quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Sob o olhar das Estrelas, parte 18, por Érika Prevideli

Sob o olhar das Estrelas

Parte 18

— Sim. Eu me livrei dele no mesmo instante, mas ele me beijou. Só estou dizendo isso porque sou sua amiga e sei lá, talvez tenha metido os pés pelas mãos ao largar do seu namorado por causa do Bruno. Ele não quer nada com nada, você já deveria saber disso.
Estava aturdida com tudo o que ela estava vomitando pra mim.
— E também tinha o Felipe, que estava por perto, então isso nunca aconteceria. Mas o Bruno estava bêbado. Talvez ele tenha feito isso para dar o troco em você, sabendo que eu lhe contaria, ou talvez, ele tenha feito isso porque simplesmente não a merece.
Olhei alarmada para ela, estava totalmente imóvel.
— E o que ele disse quando se afastou?
—Disse que tínhamos que aproveitar porque estávamos sozinhos e que nossos relacionamentos eram um verdadeiro fracasso. Eu o deixei falando sozinho, mas depois o vi com outra garota e eles foram embora juntos.
Senti como se um balde enorme de gelo tivesse sido jogado em minha cabeça.
— Uau, por essa eu não esperava!
— Pois é, e eu também não. E com isso, Felipe que já estava totalmente estranho comigo, simplesmente não quer mais nem me ver na frente. Não sei o que o Bruno disse a ele, só o que sei é que o Felipe não quer mais falar comigo. Tanto que ele não quer que eu vá nem na festa de hoje, na qual eu estava convidada há meses.
Engoli seco, minha vista estava turva.
— Amiga, você sabe que eu não faria isso com você, não sabe?
Sem ao menos responder, minhas lágrimas começaram a cair. Fiquei me sentindo uma completa idiota ao saber daquilo.
— Não chore, Carol. Não faça isso por aquele idiota que não vale nada, ele deixou isso bem claro. Foi como da outra vez, que você se entregou a ele e ele a deixou por causa da namorada. Se você insistir nessa relação, será sempre assim. Você fez bem em ter ido embora, pois na certa, ele aprontaria outra com você.
— É, talvez você tenha razão.
— Sim, claro que sim! Mas agora pare de chorar. Quer saber, eu de você nem ia pra essa merda de festa. Podemos fazer alguma coisa juntas, o que acha?
— Paty, eu preciso ficar sozinha, preciso pôr a cabeça no lugar. Depois eu ligo para você, pode ser?
— Você quer que eu vá embora? — ela me questionou incrédula.
— Sim, quer dizer, não é isso; mas eu preciso ficar sozinha. Por favor, não me leve a mal.
Paty balançou a cabeça e levantou-se em seguida.
— Carol, por favor, não quero que fique com raiva de mim. Eu só lhe contei porque amo você e jamais permitiria que o Bruno lhe enganasse, então...
— Não! Fica tranquila! Não estou com raiva. Aliás que eu tenho que te agradecer. Você é minha amiga.
Minutos depois nos despedimos e ela se foi. Minha mãe chegou pouco depois e percebeu que eu havia chorado.
— Filha, o que aconteceu?
Eu a abracei, mas não pude dizer a ela o que estava acontecendo. Tudo o que eu queria naquele momento era um colo de mãe. E ela estava lá para me dar o que eu precisava.
— Não é nada mãe, é que senti sua falta. Sinto falta de casa. Parece que as coisas nunca dão certo para mim, sabia?
Ela me olhou como se me avaliasse.
— Eu e o Fábio terminamos. Não que esteja sofrendo por ele, mas é que tem uma outra pessoa da qual eu gosto muito, tipo um amor platônico, sabe? Acho que estou destinada a ficar sozinha.
— Carolina, nunca diga isso. Você é linda, e tem a vida toda pela frente. Se não deu certo até agora, é porque ainda não é o momento certo. — ela me disse dando-me um abraço afável.
— Vá pra sua festa e aproveite, filha! Logo esse sentimento ruim passa.
— Não estou no clima para ir a essa festa.
— Tá maluca? Você precisa ir! O Felipe ficaria decepcionado com você. Ele é seu amigo. E ontem ele me ligou umas cinco vezes, para saber se você tinha chegado de viagem. Falando nisso, encontrei com o Bruno, ele perguntou sobre você. Ah, antes que eu me esqueça, quando você foi embora, o Bruno ficou claramente arrasado. Fiquei pensando sobre isso algum tempo: aconteceu alguma coisa entre vocês?
Arregalei os olhos, sem saber como me safar dos seus olhos acusadores.
— Mãe, essa história de novo? Eu tô cansada, acho que preciso descansar um pouco.
Ela me analisou.
— Hmmm, tá legal. Conversaremos sobre isso uma outra hora.
Revirei os olhos e ela se inclinou para beijar meu rosto. Não queria mais mentir para minha mãe. E uma hora eu teria que contar a ela toda a verdade, mas não naquele momento.
— Agora, vem aqui! — ela disse deitando-se ao meu lado. — Descansa um pouco no colinho da sua mãe, porque daqui a pouco o Bob chega, e quero ver você bem linda, para reencontrar seus amigos.
Concordei em silêncio, mas por dentro estava arrasada. Devo ter dormido por umas três horas. Acordei com minha mãe me chamando para que eu fosse tomar um banho, porque o Bob estava subindo.
Coloquei um vestido acima dos joelhos todo bordado com pedras douradas sobre um tule cor da pele, da Patrícia Bonaldi. Bob escovou meus cabelos e os enrolou nas ponta e em seguida o prendeu. Fez uma maquiagem bem natural, apenas com os olhos bem destacados.
— Simplesmente um luxo! — ele disse se gabando de seus serviços. — Se eu fosse hétero, com certeza colaria em você à noite toda.
Sorri após o comentário dele.
— Só você para tirar um riso meu!
— Você está uma diva! Não é nenhuma graça, é a realidade.
Minha mãe entrou em meu quarto, concordando com que Bob havia me dito. Já passava das dez horas e eu ainda nem tinha saído de casa.
— Mãe, você me leva?
— Claro que sim! — ela disse toda orgulhosa. — Ah, e a Paty te ligou umas duas vezes, ela queria te convidar para sair. Achei que ela fosse à formatura.
Respirei fundo tentando sufocar minha frustração.
— Eu também, mas ela e o Felipe terminaram. Depois eu falo com ela.
Ficamos conversando com o Bob e acabamos saindo do prédio já passava das onze horas da noite. Cheguei em frente ao clube me sentindo totalmente desambientada.
— Qualquer coisa eu ligo para você, pode ser?
— Claro filha. E não vai beber! Quer dizer, não muito. — disse ela, dando-me uma piscadela.
Dei um sorriso triste e em seguida beijei minha mãe e fui em direção ao clube. Respirei fundo, pois sabia que minha noite não seria nada fácil. Afinal, encarar o Bruno depois de abandoná-lo sem explicação e ainda por cima saber que ele estava dando em cima da minha melhor amiga, era coisa demais para mim.
— Seu nome por favor?
— Carolina. Sou convidada do Felipe Scutti.
— Ah, achei! Eu levo você. — disse a recepcionista.
Fui atrás dela, como quem vai atrás de um escudo e vi a mesa em que os meninos estavam. Quando eles me viram fizeram a maior festa. Vi que Bruno me olhou ficando totalmente sem reação, assim como eu fiquei. Mas fingi um sorriso, engoli o nervosismo e fui até eles.
— Mascote, até que enfim! Eu simplesmente ia riscar você da minha vida caso você não viesse.
— Oi, Felipe. — falei o abraçando. — Parabéns, tenho certeza que você será o melhor jornalista do mundo.
— Que exagero, porra! — ele disse em deboche.
— Desculpe por ontem! Meu voo atrasou demais. Achei que fosse conseguir chegar a tempo.
— Você está aqui, é o que importa! — ele disse dando-me um beijo em meu rosto.
Respirei fundo para encarar as outras pessoas da mesa. Gustavo veio até mim e me deu um abraço que chegou a me tirar do chão. Ele estava desacompanhado.
— Carol, gata e gostosa como sempre! —ele disse sussurrando em meu ouvido, de modo provocativo.
— Gustavo, ousado e descarado como sempre.  — arfei.
— E solteiro! — ele completou.
Eu ri balançando a cabeça em negação. Tiago também veio e me abraçou.
— Mascote, que saudades! Achei que você não viesse mais.
— Nem pensar que eu deixaria de vir. Tentei vir ontem, mas a droga do meu voo atrasou.
Ele assentiu e segurou minha mão e me puxou contra ele.
— Está bonitão hein!
Ele riu.
— E você uma gata.
— E sua namorada onde está?
— Não, tá maluca! Estou sozinho.
— Você também? Vocês combinaram de ficar solteiros na mesma época?
— Parece que sim. Na verdade, eu e a Paula terminamos ontem, pra felicidade da mulherada. — ele disse dando-me uma piscada.
— Quanta pretensão!
Ele sorriu e me abraçou novamente.
Bruno me encarou, mas ainda estava sentado. Os pais de Felipe saíram da mesa onde eles estavam e foram me cumprimentar. Meu coração estava apertado só de imaginar Bruno ficar sem falar comigo. Mas então ele se levantou e foi até mim.
— Oi! — disse ele secamente.
— Oi, Bruno! — respondi ainda mais seca.
— Achei que você não viesse mais. — ele falou, mas dessa vez mudando a entonação de sua voz, parecendo mais maleável.
— Não perderia por nada a festa do Felipe. Ele é meu amigo.
Bruno me encarou sem graça e assentiu em silêncio.
— Fez boa viagem?
— Sim, cansativa, mas no final tudo deu certo.
Ele mordeu o lábio inferior, observando cada movimento meu.
— Bom, ah, é melhor eu me sentar. — disse sem jeito, apontando para meu lugar.
Ele ficou parado com as mãos do bolso da calça social e eu segui em direção da mesa. Foi tudo muito frio entre nós dois. Para completar minha inquietação, sentei bem de frente para ele. No começo, eu mal conseguia respirar. Olhava pra ele e o flagrava olhando para mim, porém, ou ele ou eu sempre acabava disfarçando.
Bruno parecia tão nervoso quanto eu. Era estranho estar ali bem diante dele, depois da noite que tivemos no terraço e era estranho pensar nele com a Paty. E pensar nisso, me deixou ainda mais distante dele.
Os rapazes como sempre, fizeram de tudo para que eu me sentisse bem. Sempre me incluíam nas conversas e quando era algo entre eles, tratavam logo de me explicar.
A banda começou a tocar e os meninos me arrastaram com eles para a pista de dança. Bruno demorou a aparecer, mas acabou indo. Felipe fez questão de tirar inúmeras fotos e eu sempre no meio de todos eles.
Um garçom passou e Bruno pegou duas taças de champanhe, entregando-me uma delas. Hesitei para pegá-la, contudo, achei deselegante não aceitar.
— Obrigada, Bruno!
Ele não disse nada. Aquilo me machucou por dentro. Estava nítido que ele estava magoado comigo. Estava mais frio do que nunca. E eu, claro, fiquei na minha, afinal, também tinha meus motivos para estar magoada.
Umas garotas pararam para conversar com o Felipe e ele começou a conversar com elas. Momentos depois, Felipe chamou Bruno, pois uma delas queria conhecê-lo. Mais uma vez tentei disfarçar meu nervosismo, por sorte Tiago pegou em minha mão para disfarçar e começou a dançar comigo. Sorri agradecida e ele me deu uma piscadela.
Bruno estava conversando com a tal garota, porém, não parava de olhar em minha direção. Meu coração disparava a cada vez que nossos olhares se cruzavam. Respirei fundo e bebi um gole do champanhe.
— Tiago, vou ao banheiro. Já volto.
Ele concordou com um sorriso lindo.
Saí em seguida e fui até o banheiro, dando graças a Deus por ter saído daquele metro quadrado que eu estava dividindo com o Bruno. Retoquei minha maquiagem, dei uma conferida no celular e depois me encarei no espelho.
“Droga, garota. Até quando esse garoto vai tirar sua paz? ”
Apertei os olhos, respirei fundo e saí. Não podia ficar trancada no banheiro a noite toda. Tinha que encarar a situação e ainda corria o risco de chegar na pista de dança e ver o Bruno aos beijos com a tal garota.
Quando estava voltando para a mesa, senti uma mão segurando meu braço. Olhei assuntada e vi o Bruno bem atrás de mim.
— Acho que nós precisamos conversar. — ele disse com firmeza.
— Não acho que é uma boa ideia.
Bruno me olhou assustado.
— Como assim? Por que você não quer falar comigo? Você fez tudo o que fez e ainda não quer falar comigo?
— Expliquei para você meus motivos.
— Não! Aquilo não foi uma explicação. Você me mandou uma mensagem dois dias depois de ter ido embora. Fiquei feito louco atrás de você e você não estava nem aí para o que aconteceu com a gente.
Eu ri descrente. E ele ainda segurava meu braço.
— Vem! Vamos conversar.
— Não tenho nada para falar com você! Eu até tinha, mas...
Bruno me puxou novamente.
— Carol, não faz isso comigo, porra. Isso está me matando.
Os olhos dele pareciam tristes e pelo o que eu conhecia o Bruno ele estava sendo sincero.
— Não estou fazendo nada, Bruno. Você mesmo disse que não queria mais saber de mim.
— Como é que é? De onde tirou isso?
— Tudo bem! Vamos conversar.
Bruno segurou minha mão e deu meia volta, indo sentido ao jardim do clube. Imediatamente eu imaginei a cena dele tentando agarrar a Patrícia. Chegamos em um lugar totalmente livre do barulho. Ele sentou-se e pediu que eu sentasse ao lado dele.
— Tá legal, quer conversar, então vamos lá! O que tem a me dizer?
— O que você tem a me dizer? — disse ele apreensivo — Achei que as coisas fossem finalmente terminarem bem entre nós. Eu... Eu fiz planos a noite toda sobre como faríamos dar certo.  Droga, eu estava radiante naquele dia. Estava maluco pra falar, ver e beijá-la outra vez. E então você simplesmente desaparece. E isso acabou comigo. Fiquei arrasado. Sem saber o que pensar.
Olhei para ele, que estava consternado. E aquilo me desarmou.
— Bruno, eu...— fiz uma pausa — Eu amei a nossa noite. Acontece que fiquei em pânico assim que você me levou até meu apartamento. Veio-me à tona toda aquela sensação que eu tive quando você foi ver a Melissa no hospital. Tive medo de que quando o visse novamente, sei lá, você me ignoraria, ou fingiria que nada tivesse acontecido, e isso me deixou em pânico. Fiquei em prantos, sem saber o que fazer.  Então, decidi seguir o caminho mais fácil para mim. Tá, fui covarde, mas não pensei na hora. Só o que eu queria era me afastar de você, pra que não me machucasse outra vez.
Nesse momento me sentei ao lado dele.
— Então correu para o seu namorado com medo do que pudesse acontecer entre nós?
— Na verdade, eu não tinha para onde ir. Por isso decidi encontrar o Fábio no Canadá. Mas eu juro que não fiz isso por mal ou para dar o troco. Nunca pensei nisso. Fiz por medo foi medo, mas me arrependi assim que deixei o país. Tanto que...
Respirei fundo.
— Tanto que?
Eu ri descrente.
— Tanto que eu desisti de lutar contra meus sentimentos. Então volto e escuto a pior coisa que eu poderia escutar.
Ele me encarou apreensivo.
— Como assim?
— A Patrícia me contou sobre vocês.
— Contou o quê? — ele perguntou fingindo não entender.
O que me surpreendeu, pois em momento algum ele fez cara de espanto, ou de ter sido descoberto.
— Ela me disse o que aconteceu. Disse que você deu em cima dela e a beijou. A minha melhor amiga Bruno? Se fosse qualquer outra garota, mas a Patrícia? De novo ela?
Ele balançou a cabeça em negação.
— Não acredito que ela disse isso a você? Você só pode estar brincando!
— Quer saber? Você não me deve explicações. Nem sei o porquê disse isso a você. Enfim, é que ela é minha única amiga e não achei que você fosse...
Balancei a cabeça em negação e quando fui me levantar pra voltar para a festa, Bruno me segurou.
— Mas que merda é essa? Isso não é verdade. Você precisa acreditar em mim! Nunca dei em cima da Patrícia. A não ser quando ainda estávamos no ensino médio. Depois disso, sequer olhei pra ela.
— Não foi isso que ela me disse.
— Ela mentiu para você.
Eu ri com desdém.
— Bruno, eu preciso entrar. Quer saber?  Não quero mais falar sobre isso.
Ele me olhou impaciente.
— Seja lá o que ela te disse, você não pode dar ouvidos a ela. Preciso que acredite em mim. Eu estava aqui fora, conversando com um amigo meu, quando ela apareceu. Estava bêbada e quis puxar assunto, já que o Felipe não deu a mínima pra ela a noite toda.
Olhei para ele concordando.
— Começou a comparar meu relacionamento com você ao dela com o Felipe e disse que vocês não queriam mais saber de nós dois. Eu disse alguma coisa sobre o Felipe estar magoado com ela e ela simplesmente me falou que é complicada demais para um relacionamento. Mas que você é ainda mais.
Ouvia atentamente cada palavra.
— Eu ouvi ao que ela disse e quando fui entrar, ela me puxou e me beijou. Eu a parei no mesmo instante, cheguei a perguntar se ela estava louca, afinal ela é sua amiga e o Felipe é meu melhor amigo, por falar nele, ele assistiu a tudo. É era óbvio que ela queria fazer uma cena para ele e estava me usando. Na certa, a Patrícia achou que para provocar você, eu cairia no jogo dela, mas eu não fiz isso.
— Eu não sei o que te dizer! — titubeei. — A história que ela me disse foi quase a mesma, porém, disse que foi você a ir atrás dela. E pra completar, ela me disse que disse que você falou em alto e bom tom, que não queria mais saber de mim. Juro que não sei o que pensar.
— Carol!
— Você me conhece! Sabe que eu sou maluco por você e principalmente sabe que eu jamais diria uma coisa dessas, muito menos pra sua melhor amiga. Eu era apenas um garoto quando fiquei com a Patrícia, não sabia das coisas. Mas agora sei exatamente o que eu quero e quem eu quero. Ontem fiquei esperando por você a noite toda. Cada pessoa que chegava eu olhava para ver se era você. Então, como poderia fazer isso, sabendo que ela é sua melhor amiga? Não tem sentido.
— E por que ela mentiria para mim?
— E por que eu mentiria para você?
Olhei para ele sem ter respostas.
— Você precisa acreditar em mim! — ele me disse olhando em meus olhos.
— Não estou dizendo que não acredito em você, não é isso. Mas a Paty é minha amiga, e eu não vejo motivo para ela ter inventado essa história. Vocês dois beberam além da conta, então, talvez você nem se lembre do que aconteceu de fato.
Ele riu sentindo-se ofendido.
— Não acredito nisso! Você não acredita em mim, não é mesmo? Será que ela é mesmo sua amiga? Ela armou tudo isso, droga.
— Ela nunca fez algo que me magoasse, nunca mentiu pra mim. Não tenho o porquê não acreditar nela.
— Já eu a magoei, não é? É por isso que não acredita em mim. Foi por esse motivo que foi embora sem se despedir de mim. Porque não acreditou em uma só palavra que disse a você naquela noite.
Balancei a cabeça em negação.
— Droga. Não! Tá vendo! Essa conversa nunca chegará a lugar nenhum. E eu não quero isso! Não quero discutir com você, não quero brigar com você, não quero suas explicações. Acho que nós somos maiores que tudo isso. Nossa amizade sempre foi superior a todas essas coisas. É por isso que um relacionamento que vá além de amizade pode por tudo isso a perder.
— Até onde eu sei, uma amizade também se baseia na confiança. E você não acreditando em mim, mostra nem amizade sobrou entre nós.
Eu não disse nada e Bruno simplesmente saiu, me deixando sozinha e sem reação. Fiquei alguns minutos ali fora tentando canalizar todas as informações. Só entrei algum tempo depois, após repassar tudo o que ele havia me dito. Estava disposta a falar com ele e tentar resolver nossa situação. Vi os rapazes e fui até eles, mas Bruno não estava.
— Tiago, você viu o Bruno?
— Ele foi embora.      ­

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