domingo, 19 de julho de 2015

Faça por mim. Parte 05 por Érika Prevideli

Faça por mim

Parte 05


8
A casa do Lago

Assim que desci, meu pai conversava com o Rafael e minha mãe. Todos estavam rindo de alguma coisa que meu pai tinha comentado. Quando Rafael me viu descer as escadas, ele me encarou. Senti seus olhos queimarem em mim. Dei-lhe meu melhor sorriso, passei por ele dando-lhe um beijinho no rosto e fui ficar perto do meu pai, que estava todo dengoso.
O jantar foi perfeito! Ficamos conversando sobre diversos assuntos, que sempre acabavam em risadas.
Algum tempo depois, quando já estávamos novamente na sala, Rafael despediu-se dizendo que iria dar uma volta. Ninguém mencionou se eu queria ir junto, e também não me manifestei. Meus pais já apresentavam sinais de que estavam cansados. Cerca de trinta minutos após a saída de Rafael o telefone de casa tocou. Minha mãe atendeu, abrindo um sorriso ao conversar.
–Para você Ana, é a Rebeca. Acho que ela quer te chamar para dar uma volta.
Olhei para ela fazendo cara de surpresa, disfarçando.
–Oi Rebeca, tudo bem?
–Oi, Ana, desculpa estar lingando para você uma hora dessas, mas o Rafa está ao meu lado, ele quer falar com você, então, ele acha melhor que seus pais pensem que nós vamos sair juntas.
–Ah, tudo bem, eu vejo e já te ligo, pode ser? –respondi, disfarçando.
–Ele está me deixando louca aqui, vê certinho e me liga.
–Ligo sim, beijos.
Minha mãe me olhou curiosa, meu pai prestava atenção na televisão.
–Ela quer te levar para dar uma volta filha?
Fiz que sim com a cabeça.
–Vai sim Ana, é sábado à noite, aproveita!
–Mãe será? Não queria deixá-los aqui sozinhos.
–Ana, eu e sua mãe vamos dormir. Você é jovem, vá se divertir minha filha, e a Rebeca é uma pessoa de confiança, vá tranquila! –disse meu pai, sem tirar os olhos da televisão.
Suspirei com o coração apertado de remorso. Me sentia o pior ser mentindo daquela maneira.
–Tudo bem, eu vou.
Retornei a ligação para Rebeca, e ela ficou de passar para me buscar. Subi para retocar a maquiagem e escovar os dentes.
Assim que Rebeca buzinou meus pais levaram-me até a porta, acenando ao vê-la.
Entrei no carro, e ela suspirou e sorriu para mim.
–Ana, sinto-me péssima mentindo para os seus pais, mas é por uma boa causa.
–Nem me fala Rebeca, me sinto traindo a confiança deles, o pior que é isso mesmo.
Ela apertou minha mão.
–Vai dar tudo certo, você vai ver.
Eu sorri.
Assim que Rebeca saiu da propriedade dos meus pais, ela seguiu para o caminho do lago.
–Ande você está indo?
–Coisas do Rafael. –ela respondeu sorrindo.
Após alguns minutos, vimos um carro parado no meio da estrada com as lanternas e faróis ligados.
Rebeca estacionou ao lado da caminhonete do Rafael. Ele e o Enzo estavam sentados na carroceria. Enzo caminhou em minha direção, deu-me um beijinho no rosto, me cumprimentando. Em seguida pegou Rebeca pela cintura e selou os lábios dela.
Rafael foi até mim, segurando minhas mãos, e sorriu. Ele parecia tão nervoso quanto eu.
–Vamos?
Fiz que sim com a cabeça, sem saber para onde ele me levaria.
Nós nos despedimos de Rebeca e do Enzo.  Rafael me ajudou a entrar na caminhonete. Enzo seguiu dirigindo o carro de Rebeca, saindo da estrada do lago, rumo à cidade.
Eu e Rafa fomos para o lado oposto, adentrando ainda mais na estrada do lago.
–Aonde vamos?
–É uma surpresa! –ele respondeu sorrindo e apertando minha mão enquanto dirigia.
Andamos cerca de uns dois quilômetros, tudo o que eu via eram árvores e mais árvores e araucárias imensas. O lago estava sem nenhuma iluminação, mas era possível ver as flores que o rodeava. Fizemos uma curva e andamos mais alguns quilômetros.
Rafael parou a caminhonete em frente a um imenso portão, ele acionou o controle e o portão se abriu.
–Que lugar é esse? –perguntei surpresa.
Parei para pensar, como não existiam outras casas ao redor, me dei conta que a única coisa que era possível ver do outro lado do lago, era aquela casa que eu tinha feito algumas fotos durante a manhã daquele dia.
–É a casa do lago? De quem é essa casa? Você é louco?
Ele sorriu, mas permaneceu calado.
O portão foi se abrindo e um lindo caminho de árvores, coqueiros e flores, muitas flores surgiram. Era todo iluminado por luzes verdes, que destacava ainda mais a paisagem. Depois de algumas curvas, avistei a casa.
 A casa era linda. Tinha três andares, construída com tijolos aparentes, portas e janelas de madeira de demolição.
–Você está maluco Rafael? E se o dono aparece? Ele te emprestou as chaves? –indaguei exasperada.
Rafael olhou para mim, com toda ternura do mundo, passou a mão nos meus lábios.
–Vem aqui Ana! Vou te mostrar a casa.
Descemos da caminhonete, pude sentir o ar puro e gelado, entrar em meus pulmões.
Rafael pegou em minha mão e me levou na direção da casa. Não dizia nada, e esse silêncio estava me matando. Provavelmente ele havia emprestado as chaves com algum amigo dele, aliás que o dono provavelmente devia ser muito amigo, para deixá-lo entrar assim, com toda essa liberdade.
 A casa contava com três pavimentos, que eram suspensos por pilotis. Havia uma grande escada na lateral da casa, que dava acesso aos dois pavimentos de cima, essa escada era com as laterais também em madeira. Na fachada da casa, do térreo aos outros demais pavimentos, havia painéis de vidro, para quem estivesse dentro da casa, tivesse uma vista privilegiada da ampla paisagem verde que cercava toda a casa, e do lago que ficava bem próximo.
Ao abrir a porta da casa, estávamos na sala; uma mistura do rústico com o moderno. Muito bem decorada, com aparadores de madeira com tampos de vidro, espelheiras amplas com moldura em madeira, como as que eu vi na loja do Rafael.
Rafa trancou a porta atrás de nós, e fiquei observando cada detalhe. Sofás e tapetes claros se destacavam para quebrar o tom amadeirado da sala.
A sala era fechada na frente com os tais painéis de vidro, que iam do piso ao teto. Rafa ligou um som que estava no homme feito em madeira de demolição trabalhada, com detalhes em vidro, que provavelmente também era da fabricado por ele. Começou a tocar uma música só com o som de um dedilhado de violão.
–O dono dessa casa é seu amigo, cliente? –perguntei impaciente.
–Eu sou o dono!
Olhei incrédula para ele.
–Como assim você é o dono?
 –Eu sou o dono!
A música tocava no fundo.
–Sente-se aqui, vou te explicar? Quer beber alguma coisa?
–Não quero beber nada, só me explica.
Ele sentou-se sobre a mesa rústica de centro, e me fez me sentar no amplo sofá, ficando de frente para ele. Segurou minhas mãos, que estavam feito pedras de gelo, por causa do frio e do nervoso.
–Ana! –disse ele suspirando. –A nossa primeira noite juntos, foi mágica, inesquecível para mim. Mas assim que coloquei minha cabeça no travesseiro, não conseguia dormir. Sentia que estava traindo a confiança dos seus pais, que cuidaram tão bem de mim desde que eu era pequeno. Achava que seu pai me odiaria para sempre, só de pensar que eu tinha seduzido você, que significava tudo para ele.
Ele respirou, parecia sentir dificuldade. Caminhou até o barzinho preparando duas doses de uísque e voltou entregando-me uma. Ele deu um gole e eu acabei o imitando.
–Eu não me achava o suficiente para você. Você merecia algo melhor do que eu. E eu sabia que seus pais jamais aceitariam nosso namoro.
Eu olhava consternada para Rafael, que parecia estar longe, era como se ele tivesse voltado no passado.
–Depois daquela noite inteira sem dormir, resolvi que se eu a afastasse de mim, você encontraria alguém que fosse digno do seu amor, e que seus pais o aprovassem. Então foi isso que eu fiz.
Rafael fez uma pausa tomando um gole do uísque e eu não conseguia tirar os olhos dele.
–Eu me odiava Ana! Odiava ter que fazer isso com você. Cada vez que você olhava para mim e eu te ignorava, meu coração doía, mas eu tinha que fazer isso. Odiava-me mais ainda quando você tentava puxar conversa comigo e eu desconversava, ou mal respondia. Todas essas atitudes me matavam por dentro.
–Rafael, você não precisava ter feito isso. Não era mais fácil abrir o jogo comigo?
–Eu sei Ana. Mas eu não iria resistir ficar perto de você. Eu era apaixonado por você. Só que nós não podíamos ficar juntos. Pelo menos eu pensava assim. Pensava que se seu pai soubesse sobre nós, ele provavelmente me odiaria e odiaria você.
Ele passou a mão pelos cabelos. Caminhou até os painéis de vidro, mas depois voltou, sentando-se ao meu lado.
– Quase morri quando você foi embora, pensei em conversar com o padrinho várias vezes. Mas tinha medo de desapontá-lo. Então cada vez que você voltava, uma luz voltava para minha vida, me irradiava por dentro só de te ver. Até que você decidiu ir morar em São Paulo. Então vi que estava perdendo você para sempre. Segurei-me várias vezes, até que um dia eu tive coragem e fui atrás de você.
–Em São Paulo?
Rafael balançou a cabeça positivamente.
–Quando cheguei ao endereço que a madrinha tinha anotado na agenda dela, como sendo o seu endereço, eu te liguei, mas seu namorado atendeu ao telefone. Fiquei parado em frente ao seu prédio, me sentindo um nada, sem poder entrar, vendo o belo prédio que você morava, o lugar privilegiado em que você vivia. E fiquei pensando, qual argumento eu teria para te levar de volta comigo, o que eu poderia te oferecer? Eu era totalmente dependente do seu pai. Ao contrário de você que já tinha se tornado uma mulher independente. Eu não conhecia quase nada até aquele momento, quer dizer, você já tinha vivido alguns anos no Canadá e nos Estados Unidos, eu tinha ido algumas vezes apenas a passeio; você estava formada, trabalhando. Eu havia me formado mas vivia sob os cuidados dos seus pais. Continuava na mesma vida, desde que você tinha ido embora. Saía de casa, conhecia outras garotas, mas sempre voltava no mesmo horário, para não deixar ninguém preocupado com a minha demora. Você já estava namorando, com um cara bem-sucedido, e vocês estavam ali, em seu apartamento, sozinhos.  E com tudo isso, como eu iria competir com as pessoas que faziam parte do seu círculo social. Eu achei que você não fosse mais me achar interessante. Estava muito aquém de você.
Rafael suspirou.
–Então a partir daquele momento, fiz uma promessa para mim. Que eu só iria atrás de você quando estivesse à sua altura, quando estivesse totalmente independente dos meus padrinhos e pudesse caminhar com minhas próprias pernas.
Olhei para ele sem acreditar.
–Por que e se você me aceitasse? E seu pai simplesmente virasse as costas para nós? O que iria fazer se eu só tinha trabalhado com ele minha vida toda?
Rafael falava e segurava minhas mãos cada vez com mais intensidade. E eu o olhava aflita por sua história.
–Naquela noite voltei arrasado, tinha perdido meu chão!  Mas  voltei determinado. Seria um novo homem, alguém com objetivo na vida. Objetivo de crescer profissionalmente e pessoalmente.
–Mas nunca achei que você não tivesse objetivos em sua vida. Pelo contrário Rafael,  sempre achei você uma pessoa centrada, esforçada.
–Eu sei que não Ana. Mas eu me sentia assim. Voltei pra Canela e abri o jogo com seus pais, e disse a eles que eu precisava ser independente, e eles concordaram. Fui para os Estados Unidos, e lá mergulhei de cara nos estudos, e trabalhava durante o dia em uma fábrica de móveis e me apaixonei por isso. Comecei a desenhar umas peças e meu patrão disse que eu tinha muito talento, então ele me apresentou a umas pessoas. Fiz vários cursos, me aprofundei nas aulas de designers de interiores. Quando voltei para o Brasil, montei a fábrica e a loja, com parte do dinheiro da herança que meu pai havia me deixado. Que até então eu nunca tinha me interessado em usar, nunca tive um propósito.
–É eu me lembro que meu pai sempre me falava que você usaria esse dinheiro para fazer a coisa certa, e você fez mesmo.
–É verdade. E seu pai ficou mais do que satisfeito em me ver usar esse dinheiro para uma boa causa, e a partir daí os negócios decolaram.
Rafael deu mais um gole uísque.
–Só que eu nunca o abandonei, porque amo lidar com a fazenda, é minha vida. Então, informatizamos tudo, fizemos muitas melhorias, acabei fazendo mais contatos no exterior, e quando vi, tanto a fábrica quanto a fazenda estavam indo perfeitamente bem. Por isso que fico na parte da manhã na fazenda, e durante a tarde na loja. Embora, mesmo estando na loja controlo tudo pelo programa que eu desenvolvi.
–Mas e essa casa Rafael?
–Um tempo depois, fiquei sabendo da venda dessas terras, primeiro falei com seu pai, o que ele achava, ele disse que tinha interesse em comprá-la, mas preferia que eu comprasse, pelo menos assim eu sempre estaria por perto. Então, eu as comprei. E construí rapidamente. Da compra das terras, depois cada tijolo assentado, até a decoração final, era só em você que eu pensava Ana.  Em realizar seu sonho, de ter a nossa casa no lago, a casa que nós sonhamos juntos. E eu a fiz! E não via a hora desse momento chegar. De poder falar para você o quanto esperei por você. O quanto desejei ter você aqui comigo.
Fiquei totalmente sem reação. Rafa olhou para mim, tentando decifrar o que eu estava sentindo.
–Vem aqui! –disse Rafael me abraçando.
 Não consegui segurar e comecei a chorar. Quando ele percebeu, ele se afastou e segurou meu rosto entre suas mãos.
–Por favor Ana, não fica assim!
–Nem sei o que te dizer Rafael. É tudo tão complexo. Nossa história é tão complicada.
–Ei, olha para mim. Vai dar tudo certo! Fui paciente todo esse tempo, e eu sei que não foi em vão. Você vai ver!
 Rafael se levantou, estendendo os braços para mim. Eu segurei as mãos dele e ele levou-me para o andar de cima. Havia cerca de quatro suítes, um banheiro social, um escritório.
Entramos no quarto principal, de casal. Ele acendeu as luzes, o quarto era lindo. Segurava minha mão, me guiando pelo quarto. Puxou uma cortina e de lá de cima, era possível ver todo o lago, toda a mata em volta do lago, era como se fosse um sonho, aliás, era o meu sonho, e ele havia realizado.
Rafael me abraçou e em seguida me beijou calmamente.
–Ana amo tanto você, que chega a me doer sabia?
Olhei ao redor e me afastei dele, em seguida sentei-me na cama. Ele sentou-se ao meu lado, e me abraçou fortemente.
Só tive vontade de beijá-lo, não tinha mais nada a dizer.
Ele me beijou, irresistivelmente, depois olhou profundamente em meus olhos.
–Agora eu estou pronto para ter você para mim.
–Eu sempre fui sua Rafael. Desde aquela noite eu pertenço a você.
Rafael aproximou-se ainda mais de mim e beijamo-nos apaixonadamente, não tinha nada e nem ninguém mundo que mudaria o que um sentia pelo outro.
Nossos corpos foram respondendo aos nossos beijos, cada vez mais e mais.
Desabotoei a camisa dele, tirando-a lentamente. Dessa vez, não era mais aquela garotinha sem experiência nenhuma, sem saber o que fazer. Já era uma mulher, e sabia perfeitamente como as coisas funcionavam.
 Minhas mãos percorriam as costas dele, ele tirou meu casaco, e em seguida puxou minha blusa de seda lentamente, beijando meu pescoço, meus ombros. Suas mãos exploravam minhas costas, parando no cós da minha calça. Rafael olhou novamente para mim como se me pedisse permissão, e eu fiz que sim com a cabeça.
Ele desabotoou minha calça, deslizando-a. Quando suas mãos tocaram a parte interna das minhas coxas, senti meus joelhos estremeceram, cai de costas contra a cama. Rafa deitou-se sobre mim, mas sua calça jeans ainda estava entre nós. Abri o botão e livrei-me dela.
Sua boca encontrou o caminho até a minha novamente, e nesse momento eu coloquei minha mão entre sua pele e o tecido da cueca. Ele gemeu em resposta. Rafael me colocou sentada na cama e delicadamente tirou meu sutiã, beijou meus mamilos e foi descendo ela minha barriga.
 Meu corpo se arqueava de desejo. Em seguida ele tirou minha calcinha e se livrou de sua cueca.
Depois de alguns instantes, eu o senti dentro de mim. Meus olhos se fecharam em resposta. Ele movimenta-se suave e lentamente. Parecia apreciar cada segundo, nossos olhos se encontraram mais uma vez, e nos beijamos novamente. Nossos movimentos foram ganhando cada vez mais ritmo. A sensação aumentava mais e mais, e eu o puxava para dentro de mim cada vez com mais força. As investidas foram ficando mais rígidas, nossos olhos vidrados um no outro, e ele me beijava ardentemente.
–Te amo Ana! –ele disse quase sem fôlego.
Quando ouvi essas palavras senti uma explosão de calor dentro de mim, Rafael também foi fazendo mais pressão, foi uma sensação prolongada de prazer. Ficamos nesse ritmo algum tempo, até que sentir nossos corpos desmoronar. Foi sem dúvida a sensação de prazer mais intensa que tivera.
Deitamos um de frente para o outro, até nossas respirações voltarem ao normal.
–Você não faz ideia de como eu desejei isso, esse dia, eu e você aqui na nossa cama. –disse ele satisfeito.
Nos beijamos e nossos corpos se encontraram.
Ficamos entrelaçados, nos olhando e conversando, e ele ficou me acariciando, suas mãos percorriam delicadamente todo meu corpo, me deixando toda arrepiada.  E fizemos amor outra vez.
Exaustos, acabamos pegando no sono. Abri os olhos horas mais tarde. Da cama, era possível ver toda paisagem verde, iluminadas pelas luzes do jardim.
Fiquei olhando para ele, enquanto ele dormia. Rafael era lindo. Seu rosto parecia desenhado. Eu era profundamente apaixonada por ele. Por cada centímetro daquele corpo. Mas então, senti uma onda de tristeza me consumir. Até onde chegaríamos? Por quanto tempo duraria? Afinal, era um relacionamento cheio de “contras”. E o maior dos contras era a nossa família. Mais precisamente meus pais que jamais entenderiam.
Saí da cama, enrolei-me em um lençol, caminhei até a vidraça, e fiquei olhando para fora, voando em meus pensamentos. Rafael em seguida juntou-se a mim, abraçando-me.
–Está tudo bem? –ele sussurrou.
Fiz que sim com a cabeça. Virei-me para ele, e o abracei.
–Amei essa casa. É perfeita! É sem dúvida nenhuma a casa que eu sempre sonhei.
 Ele me abraçou ainda mais.
–Você realizou meu sonho Rafael. Só não sei se irei desfrutar desse sonho.
 –Ana, olha para mim. –disse Rafael me virando frente a frente para ele.
 –Fiz tudo isso para nós dois. Cada coisa feita foi pensando em você, só em você, eu te disse isso.
–Mas Rafa, não podemos esquecer dos meus pais. Como eles reagiriam? É muito complicado.
–Eu sei, pensei sobre isso também. Mas somos adultos. Uma hora nós teríamos que enfrentar nossos medos, e essa hora chegou. Eu sei que seu pai agora passou por esse susto. Entretanto, com calma nós acharemos o momento ideal para falar com ele.
Ficamos por um tempo parados olhando pela a vidraça. Cada um perdido em seus pensamentos. Até que eu quebrei o silêncio.
–Quantas garotas você já trouxe aqui?
Ele me encarou, seus olhos brilhavam de encontro aos meus.
–Eu nunca trouxe nenhuma garota aqui, você foi à única.
Sorri, duvidando.
–E seus encontros?
 –Existem lugares apropriados para isso, sem ser minha casa. –disse ele me apertando contra ele.
Olhei no relógio, já passavam das quatro horas da manhã.
 –Temos que ir! Mas ficaria assim para o resto da vida.
–Então fica comigo a vida toda, é só isso que eu quero. –disse ele beijando minha orelha, e arrepiando toda minha pele. Nós beijamos como se nada mais no mundo importasse. Cerca de uma hora depois, depois de muita relutância já estávamos vestidos. Ele me mostrou os outros lugares da casa e em seguida fomos embora.
O domingo foi regado de refeições com a família, depois, ficamos com meus pais na sala jogando conversa fora seguida de risadas, relembrando o passado. É claro que havia muitas trocas de olhares entre mim e o Rafael. No final da tarde, meu pai recebeu uma visita de um casal de amigos que queriam saber se ele tinha melhorado.
Aproveite para sair, dizendo que me encontraria com a Rebeca, e Rafael na frente dos meus pais me ofereceu uma carona.  E novamente fomos para a casa do lago. Aquele final de tarde foi realmente mágico, fizemos amor no deck que havia no quintal da casa, bem de frente para o lago. Depois tomamos um banho juntos, fizemos um lanche e ficamos juntinhos até anoitecer.
A semana também foi assim, nos víamos na fazenda, embora passava a maior parte do tempo com meus pais. Liguei algumas vezes para o Léo, entretanto, não sentia mais nem vontade de falar com ele, e me sentia péssima com isso, e Léo me ligava todos os dias.
Algumas noites saímos com a Rebeca e com o Enzo, fomos a barzinhos e restaurantes em Gramado. E depois sempre terminávamos na casa do lago. Estreamos cada lugar da casa, cada canto. A casa havia se tornado nosso refúgio.
Até que chegou o fim de semana novamente.







9
Perdendo os sentidos

Na sexta feira, Rafael e o Enzo e mais dois rapazes combinaram de tocar no Open Door. Nós combinamos de sairmos separados para evitar qualquer comentário.
Rebeca me buscou em casa novamente. E ela aproveitou para me entregar o convite de aniversário de três aninhos do Arthurzinho. Era o primeiro convite que recebi em meu nome e no nome do Rafael. Fiquei radiante.
Quando chegamos ao bar da Déb, alguns rapazes do bar se viraram para encarar a mim e a Rebeca. Particularmente estávamos lindas. Rebeca usava uma saia bordada com pedrarias em preto e dourado, e uma camisa com leve transparência preta.
Eu vestia um vestido com o fundo cor da pele e uma aplicação em renda preta, que dava a ilusão de estar usando apenas uma renda sobre a pele, ele era de manga longa, porém, com as costas à mostra. Puxei um rabo de cavalo, evidenciando assim todo o decote, e fiz uma maquiagem bem marcada.
 Quando Rafael me viu, seu queixo quase caiu, ele me olhou dos pés à cabeça. Veio ao meu encontro e sussurrou:
–Caramba, você está extremamente linda!
Sorri feito uma adolescente apaixonada.
–Você está perfeito. –disse dando-lhe um olhar malicioso.
É claro que não podíamos ter qualquer contato em público, afinal, para os outros nós éramos apenas dois irmãos.
 Havia algumas pessoas diferentes no bar, alguns rapazes chegaram em mim naquela noite, foram falar comigo quando eu estava com a Rebeca e as outras garotas,   outros me pararam na pista de dança, e um outro carinha me abordou no bar, quando estava falando com a Déb.
Podia sentir o ar de irritação do Rafael de longe, mas sempre que podia ele ficava ao meu lado, ou pelo menos por perto.
Os meninos tocaram cerca de dez músicas, variando de rock nacional a internacional.  E os clientes do bar estavam gostando muito do que escutavam. 
Quando eles estavam vindo para mesa, vi que uma garota puxou o Rafa, era a Fernanda.  Ela começou a falar com ele, gesticulava algo, e ele fez que precisava ir, nisso ela o puxou novamente e falava apontando o dedo do rosto dele, ele também começou a falar com ela, mas ela o empurrou e saiu.
Ele voltou irritado e não falou comigo naquele momento, foi direto para o bar e pegou duas bebidas, voltou e me entregou uma.
–O que aconteceu, está tudo bem? –perguntei o mais perto possível por causa do som que era muito alto.
–Nada, esquece! Essa garota me persegue. Deixa para lá
Dito isso, ele calou-se em seguida.  
As meninas que acompanhavam os outros rapazes que tocaram com o Rafael e com o Enzo, me chamaram para acompanhá-las ao banheiro. Eu chamei a Rebeca, mas ela estava com o Enzo atarracado no pescoço dela. Então fui com as outras garotas.
 Fernanda entrou atrás de mim. Me cumprimentou com um beijinho no rosto.
 –Ei, o que está havendo com seu irmão? Estou tentando falar com ele há dias e ele só me ignora. –ela perguntou parecendo nervosa.
Ela insistia em dizer que ele era meu “irmão”.
–O Rafael está muito estressado, deve estar com problemas na loja, em casa também está assim. Acho que é muito trabalho. –respondi secamente.
 –Você sabe se ele está saindo com alguém? Ou sei lá, a fim de alguém, porque ando tentando falar com ele, e ele não me atende.
–Ele não fala muito comigo sobre essas coisas, mas acho que não está com ninguém. –disse fazendo cara de desentendida.
Ela me olhou parecendo me examinar.
–Nanda, nós vamos lá fora fumar, você vem? –disse uma das amigas dela, entrando no banheiro para chamá-la.
–Estou indo, encontro vocês lá fora.
Retoquei meu batom, e ela continuava a me olhar.
–Olha Ana, me simpatizei com você. Embora me parece que você não está sendo sincera comigo.
Olhei para ela balançando a cabeça negativamente.
–Fernanda, simplesmente não sei o que dizer a você. É só o que sei, e realmente não sei se ele tem alguém. Isso é um assunto que diz respeito somente a ele.
 –Tudo bem Ana!  Pode deixar, eu pego ele de jeito. Se o Rafael não quer falar comigo por bem, vai falar por mal. Ele não vai me descartar assim, como se eu fosse qualquer garota. Pode avisar a ele. –esbravejou Fernanda que retocou o batom e saiu pisando duro.
O tom dela era bem ameaçador, e uma coisa era certa, algo estava errado, mas não sabia o que era. Saímos do banheiro e as meninas me puxaram para pista de dança.
Dançamos umas duas músicas. Da pista podia observar Rafael me olhando incansavelmente. Rebeca juntou-se a nós. Igor, o irmão da Fernanda chegou perto de nós e começou a dançar com as meninas e ficou ali durante uma música inteira.  Ele começou a se aproximar de mim e quando fui sair, Igor me puxou pelo braço. Tentei me soltar, e ele puxou mais uma vez tentando me beijar, só senti o cara caindo no chão, depois de um soco. Quando olhei para o lado assustada era o Rafael que o acertou. Virou uma multidão ao nosso redor, Igor levantou e tentou em vão acertar o Rafa, que revidou e acertou outro soco. Dois seguranças do bar vieram, levaram o cara e um deles olhou para o Rafael pedindo desculpas, mas tinha que seguir as regras da casa, ou seja, ele também precisava se retirar.
Rafael segurou minha mão, perguntou se eu estava bem, mesmo ainda zonza com tudo aquilo, fiz que sim com a cabeça. Na saída encontramos com Déb que veio ao nosso encontro.
–O que aconteceu Rafael, o Igor de novo?
–Aquele babaca tentou agarrar a Ana.
–Você não precisava ter feito isso Rafael. –disse envergonhada.
–Não mesmo cara! Você quer o quê? Que todo mundo desconfie de vocês, e se essa história cai no ouvido do seu padrinho de uma maneira distorcida? Ainda mais o Igor sendo filho do amigo dele, pensou que grande merda isso viraria?
Fiquei calada, Déb estava coberta de razão.
–Você tem razão Déb, meti os pés pelas mãos.
–Já avisei os seguranças, vocês irão ficar. Essa porra é minha! Fica aqui quem eu quero. Volta para sua mesa, toma uma e se acalma.
–Não Déb, obrigado! Nós já vamos. Mas valeu. –disse ele envergonhado.
Ela o abraçou, e sussurrou algo no ouvido dele. Ele concordou sem dizer nada. Ele a respeitava muito, e ela parecia se importar muito com ele.
 Déb foi em minha direção e me deu um abraço reconfortante.
 –Acalma esse garoto, minha linda, cuida dele!
–Pode deixar! –falei dando um sorriso sem graça.
No estacionamento, Rafa me levou atrás da caminhonete e me encurralou.
–Desculpa Ana, estraguei nossa noite. Mas é que aquele cara me tirou do sério! Fiquei maluco vendo ele tentar beijar você a força.
Balancei a cabeça em negação.
 Enzo e Rebeca foram atrás de nós
–Está tudo bem, cara?
–Está Enzo, a Déb pediu para ficarmos, mas eu quero ir para casa com a Ana. Já dei muito trabalho hoje.
–Ana, me liga, amanhã. –disse Rebeca.
Eu a abracei.
–Pode deixar que eu ligo e combinamos alguma coisa.
Assim que nos despedimos seguimos para a casa do lago. Rafael ficou quieto o caminho todo, parecia preocupado.
Quando chegamos na casa e passamos a porta da sala, Rafael começou a me beijar desesperadamente como se estivesse com fome de mim. Ele bateu a porta atrás de nós e me empurrou contra a parede, me beijando sem parar.
–Cacete, Ana, você me deixou louco a noite inteira, não estava mais aguentando ficar sem te tocar. Você está me deixando maluco, sabia?
Suspirei, também estava no meu limite. Mas não disse nada.
Rafael abriu a calça, chutando-a para baixo. Colocou uma das minhas pernas sobre seu quadril e numa fração de segundos já estava entrando e saindo de mim, uma sensação de prazer corria pelas minhas veias, meu sangue estava quente, a cada investida dele sentia meu corpo gritar de desejo, aquele sexo selvagem, mas ao mesmo tempo tão prazeroso me levou à loucura rapidamente. Ele me beijava ardentemente e suas penetrações foram ficando cada vez mais rápidas até que nós dois ao mesmo tempo chegamos ao ápice do nosso prazer. Eu senti o corpo dele inteiro tremer sobre o meu.
Quando nós terminamos, não conseguia nem me mexer. Rafael delicadamente tirou minha perna da cintura dele, ergueu minha calcinha e encostou-se em mim, enfiando sua cabeça em meus cabelos.
 –Desculpa Ana! Agi feito um animal!  Isso não foi digno de você isso, você é muito melhor que isso, me desculpa! Mas estava louco, e aqueles caras me tiraram do sério, eu via o modo que eles olhavam para você, e eu não podia fazer nada.  Minha vontade era de socar um a um –disse ele beijando-me os lábios. E aquele idiota do Igor, te segurando, querendo te beijar. Fiquei cego de ódio. Quando vi, já tinha o derrubado. Eu tinha vontade de gritar que você é minha, só minha.
  Ele parou e olhou no fundo dos meus olhos.
 –Mas aí lembrei-me que você não é minha, que você está noiva, e isso fez com que eu quisesse morrer de ódio, de inveja, ciúmes. –continuou ele.
–Ei, calma, nós vamos resolver isso, não vamos? Nem o tempo conseguiu nos separar, então, só precisamos achar um momento certo, e nós vamos achar, não foi isso que você me disse? –falei acalmando-o.
–Mas e seu noivo?
 –Vou falar com ele, Rafael. Só me dá um tempo. Eu não posso terminar com o Léo assim do nada, por telefone. Assim que voltar para São Paulo, terei uma conversa definitiva com ele.
Ele me abraçou, como se fosse fugir dali correndo. Tomamos um vinho na varanda da sala, deixando o frio de fora devolver nossa temperatura certa, pois mesmo com o frio, estávamos molhados de suor.
–O que aconteceu?  O que a Fernanda te disse, vocês pareciam estar discutindo?
–A Fernanda foi me questionar sobre não querer mais falar com ela. Quem eu pensava que era, que ela não era descartável, não era qualquer uma.  E eu disse que não era isso, só que não rolava mais.
Apenas escutei, sem dizer nenhuma palavra.
–Na verdade parei de falar com ela quando soube que ela usava cocaína entre outras drogas. Ela é totalmente dependente. Ela e o irmão. Então passei a não atender mais os telefonemas dela, nem responder as mensagens.
Novamente fiquei sem saber o que dizer. Era um assunto que só dizia respeito a eles. Eu não podia cobrar nada. E muito menos opinar.
–Ela falou, que eu ferrei com a vida dela, mas agora ela ia ferrar comigo também, eu a questionei o porquê ela faria isso e ela simplesmente saiu sem falar nada. E fiquei sem entender.
– Ela foi atrás de mim, quando fui ao banheiro e me perguntou de você, falou que vocês se viam quase todos os finais de semana, mas agora nem aos telefonemas dela você atendia. E queria saber se você estava com alguém.
–Mentira! Nunca saí com ela todos os finais de semana. Saímos algumas vezes apenas. Ela mora em Porto Alegre, vem uma ou duas vezes por mês, nem isso! Então quando dava certo a gente se encontrava. Nada demais. E foram pouquíssimas vezes.
–Ela me pareceu bem irritada.
–E por que você não disse que estou com a única mulher que eu amo? –ele disse maliciosamente.
–Você deve dizer isso para todas! –disse dando-lhe meu melhor sorriso.
Rafael me abraçou bem forte.
–Você me conhece Ana. Eu só quero você. Ninguém mais me importa!
Eu sorri e o beijei.
–Acho que hoje dei bandeira demais, não é? –perguntou ele, parecendo preocupado.
–É, ficou mesmo estranho. E a Déb parece te colocar na linha hein?
 Ele sorriu.
–O pior é que ela estava certa. E antes de sairmos ela me disse que se eu quiser ficar com você, preciso aprender a agir feito homem. E que se eu bobear, você voltaria para São Paulo sem olhar para trás. E se isso acontecer eu era um idiota, porque você é uma gata. Está vendo Ana, até a Déb se apaixonou por você!
Nesse momento, o puxei contra meu corpo abraçando-o. Meu corpo já estava tremendo, estava muito frio. Rafa me levou para o quarto, e ficamos juntinhos na cama, debaixo do edredom, quando fizemos amor novamente, mas dessa vez, foi diferente, ele foi cuidadoso e carinhoso ao extremo.
Por volta das quatro da manhã, já estávamos na fazenda. É claro que chegamos juntos no carro dele, mas se alguém perguntasse, diríamos que a Rebeca saiu e ele me levou embora. 
Já estava de pijama, deitada em minha cama e pensando em meus últimos dias, foi quando meu celular vibrou, era o Rafael.
Ana, amo muito você, ontem, hoje e para sempre!
Rafael

Eu li a mensagem e sorri instantaneamente.

Também amo você para todo o sempre!
Sua ana

Meu celular vibrou novamente.

Já estou sentindo sua falta, acho que vou dormir aí com você.
Seu Rafa

Está maluco? Tenho um pai muito bravo sabia?
Sua Ana

Já estou com vontade de você novamente! Me deixa ir?
Seu Rafael
                                                                                                                                    Rafa, é sério. Vai dormir, e sonha comigo, pois sonharei com nós dois fazendo amor, como fizemos na sala!
Sua Ana

Ana, não faz assim comigo! Já estou ficando em uma situação bem complicada aqui.
Seu Rafa

Li aquilo e acabei caindo na risada. Então resolvi fazer uma surpresa. Saí do meu quarto na ponta dos pés, afinal, logo meu pai estaria de pé.
Bati de leve na porta do quarto de Rafael. Assim que ele abriu, ficou sem acreditar, me puxou e me levou para cama dele, me beijando sem parar. E pude comprovar que realmente ele falava a verdade na mensagem. 
Acordamos, já passava das sete horas, eu estava só com a camiseta dele, e ele totalmente nu.
–Aí meu Deus, que loucura, e agora? –disse desesperada.
–Calma, vamos dar um jeito. Ainda bem que ninguém veio me acordar, senão estaríamos perdidos! – ele disse apreensivo.
Vesti meu pijama e Rafael abriu a porta vagarosamente, e fez sinal para que eu pudesse ir, e nesse instante, corri para o meu quarto.


















6 comentários:

  1. ô meu Deus... acho que vem zica com essa Fernandaaaa...veremoss

    ResponderExcluir
  2. Lindooooo!!! Está tudo tão perfeito, daqui à pouco começa as encrencas, desencontros...
    Ansiosa para os próximos capítulos.. M

    ResponderExcluir
  3. Lindooooo!!! Está tudo tão perfeito, daqui à pouco começa as encrencas, desencontros...
    Ansiosa para os próximos capítulos.. M

    ResponderExcluir
  4. Aiiii que lindos!!! Mas estou apreensiva, pois eles estão cada vez mais ousados rs

    ResponderExcluir
  5. Estou com medo e curiosa... Esperando ansiosa o proximo post...

    ResponderExcluir
  6. hum essa Fernanda vai aprontar ,odeio ela.......

    ResponderExcluir