Sob o olhar das Estrelas
Parte 20
— Caramba, a Paty me surpreendeu de todas
as formas.
— Ela é uma vadia, isso sim. O pior que
não para de me mandar mensagens, tenho a ignorado desde então, mas a mina é
louca.
— E você um idiota em cair nessa, traindo
seu melhor amigo.
— Porra, eu sei. Mas agora não tem como
voltar atrás.
— Não, não tem.
— Agora,
que você saber é que o Bruno sempre esteve na sua. E sequer olhou na
direção dela, na festa ou em qualquer lugar. Ele estava ansioso pra caralho
esperando que você chegasse. O cara é gamado em você. Ele ficou muito mal
quando você voltou para o Canadá. Acho que já passou da hora de vocês se
acertarem
Concordei sem dizer nada.
— Eu ainda não consegui falar com ele.
— Que droga, mascote. Ele vai embora
amanhã. Vocês precisam conversar o quanto antes. Mas daqui a pouco ele aparece
e aí você ouve com calma o que ele tem a dizer.
— Espero que ele ainda queira falar
comigo.
— Tá maluca? O cara deve estar pirado,
achando que você está com raiva dele.
Algum tempo depois nós subimos e ainda nem
sinal do Bruno. Tentei o celular dele, mas ainda caía na caixa-postal. Após o
almoço, minha mãe foi sair, mas antes mesmo de fechar a porta, voltou inquieta.
— A Ester chegou!
Olhei para ela assustada e ela saiu
novamente. Segundos após, estava em frente ao apartamento do Bruno tocando a
campainha.
Meu coração bateu descompassado, então a
porta se abriu.
— Oi, Carol! — disse Ester me abraçando. —
Quanto tempo!
Dei a ela um sorriso afável.
— Vem, entra aqui!
— Ester, eu preciso falar com o Bruno,
estou tentando falar com ele desde cedo, na verdade, desde ontem depois da
festa.
Ester me olhou compassiva.
— O Bruno foi embora bem cedo.
— Ele foi embora?
Senti minha feição mudar no mesmo instante.
Foi como se meu chão se abrisse.
— Foi. Eu o levei para o aeroporto um
pouco antes das oito da manhã e por sorte ele conseguiu um voo. Ele ia embora
amanhã à tarde, mas acordou bem cedo, arrumou as coisas e quis ir hoje mesmo.
Tentei fazê-lo mudar de ideia, no entanto, ele estava irredutível.
Balancei a cabeça desacreditada.
— Carol, o que está acontecendo entre
vocês? — Ester me perguntou apreensiva.
Comecei a chorar e contei a ela tudo o que
estava acontecendo. Quase tudo aliás, tirando a noite do terraço e a primeira
vez, é claro. Depois de ouvir atentamente a cada palavra, ela segurou minha mão
e assentiu.
— Você não está sozinha nessa, filha. Digo
isso porque sei que Bruno gosta muito de você. Vejo o brilho nos olhos dele
quando ele fala de você. Sem contar que toda vez que fala seu nome, um sorriso
aparece em seus lábios. Você é a menina dos olhos do meu filho. Sei que ele
teve outras namoradas, mas nunca foi apaixonado por eles, como ele é por você.
E eu sinto isso há anos. Na verdade, não sei porque nunca se entenderam. Mas
sinto que mais cedo ou mais tarde isso acabará acontecendo.
Sorri esperançosa.
— E quanto a essa sua “ amiga”, não se
preocupe. Não existe absolutamente nada de verdade nessa história, tenho
convicção disto. Foi por isso que o Bruno decidiu ir embora, porque você não
deu ouvidos a ele.
— E o que eu faço agora?
— Bom, ah, eu não sei. Tenta ligar pra
ele, mas não force a barra. As coisas precisam fluir de forma natural.
Assenti exasperada.
— Não fique assim, Carol. Você não tem culpa
de nada. Não fez nada de errado. Essa garota quis separar vocês dois. Isso vai
passar, tenho certeza. Vocês se gostam.
Ester me abraçou forte.
Saí de lá no final do dia. Minha vontade
era de me deitar na cama do Bruno e sentir o cheiro dele que ainda estava nos
lençóis, mas não podia fazer isso.
Na segunda-feira cheguei em São Paulo já
no final da tarde e encontrei meu apartamento assim como minha vida, de ponta
cabeça. Estava longe de casa desde novembro, então ele estava um verdadeiro
caos.
Ainda estava nervosa por causa do Bruno,
precisava descontar em alguma coisa, e resolvi aliviar minha tensão fazendo uma
verdadeira faxina. Lavei todo o apartamento, tirei pó de cada coisa, separei
minhas roupas e as lavei. Fui até ao supermercado e comprei comida o suficiente
para a semana. Terminei tudo já passava das onze da noite. Tomei um banho e
mais uma vez tentei ligar para o Bruno e ele não me atendeu novamente.
9
Bruno - Segundas
intenções
Saí de Porto Alegre arrasado. Depois da
Carol ir embora sem ao menos se despedir de mim e simplesmente se juntar ao
namorado dela no Canadá, ela volta para Porto Alegre e joga na minha cara que
eu dei em cima da amiga dela. E o pior
de tudo foi ela acreditar naquela pilantra e não em mim. Então pela
primeira vez, estava disposto a tirá-la do meu coração. E não foi que o destino
revolver me dar uma mão?
Sim, pois me sentei ao lado de verdadeira
gata, na casa dos trinta e poucos anos. Loura, sarada, turbinada e o melhor,
foi me dando mole de Porto Alegre até São José dos Campos. Marina era o nome
dele. Era divorciada e sócia de uma faculdade de renome em São José dos Campos.
Nós conversamos durante todo o voo e trocamos nossos números de celular.
Seguimos para o estacionamento pegar nossos carros. Ela parou em frente a uma SUV
e se virou pra mim.
— Amanhã eu preciso ir para Lorena, vamos
marcar alguma coisa?
Olhei para ela sem saber o que fazer. Não,
na verdade eu sabia exatamente o que fazer.
— Claro, vamos sim! Me liga quando estiver
livre que eu busco você.
Ela sorriu.
— Combinado!
Marina deu-me uma piscada e saiu em
seguida, rebolando seu quadril em seu vestido branco acima dos joelhos.
“Uau! ”
Dirigi até Lorena, tentando afastar a
Carol da minha cabeça. Mas era uma missão extremamente difícil, afinal, eu só
me lembrava do quanto ela estava linda na noite anterior. No entanto, eu estava
muito puto com ela.
— Que inferno! Por que tem que ser tão
difícil esquecer essa garota? — falei alto para mim mesmo, enquanto batia em
meu volante.
Por mais que eu quisesse apaga-la da minha
memória, era impossível fazer isso, porque os olhos dela não saíam da minha
memória, nem o sorriso que me deixava maluco, muito menos o cheiro bom que
vinha dela.
Assim que cheguei em meu apartamento,
peguei meu celular e vi várias e várias ligações da Carol. Confesso que foi
difícil resistir para não ligar para ela. Tanto que peguei o celular várias, na
intenção de falar com ela, entretanto, desisti. Tinha que virar a página e
esquecê-la de vez. Ela tinha razão. Nunca daríamos certo, éramos amigos demais
pra isso.
Fui tomar um banho e quando terminei, ouvi
meu celular vibrar. Meu coração disparou ao ver que era uma mensagem da única
garota que me tirava do sério.
Bruno,
por favor, fala comigo!Preciso muito conversar com você. Fui em seu apartamento
pela manhã e não encontrei ninguém. Onde você está? Não quero que as coisas
fiquem assim entre nós.
Eu
acredito em você. Sei que a Patrícia foi totalmente desleal comigo. E me
decepcionei demais com ela, você não faz ideia. Apesar de tudo o que descobri, sinto-me
aliviada por saber que você não mentiu para mim.
Eu
amo você!
Carol
Meu coração disparou nesse momento, fechei
meus olhos, tentando lutar contra meus sentimentos, mas não dava. Decidi ligar
para ela. No entanto, antes mesmo de apertar o chamar, o celular tocou, mas não
era a Carol, era a Marina.
— Oi. Falei surpreso.
— E aí, chegou bem em casa?
— Ah sim, cheguei são e salvo.
— Melhor assim. — disse ela com a voz
sexy.
— E você chegou bem?
— Muito bem, confesso que foi uma viagem e
tanto, afinal, você fez cada segundo valer a pena.
Eu ri.
Conversamos por horas. Tanto que enquanto
conversava com ela, desfiz minhas malas, arrumei o apartamento e preparei meu
almoço.
Depois que falei com Marina, deixei meu
celular carregando e caí na cama, onde dormi a tarde toda. Quando acordei, vi
que a Carol tinha tentado me ligar novamente. Fiquei mais uma vez aguçado pra
falar com ela, mas meu orgulho falou mais alto, então, fiz o que achava o certo
naquele momento, e tornei a ignorá-la.
No
dia seguinte minhas aulas começaram, passei a manhã toda e parte da tarde na
faculdade e de lá segui para o estágio. Já era noite quando cheguei em meu
apartamento e meu celular tocou, era a Marina, pedindo que eu a encontrasse na
Choperia Sall´s. E eu fui, onde passamos horas conversando. Ela estava linda,
com um vestido justo preto, sexy sem ser vulgar e os cabelos longos e louros
presos. De lá, seguimos para o hotel onde ela estava e passamos a noite inteira
juntos.
Marina era uma mulher sensacional. Ela
fazia com que eu me sentisse um cara totalmente inexperiente perto dela. Era de
tirar o fôlego e o melhor era que ela estava muito na minha. Ligava-me várias
vezes ao dia e vivia aparecendo de surpresa em meu apartamento. Nos finais de
semana eu a encontrava em São José dos Campos e ficávamos em seu apartamento.
Estávamos extremamente ligados. Cada vez
mais sintonizados. Em poucas semanas, já conhecia todos seus amigos, mas tinha
um problema, ela era extremamente ciumenta. Eu não entendia como uma mulher
linda como ela, podia ser tão insegura. Achava que todas as garotas estavam me
olhando, na verdade, as garotas olhavam para ela, por ela ser gata daquele
jeito ao lado de um cara qualquer como eu.
Ainda assim, apesar de ter uma gostosa em
minha cama na maioria das noites, que queria transar a todo momento, sentia que
algo me faltava. Meu coração estava incompleto. E eu sabia o motivo, pois toda
a vez que me deitava em minha cama, era na Carol que eu pensava. Pegava o
celular quase que diariamente para ligar para ela, pelo menos para ouvir a voz
dela, mas nunca tive coragem. Ainda mais porque ela já nem tentava me ligar
mais, na certa, tinha entendido que eu não queria mais falar com ela.
Na noite antes do meu aniversário de vinte
e dois anos, Marina foi para Lorena me fazer uma surpresa, e fez, pois, cheguei
em meu apartamento e a vi apenas de lingerie, sentada em minha cama, sua mala
no quanto do quarto.
Olhei surpreso e ela sorriu.
— Vim passar uns dias com meu namorado,
porque estava morrendo de vontade de fazer amor com ele.
— Hum, então não passe vontade. — disse
indo até ela.
Marina tirou minha roupa como se sentisse
fome de mim. Momentos depois, estávamos exaustos na cama, quando o telefone
tocou.
— Ah, não atende, por favor. — disse ela,
nua sobre meu corpo novamente.
Eu a beijei avidamente e o telefone tocou
até cair a ligação, segundos depois, tornou a tocar. Foi então que me desconcentrei
e... Enfim, não rolava mais.
— Cacete, preciso atender! — falei saindo
de dentro dela.
Marina me olhou furiosa. Peguei meu
celular e vi o nome da Carol aparecendo.
Meu coração disparou.
— Alô. — falei saindo do quarto, indo até
a sacada.
— Parabéns para você!
Minha boca secou, meu coração disparou e
minhas pernas ficaram bambas.
— Bruno, você está aí?
— Oi... Oi, Carol, estou aqui, é que... Bom,
fiquei surpreso.
Meus lábios me traíram e quando vi estava
sorrindo.
— Eu só liguei para te desejar um Feliz
Aniversário, queria ser a primeira pessoa a fazer isso, por isso liguei essa
hora. Você estava dormindo?
Foi então que olhei a hora e vi que passava
da meia-noite, ou seja, ela relamente tinha sido a primeira a me dar os
parabéns.
— Não, claro que não, estava... — fiz uma
pausa — Estava vendo um filme.
— Então Feliz Aniversário, queria fazer
isso pessoalmente. Queria poder te abraçar nesse momento e olhar no fundo dos
seus olhos e dizer que eu sinto muito.
Respirei fundo, sentindo minha glote se
fechar.
— Espero que todos os seus sonhos se
realizem, porque você merece muito ser feliz. — ela fez uma pausa — Saiba que
mesmo longe, e mesmo sem você querer falar comigo, continuo pensando em você a
cada segundo do meu dia. Você é a primeira pessoa que vem em minha cabeça
quando eu acordo e quando vou dormir, é em você que eu penso antes de fechar os
olhos. Sinto sua falta Bruno, sinto falta de falar com você, de rir com você,
sinto falta da sua amizade, dos seus beijos, de.... De fazer amor com você.
Sinto falta de nós dois juntos. Estou morrendo um pouquinho a cada dia, sem
saber notícias sua, sem saber como você está. Tá sendo...
Percebi que a voz da Carol mudou, era como
se ela tivesse chorando. E sem que eu percebesse minhas lágrimas também
começaram a cair.
— Eu... Eu também sinto sua falta. Também
sinto falta de falar com você.
Quando olhei, vi Marina chegando ao meu
lado, enrolada em meu lençol.
— Preciso que me desculpe por não ter
acreditado em você. Eu sei que não tem como voltar atrás, mas eu te amo.
Não sabia se eu olhava para a Marina, que
me olhava com olhar de ódio, ou se falava com a Carol. Virei-me para o lado
oposto da Marina.
— Eu te ligo depois, pode ser? Mas não
fique..
Marina voou para cima de mim e sem que eu
pudesse reagir, tirou o celular da minha mão.
— Com quem está falando?
— Dá meu celular. — pedi, tentando pegá-lo
de volta.
Marina me empurrou e colocou o celular na
orelha.
— Não sei quem é você, sua vadiazinha, mas
não tem que ligar para o meu namorado. Ele estava fazendo amor comigo, se é o
que quer saber, e não vai ser uma vagabunda qualquer que vai atrapalhar nossa
noite.
Tomei o celular dela, sentindo uma fúria
gigante dentro de mim.
— Nunca mais faça isso, está ouvindo?
Ela tentou me bater pra pegar o celular
das minhas mãos, mas me esquivei dela e fui para o banheiro.
— Alô, Carol. Carol?
O telefone estava mudo.
— Carol, me desculpa por isso!
— Não, eu quem peço desculpas, nem sei o
que dizer. Sinto muito por ter atrapalhando sua noite.
Carol desligou no mesmo instante, sem que
eu me explicasse. Na verdade, eu não tinha como me explicar. Saí do banheiro e
Marina foi pra cima de mim.
— Você não podia ter feito isso! Não tem
esse direito.
— Quem era essa piranha?
Olhei para Marina com desprezo.
— Você não sabe o que está dizendo!
Fui para meu quarto, coloquei minha cueca
boxer, uma calça jeans e uma camiseta.
— Aonde você vai?
Não respondi.
— Bruno, estou falando com você!
Carteira, celular e as chave do carro.
— Bruno, onde você vai? — ela gritou para
todos os outros condôminos escutarem.
Quando fui sair, Marina puxou minha
camiseta, chegando a rasgar um pedaço da manga.
— Marina, por favor, vai para sua casa! Depois
a gente se fala.
— Você não pode me deixar aqui assim! Não
pode!
Marina cravou as unhas em meu braço. Eu
pacientemente tirei a mão dela de mim e saí.
— Bruno, Bruno! — ela gritou em vão.
Dirigi por uns vinte minutos. Estacionei o
carro e liguei para a Carol. O telefone dela tocou várias vezes, mas ela não
atendeu. Fiquei um tempo ali, pensando no que tinha acabado de acontecer.
Apertei meus olhos e tornei a ligar, rezando para que ela atendesse e ela
atendeu.
— Oi.
— Carol, Carol, por favor, não desliga! —
falei desesperado — Desculpe-me por tudo isso. A Marina é... Bom, eu a conheci
há algumas semanas e... Estamos meio que...Droga, você não tinha que ouvir nada
daquilo. Ela não tinha esse direito.
— Bruno, eu... Eu nem sei o que dizer. Não
tinha que ter ligado a essa hora. Deveria ter imaginado que poderia estar
acompanhado. Perdoa-me, não quis estragar sua noite. Sinto muito.
— Não! Você não estragou, aliás, falar com
você foi a melhor coisa que podia ter me acontecido, é sério! E é em você que
eu penso todas as noites antes de dormir também. Eu tentei tirá-la da minha
cabeça, mas não consigo! Tenho vontade de te ligar todos os dias. Sinto falta
de sua voz, de você, de nós. Acontece que eu estava muito puto com tudo o que
aconteceu e...
— Bruno, tudo bem! Você não precisa se
explicar. Acho que nós já dissemos tudo o que tínhamos a dizer. Mas agora volta
para sua namorada, ela deve estar te esperando, e também já está tarde.
— Tudo bem... Eu... Eu vou desligar, mas
preciso que saiba que falar com você foi o melhor presente que eu poderia ter
ganhado.
Ela riu.
— Feliz aniversário, Bruno. A gente se
fala depois.
Eu não queria desligar. Precisava saber se
ela estava bem, o que era óbvio que não.
—Você vai ficar bem?
— Claro. Tá tudo bem. — Boa noite, Bruno.
Fiz uma pausa, tentando prolongar a
conversa.
— Boa noite, Carol e saiba que eu também
amo você.
Ela não disse nada.
— Carol!
— Até mais, Bruno.

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