Faça por mim
Parte 11
17
Chegadas e
Partidas
Fiz o caminho de
volta para a fazenda dos meus pais soluçando de tanto chorar. Era como se eu
deixasse um pedaço do meu coração junto com o Rafael.
As imagens daquela
noite: ver o Rafa tocando nossa música só para mim, depois chorar pela minha partida,
rindo juntos na cozinha e por último aquele amor com vontade de que não
terminasse nunca, com certeza, nunca mais sairia nem da minha mente e nem do meu
coração.
Ficava me perguntando em como iria encarar o
Léo depois de tudo o que tinha acontecido, como pude fazer isso com ele e não
sentir absolutamente nada de remorso.
Chequei em casa já
se passava das quatro e vinte da manhã.
Entrei na ponta dos pés para que ninguém me escutasse chegar. Subi as
escadas silenciosamente, pois meus pais acordariam a qualquer minuto.
Passei pelo quarto
do Léo e gelei ao ver que luz estava acesa.
Talvez ele tivesse acordado àquela hora, ou talvez ele nem tivesse dormindo,
me esperando chegar. Senti um frio na barriga de como alguém que foi pego em
flagrante.
Entrei em meu
quarto e fui para o chuveiro, o cheiro do Rafael ainda estava na minha pele, e
eu não queria que saísse nunca mais.
Encarei-me no
espelho como o pior ser humano do mundo. Prendi meus cabelos em um rabo de
cavalo, coloquei um jeans claro, uma camisa jeans escura e sapatilhas. Dei um
jeito em meu rosto, pois estava com cara de quem dormiu apenas umas duas horas
nos braços do homem mais lindo do mundo e depois em lágrimas o abandonou.
Peguei minhas malas e minha bolsa de mão. Quando estava de saída, minha mãe
entrou em meu quarto.
–Oi mãe.
–Ana, você não
podia ter feito isso! Não com seu noivo aqui.
A encarei por um
minuto e comecei a chorar novamente.
–Eu sei mãe! Estou
perdendo o juízo. Mas eu amo o Rafael amo muito. Dói demais, ter que deixá-lo
aqui.
Minhas lágrimas
escorriam e ela me abraçou em seguida.
–Desculpa por te
magoar mais uma vez.
–Não é a mim que
você está ferindo, é a si mesma. Você não percebe isso?
Fiquei abraçada a
ela, sem querer sair nunca mais daquele colo.
–Amo você minha
filha. Não aguento ver todo esse sofrimento.
Minutos depois,
fomos obrigadas a descer. Já estava quase na hora de ir embora. Minha mãe
desceu na frente e eu fui lavar meu rosto.
Cinco e dez da
manhã já estava pronta. Dei uma olhada em meu quarto, ali, havia vivido em duas
semanas, os momentos mais alegres e os mais tristes da minha vida. E saí sem
olhar para trás. Passei em frente o quarto do Léo, e bati na porta.
–Já vou descer.
–ele espondeu secamente.
Não insisti, desci
sem ele. Meus pais já estavam na cozinha. Minha mãe havia preparado uma mesa
para o café da manhã.
–Bom dia filha! –disse
meu pai dando-me um beijo.
–Bom dia. –respondi
sentindo-me pessoa menos animada do mundo.
–E ontem como foi?
–ele indagou.
Não podia nem
chegar perto de contar o que havia acontecido, no mínimo, ele teria um ataque
do coração.
–Por falar nisso,
que horas você chegou Ana? –perguntou meu pai com uma cara esquisita.
–Cheguei tarde
pai, o Rafa estava tocando violão, e depois conversamos bastante.
–Ele havia bebido?
–Não, claro que não! Só não queria ver ninguém.
–Mas depois que
você saiu eu vi que não tinha lhe entregado as minhas chaves como você entrou?
–ele perguntou desconfiado.
–Eu dei meu
controle a ela. –interrompeu minha mãe salvando-me de uma situação difícil. –Deixe-a
contar homem.
Léo apareceu na cozinha.
–Bom dia! –ele
disse sem esboçar nenhum resquício de sorriso
Olhei para ele, me
sentindo a pior pessoa da face da Terra.
–Bom dia! –respondi
com um nó na garganta.
–Que horas você
voltou Ana? –disse Léo repetindo a mesma pergunta do meu pai.
–Era um pouco
tarde Léo, não quis acordar você.
–E aí filha? Como
ele estava? –interrompeu minha mãe, possivelmente desviando o assunto.
–Está melhor! Ele disse
que passou o dia com a Déb. Falou um pouco sobre o quanto é grato a vocês e ao
pai dele. E disse que também amará essa criança. Nem que ele não se casar com a
Fernanda, aliás, ele nem tocou nesse assunto, mas o filho, ele assumirá com
certeza.
Menti, isso foi
tudo eu quem disse a ele. Minha mãe suspirou aliviada.
–Quando vimos já era
tarde; o Rafa até me pediu desculpas por eu ter ficado lá tanto tempo.
Entretanto, eu precisava fazer isso, não queria ir embora sem falar com ele. Queria
que as coisas ficassem bem entre nós novamente.
Léo permaneceu-se calado. Parecia totalmente
aborrecido. Apenas tomou o seu café puro. Minha mãe lhe ofereceu outras coisas,
mas ele não aceitou nada.
–Precisamos ir!
–ele disse sem olhar para mim. –Muito
obrigado Fenando e Clara pela hospitalidade, fui muito bem recebido por vocês.
–disse Léo com toda cordialidade.
Corri pegar o presente que eu comprara para
Maria. Voltei, eles estavam se abraçando.
–Foi um prazer
recebê-lo na nossa casa. –disse meu pai acompanhando-o.
Eles saíram na
frente, fiquei para trás com minha mãe. Ela me abraçou apertado. E eu comecei a
chorar.
–Mãe, meu coração
está dilacerado! Você não tem ideia de como está sendo difícil para mim. Como
foi difícil deixá-lo sozinho, sendo que eu o amo tanto.
Minha mãe me
abraçou ainda mais forte.
–Eu nem sei o que
lhe dizer! Agora é só deixar que o próprio destino se encarrega. Se vocês
tiverem que ficar juntos, nada nesse mundo irá atrapalhar passe o tempo que
passar! Mas você está fazendo a coisa
certa, está dando a ele o espaço que ele precisa pra tomar suas próprias decisões.
Apenas concordei. Ela olhou para meu rosto, e
secou minhas lágrimas.
–Não fique assim,
Ana! Não posso ver você chorando. Há um belo rapaz lá fora, que te ama, e te
ama muito, dê uma chance a ele, se não der certo, pelo menos vocês tentaram. Eu
só quero ver você e o Rafael felizes. Vocês são minha vida!
Maria que estava
de folga chegou somente para despedir-se de mim. Entreguei a ela o presente que
eu tinha comprado.
–O que é isso,
minha filha? –Maria perguntou-me com os olhos inundados de lágrimas.
–Maria, é só uma
lembrança. Você é uma pessoa iluminada, merece muito mais, só tenho que lhe
agradecer por tudo o que você faz pela nossa família, e por toda sua paciência,
cuidado, carinho comigo nesses dias.
Abraçamo-nos e ela
chorou ainda mais. Sequei minhas lágrimas, e segui para o carro. Despedi-me do
meu pai que também acabou ficando emocionado.
–Hei, se cuida
hein! Caso contrário voltarei para te dar uns puxões de orelha, tome seus
remédios direitinho e faça seu repouso.
Ele fez que sim e
abraçou-me. Minhas malas já estavam
todas no porta malas do carro de aluguel.
E assim partimos,
deixando ali, um pedaço generoso do meu coração, da minha alma, deixando para
trás os últimos dias que tive, que foram os melhores e os piores da minha vida.
E levando comigo as recordações de uma noite de amor, com o único e verdadeiro
amor da minha vida.
Fiquei apenas
imaginando a reação dele ao acordar, e perceber que estava sozinho, sabendo que
eu já havia partido. Minhas lágrimas
aumentavam em cada curva, a dor no meu peito me consumia. A dor era tamanha que
parecia crescer comprimindo meus órgãos por dentro.
Léo, não disse uma
única palavra, apenas dirigiu. O caminho da fazenda até o aeroporto durava
cerca de quase duas horas. Passados uns
cinquenta minutos dentro do carro, minhas lagrimas já haviam cessado e eu já me
sentia mais calma, porém, estava pensativa e calada.
Léo olhou para
mim, e olhei para ele, que estava realmente zangado. Quando começou a falar:
–Que palhaçada foi
aquela ontem?
-Por que
palhaçada?
-Por que? Você me
fez de bobo ontem Ana. Disse ele fuzilando-me com o olhar. -Um cara que eu não
conheço liga para você, no seu celular, e em seguida você simplesmente sai de
casa, e passa a noite fora! Léo esbravejou-se dando um soco no volante.
Senti o sangue
correr mais rápido nas minhas veias. Em quase quatro anos de namoro eu nunca o
vi tão alterado daquela maneira, aliás, eu nunca o vi alterado antes.
–O quê? Olha a
maneira que você está falando? Não foi assim. Era o Rafael com quem eu fui
conversar Léo, eu precisava falar com ele.
–Ah, Ana, seu
irmão! Como eu vou saber se era com seu irmão que você estava, até àquela
hora. –ele falou levantando a voz.
–Você está falando
sério Léo? Porque se você estiver, eu sinto muito, mas não tem mais nem o
porquê continuarmos essa conversa.
Ele dirigiu
transbordando de raiva.
–Você passou a
noite fora. –disse ele falando entre os dentes.
Eu congelei no
banco.
–Eu sonhei com
você. Que você estava chorando, então acordei Ana, olhei, era umas quatro horas
da manhã. Fui até seu quarto, para ver se você estava bem, e adivinha? Abri a
porta e você não estava. Sua cama estava intacta, você não tinha voltado.
Suspirei. Não
sabia mais onde buscar minha força para continuar a falar depois de ser
desmascarada.
–Você quer que eu
fique como? Quer que eu pense o quê? Fala para mim? Venho aqui por sua causa,
porque eu estava com saudades, queria ficar junto de você, queria conhecer seus
pais, e você simplesmente some, um cara te liga e você sai e passa a noite
fora.
–Eu estava com o
Rafael! – disse aumentando o tom de voz bem mais do que queria. Ele precisava de mim, e eu precisava
falar com ele, eu não queria e não podia ir embora brigada com ele. Fazia cinco
anos Léo, cinco anos que eu não via o Rafael e agora sabe-se lá quando vou
vê-lo novamente. Tudo bem, eu errei em ter perdido a noção do tempo, de ter
deixado você, mas não podia deixar de ir até lá.
Minhas lágrimas começaram a rolar novamente.
–E quer saber? Não
me arrependo de ter ido. O Rafa me ouviu, conversou comigo, desabafou, e agora
eu estou aqui Léo, indo embora com você.
–Aquele porra do
seu irmão, meio irmão, sei lá, o que você são. Mas eu fui lá por você, queria
ficar com você. E você simplesmente some! Não, não dá para entender.
–Eu sei Léo, me desculpa? Eu errei
realmente. Mas é minha família, é o
Rafael, e se tivesse que ficar para ajudá-lo eu o faria.
–Nossa! Você mudou
mesmo, hein! –disse ele com desdém
–Talvez não tenha
mudado o suficiente. –rebati.
–Para quem passou
cinco anos evitando a família, você virou uma defensora e tanto de um marmanjo
que sabe muito bem como cuidar-se, ou pelo menos deveria.
Tive ódio em
ouvi-lo falar daquela maneira do Rafael.
–Léo, passei quase
quatro anos dedicando cada folga, cada feriado em ficar com você. Não imaginei
que você fosse criar tanto caso por eu passar quinze dias com a minha família.
–Não criei caso
porque você veio visitar sua família, você está distorcendo os fatos. E eu
também gostei muito daqui, falei sério quando disse isso ontem. O que não dá
para aceitar é você sair feito uma babá do seu irmão. Um cara que além de tudo
me destratou desde a hora que cheguei.
–Não quero mais
falar com você sobre isso! –disse exacerbada.
Seguimos o resto
da viagem em silêncio. Esse silêncio foi quebrado quando o celular dele tocou.
–Oi, mãe, tudo
bom?
–Estamos indo para
o aeroporto.
–Sério? Ah, pode
ser. Espera aí.
Ele afastou o
celular, perguntando:
–Meus pais estão
em São Paulo esse final de semana e querem saber se queremos passar o dia com
eles. Minha mãe busca a gente no aeroporto, o que você acha?
Não disse nada,
mas fiz que sim com a cabeça. Ele voltou para o telefonema.
–Mãe, vamos sim,
em torno de dez horas já estamos chegando, você pode nos buscar?
–Então tá, beijos,
tchau.
Ele olhou para mim
ainda magoado. Continuei calada. Ele também não disse mais nada.
Sr. Roberto e
Marina, eram os pais de Léo, que era filho único. Os dois eram bem jovens para
serem pais de um rapaz de 28 anos, Marina sempre impecavelmente bem arrumada,
com tudo no lugar, tinha a vida que a maioria das mulheres gostaria,
desfrutando a vida boa que o dinheiro do marido lhe rendia. Era uma socialite
nata. Quando estava em São Paulo, onde eles tinham uma casa muito luxuosa, em
um condomínio fechado, ela vivia em almoços e chás beneficentes com suas amigas
peruas. Sr. Roberto, assim como Léo era um homem muito centrado e voltado para
os negócios, era muito educado e muito simpático, diria, que em simpatia ele
dava um show em sua esposa.
Léo foi criado assim como eu ; criado para se
virar sozinho no mundo, acho que por isso acabamos nos apegando tanto, e nos
dando tão bem.
Mesmo quando
desembarcamos em São Paulo, Léo manteve-se calado, com certeza estava me
odiando, e eu também estava me odiando por agir sem pensar, mas não tinha como
voltar atrás.
Léo não era uma
pessoa que gostava de prolongar uma discussão, sempre que discutíamos ele
arrumava uma maneira e voltar a conversar. Ele segurou na minha mão, soltando
apenas para retirar as malas da esteira.
Quando avistamos a
mãe dele, um sorriso tomou seu rosto, eles se abraçaram demoradamente, como se
fizesse muito tempo que eles não se viam.
–Meu menino, cada
dia mais lindo! –disse Marina apertando-lhe sua mão.
Marina estava
chiquérrima, em um vestido de seda na cor nude, cabelos escovados na altura dos
ombros, uma bolsa de mão da Prada.
–Ana, querida,
quanto tempo! Como você está? O que aconteceu com você? Parece que você não
dorme há dias. –ela disse ao ver minhas olheiras.
Sorri com um
sorriso amarelo.
–Como vai Marina?
–Eu estou ótima.
Mas, aconteceu algo? Seu pai está bem?
–Está sim! Está se
recuperando. Só estou cansada. –disse sorrindo mais uma vez sem graça.
–Então vamos
crianças! –ela disse segurando a mão do Léo.
–Marina me
desculpa! Irei pegar um taxi, vou direto para o meu apartamento.
–Mas, por quê?
Você não vai passar o dia com a gente? –ela perguntou.
A expressão do
Léo, caiu, seu sorriso saiu de cena, contudo, manteve-se calado.
–Mariana, estou
com muita dor de cabeça. Seria uma companhia péssima.
–Ana, você que
sabe querida, se quiser ir será bem-vinda como sempre foi. –disse Marina não
fazendo nem um pouco questão da minha presença.
–Vamos Ana! Mais
tarde iremos para o seu apartamento.
–Não Léo! Vá com
sua mãe. Depois a gente se fala.
Relutantemente ele
me deu um abraço, me selou os lábios e se foi com a mãe dele. Suspirei aliviada.
Chamei um táxi, afinal meu apartamento era do lado oposto da casa deles.
18
Sozinha
Cheguei ao meu
apartamento, passava das onze horas da manhã. Assim que abri a porta, vi meu
cantinho tranquilo, sossegado, e agradecia aos céus por estar em casa e sozinha.
Joguei minhas coisas no chão, soltei toda a tristeza presa em meu peito. Deitei
em minha cama, e chorei, chorei muito, chorava pelo Rafael, pelo Léo e por toda
a mentira que eu havia inventado nos últimos dias.
Acabei pegando no
sono, quando acordei, já estava à noite. No celular, não havia nem sinal do
Léo, nem do Rafael, me vi sozinha. Comecei a desarrumar minhas malas, guardando
minhas roupas, e preparando minhas coisas para o outro dia, onde tudo voltaria
ao normal.
Fui até a cozinha,
fiz um lanche frio. Mais tarde, tomei um banho, pijamas e já estava na cama
novamente.
Minha semana
começou agitada, pudera, era a primeira semana de março. Assim que voltei,
fiquei um pouco perdida, mas no dia seguinte foi como se eu nunca tivesse saído
de férias. Começamos a trabalhar na campanha da Carmem Steffans, e eles me
queriam como a fotógrafa. Isso fez com que eu passasse mais tempo trabalhando
do que o normal. Chegava tarde da noite, comia alguma coisa, tomava banho e
dormia.
Não tinha notícias
do Léo; minha mãe havia me ligado algumas vezes, mas nunca me falava do Rafael,
e eu também não perguntava.
O pessoal da
agência gostava de sair para beber as quintas e sextas feiras no H2Chopp, uma
choperia que ficava bem em frente à agência. Mas naquela semana eu não estava
disposta, então fiquei em casa.
Na sexta-feira
cheguei ao meu apartamento já era passava das nove horas da noite, era até que
cedo em relação aos outros dias. Tomei um banho e deitei-me para ver um filme. Meu
celular vibrou, era Rebeca:
Ana, uma semana
se passou e já estou morrendo de saudades. Como você está?
A tristeza do
Rafael é sem fim, ele quase enlouqueceu.
No domingo assim que ele acordou, saiu correndo para a fazenda, mas você
já havia saído há algumas horas. Ele ficou desesperado. Mas o Enzo e a Déb,
estão dando uma força para ele.
O Rafa meteu
a cara no trabalho, sai da fábrica todo dia tarde da noite. Parece-me que ele
voltou para a casa dos seus pais, ele disse para o Enzo que era uma tortura
ficar na casa do lago sozinho sem você.
Fica bem
amiga! Adoro você.
Saudades,
Rebeca
Li e reli aquela
mensagem umas cem vezes, ficava imaginando a cena no momento em que o Rafael
acordou leu meu bilhete e correu para fazenda. Meu coração voltou a ficar
apertado.
Então depois que
criei coragem resolvi escrever para ela.
Querida
Rebeca, saí daí deixando parte do meu coração. Essa semana para mim foi
crucial, acho que eu e o Rafael tivemos a mesma reação, ambos enfiamos a cara
no trabalho. Também ando saindo tarde todas as noites da agência, prefiro ficar
lá, a ficar em casa sozinha.
O Rafael
ainda tem o Enzo, a Déb, você e meus pais. Mas eu não tenho ninguém. Então está
sendo muito difícil para mim, mas irei sair dessa.
O Léo
resolveu me dar um gelo depois que saímos daí. Ele ficou louco porque passei a
noite fora quando fui falar com o Rafael, também pudera. E até agora estou sem
notícias dele.
Sinto falta
de todos, e sinto muita falta das nossas conversas. Dá um beijo no seu principezinho
por mim. Amo vocês!
Ana
Apertei o enviar,
desliguei a televisão e fui para cama, mas o sono não vinha.
19
O quê?
Três semanas se
passaram que eu mal senti; afinal, o trabalho estava ocupando todo meu tempo e
minha mente principalmente. Eram várias produções de vídeo, áudio, folder,
outdoor, anúncios de revistas e jornais; enfim, tarefas que deixaram a mim e
toda a equipe atarefada até altas horas da noite.
Mas ainda assim,
não conseguia tirar o Rafael da minha cabeça e muito menos do meu coração.
Pensava nele ao acordar, dormia pensando nele e ele estava presente em meus
sonhos. Doía demais não ter notícias dele. E eu não queria ficar perguntando do
Rafa nem para minha mãe e nem para a Rebeca, já que ele também não me ligou
mais. E isso me matava por dentro.
Na última
quinta-feira de março, mais precisamente dia vinte e sete, eu, Alessandra,
Daniela, Willian e o Théo fomos ao H2Chopp comemorar o aniversário da Dani que
fazia 23 anos.
Bebemos uma, duas,
três, quatro, cinco e não sei mais quantas rodadas de chope, já estava bem
alta, quando peguei meu celular e havia algumas ligações perdidas do Léo, que
depois de um mês resolveu se manifestar. Sem pensar liguei para ele.
–Oi Ana!
–Oi Léo.
–Oi Léo. –gritou o
pessoal da mesa.
–O que é isso?
Você está em uma festa?
–A Dani está
fazendo aniversário, saímos para comemorar, onde você está? –perguntei saindo
da mesa, pois mal podia escutá-lo.
–Estou no Canadá
em uma conferência. Já faz uns dias que estou aqui, e só liguei porque senti
sua falta. Como vi que você não atendeu minhas ligações, achei que não quisesse
mais falar comigo. E agora quando vi meu celular vibrar, mal acreditei que
fosse você.
Abri um sorriso,
eu realmente sentia falta de conversar, e da amizade dele.
–Fiquei muito
feliz por você ter me ligado. É claro que eu quero falar com você. Quando você
volta ao Brasil?
–Então Ana, eu
ainda não sei. Daqui uns dez dias talvez. E queria saber se posso ver você. Nós
precisamos conversar. Não quero que fiquei esse clima entre nós. Sinto sua
falta.
Sorri.
–Também sinto sua
falta. Mas sim, vamos conversar. Me liga quando chegar e não some, tá?
–Prometo não sumir
mais. Amo você Ana.
Fiz uma longa
pausa sem saber o que responder.
–Espero você me
ligar Léo. Um beijo!
Encerrei a ligação
sem ter dizer que eu o amava, pois não o amava da maneira que ele merecia.
Claro que seria muito mais fácil amar o Léo, mas não era mais isso que eu
sentia por ele.
A Alessandra, o
Willian, o Théo e a Dani estavam todos eufóricos. Bebendo, falando besteiras,
rindo de qualquer coisa. E assim que eu parei de falar com o Leonardo, me bateu
uma tristeza enorme. Talvez, se eu não tivesse voltado para Canela, minha vida
estaria nos eixos, eu estava com o Léo e estava feliz, como há alguns meses.
Mas a realidade era outra. Eu estava sem o Léo e totalmente infeliz por causa
do Rafael e nada no mundo fazia eu me sentir melhor.
Théo pediu uma
porção de frios e outra rodada de chope. Quando vi a Alessandra espetando um
pedaço de lombo, senti um nó em meu estômago e confesso que quase vomitei ali
mesmo.
“Ana, chega de
beber, você já passou da conta! ” Pensei.
–Lê, eu preciso ir
para casa, estou cansada.
–Como assim? Ainda
está cedo!
–Eu sei, mas é que
eu estou um pouco indisposta. Vamos combinar alguma coisa para o final de
semana, entretanto, hoje realmente quero ir para casa.
Ela concordou
relutantemente, assim como os outros, que insistiram para que eu ficasse.
Inventei várias desculpas, deixei minha parte do dinheiro e saí.
Fui para o
estacionamento da agência onde havia deixado meu carro. Estava um pouco zonza,
o que provavelmente era o efeito do álcool. Cerca de dez minutos após ter saído
do bar, estava em uma avenida muito movimentada, quando um motoqueiro me fechou
e acabei perdendo a direção. Só ouvi o barulho ensurdecedor e a pancada forte
em minha cabeça. Minha vista escureceu, não vi mais nada, porém escutava
algumas vozes próximas a mim.
Abri os olhos e me
vi em um lugar todo claro, calmo e muito silencioso. Olhei ao redor e vi a
Alessandra cochilando sentada em uma poltrona.
–Alessandra!?
Alessandra
assustou, dando um pulo na poltrona.
–Ei, você acordou!
Quase me matou de susto, sabia? –ela disse vindo em minha direção.
–O que aconteceu?
Dito isso, percebi
que cada centímetro do meu corpo doía. E minha cabeça, parecia querer explodir.
–Oh, amiga, você
bateu o carro ontem à noite.
Ao ouvir aquelas
palavras, me lembrei de ter saído totalmente zonza da choperia, e quando estava
em uma avenida muito movimentada, a alguns quilômetros do prédio onde eu
morava, um motoqueiro me fechou, e eu tentei desviar, mas acabei acertando em
outro carro.
–Mas, não se
preocupe! Você não quebrou nada. Quer dizer, teve algumas escoriações e
precisou dar uns pontos bem aqui. Alessandra disse apontando minha testa. O
médico já vem conversar com você.
–Teve alguma vítima?
–Não, o motoqueiro
que te fechou, acabou fugindo. O carro que você bateu só amassou, mas ninguém
se feriu. Quanto a isso, já fui atrás de tudo e seu seguro irá cobrir. O Théo e
o Willian ficaram aqui até amanhecer, mas foram para a casa.
Concordei sem
perguntar mais nada.
–Ah, Ana, e seus
pais? Você quer que eu os avise?
–Ah, não! Não
quero preocupá-los com isso. Eles já estão com problemas demais. Eu me viro.
–Tem certeza?
–Tenho sim Lê e
obrigada por tudo.
Ela sorriu
compassiva e passou a mão em meu rosto.
A enfermeira
entrou em seguida, me fazendo algumas perguntas de praxe e logo depois o médico
entrou.
–Bom dia,
senhorita Ana Holpe. Sou o Dr. César, como está se sentindo?
–Bom dia Dr.
César. Estou bem, um pouco dolorida, mas estou bem.
–Bom, isso é assim
mesmo. Por sorte, não houve nenhuma fratura. Foram apenas algumas escoriações,
mas você está bem. Quer dizer, vocês estão bem.
Olhei para ele sem
entender.
–Como assim vocês?
Ele me olhou
incrédulo.
–Você e o bebê.
Fizemos vários exames e está tudo em ordem. Seu bebê está bem.
–O quê? Meu bebê?
Qual bebê?
Alessandra me
olhou complacente. Concordando com a cabeça.
–Ah, nesse caso,
suponho que você ainda não sabia da gravidez? Pois bem Ana, você está de aproximadamente
cinco semanas. –disse o doutor.
Só não caí, porque
estava deitada. Meu coração disparou. Minhas estruturas estremeceram.
–É Ana. Hoje pela
manhã, acompanhei o seu ultrassom com o doutor César. Você vai ser mamãe, minha
amiga.
Meu oxigênio
chegou a faltar.
–Como assim mamãe?
O médico sorriu
sem graça, com certeza ao ver minha cara de desespero.
–Ana, não sei o
porquê do seu espanto, mas sinta-se iluminada. Você carrega uma outra vida
dentro de si, e que por Deus, não aconteceu nada, mesmo após esse acidente.
Ainda assim, peço repouso por alguns dias. Nunca se sabe o que pode vir a
acontecer. Prefiro até que você ainda fique mais uns dias aqui com a gente, em
observação.
Concordei abobalhada,
sem dizer uma palavra.
–Eu estarei por
aqui. Qualquer coisa é só me chamar.
O Dr. César saiu e
eu encarei a Alessandra.
–Grávida!!! Não
pode ser!
Ela me encarou sem
saber o que me dizer.
–Amiga, eu... (uma
pausa). Nem sei o que dizer. Mas preciso perguntar. Esse filho é do Léo ou do
Rafael?
A pergunta dela
ecoou em minha cabeça e minhas lágrimas começaram a cair.
–Lê, no dia que
fiquei noiva do Léo, estava em meus
últimos dias de menstruação. E o Léo, jamais deixou de se prevenir. Ele tinha
pânico se algo saísse fora dos planos dele.
–Carambaaaa! –ela
disse fazendo uma careta. –E você não se preveniu com o Rafael?
Apenas balancei a
cabeça em negação.
–Ana minha amiga,
meus parabéns! Mas você está fodida! O que você vai fazer?
Minhas lágrimas
começaram a cair em bicas. Sem conseguir me acalmar, Alessandra precisou chamar
uma enfermeira para me dar um copo de água com açúcar.
...
Passei o final de
semana inteiro no hospital. Alessandra se desdobrou para ficar ao meu lado, e
eu jamais me esquecerei do quanto ela me apoiou.
Fui para casa na
segunda-feira pela manhã. Alessandra e Willian que me levaram, mas eles tinham
que ir trabalhar. Naquele dia, chorei o dia todo, sem saber o que fazer, para
que lado correr. Alessandra e o Willian eram os únicos que sabiam da minha
gravidez e eu não tinha mais com quem contar.
Na terça-feira
pela manhã, acordei com os olhos inchados de tanto chorar. Estava começando com
os enjoos. Até o cheiro da pasta de dente me fez vomitar. Ainda assim, estava
decidida a ir trabalhar. Foi aí que ouvi meu celular tocar. Corri atender, mas
não deu tempo.
Meu coração gelou
assim que eu vi que era uma chamada perdida do Rafael, mas em seguida chegou
uma mensagem.
Ana, bom dia!
Esses dias sem você foram cruciais para mim! Estar longe de você é como se eu
não estivesse completo. É uma dor que não cessa. Espero que você tenha razão
quando falou sobre o que o destino nos reserva.
Vou fazer o
que você me pediu, hoje irei ao pediatra com a Fernanda, só queria que você
soubesse por mim.
Estou fazendo
por você!
Rafael.
Ao ler aquela
mensagem, foi como se uma bala atravessasse meu peito. Reli para ter certeza se
era verdade. Larguei meu celular no chão, e fiquei andando de um lado para o
outro em torno da minha sala. Não conseguia respirar, não conseguia mais
pensar. Senti uma dor tão forte que parecia que ia morrer. Comecei a chorar descontroladamente,
colocando a mão sobre a minha barriga. E no fundo, sabia que o Rafael só estava
seguindo o percurso que era inevitável. Começar a acompanhar a Fernanda em suas
consultas, e consequentemente acabar casando-se com ela. Porque ele era assim,
o Rafa jamais viraria as costas para ela com ela gerando um filho dele.
“ Mas e quanto a
mim? E ao nosso filho? ” –eu me perguntava.
“Preciso dizer a
ele sobre a minha gravidez! Eu preciso! ” Falava para mim mesma em soluços de
tanto chorar. “ Não! É claro que não posso fazer isso! Eu não tenho mais esse
direito! Meu Deus, o que eu faço? ”
Não sabia o que
fazer, só tinha vontade de chorar, mais nada.
Já se passava da hora do almoço, liguei para a
Alessandra e pedi que ela fosse até meu apartamento. Em poucos minutos ela
estava lá tocando minha campainha.
Assim que abri a
porta, desmoronei ao vê-la. E ela me abraçou imediatamente.
–Calma Ana! Me
conta o que houve.
Chorava tentado
buscar forças sem saber de onde, para poder contar tudo a ela. Alessandra
sentou-se no sofá, segurando minhas mãos.
–Ana, respira
fundo! Você sabe que essa fase é um momento delicado, mas não iremos achar uma
solução para tudo isso. O que você não pode fazer é ficar nessa situação, não
faz bem para você nem para essa criança.
Concordei,
tentando me acalmar.
–Agora me fala, o
que houve?
–O Rafa me ligou,
mas não consegui atender o celular, então ele me mandou uma mensagem, dizendo acompanhará
a Fernanda ao pré-natal do filho deles.
–Tá! E isso é
motivo para você ficar nesse estado? Quem foi que pediu que ele fizesse isso?
Quem foi que desistiu dele? Não foi você? Ou estou enganada.
Alessandra era
minha amiga, mas ela era dura o suficiente quando era necessário. Minhas lágrimas
ainda caiam em bicas, era como se não acabasse mais.
–Eu... (fiz uma
pausa) eu sei, mas é que era o mais certo para ele fazer. Você sabe quais eram
meus motivos para eu ter dito tudo o que eu disse a ele.
–Sei sim! O medo
foi seu motivo. Medo de lutar por quem você ama. E ele só aceitou suas
condições, porque é outro que tem medo de enfrentar os sentimentos dele. Agora
me fala, o porquê você ficou surpresa ao ler a mensagem dele? Você quem pediu
isso a ele, você entregou o Rafael de bandeja para a tal garota.
Concordei sem
saber o que dizer. Alessandra levantou-se e foi até a sacada, como se
respirasse ar puro. Alguns instantes depois, ela voltou e sentou-se novamente
ao meu lado.
–Ana, o que você
pretende daqui para frente? Eu digo em relação a essa criança. Porque se você
decidir levar essa gravidez em diante, o Rafael precisa saber.
–Como assim o que pretendo fazer?
Ela riu
nervosamente.
–Você já decidiu
se levará essa gravidez em diante?
Eu me calei.
–Você sabe que se
pensa em interromper essa gravidez, não poderá adiar mais. E se for levar essa
gravidez a diante, existem “n” problemas a considerar. Por exemplo, o Rafael
precisa saber sobre esse filho. Seus pais precisam saber sobre sua gravidez, o
Léo que daqui a pouco estará de volta ao Brasil precisa saber sobre a sua
situação. E aí, como você vai fazer, como você pensa em sair desse emaranhado
de problemas?
O pior é que eu
não tinha respostas para nenhuma das perguntas dela. Eu não tinha ideia do que
fazer.
–Lê, o que eu
faço? Estou totalmente perdida. –falei abraçando-a em seguida.
Alessandra não
disse uma palavra, apenas retribuiu ao meu abraço.
–Nunca imaginei
que passaria por isso, e sozinha ainda por cima. E não tenho a mínima ideia do
que fazer.
–Olha para mim! –ela
me disse me fazendo encará-la. –Você não está sozinha, nunca diga isso. Você
tem a mim, pode contar comigo para o que der e vier.
Suspirei
emocionada com a atitude dela.
–Se você optar em
interromper a gravidez, saiba que estarei ao seu lado, segurando sua mão. E se
você decidir levar essa gravidez a diante, eu te ajudarei no que for
necessário. Nem que essa criança precisar ser criada por você e por mim. Eu
prometo a você que se você precisar, eu lhe ajudo com esse filho. Mas minha
amiga, essa é uma decisão que cabe única e exclusivamente a você decidir. Eu
não posso e nem tenho o direito de influenciar você.
Eu a encarei,
absorvendo cada palavra que ela havia me dito. Respirei fundo tentando achar as
palavras certas.
–Não posso
interromper essa gravidez, isso nunca nem passou pela minha cabeça. Se precisar
criar essa criança sozinha eu criarei. Sei que será uma barra, mas jamais
poderia tomar uma atitude diferente.
Ela me encarou e
concordou com a cabeça.
–Você sabe que não
será fácil. Mas eu a admiro ainda mais por isso. E a ajudarei no que precisar,
pode contar comigo.
Alessandra me
abraçou e nós duas choramos em silêncio.
Naquela tarde,
Alessandra não voltou mais para o escritório e ficou comigo o tempo todo, indo
embora apenas ao anoitecer.
Já passava das
nove horas da noite, quando Léo me ligou. Conversamos bastante, mas não tive
coragem de dizer a ele sobre meu bebê.
Voltei a trabalhar
no dia seguinte, e fui paparicada o tempo todo pela Alessandra e pelo Willian.
Eles eram os únicos que sabiam sobre minha gravidez. Tentei esquecer os
problemas que me rondavam e mais uma vez meti a cara no trabalho. Mas era
incrível, tinha enjoos a cada cheiro diferente.

Olhaa....Não sei o que pensar ... estou em choque kkkkk ... vou tentar controlar minha ansiedase, enqto aguardo a próxima postagem. bjs
ResponderExcluirEstava torcendo para que ela ficasse grávida... Rsrsrsrs... Só espero que eles consigam se acertar...
ResponderExcluirEsperando a próxima postagem ansiosamente...
Este comentário foi removido pelo autor.
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ResponderExcluirfiquei feliz com essa gravides ,mais ela tem que contar pro Rafael.....
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