Faça por mim
Parte 09
14
É isso que somos?
Quinta-feira
fiquei o dia todo na companhia do meu pai, vi Rafael de longe algumas vezes,
porém, não nos conversamos.
Na sexta-feira, enrolei
na cama até a hora do almoço, Maria já tinha ido duas vezes para ver se eu
estava viva. Mas só queria ficar no meu canto. Liguei para o Théo, para saber
se tudo bem se eu voltasse duas semanas antes do término das minhas férias e
ele deu graças à Deus. Pelo menos alguém sentia minha falta. Liguei pra minha
ajudante, combinei com ela para que ela fosse dar uma arrumada em meu
apartamento no sábado, pois domingo já estaria de volta.
Olhei pela janela,
o sol estava bem quente. Coloquei um biquíni, uma saída de banho e fui para a
piscina um pouco. A água estava congelando, mesmo assim dei um mergulho, pude
senti a carne do meu corpo endurecer.
Maria me levou um suco.
–Minha filha
estava preocupada, você não comeu nada hoje.
Eu ri, era
maravilhoso ter uma Maria por perto.
–Oh Maria,
obrigada! Vou sentir sua falta, sabia?
–Nem me fala
filha. Agora todo mundo parece que resolveu me abandonar. Hoje o Rafa nem deu
as caras, ontem ele saiu daqui brigado com a sua mãe.
–É, ela me
comentou alguma coisa.
–Ana, minha filha,
não briga com ela você também, ela só faz para ajudar.
–Eu sei Maria,
acabei falando umas coisas para ela, mas me arrependi no mesmo instante, minha
mãe não tem culpa dos nossos deslizes.
–Vocês também não
têm culpa, Ana. Só que a vida é assim, nem tudo é da maneira que a gente quer.
–ela disse cheia de tristeza no olhar.
Uma coisa era
certa, se tinha alguém que torcia por mim e pelo Rafael, com certeza era a
Maria. Fiz, mais uma horinha na piscina, depois saí e fui direto para cozinha
comer alguma coisa. Minha mãe estava lá.
–Mãe a piscina
estava uma delícia, devia ter entrado comigo.
–Faz tanto tempo
que não uso essa piscina, com certeza deveria mesmo. Mas vem aqui, come alguma
coisa, você já não almoçou.
Ela preparou uma
mesa de lanche da tarde repleta de pães, bolo simples, bolo recheado, suco,
chá, frutas, queijos, presunto, cereais, enfim, se eu tivesse comido tudo o que
tinha lá, com certeza engordaria uns cinco quilos.
Minha mãe
sentou-se comigo e chamei Maria para sentar-se também. No começo ela relutou,
mas depois com muita insistência minha e de minha mãe, ela acabou concordando.
Fazia muito tempo que nós não tínhamos um tempo assim, para podermos conversar,
dar risada, fofocar; foi muito bom com certeza. No final da tarde, subi para
arrumar-me.
Como Léo não sabia
o caminho de casa combinamos um ponto de referência na cidade para nos
encontrarmos. Ele estava com um carro de aluguel, fiquei parada na avenida
encostada na CRV da minha mãe. Quando ele se aproximou os faróis do carro
começaram a piscar sem parar.
Como na cena de um
filme, ele parou o carro, correu em minha direção, me tomando nos braços dele e
me girando. Beijou-me apaixonadamente. Quanto ao meu beijo, já não era o mesmo.
Não sentia mais aquela paixão do começo, embora ele não merecesse.
–Ei, minha linda,
quantas saudades de você! –disse Léo,
olhando no fundo dos meus olhos.
–Também estava com
saudades. –respondi o abraçando fortemente.
E foi sincero o que eu disse, porque o Léo
além de tudo ele era meu porto seguro.
–Vamos que meus
pais estão doidos para conhecerem você.
Ele suspirou.
–Jura que nós
vamos em carros separados, queria ir sentindo seu cheiro, segurando sua mão. –disse
ele salpicando beijinhos em meu rosto.
–É rápido, eu
prometo.
–Hum você está tão
cheirosa, tão linda, gostosa. –continuou Léo dando-me mais beijos.
–Vamos Léo, depois
a gente mata a saudades. –disse dando de ombros.
Ele saiu
levantando as mãos para o céu.
–Essa mulher me
mata senhor!
Sorri ao escutar
isso.
Vinte minutos
depois, estávamos estacionando os carros em frente à casa da fazenda. Gelei ao ver o Rafael encostado no pilar da
área externa conversando com meus pais.
Saímos do carro, Léo
sempre muito bem vestido, diria que ele era o homem mais elegante que eu já
tinha visto. Ainda estava com as roupas da reunião, usava calça social preta,
camisa branca, e um terno preto aberto por cima, apenas tinha tirado a gravata.
Ele foi em minha
direção e pegou uma das minhas mãos, e caminhamos até a casa. Os olhares do
Rafael e dos meus pais se voltaram para nós. Rafael não escondia sua decepção.
Subi as escadas
com meus olhos em Rafael, Léo sussurrou algo do qual nem ouvi direito. Ficamos
frente à frente com meus pais e com ele.
–Pai, mãe esse é o
Leonardo.
Rafael me fuzilou
com o olhar, cruzando os braços, e mordendo o lábio inferior.
–Boa noite! –disse
o Léo estendendo as mãos para o meu pai.
–É um prazer
conhecê-lo, Sr.Fernando Holpe.
–Boa noite, filho,
o prazer é todo meu, e, por favor, só Fernando.
Léo concordou com
a cabeça.
–Boa noite, Léo,
seja bem-vindo! É um prazer conhecer você pessoalmente. –disse minha mãe
estendendo-lhe a mão.
–Boa noite Dona
Clara, o prazer é todo meu. Agora vejo porque minha noiva é tão bela. –Léo
disse sendo todo simpático.
Minha mãe corou.
–Obrigada meu
filho.
–E esse é o
Rafael. –eu disse sentindo meu estomago dar um nó.
–Ah, seu irmão!
Prazer em conhecê-lo Rafael. –disse Léo estendendo a mão para ele.
Rafael, não
estendeu de volta.
–Irmão? É isso que
nós somos? –disse Rafa me encarando com o olhar pesaroso.
Todos olharam para
ele, em seguida para mim. Senti uma bomba relógio no ar prestes a explodir.
–Quero dizer,
irmão de criação. Desculpa! Falei algo de errado? –perguntou Léo, todo sem
jeito.
–Rafael por que você
não sobe e toma um banho. –disse minha mãe aflita.
–Rafael, cumprimente
o noivo da sua irmã! –disse meu pai já irritado.
–A Ana não é minha
irmã! Por que vocês insistem nisso?
Meu pai olhou para
Rafael sem entender o que estava se passando. Rafa olhou para mim, e olhei em
pânico para ele.
–Oi, sou o Rafael,
cresci com a Ana, mas não somos irmãos.
Os dois apertaram
as mãos e o Rafael em seguida desceu as escadas. Minha mãe saiu atrás dele,
chamando-o, até que ele parou e ela lhe disse alguma coisa, Rafael olhou para a
gente, mas foi embora em seguida. Minha mãe subiu as escadas, vindo em nossa
direção toda chateada.
–Me desculpe
Leonardo. O Rafael não costuma agir dessa maneira, é que ele está passando por
alguns problemas.
–Não, tudo bem!
Não se preocupe Dona Clara, eu sei como são essas coisas.
–Vamos entrar! –disse
meu pai, que também parecia bem chateado.
Seguimos para
sala.
–Sente-se, fique à
vontade, sinta-se em casa. –disse meu pai.
–Você bebe alguma
coisa? Uísque, cerveja, água?
Léo me olhou,
parecia perdido.
–Posso te preparar
um uísque Léo? –perguntei.
Ele fez que sim com a cabeça.
Entreguei-lhe uma
dose de uísque dezoito anos e ele pegou sem hesitar.
–E o Senhor,
sente-se melhor?
Meu pai suspirou.
–Ah, bem melhor.!
Foi apenas um susto, quinze dias hoje não é Clara? –perguntou meu pai.
Minha mãe fez que
sim com a cabeça.
–Fiz um repouso
forçado, estou sendo medicado, mas graças a Deus está tudo bem.
–É, o repouso é
tudo. –comentou Léo.
–Com certeza sim,
mas é difícil hein? –disse meu pai fazendo careta.
–É difícil
mantê-lo em casa Léo, quando menos espero ele já escapou. –brincou minha mãe.
Todos nós rimos.
–Então você estava
por aqui? –disse meu pai, puxando assunto.
–Estava. Cheguei ontem.
Nós tivemos uma reunião importante aqui em Porto Alegre.
–E como funciona
isso que você faz? –indagou meu pai.
Léo deu um gole em
seu uísque.
–É o seguinte, a
empresa em que trabalho, na verdade funciona como uma financiadora. Pesquisamos
grandes ou pequenas empresas que estão no vermelho ou prestes a falir e passamos
a administrá-las. E claro, é necessário injetar muito dinheiro para
recuperá-las. Quando elas começam a engrenar, a andar com suas próprias pernas,
parte do lucro e uma porcentagem das ações das empresas passam a ser da nossa
empresa.
–Ah, então o
prazer de vocês, é a desgraça dos outros. –disse meu pai dando uma piscadela.
Fiquei
envergonhada com o comentário descabido do meu pai.
–É, digamos que
sim! Eu prefiro encarar de outra forma. Nós salvamos empresas, evitando
milhares de desempregos. –respondeu Léo, dando outro gole em seu uísque.
–Entretanto, sua
interpretação também pode estar correta Fernando, porque se essas empresas não
precisassem do nosso dinheiro, nós não iríamos ter esse giro de ações. Dessa
forma eu quem estaria desempregado. –disse Léo sorrindo.
–E você sempre morou
em Seattle?
–Não, meus pais
moram em São Paulo. Meu pai é dono de uma financiadora.
–Que bacana! Os
dois no mesmo ramo. –disse meu pai.
–Praticamente sim.
–disse Léo tomando um gole do uísque.
–Mas conheci a Ana
em Seattle, ela foi a evento da agência e eu também estava estava presente. –disse
Léo todo orgulhoso.
–Ela nos disse. –disse
minha mãe toda sorridente.
–Mundo pequeno,
não é meu filho. Os dois saem do Brasil para se conhecerem em outro país.
Léo olhou para
mim, dando uma piscada.
–Foi a melhor
coisa que Seattle me proporcionou. –disse ele sorridente.
Sorri, sentindo um
remorso imenso dentro de mim.
–Mas e a fazenda
Fernando como funciona? –indagou Léo.
Eu e minha mãe
deixamos os dois falando dos negócios e fomos para a cozinha.
–Mãe, o que aconteceu
com a o Rafael?
–Minha filha, ele
andou bebendo e veio aqui. Vem aqui! –disse ela me puxando para longe da Maria.
–Ele queria falar
com seu pai sobre vocês. Implorei para ele não fazer isso. Ele começou a
discutir comigo, então seu pai apareceu, quando ele ia começar a falar, vocês
chegaram.
–E o que você
disse a ele quando ele estava indo embora?
–Ana, eu estava
muito nervosa. Perguntei a ele se era
assim que ele queria ver o seu bem, difamando você na frente do seu pai e do
seu noivo. E que se ele fizesse isso, ele corria o risco de perdê-la para
sempre.
Suspirei
exasperada. Maria preparava o jantar, mas também parecia preocupada com o
Rafael.
Voltei para a
sala, continuamos conversando. A essa altura o assunto já tinha mudado, meu pai
falava sobre a paixão por cavalos, por leilões, pescaria, e então os dois
acharam um amor em comum, Léo também adorava uma boa pescaria.
Mais tarde o
jantar foi servido. Léo adorou o tempero de Maria. Depois do jantar, voltamos
para a sala, minha mãe juntou-se a nós, e mais uma vez desculpou-se pelo
Rafael.
–Léo, estou muito
envergonhada com a atitude do Rafael, me desculpe novamente.
-–Clara, não se
preocupe! Toda família tem seus problemas, e não é fácil o que ele está
passando, a Ana me contou por cima, é um assunto delicado, temos que ser
pacientes.
–É! Eu disse isso
a ela. –disse meu pai. –Mas ela faz questão de ficar tocando no assunto, foi
ontem ao médico com a garota e quis a todo custo contar detalhe por detalhe da
consulta! –disse meu pai advertindo-a.
–O Rafael precisa
ter o tempo dele, ninguém pode forçá-lo. Daqui a pouco, ele mesmo sentirá a
necessidade de acompanhá-la nas consultas. Pode não ser na próxima vez, nem na
próxima. Mas logo estará acompanhando a garota, e então, assim que ele escutar
o coraçãozinho pela priemira vez, se sentirá pai com certeza. –disse Léo
convicto.
–Tá vendo! –disse
meu pai olhando para minha mãe. –Falei a mesma coisa.
Uma tristeza
invadiu meu peito, Leonardo realmente tinha razão, bastava à primeira ida ao
pediatra, que o Rafael se apaixonaria pelo seu filho. E por mais egoísta que
possa parecer senti um ciúme gigante crescendo em meu peito.
Já era quase meia
noite e ainda estávamos conversando, mas meu pai começou a dar sinais de que
estava cansado.
–Meus filhos, me
deem licença, mas já vou me recolher. –disse meu pai, levantando-se.
Léo levantou-se para apertar sua mão.
–Fiquem à vontade!
E Leonardo como eu disse, sinta-se em casa.
–Obrigado Fernando
e boa noite para o senhor.
Minha mãe fez a
mesma coisa.
–Léo, arrumei o
quarto de hóspedes, tem tudo o que você precisa. Mas qualquer coisa pode me
avisar, ou avise a Ana, quero que você se sinta em casa.
–Agradeço Clara,
já estou me sentindo em casa, fica tranquila, e obrigado pelo jantar maravilhoso.
Minha mãe
despediu-se de nós e subiu em seguida.
–Então podemos
fazer amor aqui na sala? –perguntou Léo.
–Como assim.
–Seu pai falou
para eu me sentir e casa, e em casa fazemos amor em toda parte. –disse ele com
um sorriso malicioso no rosto.
–Seu bobo! –disse
batendo-lhe com uma almofada.
Fomos até o carro,
pegar a mala dele. Ele deixou a mala no canto da escada, e demos uma volta pelo
jardim, que estava todo iluminado. Sentamos um pouco e Léo tirou o terno,
ficando apenas de camisa.
–Ana, esse lugar é
lindo! É inexplicável a paz que ele transmite.
–Você não viu
nada! Amanhã vamos conhecer tudo, e a cavalo.
–Hummm. Não pode
ser caminhando? –Léo perguntou sorrindo.
Léo não era muito de animais. Ele gostava, mas
desde que se mantivessem à uma certa distância dele.
Estavamos andando
e ele parou e beijou-me, carinhosamente, com meu rosto entre as suas mãos.
–Te amo, minha
linda, te amo muito!
Eu o abracei, mas
não consegui responder o mesmo. E nós nos beijamos. Rezei silenciosamente para
que Rafael não chegasse naquele momento. Eu não queria que além de tudo, ele me
visse beijando o Léo.
Algum tempo depois
subimos e eu mostrei-lhe seu quarto, Léo colocou a mala sobre a cama, abriu e
tirou uma caixinha preta da CARTIER, entregando-me.
–Léo, você é louco?
O que é isso?
–Sou louco por
você! –ele disse sorridente.
Sorri nervosamente
em resposta. Abri, era um bracelete em ouro rosa, com o símbolo do infinito em
cima.
–Perfeita Léo! Amei.
Senti um nó
formar-se em minha garganta, naquele momento não me sentia digna em ganhar nem
uma bala dele, muito menos algo de valor.
Dei-lhe um beijo.
E coloquei imediatamente o bracelete e o abracei forte, queria poder voltar no
tempo. Léo era um homem perfeito, gentil, amável, amigo e eu não podia
magoá-lo.
Instantes depois,
ajudei-o com as roupas e as coisas do banho. Enquanto ele foi tomar um banho,
fui para o meu quarto. Chequei meu celular, havia uma mensagem do Rafael.
Ana você
acabou comigo!
Sentei-me sobre a
cama, arrasada por ler aquelas palavras. Digitei o número dele e apertei o
verde, mas só caia na caixa postal.
De repente,
escutei bater em minha porta. Abri, e acabei rindo. Era o Léo, na ponta dos
pés, ele vestia camiseta branca e shorts da Polo. Bem diferente de quando
ficava em meu apartamento, que usava apenas suas cuecas boxes. E como sempre
ele estava todo cheiroso e com os cabelos molhados.
–Posso ficar aqui
um pouco?
Olhei em direção
ao quarto dos meus pais, já era mais de uma hora da manhã.
–Promete se
comportar? –perguntei com um sorriso nos lábios.
–Palavra de
escoteiro! –ele disse com a mão na cabeça.
Deixei-o entrar e
em seguida ele mergulhou em minha cama, deitando-se em meu travesseiro, com as
mãos sob a cabeça.
Fui ao meu
banheiro, e voltei apenas de pijama.
–Então foi aqui
que você cresceu? Imagino você adolescente aqui, sentada nessa cama. Você tinha
um diário, não é? Toda garota tem um diário.
–Meus segredos
eram só meus, nunca os dividi nem com os diários. –falei dando-lhe um sorriso
triste.
Ele puxou-me sobre seu corpo e me beijou, suas
mãos deslizavam meu corpo, levou uma de suas mãos dentro da minha blusa,
apalpando meu seio. Sua ereção cresceu sob mim. Mas eu o parei.
–Não Léo, aqui,
não!
–Ana estou louco
de vontade de você! Só pensei nisso desde que a vi.
–Aqui não dá, sei
lá, não rola. Meus pais estão no quarto ao lado. Não é certo.
Ele sentou-se.
–Você tem razão!
–ele disse disfarçando sua frustração.
–E quanto ao seu
irmão? Não parecia nada bem. Parecia estar com raiva de mim, sei lá. E porque ele falou daquela maneira com você?
Suspirei, tentando
ganhar um pouco de tempo para pensar no que dizer.
–É que hoje à
tarde nós discutimos e eu caí na besteira de jogar na cara dele que ele não era
meu irmão. E acho que ele ficou muito mal com isso, e eu também.
–Você não deveria
falar assim, imagina se fosse o contrário e ele tacasse isso na sua cara! Mas
ele também foi muito estúpido, sei lá, parecia estar com ódio.
–Eu sei Léo, me
arrependi depois. Fiquei preocupada porque o Rafael não é de tratar as pessoas
assim e ele nunca age desta maneira, ele é um cara muito bacana. Mas a culpa
foi minha.
–Eu sei linda, não
precisa se explicar. Vem aqui!
Léo me puxou para deitar sobre seu peito, eu
deitei. E ainda assim, não conseguia parar de pensar em Rafael, e em como ele
estava.
Léo ficou acariciando
meus cabelos e assim acabei pegando no sono.
–Acordei já era
umas quatro horas da manhã. O Léo não estava mais lá, ele tinha voltado para o
seu quarto, mas me deixou no meu travesseiro e coberta, feito uma criança. Dei
uma olhada em meu celular para verificar se o Rafael havia me mandado outra
mensagem, mas não tinha nem sinal dele. Voltei a dormir e acordei por das nove
horas da manhã, o ar da fazenda me deixava cada dia mais dorminhoca.
Tomei um banho,
vesti um jeans e uma camisa branca, o dia estava nublado. Então peguei um
cardigã vermelho e coloquei sobre a camisa.
Passei pelo quarto do Rafael, estava vazio,
tudo no seu lugar, senti uma tristeza imensa. O quarto do Léo também estava
vazio, o que indicava que ele já havia descido.
–Bom dia Maria!
–Bom dia Ana,
dormiu bem? –Maria perguntou toda preocupada.
Sorri sem graça.
–Dormi sim! O Léo
já tomou café da manhã?
–Já sim filha, ele
acordou bem cedo, tomou café da manhã e saiu com seu pai. Ele é simpático Ana,
é todo engomadinho, mas é bem simpático.
–Ele é sim.
“Eu quem não o
mereço. ” Pensei.
–Bom dia filha.
Dormiu bem? –perguntou minha mãe adentrando a cozinha.
–Bom dia mãe. Está
tudo bem, e o Rafael? Tem notícias dele?
–Ele está na fazenda,
já nos falamos. Veio me pedir desculpa por ontem. Ele e seu pai também já
conversaram.
Naquela manhã, fui
para a cidade com minha mãe, ela precisava comprar algumas coisas para o
almoço, e eu queria comprar um presente para Maria em agradecimento pelo
cuidado que ela tinha comigo.
Fomos a uma
boutique onde vendia roupas para senhoras. Com a ajuda da minha mãe fiz uma boa
compra para a Maria. Pedi que minha mãe também escolhesse um presente, muito
relutante ela escolheu um conjunto de terninho e saia na cor azul petróleo.
Saindo da
boutique, vimos a Fernanda com uma amiga, vindo ao nosso encontro. Fernanda
tragava um cigarro, mas disfarçou assim que nos viu, jogando o cigarro fora.
Mesmo que ela quisesse, não tinha como não parar para nos cumprimentar.
–Oi dona Clara, oi
Ana tudo bem com vocês? –disse ela nos
dando beijinho no rosto.
Exalava nicotina pelos poros dela.
Não tive vontade e
nem reação em conversar com ela, aliás, senti meu sangue pulsando apenas em
vê-la em minha frente.
Minha mãe não
disfarçou a decepção ao vê-la fumando, sabendo o mal que estava fazendo para o
bebê.
–Oi Fernanda, como
vai?
–Tudo bem dona
Clara, começaram os enjoos, mas até que não estou sofrendo tanto.
Minha mãe deu um
sorriso amarelo.
–Mas você precisa
parar, não faz bem a você, muito menos ao bebê.
Fernanda ficou
ainda mais sem graça.
–Eu sei, mas já
estou conseguindo parar, fumo um cigarro por dia, eu fumava bem mais, mas estou
me policiando. Mas irei parar de vez, com certeza.
Minha mãe sorriu
mais aliviada.
–Ana, você fica na
cidade até quando?
Suspirei,
sentindo-me desconfortável.
–Vou embora nesse
final de semana.
Ela sorriu, porém,
me fitava com os olhos, parecia ler meus pensamentos.
–Vamos mãe? –disse
apressadamente.
Minha mãe fez que
sim com a cabeça.
–Dona Clara e o
Rafael como está?
–Está bem!
Trabalhando muito, quase não tem tempo de ficar em casa, a vida dele é muito
corrida.
–Eu imagino! E ele
viu o ultrassom? Como ele reagiu? –perguntou Fernanda.
–Mostrei a ele.
Ele ficou calado, mas você sabe, homens não são como nós.
–É só uma questão
de tempo, tenho certeza! –falou Fernanda convicta.
Minha mãe, apenas
sorriu concordando com a cabeça.
Nos despedimos de
Fernanda e ela e a amiga foram para o sentido oposto do nosso.
– Ana, acho que
fomos muito grossas, não acha? É que fiquei tão sem reação quando a vi com o
cigarro.
–Você foi sincera
mãe! E se demonstrou preocupada com ela e com o bebê. Ela não é nenhuma criança
que não sabe o que pode e o que não pode.
–É verdade, eu
fiquei acanhada ao vê-la fazendo isso, imagine ela como não se sentiu quando
nos viu?
–Concordei, mas
não disse nada. Por mais que eu não gostasse da Fernanda, não achava certo
ficar colocando minha mãe contra ela.
Fomos ao
supermercado e seguimos para casa.
Meu pai e o Léo
estavam se dando bem. Assim que chegamos, minha mãe seguiu para cozinha, me
ofereci para ajudá-las, mas minha mãe fez questão que eu ficasse com o Léo. Fiquei
sentada na cadeira de balanço que ficava na área, observando meu pai e o Léo
conversarem bem em frente a mim, no jardim. Léo me viu, deu um largo sorriso e
me abanou a mão. Foi quando vi a caminhonete do Rafael passar, ele estava
saindo, olhou para a minha direção, mas não demonstrou nenhuma reação. Senti
meu coração dilacerar.

Situação muito difícil a da Anaa... o Léo é um fofo também kkkk
ResponderExcluirTadinho do Rafa......
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