Faça por mim
Parte 04
–Não, Rafael, eu, eu preciso ir!
-Ana, eu...
Cobri os lábios
dele com meu dedo.
–Eu realmente preciso ir!
Ele encostou sua testa
paralela a minha, ficamos nos encarando; porém, a vontade de continuar ainda
nos rondava.
–Tudo bem! –ele disse decepcionado.
Seguimos até a
casa dos meus pais em silêncio. Ele estacionou a caminhonete na garagem. Assim
que saiu, deu a volta e me ajudou a descer. Fiquei novamente frente a frente
com ele, nesse momento, não resisti, só fechei meus olhos e me entreguei
novamente aos beijos dele. Rafa me pressionou contra caminhonete, enquanto me
beijava, senti sua ereção contra meu corpo, o jeans da calça parecia querer
estourar. Ele beijou meu pescoço, voltou para os meus lábios. Foi quando vi uma
luz se ascender, vindo de dentro de casa. Afastei-me dele rapidamente e me
arrumei para entrar.
Quando que
entramos, minha mãe estava na cozinha.
–Vocês querem me matar? Ouvi o barulho da caminhonete,
mas vocês não entravam, achei que tivesse acontecido alguma coisa.
–Não, é que esqueci minha carteira no Open Door, estava
ligando para Déb verificar para mim se realmente estava lá.
–Sério Rafael e agora?
–A Déb me retornou à ligação, esqueci a carteira no
caixa. Ela irá guardar para mim e amanhã eu pego. Não quis telefonar daí de
dentro para não acordar vocês.
–Tudo bem meu filho.
–E aí, filha, gostou?
–Adorei mãe! Adorei a Rebeca e o Enzo, a Déb. Acabei de
falar para o Rafa, são pessoas excelentes. E também vi o Rafael tocando,
precisa ver, é perfeito.
Minha mãe sorriu
orgulhosa. Rafael serviu-se de um copo com água, bebendo-o em seguida
–Filha seu noivo ligou umas duas vezes.
–Meu celular acabou a bateria. –falei
franzindo o cenho.
–Ele pareceu chateado Ana, liga para ele amanhã.
Beijei o rosto dela.
–Fica tranquila mãe, amanhã falo com ele.
–Vocês querem que eu prepare alguma coisa para vocês?
Fiz que não com a
cabeça. O Rafa também não aceitou.
–Eu vou dormir, vejo vocês amanhã. –disse
enquanto subia as escadas.
–Também vou me deitar. –falou
minha mãe vindo em minha direção.
Olhei para trás,
Rafael estava me olhando, mas disfarçou.
–Ah, obrigada Rafael pela noite.
Ele sorriu eu e
minha mãe subimos em seguida.
Assim que entrei
em meu quarto, me vi desesperada, não queria voltar a sentir tudo o que eu
sentia pelo Rafael novamente. Eu devia isso a mim, depois de alguns anos eu
consegui apagá-lo da minha mente, então não podia me permitir ter uma recaída.
Deite-me em minha
cama e fiquei olhando para o teto, repassando tudo o que me aconteceu naquela
noite, as trocas de olhares, a discussão com a Fernanda, Rafael segurando minha
mão, a história que a Rebeca me contou sobre ele me amar desde quando era
adolescente. Até a Déb sabia sobre mim.
Mas mesmo assim,
se isso fosse verdadeiro, como meus pais reagiriam? É claro que da pior maneira
possível! Para eles, estaríamos cometendo um incesto.
Meus pensamentos foram ficando cada vez mais
confusos, minhas pálpebras foram pesando.
6
O melhor
presente
Era meu
aniversário de 15 anos, não estava nem um pouco animada. Meus pais sonhavam em
me fazer um baile de debutantes, mas eu não queria por nada no mundo, valsas e
vestidos cor de rosa não eram minha praia. Aliás, eu era muito reservada na
escola, nunca fui de ter muitos amigos, era muito retraída, e isso fazia com
que as garotas da minha idade se afastassem de mim.
Mesmo assim, meu
pai quis fazer uma festa. Não seria um baile, mas ele não queria que passasse
em branco.
O DJ começou a
tocar uma música da época. Uma colega da escola me puxou pela mão me levando
para a pista de dança. Estava dançando quando vi Rafael me olhando. Ele
conversava com seus amigos, mas não tirava os olhos de mim. Então o provoquei
dançando mais e mais.
Um garoto da
escola começou a dançar ao meu lado, e cada vez ficava mais perto. Comecei a
sentir-me incomodada e saí para beber alguma coisa.
Rafael estava em uma
roda de amigos da sala dele com algumas meninas dando mole, mas dei de ombros.
Fui até o barman que me preparou um coquetel sem álcool.
Novamente o tal
garoto da pista chegou perto de mim, e começamos a conversar. Ele parecia um
cara legal. Com certeza me interessaria por ele se eu fosse uma garota normal.
É claro normal, porque nenhuma garota normal se apaixonaria por seu irmão de
criação. E eu só tinha olhos para o Rafael.
O garoto tentava se esforçar para me chamar a
atenção, mas eu sempre acabava desviando o olhar e meu olhar se cruzava com o
do Rafael.
No final da festa,
meus pais estavam dando atenção para seus convidados. Minhas amigas estavam
indo embora, quando Bia, que era da minha sala, me chamou para acompanhá-la até
o lado de fora do salão. Eu fui e me deparei com o garoto.
–Ana, meu amigo Lucas quer falar com você.
Senti-me sem
graça.
–Mas eu preciso voltar, tem alguns amigos meus na
festa, preciso me juntar a eles. –falei, arrumando um jeito de sair.
O garoto sorria,
enquanto mascava seu chiclete.
–Fala com ele Ana! –disse
Bia, me empurrando para cima dele.
Ela se retirou em
seguida. Eu estava do lado de fora do Buffet, em um lugar que parecia um
jardim, estava bem escuro.
–Olha Lucas gostei muito de conhecer você, mas preciso
voltar. Meus pais ainda estão lá dentro, então...
Ele segurou meu
braço.
–Não antes de me dar o que eu quero.
Lucas puxou-me
contra ele, me segurando forte, meu braço chegou até a doer. Ele abriu a boca,
e me beijou com força. Detestei ser tratada daquela maneira, e o único garoto
que havia me beijado era o Rafael, e seu beijo era totalmente diferente.
Tentei empurrá-lo,
e Lucas de raiva mordeu meu lábio inferior, apertando meu corpo contra o dele
cada vez com mais força. Mais uma vez tentei reagir, afastando-o. Dessa vez
senti um esbarrão e o garoto caiu no chão. Assim que eu olhei, Rafael estava em
pé ao meu lado olhando para Lucas.
Lucas se levantou
e o Rafael acertou um soco rosto dele e ele cambaleou até cair no chão
novamente. Rafael me olhou apreensivo e foi em minha direção.
–Ana você está bem?
Ele colocou sua mão sobre meu lábio e ela
ficou suja com um pouco de sangue.
–Filho da puta! Eu mato esse garoto!
Rafael foi para
cima do Lucas novamente. O garoto que ainda estava no chão, se levantou e saiu
cambaleando, Rafael queria ir atrás dele, mas eu o impedi.
–Não Rafa, não faça isso! Vem vamos! –disse
apertando a mão dele.
Ele olhou furioso
para o Lucas, que parecia um animal assustado.
–Some daqui seu moleque, ou eu quebro você!
Lucas sem hesitar
sumiu das nossas vistas. Voltamos para festa, corri para o banheiro, lavei meu
lábio que estava sujo de sangue por causa da mordida.
Mais tarde naquela
mesma noite, já estávamos de volta à fazenda. Estava em meu quarto, mas não
conseguia dormir. Vi uma luz piscar na minha janela várias vezes. Corri para
ver o que era, quando vi que era o Rafael no gramado clareando meu quarto com
uma lanterna.
Desci para ver o
que ele estava aprontando. A casa estava toda em silêncio. Assim que cheguei ao
lado de fora, ele sorriu, pegou em minhas mãos e me puxou, me guiando para o
antigo escritório da fazenda.
Estava muito frio.
Eu vestia somente um baby doll de cetim branco, então senti minha pele arrepiar
em protesto ao ar gelado.
–Aonde vamos? –perguntei baixinho enquanto andava rápido.
Ele olhou para
trás com olhar de menino travesso.
–Shiu! Fala baixo! Tenho uma surpresa para você.
Entramos no
escritório, que estava iluminado por algumas velas. Olhei ao chão e havia uma
manta esticada e outra dobrada. Rafael ligou o som bem baixinho do seu celular,
que era o mais top da época. Começou a tocar Whish You Were Here do Pink Floyd.
–Ana, essa música será a nossa música! Promete que toda
vez que escutá-la vai se lembrar de mim?
Fiz que sim com a
cabeça.
–Eu vou aprender a tocá-la. E irei tocá-la para você,
eu prometo.
–Rafa você está doido? E se alguém pega a gente aqui? –perguntei
assustada.
–Está todo mundo dormindo. –ele sussurrou.
Ele passou a mão
em meu lábio.
–Tive vontade de matar aquele bastardo. Quando vi ele
segurando você, fiquei cego de ódio.
–E eu fiquei com medo, sabia?
–Eu sei Ana, mas agora está tudo bem! Jamais deixarei
alguém machucar você.
–Obrigada Rafa. –disse abraçando-o em seguida.
Ele olhou fixamente
para mim, mas depois acabou desviando o olhar para os meus peitos que estavam
marcando minha blusa.
Morri de vergonha
naquele instante e não sabia o que fazer.
–Senta aqui! –disse Rafael me abaixando para
sentarmos sobre a manta e cobriu nossas pernas com a outra manta que estava
dobrada.
Rafael se inclinou
e começou a beijar-me da maneira mais carinhosa o possível. Ele me beijava
apaixonadamente, inclinou-se seu corpo sobre o meu e eu acabei deitando sobre a
manta, enquanto nos beijávamos, senti sua ereção me pressionar, nunca havia
chegado tão perto de sentir aquela sensação. Meu corpo se arrepiava a cada
toque dele, estava louca. Rafa desceu uma alcinha do meu baby-doll, beijando
todo meu ombro, meu corpo gritava pelo dele, ele beijava todo o meu ombro e meu
pescoço e quando vi meu seio estava quase visível.
Rafael me olhou
envergonhado.
-–Desculpa Ana,
cheguei longe demais.
Olhei para ele,
ainda me sentindo zonza.
–Rafa, eu quero ser sua! Por favor, continue!
Ele olhou para mim
assustado.
–Não! Você não está pronta, e aqui não é lugar para
você.
–Estou pronta! E aqui está perfeito, temos até uma
música agora.
Ele sorriu,
inclinando-se e me beijando apaixonadamente.
–Mas você só tem
quinze anos. –ele sussurrou enquanto beijava meu pescoço.
Olhei para ele e
sorri. E você tem dezessete, não temos tanta diferença assim.
–Será minha
primeira vez também! E eu sempre quis que fosse com você. Não queria que fosse
com outra pessoa. –disse Rafa me encarando.
Sorri sentindo-me
a pessoa mais feliz da face da Terra.
–Serei seu para
sempre!
–Eu sou sua para
sempre! –respondi em seguida.
–Eu te amo, Ana!
–Eu amo você, Rafael!
Sorri em resposta. Puxei a blusa do meu baby-doll me livrando dela. E ele tirou sua
camiseta. E fizemos amor ali, pela primeira vez.
No dia seguinte,
assim que o vi, sorri para ele com meu melhor sorriso, ele abaixou a cabeça
evitando me olhar. A partir dali começou a me evitar, desviava o olhar toda a
vez em que me via, evitava ao máximo os lugares onde eu estava.
A dor do meu peito
parecia me arrebentar por dentro. Foi um ano de sofrimento, dia a dia
convivendo com ele dentro da minha própria casa e ele me evitando. Chorava
todas as noites, sem entender do porquê ele estava fazendo aquilo comigo.
Com 16 anos fui estudar no Canadá, ficar perto
dele estava me matando aos poucos, então precisei fugir dos meus sentimentos.
7
De volta ao
lago
Acordei assustada.
Olhei em volta e vi aquele quarto todo delicado que já estava todo claro por
causa do sol. Cobri meu rosto com minhas mãos.
“Não acredito que
sonhei com aquela noite novamente. ” –pensei comigo mesma. Queria apagar aquela
noite da minha memória, ela foi a melhor coisa que me aconteceu, mas acompanhada
da pior fase da minha vida.
Levantei fui até o
banheiro. Olhei no espelho conversando com meu próprio reflexo.
–Ana, isso foi um
aviso!
Tomei um banho,
vesti um short jeans com uma camisa branca e botinhas de cano curto. Fiz uma trança nos meus cabelos longos que
acordaram com vida própria naquela manhã.
Maria preparou um
café da manhã caprichado para mim, minha mãe sentou-se comigo me fazendo
companhia. Minha mãe me convidou para fazer umas compras no supermercado,
entretanto, disse que queria fazer umas fotos. Peguei minha câmera, e saí batendo
fotos lindas da paisagem.
Fui até o celeiro
e pedi para o Tomas preparar um cavalo para mim. E ele preparou um cavalo bem
mansinho. Tomas era o esposo da Maria, um senhor muito bom e educado. Já trabalhava
para o meu pai antes de conhecer Maria, meus pais sempre os ajudaram muito.
Assim que montei
sobre o cavalo, senti um pouco de medo, afinal, fazia muito tempo que não
montava. Minha câmera estava pendurada em meu pescoço, então segui o caminho do
lago que eu ia quando era criança, queria revê-lo e fotografá-lo. Saindo do
celeiro vi Rafael conversando com alguns funcionários bem em frente ao
escritório. Ele me mediu dos pés à cabeça e sorriu me acenando com a mão. Fiz
um oi, mas não sorri. Pudera, ainda estava traumatizada com meu pesadelo que me
rondava há anos.
O caminho até o
lago era perfeito, era alguns quilômetros da fazenda. As hortênsias pareciam
ter sido colocadas para enfeitar ainda mais o caminho que já era bonito por si
próprio.
Cheguei ao lago,
ele era rodeado de árvores, araucárias e hortênsias. Era o lugar que mais me
trazia paz no mundo. Amarrei meu cavalo em uma árvore e caminhei um pouco em
meio à natureza. Há alguns anos, aquele lugar era totalmente desabitado, mas
pelo o que eu pude ver, alguém, havia feito algumas melhorias por ali, até
estrada tinham feito entre o lago e as árvores, sendo que quando eu frequentava
aquele lugar, era tudo terra.
Avistei a árvore
que eu ficava quando era criança e sorri indo de encontro a ela. A árvore
ficava quase dentro do lado, quando eu e o Rafael sentávamos num dos galhos
dela que era bem torto, podíamos ficar com os pés dentro da água.
Achei curioso,
tinha um banco branco sob a árvore, coisa que há uns cinco anos não tinha.
Sentei-me no banco, olhando para aquele lago imenso e lindo, observei bem e
pude ver que construíram uma casa do outro lado do lago, bem onde eu dizia que
queria a minha casa. Só dava para ver que a casa era de uns dois andares e
parecia grande.
Peguei minha
câmera para fotografá-la, aproximando com o zoom constatei que era uma bela
casa, com uma parte toda em vidro. Com certeza alguém queria ter o lago como a
vista principal. Fiquei vendo a foto que bati, e me imaginei naquela casa.
Senti uma tristeza no peito, pois alguém assim como eu, tinha um sonho de ter
uma casa naquele lugar, mas quem quer que fosse, teve sorte maior do que a
minha, pois realizou o meu sonho.
Fiz várias fotos
da casa de ângulos diferentes, fotos do lago, das flores, da árvore na beira do
lago. Quando vi, Rafael estava aproximando-se de mim também a cavalo. Ele
prendeu seu cavalo próximo ao meu. E vi
que ele estava de tirar o fôlego. Uma calça jeans clara, e uma camisa azul bem
clarinha, dobrada nas mangas.
Chegou bem perto
de mim, e tirei uma foto dele. Ele sorriu, mas não correspondi. Fiquei quieta
olhando para o lago.
–Está tudo bem? –ele
perguntou segurando minha mão.
–Está sim!
Respondi clicando o rosto dele com minha câmera, agora bem de perto.
Olhei para a
frente, apontando para a casa.
–Bonita a casa,
não é?
Ele concordou com
a cabeça.
–Eu me lembro que
quando era criança, queria construir uma casa justamente naquele lugar.
–Eu lembro disso!
E lembro que falei que seria a nossa casa, você se lembra? –ele indagou.
Eu ri.
–Nosso primeiro
beijo foi aqui Ana.
–É me lembro
disso. –respondi sem hesitar. –É, como o tempo passa! O tempo passou e levou
meus sonhos todos com ele.
Rafael colocou a
mão sobre minha perna. Virando-se bem de frente para mim.
–Ana, eu...
–Olha Rafael. –disse
interrompendo a frase dele. –Sobre ontem, não era para ter acontecido, não podia
ter acontecido.
–Por que você está
dizendo isso?
Suspirei.
–Não é certo isso,
e principalmente não é justo comigo. Depois de tantos anos, eu não quero me
machucar de novo.
Sorri, mas senti
meus olhos encheram-se de lágrimas.
–Mas Ana, ontem
foi tão verdadeiro. Foi como se nós nunca tivéssemos nos separado.
Ele parecia desesperado.
–Eu sei que foi,
mas eu pensei bem. Ontem eu bebi bastante, você também bebeu e nos
precipitamos.
Ele passou a mão pelos cabelos, demonstrando
nervosismo.
–Rafa, não posso
mais me permitir sentir por você o que eu sentia. Você me machucou demais.
Agora que me curei de você não pretendo me machucar novamente.
Rafael
levantou-se, saiu de perto de mim, mas depois voltou e pegou em minhas mãos,
suas mãos estavam geladas.
–Ana, a verdade é
que nós nunca deixamos de nos amar, o tempo passou, mas assim que nos vimos,
tudo àquilo que sentíamos voltou à tona. Comigo pelo menos foi assim. Você
precisa acreditar em mim, nunca me esqueci de você, vivi esses anos todos
esperando por você.
Nesse momento olhei
no fundo dos olhos dele, eles pareciam transparecer sua alma.
–Você me ignorou
por anos. Como eu posso simplesmente acreditar que você esperou todo esse tempo
por mim?
Rafael cheirava a
banho e seu perfume tirava os meus sentidos.
Ele beijou-me o
topo da cabeça e depois afastou uns fios de cabelo que estavam em meu rosto por
causa do vento.
–Hoje à noite,
preciso muito te mostrar uma coisa. É muito importante para mim. Tenho certeza
que se você tiver alguma dúvida sobre o que sinto por você, essas dúvidas serão
sanadas no mesmo instante. Quero conversar com você sobre tudo o que aconteceu
desde a nossa primeira noite.
Fiquei pensativa.
Olhei para o lago, depois olhei nos olhos verdes dele. E acabei concordando,
não conseguia mais raciocinar com ele por perto
–O padrinho pediu
que jantássemos com eles hoje. Ele quer a família toda reunida, então, após o
jantar darei um jeito para sairmos para conversar.
–Rafa, eu não sei!
Não gosto de ficar mentindo para eles, estou me sentindo mal com isso.
Ele suspirou.
–Eu sei! Mas nós
precisamos ter essa conversa, é muito importante para mim. Acredite.
–Tudo bem!
–Vem aqui. –ele
falou pegando minha mão, me levando pelo bosque adentro. Encostou-me em uma
árvore, beijou novamente minha cabeça, e me abraçou.
–Eu amo você,
nunca duvide disso. –disse ele, segurando meu rosto entre suas mãos.
Beijamo-nos ali,
feito dois adolescentes escondidos. O beijo dele tinha o poder de me levar para
o céu e para o inferno ao mesmo tempo. Em seguida, ele pegou minha câmera e tirou
uma foto de nós dois. Sorri assim que vi a foto, ela havia ficado perfeita.
Seguimos para a
fazenda cavalgando. Assim que cheguei em casa minha mãe foi ao meu encontro.
–Ana, acabei de
chegar do supermercado, o seu noivo te ligou novamente.
Levei a mão a cabeça.
–Caramba mãe, me
esqueci de ligar para o Léo. Vou subir e já ligo. E o papai onde está?
–Ele está no
quarto filha, deu uma andada pela manhã, mas foi deitar-se um pouco.
–Eu vou ligar para
o Léo, depois vou dar uma espiada nele.
Beijei o rosto
dela e segui para o meu quarto. Meu celular ainda estava na tomada, deixei-o
carregando durante a noite e nem me lembrei de desligá-lo.
Tinha várias
ligações perdidas do Léo, da Alessandra, várias mensagens de texto sem serem
lidas. Liguei primeiramente para o Léo.
–Oi. –Léo atendeu
ríspido.
–Oi Léo, tudo bem?
–falei fazendo careta, sabia que ele estava furioso.
–Aconteceu alguma
coisa? Você não deu sinal de vida, não atende minhas ligações, não responde
minhas mensagens.
–Léo, sei que você
está chateado, mas ontem fiquei sem celular, encontrei uma amiga que eu não via
há muito tempo e saí para beber com ela e com o Rafa, e fiquei sem bateria.
E hoje saí cedo
para cavalgar e só retornei agora. Minha mãe me deu o recado, mas eu ia te
ligar assim que chegasse.
Senti sua
respiração estabilizar. Parecia mais calmo.
–Poxa Ana, fiquei
preocupado.
Ao ouvi-lo falar
assim comigo tão preocupado, me senti a pessoa pior do mundo.
–Léo, está tudo bem!
É que faz tanto tempo que não vejo minha família e meus amigos, e temos tanto
para conversar.
Ele suspirou.
–Ontem fui ao
médico com meu pai, depois fui conhecer a loja do Rafael, e encontrei essa
amiga. E o tempo passou que eu nem vi. Você me desculpa?
–Claro linda, eu
que estou sendo chato. Mas eu entendo.
–Você não é chato,
e eu prometo me policiar está bem?
–Tudo bem! –ele
respondeu.
Se eu pudesse o vê-lo com certeza ele estaria sorrindo.
–E seu pai, está
melhor?
–Está sim, ontem o
doutor me explicou o que aconteceu, ele está fazendo repouso, tomando as
medicações, mas está bem.
Falamos um tempo
sobre sobre a reunião importante que ele teve, e depois nos despedimos.
Assim que
desliguei, mandei uma mensagem para Alessandra atualizando-a sobre tudo. E fui
fazer companhia para o meu pai que estava descansando.
Eu e meus pais
passamos uma tarde bem família. Após o almoço ficamos assistindo filmes antigos
da família, revendo fotos de quando eu e o Rafael éramos crianças, fotos do
casamento dos meus pais, fotos das nossas férias, fotos do Rafael com o braço
quebrado, fotos do Rafa me ensinando à montar cavalos, enfim, foi muito divertido rever tantas recordações
boas.
Ajudei minha mãe a
preparar um jantar especial para aquela noite de sábado, em que a família
estaria toda reunida.
Subi para tomar um
banho, estava ficando tensa, só de imaginar o que o Rafa tinha a me dizer. Não
sabia ao certo quais seriam os planos dele para depois do jantar, nem sabia o
que diria aos meus pais para que eu pudesse sair sem levantar nenhuma suspeita.
Tomei um banho bem
relaxante, vesti uma calça skinny preta, uma blusinha de seda branca e uma jaquetinha
em couro preta por cima e coloquei um cachecol preto com estampas cinza e uma
bota preta. Arrumei meus cabelos, enrolando-os nas pontas e fiz uma maquiagem
bem neutra.

Acho que vai começar a parte emocionante kkkk
ResponderExcluirAiiiii quero saber pq ele a ignorou na adolescência, vai ter que me convencer TB hahahahaha
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