Sob o olhar das Estrelas
Parte 16
7
Bruno - Menina dos meus
olhos
Eu não conseguia manter meus olhos afastados
de Carol. Ela estava linda e gostosa pra caralho. Minha vontade era de... Bom,
de fazer tudo o que eu sonhava fazer com ela. Já que ela estava presente diariamente
em meus sonhos.
Chegamos à festa e o manobrista foi buscar
meu carro. O desgraçado teve a petulância de olhar para a Carol com segundas
intenções. Também, pudera, ela parecia uma princesa com aquele vestido preto e
prata.
Entrelacei meus braços nos braços dela
como se de fato estivéssemos juntos. Precisava marcar meu território, no caso
de algum engraçadinho querer se aproximar dela. E ela parecia não se importar
com o fato de entrarmos na festa como um casal.
— Já disse que vocês formam um casal
lindo? — brincou a mãe do Gustavo assim que nos viu chegar.
— Concordo plenamente. — falei.
Vi um vislumbre de sorriso saindo dos
lábios de Carol.
Assim que entramos, centenas de olhares
pairavam sobre nós. E eu sabia o motivo: a garota mais linda havia acabado de
entrar. E o melhor de tudo era que ela estava comigo e mantinha um sorriso
lindo nos lábios, o que indicava que se sentia bem ao meu lado.
Assim que Gustavo nos viu, foi nos
recepcionar, cumprimentando todos e como sempre deixando a Carol por último.
— Fiquei até sem palavras ao ver você
entrar! — ele disse indo em direção a ela.
Tudo bem que a festa era dele, mas senti
uma necessidade enorme de socá-lo naquele momento. Então me segurei para não o
fazer.
Gustavo a abraçou por uma eternidade. Ela
parecia tão sem graça, assim como eu estava enciumado. Sentamos em nossos lugares
e começamos a conversar.
Era incrível como mesmo tendo ficado longe
da Carol por anos, ainda tínhamos tanta afinidade. Era como se não tivéssemos
passado um dia se quer sem nos vermos. Eu vibrava com cada sorriso dela, cada
movimento que ela fazia com as mãos e cada olhar dela que cruzava com o meu.
Bebemos uma, duas, três, quatro, infinitas
taças de champanhe. Seu riso começou a ficar cada vez mais frequente, assim
como os meus. Nós fomos dançar e quem nos via, tinha a certeza de que éramos um
casal.
Carol colocou seus braços sobre meus
ombros e dançou olhando em meus olhos. Ela disse algo que eu nem escutei de tão
desconcertado que eu estava. Estávamos dançando cada vez mais juntos. Podia sentir
o cheiro que saía de sua pele, deixando-me inebriado. Quando a música Viva la
Vida do Coldplay começou a tocar, Gustavo praticamente me empurrou pra dançar
com ela. Claro que Carol mal se aproximou dele, mas o foda foi que ela já não
estava mais entrelaçada a mim.
Eu o amaldiçoei com meu olhar, porém, ele fingiu
não perceber ou estava bêbado demais para isso. Felipe não perdia tempo e
marcava o território enchendo Patrícia de beijos.
Algumas músicas depois, a namorada de
Gustavo se aproximou. O que levou a me questionar o porquê ela não aparecera
antes. Mais tarde Carol quis ir ao banheiro e eu a acompanhei. Eu a esperava
encostado em um pilar e quando ela saiu, um carinha que surgiu não sei de onde
a cercou. Vi que ele disse algo, mas ela balançou a cabeça em negação, dando de
ombros. Ele segurou o braço da Carol e numa fração de segundos eu estava ao
lado dela.
— Algum problema?
O cara me olhou sem parecer se intimidar.
— Ela está acompanhada. — falei franzindo
o cenho.
Carol riu.
— Você está com esse cara? — perguntou o
tal cara com desdém.
— Foi o que ele disse. — ela respondeu sem
hesitar.
Nesse momento Carol segurou minha mão.
— Vem, vamos!
Eu a acompanhei como se tivesse acabado de
ganhar um troféu. Quando estávamos dançando novamente, Carol se inclinou em meu
ouvido, sussurrando:
— Obrigada por me livrar daquele babaca.
— Não precisa me agradecer. Aliás, só
depende de você estar realmente comigo.
Ela sorriu, jogando a cabeça para trás.
— Já ouvi isso uma vez e me dei mal.
Balancei a cabeça em negação.
— Carol!
Ela não disse nada e continuou a dançar.
Eu sabia que no fundo ela ainda carregava uma grande mágoa. E eu merecia isso.
Carol voltou para mesa alguns minutos
depois, parecendo chateada e fui atrás dela.
— Vamos lá fora, conversar um pouco?
— Hmmm, acho melhor não. — ela respondeu
dando um meio sorriso.
Dessa vez fui eu quem não disse nada, sem
conseguir disfarçar minha frustração.
Felipe e Patrícia voltaram e novamente
começamos a conversar. Eles pareciam ter mais assuntos com ela do que comigo,
ainda assim eu me fazia presente. Algumas taças de champanhe depois, percebi
que Carol estava ficando totalmente alcoolizada.
— A Carol que eu conheci não bebia assim. —
sussurrei.
— A Carol que você conhecia não existe
mais. — ela disse dando-me uma piscadinha.
Forcei um sorriso e parei imediatamente de
beber. Pois sabia que mais tarde teria que cuidar dela. As meninas saíram para
dançar com a namorada de Gustavo, deixando apenas eu e Felipe na mesa. Tiago
que passara quase a noite toda em outra mesa, veio e sentou-se comigo e com o
Felipe.
— E aí cara? Você e a Carol, estão... — ele
disse ironizando.
— Que nada! Acho que a Carol nunca mais
vai querer saber de mim. Já me tirou várias vezes desde que chegou.
— É Brunão, você partiu o coração da
mascote há alguns anos. Lembra?
Apenas concordei.
— Ei cara, a festa está recheada! Tem
garotas lindas por toda parte. Além disso, ela está namorando, então parte pra
outra. — falou Tiago.
Eu ri concordando.
—É uma merda, cara. Com a Paty é a mesma
coisa. Ela fica bem comigo, mas logo vai embora e sequer atende minhas
ligações. Acho que preciso terminar a noite com outra garota, porque é foda
gostar de alguém que nem se importa.
— Cara, nós estamos feios. Mas pelo menos
você ainda está se saindo melhor que eu.
— Será? A Carol sente alguma coisa por
você. Isso tá na cara. Mas a Patrícia deixa bem claro pra mim que o que temos é
só curtição.
— Ah, que merda! Vocês estão parecendo
umas maricas chorando pelas garotas de vocês. — brincou Tiago.
Uns carinhas cercaram as garotas na pista.
Olhei para Felipe que ficou em pé imediatamente, indo até a Patrícia. Eu fiz o
mesmo e Tiago riu alto.
Um dos caras quase beijou a namorada de
Gustavo que estava mais bêbada que todos nós juntos. Carol me olhou sem entender
e veio em minha direção. E simplesmente a abracei.
— Vamos sair daqui?
— Vamos! Eu já bebi além da conta.
Passei meu braço pela cintura dela e a
carreguei comigo para o lado de fora. Ela parecia andar com dificuldade.
— Bruno, estou zonza.
— Eu sei.
Nós caminhamos até um lado bem isolado do jardim
e ela me encarou.
— Senti tanto sua falta, sabia? Sentia
necessidade de saber de você, escutar sua voz, contar sobre meus problemas.
— Carol eu sinto sua falta o tempo todo.
Ela riu com desdém.
— Sente nada!
A encarei e nossos olhos se cruzaram nesse
momento. Inclinei-me, indo em direção aos lábios dela. Quando nossos lábios
estavam a centímetros ela me interrompeu.
— Por que você fez aquilo comigo? Por que
você simplesmente não terminou com a Melissa? Não consigo esquecer até hoje a
dor que eu senti quando você me disse que precisava ir, pois a sua namorada
precisava de você. Você me jogou fora Bruno, como se eu fosse descartável. E eu
confiei em você.
Fiquei sem palavras. Sim, ela aproveitou a
situação da embriaguez dela para jogar em minha cara tudo o que sentia.
— Você nunca vai me perdoar, não é?
Ele fez que não com a cabeça.
— Está vendo esses lábios aqui? — ela
disse apontando para os próprios lábios.
— Você nunca mais irá tocá-los. Eu prometi
isso a mim mesma.
Nesse momento Pati e Felipe apareceram.
— Ei, cara, vamos nessa?
— Vamos.
Carol saiu cambaleando. Mesmo puto da vida,
fui até ela e a ajudei, praticamente a carregando em meus braços. Ela apagou do
caminho da festa até o prédio. Eu dirigia sem tirar os olhos dela. Ela parecia
estar desmaiada.
“A Marília vai me matar. ”
Assim que chegamos, a tirei com cuidado do
carro, mas ela acordou.
— Bruno, tá tudo girando. — ela falou me
abraçando forte. — Coloca-me no chão!
— Não, eu levo você.
— É sério! Eu posso ir sozinha.
Olhei para Felipe que ficou sem entender e
a coloquei no chão em seguida. Carol se afastou de nós indo atrás de um outro
carro e eu ouvi ela despejar tudo o que tinha em seu estômago. Corri até ela.
— Vai embora. Não quero que você veja
isso.
Mal ela sabia que ficava linda até
vomitando.
— Vem, eu te ajudo! — falei segurando seus
cabelos. Ela despejou baldes, atingindo até meus sapatos e minha calça.
— Santo Deus, ela vai morrer! — falou
Patrícia.
Carol continuou a vomitar e Patrícia vendo
aquilo não se segurou e começou a vomitar também. Felipe não sabia se vomitava
ou se ajudava a garota dele. Peguei Carol em meus braços e saí, deixando-os
ali.
— Eu vou morrer! — ela disse revirando os
olhos.
Subi os vinte andares a carregando em meus
braços e ela parecia ter apagado novamente. Estava em dúvida entre levá-la para
minha casa ou para a dela.
Toquei a campainha do apê dela e Marília
atendeu.
— O que aconteceu? — a mãe dela perguntou
desesperada.
— Ela tomou umas taças de champanhe a mais
e acabou passando mal.
Carol abriu os olhos ao ouvir a voz da
mãe.
— Mãe, eu vou morrer! Estou passando mal.
— Entra Bruno!
Entrei e a levei para o quarto dela,
colocando-a sobre sua cama. Marília
apareceu com um copo de água gaseificada em comprimido.
— Bebe isso Carolina!
Carol fez uma careta, bebeu o líquido e
quase vomitou novamente. Marília tirou seus saltos e eu a sentei na cama.
Marília abriu botão por botão do vestido da Carol.
— Bruno, pega uma toalha umedecida no
lavabo para mim.
“Seu idiota, é claro que a mãe dela não
quer que você a veja nua. ” Pensei.
Fui até o lavabo e umedeci uma toalha de
rosto e fiz uma horinha para dar tempo de Marília trocá-la.
Quando voltei ao quarto, Carol já estava
deitada e devidamente coberta. Fui até Marília e lhe entreguei a toalha.
Marília limpou todo o rosto da filha, tirando qualquer vestígio de vômito. Não
que eu me importasse.
— Nem sei como lhe agradecer. Pode ir se
quiser. Agora ela vai dormir.
— Não mãe! Eu quero que ele fique aqui
comigo.
Marília me olhou sem entender.
— Você vai voltar para a festa?
— Não, claro que não.
— Mãe, por favor! — disse Carol mal
conseguindo ficar de olhos abertos.
— Tudo bem. Se não tiver problema para
ele.
— Não, tá tudo bem. Eu vou buscar minhas
coisas e já volto.
Marília concordou. Quando eu fui sair,
Carol segurou minha mão.
— Não vai Bruno, por favor!
Olhei sensibilizado para ela.
— Tá, eu não vou.
— Filha, você lavou o Bruno, ele precisa
tirar essa roupa.
— Promete que não demora?
— Prometo. — respondi sorrindo e saí
rapidamente.
E fui quase na velocidade de um raio,
entrei em meu apartamento, tirei minha calça, meus sapatos, meu terno, minha
gravata, minha camisa e me enfiei em uma bermuda e uma camiseta branca. Escova
de dente, chinelo e voltei para o apê dela. Marília já estava na sala.
— Já dormiu!
Fiquei desapontado.
— Eu vou me despedir dela e vou para casa.
— Fica aí Bruno. Não se preocupe! Se ela
acordar e precisar de alguma coisa, me avisa.
“Ufa. ” Pensei.
Fui até o quarto dela e minhas coisas já
estavam na cama auxiliar. Sentei-me na cama de Carol e a observei dormir por
alguns segundos e então ela abriu os olhos.
— Obrigada por ficar.
Sorri.
— Ficaria vendo você dormir à noite toda.
Ela sorriu.
Selei seus lábios e fui me deitar.
Alguns segundos depois Carol me chamou.
— Bruno!
— Estou aqui.
— Eu te amo!
Sorri por dentro e fui até ela.
— Eu amo você, Carol.
Ela fechou os olhos novamente e apagou.
Dei um cheiro em seus cabelos e me deitei ao lado dela.
Acordamos no dia seguinte, por volta das
dez da manhã. Olhei para o lado e vi Carol olhando assustada para mim.
— Você dormiu aqui? Na minha cama?
Sorri. Claro que ela não lembrava de
nenhuma palavra que havia dito.
— Dormi! Você pediu que eu ficasse aqui
com você.
Carol deitou-se novamente.
— Ah, que merda eu fiz? Minha cabeça vai
estourar. — ela disse levando a mão na cabeça.
— Você está bem?
— Aham.
Olhei para aquela expressão de
envergonhada e sorri.
— Eu deveria ter gravado tudo o que você
me disse ontem à noite.
Carol me olhou assustada.
— Sério? Disse muita besteira.
— Dizem que falamos a verdade quando
estamos bêbados. E com isso posso dizer
que ganhei minha noite, não, quer dizer, meu final de semana, meu ano melhor
dizendo.
— Para com isso! Você está me assustando.
Eu ri e a abracei, Minutos depois pegamos
no sono outra vez.
Acordei com a campainha tocando. Dei um
pulo da cama imediatamente. Afinal, a Marília havia me autorizado a dormir no
quarto da filha dela, e não na mesma cama que a Carol.
Ouvi conversas vindo da sala e então me
desenrosquei do corpo da Carol, que estava agarrada a mim.
— Hmmm... Minha cabeça vai explodir. — resmungou
ela.
— Bom dia, linda.
Ela fez uma careta e apontou para a
cabeça.
— Não tenho certeza se meu dia será tão
bom assim? Por que me deixou beber tanto?
Quando fui argumentar, ouvi alguém batendo
na porta do quarto. Levantei-me tão rápido feito o Flash e me joguei na cama
auxiliar.
— Bom dia, meninos. Melhorou filha?
Meu coração estava descompassado.
— Ah, estou melhor mãe, na medida do
possível.
Marília ligou a luz do quarto, o que fez
com que Carol se defendesse da claridade.
— Nós precisamos conversar sobre a noite
passada. Não achei que um dia fosse ver minha filha carregada por estar de
pileque.
Carol me olhou exasperada.
— Obrigada, Bruno, se você não estivesse
lá, não sei o que poderia ter acontecido à minha filha.
O semblante de Marília realmente parecia
decepcionado.
— Não precisa agradecer, Marília. — falei
com a voz rouca de sono.
— Mãe, desculpa por ontem, isso nunca
aconteceu antes. Não sei porque bebi tanto.
— Também não sei o que te levou a fazer
isso, mas espero que não se repita. Bom, seu pai está aí, então levanta e toma
um banho para disfarçar essa cara de ressaca.
— O quê? Meu pai está aqui? O que ele faz
aqui?
— Ele quer ver você, você ficou de ligar
para ele assim que chegasse, e como não ligou, ele veio.
— Eu também preciso ir embora. — falei.
“Mas que porra! O que o pai da Carol vai
pensar quando me ver saindo do quarto dela. ”
— Bruno, obrigada mesmo por ontem. E,
Carol, espero que agradeça ao seu amigo.
Carol me olhou chateada.
— Obrigada, Bruno.
Sorri para ela, dando-lhe uma piscada. Marília
saiu e assim que a porta se fechou Carol me jogou o travesseiro.
— Droga, tudo culpa sua.
— Minha? Como assim? Você que se revelou
uma alcoólatra. Estou vendo que São Paulo realmente mudou você.
— Cala a boca! — disse ela esboçando um
sorriso diabólico.
Carol se levantou e eu a encarei como se
tivesse enfeitiçado. Ela usava um short de malha bem curto que deixava suas
pernas torneadas inteiras de fora. A blusa do pijama era bem justa ao corpo e
um tanto quanto transparente, evidenciando perfeitamente seus seios lindos.
— Você vai acabar me matando assim! — soltei,
disfarçando minha ereção.
Ela sorriu e me mostrou o dedo do meio.
Abriu a porta do quarto e saiu em seguida.
“Cara, essa garota me deixa louco. ”
Louco ou não eu precisava sair de lá
imediatamente e foi o que eu fiz. Levantei e saí em silêncio. Ouvi a voz do pai
da Carol, mas como ele estava na cozinha com a Marília eu simplesmente fui
embora.
Assim que cheguei em casa, minha mãe veio
furiosa em minha direção.
— O que aconteceu ontem? A Marília me
disse que a Carol chegou em casa bêbada. Espero que você não tenha feito nada a
ela.
Olhei sem entender.
— Não se preocupe. Ela não quer mais nada
comigo. Não rolou nada, pode acreditar.
Minha mãe me encarou, analisando cada
expressão do meu rosto.
— Isso e bom ou ruim? É impressão minha ou
está magoado?
— Ah,
sei lá. — falei saindo em direção ao meu quarto.
“Porra, é claro que me magoa.
Principalmente quando ela disse que eu nunca mais tocaria naqueles lábios. Tive
vontade de voar na boca dela e enchê-la de beijos. Mas com certeza ela me
impediria. Ou não! Afinal, ela disse que me amava. Tudo bem que estava bêbada,
mas disse. ”
Fui visitar minha avó e de lá saí pra
jogar bola com um dos meus primos. Voltei para o prédio passava das quatro da
tarde. Meu celular tocou:
— E aí bundão? Estamos na piscina.
— Tô descendo.
Desci sedento para ver a Carol, porém, quando
cheguei fiquei decepcionado. Felipe estava na piscina com a Pati, Tiago e
Gustavo com as namoradas.
— E aí, cara! — gritou Tiago.
— E aí galera!
Foi como se a Patrícia tivesse escutado
meus pensamentos.
— Você sabe se a Carol já chegou?
— Não! Ela saiu?
— Cara, você não sabe? — indagou Gustavo.
— Sabe o quê?
— O namorado dela chegou.
Meu semblante mudou sem que eu pudesse me
controlar. Estava puto por dentro. Todos me observaram e começaram a rir.
— Não faz isso com o cara! Olha a cara
dele! — falou Felipe também dando risada.
Senti-me um idiota diante deles.
— É brincadeira, Brunão. — falou Gustavo
me jogando água.
Balancei a cabeça em negação e me sentei
em uma cadeira próximo a piscina.
— Vocês são uns manés. — falei sem esboçar
nenhuma graça.
Meu celular vibrou. Deixei um sorriso
escapar ou ver o nome dela na tela.
Onde
você está? Queria falar com você.
Sorri por dentro e em seguida digitei uma
mensagem para ela.
Acabei
de chegar e o pessoal está na piscina, vim achando que encontraria você.
Instantes depois, outra mensagem.
Vou
descer.
Sei que parecia um babaca, mas apenas
aquelas palavras dela fizeram meu dia melhorar. Então ela apareceu com um short
branco e uma camisa branca e azul. Seus cabelos estavam soltos e em seu rosto
só tinha um brilho nos lábios, destacando sua pele branquinha como porcelana.
Estava linda de tirar o fôlego.
Todos começaram a zoar com ela, por causa
do porre da noite passada. Ela nem deu bola para nenhum deles. E eu amava a
maneira como ela era alheia às críticas e brincadeiras.
— E aí, melhorou?
— Ah, sim, estou bem melhor. — ela
respondeu sem graça.
— Entra aqui, Carolzinha! — gritou
Gustavo.
Ela olhou para ele e lhe deu um sorriso
afável. Confesso que senti ciúmes naquele momento.
Carol puxou uma cadeira de tomar sol,
deixando-a mais distante do pessoal e em seguida colocou uma outra paralela.
— Senta aqui! — ela disse apontando a
cadeira enquanto se sentava.
Na verdade, ela se deitou e ficou olhando
para o céu. Sentei-me ao seu lado e ela virou-se ficando de frente para mim.
Mesmo distantes, ainda era enorme o barulho que eles faziam na piscina.
— Bruno, desculpa-me por ontem! Acabei
sendo grossa com você na festa e depois dei o maior trabalho. E sei que você
não tinha nenhuma obrigação de cuidar de mim, ainda assim, ficou ao meu lado o
tempo todo.
Meus olhos se perderam nos olhos verdes
dela.
— Você não precisa pedir desculpas. E
muito menos me agradecer por cuidar de você. Cuidaria de você minha vida
inteira se precisasse.
Ela sorriu.
— Você é demais, é sério!
— Eu sei. Você também me disse isso ontem
enquanto implorava pra que eu a beijasse.
Ela se sentou no mesmo instante, olhando-me
aturdida.
— Eu não fiz isso! Fiz?
— Você não se lembra?
— Você está blefando.
— Você disse que me amava.
— Isso eu me lembro. Mas não pedi pra você
me beijasse.
— Então você me ama?
Ela corou.
— Claro que sim! Existem milhares maneiras
de amar alguém.
— Hum, você se saiu bem nessa desculpa,
hein?
— Seu bobo! — -disse ela me acertando um
tapa no braço.
Nossos olhares se cruzaram.
— Acho que não vou para a festa hoje.
— Claro que vai! Por que não iria? Eu
cuido de você, não se preocupe.
— Não preciso de babá.
— É, eu percebi isso ontem. — ironizei.
— Ah, você é um saco.
— Ainda assim me ama.
Carol se deitou na cadeira e esticou o
braço. Nesse momento nossas mãos se tocaram e foi como se uma corrente elétrica
percorresse meu corpo. Ela segurou minha mão e ficamos assim por um bom tempo.
“Eu amo essa garota. ” Repeti isso para mim por várias e várias
vezes.
Patrícia veio em nossa direção só de
biquíni e na sequência vieram todos e ficamos conversando por uns instantes, o
celular da Carol tocou e ela levantou-se para atender, saindo de perto de onde
estávamos. Fiquei cego de ciúmes só de imaginar ser o porra do namorado dela.

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