Faça por mim
Parte 13
Fiquei ali como se
estivesse petrificada, sem chão, congelada por alguns instantes. Senti náusea,
precisava de ar, precisava digerir aquelas palavras.
Abri a porta de
correr de vidro que dava para sacada, e tentei deixar o ar entrar novamente em
meus pulmões. Senti meu coração dilacerado. As lágrimas começaram a inundar
meus olhos.
Rafael foi até
mim, parecia arrasado, mas fiz sinal para ele me deixar sozinha. Então ele
caminhou e sentou-se novamente na poltrona escondendo o rosto
Fiquei olhando
para o nada por alguns minutos, amaldiçoando tudo o que eu havia dito naquela
nossa última noite na casa do lago. Amaldiçoei cada palavra que saiu da minha
boca. Amaldiçoei a mim mesma por ter dado ele de bandeja para Fernanda. Sem ao
menos eu ter tentado ou ter lutado para ficar com ele. E também o amaldiçoei
por ele ter decidido casar-se com ela. Afinal, no fundo, eu achava que isso nem
passasse pela cabeça dele. Mas mais uma vez eu estava errada. O meu coração
havia sido estraçalhado em mil pedaços.
—Ana, fala comigo,
pelo amor de Deus! —ele disse indo em minha direção.
Não tinha ao menos
coragem de olhar nos olhos dele. Passou pela minha cabeça, todas as lágrimas
que havia chorado ao saber sobre a minha gravidez e depois quando perdi o bebê.
Assim como as palavras da Alessandra: “ Talvez aquele não fosse o momento
certo. ” E ela tinha razão, pois por mais dolorido que fosse aceitar, o fato
era que se eu estivesse gravida do Rafael, eu estaria ainda mais no fundo do
poço.
Respirei fundo.
—Você não
precisava ter tido todo esse trabalho, de vir até aqui para me contar. Poderia
ter me ligado, mandado uma mensagem, sei lá. Acho que doeria menos. —falei
olhando na direção do céu escuro bem à minha frente.
—queria que você
soubesse por mim, só por mim! Você não sabe como foi difícil vir até aqui,
ensaiando o que eu ia te dizer. Não planejei isso! Não imaginava que eu não
fosse me controlar ao ver você, mas eu não consigo Ana! Quando te vejo, perco
meu chão, perco a minha razão. Quando vi você entrando naquele bar, fiquei
desarmado. Quando nossos olhares se cruzaram de longe, tive vontade ir te
encontrar correndo e te beijar. Eu, eu não consigo nem olhar nos teus olhos,
que tenho uma enorme vontade de tomá-la em meus braços. Você exerce um poder
sobre mim que não sei de onde vem.
Eu o escutei, mas
não conseguia dizer nenhuma palavra. Então suspirei fundo e o encarei.
—Agora você
entende o porquê eu não fiquei em Canela? No fundo eu sabia que isso
aconteceria.
—Não Ana! Se você
tivesse ficado seria tudo diferente.
—Não seria Rafael!
Digamos que no começo as coisas até seriam diferentes, mas e depois? Depois que
seu filho nascesse, essa aproximação de vocês dois acabaria se resultando nisso.
O olhar dele
parecia suplicar para que eu o perdoasse.
Por toda a
tristeza que eu carregava em meu peito; minha razão me dizia para eu deixar meu
egoísmo de lado, afinal, por mais dificil que fosse, ele estava agindo o mais
corretamente possível.
Nesse momento eu o
encarei.
—Você está fazendo
o que tem que ser feito. Eu não esperava menos de você!
Voltei para o
quarto, peguei meu casaco e minha bolsa e saí, deixando-o sozinho. Alguns
instantes depois, Rafael correu atrás de mim chamando pelo meu nome, quando ele
chegou bem perto a ponto de segurar a minha mão o elevador se abriu, com várias
pessoas dentro. Olhei para a mão dele sobre a minha, mas a soltei, entrei no
elevador e virei ficando de frente para ele. Rafa deu um passo para trás
enquanto a porta do elevador se fechava.
Saí do hotel,
totalmente desnorteada, dirigi cerca de uma hora sem rumo, mas depois segui
para o meu prédio.
22
Corações
perdidos
Assim que cheguei
ao meu apartamento, joguei minha bolsa e meu casaco pelo chão, tirei meus
sapatos chutando-os da minha frente, fui para meu quarto chorando. Alguns
minutos depois, meu interfone tocou, era o porteiro.
—Dona Ana, tem um
moço aqui desesperado para falar com a senhora.
Sequei minhas
lágrimas com as costas das mãos.
—Diga para ele ir
embora. —disse batendo o interfone na cara do porteiro.
Em seguida
interfone tocou novamente.
—Dona Ana, o moço
está desesperado! Disse que não é daqui, e que não irá embora, até falar com
você.
—Já disse, diga
para ele embora.
Parei e suspirei, tentando me recompor.
—Tudo bem, diga a ele
para subir.
Em menos de cinco,
minha campainha estava tocando. Assim que abri a porta, Rafael me puxou para os
braços dele e abraçou-me desesperadamente. Ficamos abraçados na entrada da minha
sala por alguns minutos, como se o mundo fosse acabar e nunca mais nos
veríamos.
Depois de um longo
tempo abraçados, Rafael me soltou segurando apenas meu rosto entre as suas
mãos.
—Ana, não faz
assim! Estou me sentindo perdido, sem saber o que fazer. No fundo rezei para
que você me pedisse pra eu não fazer isso, para ficarmos juntos. Sei lá, mas eu
tinha esperança de você jogar tudo para cima e voltar comigo. Eu sei que é
loucura. Mas era assim que eu gostaria que fosse.
Olhei para o
Rafael e passei a mão pelo seu rosto que estava aflito. Pensei em dizer a ele
sobre o bebê que eu havia perdido. Mas aquilo só lhe causaria ainda mais
sofrimento. E eu não tinha o direito de fazê-lo sofrer ainda mais.
—Rafael, eu tinha
tantas coisas pra dizer a você. Você não faz ideia. Mas por mais que esteja
doendo, tenho que admitir que você está agindo corretamente. Por mais doloroso
que seja, você está no caminho certo. E eu só tenho que lhe apoiar.
Ele me abraçou
novamente e ficamos em silêncio. Não havia mais nada a ser dito. Depois de algum
tempo nós nos olhamos.
—Posso ficar aqui
essa noite com você?
Só fiz que sim com
a cabeça.
—Vou tomar um banho,
não demoro. Fica à vontade. —eu disse, deixando-o sozinho na minha sala.
Eu desmoronei sob
o chuveiro. A minha dor era tanta que não tinha como explicar. Foi como se um
filme passasse em minha cabeça, começando por quando éramos crianças, depois
adolescentes, nossa primeira noite, nossas trocas de olhares, mesmo sem nos
conversarmos mais, depois quando voltei para Canela, nosso beijo na caminhonete
dele, nós dois em frente ao lago, eu conhecendo a casa no lago, nossas noites
de amor naquela casa, quando descobri sobre minha gravidez, depois a dor que senti quando perdi o bebê e por fim a dor ao
saber sobre o casamento dele com a Fernanda.
Minha vontade era
de não sair daquele banheir nunca mais, para não ter de encará-lo novamente. Ficava
imaginando ele em meu apartamento. Eu que tinha esperado tanto tempo por aquilo,
mas quando finalmente isso acontece, ele simplesmente estava de casamento marcado.
Algum tempo
depois, muito relutantemente, saí do banheiro enrolada na toalha, Rafael passou
os olhos por mim mas desviou o olhar. Entrei em meu quarto, tranquei a porta,
vesti um pijama de calça de malha e blusinha; penteei os cabelos e voltei para
sala.
Rafael estava
deitado no meu sofá de três lugares, olhando para o teto. Mas em seguida olhou
para mim, era como se olhasse para dentro da minha alma.
—Por que a nossa
história tinha que ser assim?
Fiz que não sabia
com a cabeça. Sentei-me em uma poltrona, ficando de frente para ele, ficamos em
silêncio, cada um perdido em seus pensamentos.
—Quando é?
—O quê?
—O grande e feliz
dia. —falei com desdém.
Ele balançou a
cabeça em tom de negação.
—Daqui quinze
dias.
—Nossa! Caramba!
Tão rápido assim?
Era como se outro
golpe me atingisse.
—E agora que você
me avisa. O que eu vou vestir? —disse ironicamente.
Ele não esboçou
nenhum sorriso.
—Serei sua
madrinha?
—Só se você
quiser. Achei que você nem fosse querer ir.
Fiquei quieta.
Levantei, abri a porta de correr da sacada e deixei o ar invadir a sala. Segui
em direção da cozinha.
—Está com fome?
Rafael fez que não
com a cabeça.
—Mas você deve
estar. —insinuou ele, levantando-se e se juntando a mim na cozinha.
Abri a porta da
geladeira para ver o que tinha na geladeira. Água, refrigerante zero, água de
coco em caixinha, maçãs, suco, algumas garrafas de vinho, manteiga. Ele sorriu.
—Vou fazer um
macarrão, pode ser?
—Claro, qualquer
coisa pra ver você cozinhando. —ele disse sorrindo.
Coloquei a água
para ferver, enquanto comecei a fazer o molho branco com gorgonzola, que sabia
que ele adorava.
Rafa me ajudou
lavando as louças que eu ia sujando. Depois sentou-se no balcão da minha
cozinha e ficou me observando enquanto eu finalizava. Arrumei o balcão com os
pratos, talheres e taças; dividi o macarrão em dois pratos e comemos
acompanhado de um bom vinho.
Olhei ao redor da
minha minúscula cozinha e comecei a rir.
—Que foi? Está
perfeito!
—Não é isso! É que
você deixou de comer em um dos melhores restaurantes de São Paulo para vir
comer esse macarrão sem graça nessa cozinha minúscula?
—Duvido que lá
eles têm a vista privilegiada que eu tive. Principalmente com você usando essa
calça coladinha assim!
—Seu cretino! —disse
batendo no ombro dele.
Ele sorriu. Acho
que foi o primeiro sorriso dele que vi naquela noite.
—Mas e aí, você
está ansioso?
—Você não está
falando sério, está?
—Por que Rafael? É
uma nova etapa da sua vida, e muito importante.
Fingi tentando ser
indiferente.
—Ana, só estou
reparando o meu erro. Sei que esse erro me custou muito caro, custou a minha
felicidade. Então não tenho o porquê estar ansioso, feliz, ou coisa assim.
Fiquei sem saber o
que dizer a ele.
—Quando acompanhei
a Fernanda ao pediatra pela primeira vez, descobri o porquê de ela fazer tanta
questão que eu fosse. Soube que ela tem um problema bem sério no coração, e com
a gravidez esse problema tende a aumentar, então, ela não pode passar por
nenhum tipo de nervoso, ou stress, sei lá. O problema é que qualquer coisa pode
desencadear um problema maior e ser fatal para o feto e até para ela. Acho que
ela achou que isso me sensibilizaria. Foi então que eu falei para o médico dela
sobre o envolvimento que ela tinha com as drogas, e ele ficou alarmado. Então
ele a chamou para uma conversa, onde a alertou sobre os riscos das drogas sobre
o feto, e se ela fizesse uso de alguma droga durante a gravidez pode ser o fim
tanto pra ela quanto para o bebê. Foi só por esse motivo que resolvi me casar,
é unicamente por causa dessa criança.
Senti uma pontada
de ciúmes da Fernanda. E me imaginei no lugar dela, caso o Rafael tivesse
ficado ciente da minha gravidez.
—Você está
certíssimo Rafael! E não tem nem que me explicar o motivo. Só espero que ela
tenha escutado o médico e cuide bem dessa criança.
—Não é que eu
estou querendo te dar explicações. Eu só quero que você saiba que a Fernanda
não significa nada para mim, quer dizer, ela só é a mãe do meu filho ou filha,
que seja, mas eu não a amo. Eu amo você Ana.
O encarei sem ter
o que dizer.
Rafael abaixou a
cabeça, e permanecemos calados enquanto jantávamos. Mas depois começamos outras
conversas aleatórias e com isso secamos a garrafa de vinho. Rafael lavou os
pratos enquanto eu organizava a cozinha, e em seguida voltamos para sala.
—Você acha melhor
eu ir embora? —perguntou Rafael se jogando no sofá.
—Se você quiser
ficar aqui esta noite, não tem problema. Mas saiba que não acontecerá
absolutamente nada entre nós.
—E se eu não
resistir? —disse ele com um sorriso malicioso.
—Você vai resistir,
ou então é melhor ir embora. —falei seriamente.
Ele sorriu sem
graça.
Fui para meu quarto, arrumei minha cama que
era grande o bastante para que nós nem chegássemos perto um do outro. Fui
escovar meus dentes. Assim que voltei para o quarto, Rafael estava tirando a
camiseta, a calça, ficando só de cuecas boxer.
Deitei-me na cama enquanto ele foi ao banheiro. Minha cabeça estava a
mil, ter ele ali comigo, sem poder ao menos tocá-lo era como um sacrifício.
Rafael se jogou,
na minha cama ao meu lado. Eu me cobri e me virei para o lado oposto a ele.
Estávamos muito perto, mas ao mesmo tempo muito longe.
—Ana, preciso te
contar uma coisa.
—Mais? Desse jeito
você me mata, o que é? —falei virando-me para ele.
Ele abriu um
sorriso que iluminou meu coração.
—Usei sua escova
de dente.
Olhei para ele
séria, e depois comecei a rir.
—Seu bobo. —disse
enquanto o batia com meu travesseiro.
Rafael se apoiou
sobre o braço ficando bem perto de mim, e passou a mão por todo meu rosto.
—Você é tão linda,
Ana! Poderia olhar para você a vida inteira que nunca me cansaria.
Respirei fundo com
medo de ser traída por mim mesma.
—Rafa, é melhor a
gente dormir, já está tarde.
Ele apenas
concordou com a cabeça, sem dizer mais nada. Eu me virei novamente, ficando de
costas para ele.
Levei um tempo para dormir, e sentia que ele
também não havia dormido.
—Posso te falar
mais uma coisa? —ele disse suspirando.
—Pode! —disse continuando de costas.
—Eu te amo Ana,
essa é a única certeza que eu tenho na minha vida.
Fiquei em
silêncio. Suspirei, não sabia o que falar, quer dizer eu sabia, mas não podia.
Minhas lágrimas
começaram a cair silenciosamente, mas não deixei que ele percebesse.
—Boa noite Rafael!
Enrolei-me feito
um caracol em meu edredom, e acabei pegando no sono.
Acordei, estávamos
dormindo de conchinha, as pernas dele entrelaçadas nas minhas. Olhei para o meu
relógio, era seis horas da manhã. Voltei a dormir. Não queria que aquele tempo
acabasse nunca mais.
Acordei com meu quarto claro, o sol já passava
pelas persianas. Naquele momento, passava das nove horas da manhã. Rafael não estava mais na cama. Ouvi um
barulho vindo da cozinha. Levantei e
quando me olhei no espelho, meu cabelo parecia o da Ana do Frozen na cena em
que ela acorda.
Tomei um banho
rápido escovei meus dentes, vesti um jeans claro, com uma regata preta, penteei
meus cabelos e fui para cozinha. Ele estava preparando café da manhã.
—Onde você achou
tudo isso, aqui? —disse apontando o leite, café, pão e alguns frios.
—Fui até a
padaria, queria te fazer uma surpresa, levando seu café na cama.
Sorri balançando a
cabeça.
—Sente-se aqui!
—ele disse apontando para a banqueta. Rafa estava fazendo meu pão na chapa com
manteiga. Serviu-me café, e colocou o pão diante de mim. Fiquei olhando
enquanto ele começou a preparar o dele. Rafael sentou-se ao meu lado e
começamos a comer.
—Que horas é seu
voo? —perguntei interrompendo o silêncio.
Ele tirou uma
mecha de cabelos ainda molhados da frente do meu rosto.
—Meio dia, mas eu
chamo um taxi.
—Pode deixar que levo
você.
—Mas você precisa
trabalhar.
—Ligo para a Dani,
e aviso que vou me atrasar.
Ele concordou.
Ainda estávamos
tímidos na presença do outro. Eu o ajudei com as coisas do café, e em um
determinado momento, onde nós dois estávamos na cozinha, nós nos esbarramos,
ficando a centímetros de distância. Seus olhos me imploravam para que eu o
beijasse, assim como os meus provavelmente. Ele se inclinou e quando nossos
lábios se tocaram em recuei.
—Eu... eu preciso
ir me arrumar e já volto.
Falei deixando-o
sozinho na cozinha.
Acabei de me arrumar,
coloquei brincos, relógio, um colar dourado sobre a regata, joguei um terninho
OFF White, sapatos nude. E saímos. Passamos do hotel, onde Rafael fechou a
conta e em seguida fomos direto para o aeroporto. Antes de ele embarcar, ele me
abraçou fortemente.
—Me desculpa Ana!
Seus olhos
transpareciam sua tristeza. Eu, imediatamente, dei um passo para trás.
—Estarei lá daqui quinze dias.
—Sério? —ele
perguntou surpreso.
—Não perderia ver você
de terno e gravata por nada. —disse dando de ombros.
Ele saiu, mas
voltou no meio do caminho, selando meus lábios. Eu mantive minha boca fechada,
contudo, depois a abri, retribuindo o beijo dele. O beijo dele era sem dúvida
nenhuma o melhor beijo do mundo.
—Eu te amo Ana,
nunca se esqueça disso! —ele disse em sussurro.
—Boa sorte Rafael.
Rafael sorriu
tristemente e se foi. Levando meu coração junto com ele. Saí de lá chorando,
arrasada e fui para a agência.
Assim que entrei,
me deparei com Théo andando de um lado para outro.
—Agora Ana? Aqui
agora é assim, cada um chega a hora que quer?
Passei por ele
seguindo para a minha sala, e ele foi atrás de mim.
—Eu avisei que ia
atrasar, fui levar o Rafael ao aeroporto.
—É sempre uma desculpa que vocês arrumam. Por isso que
essa porra não vai para frente! —ele gritou batendo a porta ao sair.
Alguém bateu em
minha porta, era a Dani, parecia um gatinho assustado.
—Ana, o homem está
atacado hoje! Já invocou com todo mundo.
—O que aconteceu
com ele?
—Não sei, mas acho
que é problema com a Vanessa.
O telefone tocou e ela saiu para atender.
—E aí garota? Me
conte tudo sobre ontem com aquele gato. —disse Alessandra adentrando com tudo
em minha sala. —Aliás minha amiga, você nunca me disse que ele era tão lindo
assim. Ele chega a ser ainda mais lindo pessoalmente do que por foto. Estou
chocada com tanto bom gosto.
Olhei para ela
fazendo cara de infeliz.
—O que foi, Ana?
—perguntou Alessandra puxando a cadeira para sentar-se.
Suspirei fundo e
contei-lhe cada detalhe.
Alessandra ficou
como eu, em choque, mas depois acabou me dando uma lição de moral.
—Você sabia que
isso iria acontecer. Você quem facilitou as coisas fugindo daquela maneira.
—Eu não fugi. Fiz
o que era certo, ou pelo menos eu achava que era certo.
—Certo para quem?
Para os seus pais, pra sociedade? Mas e sua felicidade, Ana, não conta?
Balancei a cabeça.
Alessandra estava coberta de razão.
—Se você está
querendo me deixar ainda pior, está conseguindo.
Alessandra
respirou fundo. Levantou-se e andou pela minha sala, com seu vestido reto
preto, justo ao corpo, um pouco acima dos joelhos, evidenciando que ela tinha
tudo devidamente no lugar.
—Está certo! Me
desculpa! Sou sua amiga e tenho que lhe apoiar até mesmo quando estou vendo as
burradas que você anda fazendo. Mas tudo bem, não vou criticar você, não mais.
Pode contar comigo para o que der e vier. É que eu quero ver você feliz, não suporto
ver você sofrer. Você é uma pessoa que não merece passar por tudo isso. Eu sim,
merecia, sei que faço coisas erradas, mas você não merece. E me fala uma coisa,
você disse a ele sobre o bebê que você perdeu?
—E do que
adiantaria? Só lhe causaria ainda mais tristeza. E ele já está infeliz o
suficiente.
—Assim como você,
não é?
Só fiz que sim com
a cabeça.
Ela caminhou até
mim e inclinou-se para me abraçar. E eu retribui o abraço o mais apertado
possível. Tudo que eu precisava era um ombro amigo para me consolar.
Mais tarde naquele
mesmo dia, eu, Willian e Alessandra estávamos reunidos criando um anúncio para
um cliente. Théo entrou na sala e sentou-se bem à nossa frente. Alessandra
começou a perguntar a ele o que ele achava das imagens que estávamos escolhendo
para a campanha, entretanto, ele parecia não estar lá.
—Hei, Théo, tudo
bem? —perguntou Willian vendo a cara de derrotado de Théo.
—A Vanessa me
deixou.
—Como assim?
—perguntei alarmada.
—Cheguei ontem, o
apartamento estava vazio; ela foi pra Curitiba morar com a mãe dela, disse que
se cansou dessa vida sozinha que ela estava levando.
Eu, Willian e
Alessandra nos olhamos.
—Ela volta Théo,
ela te ama. —eu disse.
—Não Ana! O
advogado dela já ligou para mim hoje pela manhã. Ela não quer nem me ver.
Willian passou a
mão pelos cabelos.
—Théo, olha, é
difícil cara, mas é só uma fase. Talvez ela queira apenas te dar um susto. Fica
tranquilo, ela volta.
—Está acabado
Willian! A Vanessa não me quer mais. Ela deixou isso bem claro.
Théo levantou-se e
saiu da sala, com a cabeça baixa. Alguém além de mim naquela agência também
estava com o coração partido e eu sabia a proporção da dor que ele estava
sentindo.
...
Os dias voaram, o
clima na agência foi ficando cada vez mais tenso. A Vanessa não tinha voltado
para o Théo, que estava cada dia mais triste.

Bom .... apesar de tudo, vamos pensar positivamente para que os próximos capítulos nos surpreendam com situações menos desesperadoras kkkkkk .... estou amando o livro e amo mais a cada dia. bjs
ResponderExcluirCada dia mais encantada com a história...
ResponderExcluirE que força tem a Ana...
espero que as coisas melhorem pra esses dois ,esse amor deles é muito lindo ,eles tem que se entender .......
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