sábado, 30 de setembro de 2017

Sob o olhar das Estrelas, parte 32, por Érika Prevideli

Ester veio até mim e me abraçou em prantos e ficamos assim por um bom tempo.
— Estou grávida do Bruno! Descobri que estava grávida, na manhã do dia em que o Bruno sofreu o acidente. Passei o dia todo contando os segundos para poder dizer a ele. Esperei pelo Bruno com o resultado do exame em uma das mãos e um sapatinho de bebê na outra mão. E ele não chegava, não chegava e então me ligaram do hospital.
Ester me encarou consternada.
—  Naquela manhã ele havia me pedido para morarmos juntos e nem tive tempo de dizer minha resposta a ele muito menos de dizer que ele seria pai. Durante todo esse tempo, não disse nada a ninguém porque queria que o Bruno fosse o primeiro a saber. Então eu te imploro, não tire isso de mim! Não tire o direito do seu filho saber que será papai. Não tire o direito dessa criança ter um pai. Vamos esperar! Sei lá, talvez existam outros recursos, outras opiniões médicas. Nós temos que tentar! Tenho certeza de que se o Bruno soubesse sobre esse filho, jamais teria uma atitude dessa.
Ester me olhou arrasada e me abraçou com muita força. Felipe foi até nós e eu estendi minha mão a ele, que nos abraçou.
— Felipe, você ganhará um sobrinho! — falei enquanto minhas lágrimas caiam.
Felipe chorava feito criança, assim como Ester e ambos passaram a mão em minha barriga.
— Carol, sempre a considerei como minha filha, e darei minha vida por esse filho que você está carregando. Conte comigo pra tudo o que precisar.
Olhei comovida para ela e concordei.
— Irei conversar com o Dr. Evandro, e quanto à essa carta, vamos esquecê-la por enquanto.
Eu concordei agradecida, meneando minha cabeça, aceitando a situação dela.
Três meses se passaram, eu já estava entrando na décima sexta semana de gestação. Minha barriga já era totalmente visível, e os enjoos já não existiam mais. Tive a oportunidade de saber o sexo da criança, mas preferi não saber. Ainda esperava o Bruno acordar e dividir comigo aquela alegria.
Os dias pareciam correr. Cada dia que passava sem o Bruno acordar, era um pedaço a mais que se esvaía do meu coração, que já estava destruído. O que mais me doía, era que no fundo eu sabia que logo a Ester assumiria a posição em que o Bruno a colocara, ao lhe deixar aquela carta. Nós não falávamos sobre ela, mas ambas sabíamos que o dia de fazer o que fora pedido, estava cada vez mais próximo.
Naquela manhã, meu pai me levou ao hospital, onde eu trocaria com a Ester; afinal, ela precisava descansar após uma noite toda em claro. Quando cheguei, vi as enfermeiras cuidando das escaras do Bruno, que estavam por todo o corpo dele. E aquilo foi uma apunhalada em meu coração.
Meu pai ficou totalmente comovido ao ver aquela cena e me abraçou forte, tentando tirar de mim todo aquele sofrimento. Ester passou por mim transbordando em lágrimas.
— Não aguento mais ver meu filho assim! — ela disse ao sair.
Abracei meu pai novamente e desabei a chorar. Foi então que percebi que havia chegado a hora.
 Naquela manhã fui falar com o Dr. Evandro e pedi permissão a ele para cuidar do Bruno. Com a ajuda do meu pai, cortamos o cabelo dele com todo o cuidado e meu pai fez a barba. Alguns minutos depois, Bruno estava mais com cara de Bruno.
Umedeci uma gaze na água mineral e molhei os lábios dele, que estavam totalmente ressecados. Bruno estava lindo, se não fosse todos aqueles aparelhos, diria que ele estava apenas dormindo em um sono profundo.
Após o almoço, liguei para a Ester e disse que queria conversar com ela. Alguns momentos depois, ela chegou apreensiva acompanhada da minha mãe.
Quando Ester viu o filho daquele jeito, seus olhos inundaram-se de lágrimas.
— Chegou a hora, não é?
Respirei fundo, tentando sufocar toda a dor em meu coração e fiz que sim com a cabeça.
Ester me abraçou e começou a chorar. Minha mãe saiu do quarto emocionada e poucos minutos depois, voltou acompanhada Dr. Evandro.
Dr. Evandro, já sabia sobre a carta que Bruno havia deixado, porém, nunca havia se posicionado em relação a ela.
— Doutor, acho que não temos muito mais o que fazer, acho que chegou a hora. Eu devo isso ao Bruno. — falou Ester, com pesar em sua voz.
Sentia como se alguém estivesse arrancando meu coração. A dor era tanta que estava sem conseguir respirar.
Dr. Evandro me olhou complacente.
— Olha Ester, esse é um assunto extremamente delicado. No Brasil, essa atividade ainda é um tabu. A Dra. Marília está aqui e não me deixa mentir, nós só temos a permissão de desligar os aparelhos quando há caso de morte encefálica e não é esse o caso do Bruno. Mas eu sei o quão doloroso é ver alguém que amamos chegar a essa situação. Como vocês podem ver, fizemos tudo que podíamos. Agora é só esperar.
Ester olhou rapidamente em minha direção, porém, quando me viu chorando, tratou de desviar o olhar.
— Teve algum paciente tratado pelo senhor que voltou do coma meses depois?
— Claro que sim. Também, tivemos aqueles que nunca voltaram. Isso é relativo, não há nenhuma estatística. No entanto, o corpo do paciente vai ficando dia após dia mais debilitado. Como vocês podem ver, ele está cheio de escaras e isso só tende a piorar. Entretanto, a questão não é a espera, eu esperaria se fosse com meu filho, porém, tem a questão da carta.
Ele respirou fundo.
— Não sei como você vai lidar com ela. Não queria estar na sua pele. Não estou mais falando como o médico do Bruno, estou falando como um amigo.
Ela assentiu.
— Apenas faça o que seu coração mandar.
— E se eu optasse por isso, como...
Ester se emocionou e não conseguiu falar.
— Olha Ester, eu jamais faria isso em qualquer outro caso, mas acompanhei de perto o sofrimento de vocês por causa do desejo dele, então, nesse caso, o que posso fazer é aplicar uma injeção no Bruno, que lhe deixaria dormindo para sempre. Mas isso teria de ser feito em total sigilo, onde somente nós saberíamos.  Se o que decidirmos aqui vazar, será o fim da minha carreira.
Naquele momento, olhei para Ester, implorando em silêncio para que ela esperasse mais um pouco.
— Sim, Dr. Evandro, nós sabemos disso. — um silêncio ensurdecedor — Como mãe me dói muito tomar uma atitude dessa; por outro lado, ver meu filho dessa maneira, é a morte para mim. E isso era tudo o que ele não queria.
— Sei disso Ester, quando você me mostrou aquela carta, fiquei extremamente emocionado. Eu sou pai de uma adolescente, e ao ler aquela carta, coloquei-me em sua posição, e pra ser sincero, também saberia o que fazer. Eu fiz um juramento como médico de apenas salvar vidas e não tenho o direito de tirá-las. Mas diante a uma situação, não sei o que pensar.  Se fizermos isso, será apenas pra evitar mais sofrimento ao Bruno. Sinto muito! Assim como vocês, rezei muito para uma mudança no quadro dele. Mas infelizmente...
Ester apenas concordou, sem dizer uma palavra.
— Estava nauseada com tudo aquilo. Minhas lágrimas não cessavam. Só o que eu queria era desaparecer pra não ter que escutar o resto da conversa, porém, sentia-me presa, sem conseguir me mover.
—Vocês têm preferência para quando isso aconteça? Hoje? Amanhã? Eu preferem esperar mais alguns dias?
Ester olhou para mim.
— Mais alguns dias, por favor, Ester. Eu imploro.
— Carol, só estaremos prolongando o sofrimento dele.
— Não. Estaremos dando mais tempo a ele. Tempo pra que ele volte pra nós. — Não tire isso de mim, por favor!
Ela balançou a cabeça em negação.
— Não quero que pense que sou uma mãe fria. Você não faz ideia do quão doloroso está sendo pra mim, no entando, hoje, ao ver todo o sofrimento dele, vi que preciso fazer alguma coisa. O Bruno teme passar por isso desde que era um garoto. Não posso mais virar as costas para o pedido do meu filho.
Concordei em silêncio.
— Não a julgo por isso, mas isso não significa que eu concordo.
— Eu sei, minha querida. Não a culpo. Eu em seu lugar pensaria da mesma forma. Mas eu lhe peço que tente entender meu lado, tente ao menos imaginar o quanto está sendo difícil pra eu tomar essa decisão.
Assenti, sem ter mais nada a argumentar. Aliás, eu tinha, contudo, nada do que eu dissesse a faria mudar de ideia. E eu não podia culpá-la, afinal, era um desejo dele.
Ester virou-se para o doutor, mudou o peso do corpo para a outra perna e passou a mão em seus cabelos. Estava visivelmente abalada e sem perspectiva nenhuma.
— Amanhã, por favor! Quero aproveitar essas últimas horas.
Dr. Evandro olhou em minha direção, no entanto, deu de ombros e fui até a janela que dava para um jardim, ali, permiti-me desabar. Estava sem chão. Tudo ao meu redor tinha perdido completamente a graça. Era como minha vida estivesse se esvaindo junto com a de Bruno.
— Irei providenciar toda a papelada, serão documentos sigilosos, apenas para minha segurança. E quando tudo estiver pronto eu a aviso Ester. E por favor, peço total discrição! Estejam aqui amanhã por volta das sete e meia da manhã, pode ser? Assim, as enfermeiras já terão passado, e seremos apenas nós no quarto.
Um silêncio ecoava entre nós. Dr. Evandro saiu e Ester ficou ao meu lado, sem dizer uma única palavra.
Somente as pessoas mais próximas de Bruno foram liberadas para e despedirem dele. Que foram Felipe, Tiago, Gustavo, Alberto, minha mãe, meu pai, a avó de Bruno, a tia e o tio dele. Ester não disse a ninguém sobre a nossa decisão. Ela ligou para a avó e para a tia do Bruno apenas avisando que ele havia piorado. E eu disse o mesmo para os nossos amigos.
Foi uma tarde movimentada com tantas visitas, e com isso, mal consegui ficar a sós com ele.
 No final do dia, tive uma cólica terrível e precisei ser medicada e levada para casa. Era como se meu bebê também quisesse ir embora.
Tomei um banho e me deitei após tomar um caldo feito pela minha mãe. Devo ter apagado por algumas horas. Acordei por volta das dez horas da noite, com a maior tristeza que já sentira em toda minha vida. Era dilacerante saber que em poucas horas o Bruno partiria pra sempre da minha vida.
Minha mãe estava deitada ao meu lado e meu pai dormia no sofá da sala. Fui até a sacada e olhei para o céu que estava totalmente estrelado, e pedi a Deus por um milagre. Era como se eu conversasse com as estrelas e como se elas me escutassem.
Foi então que percebi que o milagre era esse: assim como das outras vezes em que nos afastávamos, sempre ficava algo que nos ligávamos. Era incrível, mesmo distantes um do outro, estávamos conectados de alguma forma. E pensar naquilo, fez com que eu percebesse que o Bruno não partiria da minha por definitivo. Dessa vez, mesmo ele não estando por perto, deixaria parte dele comigo. E essa era a maior prova de amor que alguém poderia dar. Deixar-me um filho, era sem dúvida nenhuma o melhor presente que ele me daria.
Nesse momento, pedi aos céus força para conseguir criar meu filho, dando a ele todo o amor que uma mãe e um pai poderia dar ao seu bebê. E eu faria isso por mim e pelo Bruno.
“Preciso dizer isso a ele.”
Estava vestindo uma calça xadrez de pijama e uma regata de malha branca. Fui em silêncio para meu quarto, peguei um cardigã, calcei um tênis, peguei a chave do meu carro e saí em seguida.
Dirigi por quase meia hora até chegar ao hospital. Já passava das onze horas da noite quando atravessei os corredores até chegar a ala em que o Bruno estava. Uma enfermeira me viu e foi em minha direção.
— Carolina, o que a senhora faz aqui? O Dr. Evandro viu a Dona Ester mais cedo e pediu que ela fosse para casa. Vocês precisam descansar.
— Eu sei, mas é que hoje eu mal consegui ficar a sós com o Bruno e eu precisava vê-lo, pelo menos por uns minutos.
Ela me olhou pensativa e me viu com a mão em meu ventre.
— Tá, mas não demore! É para o seu próprio bem e para o bem do seu filho.
Concordei e saí em seguida. Abri a porta do quarto do Bruno, e só se ouvia os barulhos dos aparelhos. Encostei a porta atrás de mim e me aproximei dele.
— Oi meu amor! — disse em sussurro, acariciando seu rosto. — Hoje o dia foi bastante movimentado, e você recebeu diversas visitas. Vieram algumas das várias pessoas que o amam e o admiram. E mal tive tempo de ficar aqui, assim juntinhos, só eu e você e nosso filho.
Bruno parecia estar sonhando, dormindo pacificamente.
Engoli seco e respirei fundo.
— Bruno, vim aqui porque tenho algumas coisas a te dizer — fiz uma pausa, pois era como se uma bola de tênis tivesse entalada em minha garganta — Dentre elas, eu queria lhe agradecer por ter feito cada segundo da minha vida mais feliz. Saiba que você mudou a minha vida desde o momento que coloquei meus olhos em você. Eu te amei desde aquele dia. E desde então, é só em você que é direcionado cada pensamento meu. Eu durmo e acordo pensando em você. E sempre foi assim! Seu sorriso, seu cheiro, seu olhar, seu toque, sempre foram capazes de abalar minhas estruturas. Meu coração ficava descompassado cada vez que eu o via.
Deixei um sorriso escapar, ao lembrar de quando ainda éramos adolescentes.
— Minhas pernas estremeciam toda a vez que você chegava perto de mim. Você foi e será sem dúvida nenhuma o homem que mais amei e que mais amarei nesse mundo. Nunca, existirá outra pessoa em seu lugar. Nunca.
Estava chorando tanto que minha voz mal saía.
— Obrigada por me mostrar o amor verdadeiro. Porque se não fosse você, eu desconheceria o verdadeiro significado do amor.
Meus dedos passeavam em seu rosto. Como se eu estivesse registrando em minha mente cada detalhe de seu rosto.
— E agora você vai me deixar! Simplesmente me deixar, aqui sozinha! — um soluço gutural escapou de minha garganta — Eu... Eu não sei o que eu vou fazer sem você por perto. Não sei como vou conseguir seguir em frente, mas...
Fechei meus olhos, permitindo-me chorar. Então me lembrei que precisava dizer a ele.
— Você pensou em tudo, não foi? E claro que você jamais me abandonaria de vez, por isso deixará comigo uma parte de você.
Peguei a mão do Bruno e a coloquei em meu ventre.
— Prometo a você que farei o possível e o impossível por essa criança, pelo nosso filho! Mesmo sem ter ideia de como é ser mãe, prometo ser a melhor mãe e o melhor pai que essa criança poderia ter. Já que você não pode ficar para me ajudar nessa jornada, eu juro a você que farei o seu papel da melhor forma possível. Darei todo o meu amor, todo meu carinho, toda minha atenção e dedicação para o nosso filho. Juro que essa criança saberá exatamente quem foi o pai dela. Saberá que você foi o melhor filho que uma mãe poderia ter, o melhor amigo que alguém pudesse ter, o meu melhor amigo que eu amei em cada segundo da minha vida. Nosso filho saberá que você foi a única pessoa que me fez amar de verdade e a única pessoa que realmente me fez feliz.
Minhas palavras não saíam mais. Fiz uma pausa e tentei em vão secar minhas lágrimas.
— Você me fez muito feliz, Bruno, sentia-me completa e realizada em cada momento ao seu lado. E nunca, nunca me esquecerei de nada que vivemos juntos. Nunca irei me esquecer das noites que passávamos juntos no terraço, dividindo o mesmo fone de ouvido, escutando as mesmas músicas sob o olhar das estrelas. Onde nós fazíamos nossos planos, dividíamos nossos sonhos e nossos segredos. Então só tenho que agradecer, afinal, o que seria de mim sem todas essas lembranças? Nada! Eu não seria nada sem você.
Nisso a porta se abriu e vi meu pai parado.
— Filha, vamos para casa! Você quase me matou de susto, sua mãe e eu ficamos aflitos quando acordamos e não a vimos.
Eu enxuguei minhas lágrimas e olhei para meu pai.
— Pai, estou indo, só me dá um minuto, por favor!
Ele fez que sim com a cabeça e saiu em seguida, fechando a porta.
— Está todo mundo arrasado Bruno. Todos se sentem perdidos assim como eu. Então eu te peço, se você estiver me escutando, fique, por favor! Fica comigo, fica com nosso filho! Tenho certeza que você será o melhor pai desse mundo e com certeza será o marido mais amado. Todos nós precisamos de você. Eu preciso de você como preciso do ar para respirar. Nosso filho precisa de você, pra que o ensine a ser tudo o que você sempre foi.
Inclinei-me e beijei seus lábios. Em seguida passei minha mão em todo seu rosto.
— Mas se você realmente tiver que partir, saiba que eu o amei de verdade.  E sempre, sempre vou te amar. Só que vai doer muito ficar aqui sem você! Você deixará uma parte sua comigo, mas ao mesmo tempo levará uma parte de mim junto com você.
Peguei o braço esquerdo do Bruno onde tinha a tatuagem com os batimentos cardíacos e a beijei.
— Amarei você até a última batida do meu coração! — sussurrei.
Fechei meus olhos e fiz uma oração. Nesse momento, desejei que acontecesse como nos contos de fadas, onde através de um milagre, o Bruno acordasse. Entretanto,  abri meus olhos e nada aconteceu.
Beijei os lábios do Bruno e sequei o rosto dele, que estava molhado com as minhas lágrimas.
— Eu te amo. — sussurrei outra vez.
Minha mãe chorava aflita ao me ver daquela maneira, assim como meu pai. Eles me abraçaram e choraram comigo...
Algum tempo depois, estávamos no estacionamento do hospital, quando meu pai se virou para mim.
— Carolina, prometo a você que nunca deixarei você e seu filho sozinhos. Prometo fazer por essa criança o que nunca fiz por você. Eu juro minha filha! Não vou abandoná-los. Saiba que não estará sozinha. E sei que essa dor que você está sentindo é a pior dor que alguém possa sentir, e vê-la sofrer assim me mata, filha. Se pudesse, pegaria toda essa dor para mim. Mas como não tenho esse poder, farei tudo por você e por essa criança.
Assenti, sem conseguir falar.
Deixei meu carro no hospital e segui no carro de aluguel que estava com meu pai. Minha mãe foi sentada comigo no banco de trás, onde me deitei no colo dela e ela me abraçou, dando-me todo o carinho e reconforto do mundo.
Algum tempo depois, estava deitada em minha cama tentando dormir, mas a dor era grande demais. Estava arrasada. Destruída por dentro e por fora.
 Minha mãe ao ver meu desespero, deu-me uns florais e me abraçou, deitando-se ao meu lado e não sei como e nem quanto tempo depois, mas apaguei.
Acordei com o telefone. Olhei assustada para meu celular e vi que passava das quatro horas da manhã.
— Carol, acorda filha! — disse meu pai abrindo a porta.
Senti um frio percorrer todo meu corpo.
— É do hospital! O Dr. Evandro pediu que você e a Ester fossem com urgência fosse até lá.
Meu mundo caiu.
— O que aconteceu, pai? — desabei a chorar — Fale a verdade, não me esconda nada. O que houve?
— Eu não sei filha, não souberam informar, mas querem falar com a família dele.
— Filha, você tem que ser forte! — disse minha mãe desabando. — Seja forte por você e por essa criança.
Estava em prantos e minha mãe me ajudou a me vestir.
Alguém tocou a campainha e eu abri a porta, era a Ester, soluçando de chorar.
— Carol, acho que meu menino se foi! Nosso Bruno se foi!
— Calma, querida, nós ainda não sabemos! O Dr. Evandro só disse que precisava conversar com a família. — disse Alberto tentando acalmá-la.
— Eu sinto Alberto! Sinto que não é coisa boa. Meu menino se foi, algo me diz! E por mais que eu sabia que isso aconteceria em algumas horas, jamais imaginei que sentiria a imensidão da dor que estou sentindo.
— Calma Ester! Vamos lá falar com o Dr. Evandro. — disse meu pai tentando acalmá-la — Vamos em meu carro — continuou ele, saindo em seguida.
Ela me abraçou forte choramos muito, minutos depois seguimos para o hospital.
Fui sentada entre minha mãe e Ester, ambas segurando as mãos umas das outras. O caminho até o hospital parecia uma eternidade. Meu pai parou o carro e saímos apressadas, deixando ele e Alberto para trás. Fiz o caminho até onde o Bruno estava, sentindo-me anestesiada. Estava assustada e com medo do que viria a seguir, mas simplesmente fui até ele.
Chegamos até o balcão onde estavam as enfermeiras e uma delas bipou o Dr. Evandro que saiu de dentro do quarto onde o Bruno estava.
— Ester e Carolina! — disse ele, parecendo uma incógnita. — Mandei chamá-las aqui, porque aconteceu o inesperado!
Olhei sem entender e vi um vestígio de sorriso no rosto do Dr. Evandro.
Pisquei repetidas vezes, sem saber o que pensar.
— Como assim? — indagou Ester.
— O Bruno está de volta! Ele acordou tem um pouco mais de uma hora. E ele deve isso a você, Carol, por ter protelado esse momento até aqui. Falando nisso, já perguntou por você no mínimo umas cinquenta vezes.
Nem o deixei terminar de falar e saí em disparada para onde o Bruno estava. Era como se levitasse até o quarto. Abri a porta, e então o vi, e vi uma porção de enfermeiros fazendo alguns exames nele. Bruno olhou para mim e abriu um sorriso.
Eu mal podia acreditar no que eu estava vendo e comecei a chorar de felicidade.
— Eu não... — soluços — eu não posso acreditar que você está aqui!
— Você não vai se livrar de mim assim tão cedo.
Fui até ele.
— Seu cretino! Você quase me matou de tanta tristeza. — falei me inclinando e o beijando em seguida.
— Calma Carolina! Ainda precisamos terminar uns testes com o Bruno.
— Você quase matou nós dois de tanta tristeza. Nós dois, Bruno! Eu... Eu... Não fazia ideia de como ia seguir em frente. Você não pode simplesmente me deixar assim. — disse chorando, sem dar lado para o que a enfermeira havia dito.
O abracei em seguida e ele me abraçou mesmo com dificuldade.
— Como assim nós dois?
— A mim e ao seu filho. — eu disse colocando a mão dele em minha barriga nada discreta.
— O quê? — ele disse todo bobo — Você está grávida?
— Você acha que essa barriga é o quê? — disse levantando a camiseta.
Os olhos de Bruno se encheram de lágrimas no mesmo instante.
— Oh meu amor, acabei de viver de novo ao saber disso. Não posso nem acreditar! — disse ele, me abraçando ainda mais.
A porta se abriu e Ester apareceu com a minha mãe. Ela o abraçou e começou a chorar sem parar. Eu abracei minha mãe, rindo e chorando feito boba.
—  Meu filho, você não tem ideia da dor que estávamos sentindo!
— Mãe, eu vou ser pai! Dá para acreditar? Você e a Marília serão avós.
Minha mãe sorriu e foi até ele e o beijou. As enfermeiras desistiram e nos deixaram sozinhos com o Bruno. Nisso Dr. Evandro entrou todo sorridente.
— Bruno, essa garota aqui lutou com unhas e dentes por você. Trate de cuidar muito bem dela e dessa criança e eu quero ser padrinho desse casamento, viu?
Bruno olhou para mim e sorriu. Nesse momento ele fez sinal para a Ester sussurrando alguma coisa no ouvido dela.
Ela sorriu.
— Estava comigo esse tempo todo meu filho. — disse Ester tirando da bolsa uma caixinha azul clara.
Ela entregou a tal caixa para Bruno que segurou com um pouco de dificuldade.
— Eu ajudo você. — disse Dr. Evandro abrindo a caixa .
Olhei para Bruno sem entender e ele sorriu para mim.
— Carol, eu atrasei naquela noite, porque quis fazer uma surpresa pra você.
Estava estagnada.
— Você quer se casar comigo?
Meu coração bateu descompassado.
— Bom, não estou na condição de me dar o luxo de continuar solteira, não é? — falei sarcasticamente apontando para minha barriga aparente.
Todos riram.
— É claro que eu quero! É tudo o que eu mais quero nesse mundo. —  respondi dando-lhe um beijo.
Ester tirou o anel da caixa, já que Bruno ainda estava com os movimentos debilitados e o ajudou a colocar o anel em meu dedo anelar. Foi um dos momentos mais felizes da minha vida!
Nós nos casamos quando eu estava entrando no sétimo mês de gravidez. E claro, não era surpresa para ninguém que eu estava grávida, afinal, minha barriga entrou na igreja alguns segundos antes de mim. Sentia-me a noiva mais linda do mundo com aquela barriga imensa, e sem dúvida nenhuma a mais feliz de todo o universo.
Bruno ainda ficou alguns meses afastado, então ele pode curtir comigo cada etapa do final da minha gravidez.
Nosso Roberto Vicenzo Neto, nasceu em dezembro, e claro, foi nosso melhor presente de Natal. E foi como imaginei, o Bruno se mostrou o melhor pai de todo o mundo e sem dúvida nenhuma o melhor marido que uma mulher pudesse ter.

15
Bruno - A história se repete

Nós nos mudamos para Porto Alegre quando o Neto fez três aninhos. Era mais fácil tanto para mim, quanto para a Carol, pois estávamos perto das nossas mães. Carol pediu transferência para o Banco Central de Porto Alegre e eu arrumei um novo emprego, ainda melhor do que o anterior. Não tanto financeiramente, mas em termos de realização profissional.
Quando Neto fez nove anos, recebi a notícia que a Carol estava grávida novamente e foi em dúvida nenhuma um presente para mim e para ela. Então, nos mudamos para um apartamento maior logo que a Sofia nasceu. Assim, ela teria o próprio quarto, como o Neto teria o dele; já que logo ele estaria entrando na adolescência.
Numa tarde de sábado, desci com meu filho para usar a piscina e havia uma garotinha com os cabelos castanhos dourados.
— Oi. — falei enquanto entrávamos na água.
— Oi. — ela respondeu acanhada.
— Fala oi, Neto! — disse encorajando o garoto.
Ele me olhou querendo me trucidar.
— Oi.
A garota sorriu.
— Você é nova por aqui? — indaguei.
— Mudei-me hoje.
— Olha filho, uma amiga para você.
Neto sorriu acanhado.
— Como você se chama? — ele finalmente perguntou.
— Beatriz. — ela respondeu dando a ele um sorriso.
Senti que estava sobrando naquela piscina. Subi a escadinha, sentei-me em uma cadeira espreguiçadeira e fingi ler um jornal que estava ali perto.
O silêncio entre eles era grande, mas minutos depois observei os dois brincando na água. Naquele momento, veio-me à cabeça o dia que conheci a garota mais linda do mundo, pela qual ainda era perdidamente apaixonado. Algum tempo depois, Carolina apareceu com a Sofia no colo e sentou-se ao meu lado.
— Quem é? — ela perguntou curiosa.
— É nossa nova vizinha. — falei dando-lhe um sorriso.
Beatriz olhou para Carol e lhe abanou a mão. Carol sorriu e falou oi para a garota. E os dois continuaram a conversar e brincar dentro da piscina.
— Ah, estou morrendo de fome! Vamos subir e fazer um lanche?
— Vamos! Só vou chamar o Neto.
— Não! Deixa o garoto aí com a amiga nova.
— Nem pensar, eles mal se conhecem!
— E daí? Se minha mãe não tivesse me deixado com você na piscina, nós não nos tornaríamos amigos.
Ela balançou a cabeça em negação e sorriu. E eu sabia que no fundo, ela estava morrendo de ciúmes do filho.
Algum tempo depois, estávamos em nossa cama, brincando com a pequena Sofia que era minha cara, mas com o gênio da mãe dela, diferente do Neto que era a cara da Carol, com o meu gênio. Ouvimos a porta da sala se abrir e Carol gritou:
— Filho! Estamos aqui no quarto, quer comer alguma coisa?
A porta do quarto que já estava entreaberta, abriu-se por completo.
— Oi mãe! Nós vamos jogar videogame em meu quarto, prepara um lanche para a gente?
Carol olhou exasperada para Neto que estava junto com a nova amiga.
— Ah, tá... Eu...Eu preparo sim! Mas filho, a Beatriz nem deve gostar de videogame. Por que vocês não ficam aí na sala e assistem a um filme?
— O Neto vai me ensinar a jogar. — disse a garota, com um sorriso enorme.
Carol ficou sem palavras e eu sufoquei minha risada ao ver a reação dela. Os dois foram para o quarto do Neto e fecharam a porta.
— Você viu isso? — ela perguntou desacreditada.
— Sim, e é a segunda vez que eu vejo esse filme!
Ela me olhou perplexa e eu sorri.
— Nós não fomos para seu quarto quando nos conhecemos.
— Fomos sim!
— Não. Eu acho que não. Será? — ela perguntou pensativa.
Eu a puxei pra perto de mim e rocei meu rosto no dela.
 — Só espero que o final da história deles seja tão feliz quanto o nosso! — eu disse eu beijando os lábios da única garota que amei a vida toda.


Fim

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Sob o olhar das Estrelas, parte 31, por Érika Prevideli

Sob o olhar das Estrelas
Parte 31

Bruno - Finalmente Minha
Aquele foi sem dúvida o melhor presente da minha vida. Poder finalmente chamar a Carol de minha, minha namorada, minha futura esposa, minha amiga e mulher, minha companheira para todo o sempre.
Fizemos amor no terraço pela segunda vez, sob o olhar das estrelas. E naquela noite ela dormiu em minha cama, em meu apartamento, já que a mãe dela sequer tinha ideia que ela estava em Porto Alegre.
No dia seguinte, estava me arrumando quando ela se aproximou e deu um nó em minha gravata.
Eu sorri.
— Nada mais sexy do que a garota que a gente ama, arrumando nossa gravata.
Ela mordeu o lábio inferior.
— Nada mais sexy do que o cara que a gente ama olhando pra gente dessa maneira.
Eu a puxei e a beijei com todo o amor que havia dentro de mim.
— Obrigado por estar aqui. Eu te amo.
Carol me abraçou.
— Não perderia esse momento por nada, porque amo você. Bruno.
Senti o cheiro bom que vinha dela e minhas mãos começaram a explorar seu corpo.
— Podemos nos atrasar um pouco? Por que tenho algo melhor em vista do que casar minha mãe.
Ela riu alto e caímos na cama.
 Minha mãe oficializou a união dela com o Aberto, e eu estava tão feliz com minha namorada ao meu lado, que nem me lembrava mais que no dia anterior havia discutido com a minha mãe.
Não nos desgrudamos o final de semana inteiro, e todos souberam que finalmente estávamos namorando. E o melhor era que todos aprovaram nosso relacionamento, inclusive o Ricardo ficou muito feliz com a notícia.
Voltamos para São Paulo juntos e quando chegamos no aeroporto, Tiago e Felipe nos esperavam lá, radiantes com a notícia. Fomos direto a um bar, onde brindamos aquele momento.
Dormi no apartamento da Carol do domingo para a segunda-feira e depois, e depois... e depois ela dormiu em meu apê por vários dias. Enfim, não ficamos mais nenhuma noite separados desde que ela me pediu em namoro.
E eu precisava guardar bem isso, para os filhos dos meus filhos saberem que a avó deles foi quem pediu minha mão há alguns anos.
Nossa vida se encaixou perfeitamente. Ficávamos juntos o tempo todo, exceto quando estávamos no trabalho. Eu tratei de ser um namorado presente em todos os momentos da vida dela e ela amava ser paparicada por mim. Nos finais de semana, sempre saíamos com os caras e suas respectivas namoradas. E uma vez vimos o César, que ficou claramente irritado ao nos ver juntos. Mesmo detestando o cara, entendia a posição dele, afinal, se eu a perdesse, perderia minha melhor metade.
Seis meses após estarmos namorando, numa sexta-feira, acordamos e fizemos amor, como todas as manhãs.
Carol caiu exausta no travesseiro e me encarou, com um sorriso de satisfeita. Meu coração palpitou naquele momento. Jamais me cansaria de olhar pra ela, porque, Deus do céu, eu tinha em minha cama a garota mais linda do mundo.
— O que foi? — perguntou ela, com um sorriso nos lábios.
— Você é tão linda. Se eu pudesse, eternizaria esse momento. — disse a puxando contra meu corpo.
Senti minha ereção reagir novamente.
— Ah, você é incansável.
— Pode apostar que sim. — falei, mergulhando meu rosto em seus cabelos — Não consigo ficar ao seu lado e não fazer amor com você. Eu te amo, linda.
Mais tarde, fomos tomar um banho e nos arrumarmos para o trabalho. Já estava pronto, mas estava procurando por todos os lugares o meu gel de cabelo.
Ela estava terminando de se arrumar e parecia preocupada. 
— Droga, eu preciso do meu gel. Será que acabou?
— Não! Comprei um vidro esses dias.
Voltei ao banheiro e continuei a procurar.
— Deve estar em seu apartamento. — ela gritou.
Saí apressado e o gel realmente estava em meu apartamento, como ela havia dito.
Voltei para o apartamento dela e ela já estava de saída.
— Estava lá. — falei esboçando um sorriso sem graça. — Isso é a prova de que deveríamos juntar nossas coisas de vez. Essa história de ficar coisas minhas aqui e lá, não dá certo.
— Também acho. Assim economizaríamos um aluguel, já que ficamos juntos todos os dias.
— Você está me convidando para morar com você? — falei ironicamente.
— Não! Foi você quem disse que deveríamos juntar nossas coisas. — rebateu ela.
— Essas mulheres de hoje são bem abusadas. — falei enquanto arrumava minuciosamente meu cabelo com gel. — Primeiro me pediu em namoro, depois me chama para dividir o apartamento com ela.
— Seu cretino! Foi você quem disse. E pronto mudei de ideia!
Quando ela foi saindo eu a parei.
— Eu aceito seu pedido.
— Cala a boca. Eu não pedi nada.
— Tudo bem, não precisa implorar. Eu venho morar com você. Ou sei lá, você vai morar comigo.
— Patético. — ela disse esboçando um sorriso lindo.
— Eu estou brincando.  Vou fazer direito. Você aceita morar comigo?
Ela me encarou como se estivesse se decidindo.
— Estou atrasada agora, mas prometo pensar em sua proposta.
Carol selou meus lábios e saiu.
— Ei, o café, você não vai tomar?
— Não, eu não posso! Depois eu explico. — ela disse saindo apressada.
Estranhei, afinal, ela nunca recusava o café.
Sentei-me e enquanto comia alguma coisa, comecei a falar comigo mesmo.
— Hoje mesmo ligo na imobiliária, dizendo que não precisaremos mais de um dos apartamentos. Talvez precisemos de um maior. Será? Ah, e preciso de uma aliança. Isso, uma aliança. Ela vai ficar alucinada. Sim, irei pedi-la em casamento. Acho que já passou da hora de fazermos isso.
Trabalhei o dia todo pensando na surpresa que faria a ela. Mal podia esperar até o final do expediente. Peguei meu celular e digitei uma mensagem.
Meu amor, naquela correria nem disse que amo você.
 Segundos depois ela respondeu.
Então me diga, aliás, nos diga.

“Nos diga? Como assim? ” pensei.
Amo você, mais do que tudo.
Para sempre seu
Segundos depois.
Tenho uma surpresa para você, mas as horas estão custando a passar.
Portanto, chegue cedo em casa. É importante!
Espero que goste. Amo você.

“Ela aceitou minha proposta, tenho certeza! ” pensei comigo mesmo e fiquei ainda mais ansioso pra ir embora.
Consegui sair do laboratório somente às dezoito horas e corri até um shopping, onde fui em busca de um anel de noivado. Eu não podia chegar com um anel qualquer, aquele seria um dos dias mais importantes da minha vida e eu não queria decepcioná-la. Encontrei um anel que fora feito para ela. Um solitário da Tifanny. E minha sorte foi que eu tinha uma grana guardada, assim podia me dar o luxo de extravasar naquele momento.
Saí da loja já passava das dezenove e trinta. Estava me sentindo o homem mais feliz do mundo. Meu celular tocou, era ela.
— Oi, linda. — falei todo sorridente olhando para a caixa azul da Tifanny.
— Bruno, você está demorando muito! Vou morrer de ansiedade assim.
— Calma, daqui alguns minutos estarei aí.
Ela respirou fundo.
— Tudo bem. Dirige com cuidado.
Eu sorri.
— Te amo, minha linda!
Ela ficou em silêncio.
— Também amo você!
Desliguei e fui para o carro. Demorei cerca de dez minutos somente para sair do shopping, que estava lotado. No caminho para casa o movimento estava controlado, o que era de se estranhar por ser uma sexta-feira, ainda assim, estava tão ansioso que parecia não chegar nunca.
Parei em um semáforo e então peguei mais uma vez a caixinha azul da Tifanny e a abri, admirando o imenso brilhante.
“Ela vai ficar extasiada ao ver esse anel! ”
O sinal abriu e eu acelerei, saindo em seguida. Olhei mais uma vez para o anel e sorri por dentro. Foi então que ouvi um estrondo imenso e vi meu carro capotando em meio a avenida. Só tive o reflexo de segurar a caixinha azul contra meu peito e tudo ficou escuro, quando bati minha cabeça.


14
Carol —  A carta
Já estava esperando pelo Bruno desde as dezoito horas, com o teste de gravidez em uma das mãos e um sapatinho de crochê na outra mão. E nada dele chegar.
Após ligar para ele às dezenove e meia, resolvi um tomar um banho correndo.  Mal podia acreditar que dentro de mim, havia um filho meu e do Bruno. Era a sensação mais emocionante da minha vida. Passei o sabonete em meu ventre bem delicadamente e agradeci a Deus por aquela dádiva.
Após o banho, passei óleo por todo corpo, era hora de me cuidar, afinal, logo minha barriga estaria enorme. Coloquei um vestido bem soltinho e penteei meus cabelos.
Vinte minutos depois e ainda nada dele. Nesse momento, senti um certo desconforto, como uma tristeza enorme em meu peito, tanto que meus olhos se encheram de lágrimas.
“Meu Deus, será os hormônios? ”  perguntei a mim mesma.
— Calma bebê! Daqui a pouco o papai estará aqui com a gente. — disse passando a mão em minha barriga.
Fui até a sacada para respirar um ar e para ver se aquela sensação ruim melhorava.
“Carol, você acabou de descobrir que está grávida. Sério que já vai começar a dar trabalho? Seja forte garota!” — disse me autocensurando.
Vinte horas e quinze minutos e ainda nada do Bruno. Liguei para ele novamente e o celular dele tocava, tocava e caía na caixa postal.
— Caramba, Bruno, justo hoje! — dizia em voz alta.
Tentei novamente e mais uma vez ninguém atendeu.
Liguei a TV e fiquei sapeando os canais, mas nada segurava minha atenção. Já passava das vinte e uma horas e liguei para o Felipe, mas o Felipe não sabia dele. Então liguei para o Tiago que também não tinha notícias do Bruno.
— Inacreditável. — disse, jogando o controle a TV longe.
Peguei o exame de sangue, reli pela milésima vez. O arrumei sobre a minha cama ao lado do sapatinho de crochê e me deitei um pouco. O telefone tocou passava das nove e meia da noite.
— Alô.
— Boa noite, aqui é do hospital “ Carlos Amarante”. A senhorita é o que do Sr. Bruno Gregori Vicenzo?
Meu corpo se arrepiou inteiro.
— Sou a namorada dele, nós moramos juntos.
— Estou ligando porque o Sr. Vicenzo deu entrada em nosso hospital por volta das oito horas da noite e precisamos de alguém da família dele aqui presente.
 A partir daí, liguei meu automático. Não ouvia mais nada do que ela dizia. Era como se eu tivesse fora do ar. Peguei meu carro e não sei como cheguei até o hospital.
Passei pelos corredores do hospital sem ao menos sentir minhas pernas e então dei meu nome a recepção. Algum tempo depois, um dos médicos veio falar comigo. A única coisa que ele me disse foi:
— O Sr. Bruno Vicenzo, sofreu um acidente de carro e teve um trauma considerado preocupante. Está com traumatismo craniano e já está sendo preparado para uma neurocirurgia que acontecerá dentre alguns minutos.
Caí em desespero. Meu mundo havia desabado sobre minha cabeça. E me vi sozinha ali naquele hospital recebendo aquela bomba em minhas mãos.
As primeiras pessoas que me vieram em mente foram o Felipe e o Tiago, então liguei em prantos para eles. Em seguida liguei para Ester que assim como eu ficou em estado de choque, somente depois liguei para minha mãe e o resto das minhas forças se esvaíram ao ouvir a voz serena dela.
Felipe e Tiago chegaram em menos de uma hora. O que para mim levou uma eternidade. Desabei ao vê-los e eles ficaram ao meu lado o tempo todo.
A cirurgia durou um pouco mais de quatro horas. Tanto que já passava das duas da manhã. Durante todo o tempo, a única coisa que eu conseguia fazer era rezar e pedir a Deus que tivesse compaixão do Bruno. Então um dos médicos veio em nossa direção.
— Bom dia, eu sou o Dr. Evandro Martins, sou o neurocirurgião que cuidou do Bruno.
 Estava a ponto de explodir com tanta preocupação.
— Seu nome é?
— Carolina. — respondi em pânico.
— Nós fizemos tudo o que foi possível e impossível. E levando em consideração a gravidade do trauma, posso dizer que tudo está correndo além do que eu e minha equipe esperávamos. A cirurgia correu tudo bem. Entretanto, só o que temos a fazer é esperar que ele volte do coma.
— E isso costuma demorar?
— Carolina, esse é o grande problema. Não tenho como saber o momento certo em que ele acordará e “se” ele acordará. Fizemos tudo o que podíamos, agora temos que esperar e rezar. O Bruno corria o risco de não aguentar a cirurgia, e esse risco ainda não está descartado. Essas primeiras setenta e duas horas serão primordiais. Ele será monitorado o tempo todo. Passado esse tempo, aí sim conversaremos novamente. Mas é uma situação extremamente delicada e ele ainda corre risco de morte.
Olhei incrédula para o Felipe e ele segurou minha mão. Minhas lágrimas não cessavam.
— Doutor, quer dizer que se ele passar dessas setenta e duas horas, ele ainda corre o risco de não acordar? — indagou Tiago.
— Sim, foi isso que eu disse! Isso já não depende mais de nós. O importante é que ele está vivo. Vamos aguardar e qualquer novidade vocês serão informados, eu lhes garanto!
Tiago me abraçou nesse momento e começamos a chorar novamente. Felipe saiu de perto, provavelmente para não desabar em nossa frente.
Algum tempo depois, fui até a capela do hospital onde rezei por horas. Felipe e Tiago juntaram-se a mim e chorávamos feito crianças.
Minha mãe, a Ester e o Alberto chegaram ao hospital por cerca das seis horas da manhã. Depois de nos abraçarmos e chorarmos novamente, o Dr. Evandro novamente juntou-se a nós e explicou tudo novamente para a Ester. Ela mesmo desorientada passou horas acertando a parte burocrática do hospital. E o Bruno teria o melhor atendimento possível graças ao bom plano médico que eles possuíam.
Como minha mãe era uma cardiologista muito conhecida, ela conversou com a equipe do hospital e conseguimos vê-lo por algum tempo. Fiquei chocada ao vê-lo. Bruno tinha escoriações por todo o corpo, foram dados vários pontos acima do supercílio esquerdo. E sua cabeça estava toda raspada e enfaixada.
Ele estava com o rosto quase irreconhecível, de tão inchado e machucado. Estava todo entubado e respirando pelos aparelhos.
— Oi, meu amor! — disse a ele em sussurro que parecia estar muito distante dali. ­­— Só quero que você saiba que ficarei aqui ao seu lado o tempo todo, você não está sozinho! Você tem a mim e ao nosso filho, e estamos rezando muito por você, para que você volte logo. Amo você meu amor e eu preciso de você, nós precisamos de você!
Minhas lágrimas começaram a cair eu me inclinei e o beijei. Então a enfermeira me levou. Quando a Ester foi vê-lo, ela saiu em prantos ao ver o filho naquele estado.
Não disse a ninguém sobre minha gravidez, pois queria que o Bruno fosse o primeiro a saber.
Bruno conseguiu dar o primeiro grande passo e conseguiu passar pelas setenta e duas horas. Porém, não dava sinais de acordar.
Uma semana se passou e nada. Eu só ia para meu apartamento tomar um banho e então voltava para o hospital. Ester e minha mãe faziam o mesmo.
Precisei ir até um ginecologista onde fiz o primeiro ultrassom do meu bebê, e expliquei a ele toda a minha situação, ele me afastou do emprego, dizendo que minha gravidez era considerada de risco. Coisa que realmente era verdade, já que estava destruída emocionalmente.
Vinte dias depois, Bruno já não estava mais tão inchado e seus ferimentos já estavam cicatrizando. Eu passava horas apenas o observando. Nesse tempo, quando ficávamos a sós, conversava com ele sobre nosso filho. Era como se ele estivesse dormindo, afinal, eu sentia que ele estava ali.
Comprei vários livros e todos os dias lia para o Bruno. Conversava como se ele pudesse me ouvir e no fundo eu acreditava que Bruno realmente me escutava.
Felipe e Tiago iam visitá-lo todos os dias. Felipe parecia cada vez mais preocupado com a situação do amigo, era perceptível a tristeza e a preocupação nos olhos dele. Quanto ao Tiago, ele era o sentimental, toda vez que ia ver o amigo, saía de lá com os olhos inchados de tanto chorar.
Ester havia envelhecido dez anos em vinte dias, mas ela assim como eu, não perdia as esperanças. E minha mãe tornou-se a “nossa” mãe durante todo esse tempo. Ela cuidava de mim e da Ester, era ela que insistia para que nós duas revezássemos, ela que insistia para que eu me alimentasse um pouco e ficava deitada comigo até conseguir  dormir, pois eu me mantinha firme quando estava no hospital, mas era chegar em casa que desabava e chorava por horas. Dona Marília foi o nosso pilar, não sei o que faria sem ela ao meu lado.
Meu pai vinha aos finais de semana e ficava comigo e com minha mãe em meu apartamento. E Ester e o Alberto ficavam no apartamento do Bruno.
Um mês e nada! Cada vez que eu voltava do hospital, voltava arrasada e não tinha vontade de fazer mais nada em minha vida, a não ser chorar.
Fui novamente fazer meu pré-natal, sem que ninguém soubesse. Os enjoos já estavam começando e o médico me alertou, afinal, eu havia emagrecido mais de cinco quilos, sendo que estava de oito semanas. Ele disse que eu teria que ser forte, por mim e principalmente pelo o bebê que precisava de mim mais do que ninguém desse mundo.
Um mês e meio após a cirurgia do Bruno e ele ainda não dava nem sinal de acordar. Devido a mesma posição por dias, começaram a surgir as escaras, e aquilo me matava de tanta tristeza.
Era uma segunda-feira quando o Felipe chegou arrasado. Estava com o rosto inchado de chorar. Eu o vi daquele jeito e não aguentei e desabei com ele.
Felipe conversou com os médicos, que sempre diziam as mesmas coisas. E depois, me pediu para falar um pouco com o amigo a sós.  Fiz o que ele me pediu e enquanto ele conversava com o Bruno, fui até a capela. Após algum tempo, Felipe chegou com a cabeça baixa.
— Mascote, preciso fazer uma coisa que está me torturando por dentro.
Ele se sentou ao meu lado, cobriu o rosto com as mãos e chorou feito criança. Eu o abracei até que ele se acalmou. Momentos depois, ele me encarou.
— Você lembra daquele dia que foi embora de Porto Alegre sem avisar o Bruno? Quando vocês ficaram e depois você o deixou e foi para o Canadá?
— Claro. Foi o erro mais tolo que cometi.
Ele assentiu.
— Naquela tarde, eu fui visitar o Bruno. Ele estava arrasado porque você tinha ido embora e porque era aniversário de morte do pai dele. Lembro que ele e a Ester tinham ido a Santa Maria e ele começou a falar umas coisas sobre o pai e...
O encarei tentando afastar de mim o que imaginara que ele falaria.
— Mascote, naquele dia, ele me entregou isso e me disse que se caso um dia acontecesse a ele algo parecido com o que aconteceu com o pai dele, era para eu entregar essa carta para a Ester. Eu não sei bem o que tem aqui. Mas estou adiando isso desde o dia do acidente. Só que não posso mais fazer isso! O Bruno confiou em mim e dei a ele a minha palavra.
Levantei-me e caminhei até uma janela, tentado inalar um pouco de ar, pois eu me lembrei do dia em que o Bruno me falou sobre escrever aquela carta e meu coração chegou a doer só de pensar no que poderia estar escrito nela.
Alguns minutos depois fui novamente até Felipe, que me olhou e começou a chorar.
— Você não pode fazer isso. Eu te imploro! Esquece essa carta. Eu sei exatamente o que tem nela, e acredite, não é nada bom! Em nome da nossa amizade, não a entregue a Ester. Se fizer isso, a Ester como mãe, terá que fazer o que está escrito aí e isso não acabará somente com a vida do Bruno, acabará com a minha vida.
Minhas lágrimas caiam sem parar. Felipe me olhou totalmente sem saber o que fazer.
— Mascote, não faz isso comigo!
Minha vista estava turva.
— Não faz você isso comigo! Por favor! Em nome do amor que você sente pelo o Bruno e por mim, não entregue essa carta para a Ester. Eu... Eu imploro.
Eu me ajoelhei aos pés do Felipe, chorando sem parar.
— O Bruno fez isso de cabeça quente, não tinha como ele prever o que aconteceria na vida dele. Tenho certeza de que hoje ele não pensa mais assim. Por favor, Felipe! Pela a nossa amizade, destrua essa carta, não a entregue para a Ester.
— Não entregue o que para mim? — disse uma voz vindo atrás de mim.
Levantei-me em câmera lenta, sentindo meu coração destroçado e vi Ester se aproximando.
— Não Felipe, por favor! — implorei em sussurro.
Ester chegou assustada ao meu lado, encarei Felipe que estava em pânico.
— O que está acontecendo aqui? — indagou Ester.
Felipe me encarou exasperado e eu só fiz que não com a cabeça.
— Diga-me Felipe! O que você está me escondendo.
Ester me olhou tentando decifrar meu semblante. Nesse momento Felipe me encarou e balançou a cabeça em negação.
— Ester... — ele disse fazendo uma longa pausa.
Minhas lágrimas caiam sem parar e o encarei totalmente magoada, por ele não atender meu apelo.
— Há cerca de dois anos, mais ou menos, o Bruno me pediu que se um dia acontecesse algo a ele, onde ele precisasse ficar internado, assim como o pai dele ficou, era para lhe entregar essa carta.
Felipe tirou de dentro do bolso da calça um envelope e o entregou para a Ester, que me olhou sem entender. Eu o encarei totalmente decepcionada.
— Ester, o Bruno fez isso provavelmente de cabeça quente. Não leve isso em consideração, por favor! Eu lhe imploro! Você vai ver que o que está escrito aí, vai contra a tudo pelo o que estamos lutando durante todos esses dias. Então, não faça isso! Eu lhe imploro!
Os olhos de Ester encheram-se de lágrimas. Ela se afastou e caminhou até a janela, onde abriu o envelope e leu a carta.
— Mascote, desculpa-me! Eu tinha que fazer isso.
— Eu nunca achei que diria isso. Mas estou odiando você, Felipe. Você acabou com a minha vida!
— Não fala isso, por favor! Você é minha única amiga e o Bruno é meu melhor amigo, ele confiou em mim, e eu não podia simplesmente virar as costas para ele. Tenho sofrido há dias, mas eu não podia mais esperar.
Olhei para ele, balançando a cabeça em negação e me afastei, sentando-me em um banco da capela distante dele e da Ester. Rezei com toda a fé que tinha, implorando a Deus, para que Ester não levasse aquela carta em consideração.
Algum tempo depois, Ester escorregou lentamente escorada na parede como se sentisse dor e começou a chorar em desespero. Olhei para o Felipe novamente e o recriminei com o olhar. Fui até ela e me abaixei ficando ao lado dela.
— Ester, o Bruno não sabia o rumo que a vida dele tomaria. Então vamos esquecer isso!
— Não, Carol! Meu filho sempre me disso isso. Ele visitou o pai todos os dias por meses. O Bruno viu o pai dele definhar em uma cama de hospital e cada vez que ele voltava para casa, voltava arrasado, com vontade de morrer em ver o pai naquela situação.
Eu chorava silenciosamente.
— Uma vez, o Bruno chegou a me dizer que toda a vez que pensava no Roberto, vinha em mente aquele homem debilitado que aos poucos foi mirrando em uma cama de hospital. Ele já não se recordava mais de como era o pai dele antes do acidente, o Roberto cheio de vida, ele sentia falta das vezes que eles brincavam, iam ao estádio ou saiam juntos para pescar. O Bruno dizia que fechava os olhos e lhe vinha em mente aquela imagem do pai cheio de tubos, sem poder ao menos respirar sem os aparelhos. Meu filho sofreu muito por ver a pessoa a quem ele mais amava naquela situação. Dizia-me que jamais iria queria ser lembrado daquela maneira e infelizmente é a mesma maneira em que ele se encontra agora. Eu nunca levei aquilo em consideração, porque não achava que eu passaria por isso novamente em minha vida. Mas a vida é implacável e ela me deu essa rasteira outra vez. Tudo o que passei com o Roberto, estou passando com meu filho. Você não faz ideia da dor que estou sentindo por não poder ajudá-lo. Daria minha vida a ele, porém, sinto como se ele tivesse me pedindo para tirá-lo dessa situação, entende?
Nesse momento eu já não conseguia mais ao menos raciocinar.
— Não, eu não entendo! Não posso entender uma coisa dessas. Ester.
— Então lê você essa carta Carol e me diga o que fazer.
Olhei para ela e peguei a tal carta. Ester se afastou de mim e se juntou a Felipe. Minhas mãos tremiam ao desdobrar o papel.

Querida Dona Ester,
Se estiver lendo essa carta, é sinal de que as coisas não estão muito bem. Acertei, não é?
Não sei explicar o porquê, mas é como se já soubesse que isso viria a acontecer comigo.
E infelizmente aconteceu.
Mas paremos de tristeza, enxugue essas lágrimas e escute o que eu tenho a lhe dizer:
Passei todos os dias, durante meses, indo e vindo de um hospital, onde vi meu pai se definhando gradativamente. Eu tinha meu pai como um ídolo, como o homem mais forte do mundo, como meu super-herói, e não gosto nada, nada de lembrá-lo daquela maneira. Tenho certeza de que se ele pudesse escolher, escolheria não me deixar vê-lo daquela forma. Aquilo me marcou muito, mãe! Chorava horas e horas antes de dormir em saber que meu pai, meu melhor amigo, estava sofrendo tanto, sem que eu pudesse ajudá-lo.
Então, peço-lhe que se isso vier acontecer comigo, não me deixe passar por tudo que meu pai passou. Seria sofrimento demais para mim, acabar da maneira que ele acabou.
Quero que todos que me amem, lembrem-se do Bruno gato e bonitão como eu era; do Bruno alegre, feliz e cheio de vontade de vencer na vida. Não quero ser lembrado como um ser inanimado, cheio de tubos saindo do meu corpo quase em decomposição. Porque, é exatamente assim que me lembro do meu herói, e isso é muito triste. Por favor mãe, é só o que lhe peço!
Amo você mais do que tudo e só tenho que lhe agradecer por ter sido minha mãe e meu pai durante todos esses anos. Você foi perfeita em todos os aspectos.
De seu filho que só lhe tem amor,
Bruno.

P.s.  Não imagino como estará minha situação nesse momento. Nem mesmo imagino com quantos anos estarei. Talvez eu esteja casado, cheio de filhos, ou solteirão, vai saber.
Mas de todo o modo, quero que diga a Carol, que independente do rumo que nossas vidas seguiram, que eu a amei com todo o amor, e que ela sempre foi a menina dos meus olhos e do meu coração. Diga também a ela, que depois que a conheci (assim que entrei naquele prédio) minha vida mudou para muito melhor!
Ela foi e sempre será a mulher da minha vida.
Diga a ela que eu a amo e que nós ainda ficaremos juntos, mesmo que seja em um outro plano.
Agora faça o que tem que ser feito!
Bruno.
Apertei aquela carta contra meu peito em soluços, sem saber o que pensar. Foi a pior dor que sentira em toda minha vida.

— Eu também sempre amarei você, Bruno!