quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Sob o olhar das Estrelas, parte 17, por Érika Prevideli

Sob o olhar das Estrelas

 Parte 17


Já estava quase na hora da festa e eu estava ansioso para ver a Carol pronta. Fui para o apartamento dela pelo menos meia hora antes do combinado e fiquei conversado com a Marília que me deu mil e uma recomendações.
Carol apareceu na sala, com o tal cabeleireiro. E novamente ela estava de tirar o fôlego, com um vestido longo de mangas longas, bordado inteiro sobre tule com mini pedrarias azuis e verde-água. Seus cabelos estavam presos numa espécie de coque, e quando ela se virou pra se olhar no espelho, pude ver o decote imenso que deixava toda suas costas de fora.
“Cacete, que garota linda! ”
— Filha, você está linda. Não está Bruno?
Fiquei embasbacado, sem condições de responder à Marília.
— Está linda! — falei quase em suspiros.
O tal Bob riu da minha cara de embasbacado.
— Mãe, prometo que irei me comportar!
— Eu espero!
Carol a abraçou e em seguida virou-se para mim.
— Vamos?
Concordei sem responder e enganchei em seu braço.
Quando estávamos no elevador olhei para ela e inclinei em seu ouvido.
— Você está simplesmente maravilhosa.
Ela balançou a cabeça em negação.
— Só está dizendo isso porque é meu amigo. Não vale.
Balancei a cabeça em negação. Ela sabia como me jogar um balde de agua fria.
Sorriu em seguida, mordendo o lábio inferior. Na verdade, ela sabia o quão estava linda.
— Tá legal, já entendi. Você não vai facilitar as coisas. Ainda assim,  não consigo parar de olhar pra você, porra, você está linda demais.
Ela passou a mão em meu terno e me encarou.
— Você está um gato! Tenho certeza que as garotas se jogarão aos seus pés.
— Elas sempre fazem isso.
Nós rimos e assim seguimos para a festa. Quando chegamos, todos os olhares se direcionavam a ela, pudera, ela de longe era garota mais linda daquele lugar, deixando as todas as outras no chinelo.
Ficamos juntos o tempo todo. Ela preferiu água a qualquer bebida alcoólica. E ainda assim conversava comigo com todo entrosamento, como fazíamos há anos.
Quando estávamos na pista de dança, uma amiga da Patrícia, chegou na Carol e elas conversaram por um bom tempo e eu aproveitei esse momento e a observei por várias vezes, até que finalmente nossos olhares se cruzaram.
Uma música começou e muitas pessoas se aproximaram, deixando o lugar mais apertado, tanto que um carinha passou e se esbarrou nela. O que me deixou puto foi que quando ele percebeu o quanto era gostosa a garota na qual ele havia esbarrado, voltou para falar com ela. Ela nada fez, o ignorou completamente e veio em minha direção. Eu fingi não perceber e simplesmente passei meus braços em sua cintura, como se ela fosse minha. Carol não pareceu se importar com a minha atitude e ficamos ali por um bom tempo daquela maneira, enquanto conversávamos com outras pessoas.
Já passava das três da manhã quando Carol começou a dar os primeiros sinais de cansaço.
— Quando quiser ir, é só me avisar.
— Você quem sabe. — ela falou com a voz suave.
Eu mais que depressa me despedi de todos para que pudéssemos ir embora, assim poderia ficar com ela a sós.
Depois de nos despedirmos e encararmos os olhares curiosos, saímos de lá, e mais uma vez eu segurei a mão dela, que não hesitou em momento algum. Fiz o caminho mais longo que pude até chegar em nosso bairro: “Moinho dos Ventos”, enquanto conversávamos sobre diversas coisas.
Estávamos no elevador conversando sobre a festa, e eu só pensava em beijá-la. Assim que a porta se abriu, no vigésimo andar, eu a encarei.
— Vamos para o terraço?
Ela me olhou sem graça.
— Está tarde.
— Ah, qual é? Só um pouco!
Carol respirou fundo, balançou a cabeça positivamente e eu apertei o botão que dava ao terraço.
O ar estava gelado, o que fez a pele dela se arrepiar toda.
— Vem aqui! — falei levando-a até o parapeito.
A vista daquele lugar era simplesmente demais. Víamos quase toda a cidade do alto.
— É lindo esse lugar, não é?
— É. — respondi.
Ficamos em silêncio, apenas observando o silêncio e a beleza daquela noite.
— Será que...
Ela me olhou.
— Quando é que nós viremos aqui juntos, quer dizer, como um casal?
— Por que está falando isso?
Nesse momento olhei para ela.
— Tenho certeza que ainda ficaremos juntos, é só uma questão de tempo.
Ela me encarou e balançou a cabeça em negação.
— Hum, será? Será que esse dia chegará?
— Tenho certeza que sim. É tudo o que eu mais quero. — falei a encarando ainda mais.
Podia sentir a respiração quente saindo da boca dela e sem pensar em mais nada, inclinei-me e a beijei com toda a vontade que estava dentro de mim.
Sim! Ela era simplesmente a mulher da minha vida.
— Bruno! — ela disse se afastando alguns centímetros.
Porém, era nítido que ela queria o mesmo que eu. Nossas respirações estavam ofegantes. Seus olhos pararam na direção dos meus lábios. Carol umidificou os seus.
— Você me deixa maluco. — falei e a beijei novamente.
E ficamos assim por algum tempo, onde nossos lábios se perdiam um no outro e era simplesmente maravilhoso.
— Eu te amo, Carol. — sussurrei no ouvido dela.
Ela sorriu e em seguida aproximou-se do meu ouvido.
— Sempre quis ouvir isso de você, sabia? Eu também amo você.
Ouvir aquilo foi como um estopim para mim e não me segurei mais. A beijei mais e mais, desejando tê-la novamente em meus braços mais do que tudo no mundo. Carol também me beijava com vontade de ser minha outra vez. Estávamos em chamas. Cada centímetro do meu corpo reagia a cada toque dela e minhas mãos exploravam cada centímetro do seu corpo. Tirei meu casaco e o estendi no chão. Eu a deitei e a beijei avidamente. Quando toquei no interior de suas pernas e vi o quanto ela também me queria, não pensei em mais nada e fizemos amor ali mesmo, sob o olhar das estrelas.
Sabe aquele momento em que você registra em sua alma? Que faz como que você implore aos céus para que o tempo pare? Pois bem, aquele foi o meu momento.
Eu a beijei de novo e de novo e de novo e só saímos de lá após o pôr do sol. Assim que cheguei em meu apartamento, mandei uma mensagem de texto para ela.
Em toda minha vida, tive apenas duas noites perfeitas, e você estava em meus braços nas duas. Amo você, Carol!
Ela não visualizou a mensagem, tampouco a respondeu, ainda assim dormi me sentindo o cara mais feliz do mundo. Acabei dormindo tão bem, que perdi quase parte do domingo, já que fui dormir horas depois de amanhecer o dia.
Abri meus olhos e meu primeiro pensamento foi a Carol. Sorri por dentro, mal podendo esperar por vê-la novamente. Peguei meu celular e vi que ela ainda não tinha respondido minha mensagem.
Mesmo assim mandei outra.
Boa tarde, minha linda! Dormi pensando em você e quando abri os olhos foi em você que pensei. Te amo, linda.
Fui tomar um banho e em seguida comer alguma coisa. Eu ria feito bobo, minha mãe até estranhou tamanha felicidade.
— Nossa filho, que felicidade é essa?
Sorri e a beijei no rosto.
— Acordei inspirado.
— Vi a Carolina indo embora logo pela manhã. Achei que ela fosse ficar mais alguns dias.
Cheguei a engasgar nesse momento.
— Como assim indo embora?
Minha mãe me olhou desconfiada.
— É, ela foi embora logo cedo. O pai dela veio buscá-la. A Marília me disse que a Carol ligou bem cedo para ele.
Sem que minha mãe terminasse de falar, saí em direção ao apartamento da Carol, rezando para que não fosse verdade.
Toquei a campainha uma vez, duas vezes, três, quatro, cinco, seis, sete vezes e nada. Voltei para meu apartamento em seguida, passando pela minha mãe que veio atrás de mim.
— Bruno, o que aconteceu?
Sem ao menos responder para minha mãe, peguei meu celular e liguei para a Carol e só caia na caixa postal, liguei novamente e nada.
— Bruno, fala comigo! — disse minha mãe aumentando o tom de voz.
— Merda, por que ela faria isso comigo?
Foi como se um buraco negro tivesse sido aberto sob meus pés, fiquei completamente desnorteado.
— Filho, fala comigo! — implorou minha mãe.
Abracei minha mãe nesse momento e sem vergonha alguma comecei a chorar. Fora a segunda vez que eu havia chorado na minha vida, na primeira vez foi após a morte do meu pai e dessa vez pelo fato da Carol ter partido sem ao menos me dizer o porquê. Minha mãe não me perguntou mais nada, respeitando meu silêncio.
Após algum tempo liguei novamente para ela e novamente sem sucesso. No final da tarde fui, até o apartamento dela e toquei a campainha e dessa vez Marília atendeu.
— Oi, Bruno. — ela disse esbanjando sorriso.
Confesso que fiquei feliz ao vê-la, rezando para que a Carol estivesse com ela.
— Oi Marília, a Carol está aí?
— Oh Bruno, a Carolina deixou para ligar para você mais tarde, porque ela achou que você demoraria para acordar. Ela saiu bem cedo com o pai dela, ligou para ele vir buscá-la. Ela ia voltar para São Paulo, mas como o Ricardo ia viajar, a Carol decidiu ir com ele.
Meu coração ficou esmagado.
— Aonde ela foi?
— Ricardo esteve com ela ontem e disse que ficaria uns dias em Santa Catarina.   E hoje, repentinamente, ela ligou pra ele. Não eram nem sete da manhã quando ela fez as malas pra ir com ele.
— E ela não disse nada? O porquê de ela ir embora assim de repente?
— Não! Na verdade estava certo que ela ficaria direto até a formatura do Felipe, mas não sei o que deu nela pra sair dessa forma. Você sabe se aconteceu alguma coisa?
Balancei a cabeça em negação.
— Não, eu... Bom, eu também não sei o que houve.
Naquela noite eu e o Felipe saímos e bebemos todas, todas de verdade.
— Cara, quer saber? Essas garotas são umas vacas em fazer isso com a gente. A Patrícia me usou todos esses dias, e ontem agiu simplesmente como se nada tivesse acontecido entre a gente. — reclamou Felipe.
Apenas concordei sem dizer sequer uma palavra. Cheguei em casa não sei como de tão cego de bêbado que eu estava.
No dia seguinte, acordei já passava da hora do almoço, peguei meu celular e congelei ao ver uma mensagem da Carol.
Bruno, eu imagino que esteja com raiva de mim, e quer saber? Eu também estou. Uma parte de mim dizia para ficar em Porto Alegre e curtir cada segundo ao seu lado. E a outra parte dizia: Carolina você está pronta para se magoar novamente?
Agora você já sabe qual dessas partes eu preferi escutar. Sinceramente não me orgulho do que fiz.
Teve um tempo em que achei que eu tivesse superado o que eu sentia por você. Entretanto, quando o vi, percebi o quanto estava errada. Você me faz esquecer do tempo, perder meu juízo e ficar sem chão. Seu toque desestabiliza todo meu corpo e não consigo dizer não a você. O amor faz isso com a gente, e o medo deixa a gente no chão. Sim, eu fugi de você e fugi dos meus sentimentos porque tive medo de me machucar de novo. Pois, da outra vez fui até o inferno com a minha dor.
Nós vivemos muitas coisas boas juntos, dividimos nossos sonhos, nossos maiores segredos, nossos medos, nossas alegrias, nossa playlist e nosso céu estrelado, o qual passávamos horas apenas observando e fazendo planos sobre nosso futuro. E eu amo relembrar cada coisa. Não quero que isso termine nunca. Não quero que nossos laços se desfaçam. E se eu ou você pisássemos na bola novamente, não sobraria mais nada.
Por favor, não fiquei com raiva de mim, pois o amo como jamais amei alguém em minha vida. E esse foi o motivo da minha partida.
 Volto essa noite para o Canadá, mas saiba que você não sai dos meus pensamentos e muito menos do meu coração. Contudo, é assim que tem que ser, pelo menos eu acho.
E como você disse: “Nossa hora ainda chegará”. Torço para que isso seja verdade.
Amo você
A odiei naquele momento, como me odiei por anos, por tê-la trocado pela Melissa. Arremessei meu celular na parede e caí novamente na cama, perdido em meus pensamentos.
Naquela tarde eu e minha mãe fomos para Santa Maria visitar o túmulo do meu pai, era aniversário de morte dele. Estava duplamente destruído por dentro. Pensava na dor de perder a Carol mais uma vez, de não poder tocá-la de novo e pensava na dor de perder meu pai, pois eu precisava dele para me dar uns conselhos, porém, infelizmente ele não estava lá. Pensei no quanto ele sofreu definhando por meses naquele hospital e aquilo de certa forma não saía da minha cabeça.
 Estava tão mal naquela noite, relembrando tudo que meu pai sofrera preso por meses em uma cama, que decidi escrever uma carta. Claro, eu morria de medo de que algo do tipo me acontecesse, por isso, quando vi, estava escrevendo uma carta, dizendo que se caso algo parecido me acontecesse, eu jamais iria querer sofrer como ele sofreu. Não queria que as pessoas se lembrassem de mim definhando em uma cama, assim como eu me lembrava do meu pai.
A campainha tocou e como minha mãe estava deitada, fui atender.
— E aí cara! Como foi em Santa Maria? — indagou Felipe.
— Entra aí! — falei sem responder à pergunta dele.
Fui para meu quarto e Felipe me acompanhou.
— É sempre difícil quando esse dia chega, mas a gente aprende a lidar com a dor. — respondi sentando-me de frente para ele.
Ele balançou a cabeça concordando.
— Quero que fique com isso. — disse entregando-lhe o envelope.
— O que é isso? É uma carta de despedida. Tá tão mal assim?
— Não. — falei dando risada. — Caso um dia venha acontecer alguma coisa comigo, e eu tenha que ficar no hospital, quero que entregue essa carta para minha mãe.
Felipe me observou espantado.
— Relaxa! Não é nada. Só não quero, sei lá, ficar preso em uma cama de hospital. Mas isso não vai acontecer, é uma besteira, ainda assim quero que fique com isso. E nunca deixe de entregá-la para minha mãe.
Felipe pegou o envelope, dobrou-o e guardou em seu bolso.
— É sinistro, mas tudo bem! Enfim, chega dessa porra de história mórbida e  vamos sair, encher a cara e pegar umas gatas, tá legal?
Eu sorri e concordei e alguns minutos depois já estávamos em um barzinho, em um bairro universitário, bebendo todas. Lembro que fiquei com uma garota, no entanto, sequer perguntei o nome dela e muito menos quem ela era. Afinal, só pensava na Carol o todo momento.
Voltei para Lorena alguns dias após a virada do ano e comecei meu estágio em seguida. Passei o tempo todo trabalhando, mas logo voltei para Porto Alegre, para a formatura do Felipe.
Diferente da formatura do Gustavo, a de Felipe seria apenas dois dias e eu estava totalmente nervoso para saber se a Carol também iria. Não falava com ela desde a noite que ficamos juntos no terraço.
Assim que cheguei à festa, encontrei a Patrícia, e em seguida o Felipe veio me receber.
— E aí cara, como você está?  — ele disse me abraçando.
— Parabéns Felipe!
Gustavo foi me cumprimentar, assim como o Tiago e a namorada dele. Sentei com eles na mesa, mas percebi que a Patrícia e o Felipe não estavam juntos, tanto que sentaram em lugares opostos da mesa. Eu olhava para entrada a cada cinco segundos, mas nada da Carol aparecer.
Minha vontade era de perguntar para a Paty, se a amiga dela iria ou não, mas não o fiz. Várias doses de uísque mais tarde, eu já me sentia alterado. Perguntava-me a todo instante o que ainda estava fazendo naquela festa, que estava totalmente sem graça, sem a presença da Carol.
Felipe estava na dele e deu o maior gelo na Patrícia, o que certamente despertou a ira dela, tanto que ela começou a atirar para todos os lados. Estava sentado do lado de fora da festa, conversando com um conhecido quando senti alguém colocando a mão em meu ombro. Meu coração disparou, olhei no mesmo instante na esperança de ser a Carol, mas não era.
— E aí, como você está? — indagou Patrícia.
O cara que estava falando comigo inventou uma desculpa e saiu em seguida.
— Estou bem, e você?
Ela sorriu e sentou-se ao meu lado acendendo um cigarro.
— É. A Carol não veio mesmo! — disse ela, tragando a fumaça.
— Pois é! — respondi secamente.
— O Felipe também não me deu a mínima. Acho que está em outra.
— Talvez ele tenha se cansado dessa situação.
Ela não disse nada.
— Eu sou complicada Bruno, na verdade, acho que morro de medo de me envolver, sabia?
Não respondi nada. Olhei para frente e vi Felipe nos observando de longe.
— A Carol também já não é mais a mesma, você já deve ter percebido. Ela mudou completamente. E quer saber? Ela é ainda mais complicada do que eu.
— Eu percebi que ela mudou.
Patrícia riu com desdém.
— Cara, acho que eu bebi demais. E acho que nossos relacionamentos são um fracasso! Nós somos um fracasso. Olhe só pra gente? Sozinhos, nessa merda de festa, falando das nossas relações patéticas.
Dessa vez eu ri e balancei a cabeça em negação.
— Tenho que concordar. Eu vou entrar! — falei levantando em seguida.
— Bruno! — ela disse segurando meu braço.
Olhei para ela e nesse momento, ela se inclinou em minha direção, beijando meus lábios. Eu a interrompi no mesmo segundo.
— Ei, você está maluca?
— Por quê? O que eu fiz de errado? Nós dois estamos sozinhos, não estamos? É só um beijo. Eu duvido que você também não queira.
— Não. Claro que não. O Felipe é meu amigo, porra.
— Ah, Bruno. Deixa de ser careta e vamos sair daqui. Podemos ir pra algum lugar mais tranquilo e sei lá, esquecer do que está nos chateando.
Balancei a cabeça negativamente e saí, deixando Patrícia sozinha. Passei por Felipe que balançou a cabeça em negação.
— Ei, essa garota é louca! — falei me justificando.
Ele não disse nada e entrou em seguida. Segui Felipe e fiz que ele olhasse para mim.
— Cara, você é meu amigo! Você viu que eu estava sentado lá primeiro e que a Patrícia se sentou ao meu lado. Ela está muito fodida porque você não está dando a mínima para ela, por isso que ela tentou lhe fazer ciúmes.
— Fica tranquilo Bruno, eu sei que ela não passa de uma vadia. Só não caia na dela você também.
— Cara, claro que não! Você sabe perfeitamente de quem eu gosto, e jamais ficaria com a Patrícia por dois motivos: 1) você é meu melhor amigo e 2) ela é amiga da Carol, que é a pessoa que eu amo.
Felipe concordou dando um sorriso sem graça.
— Eu sei disso. Estou bem! É sério.
Felipe saiu me deixando totalmente sem reação. Eu não tinha mais o que fazer ali, e acabei indo embora.
Patrícia foi atrás de mim.
— Ei Bruno! Nós estamos sozinhos, e não devemos nada a ninguém.
— Caí fora, garota. Não ficaria com você nem ferrando. Magoaria meu melhor amigo e a garota que eu amo.
— Tudo bem, entendi! Só espero que você não tenha me ferrado com o Felipe! — ela disse saindo em seguida.
Fiquei parado no estacionamento por alguns segundos, descrente com a atitude da maluca.
No dia seguinte liguei para Felipe assim que acordei, mas ele não me atendeu. Então resolvi descer até o apartamento dele. Toquei a campainha e ele a abriu imediatamente.
— E aí cara, tudo bem?
— E aí Brunão, bom dia! Estou de ressaca cara.
Sorri, sentindo-me totalmente estranho perto do meu melhor amigo.
— Felipe, sobre ontem, queria falar com você.
— Relaxa, Bruno! Você não fez nada, eu vi tudo. E quer saber? A Patrícia nem tinha que estar na minha festa. -me com ela em todos os sentidos. Contudo, hoje nem ferrando ela colocará os pés na minha festa. Já falei com ela. Nós não temos mais nada em comum e sendo assim ela não precisa estar entre os meus amigos.
— Você tem razão. Só não queria que ficasse nada estranho entre nós.
— Não, claro que não! Você é meu irmão, sabe disso.
Suspirei aliviado.
Nesse momento, uma garota saiu do quarto do Felipe usando apenas a camisa dele. Senti-me extremamente sem graça, porém, foi como se um peso enorme tivesse saído de cima dos meus ombros.
— Ah, Bruno, essa é a...
Felipe ficou em silêncio, provavelmente ele nem sabia o nome da garota.
— Gabi. — ela disse toda sorridente.
Despedi-me deles e em segundos já estava de volta ao meu apartamento.
8
Carol - Amiga?
Depois de quase vinte horas de voo, contando com horas de atraso, desembarquei em Porto Alegre por volta da uma hora da tarde. Era para chegar na noite anterior, porém meus planos falharam.
Estava me sentindo mais leve após ter terminado com o Fábio. Sim, terminei com o Fábio ainda no Canadá, pois não estávamos mais na mesma sintonia e eu não via a hora de contar isso para alguém, para o Bruno em especial.
Meu coração arfava de nervosismo, porém, eu sabia que eu corria do risco de Bruno não querer mais falar comigo, ainda assim, estava decidida a parar de fugir dos meus sentimentos.
Fiquei quase um mês no Canadá, após a nossa noite juntos no terraço. E não deixei de pensar um só minuto no Bruno, mesmo estando ao lado de Fábio. Esse foi o principal motivo que me levou a terminar meu namoro.
Após o desembarque, liguei para minha mãe. Liguei uma, duas, três vezes e nada dela atender o celular. Decidi então pegar um táxi e fui direto para meu prédio. Cheguei lá totalmente nervosa com a esperança de cruzar com o Bruno, mas nem sinal dele.
Meu apartamento estava vazio; tentei ligar novamente para a Dona Marília e aí sim ela atendeu ao celular.
— Carol, filha! Você está me ligando de casa?
— Mãe, eu cheguei, tentei te ligar várias vezes.
— Oh, filha, estou indo para aí. Estou na casa do Carlos.
— De quem?
— Do meu namorado.
Fiquei paralisada. Da outra vez ela me disse que estava conhecendo alguém, mas não sabia que a coisa estava séria.
— Ah, sim!
— Tá filha, daqui a pouco estarei aí.
— Tudo bem! — Preciso descansar um pouco, não se preocupe.
Assim que desliguei o telefone, liguei para Paty e combinei que ela viesse em meu apartamento. Também liguei para Bob ir me arrumar para a festa do Felipe.
Em menos de uma hora, o porteiro avisou que ela estava subindo. Imaginei que iria descansar, mas ela provavelmente foi voando para me ver. Assim que a campainha tocou, abri a porta e ela estava lá, toda sorridente.
— Amiga, que saudades de você! Você simplesmente some sem dar notícias! — ela disse me abraçando.
— É, eu estava terminando meu curso, foi tudo muito corrido. Mas e as coisas como estão?
Fomos para meu quarto nesse momento e me joguei em minha cama, estava exausta. Patrícia suspirou com dificuldades.
— Bom, Carol, amanhã mesmo volto para faculdade, ainda bem, porque não aguento mais ficar nessa cidade.
— Hum, então pelo visto você e o Felipe não estão mais juntos?
Ela me pareceu pensativa.
— Não! Nós definitivamente rompemos todos os laços.
Olhei intrigada. Pois mesmo que eles não estavam mais juntos, ainda assim eram amigos, pelo menos era assim há alguns meses.
— Então somos duas. Também larguei do Fábio.
Patrícia me olhou preocupada.
— É sério?
— É, e quer saber? Não vejo a hora de contar isso para o Bruno. Eu sei que ele deve ter ficado com raiva de mim, mas é que... — fiz uma pausa.
 Nesse momento me levantei e sentei-me ficando frente a frente com a Paty.
— Paty, eu tive medo. Tive medo de me magoar novamente com o Bruno. Da outra vez eu sofri demais e jurei que nunca mais iria me permitir sofrer daquela maneira, então eu simplesmente fui embora. Mas eu o amo, não posso mais fugir disso, não posso fugir dos meus sentimentos.
Ela apenas concordou sem dizer nada. Mas a expressão em seu rosto não era das melhores.
— Por que você está assim? Aconteceu alguma coisa? Ele está com alguém?
Paty se levantou, indo até a janela do meu quarto. Meu coração gelou só de imaginar o que poderia ter acontecido. Ela voltou e sentou-se ficando novamente de frente comigo.
— Carol, preciso te contar uma coisa.
— Chega de drama, me fala!
— Ontem, nós fomos na festa do Felipe. E o Felipe simplesmente me ignorou a noite toda. O Bruno estava lá e estava sozinho. Mas ele em momento nenhum tocou em seu nome. Acho que é porque ele ficou muito puto quando você foi embora.
Dessa vez era eu quem respirava com dificuldade.
— Sim, eu imaginei isso.
— O Bruno bebeu muito, estava muito bêbado. E eu o vi sentado no jardim do clube, era umas duas da manhã e fui falar com ele. Fui desabafar sobre a minha situação com o Felipe. E ele simplesmente começou a falar que não queria mais saber de você, que vocês não tinham mais nada a ver, e então ele me beijou.
Olhei desconcertada para ela .

— Ele  a beijou ?

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