ligar todos os dias. Sinto falta de sua voz, de você, de nós. Acontece que eu estava muito puto com tudo o que aconteceu e...
— Bruno, tudo bem! Você não precisa se explicar. Acho que nós já dissemos tudo o que tínhamos a dizer. Mas agora volta para sua namorada, ela deve estar te esperando, e também já está tarde.
— Tudo bem... Eu... Eu vou desligar, mas preciso que saiba que falar com você foi o melhor presente que eu poderia ter ganhado.
Ela riu.
— Feliz aniversário, Bruno. A gente se fala depois.
Eu não queria desligar. Precisava saber se ela estava bem, o que era óbvio que não.
—Você vai ficar bem?
— Claro. Tá tudo bem. — Boa noite, Bruno.
Fiz uma pausa, tentando prolongar a conversa.
— Boa noite, Carol e saiba que eu também amo você.
Ela não disse nada.
— Carol!

— Até mais, Bruno.

Nenhum comentário:

Postar um comentário