domingo, 10 de setembro de 2017

Sob o olhar das Estrelas, parte 15, por Érika Prevideli

Sob o olhar das Estrelas

Parte 15

Gustavo me viu e correu rapidamente em minha direção.
— Você veio? Sabia que não me decepcionaria. — ele falou me abraçando.
Gustavo já era de uma beleza generosa e estava ainda mais lindo de smoking.
— Uau! Você está parecendo um ator de Hollywood.
— E você está gostosa para caralho! — ele sussurrou em meu ouvido.
— Cala a boca! — falei sorrindo totalmente sem graça. — Deixa sua namorada escutar isso.
— Ah, ela que se dane. — ele disse pegando em minha mão. — Por falar nisso, tem um certo amigo meu que quase morreu quando viu você.
— Nem começa, por favor!
— Vou me comportar, pelo menos vou tentar.
Gustavo ainda segurava minha mão e me levou até a mesa, onde eu ficaria com ele e a namorada, com Bruno, Felipe, Tiago e a possível namorada dele, e a Patrícia que ainda não havia chegado.
Todos eles se levantaram assim que me aproximei. Cumprimentei primeiro Tiago que me abraçou e beijou meu rosto.
— Que saudades, mascote!
Tiago me apresentou a Paula. Ele não comentou o que ela era dele, mas eles estavam juntos. E meu coração estava descompassado a cada segundo. Em seguida Felipe veio e me abraçou, girando-me em volta dele.
— Mascote, você veio!  — Como foi de viagem?
— Tudo bem! E não perderia por nada ver vocês assim tão bem arrumados.
— E você, que pedaço de mau caminho, hein?
Eu ri discordando.
Olhei para Bruno que me encarava, ficando totalmente sem graça quando o flagrei olhando para mim.
— E você, estranho! Quem é mesmo?
Bruno me olhou e deu o melhor sorriso que alguém podia me dar.
— Quanto tempo, hein! — disse ele.
— Pois é! Quanto tempo! Como você está?
Bruno me encarou deixando minhas pernas ainda mais bambas.
— Eu estou bem, e você está linda!
Sorri para ele e o abracei em seguida. O cheiro dele era como eu me lembrava todos os dias.  Bruno estava ainda mais lindo. Estava muito mais homem do que há quase quatro anos. Seu corpo estava mais forte, sua barba bem-feita. Seus cabelos mais arrumados. Ele estava simplesmente de tirar o fôlego. Não que os outros não tivessem, pois eles eram homens lindos, mas o Bruno para mim era sem dúvida nenhuma o mais lindo de todos, e o único homem que me deixava desconcertada.
— Quanto tempo faz? Três anos e meio, não é?
— Isso mesmo. — respondi com sorriso de orelha a orelha.
Bruno me abraçou novamente e beijou meu rosto. Em seguida cumprimentei a namorada de Gustavo e me sentei entre Felipe e Bruno.
Tomamos champanhe a noite toda e conversamos muito, afinal eram mais de três anos de assuntos para colocar em dia. Patrícia chegou já era bem tarde e fez a maior festa ao me ver e eu fiz o mesmo, pois estava morrendo de saudades dela.
Dançamos com os rapazes, depois voltamos para a mesa. Bruno foi totalmente atencioso comigo; quem não nos conhecia, achava que éramos um casal.
Já Felipe e Patrícia, não eram mais um casal; porém, se davam muito bem. Acho que eles na verdade ainda se encontravam, mas não assumiam nada.
Voltamos para a pista de dança e a música Why Georgia do John Mayer começou a tocar. Essa música fazia parte de uma playlist que eu e o Bruno ouvíamos quando estávamos no terraço, compartilhando o mesmo fone de ouvido, e por sinal era a nossa música favorita. Bruno me olhou, balançando a cabeça em tom de negação e soltou um sorriso malicioso.
Sorri para ele e dei um mais um gole em minha bebida e continuei a dançar com a Pati, dessa vez cantando palavra por palavra.
Na hora de ir embora, Bruno me ofereceu uma carona, mas preferi ir com a Patrícia, já que ela ia dormir em meu apartamento. Assim que entramos no carro dela, ela olhou para mim e soltou uma risada.
— Mas o que foi aquilo? Vocês dois se olharam incansavelmente à noite toda.
— Eu nem percebi! Isso é coisa da sua cabeça.
Ela dirigiu algumas quadras e depois voltou a olhar para mim.
— Agora me fala, como foi o reencontro?
Fiquei em silêncio, pensando em cada palavra, cada olhar, cada sorriso que eu havia trocado com o Bruno.
— Quer saber? Até que...
Caímos as duas na risada.
— Inferno! Foi pior do que eu imaginava.
— Como assim?
— Achei que essa sensação de frio na barriga, pernas trêmulas tivesse passado. Mas quando eu o vi, quase desmaiei. Fiquei sem chão.
Patrícia me encarou por um tempo e balançou a cabeça em negação.
— Isso acontece porque você ainda gosta dele, Carol. Não adianta fugir por anos, como você fez.
— É complicado, Pati. Mas no fundo você tem razão. Nunca senti pelo Fábio ou pelo Daniel, nem a metade do que eu senti hoje ao ver, abraçar e falar com o Bruno. Ele tem um poder sobre mim, que eu não sei de onde vem. Sei lá, ele me deixa desnorteada.
Patrícia suspirou.
— Não sei sobre seus planos, mas eu vou dar uns beijos no Felipe assim que chegarmos no prédio.
Olhei incrédula para ela.
— Ah, eu bem que desconfiei de vocês dois.
— Só vou guardar minhas coisas em seu apê e me encontrar com ele.
— Humm, isso me lembra quando você tinha dezessete anos. Então pelo jeito não sou a única ainda não se desfez dos sentimentos do passado.
Patrícia riu.
— Não é bem assim. Eu tenho meus casinhos em Curitiba, você sabe! Mas é que o Felipe e eu temos uma ligação, sei lá, coisa de pele. Então de vez em quando a gente fica.
Patrícia não era sensível como eu, ela jamais ficaria abalada emocionalmente por alguém, e não deixava de fazer as coisas das quais ela tinha vontade. Quando chegamos ao prédio, notamos que os carros do Bruno e do Felipe já estavam no estacionamento.
— Hum, já chegaram! — disse Patrícia cheia de segundas intenções.
Sorri descrente da cara que ela fazia, mas no fundo, estava tão ansiosa quanto ela.
Bruno e Felipe estavam nos esperando do lado de fora do elevador. Senti-me totalmente sem graça. O fato era que Felipe estava esperando pela Patrícia, não o Bruno por mim.
Pati conversou algo com Bruno e Felipe, mas eu me mantive calada o tempo todo. Estava sem atitude, sem saber o que dizer. Assim que o elevador se abriu, saímos e fui até a porta do meu apartamento. Bruno ficou parado sem ir em direção a porta do apê dele, ele permaneceu ao lado de Felipe. Abri a porta para Patrícia guardar as coisas dela e entramos em seguida.
— Você não vai falar com ele? — sussurrou Patrícia.
— Não! Nós já conversamos. Sei lá, nem tenho mais o eu dizer a ele.
— Ele está esperando por você.
— Não está não!
Minha mãe ainda não estava em casa. Patrícia colocou suas coisas em meu quarto e em seguida foi em direção a porta. Fui com ela pronta para me despedir.
Bruno estava encostado na parede, com as mãos nos bolsos da calça social.
— Onde nós vamos?  — Pati perguntou para Felipe.
Fiquei ao lado dela, só esperando para me despedir deles.
— Vamos descer. Meu apartamento está vazio. — falou Felipe com olhar malicioso.
Patrícia me olhou sorridente igual ao coringa.
— Vocês querem descer? Sei lá, beber alguma coisa? — indagou Felipe.
— Ah, não, já está tarde. Obrigada pelo convite. — falei.
Bruno fez cara de decepcionado.
— Vamos lá, a gente bebe alguma coisa, conversa um pouco e logo você sobe. — insistiu Felipe.
Bruno me encarou; porém, não disse nada.
— Vamos lá, Bruno? — Felipe insistiu novamente.
Bruno me olhou e depois olhou para Felipe.
— Não, vão vocês. Eu e a Carol vamos conversar no terraço, como antigamente.
Olhei para ele sem entender.
— Nós vamos? Mas já está tarde, eu preciso entrar.
— Sim, nós vamos! — falou Bruno pegando em minha mão.
Ele tirou a chave da porta, trancou-a e deixou a chave no lugar de sempre.
Felipe segurou a mão de Patrícia e seguimos para o elevador. Minha boca estava seca, minhas pernas pareciam gelatinas e meu coração, bom, as batidas do meu coração pareciam os batuques de escola de samba.
Eles desceram para o apartamento de Felipe e nós subimos para o terraço. O vento estava gelado, mas Bruno imediatamente tirou seu terno e o envolveu em mim. Em seguida ele segurou minha mão e nos sentamos no mesmo banco branco, no qual nos sentamos por anos.
Estávamos em um silêncio ensurdecedor sentados um ao lado do outro.
— É estranho, não é? Os anos passam e isso aqui continua a mesma coisa. Será que esse terraço é o lugar preferido de mais pessoas, ou é só nosso?
Sorri.
— Bom, não costumo ver mais ninguém por aqui.
— Os outros condôminos não sabem o que estão perdendo. — ele disse com o olhar travesso. Sentia falta desse lugar, sabia?
— É. Eu também. Sempre que venho pra Porto Alegre, passo um tempo aqui. Sei lá, esse lugar é mágico. Faz um bem incrível pra minha alma.
Ele assentiu.
— Esse lugar é o meu lugar favorito do mundo todo, ainda mais quando estou na companhia perfeita.
Sorri acanhada.
— E se namorado? Ele não se importou com o fato de vir sozinha pra cá?
— Ah, não. O Fábio é tranquilo em relação a isso. Ele está envolvido demais com o curso dele pra pensar em qualquer outra coisa.
— Sério? Isso é bom ou ruim?
— É perfeito, pra quem saiu de um relacionamento turbulento como o que eu tive.
Bruno me encarou sem entender.
— O Fábio é um cara romântico e muito presente, porém, sabe que eu preciso do meu espaço, assim como ele precisa do dele. Já o Dani... — fechei os olhos ao pensar no Daniel — Enfim, ele parecia ser o cara certo. Fui apaixonada por ele por um tempo, mas depois as coisas fugiram do controle. Ele foi me sufocando cada vez mais com o ciúme doentio e quando dei por mim, já estávamos praticamente morando juntos. Isso me assustou de certa forma, porque eu tinha perdido minha identidade. Passei a viver em função dele e das coisas que ele gostava, até que decidi dar um basta.
— Soube que ele veio atrás de você várias vezes, não foi?
— Foi. Acontece que as coisas foram ficando cada vez mais difíceis entre nós.
Respirei com dificuldade.
— Eu andava desconfiada com a mudança de comportamento dele, então, descobri que ele estava usando e vendendo droga. Foi o fim do nosso relacionamento. Não tinha como aceitá-lo de volta depois disso.
— Que merda. Não sabia disso.
— Na verdade nunca disse isso a ninguém. Não sei porque estou dizendo isso a você, acho que é como nos velhos tempos, só confio em você pra dizer certas coisas.
Um silêncio gritante entre nós.
Nesse momento Bruno me olhou parecendo chateado.
— Senti sua falta, Carol! Você não faz ideia! Senti falta da sua amizade, senti falta de você como minha confidente e como a única garota que eu amei de verdade.
Meu coração dava eco, de tão forte e alto que batia.
— Conheci várias garotas nesse tempo. Mas nenhuma delas nunca fez com que eu sentisse o mesmo que senti por você.
Engoli seco.
— Na verdade, achei que tivesse superado esse sentimento, mas hoje quando a vi... Enfim, não conseguia parar de olhar, meu coração bateu tão forte que... Nada do que eu sentia mudou, Carol. Não importa o quão distante estamos.
Não disse nada, mas minha vontade era de dizer que eu senti exatamente a mesma coisa. Porém, me mantive centrada, olhando para o reflexo das estrelas.
— Foi devastador quando você pediu para que eu me afastasse. Fiquei muito mal, fiquei revoltado, com ódio de mim, de você, da Melissa, enfim, com ódio da vida. Mas eu sabia que um dia voltaríamos a nos entender. Sei que você tem outra pessoa, mas e eu juro que nunca mais vou me afastar de você. Nem que você me implore.
— Eu vou cobrar isso, hein!
— Pode ter certeza! — ele falou me empurrando com o ombro.
— E quanto a Melissa? Por que vocês terminaram? — indaguei, tentando disfarçar meu nervosismo.
— Não tinha como continuar. Olhava pra ela e a culpava em silêncio pelo fato de ter perdido você de vez. Depois que fomos embora pra Lorena, não chegamos a ficar nem um mês juntos.
— Não foi culpa dela, Bruno. Foi nossa culpa. Você tinha uma namorada e... Bom, eu levei algum tempo pra me perdoar e ainda mais tempo pra perdoar você.
— Droga, eu sei. Simplesmente não sabia o que fazer. Fiquei de mãos atadas. Mas jamais quis magoar você. E eu...
— Não vamos mais falar disso, por favor! — falei colocando meu dado sobre os lábios dele.
Ficamos em silêncio e nesse momento me deitei olhando para as estrelas.
— Não acreditei quando a nossa música tocou, sabia?
— Pois é! E eu achei que você nem se lembrasse mais. — rebati.
— Você só pode estar de brincadeira.
Bruno virou-se para mim e ficou me encarando.
— Você está linda. Quer dizer, você já era linda, mas agora está ainda mais, se é que isso é possível.
— Não vou beijar você Bruno, nem adianta tentar me agradar!
Ele sorriu divertidamente.
— Tá falando sério? Droga, quer dizer que perdi todo esse tempo aqui com você pra nada?
— Seu bobo.
Ele riu alto.
— Brincadeira, passaria minha vida toda aqui com você, mesmo que só conversando. Senti falta disso pra caralho, Carol.
— É, eu também. — disse em sussurro.
Tornei a olhar para o céu e fiquei observando as estrelas, Bruno fez o mesmo e ficamos assim por um momento. Porém, fomos interrompidos com meu celular tocando. Era o Fábio.
Bruno ficou inquieto do meu lado. Sentei-me e falei rapidamente com meu namorado, que quis saber como tinha sido a festa. Desliguei o mais rápido que pude, pois não me sentia bem falando com ele, sob os olhares atentos do Bruno.
— Acho melhor eu ir. Está tarde. — falei, tentando amenizar o clima tenso após o telefonema.
— É, tem razão.
Seguimos calados até o vigésimo andar. Bruno me levou até meu apartamento e me abraçou.
— Foi bom falar com você.
Sorri agradecida.
— Estávamos precisando dessa conversa.
Ele se inclinou e beijou o topo da minha cabeça.
— Boa noite, linda!
— Boa noite, Bruno!
Meu coração estava descompassado e entrei antes de cair em tentação e mandar meu autocontrole pra merda.
Patrícia chegou em meu apartamento já era quase de manhã.
— Ei, está dormindo? Carol! Vai, fala comigo.
Olhei para ela meio atordoada.
— O que foi? — perguntei.
— Conta-me o que aconteceu?
— O que aconteceu?
— Diga-me você. — ela disse exasperada.
— Dizer o quê? — perguntei cobrindo meu rosto por causa da claridade.
— Você e o Bruno, se entenderam?
Olhei para ela franzindo o cenho.
— Já passa das seis da manhã.
— Tá e daí? Conta-me, droga! Vocês se acertaram?
Eu sabia que se eu não contasse a ela o que havia acontecido, ela não me deixaria dormir. Sentei-me na cama e a encarei.
— Nós conversamos bastante, foi só isso.
— Só isso? Como assim? Vocês se olharam a noite toda e você me diz que só conversaram enquanto estavam sozinhos?
— Pati, nós conversamos muito, repassamos o que aconteceu em nossas vidas em três anos. E outra, eu não tinha a intenção de ficar com o Bruno, não depois de tudo o que houve. Somos apenas amigos, e é assim que deve ser. — menti.
— Tudo bem, mas a intenção dele não era apenas conversar com você, estava na cara que o interesse dele era outro.
— Sério? Eu não percebi. E mesmo que fosse, deixei bem claro que eu não ia ficar com ele. Já sofri demais por causa do Bruno, além disso, tem o Fábio.
— Droga, que decepção! — ela disse jogando-me uma almofada no rosto.
— Posso dormir agora?
— Não até eu te contar a minha noite. O Felipe é muito gostoso. Eu tinha até me esquecido do quanto ele é bom, sabia?
Olhei para ela curiosa.
— Caramba! Você é uma vadia.
Ela sorriu de orelha a orelha e me contou exatamente o que havia acontecido com eles desde o momento em que se encontraram na festa até as mais diferentes posições em que eles se pegaram.
Quando estava quase pegando no sono novamente, Patrícia me chamou:
— Quem era aquela garota que estava com o Tiago?
— Paula o nome dela. Acho que eles estão namorando. Por quê?
— Só por curiosidade. Ele estava bem gato hoje.
— Ele é um gato. Agora dorme.
— Você percebeu o quanto ele me encara?
Balancei a cabeça em negação. Não acreditava no que estava ouvindo, sendo que ela estava com o Felipe minutos atrás.
Acordamos por volta das onze horas. Depois de um belo café da manhã, fomos para a piscina, onde ficamos quase a tarde toda. Bruno, Felipe e Tiago juntaram-se a nós logo depois que chegamos. Mais tarde, Gustavo chegou com a namorada.
Bruno não saiu um minuto se quer do meu lado. Conversamos, rimos, brincamos, como nos velhos tempos. No final da tarde fomos para o apartamento do Felipe, onde fizemos um lanche e jogamos cartas.
Fui para meu apartamento já passava das seis horas, foi o tempo de tomar um banho que o Bob chegou par arrumar a mim e a Pati, para irmos ao segundo dia da formatura.
Meu vestido era longo, com a saia preta bordada em minis paetês e a parte de cima era prata todo bordado em pedrarias, com uma fenda entre os seios. Era sexy sem ser vulgar. Bob, prendeu meu cabelo e fez uma maquiagem bem dramática. Já o vestido da Pati era todo estampado sobre o tule nude. Era como se ela usasse apenas um tecido transparente estampado sobre a pele. Ela estava lindíssima, como seus cabelos dourados presos com uma trança lateral.
— Vocês serão as garotas mais lindas da noite, tenho certeza! — disse Bob todo orgulhoso.
— Tenho que concordar com você. — falou Pati se gabando.
— Uau, vocês estão lindas! — disse minha mãe adentrando em meu quarto.
— Eu disse! — exclamou Bob.
— O Bruno está aí. Ele disse que levará vocês.
— O Bruno? Mas não combinei nada com ele. Achei que você me levaria.
— Sim, eu levo. Mas ele está aí. O que eu digo?
— Vamos com eles, vai fazer sua mãe ir até lá, sendo que os rapazes irão para o mesmo lugar que a gente?
— Vou falar com o Bruno. — falei saindo em seguida.
Bruno estava na sala, sentado. Quando ele me viu, levantou-se me encarando. Ele estava lindo em seu terno preto. Lindo de tirar o fôlego.
— Caramba! Você está maravilhosa!
Fiquei totalmente desconcertada com o elogio dele.
— Então vai nos levar?
—Eu posso?
Assenti, tentando bancar a indiferente.
— Como minhas crianças estão lindas! — disse minha mãe orgulhosa.
Bruno não parava de me encarar, mesmo na presença da minha mãe, que o encarou achando no mínimo estranho os olhares que ele lançava sobre mim.
Fui até o espelho sobre o aparador para verificar minha maquiagem. Bob saiu do quarto e se despediu de mim e da minha mãe, que o pagou naquele momento.
— Querido, cuida dela, hein! Ela está uma verdadeira diva.
Bruno sorriu para Bob.
— Não irei tirar os olhos dela, eu prometo.
— Hum, não tenho dúvida disso. — alfinetou Bob.
— Parem de blá, blá, blá. Afinal, com quem nós iremos? — questionou Pati.
— Já disse que se precisar levo vocês.
— Não, mãe. Tudo bem. O Bruno leva a gente.
Ele sorriu de orelha a orelha.
— Pode ir tranquila para o seu encontro.
Ela corou.
— Então vamos! — disse Bruno entrelaçando seus braços nos meus.
E assim nós descemos, indo de encontro com Felipe que parecia enfeitiçado ao ver Patrícia, que não perdeu tempo e foi logo se jogando nos braços dele. Bruno olhou para mim sorrindo, balançando a cabeça negativamente.
Nós seguimos para festa de Gustavo e dessa vez, todos no carro de Bruno. Enquanto ele dirigia seu Veloster Hyundai preto, olhava para mim a todo o momento. Confesso que estava gostando de ser cortejada por ele, porém, estava morrendo de medo de que tudo o que eu sentia por ele, voltasse à tona.

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