Faça por mim
Parte 03
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Open Door
Depois
de um santo café da manhã, preparado pela Maria, uma funcionária que estava com
meus pais desde que eu era pequenina, saí para dar uma volta bem de leve pela
fazenda com meu pai com recomendações médicas. Meu pai me mostrou muitas
mudanças que foram feitas ao longo dos anos. Fomos ao escritório que ficava a
metros da minha casa, numa área toda arborizada cercada pela mata de
araucárias, lá se tratava de toda parte administrativa da fazenda como movimento
de caixa, folha de pagamento, cadastro de animais e produções, coberturas e
inseminações, calendário anual de vacinas, controle do consumo de rações,
controle de exportação. Meu pai estava entre um dos maiores criadores de gado
bovino do Brasil. Uma das paixões dele era os leilões de gado.
Rafael
era um dos responsáveis de toda a parte administrativa, ele informatizou todo o
sistema da fazenda. Assim quando ele não estava presente, ou quando estava em
sua fábrica, ele tinha controle de tudo o que acontecia.
Depois
de alguns minutos que eu estava ali, já havia conhecido alguns funcionários, um
deles até nos serviu um suco de laranja. Rafael chegou, ficou surpreso com a
minha presença.
–Oh
filho, onde você estava? Vim mostrar para Ana como funciona o escritório.
Rafa
caminhou até mim, me deu um beijo no rosto e abriu um sorriso.
–Eu
estava atendendo uma equipe de veterinários que vieram conhecer a fazenda. Mas
e então Ana, o que você achou? –Rafael perguntou-me, caminhando até a máquina
de suco e servindo-se de um copo.
–Estou
encantada! Vocês estão de parabéns.
–Vocês
não filha! Seu irmão tem todo o mérito.
Rafael
deu-lhe um tapinha no ombro.
–Padrinho
está sentindo-se melhor? –indagou Rafael.
Enquanto
ele e meu pai conversavam, eu discretamente fiquei observando-o, ele tornara-se
um homem lindo, inteligente, bem-sucedido. Seus olhos buscavam os meus enquanto
ele conversava com meu pai. Seu sorriso me tirava fora do ar.
Rafael vestia uma calça cargo marrom, camisa
branca dobrada na altura dos cotovelos, deixando exposto parte de sua tatuagem,
que provavelmente pegava quase o braço todo. Eu precisava me lembrar de
perguntar a ele o que a tatuagem significava.
Alguns
instantes depois meu pai me chamou para voltarmos para casa, ele ainda se sentia
um pouco cansado; possivelmente, eram os remédios que estavam lhe dando certa
sonolência.
–Então
vamos pai, o senhor precisa descansar.
–Ana,
depois se você quiser ir conhecer a loja e a fábrica me avisa que eu te levo.
Disse o Rafael sendo prestativo.
–É
que hoje vou levar o papai para o médico, mas eu quero ir com certeza, depois a
gente combina.
Ele
consentiu com a cabeça.
Um
dos funcionários o chamou, pois havia uma ligação para ele, eu e meu pai
aproveitamos esse momento para voltarmos para casa.
Enquanto
fazíamos o caminho de casa, que era bem próximo, meu pai segurou minha mão,
orgulhoso em passear com sua filha.
–Pai,
tudo está tão lindo, tão perfeitamente organizado, estou muito orgulhosa de
vocês. Vocês formaram uma dupla e tanto.
–Filha,
eu devo muito ao Rafael. Ele sempre se empenhou nessa fazenda, e quis melhorar
cada vez mais e mais. Ele é um menino de ouro.
–O
Senhor tem razão ele se tornou um grande homem.
Meu
pai olhou para mim e sorriu.
–E
você também filha! Tornou-se uma grande mulher, tenho orgulho de você ter
vencido na vida, é uma grande publicitária, quando vejo seu nome em algum
lugar, alguma revista é como um prêmio para mim.
Nos abraçamos enquanto andávamos, nunca havia
sido tão elogiada assim.
Eu
e papai, ficamos sentados na área de casa, absorvendo o vento fresco que
refrescava nossa pele. Conversamos sobre diversos assuntos, era muito bom
colocar o papo em dia.
Meu
celular vibrou, era uma mensagem de texto do Théo.
Ana, graças as
suas boas dicas estamos tendo uma segunda lua de mel, obrigado!
E seu pai está
melhor?
Théo.
Sorri
ao ler aquela mensagem e enquanto respondia para o Théo, contei toda a história
para o meu pai, que também riu em seguida.
Théo fico feliz
em saber que tudo deu certo, você e a Vanessa merecem.
Meu pai está
melhor sim, estou com ele em frente ao nosso jardim que é um espetáculo. Vocês
amariam esse lugar, quando quiserem vir, estão mais do que convidados.
Ana.
No
final da tarde fomos ao médico, Dr. Guedes era o médico que atendeu meu pai. Eu
e a minha mãe fizemos uma série de perguntas para o médico sobre o caso do meu
pai.
Dr.
Guedes nos explicou sobre o que leva uma pessoa ao infarto, os seus sintomas,
seus fatores de risco, prevenção, recomendações. E a sorte dele ter sido
socorrido antes da morte do músculo.
Passou uma lista de cuidados a serem seguidos,
como exercícios físicos, dieta balanceada, diminuição do stress da bebida
alcoólica.
Meu
pai realizou alguns exames e logo após fomos liberados. Saí de lá me sentindo
uma expert em assuntos cardíacos.
No
caminho de volta para casa, minha mãe teve a ideia de pararmos na fábrica de
móveis do Rafa. Meu pai estava cansado, mas aceitou. Senti meus anjinhos
balançarem seus sininhos de felicidade. Sorri por dentro, e fiquei feliz por
estar usando um vestido leve e curtinho, mas não muito curtinho na verdade, com
estampa romântica, uma sandália diva que eu amava e uma jaquetinha jeans por
cima.
Fiquei
impressionada assim que estacionei a CRV da minha mãe no estacionamento da
fábrica, que tinha um espaço físico enorme. Um prédio rústico todo de tijolo
aparente, com um grande gramado na frente, e bem ao lado ficava o showroom com
a fachada toda em madeira e portas enormes de vidro.
A
loja era linda, moderna, com ambientes diferentes montados. O carro chefe eram
os móveis com madeira de demolição, davam charme rústico aos ambientes
modernos. Mesas rústicas com troncos de árvores em uma sala de jantar moderna,
centros de mesas rústicas em salas amplas de TV, chaise longue, aparadores em
madeira com tampo de vidro, hommes para sala, mesas de cozinhas, quartos
completos.
Uma
loura alta, capa de revista veio sorridente nos atender. Cumprimentou minha mãe
com um beijinho amigável no rosto, fez o mesmo com meu pai.
–E
você deve ser a Ana? –ela indagou toda sorridente.
A odiei por um minuto, ela era linda,
simpática, e com certeza a moça que minha mãe havia comentado na noite
anterior.
–Sim
sou a Ana. –respondi dando meu melhor sorriso.
–Você é?
–Rebeca.
–ela respondeu com aquele sorriso irritante nos lábios.
–O
Rafael comentou sobre sua chegada, está muito animado. Seja bem-vinda Ana.
Sorri
e ela me abraçou.
–E
o senhor como está? Sente-se melhor? Que susto que nos deu!
–Ah,
foi apenas um susto, mas me sinto bem melhor. –respondeu meu pai.
–Rebeca,
o Rafael está por aí?
–Está
sim dona Clara. Está em reunião com um grupo de americanos, mas devem estar
terminando. Vamos lá que irei servir algo a vocês.
Ela
nos levou para uma sala toda decorada, acredito que era onde eles fechavam os
negócios. Parecia uma sala de estar de revista de decoração.
A
sala estava gelada demais por causa do ar condicionado, senti minha pele se
arrepiar. Enquanto ela nos oferecia água, café, chá, suco, bolachinhas; entrou
na sala, um homem alto, moreno, cabelos jogados, era um homem extremamente
bonito, diria que um colírio para os olhos de toda mulher.
Ele cumprimentou meus pais e veio em minha
direção.
–É
você que é a Ana? –ele perguntou com sorriso de propaganda de creme dental.
“Meu
Deus estou bem conhecida nesta loja. ” Pensei.
–Sim,
sou eu! –disse estendendo-lhe a mão.
Ele
apertou minha mão e me beijou o rosto.
–Enzo
à sua disposição.
–Prazer
em conhecê-lo, Enzo. –falei com toda minha simpatia.
Enzo
assim como Rebeca ficou conversando com meus pais sobre o susto que meu pai deu
em todos. Meus pais já estavam sentados em sofás amplos, Enzo e Rebeca nas
poltronas e eu fiquei de costas olhando certificados, prêmios, e destaques da
loja do Rafael em revistas de decoração que estavam pendurados na parede.
Ouvi
a voz de Rafael chegando até nós, ele estava parado na porta com o sorriso mais
lindo do universo.
–Ana,
você veio? –ele disse sem esconder a felicidade.
Caminhei
até ele sorrindo.
–Você
não para de me surpreender hein? Estou orgulhosa.
Ele
sorriu mordendo o lábio inferior, meus olhos guiaram para os seus lábios, mas
disfarcei imediatamente.
–Obrigado!
Fico feliz que tenha gostado.
Nos
encaramos por alguns segundos, mas eu voltei imediatamente, ficando ao lado dos
meus pais.
–E
aí padrinho, como foi a consulta?
–Tudo
bem filho. Estou novo de novo! –brincou meu pai todo sorridente.
Rafa
inclinou-se para Rebeca sussurrando alguma coisa no ouvido dela, ela saiu toda
sorridente.
–Acabei
de fechar um contrato com um hotel de Miami, eles querem que eu mobílie todo o
hotel, amaram as minhas peças.
Todos
nós vibramos. Rebeca portando um balde de champanhe com gelo, e uma outra moça
carregava uma bandeja com as taças. A moça se retirou em seguida.
–Vamos
brindar. –disse Rafael segurando a champanhe.
Meu
pai serviu-se de uma taça de champanhe sem álcool, Rebeca havia se lembrado até
desse detalhe.
Nós
brindamos ao sucesso da loja. Ficamos sentados conversando até que meu pai fez
sinal para minha mãe para irmos embora. Levantei-me imediatamente.
–Rafa,
deveríamos sair para comemorar, o que acha? –perguntou Enzo dando um tapinha no
ombro de Rafael.
Ele sorriu.
–Eu
topo! Gostaria que vocês viessem também. –disse Rafael olhando em minha
direção.
–Não
meu filho! Vão vocês! Hoje extrapolei, preciso descansar. –disse meu pai.
–É
verdade Fernando, você não parou o dia todo. –concordou minha mãe toda
preocupada.
–Então
vamos indo. –eu disse, levantando-me e pegando minha bolsa sobre o sofá.
–Não filha! Vá com eles, sua mãe volta
dirigindo, vá rever a cidade, beber alguma coisa. –disse meu pai.
Rafael
sorriu.
–Vamos
sim Ana, voltaremos cedo.
–Vai
filha. –insitiu minha mãe.
–Rafael
obrigada pelo convite! Mas acompanho vocês um outro dia, preciso levá-los e
isso é uma comemoração entre vocês, me sentiria uma intrusa.
–Vamos
Ana, você faz companhia para mim. –falou Rebeca sendo simpática.
–Prometo
que levo você para casa quando quiser. –insistiu Rafael.
Suspirei
pensando no assunto.
Minha mãe sorriu.
–Filha
aproveita!
Fiquei
um pouco tensa. Mas acabei concordando. Minha mãe beijou-me a face, assim como
meu pai. Despedimo-nos e eles se foram.
Rafael
olhou para mim, parecia estar muito feliz. Em seguida pegou minha mão. A mão
dele estava gelada, ele também parecia nervoso com a minha presença.
–Vem
aqui, vamos conhecer a fábrica. Ele me guiou pela fábrica, me explicando cada
detalhe. Parecia um garotinho feliz. Voltamos para a loja, onde ele me mostrou
as peças preferidas que ele mesmo desenhara, me falou sobre os prêmios que ele
recebeu; conheci seu escritório, uma sala ampla, branca, com o moderno misturado
ao rústico.
Assim
que saímos de sua sala, Enzo e Rebeca nos aguardavam do lado de fora, os dois
pareciam bem íntimos. A loja já estava fechada e todos os outros funcionários
já tinham ido embora.
-Então
vamos? Indagou Enzo.
Rafael
olhou para mim, dando-me um sorriso malicioso.
Corei.
Fui
com o Rafael de caminhonete e Rebeca foi com Enzo.
Estávamos
menos tímidos do que no dia em que eu cheguei. Sentada no banco caminhonete a
saia do meu vestido ficou mais curta do que eu pretendia, senti um olhar
discreto do Rafael para as minhas pernas, mas fingi não ver; porém, fiquei ainda
mais sem graça.
Estacionamos
em frente a um bar que se chamava Open Door, muito bonito e aconchegante,
parecia um pub europeu.
Assim
que chegamos, Rafael me apresentou a proprietária do bar.
–Ana,
essa é a Débora. Ela é minha grande amiga, não é Déb?
Débora
olhou para o Rafael orgulhosa. Era uma mulher bonita, mas não vaidosa.
Aparentava ter seus quarenta anos. Mas bem moderna para a sua idade. Cabelos
curtos despontados, alargadores nas orelhas, e algumas tatuagens pelo braço. E
parecia ser extremamente simpática.
–Hum,
o Rafa já me falou muito de você. –Déb falou enquanto me abraçava.
–Prazer
Débora.
–Pode
me chamar de Déb. Soa até estranho quando alguém me chama de Débora.
-Tudo
bem, então Déb!
Ela
sorriu e me abraçou mais uma vez.
–Ela
é bonita mesmo, Rafael.
Olhei
para Rafael sem graça, que soltou um sorriso em seguida.
Nisso
Enzo e Rebeca chegaram. Ficamos em uma mesa, próxima ao balcão, eles pareciam
ser bem amigos de Déb. No começo me senti um pouco deslocada, mas tanto o
Rafael, quanto o Enzo e a Rebeca fizeram-me me sentir muito à vontade.
O
bar foi ficando lotado, um rock antigo tocando, tomamos rodadas de chope
alemão, chope escuro, tequila. Já estava me sentindo alta por conta do álcool.
Rebeca
era o oposto do que eu havia imaginado, ela era extremamente divertida, e ao
que parecia, ela e o Enzo estava engatando num romance.
Ela me chamou para
ir com ela ao banheiro. Assim que chegamos, ela foi fazer xixi, e eu fiquei
retocando minha maquiagem. Quando ela saiu, foi até a pia, lavou as mãos e
ficava me observando pelo espelho.
–Ana,
já ouvi falar muito de você.
Fiz cara de
surpresa.
–Sério,
o quê?
–O
Rafael é muito discreto. Claro que ele sai com muitas garotas, também pudera as
meninas caem matando em cima dele. Ele é um gato, e é muito bem posicionado
financeiramente, então já viu.
Concordei com a
cabeça.
–Então,
uma vez conversando com o Enzo eu questionei o porquê do Rafael nunca namorar
sério. Nunca parar com uma garota, e o Enzo me contou que o Rafael era
apaixonado desde moleque por uma garota que foi criada com ele, mas ela havia
ido embora, e que eles tinham perdido o contato. E disse que o Rafael nunca
esquecera dessa garota.
Suspirei, fiquei
sem reação.
–E
quando foi ontem, o Rafael passou da loja falando que ia buscar você no aeroporto,
e ele estava todo radiante. E nisso ele e o Enzo se trancaram no escritório e
ficaram conversando por um bom tempo. Mas depois ele saiu, eu estava cheia de
serviço, nem me toquei de perguntar para o Enzo sobre você.
Sorri acanhada.
–Hoje,
novamente ele chegou todo alegre, e ele conversou algum tempo com o Enzo. Então
você chegou com seus pais, e quando eu vi os olhos do Rafael para você, matei a
charada, de que era você a tal garota que tirava o sono dele. E vindo para o
bar, eu perguntei para o Enzo se você era a garota que foi criada com o Rafael,
pela qual ele era apaixonado, e o Enzo concordou.
Senti minhas
bochechas esquentarem, acho que fiquei uma pimenta vermelha nesse momento.
Suspirei, sentindo-me tensa.
–A
garota que foi criada com o Rafael sou eu sim, mas acredito que não devo tirar
o sono dele não! Faz algum tempo já, aliás, faz muito tempo que nem nos víamos.
Tanto que estou até noiva.
–É!
É uma história bem complicada a de vocês. Porém, vocês são tão fofos juntos,
quem sabe? –ela disse
toda empolgada.
–Rebeca,
é bem complicado. Sofri muito por causa do Rafael, hoje posso dizer que estou
curada dele, contudo, foram anos sofrendo.
–Imagino
Ana, deve ser difícil mesmo. Eu também tenho uma história complicada, conheci o
Enzo ainda no ginásio, tivemos um namoro, mas logo conheci o Beto que é o pai
do meu filho e me apaixonei por ele.
–Que
lindo, você tem um filho?
–Tenho
sim, é um príncipe, você vai conhecê-lo. –ela disse toda orgulhosa.
–Então,
logo engravidei e me casei, era muito nova, mas meu marido era um grosso. Nos
mudamos para Porto Alegre, pois ele tinha uma academia lá, ficava mais fora do
que comigo. Então voltei para Canela assim que o Arthur nasceu, e o Beto ficou
em Porto Alegre e só vinha aos finais de semana. Comecei a trabalhar para o
Rafael, o Arthur tinha meses ainda, foi quando revi o Enzo, ficamos muito
amigos. E quando meu ex-marido vinha nos visitar, era sempre impaciente com o
menino, brigava comigo, dizia que odiava ser casado, até que uma vez eu o
enfrentei e ele me bateu muito. Nos separamos cerca de uns oito meses atrás,
mas meu divórcio saiu há uns três meses. E agora, eu e o Enzo estamos meio
que...
–Nossa,
imagino o quanto você deve ter sofrido.
Ela balançou a
cabeça, neste momento vi seus olhos encherem de lágrima.
–E
o Enzo é o oposto do Beto, é todo carinhoso, romântico, presente, preocupado.
Só que nós estamos mantendo nosso relacionamento meio que em segredo. Quero
deixar passar mais um tempo, assim ninguém fará nenhum comentário maldoso sobre
nós.
–E
seu filho está com quanto tempo?
Rebeca olhou-se no
espelho, secando as lágrimas e sorriu ao falar do filho.
–Daqui
uns dias ele faz três aninhos, ele é minha vida.
Assim que
retornamos para a mesa, mais amigas do que nunca, os meninos reclamaram da
nossa demora. O bar estava lotado, ficamos conversando, quando Enzo foi ao bar
conversar com Déb, Rafael olhava para mim fixamente, cada vez que eu falava
alguma coisa. Enzo voltou conversando algo no ouvido dele. Rafael sorriu e
olhou para mim. Em seguida Enzo veio perto de mim e inclinou-se para falar em
meu ouvido.
–Ana,
o Rafa e eu de vez em quando tocamos aqui no bar para a Déb, só para
descontrair. E o cara aqui é fera. –disse Enzo apontando para o Rafael, que parecia
divertir-se com a cena.
–Mas
ele está tímido porque você está aqui. Então pede para ele tocar para você, pois
tenho certeza que um pedido seu ele nunca recusaria.
Enzo piscou para
mim e sorriu, e sentou-se novamente ao lado de Rebeca.
Olhei séria para o
Rafael, que me sorriu em resposta.
–O
que esse cara disse a você?
Eu sorri.
–Você não vai me negar à oportunidade de vê-lo tocando,
não é?
Rafael olhou para
mim, abrindo um largo sorriso.
–Eu
vou tocar, mas é por você. –ele disse, sussurrando em meu ouvido.
Senti seu hálito
de menta e seu perfume almiscarado, tive uma vontade gigantesca de beijá-lo ali
mesmo. Minha pele se arrepiou toda. Dei-lhe
uma piscada e eles seguiram para um pequeno palco.
Tocaram algumas
músicas do The Doors, Gun´s, Mettalica, Pearl Jam, entre outros.
O Enzo cantava
perfeitamente, e o Rafael tocava a guitarra como ninguém. Algumas vezes o
flagrei olhando para mim, eu o encarava, mas depois disfarçava.
–Nossa
Rebeca, não me lembrava de ver o Rafael tocando tão bem assim. Me lembro de que quando ele era adolescente,
ficava horas no quarto tocando, mas agora ele toca perfeitamente.
Rebeca sorriu.
–Acho
linda a maneira que eles tocam. Quando eu vi o Enzo cantando pela primeira vez,
soube que ele era o homem da minha vida.
Nós rimos e
ficamos paparicando os rapazes no palco. Observei algumas garotas bem próximas
ao palco. Mas tinha uma que não tirava
os olhos de Rafael. Ela tinha cabelos longos e lisos, com uma cor avermelhada.
Vestia uma minissaia jeans, com uma blusa preta deixando os ombros bem à
mostra, onde destacava uma tatuagem no ombro, uma estrela. Usava um scarpin
pink. Estava bebendo uísque. E comia o
Rafael com os olhos. Senti um frio na barriga, tive a sensação de ser a tal
filha do amigo do meu pai.
–Quem
é ela? Perguntei para Rebeca mostrando a tal garota.
Rebeca fechou a
cara na mesma hora.
–É
a Fernanda. –respondeu
Rebeca fazendo careta. –É uma patricinha. Vive correndo atrás do Rafael, e as amigas dela vivem
dando em cima do Enzo, são umas vadias!
Senti um nó formar
na garganta. Fiquei inquieta, não conseguia mais tirar os olhos de Fernanda, e
ela olhava para o Rafael descaradamente.
–Rebeca,
eu vou até o bar, e já volto.
Rebeca só
concordou com a cabeça, mas parecia vigiar o Enzo. Fui para o bar, não queria
ver a cena de Fernanda com Rafael. Sentei-me em uma banqueta em frente ao
balcão e pedi para um barman duas tequilas.
–Ana,
minha linda, e aí está gostando? –perguntou-me Déb toda simpática.
–Estou
amando, amei esse lugar, parabéns Déb.
Déb sorriu e olhou para o palco.
–Viu
o show que os meninos dão?
–Vi
e fiquei surpresa, os dois são muito bons.
Ela concordou. Nesse momento ela avistou
Fernanda, bem em frente ao palco.
–O
problema é que as galinhas começam a ciscar em volta, assim que eles começam a
tocar. –ela
disse apontando para a
Fernanda.
–É,
eu percebi! –respondi
sorrindo para disfarçar minha decepção.
Déb esticou-se no
balcão apertando minha mão.
–Ana,
vou lhe dizer uma coisa, o Rafael é um grande amigo meu. Nós nos tornamos
confidentes um do outro. Confio muito nele e ele confia muito em mim. Então, sei
sobre vocês dois, ele vive me falando de você, e pode ter certeza que embora
ele tenha saído algumas vezes com essa garota não é dela que ele gosta.
Olhei para ela sem
graça, e abaixei minha cabeça.
–Não
precisa ficar constrangida Ana. Esse é um assunto que eu nunca comentarei com
ninguém, pode confiar.
–Oh
Déb, obrigada! Mas isso ficou lá atrás. Muitas coisas aconteceram em nossas
vidas, e como você deve saber é uma história de amor platônico.
Ela sorriu. Abriu
uma garrada de vinho e serviu-se. Tomou uma golada e me ofereceu em seguida.
Mas eu recusei.
–Sei
bem como é; mas, se for para ser seu, nada desse mundo impedirá. Pode ter
certeza.
Nesse momento eles
pararam de tocar, estavam saindo do palco quando a filha do prefeito parou o
Rafael, ele olhou em volta, não me viu na mesa, ameaçou desviar dela, mas ela o
segurou pelo braço e conversava algo no ouvido dele.
–Ei,
nunca te vi por aqui? –disse em meu ouvido uma voz quente cheirando a cigarro e bebida.
Quando me virei
tinha um carinha quase colado em mim. Ele seria até que boa pinta se não fosse
o cigarro que ele exalava pelos poros.
–Sou
daqui, mas não moro aqui. –respondi sem mal olhar para o rapaz.
–E
mora onde a princesa?
Essa cantada
barata chegou a dar enjoou. Princesa era piegas demais para mim.
–Nenhum
lugar que seja da sua conta. –respondi fazendo cara feia para ele.
Olhei para a
direção do Rafael e vi que ele também me olhava, a garota ainda falava com ele,
eles pareciam estar discutindo, ela falava e gesticulava.
–Difícil
você hein garota? –disse o carinha, insistindo em falar comigo.
–Eu
sou o Igor, e você?
O barman trouxe as
tequilas que eu havia pedido.
Fingi não ouvir,
ameacei descer da banqueta, mas ele puxou-me pelo braço.
–Você
sabe com quem você está falando? –ele falou parecendo irritado.
Olhei ao redor e
disse ironicamente.
–Não
estou falando com ninguém, você é quem está falando comigo, mesmo percebendo
que eu não estou nem um pouco a fim de conversar, então, por favor, solta meu
braço.
–Sai
fora Igor! A garota é minha convidada, não quero problemas aqui com você
novamente ou chamarei os seguranças. –disse Déb, ameaçando-o.
–Ei
Déb, é sua...
–Cala
a sua boca e dá o fora do meu bar. –Déb falou exaltada.
Senti uma mão
forte na minha cintura. Era o Rafael.
–Aconteceu
alguma coisa, Ana? Esse carinha está incomodando você? –perguntou Rafael fuzilando Igor com o olhar.
–Não
Rafa! O Igor já está de saída, não é Igor? –continuou Déb.
Igor saiu, mas
voltou em seguida.
–Ei,
não é você o cara que está traçando minha irmã?
Me senti totalmente
constrangida ao ouvir o tal carinha dizer todas aquelas grosserias. Rafael
apertou as mãos, parecia estar preparando-se para atacar o tal rapaz.
–Estou
voltando para mesa Rafael. Vamos?
Rafael parecia
querer voar na cara do tal carinha.
–Vamos
Rafa, não faz isso, não vale a pena.
Igor saiu o mais
depressa possível, desaparecendo entre as pessoas que lotavam o bar. Segui para
a mesa levando as tequilas, Rafael veio atrás de mim. Entreguei uma para Rebeca
e virei a outra. Rafael parecia furioso, mas eu não sabia se era pela garota
que ele estava conversando ou se era por causa do irmão dela.
Rebeca e o Enzo
estavam cochichando e dando risadinhas, eu falei para o Rafa que ia ao
banheiro. Assim que me levantei, ele levantou-se apertando minha mão.
–Desculpe
por aquele idiota! Você está bem? Você ficou diferente Ana.
Sorri para ele.
–Está
tudo bem! Volto logo!
Soltei minha mão da dele e segui para o
banheiro.
Assim que entrei,
uma garota entrou atrás de mim, era a Fernanda, mascando chiclete com a boca
aberta. Lavei minhas mãos enquanto ela analisava seu reflexo no espelho. Em
seguida ela caminhou até mim.
–Você
está com o Rafael? Você que é a irmã dele?
Olhei para ela, e
dei-lhe meu melhor sorriso.
–Sim
estou com o Rafael, e não, não sou irmã dele. Apenas fomos criados juntos. E
você, quem é?
–Fernanda.
–ela
respondeu estendendo-me a mão e
puxando-me para um beijo no rosto.
–Prazer
Fernanda, eu sou a Ana.
–Então Ana, eu e o Rafa estamos saindo há
algum tempo, nós precisamos sair para conversar. E o Rafa me pediu para eu ver
com você se você não se importa de sei lá, de ir com uma amiga, ou com o Igor,
meu irmão que, aliás, parece ter ficado bem interessado por você.
Senti minha cara
cair.
–Claro, por mim
tudo bem. Não se preocupe eu me viro. –respondi dando um sorriso amarelo para
ela.
Ela sorriu para mim e saiu em seguida.
Assim que cheguei
à mesa, Rafa, Enzo e Rebeca conversavam animadamente, peguei minha bolsa e
procurei meu iphone. Estava sem bateria só para variar. Eles olharam para cara
que eu fiz, nem imagino qual foi.
Perguntei para
Rebeca bem baixinho se ela me emprestava o celular para ligar para minha mãe.
Rebeca fez cara de assustada.
–Claro, Ana,
aconteceu alguma coisa?
O Rafa estava
conversando com o Enzo, mas olhando para a gente.
–É que a Fernanda
me encontrou no banheiro, parece que ela e o Rafael precisam conversar, e o
Rafa pediu para ela vir falar comigo para que eu arrumasse alguém para me
levar. Mas eu vou ligar para minha mãe e peço para lagum motorista vir me
buscar. –falei sem demonstrar minha chateação.
Ela olhou para o
Rafael assustada.
–O que aconteceu? –perguntou
Rafael.
Olhei sem graça para
ele.
–Rafa, desculpa, não quero incomodar vocês, vou ligar
para a minha mãe, e peço para alguém vir me pegar.
–Nós levamos você Ana. Não é Enzo? –interrompeu Rebeca me olhando séria.
–Mas, por quê? –indagou Rafael com cara de que
não estava entendendo.
Fiquei sem
entender a reação dele.
–Rafa você conversou com a Fernanda e disse para ela
falar pra Ana arrumar uma carona para ir embora? –perguntou
Rebeca parecendo indignada.
–Eu o quê? Ela te falou isso Ana?
–Falou.
–Rafael, na boa, fica tranquilo. Pode ir conversar com
sua amiga, que eu me viro. Ela até me ofereceu para ir com o irmão dela, mas vou com a Rebeca e com o
Enzo se eles me levarem.
–Eu não acredito nisso! –exclamou
Rafael balançando a cabeça em sinal de negação, levantando-se da mesa e saindo
em disparada.
Enzo passou as
mãos pelos cabelos.
–Não acredito que ela fez isso, Ana. O Rafa nunca faria
isso, você sabe, não é?
–Enzo, sei lá, ela me disse com tanta convicção, que eu
achei que eles queriam sair, e talvez ele tivesse com receio de me falar,
fiquei sem ação. Ela ainda me sugeriu que eu fosse com o irmão dela.
–Ana, fica tranquila, essa atitude é bem a cara da
Fernanda. O Rafael não faria isso com ninguém que estivesse de carona com ele,
muito menos com você. –disse Enzo preocupado.
Olhei ao redor e
vi Rafael conversando com a Fernanda. Mais uma vez eles pareciam discutir. Ela
olhou em minha direção, parecia querer me matar com o olhar. Fernanda disse
algo, apontando o dedo no rosto de Rafael, em seguida deu um gole em sua
cerveja e deu de ombros para Rafael, deixando-o falando sozinho.
Rafael voltou para
a mesa com cara de ódio, chegou à nossa mesa pediu pra Rebeca trocar de lugar
com ele, ela sentou-se ao lado de Enzo e ele sentou-se ao meu lado. Apertou
minha perna com uma de suas mãos por debaixo da mesa. Senti um calafrio pelo
corpo todo.
–Ana, desculpa por isso, essa garota é...., bom enfim,
disse para você que ela é doida. Mas hoje ela passou dos limites.
–Rafael, estou até sem jeito, me desculpa, só não quero
atrapalhar seus planos, e também jamais passou pela minha cabeça que fosse
mentira dela.
Ele olhou para
mim, seus olhos verdes olharam no fundo dos meus.
–Eu nunca, por nada no mundo, faria uma coisa dessas com
você.
Coloquei minha mão
sobre a dele que ainda estava sobre minha perna, e a apertei.
–Obrigada Rafa!
Ele permaneceu
segurando minha mão e comentou com o Enzo e a Rebeca sobre a mancada da
Fernanda, Enzo disse algo que eu nem prestei a atenção. Só sentia minha mão
sobre a dele e aquilo estava me tirando do ar.
Alguns minutos
depois, Rebeca olhou no relógio e comentou que precisava ir embora, Enzo
concordou com ela.
Rafael olhou para
mim, perguntando se eu queria ir também. Concordei. Levantamo-nos e saímos em
seguida. Rafael só soltou minha mão para
pagar a conta, mas em seguida a segurou novamente. Rebeca viu aquela cena e deu
um sorriso para mim, e eu me sentia totalmente estranha com aquela situação.
Enquanto Rafael acertava a comanda do bar, Déb
veio até mim para despedir-se, me dando um abraço forte.
-Ana, foi um
prazer conhecê-la. Agora entendo o porquê meu amigo é doido por você.
-Déb, assim você
me deixa sem jeito! Mas amei conhecê-la também. Você é uma pessoa maravilhosa.
Rafael e Déb despediram-se
e fomos para o estacionamento. Já no estacionamento me despedi de Rebeca e
Enzo, Rebeca me deu um abraço caloroso.
–Ana, adorei conhecer você, precisamos sair outras
vezes enquanto você estiver aqui, pode ser?
–Também fiquei muito feliz em conhecê-la, marcaremos
alguma coisa sim; ainda tenho um mês por aqui.
Rafael também se
despediu deles, em seguida abriu a porta da caminhonete, ajudando-me a entrar e
seguimos para casa. O silêncio enquanto
fazíamos o caminho de casa era perturbador. Enquanto Rafael dirigia, olhou para
mim e segurou minha mão carinhosamente.
–Desculpa, mais uma vez!
–Rafa, deixa para lá. Eu quem preciso pedir desculpas
por ter colocado você nessa situação ruim.
A mão dele
percorria todos os nós dos meus dedos, e depois voltou a segurar volante da
caminhonete. Aquele gesto me deixou tão sem ação que cheguei a ficar até sem
ar.
Olhei para fora do
carro, tentando pensar em algo para falar a fim de afastar aqueles pensamentos
da minha cabeça.
–Rafa adorei ver você tocar, foi perfeito! Fiquei
encantada.
Ele sorriu.
–Olha que vou me sentir assim! –ele
brincou me olhando maliciosamente.
–E a Déb? Adorei conhecê-la.
–A Déb é minha melhor amiga, minha confidente. Sei lá,
me apaguei muito a ela, ela vive me dando conselhos. Ela tem uma namorada, que
morre de ciúmes dela. De vez em quando ela aparece no bar para dar uma mão, mas
é difícil.
–O Enzo e a Rebeca também são ótimos! Vejo que você tem
ótimas companhias aqui em Canela.
Rafael sorriu
concordando com a cabeça.
–É verdade. O Enzo é mais do que um irmão para mim.
Também sabe tudo o que se passa comigo, assim como eu sei o que se passa com
ele. Ele e a Rebeca estão juntos, ela te disse? Ele é doido por ela.
Forcei um sorriso,
porque no fundo senti ciúmes daquelas pessoas que na verdade conheciam mais o
Rafael do que eu mesma conhecia. Conheci o Rafael menino e adolescente. Mas não
sabia como o Rafael adulto pensava e agia. Era estranho pensar nisso.
Um pouco antes de
chegar à entrada da fazenda, Rafael parou a caminhonete. Eu olhei para ele
assustada.
–O que aconteceu?
Ele passou a mão
pelos cabelos. Parecia nervoso, acanhado.
–Ana, preciso fazer uma coisa senão vou ficar louco.
Rafael inclinou-se
em minha direção me deixando totalmente sem reação e me beijou em seguida, o álcool
estava fazendo efeito e misturou-se com a vontade de beijá-lo. Não tive força
para impedi-lo, retribuindo assim os beijos dele. Senti o mundo parar naquele
momento. Tudo o que temia sentir por ele, que estava adormecido há anos,
despertou outra vez. Meu corpo se arrepiou inteiro, senti sua língua passear
pela minha boca, e eu não tinha a mínima intenção de pará-la, suas mãos
percorriam meu corpo, seu beijo era doce, mas ao mesmo tempo era envolvente,
como se ele sentisse vontade de mim. Assim que suas mãos deslizaram sobre minha
coxa, levantando uma parte do meu vestido eu o afastei.
–Não, Rafael, eu, eu preciso ir!
-Ana, eu...
Cobri os lábios
dele com meu dedo.
–Eu realmente preciso ir!
Ele encostou sua testa
paralela a minha, ficamos nos encarando; porém, a vontade de continuar ainda
nos rondava.
–Tudo bem! –ele disse decepcionado.

Estou amando!!!!
ResponderExcluirQue amanhã chegue logo, e aproveita que é sábado e faz um post maior... 😘😘😘
Estou amando!!!!
ResponderExcluirQue amanhã chegue logo, e aproveita que é sábado e faz um post maior... 😘😘😘
Aiiiiii meuuuu Deuusss.... Já estou apaixonada pela Ana e Rafael kkkkk.... espero que eles fiquem bonzinhos sempre kkkk
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