Faça por mim
Parte 01
1
Sonhos, nossas melhores Lembranças
Já estava cansada de correr, sentia que o ar até me
faltava, mas eu não podia me entregar ao cansaço.
Rafael estava
alguns metros à minha frente, e não parecia estar nenhum pouco cansado. Ele
corria mais e mais e olhava para trás a cada segundo, rindo da minha cara de
exausta.
“Eu não vou parar, não posso parar. ” –dizia a mim
mesma. “ Ele está com meu diário, se ele resolve ver o que eu escrevo, estou
perdida”.
Senti minha vista escurecer, e em seguida, senti meu
rosto bater contra a terra fofa do chão.
–Ana, Ana, abra os olhos! –Ana, desculpa? Por favor,
abra os olhos!
Seus lábios úmidos encostaram nos meus lábios. Travei
minha boca, não sabia como aquilo funcionava. Abri os olhos, vi Rafael olhando
desesperado para mim, então comecei a chorar.
Rafael estendeu-me a mão, ajudando-me levantar; minha
mão estava marrom por causa da terra, com um pouco de sangue, por causa de um
esfolado.
Meus joelhos também ardiam, quando os olhei, reparei
que os dois estavam machucados, e o sangue que escorria pelas minhas canelas
finas.
Chorava cada vez mais. Saí mancando, deixando-o para
trás. Mas, Rafael correu atrás de mim.
–Ana, espere! Me desculpa! Não quis te machucar.
–Saí daqui! Eu te odeio, sabia? –gritei irritada.
Ele ficou parado me olhando e eu segui meu caminho.
O sol já estava quente; mas o vento ainda estava
gelado. Depois de mancar e chorar muito cheguei à beira do lago que havia ao
lado da propriedade do meu pai.
Costumava a ficar ali por horas, brincando com o Rafa ou
escrevendo em meu diário. Havia uma árvore enorme que ficava bem à beira do
lago, e era sob ela que eu gostava de sentar-me.
Assim que cheguei, vi Rafael de longe, vindo devagar
em minha direção, com a cabeça baixa. Instantes depois ele aproximou-se de mim;
estava cansado e muito chateado, e sentou-se ao meu lado.
–Está doendo muito? –ele perguntou apontando para os
meus joelhos.
Fiz que sim com
a cabeça.
–Aqui está seu diário. Eu jamais o leria.
Agarrei meu diário como se houvesse recuperado meu
tesouro.
Rafael tirou a camiseta e inclinou-se molhando uma
parte dela no lago.
–O que você está fazendo? Perguntei.
–Me deixa cuidar de você?
Suspirei nervosa.
–Afinal, foi por minha culpa que isso aconteceu.
Tive vontade de rir, mas não o fiz. Então, Rafael veio
todo delicadamente, fazendo careta como se sentisse a minha dor, e limpou todo
o sangue misturado a terra.
Cuidou primeiramente dos meus joelhos e em
seguida das minhas mãos. Inclinou-se novamente no lago, lavando a camiseta
torcendo-a em seguida. Voltou-se para mim e limpou todo meu rosto.
–Pronto! Agora está ainda mais linda! –ele disse com o
semblante preocupado.
Sorri.
–Obrigada Rafa.
–Ana, posso falar uma coisa?
Fiz que sim com a cabeça.
–Nunca mais fala que me odeia. Eu te amo sabia? –ele
falou tristemente.
Fiquei
atordoada. Rafael foi em minha direção, olhando no fundo dos meus olhos e me
beijou os lábios. Dessa vez, abri os meus, me permitindo ser beijada. Alguns minutos
depois, abri meus olhos; ele ainda estava com os olhos fechados, mas sorriu
assim que os abriu e olhou para mim.
Ficamos abraçadinhos, olhando para o outro lado do
lago, onde só havia montanhas bem ao fundo, uma vegetação extensa e grandes
árvores por toda parte. Estiquei meu braço apontando o outro lado do lago.
–É lá que eu vou morar um dia. Irei construir a minha
casa bem ali, do outro lado do lago.
–Vou fazer uma casa bem linda para você. Será a nossa
casa! –ele falou todo orgulhoso.
E ficamos ali, olhando para o nosso futuro.
2
Levando um susto
Senti um corpo quente pressionar o meu. Abri os olhos
e vi que meu quarto havia sido invadido pela luz do sol. Estiquei minha mão
para pegar meu iphone que ficava sobre uma mesinha ao lado da minha cama, e já
passava das nove horas da manhã.
–Amor, vem aqui! –disse Léo me puxando para perto
dele.
–Léo, já passa das nove horas da manhã!
–Cacete, o quê? –perguntou Léo pulando da cama. –Minha
reunião começa em meia hora!
Léo caminhou até o banheiro do meu apartamento, vi seu
corpo totalmente nu, parecia um homem de revista, com seus músculos bem
torneados. Ouvi o chuveiro abrir, mas preferi continuar em minha cama por mais uns
minutinhos tentando voltar ao sonho que eu tinha acabado de ter com o Rafael,
sobre quando éramos crianças.
Eu e Rafael, fomos criados juntos. E meus pais, Clara
e Fernando, assumiram a guarda do Rafael quando ele ainda era bem pequeno.
A mãe do Rafa morreu quando ele tinha meses de vida, e
seu pai o criou. Contudo, quando Rafael tinha três aninhos, o pai dele teve um
câncer nos pulmões, que o matou em meses. Porém, assim que descobriu a doença,
recorreu a vários médicos, vários tratamentos, pois era um homem de posses,
único herdeiro de uma série de usinas, mesmo assim, depois de tentar de tudo,
os médicos diziam que o caso dele era questão de dias, no máximo meses.
Ele saiu de
Porto Alegre desesperado atrás do meu pai, pois eles eram amigos de infância. Meus
pais já moravam em Canela, numa grande propriedade, e só tinham a mim de filha,
e eu tinha um aninho de idade.
Eles se sensibilizaram com a história do velho amigo
de infância e imediatamente foram atrás dos papéis para assumir a guarda do
Rafael.
O pai de
Rafael, queria que meu pai usasse parte do dinheiro que ele deixara para ajudar
nos custos da criação do filho. Mas meu pai se recusou, só usaria esse dinheiro
quando o Rafael fosse maior de idade, e tivesse planos para o seu futuro.
Minha mãe
dedicou-se em tempo integral, para cuidar do amigo. Mas dois meses depois, ele
virou estrelinha, como ela nos dizia.
Eu e Rafael éramos inseparáveis. Descobri meu amor por
ele aos oito anos de idade, e ele tinha dez anos.
Rafael me infernizava demais, não parava de implicar
comigo, mas no fundo eu sabia que ele também me amava.
Minutos depois Léo entrou no quarto novamente. Abri os
olhos e ele estava na minha frente, inclinado dando-me um beijo no topo da
cabeça.
–Acorda meu amor!
Fiz que sim com
a cabeça e em seguida me espreguicei toda.
–Nossa, acabei pegando no sono.
–E aí, gostou do seu anel? –Léo perguntou com um
sorriso nos lábios. Seus olhos azuis se destacavam na camisa branca e terno
escuro.
Olhei para as minhas mãos, vi aquele anel lindo, um
solitário em ouro amarelo, e sorri.
–Se gostei? Eu amei! –disse olhando para o anel,
parecendo uma criança olhando para um brinquedo novo.
–Bom, minha noiva, então agora preciso ir.
Sentei-me na cama, estava totalmente descabelada.
–Vejo você à noite? –perguntei.
Ele olhou para mim sorrindo.
–Claro que sim! Quero te levar para jantar. Assim comemoramos nosso noivado.
Eu concordei sorrindo. Ele me beijou e saiu.
Leonardo Meddina, mais conhecido como Léo Meddina,
trabalhava em uma multinacional norte-americana, com matriz em Seattle. A
empresa funcionava em resgatar empresas que estavam à beira da falência; eles
agiam injetando milhões nessas empresas, e quando elas engrenavam novamente no
mercado financeiro, eles recebiam em troca parte das ações.
Léo era um dos financeiros da empresa, mas almejava
ser o diretor financeiro, então trabalhava mais do que podia. Morava em
Seattle, vinha ao Brasil pelo menos uma vez ao mês. Então nosso namoro se
baseava em ligações e constantes trocas de mensagens.
“Eu, noiva? ”
–perguntei para mim mesma pensativa.
Levantei, tomei um banho, me arrumei e fui para
agência. Trabalhava na TG3 PUBLICIDADES. Uma das agências publicitárias mais
bem conceituadas de São Paulo.
Assim que entrei no escritório Dani veio em minha direção.
–Ana, sua mãe te ligou uma duas vezes, disse que está
tentando falar com você desde ontem. Cadê seu celular?
Dani era a secretária da minha equipe formada por mim,
Alessandra, Willian e Lucas. Ela não era
o nosso braço direito; era nossos dois braços. Ficava responsável pelos nossos
compromissos, horários, contatos com os clientes entre milhares de outras
coisas. Não ficávamos mais sem ela nenhum minuto.
–Como assim? Ela me ligou? Eu não vi!
Tirei meu iphone da bolsa e só então vi cinco chamadas
do celular da minha mãe e outras sete chamadas de um número que eu não
conhecia.
-Droga! Meu celular estava no silencioso. Disse
franzindo o cenho.
Entrei em minha sala, jogando minha bolsa por cima da
mesa. Disquei o número da minha mãe; chamava, chamava e ninguém atendia. Então
tentei o outro número.
–Alô. –disse uma voz grossa, masculina, do outro lado.
–Quem fala?
–É o Rafael. Oi Ana, tudo bem?
Senti meu chão estremecer, minhas pernas amoleceram.
Puxei uma cadeira e me sentei para não cair.
–Rafael? Quanto tempo! Aconteceu alguma coisa?
Ele suspirou.
–Ana, ontem seu pai teve um princípio de infarto. Ele
precisou ser internado. Mas pediu para te ligar.
–Nossa
e por que vocês não me ligaram ontem mais cedo?
Ele
ficou em silêncio.
–Eu
ia te ligar, mas a madrinha disse que não queria te preocupar. Mas assim que
ele acordou, ele perguntou de você. E então ela tentou te ligar, mas não
conseguiu te encontrar. Tentamos várias vezes.
Então
lembrei-me que como eu ia acompanhar o Léo em um jantar beneficente, saí mais
cedo da agência, fui ao salão de beleza e depois fui buscar o Léo no aeroporto.
–É
verdade Rafa, meu celular ficou sem bateria, e depois eu o esqueci no modo
silêncio, me desculpa!
–É
a Ana? Me deixa falar com ela. –disse minha mãe ao fundo.
–Ana,
sua mãe quer falar.
–Oi
filha, desculpe! Não queríamos preocupar você. Seu pai teve um princípio de
infarto, mas como o trouxemos logo, conseguimos evitar que a parte do músculo
cardíaco morresse. –disse ela rapidamente.
“Isso
porque ela não queria me preocupar! ” Quase morri ao saber da situação do meu
pai.
–Mas
filha foi um grande susto, ele chegou até a desmaiar de tanta dor, sorte que
seu irmão foi rápido.
–Mas
mãe, e agora? –perguntei aflita.
–Agora
ele está bem, está sendo medicado. O trouxemos na madrugada de ontem, ele ficou
em observação ontem o dia todo e a noite toda, e hoje provavelmente irá para
casa. Mas ele pediu para te ver, acho que ele também assustou, filha. Você conhece seu pai, ele nunca fica doente.
–Fica
tranquila mãe, darei um jeito, e irei vê-lo ainda hoje. E só vi agora as
chamadas, justo ontem fiquei fora da agência quase o dia todo, depois à noite
fui a um jantar com o Léo, e meu celular não sei o porquê, mas estava no modo
silencioso.
–Mas
Ana, você está cheia de serviço, será que você consegue vir?
–É
claro! Vou agora mesmo falar com meu chefe, eu nunca tiro férias, ele não vai
me negar.
Minha mãe suspirou aliviada.
–E
seu namorado? Ele veio esse final de semana só para te ver, traga ele.
–Não
se preocupe mãe! O Léo está cheio de compromissos. Amanhã tem uma reunião
importante aqui em São Paulo; ele quis aproveitar a viagem para fazer essa
reunião. E ele também não vê os pais há alguns meses.
–Tudo
bem, filha! Vê o que você consegue fazer e depois me liga. Te amo Ana!
–Também
amo vocês. –respondi.
Senti-me
um lixo de filha. Fazia cinco anos que morava em São Paulo e em todo esse tempo
não havia mais voltado para casa. Meus pais me visitavam algumas vezes ou
combinávamos uma viagem, embora, não era sempre.
Eles nem conheciam o Léo pessoalmente. Sempre
falava que o levaria para Canela, mas nunca dava certo. Fazia oito meses que eu
não via minha mãe, só conversava com ela por telefone ou Skype. Meu pai fazia
ainda mais tempo. Pelo menos, eles tinham o Rafael que estava sempre por perto.
Sem
pensar fui até a sala do Théo.
–Théo,
preciso falar com você. –disse batendo na porta e já entrando.
Théo
estava analisando alguma coisa no notebook e nem olhou para mim.
–Théo
preciso de uns dias de férias.
–Então
somos dois! –ele respondeu ainda olhando para tela do notebook.
–Estou
falando sério Théo! Meu pai que não está muito bem.
Ele
olhou para mim por cima dos óculos.
–Oh,
Ana, sinto muito! O que houve?
–Foi
um princípio de infarto. Agora está tudo bem, mas ele queria me ver.
–Ah,
se está tudo bem você não precisa ir até lá.
–Théo,
é meu pai! –disse-lhe exasperada. –E há quanto tempo eu não tiro férias?
–Quantos
dias? –disse ele parecendo irritado.
–Um
mês, quero aproveitar para curti-los um pouco, já faz alguns anos que eu não
apareço então...
–Cacete,
está falando sério Ana? Estamos entrando na segunda quinzena de fevereiro,
estamos lotados de serviço. Você sabe que o Brasil só engrena após o carnaval.
E agora que ele passou, temos que pegar firme.
–Théo,
sei disso. Mas não imaginei que isso aconteceria. Por favor, nunca te peço
nada!
–Tá
bom, Ana! –disse ele com olhar complacente. –Agora vai antes que me arrependa.
Hesitei.
–Humm
Théo, mais uma coisa! Mais uma vez me olhou por cima dos óculos.
–Vou
viajar, tirar férias; então eu preciso receber.
–Ei,
você recebe dia dez, depois deposito na sua conta.
–E
hoje é que dia Théo? Já é dia doze.
–Ana
Holpe, você mata, garota. –ele respondeu arqueando as sobrancelhas.
Sacou
o talão de cheques da gaveta e o preencheu. Assim que foi me entregar, viu meu
anel de noivado, soltou um assobio.
–Humm,
que belo solitário.
Olhei para o anel, havia até me esquecido
dele.
–O
Léo me deu ontem, estamos noivos. –disse fazendo careta.
Théo
fez cara de assustado. Pegou o cheque de volta verificando algo.
–Cacete,
não! Hoje é meu aniversário de casamento, eu me esqueci!
–De
novo Théo? Te lembrei o ano passado! E
te lembrei ontem assim que eu saí! Ainda assim você se esqueceu?
Da
outra vez que ele esqueceu o aniversário de casamento, Vanessa a esposa dele
quase o matou. Ele era uma pessoa maravilhosa, mas sempre colocou o trabalho em
primeiro lugar, e acabava deixando a esposa em segundo plano.
Ele
cobriu o rosto com as mãos.
–Você me lembrou mesmo! Mas hoje me esqueci
completamente. Vou me matar! Ela vai me matar. E agora Ana, o que eu faço?
Olhei pra cima para pensar em algo.
–Tive
uma ideia, mas você vai ter que colocar a mão no bolso.
Ele
fez careta.
–Faz
assim! Arruma um lugar lindo, paradisíaco, faz um reserva para hoje mesmo.
Mande o motorista ir buscá-la, sem dizer a ela aonde ela vai. Aí vocês se
encontram e seguem para destino. Diga a ela que você queria que ela pensasse
que você havia esquecido.
Ele
olhou para mim franzindo o cenho.
–De
onde você tirou isso? E onde eu arrumaria um lugar paradisíaco assim de uma
hora para outra?
Mais uma vez eu coloquei a cabeça para pensar.
–Você
se lembra daquele lugar lindo que nós fizemos as fotos para a Dumont? É perfeito,
e tem um hotel que é um espetáculo.
–Hum,
era bem bonito mesmo. –ele respondeu empolgado.
–Então,
liga para lá e reserva para esse final de semana, contando com hoje, em duas
horas vocês estarão lá. Ela vai amar.
Théo
balançou a cabeça concordando.
–Você
tem razão, eu devo isso a Vanessa! Passa-me os números aí.
–Ah,
agora você procura! Tenho que ir.
–Não
Ana! Você joga tudo isso no meu colo e saí.
Bufei
ao ver o comodismo dele, interfone a Dani em seguida.
–Dani,
vem aqui e traga a lista dos nossos clientes e contatos, chame o Willian e a
Alessandra.
Procurei
em meu celular o número do amigo do Léo que tinha um jatinho particular.
–Fala
Ana. –disse Willian entrando na sala e se jogando na cadeira do Théo.
Willian
era um amigo e tanto, era um publicitário maravilhoso, mas vivia querendo
competir comigo, até que um dia Théo nos colocou para fazermos uma campanha
juntos, o resultado foi tão bom que nunca mais nos separamos. O único defeito
dele é que mesmo ele sendo casado e com dois filhos, ele era amante da
Alessandra, minha melhor amiga e nossa companheira de trabalho.
–Willian,
você se lembra daquele hotel que nós ficamos quando fomos fazer as fotos da
Dumont?
Ele ficou pensativo.
–Aquele
que você e a Alessandra começaram a....
–Nossa
precisa escancarar. –disse Willian, como se o caso deles fosse segredo para
alguém.
–Me
lembro que você anotou todos os números para vocês voltarem lá uma outra vez.
–Eu?
Nunca voltei lá. –respondeu ele.
–Voltamos
sim, como não! Não faz nem cinco meses, lembra daquele feriado que sua mulher
viajou? –disse Alessandra entrando na
sala como se fosse um rojão.
Ele
balançou a cabeça e soltou um risinho sem graça. Sacou o celular procurando o
número.
–Pronto,
achei!
–Alessandra,
liga lá, por favor, faz uma reserva para agora, fala que é para o final de
semana todo. O Théo vai pra lá com a Vanessa.
–Hum,
esqueceu de novo Théo? –perguntou a Alessandra sorrindo.
Ele
fez que sim com a cabeça.
Anotei
o número do piloto amigo do Léo, e entreguei para a Dani.
–Dani
liga agora para esse número, e já vê o horário que ele tem disponível, fala que
é urgente.
–Ah,
vê o preço! –disse o Théo, do outro lado da mesa, fazendo careta.
Alguns
segundos depois Alessandra veio em nossa direção.
–Pronto
reservado Théo! Pode entrar hoje a partir do meio dia e sair na segunda-feira
até o meio dia.
Dani
também retornou com um sorrisinho.
–Onze
horas Théo, é o único horário disponível do piloto.
Ele passou a mão em seus cabelos e olhou para
mim.
–Nossa
você trabalha rápido hein? Porque não trabalha com essa velocidade todos os
dias?
–Esqueceu
que eu recebo por hora seu bobo? –falei dando de ombros.
–Ana,
mas e as roupas, como eu faço?
Nessa hora a Alessandra que também estava
sentada ao lado do Willian fazendo carinhos na perna dele disse:
–Onde
a Vanessa está a essa hora?
–Academia.
–respondeu Théo.
–Corre
para lá e faça as malas você mesmo. –disse Alessandra.
Olhei
para Théo concordando.
–Ah,
me mostra seu anel. –ela disse puxando minha mão.
–Que
maravilhoso Ana! É perfeito. Olha isso amor! Dá um desse pra mim?
–Só
seu eu ganhar na mega-sena. –respondeu o Willian. Com o salário que o Théo me
paga, não pago nem a pedra do anel.
Alessandra fez biquinho.
–Pronto,
meu motorista está vindo me buscar. Disse Théo parecendo menos preocupado.
Ele
caminhou até mim, me dando um abraço de urso.
–Como
irei viver sem você, durante um mês?
–Você
sobrevive! Posso ir?
–Como
assim um mês? Aonde você vai que não me contou? –disparou Alessandra.
–Lê,
meu pai teve um princípio de infarto, minha mãe me ligou e disse que ele quer
me ver, então eu preciso ir para Canela.
–Tadinho
Ana! Mas um mês? –ela protestou fazendo biquinho. –Como irei sobreviver sem
você todo esse tempo?
Sorri e a abracei.
Alessandra
era linda, estatura média, tinha um corpo lindo, seios bem fartos, cabelos
longos com alguns cachos nas pontas e um olho azul de dar inveja. Mas era totalmente
desmiolada. Fazia e falava tudo o que tinha vontade. Alessandra era de família
bem humilde, então tudo o que ela conquistou era graças ao seu empenho e
esforço. Assim, Lê sentia-se no direito de não ligar para nada que os outros
falavam, a vida era dela e ela fazia o que lhe era certo. Admirava isso nela.
Apesar de não concordar com o fato de ela ter um caso com o Willian, que era
casado. Mas, tornou-se uma coisa tão comum para gente, que eu acabava me
esquecendo que Alessandra era a amante e não a esposa.
Alessandra
sussurrou em meu ouvido.
–Sua
danada! Você irá ver seu meio irmão gato?
Sorri.
–Me conta tudo hein Ana! Proíbo você de ficar
um dia sem me ligar.
–Prometo!
–disse fazendo sinal de escoteiro.
–Théo
agora meu cheque, por favor!
–Ah,
ai meu Deus, já estava me esquecendo.
–Você
me esfolou hoje hein Ana? –brincou Théo.
Sorri.
–Salvo
seu casamento e você ainda me diz isso?
Ele
sorriu e me abraçou novamente.
–Tchau
amores!
–Anaaa,
me liga, todos os dias! –gritou a Alessandra ainda da sala do Théo.
–Ana,
seu voo é às três horas, direto. –disse Dani.
Corri
para o meu apartamento, arrumei minhas coisas, tomei um banho. Olhei-me no
espelho eu suspirei. “Será que depois de tanto tempo sem ver o Rafael, irei
sentir por ele o que eu sentia quando era adolescente? Será que ele vai me
achar bonita”?
Me
achava tão desajeitada, alta, magra, e sem graça. Pelo menos meus seios faziam
algum volume. Escovei meus longos cabelos castanhos claros, passei uma
maquiagem bem natural, rímel e lápis destacando meus olhos verdes e um gloss
cor de boca. Coloquei uma calça preta, regata preta e um casaquinho off whitte.
Tentei
ligar para o Leonardo, mas só caixa postal. Liguei para minha mãe.
–Ana,
filha e aí? Falou com seu chefe? Você conseguirá vir?
–Mãe
estou indo para o aeroporto, chego em Porto Alegre em torno das cinco horas.
–Sério
filha? Nem acredito! Nando, a Ana está vindo! Ela está vindo Rafael! Filha
estamos chegando em casa. Mas pedirei para alguém ir buscá-la em Porto Alegre.
–Não!
Pode deixar que eu chamo um taxi.
–Está
doida filha? Com um monte de funcionários na fazenda, vou deixar você vir de
táxi? Nem pensar! Darei um jeito.
Suspirei
concordando, não seria nada fácil argumentar com ela.
Três
horas da tarde meu voo saiu, por sorte sem atraso. Assim que o avião estava em
terra firme, peguei meu celular, havia várias chamadas do Léo. Liguei para ele
sem seguida.
–Oi
amor, você me ligou? O que aconteceu?
–Léo,
acabei de chegar em Porto Alegre, precisei vir ver meu pai, tentei falar com
você, mas não consegui.
–Sério?
Mas o que houve?
–Ah,
foi um princípio de infarto. Ele estava hospitalizado, mas agora já foi para
casa. Mas ele pediu para me ver; então falei com o Théo e ele liberou-me. Você
ficou chateado?
–Claro
que não amor! Me liga assim que chegar, nós vamos nos falando. Quando você
volta?
–O
Théo me deu um mês de férias.
Ele suspirou.
–Mais
um mês sem te ver? Léo me perguntou parecendo chateado.
–Eu
sei Léo, mas eu precisava vir, é meu pai.
–Claro,
Ana, eu entendo! Irei morrer de saudades, mas eu aguento.
–Depois
te ligo. –falei.
–Amo
você Ana!
–Também
amo você.
Desliguei o telefone, respirei fundo. Não
sabia o que eu encontraria pela frente, tanto tempo sem voltar para casa, tanto
tempo sem ver o Rafael, não imaginava como seria minha reação ao vê-lo.

Esse vou acompanhar em tempo real. Se bem que o outro peguei pronto e nao sofri esperando. Kkkkkk. Não demora pra postar hein....
ResponderExcluirErika
ResponderExcluirSó posso dizer: sensacional!
Já me conquistou! Ansiosa pelo que virá hahaha
ResponderExcluirAhhh ameiiiiii muitooo ... vai nos surpreender novamente, com toda certeza. bjocas
ResponderExcluirÉ LINDO NÃO VEJO A HORA DE LER MAIS BJS
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