Sob o olhar das Estrelas
Parte 18
— Sim. Eu me livrei dele no mesmo
instante, mas ele me beijou. Só estou dizendo isso porque sou sua amiga e sei
lá, talvez tenha metido os pés pelas mãos ao largar do seu namorado por causa
do Bruno. Ele não quer nada com nada, você já deveria saber disso.
Estava aturdida com tudo o que ela estava
vomitando pra mim.
— E também tinha o Felipe, que estava por
perto, então isso nunca aconteceria. Mas o Bruno estava bêbado. Talvez ele
tenha feito isso para dar o troco em você, sabendo que eu lhe contaria, ou
talvez, ele tenha feito isso porque simplesmente não a merece.
Olhei alarmada para ela, estava totalmente
imóvel.
— E o que ele disse quando se afastou?
—Disse que tínhamos que aproveitar porque
estávamos sozinhos e que nossos relacionamentos eram um verdadeiro fracasso. Eu
o deixei falando sozinho, mas depois o vi com outra garota e eles foram embora
juntos.
Senti como se um balde enorme de gelo
tivesse sido jogado em minha cabeça.
— Uau, por essa eu não esperava!
— Pois é, e eu também não. E com isso,
Felipe que já estava totalmente estranho comigo, simplesmente não quer mais nem
me ver na frente. Não sei o que o Bruno disse a ele, só o que sei é que o
Felipe não quer mais falar comigo. Tanto que ele não quer que eu vá nem na
festa de hoje, na qual eu estava convidada há meses.
Engoli seco, minha vista estava turva.
— Amiga, você sabe que eu não faria isso
com você, não sabe?
Sem ao menos responder, minhas lágrimas
começaram a cair. Fiquei me sentindo uma completa idiota ao saber daquilo.
— Não chore, Carol. Não faça isso por
aquele idiota que não vale nada, ele deixou isso bem claro. Foi como da outra
vez, que você se entregou a ele e ele a deixou por causa da namorada. Se você
insistir nessa relação, será sempre assim. Você fez bem em ter ido embora, pois
na certa, ele aprontaria outra com você.
— É, talvez você tenha razão.
— Sim, claro que sim! Mas agora pare de
chorar. Quer saber, eu de você nem ia pra essa merda de festa. Podemos fazer
alguma coisa juntas, o que acha?
— Paty, eu preciso ficar sozinha, preciso
pôr a cabeça no lugar. Depois eu ligo para você, pode ser?
— Você quer que eu vá embora? — ela me
questionou incrédula.
— Sim, quer dizer, não é isso; mas eu
preciso ficar sozinha. Por favor, não me leve a mal.
Paty balançou a cabeça e levantou-se em
seguida.
— Carol, por favor, não quero que fique
com raiva de mim. Eu só lhe contei porque amo você e jamais permitiria que o
Bruno lhe enganasse, então...
— Não! Fica tranquila! Não estou com
raiva. Aliás que eu tenho que te agradecer. Você é minha amiga.
Minutos depois nos despedimos e ela se
foi. Minha mãe chegou pouco depois e percebeu que eu havia chorado.
— Filha, o que aconteceu?
Eu a abracei, mas não pude dizer a ela o
que estava acontecendo. Tudo o que eu queria naquele momento era um colo de
mãe. E ela estava lá para me dar o que eu precisava.
— Não é nada mãe, é que senti sua falta.
Sinto falta de casa. Parece que as coisas nunca dão certo para mim, sabia?
Ela me olhou como se me avaliasse.
— Eu e o Fábio terminamos. Não que esteja
sofrendo por ele, mas é que tem uma outra pessoa da qual eu gosto muito, tipo
um amor platônico, sabe? Acho que estou destinada a ficar sozinha.
— Carolina, nunca diga isso. Você é linda,
e tem a vida toda pela frente. Se não deu certo até agora, é porque ainda não é
o momento certo. — ela me disse dando-me um abraço afável.
— Vá pra sua festa e aproveite, filha! Logo
esse sentimento ruim passa.
— Não estou no clima para ir a essa festa.
— Tá maluca? Você precisa ir! O Felipe
ficaria decepcionado com você. Ele é seu amigo. E ontem ele me ligou umas cinco
vezes, para saber se você tinha chegado de viagem. Falando nisso, encontrei com
o Bruno, ele perguntou sobre você. Ah, antes que eu me esqueça, quando você foi
embora, o Bruno ficou claramente arrasado. Fiquei pensando sobre isso algum
tempo: aconteceu alguma coisa entre vocês?
Arregalei os olhos, sem saber como me
safar dos seus olhos acusadores.
— Mãe, essa história de novo? Eu tô
cansada, acho que preciso descansar um pouco.
Ela me analisou.
— Hmmm, tá legal. Conversaremos sobre isso
uma outra hora.
Revirei os olhos e ela se inclinou para
beijar meu rosto. Não queria mais mentir para minha mãe. E uma hora eu teria
que contar a ela toda a verdade, mas não naquele momento.
— Agora, vem aqui! — ela disse deitando-se
ao meu lado. — Descansa um pouco no colinho da sua mãe, porque daqui a pouco o
Bob chega, e quero ver você bem linda, para reencontrar seus amigos.
Concordei em silêncio, mas por dentro
estava arrasada. Devo ter dormido por umas três horas. Acordei com minha mãe me
chamando para que eu fosse tomar um banho, porque o Bob estava subindo.
Coloquei um vestido acima dos joelhos todo
bordado com pedras douradas sobre um tule cor da pele, da Patrícia Bonaldi. Bob
escovou meus cabelos e os enrolou nas ponta e em seguida o prendeu. Fez uma
maquiagem bem natural, apenas com os olhos bem destacados.
— Simplesmente um luxo! — ele disse se
gabando de seus serviços. — Se eu fosse hétero, com certeza colaria em você à
noite toda.
Sorri após o comentário dele.
— Só você para tirar um riso meu!
— Você está uma diva! Não é nenhuma graça,
é a realidade.
Minha mãe entrou em meu quarto,
concordando com que Bob havia me dito. Já passava das dez horas e eu ainda nem
tinha saído de casa.
— Mãe, você me leva?
— Claro que sim! — ela disse toda
orgulhosa. — Ah, e a Paty te ligou umas duas vezes, ela queria te convidar para
sair. Achei que ela fosse à formatura.
Respirei fundo tentando sufocar minha
frustração.
— Eu também, mas ela e o Felipe
terminaram. Depois eu falo com ela.
Ficamos conversando com o Bob e acabamos
saindo do prédio já passava das onze horas da noite. Cheguei em frente ao clube
me sentindo totalmente desambientada.
— Qualquer coisa eu ligo para você, pode
ser?
— Claro filha. E não vai beber! Quer
dizer, não muito. — disse ela, dando-me uma piscadela.
Dei um sorriso triste e em seguida beijei
minha mãe e fui em direção ao clube. Respirei fundo, pois sabia que minha noite
não seria nada fácil. Afinal, encarar o Bruno depois de abandoná-lo sem
explicação e ainda por cima saber que ele estava dando em cima da minha melhor
amiga, era coisa demais para mim.
— Seu nome por favor?
— Carolina. Sou convidada do Felipe
Scutti.
— Ah, achei! Eu levo você. — disse a
recepcionista.
Fui atrás dela, como quem vai atrás de um
escudo e vi a mesa em que os meninos estavam. Quando eles me viram fizeram a
maior festa. Vi que Bruno me olhou ficando totalmente sem reação, assim como eu
fiquei. Mas fingi um sorriso, engoli o nervosismo e fui até eles.
— Mascote, até que enfim! Eu simplesmente
ia riscar você da minha vida caso você não viesse.
— Oi, Felipe. — falei o abraçando. — Parabéns,
tenho certeza que você será o melhor jornalista do mundo.
— Que exagero, porra! — ele disse em
deboche.
— Desculpe por ontem! Meu voo atrasou
demais. Achei que fosse conseguir chegar a tempo.
— Você está aqui, é o que importa! — ele
disse dando-me um beijo em meu rosto.
Respirei fundo para encarar as outras
pessoas da mesa. Gustavo veio até mim e me deu um abraço que chegou a me tirar
do chão. Ele estava desacompanhado.
— Carol, gata e gostosa como sempre! —ele
disse sussurrando em meu ouvido, de modo provocativo.
— Gustavo, ousado e descarado como
sempre. — arfei.
— E solteiro! — ele completou.
Eu ri balançando a cabeça em negação. Tiago
também veio e me abraçou.
— Mascote, que saudades! Achei que você
não viesse mais.
— Nem pensar que eu deixaria de vir.
Tentei vir ontem, mas a droga do meu voo atrasou.
Ele assentiu e segurou minha mão e me
puxou contra ele.
— Está bonitão hein!
Ele riu.
— E você uma gata.
— E sua namorada onde está?
— Não, tá maluca! Estou sozinho.
— Você também? Vocês combinaram de ficar
solteiros na mesma época?
— Parece que sim. Na verdade, eu e a Paula
terminamos ontem, pra felicidade da mulherada. — ele disse dando-me uma
piscada.
— Quanta pretensão!
Ele sorriu e me abraçou novamente.
Bruno me encarou, mas ainda estava
sentado. Os pais de Felipe saíram da mesa onde eles estavam e foram me
cumprimentar. Meu coração estava apertado só de imaginar Bruno ficar sem falar
comigo. Mas então ele se levantou e foi até mim.
— Oi! — disse ele secamente.
— Oi, Bruno! — respondi ainda mais seca.
— Achei que você não viesse mais. — ele
falou, mas dessa vez mudando a entonação de sua voz, parecendo mais maleável.
— Não perderia por nada a festa do Felipe.
Ele é meu amigo.
Bruno me encarou sem graça e assentiu em
silêncio.
— Fez boa viagem?
— Sim, cansativa, mas no final tudo deu
certo.
Ele mordeu o lábio inferior, observando
cada movimento meu.
— Bom, ah, é melhor eu me sentar. — disse
sem jeito, apontando para meu lugar.
Ele ficou parado com as mãos do bolso da
calça social e eu segui em direção da mesa. Foi tudo muito frio entre nós dois.
Para completar minha inquietação, sentei bem de frente para ele. No começo, eu
mal conseguia respirar. Olhava pra ele e o flagrava olhando para mim, porém, ou
ele ou eu sempre acabava disfarçando.
Bruno parecia tão nervoso quanto eu. Era
estranho estar ali bem diante dele, depois da noite que tivemos no terraço e
era estranho pensar nele com a Paty. E pensar nisso, me deixou ainda mais
distante dele.
Os rapazes como sempre, fizeram de tudo
para que eu me sentisse bem. Sempre me incluíam nas conversas e quando era algo
entre eles, tratavam logo de me explicar.
A banda começou a tocar e os meninos me
arrastaram com eles para a pista de dança. Bruno demorou a aparecer, mas acabou
indo. Felipe fez questão de tirar inúmeras fotos e eu sempre no meio de todos
eles.
Um garçom passou e Bruno pegou duas taças
de champanhe, entregando-me uma delas. Hesitei para pegá-la, contudo, achei
deselegante não aceitar.
— Obrigada, Bruno!
Ele não disse nada. Aquilo me machucou por
dentro. Estava nítido que ele estava magoado comigo. Estava mais frio do que
nunca. E eu, claro, fiquei na minha, afinal, também tinha meus motivos para
estar magoada.
Umas garotas pararam para conversar com o
Felipe e ele começou a conversar com elas. Momentos depois, Felipe chamou Bruno,
pois uma delas queria conhecê-lo. Mais uma vez tentei disfarçar meu nervosismo,
por sorte Tiago pegou em minha mão para disfarçar e começou a dançar comigo.
Sorri agradecida e ele me deu uma piscadela.
Bruno estava conversando com a tal garota,
porém, não parava de olhar em minha direção. Meu coração disparava a cada vez
que nossos olhares se cruzavam. Respirei fundo e bebi um gole do champanhe.
— Tiago, vou ao banheiro. Já volto.
Ele concordou com um sorriso lindo.
Saí em seguida e fui até o banheiro, dando
graças a Deus por ter saído daquele metro quadrado que eu estava dividindo com
o Bruno. Retoquei minha maquiagem, dei uma conferida no celular e depois me
encarei no espelho.
“Droga, garota. Até quando esse garoto vai
tirar sua paz? ”
Apertei os olhos, respirei fundo e saí.
Não podia ficar trancada no banheiro a noite toda. Tinha que encarar a situação
e ainda corria o risco de chegar na pista de dança e ver o Bruno aos beijos com
a tal garota.
Quando estava voltando para a mesa, senti
uma mão segurando meu braço. Olhei assuntada e vi o Bruno bem atrás de mim.
— Acho que nós precisamos conversar. — ele
disse com firmeza.
— Não acho que é uma boa ideia.
Bruno me olhou assustado.
— Como assim? Por que você não quer falar
comigo? Você fez tudo o que fez e ainda não quer falar comigo?
— Expliquei para você meus motivos.
— Não! Aquilo não foi uma explicação. Você
me mandou uma mensagem dois dias depois de ter ido embora. Fiquei feito louco
atrás de você e você não estava nem aí para o que aconteceu com a gente.
Eu ri descrente. E ele ainda segurava meu
braço.
— Vem! Vamos conversar.
— Não tenho nada para falar com você! Eu
até tinha, mas...
Bruno me puxou novamente.
— Carol, não faz isso comigo, porra. Isso
está me matando.
Os olhos dele pareciam tristes e pelo o
que eu conhecia o Bruno ele estava sendo sincero.
— Não estou fazendo nada, Bruno. Você mesmo
disse que não queria mais saber de mim.
— Como é que é? De onde tirou isso?
— Tudo bem! Vamos conversar.
Bruno segurou minha mão e deu meia volta,
indo sentido ao jardim do clube. Imediatamente eu imaginei a cena dele tentando
agarrar a Patrícia. Chegamos em um lugar totalmente livre do barulho. Ele
sentou-se e pediu que eu sentasse ao lado dele.
— Tá legal, quer conversar, então vamos
lá! O que tem a me dizer?
— O que você tem a me dizer? — disse ele
apreensivo — Achei que as coisas fossem finalmente terminarem bem entre nós.
Eu... Eu fiz planos a noite toda sobre como faríamos dar certo. Droga, eu estava radiante naquele dia. Estava
maluco pra falar, ver e beijá-la outra vez. E então você simplesmente
desaparece. E isso acabou comigo. Fiquei arrasado. Sem saber o que pensar.
Olhei para ele, que estava consternado. E
aquilo me desarmou.
— Bruno, eu...— fiz uma pausa — Eu amei a
nossa noite. Acontece que fiquei em pânico assim que você me levou até meu
apartamento. Veio-me à tona toda aquela sensação que eu tive quando você foi
ver a Melissa no hospital. Tive medo de que quando o visse novamente, sei lá,
você me ignoraria, ou fingiria que nada tivesse acontecido, e isso me deixou em
pânico. Fiquei em prantos, sem saber o que fazer. Então, decidi seguir o caminho mais fácil para
mim. Tá, fui covarde, mas não pensei na hora. Só o que eu queria era me afastar
de você, pra que não me machucasse outra vez.
Nesse momento me sentei ao lado dele.
— Então correu para o seu namorado com
medo do que pudesse acontecer entre nós?
— Na verdade, eu não tinha para onde ir.
Por isso decidi encontrar o Fábio no Canadá. Mas eu juro que não fiz isso por
mal ou para dar o troco. Nunca pensei nisso. Fiz por medo foi medo, mas me
arrependi assim que deixei o país. Tanto que...
Respirei fundo.
— Tanto que?
Eu ri descrente.
— Tanto que eu desisti de lutar contra
meus sentimentos. Então volto e escuto a pior coisa que eu poderia escutar.
Ele me encarou apreensivo.
— Como assim?
— A Patrícia me contou sobre vocês.
— Contou o quê? — ele perguntou fingindo
não entender.
O que me surpreendeu, pois em momento
algum ele fez cara de espanto, ou de ter sido descoberto.
— Ela me disse o que aconteceu. Disse que
você deu em cima dela e a beijou. A minha melhor amiga Bruno? Se fosse qualquer
outra garota, mas a Patrícia? De novo ela?
Ele balançou a cabeça em negação.
— Não acredito que ela disse isso a você?
Você só pode estar brincando!
— Quer saber? Você não me deve
explicações. Nem sei o porquê disse isso a você. Enfim, é que ela é minha única
amiga e não achei que você fosse...
Balancei a cabeça em negação e quando fui
me levantar pra voltar para a festa, Bruno me segurou.
— Mas que merda é essa? Isso não é
verdade. Você precisa acreditar em mim! Nunca dei em cima da Patrícia. A não
ser quando ainda estávamos no ensino médio. Depois disso, sequer olhei pra ela.
— Não foi isso que ela me disse.
— Ela mentiu para você.
Eu ri com desdém.
— Bruno, eu preciso entrar. Quer saber? Não quero mais falar sobre isso.
Ele me olhou impaciente.
— Seja lá o que ela te disse, você não
pode dar ouvidos a ela. Preciso que acredite em mim. Eu estava aqui fora,
conversando com um amigo meu, quando ela apareceu. Estava bêbada e quis puxar
assunto, já que o Felipe não deu a mínima pra ela a noite toda.
Olhei para ele concordando.
— Começou a comparar meu relacionamento
com você ao dela com o Felipe e disse que vocês não queriam mais saber de nós
dois. Eu disse alguma coisa sobre o Felipe estar magoado com ela e ela
simplesmente me falou que é complicada demais para um relacionamento. Mas que
você é ainda mais.
Ouvia atentamente cada palavra.
— Eu ouvi ao que ela disse e quando fui entrar,
ela me puxou e me beijou. Eu a parei no mesmo instante, cheguei a perguntar se
ela estava louca, afinal ela é sua amiga e o Felipe é meu melhor amigo, por
falar nele, ele assistiu a tudo. É era óbvio que ela queria fazer uma cena para
ele e estava me usando. Na certa, a Patrícia achou que para provocar você, eu
cairia no jogo dela, mas eu não fiz isso.
— Eu não sei o que te dizer! — titubeei. —
A história que ela me disse foi quase a mesma, porém, disse que foi você a ir
atrás dela. E pra completar, ela me disse que disse que você falou em alto e
bom tom, que não queria mais saber de mim. Juro que não sei o que pensar.
— Carol!
— Você me conhece! Sabe que eu sou maluco
por você e principalmente sabe que eu jamais diria uma coisa dessas, muito
menos pra sua melhor amiga. Eu era apenas um garoto quando fiquei com a
Patrícia, não sabia das coisas. Mas agora sei exatamente o que eu quero e quem
eu quero. Ontem fiquei esperando por você a noite toda. Cada pessoa que chegava
eu olhava para ver se era você. Então, como poderia fazer isso, sabendo que ela
é sua melhor amiga? Não tem sentido.
— E por que ela mentiria para mim?
— E por que eu mentiria para você?
Olhei para ele sem ter respostas.
— Você precisa acreditar em mim! — ele me
disse olhando em meus olhos.
— Não estou dizendo que não acredito em
você, não é isso. Mas a Paty é minha amiga, e eu não vejo motivo para ela ter
inventado essa história. Vocês dois beberam além da conta, então, talvez você
nem se lembre do que aconteceu de fato.
Ele riu sentindo-se ofendido.
— Não acredito nisso! Você não acredita em
mim, não é mesmo? Será que ela é mesmo sua amiga? Ela armou tudo isso, droga.
— Ela nunca fez algo que me magoasse,
nunca mentiu pra mim. Não tenho o porquê não acreditar nela.
— Já eu a magoei, não é? É por isso que
não acredita em mim. Foi por esse motivo que foi embora sem se despedir de mim.
Porque não acreditou em uma só palavra que disse a você naquela noite.
Balancei a cabeça em negação.
— Droga. Não! Tá vendo! Essa conversa
nunca chegará a lugar nenhum. E eu não quero isso! Não quero discutir com você,
não quero brigar com você, não quero suas explicações. Acho que nós somos
maiores que tudo isso. Nossa amizade sempre foi superior a todas essas coisas.
É por isso que um relacionamento que vá além de amizade pode por tudo isso a
perder.
— Até onde eu sei, uma amizade também se
baseia na confiança. E você não acreditando em mim, mostra nem amizade sobrou entre
nós.
Eu não disse nada e Bruno simplesmente
saiu, me deixando sozinha e sem reação. Fiquei alguns minutos ali fora tentando
canalizar todas as informações. Só entrei algum tempo depois, após repassar
tudo o que ele havia me dito. Estava disposta a falar com ele e tentar resolver
nossa situação. Vi os rapazes e fui até eles, mas Bruno não estava.
— Tiago, você viu o Bruno?
— Ele foi embora.

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