Faça por mim
Parte 10
15
Amigas
O almoço foi
servido. Apenas nós quatro almoçamos, Rafael não apareceu. A mesa estava farta,
Maria como sempre havia caprichado. Até o Léo ficou surpreso. Meu pai para
quebrar o silêncio resolveu puxar assunto.
–Olha Leonardo,
sei que você está acostumado a comer pratos sofisticados dos restaurantes
americanos, então não repara, pois aqui não é assim, come-se muito bem, mas é
tudo muito simples.
–Imagina,
Fernando, estou deslumbrado com esse lugar, é tudo muito lindo. É tão
tranquilo, sossegado, e essas paisagens então nem se fala, fiquei encantado.
Mas o que mais me agradou foi essa comida. Vocês estão de parabéns, por tudo.
–ele disse apontando para a mesa.
–É o tempero da
Maria quem prova nunca mais esquece. –falou minha mãe.
–Quem sabe, no
futuro, nós nos instalemos aqui, não é? –falou Léo dando uma piscada para mim.
Retribui com um
sorriso forçado.
Se um dia eu
voltasse a morar ali, não era com o Léo que eu planejava.
–Meu filho
construiu uma bela casa aqui, é na propriedade ao lado. A casa dele é cercada
por um lago maravilhoso e uma vegetação de tirar o fôlego. –disse meu pai todo
orgulhoso do Rafael.
Sim era preciso eu ir embora dali o quanto
antes, era tortura demais para uma pessoa só. Enquanto eu estivesse por perto,
eu jamais me livraria dos meus sentimentos pelo Rafael. Minha mãe olhou para
mim e percebeu que meus olhos se encheram de lágrimas.
–Deve ser um lugar
lindo. –disse Léo, ainda sobre a casa do lago.
–Por falar nisso, nós conversamos com seu
irmão, logo pela manhã. –Léo disse olhando para mim.
–É mesmo? E ele
estava melhor?
–Estava sim e ele
pediu desculpas sobre ontem. –disse Léo.
–Ele é um garoto
excelente, você só o pegou em um dia ruim, aliás, dias ruins. –meu pai disse.
Apenas suspirei.
Pois eu sabia que eu também, contribuí nestes dias ruins.
–Nós vimos a
Fernanda hoje, ela estava fumando, acredita Fernando? –disse minha mãe, ainda
indignada.
Meu pai balançou a
cabeça em tom de negação, mas não disse uma só palavra.
Após o almoço, Léo
descansou um pouco em meu quarto, enquanto eu arrumava minha mala, que estava
voltando mais cheia do que chegou. Mais tarde, Léo e meu pai foram pescar com o
Tomas.
Rebeca me ligou
que passaria de casa para dar-me um abraço antes que eu fosse embora. Quando
ela e o Arthur chegaram, Arthur abriu um imenso sorriso e correu em minha
direção.
–Tia Ana! –disse
ele, todo eufórico.
–Vem aqui, meu
principezinho.
Ele se jogou em meu colo, e me abraçou, como
se me conhecesse a vida toda.
–Ana, não é justo
isso. –disse Rebeca com certa tristeza no olhar.
-O quê? –perguntei
com um meio sorriso.
–Você chega,
encanta todo mundo e depois vai embora. E agora, como nós ficaremos aqui sem
você?
Não disse nada,
apenas dei-lhe um abraço.
Eu, minha mãe,
Rebeca e Arthur ficamos conversando no jardim, o final de tarde era lindo,
principalmente ali entre as flores.
Minha mãe estava
bem diferente depois da conversa que nós duas tivemos. Ela queria agradar-me,
estava sempre por perto. Mas precisou sair para ajudar Maria com o jantar.
–Rebeca, gostaria
que vocês jantassem com a gente.
–Dona Clara, infelizmente
hoje não dá, o pai do Arthur irá buscá-lo, ele passa da minha casa lá pelas
oito horas da noite. Eles vão a um aniversário de um sobrinho dele, então
preciso ir antes para arrumar o Arthur. Mas agradeço.
–Que pena, faria
muito gosto da companhia de vocês, mas então fica para uma outra vez. –disse
minha mãe sendo agradável.
Rebeca concordou.
–Meninas, me deem
licença que vou ajudar a Maria com o jantar, mas volto já. Quer ir comigo
Arthurzinho. –perguntou minha mãe. –Vamos, tem bolo, sorvete, suco.
Arthur lambeu os lábios e foi com ela. Rebeca
suspirou, parecia preocupada.
–Ana, estou
preocupada com o Rafael.
–Por que,
aconteceu mais alguma coisa?
–O Rafa não foi
ontem na loja, e também não apareceu hoje, o Enzo ficou feito louco atrás dele,
o celular só desligado. E nós temos aquele pedido grande das peças que serão
exportadas para Miami e precisamos dele. –disse ela aflita.
Passei a mão pelos
cabelos.
–Rebeca, ontem quando
ele me viu com o Léo foi horrível! O Léo foi cumprimentá-lo, dizendo que era um
prazer conhecer meu irmão. O Rafa me encarou me questionando se era isso que nós
éramos. Ninguém entendeu nada! O Léo ficou totalmente sem graça com a mão estendida,
e o Rafa o ignorando. Só depois que meu pai interferiu ele cumprimentou o Léo e
saiu sem dizer nada. Acredita?
–Ele está
desesperado porque você vai embora. Tanto que nem foi esses dias pra loja. Falei
com a Déb e ela me disse que ontem ele ficou muito mal quando saiu daqui.
–Rebeca, sei lá,
dá uma força para o Rafa, fala para o Enzo conversar com ele também, ele
precisa de você. E ele gosta muito do Enzo.
–Por que você não
tenta falar com ele, antes de ir, Ana? Afinal vocês estão brigados. Eu sei que
a situação de vocês é complicada agora, mas pelo menos não fica esse
ressentimento, não é?
–É, talvez você
tenha razão.
–A Déb disse ao
Enzo que o Rafael vai assumir o filho, mas não irá se casar com a Fernanda.
Parece que ontem, ele estava disposto a falar com seu pai, mas sua mãe implorou
para que ele não fizesse.
Senti meu coração
apertar ao ouvir isso. Maria apareceu com uma bandeja, contendo suco, bolo,
doces, fizemos um lanche. Mas logo Rebeca precisou ir.
Nos despedimos com
muita tristeza. Ela me deu um abraço tão forte, que parecíamos ser amigas há
anos. Enquanto Rebeca secava as lágrimas, Arthur se pendurou no meu pescoço me
enchendo de beijos, e em seguida eles se foram.
Fui para meu
quarto, e chorei muito, a tristeza parecia esmagar meu coração.
16
Assim como seu
Pai
Logo Léo chegou,
abrindo a porta do meu quarto, como o quarto estava escuro ele não podia ver
que eu havia chorado.
–Ei dorminhoca,
cheguei! –disse ele abraçando-me e beijando meus lábios.
–Vocês demoraram.
–Nossa amor, que
pique que o seu pai tem, ele não desacelera. Isso porque está em repouso.
–Repouso, que
nada. –disse forçando um sorriso. –Mas aí, gostou daqui?
–Amei, precisamos
vir mais vezes.
Fiz que sim com a
cabeça. O celular dele tocou, ele fez um sinal que precisava atender, e foi
para o quarto de hóspedes.
–Ufaaa. –disse
caindo na cama. Falar ou ficar perto do Léo como se nada tivesse acontecido
estava sendo uma sentença.
Tomei um banho
quente, afinal, fazia muito frio lá fora.
Coloquei uma calça montaria preta, um casaco preto e um cachecol
vermelho por cima, e minhas botas. Jantamos apenas os quatro novamente, minha
mãe não disfarçava o ar de preocupada com o Rafael que não tinha dado sinal de
vida.
–E o Rafael cadê?
–disse meu pai ao ver a preocupação de minha mãe.
–Não sei! Eu ligo,
ele não atende, não dá nem sinal, não sei se almoçou, se jantou.
Léo apenas me
olhou, não quis se meter no assunto de família.
–Eu não sei o que
esse menino está pensando. –disse meu
pai demonstrando certa irritação.
Tentei mudar a
direção da conversa falando sobre o horário do nosso voo.
–Mãe, amanhã
sairemos bem cedo, por volta das cinco e meia da manhã.
–Nossa filha, mas
por que tão cedo?
–Só tinha horário
no primeiro voo. –respondi, mentindo, porque na verdade queria ir embora o
quanto antes.
–Achei que pelo
menos ficariam para o almoço.
–Não faltará
oportunidade Clara, viremos mais vezes com certeza.
Após o jantar,
fomos para sala. Meu pai como de costume, tomou um cafezinho após o jantar, Léo
preferiu não tomar. O cansaço estava nítido no rosto do Léo, um dia todo
andando a cavalo pela fazenda, depois pescando, tinha o deixado acabado. Ainda
mais ele que era acostumado a passar horas em frente a um computador, sentado.
A única atividade física dele era academia esporadicamente.
Ficamos jogando
cartas, Léo deixou meu pai ganhar algumas vezes, mas depois os dois competiram
realmente. E então Léo ganhou três rodadas seguintes. Meu celular tocou cerca
de onze horas. Era o Enzo.
–Enzo, tudo bem?
–atendi preocupada.
–Oi, Ana,
desculpe, te incomodar!
–Não tem problema
Enzo, pode falar.
–Ana estou
preocupado! Estou em frente ao portão do Rafael, já toquei o interfone um
milhão de vezes. Mas ninguém atende.
Procurei pelo Rafa pela cidade toda, mas não o achei. Há uns dias o Rafael me
disse que você tem o controle do portão, pensei em passar daí da fazenda para
pegá-lo, ou pensei que talvez você pudesse vir até tentar falar com ele. Quem
sabe você ele escuta.
–Humm Enzo, vou
ver o que faço e te ligo de volta. –disse gaguejando.
–Não, tudo bem. Eu
espero aqui. Só estou preocupado, pois o Rafa não atende o celular e não
aparece na fábrica desde ontem, não sei se a Rebeca comentou com você.
–É, ela me disse.
Senti os olhos do
meu pai e do Léo crescerem para cima de mim, Léo pareceu irritado por eu estar
falando com algum cara que ele não conhecia.
–Enzo, te ligo em
um minuto, pode ser?
–Claro, Ana!
Obrigado, beijo.
–Quem era? –perguntou
meu pai, preocupado.
Minha mãe surgiu
da cozinha para ver o que havia acontecido.
–Era o Enzo pai,
ele está preocupado com o Rafael, ele não foi para loja hoje, e não atende o
celular, ele está em casa, mas também não atende o interfone.
–Talvez ele tenha
saído. –disse Léo.
–Não! Ele está lá
com certeza.
Meu pai
levantou-se.
–Eu vou até lá,
tenho as chaves.
–Pai, pensei em
ir, queria aproveitar para despedir-me dele, amanhã saio cedo, e não queria ir
embora nesse clima. –supliquei.
–Vai sim, filha! O
Rafael gosta de falar com você, conversa com ele, não gosto que vocês fiquem
brigados. –disse minha mãe, que tinha entendido que eu queria ir falar com ele
e sozinha.
–Por mim tudo bem,
se não for incomodar vocês. –disse meu pai.
Léo se levantou
prontamente em ajudar.
–Claro que não,
não atrapalha em nada. –respondeu ele.
Olhei para minha
mãe, exasperada e tomei coragem.
–Léo, você se
importa de ficar? Queria falar com ele, talvez se você for junto, ele fique retraído,
sei lá. Pelo menos, se eu for sozinha, sei que ele vai me ouvir e desabafar.
A cara do Léo
caiu. É claro que ele não negaria meu pedido na frente dos meus pais.
–Não, tudo bem.
Você tem razão Ana, vai sim! –ele exclamou. –Também preciso arrumar minhas
coisas para amanhã, e dormir, pois estou bastante cansado.
–Filha assim que
você chegar, me liga para saber se ele está bem. –disse minha mãe sem esconder
a preocupação.
–Claro mãe, ligo
sim.
Me despedi do meu
pai e do Léo que não estava com a melhor expressão. Minha mãe piscou para mim,
sabendo que por dentro eu estava feliz em poder falar com o Rafael a sós.
–Obrigada, mãe! –disse
sussurrando.
Assim que entrei
na CRV da minha mãe liguei para o Enzo.
–Oi, Ana.
–Enzo, desculpa a
demora, precisei despistar o meu pai que queria ir em meu lugar, e o Léo, meu
noivo também está em casa.
–Ana, desculpa
pelo transtorno.
–Eu que preciso agradecer
a você Enzo! E em alguns minutos estarei aí. Beijos.
Cerca de dez
minutos depois, parei o carro em frente ao portão enorme do Rafael, Enzo estava
encostado em sua caminhonete me esperando.
Abaixei o vidro da
CRV, e ele se aproximou.
–Oi Ana, você quer
que eu entre com você? Ou...
–Enzo, eu preciso
falar com ele a sós, preciso muito!
Ele sorriu, Enzo
mais do que ninguém sabia que nós dois precisávamos conversar.
–Então se precisar
de mim me liga que eu volto.
-–Pode deixar! Qualquer
coisa eu te ligo.
Ele só balançou a
cabeça, entrou em seu carro e saiu enquanto eu abria o portão com o controle
que o Rafael havia me dado.
Conforme entrava
com o carro, pude reparar que a casa estava toda escura. Só a luz da sala
estava ligada. Parei o CRV bem ao lado da caminhonete do Rafa e segui em
direção a casa. De longe, pude ouvir novamente ele dedilhar o violão. Suspirei
aliviada. Imediatamente disquei para o celular da minha mãe.
–Oi Ana.
–Mãe, está tudo
bem! O Rafa está na sala tocando violão, já vou falar com ele.
Ela também suspirou
aliviada.
–Que bom filha,
obrigada!
A porta estava
fechada, mas assim que cheguei perto, pude ouvir que ele tocava uma melodia bem
triste. Girei a maçaneta e a porta estava destrancada. Meu coração faltava
pular da boca.
Assim que a abri,
Rafael me viu e imediatamente parou de tocar, olhou para mim, senti seus olhos
pesados, cansados e extremamente tristes.
Vestia uma camisa branca, dobrada na altura dos cotovelos, calça jeans,
e estava descalço.
–Posso entrar?
Ele não respondeu,
apenas balançou a cabeça fazendo que sim. Entrei, as chaves do carro sobre o
aparador. E me sentei numa poltrona, cruzando minhas pernas, feito uma criança.
Ele manteve a cabeça baixa.
–Continue. Toque
alguma coisa para mim! –disse dando-lhe o meu melhor sorriso. Era o sorriso
mais sincero, porque aquele lugar era o único lugar do mundo onde realmente queria
estar.
Então ele começou
a tocar nossa música, aquela que ele prometeu que aprenderia a tocar para mim.
Observei-o
atentamente, enquanto ele tocava, seus dedos deslizavam com tanta facilidade
sobre cada corda, que pareciam dar vida a cada nota musical. Rafael estava
tocando a música perfeitamente, parecia o próprio David Gilmour.
Nossos olhares se
cruzaram, mas em seguida ele voltou a olhar para as cordas do violão. Eu não me
cansava de olhá-lo, sua pele branquinha, seu rosto parecia desenhado à mão,
seus lábio deliciosos, seus cabelos castanhos claros cuidadosamente alinhados,
seus olhos verdes que tinham o poder de penetrar na minha alma.
Ele terminou de
tocara nossa melodia, colocou o violão ao seu lado e me olhou fixamente. Minha
única reação naquele momento foi soltar um sorriso, embora minha vontade fosse
simplesmente correr em direção a ele. Mas ele se manteve na defensiva, não
expressou nenhum tipo de sentimento naquele momento, além de uma mágoa no
olhar.
–É sábado à noite,
você não deveria estar com seu noivo?
–Deveria! Mas
precisava ver como você estava. O Enzo me ligou preocupado, tentou falar com
você o dia todo, e agora a pouco ele veio até aqui e tocou o interfone, porque
você não o recebeu?
–Já sou bem
grandinho para o Enzo estar preocupado comigo.
–Não é só o Enzo
que está preocupado Rafael, eu também estou, meus pais, a Rebeca, a Maria, a
Déb, enfim, todo mundo que se importa com você.
–Acho que eles não
entenderam que eu quero ficar sozinho. –ele disse, se mostrando indiferente aos
outros, e a mim também.
Balancei a cabeça
sem conseguir negar minha frustração em vê-lo sendo tão frio comigo.
–Tudo bem, irei
deixá-lo sozinho.
Assim que me
levantei, ele também se levantou e foi atrás de mim, tocando meu braço.
–Não Ana! Não
quero que vá embora! Eu nunca mandaria você embora.
Senti nesse
momento que toda sua frieza havia se dissipado. O abracei, e ele me retribuiu o
abraço.
–Me desculpa por
ontem? Fui um tremendo cretino, eu jamais quis prejudicar você, entendeu? –ele
disse segurando meu rosto.
–Rafael, eu amo
você. Amo tanto que chega a doer. Então por favor, ouça o que tenho para te falar,
não posso ir embora amanhã sabendo que existe algum tipo de mágoa ou rancor
entre nós, por favor!
Ele se afastou e
sentou-se novamente, puxando-me ao lado dele.
–Então você vai
mesmo?
Eu balancei a
cabeça afirmando.
–Tenho que ir.
Era nítido da
expressão de decepção em seu rosto.
–Mas, eu não podia
ir sem falar com você. Sabe, Rafa, essa vida da gente é tão maluca, o destino é
tão doido, que arrumou um jeito com que eu viesse aqui. –disse tomando fôlego e
pensando nas palavras certas para dizer a ele naquele momento.
–Realmente,
deveria estar com meu noivo que veio até aqui só para me ver, mas não. Estou
aqui, e sabe por quê? Porque acima de tudo, você é a pessoa mais importante da
minha vida. E eu não quero e não posso ver você nessa situação.
Senti minha voz
trêmula.
–Cheguei até a me arrepender de ter vindo para
Canela, mas quer saber? Não me arrependo mais. Quando estou perto de você,
todas as minhas dúvidas somem, pode passar o tempo que for, aconteça o que
acontecer, que meu amor por você continua cada vez mais forte. E acredito que
isso aconteça com você também.
Ele concordou,
balançando a cabeça.
Suspirei.
–Vivi todos esses
anos esperando por você, e se precisar espero mais um pouco, porque tenho
certeza de uma coisa, que se o nosso destino for ficarmos juntos, pode
acontecer o que for, pode passar o tempo que for, que ficaremos juntos.
Ele olhou para mim
sem entender.
–Rafa, muita coisa
aconteceu com a gente. Nos apaixonamos mesmo sendo criados como irmãos;
seguimos vidas totalmente diferentes, nos encontramos depois de anos e
descobrimos que nosso amor nunca deixou de existir. Agora, mesmo nos amando,
temos que nos separar novamente. Então, isso significa que a nossa história ainda
não chegou ao fim. Pode ser que essa gravidez aconteceu porque ainda não seja a
hora de ficarmos juntos. Nós magoaríamos as pessoas que mais amamos. Acho que
as coisas não acontecem na nossa vida por acaso.
As minhas lágrimas
começaram a rolar. Ele as secou delicadamente. Beijou o topo da minha cabeça e
me abraçou.
–Mas você acha que
o destino realmente nos separaria para nos juntar novamente? Isso não tem
sentindo Ana.
Olhei convicta para
ele.
–Se for para eu
ficar com você, se for esse meu destino, pode passar o tempo que for, que nós
ficaremos juntos. Hoje por exemplo, não me imaginava vir até aqui em sua casa,
sendo que o Léo está na casa dos meus pais esperando por mim. Entretanto, o
destino deu um jeito e eu estou aqui.
Me sentia
totalmente nervosa, sentia meu corpo estremecer só de estar perto dele.
–Pode ser egoísmo
da minha parte, mas não estou preparada para dividir você com mais ninguém, preciso
ter você por inteiro. E sei que uma gravidez não é brincadeira. E essa criança
que está por vir, não tem culpa que os pais foram inconsequentes, não tem culpa
de vocês não se amarem. Ela só precisa ser amada.
Rafael desviou o
olhar, parecia pensativo.
–Então, o primeiro
passo, é você encarar que errou e assumir o seu erro, doa a quem doer. Mesmo
que você não ame e não se case com a Fernanda, mas o seu filho você tem que
aceitar, não apenas assumir esse filho ou filha, mas aceitá-lo de coração,
amá-lo. Assim como o seu pai fez por você, quando ele engravidou sua mãe; eles
mal se conheciam, mas ele assumiu tanto a ela quanto a você e com todo amor do
mundo. Tanto é que mesmo no final da vida dele, ele se preocupou tanto com
você, que o deixou sob os cuidados das pessoas mais apropriadas, em que ele mais
confiava para cuidar do filho dele. E essas duas pessoas também lhe aceitaram
de coração e te amaram de uma maneira inexplicável. Então aceite e ame essa
criança, faça isso por ela, faça isso pelo seu pai, faça por seus padrinhos,
faça por você...
Ele me abraçou, e
explodimos em uma emoção sem fim. Foi sem dúvida a conversa mais sincera e mais
difícil de toda a minha vida.
Quando nos
acalmamos, sequei as lágrimas dele e ele me beijou. Foi um beijo terno e
apaixonado. Pude sentir seu corpo inteiro tenso ir relaxando em meus
braços. Ficamos algum tempo abraçados,
porém, sem dizermos mais nem uma palavra. Acredito que ele estava digerindo
tudo o que havia lhe dito. Depois de um certo tempo, o silêncio já estava sendo
perturbador, eu queria saber o que ele estava pensando, mas não tive coragem de
lhe perguntar. Alguns minutos depois precisei quebrar o silêncio.
–Agora vem aqui!
–disse libertando-me dos braços dele e o puxando em direção à cozinha.
–Deixa cuidar de
você, por favor! Você está com fome?
Rafa ficou parado
em meio a sala me encarando. Senti meu corpo inteiro estremecer apenas mediante
aos olhares dele.
–Não! Estava com a
Déb mais cedo, acabei fazendo um lanche por lá. E seu humm... (Rafael fez uma
pausa), o tal do Leonardo, não está bravo que você está aqui?
–O Léo queria vir
comigo, mas eu disse que precisava falar com você sozinha. Ele não negaria um
pedido meu na frente dos meus pais.
–Ele parece ser um
cara legal, falei com ele hoje na fazenda.
Suspirei
sentindo-me mal por enganar o Léo.
–Ele é sim, talvez
legal demais para mim. Estou agindo feito uma...sei lá, uma vadia. Nunca fiz isso
antes Rafael, eu nunca o traí o Leonardo, jamais. Mas aqui, as coisas fugiram
do controle, não sei o que aconteceu.
–Ei! Nunca diga
isso! Você nunca seria uma vadia. E nós sabemos o que aconteceu aqui Ana, foi
algo que nunca terminou. E antes mesmo de você conhecê-lo, nós já tínhamos uma
história.
–Eu sei, mas de
todo modo, não é certo. Existem pessoas que não merecem ser tratadas dessa
maneira. E o Léo é uma delas. Eu sei que errei, e errei muito, eu deveria ter
sido honesta com ele assim que nós ... você sabe. Deveria ter ligado para ele e
acabado com tudo.
–Vem aqui, vamos
beber alguma coisa. –ele falou enquanto segurava minha mão.
Fomos até a
cozinha, onde abri o armário e peguei dois copos.
–Eu amo a maneira
de como você combina com esse lugar. –disse Rafael enquanto olhava cada
movimento que eu fazia.
Fiquei totalmente
sem jeito.
–E eu amo esse
lugar. –disse com um nó na garganta, olhando para cada detalhe daquela casa
linda, que ele havia feito pensando em mim.
Afastei as
tristezas da minha cabeça para não começar a chorar novamente. E mudei de
assunto.
–Você quer beber o
quê? Água, um vinho, uísque, suco? –ele indagou.
–Água.
Rafael completou
nossos copos com água e me encarou por um momento.
–Rafa, liga pro Enzo amanhã, ele está realmente preocupado.
–Eu vou! –disse
Rafa enquanto corria o dedo na borda do copo.
Estava tão
desnorteada, que não sabia mais o que dizer. Bebi um pouco da água e quando o
olhei, ele me encarava.
Em seguida ele
tomou-me em seus braços.
–Você não vai
embora agora, não é?
Olhei para o
relógio, já passava da meia noite.
Senti meus anjos
tilintarem com seus sininhos em meus ouvidos.
–Rafa, preciso ir,
você sabe.
–Fica só mais um
pouco Ana, por favor?
Não conseguia
reagir e ao mesmo tempo não conseguia discordar. Eu sabia o quão errado era eu
ficar, mas em meu íntimo eu não queria ir embora.
–Tudo bem, só mais
um pouco!
Ele sorriu, me
pegou pela mão, e então subimos.
–Preciso tomar um
banho, juro que não demoro. –disse Rafael,
levando-me até o quarto principal.
Concordei meneando
a cabeça, em seguida ele inclinou-se dando-me um beijo na cabeça.
Assim que Rafael
entrou no banheiro, fiquei parada de frente para o imenso painel de vidro,
vendo toda aquela paisagem. Imaginei outra pessoa em breve ali em meu lugar.
Senti um tremor no peito só de imaginar, mas mantive-me firme.
Podia ouvir o
barulho do chuveiro, ficava imaginando-o se ensaboando, se enxaguando, e isso
me deixava atordoada.
“Preciso ir
embora, senão...” Pensei. Quando estava saindo, Rafael saiu do banheiro.
Assim que olhei para
trás, ele estava apenas com uma cueca boxer, vindo em minha direção. Olhei todo
aquele corpo, e me virei novamente ruborizada. Soltei um sorriso e balancei a
cabeça.
–Isso já é
tortura! –falei virando-me para a vidraça.
Ele estava todo
perfumado, o cheiro de almíscar invadiu o quarto e meus poros.
–Vem aqui, fica só
um pouquinho deitada aqui comigo. –Não vou fazer nada, prometo. –Rafael falou me puxando para a cama junto
dele.
Embora estivesse
totalmente em dúvida e receosa, deitei-me ao lado dele. Rafael me encarou
ficando poucos centímetros de distância. Seus dedos passeavam pela minha face, e
em seguida ele tocou meus lábios, com os dedos.
–Você é tão linda!
–ele disse olhando para mim com toda a sinceridade do mundo.
Fechei meus olhos
e senti seus lábios tocarem os meus.
Acabei me perdendo totalmente nos beijos dele. Sem que eu tivesse tempo
para pensar no certo ou errado, quando dei por mim, sua língua já passeava em
toda minha pele nua e minhas costas se arqueando de tanto prazer. Rafael subiu
em direção ao meu pescoço e meus ouvidos.
–Te amo Ana, como
nunca amei e nunca vou amar ninguém.
–Eu amo você mais
do que tudo Rafael. –respondi sentindo um prazer imensurável.
Rafael penetrou em
mim, vagarosamente, com todo o cuidado, sem pressa nenhuma, como se isso
evitasse que as horas passassem, não querendo que aquele momento terminasse
nunca. Era o nosso amor de despedida.
Seus movimentos calmos
e suaves começaram a entrar em um ritmo mais intenso. Ele me beijava e dizia
que me amava repetidas vezes. As pressões foram aumentando, foram ficando mais
rígidas até que nossos corpos estremeceram juntos. Foi a sensação de prazer
mais intensa que alguém pudesse ter.
Assim que nossas
respirações voltaram ao normal, ele inclinou-se sobre mim beijando-me
suavemente.
–Amo você, Ana.
Nunca se esqueça disso. –disse ele entre um beijo e outro.
Acordei, estávamos
totalmente enroscados um no outro. Rafael me segurava como se eu fosse fugir.
Dei um pulo na cama com medo de ter perdido a hora. Estiquei meu braço, peguei
o celular dele ao lado da cama, eram quatro horas, uma hora e quinze minutos
depois eu já deveria estar partindo e eu ainda nem havia voltado para a casa
dos meus pais.
Cuidadosamente saí
debaixo dele, sem que ele acordasse. Peguei minhas coisas fui ao banheiro,
vesti-me; arrumei meus cabelos e sai na ponta dos pés. Rafael ainda estava na
mesma posição. Fiquei olhando para ele, sentindo-me a pessoa mais idiota do
mundo, em deixá-lo ali, sozinho sem mim. Fui até o escritório, peguei um papel
e uma caneta e escrevi:
Rafael, faça por essa criança o que seu pai e meus pais fizeram por você.
Dê todo seu amor a esse filho! Faça isso por mim.
Com amor
Ana.
Coloquei o bilhete
sob o celular dele juntamente com meu cachecol ao lado da cama.

Ai ai ai.... cada dia mais emocionante .... como a Ana é forteeee ...
ResponderExcluirAaeeeeee!!! Que esses dois se entendam logo....
ResponderExcluirVamos esperar os próximos capítulos...
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirque amor lindo desses dois .............
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