Sob o olhar das Estrelas
Parte 07
Bruno me olhou mas não respondeu.
— Eu preciso ir para o colégio.
Ele deu um passo para trás e não disse
mais nada. Fui até meu apartamento com as pernas trêmulas.
— Carol, achei que você estivesse em seu
quarto!
— Ah, mãe, só fui me despedir do Bruno,
mas já estou indo para o colégio. — disse indo até meu quarto para pegar minha
mochila.
Sentia meu coração acelerado de nervoso,
mas não podia demonstrar naquele momento.
— Está tudo bem, filha? — disse minha mãe
vindo atrás de mim.
— Ah... está sim, mãe! Já vou porque não
posso me atrasar.
Dei-lhe um beijo e saí em seguida. Fiz o
caminho do colégio sem enxergar um palmo em minha frente. Mas desviei meu
trajeto. Precisava apenas ficar sozinha para pensar no que estava acontecendo.
Fiquei sentada em um parque, pensando nas coisas que ouvi Bruno dizer a tal
Melissa. Ele se justificava para ela, e senti que parecia estar com medo de
desapontá-la.
“Estou com saudade de você. ” Aquelas palavras não saíam da minha cabeça. Ou
seja, o fato era que Bruno não sentia por mim o que eu sentia por ele, e por
isso eu tinha que tocar minha vida.
Mas ao mesmo tempo me lembrava do que ele
havia me dito. — O que você quer de mim?
E no fundo ele tinha razão. Não tinha o direito de cobrar nada do Bruno, sendo
que fiquei com Guilherme por quase dois anos.
A verdade era uma só, no fundo minha mãe
tinha total razão em relação à minha relação com o Bruno. Afinal, a partir do
momento que meus sentimentos mudaram em relação a ele, nossa amizade ficou
extremamente abalada.
Naquele dia, nem cheguei a ir para o
colégio, fiz hora na rua até dar meu horário de ir para casa. Assim, teria
certeza de que quando voltasse, Bruno já teria ido embora e minha mãe estaria
no trabalho e foi justamente isso que aconteceu.
Passei junho estudando com um grupo da
escola. Fizemos grupos de estudos, onde tirávamos todas as nossas dúvidas sobre
determinadas matérias.
Patrícia e Felipe estavam meio que
namorando, embora, ela nunca admitiria uma coisa dessas, afinal, mesmo com ele,
vivia de olho em outros carinhas. Ainda assim, eles passavam os finais de
semana grudados e ela por sinal não saía mais do nosso prédio, o que por um
lado foi bom para mim, pois estava constantemente ao lado da minha melhor amiga
e ao lado dos meus amigos. Eu e Bruno conversávamos menos do que o normal, mas
estávamos tentando manter um relacionamento saudável entre nós.
Na primeira semana de julho, Tiago, Felipe
e Gustavo estavam de férias da faculdade, e eu e a Pati de férias do colégio. Combinamos
um churrasco no prédio, onde alguns amigos da faculdade de Gustavo e Felipe
também iriam. No dia do churrasco, passamos a tarde toda preparando e comprando
as coisas enquanto os meninos organizavam o resto. Estávamos todos na área de
lazer, onde conheci algumas amigas e alguns amigos de Gustavo e Felipe que
foram super legais comigo. Meu celular tocou, e vi que era o Bruno.
— Oi, tudo bem?
— Oi, onde você está?
— Estou no prédio, os meninos estão
fazendo um churrasco para os amigos da faculdade. E por aí está tudo bem?
Ele sorriu.
— Estou bem sim. Depois falo com você. — ele
falou desligando em seguida.
Fiquei sem entender.
— O que foi? — disse Gustavo vindo em
minha direção.
— Ah, o Bruno, me ligou pra saber onde eu
estou, mas desligou assim que eu disse. Sinceramente não entendi.
— Acho que já está na hora de você parar
de se importar tanto com o Bruno. — disse ele passando o braço ao redor da
minha cintura. — Nós poderíamos sair hoje para dar uma volta, acha? — ele disse
quase sussurrando.
— Gustavo!
Quando me livrei da pegada de Gustavo, vi
Bruno vindo em nossa direção nos encarando. Bruno olhou para mim e abaixou a
cabeça e colocou suas mãos na bermuda cargo. Senti minhas pernas ficarem
bambas. Meus batimentos cardíacos foram quase a mil. Não resisti e fui de encontro
a ele.
— Como você chega sem me avisar? Quer me
matar do coração?
Ele riu.
— É bom ver você também.
Eu sorri para ele e o abracei em seguida.
— Senti sua falta.
Bruno me abraçou como se não tivesse
intenção de me soltar.
— Ora, ora! A quanto tempo mesmo vocês não
se viam? Dez anos? — brincou Pati, vindo em nossa direção.
Bruno me soltou sorrindo, contudo,
continuou com uma das mãos em minha cintura.
— Oi Patrícia.
— Oi Bruno, como vai? — ela disse dando-lhe
um beijo no rosto.
Senti uma fisgada de ciúme, afinal o beijo
dela quase pegou no canto dos lábios dele. Por sorte Bruno desviou.
— E aí Brunão! — falou Gustavo sem esboçar
muita alegria.
Bruno o encarou por um momento. Senti
certa tensão no ar.
— E aí cara, como vai?
Eles se abraçaram e em seguida Felipe e
Tiago foram cumprimentá-lo. Eu queria me manter distante, mas falhava a todo
momento, o tal imã que nos atraía ainda era muito forte.
Tiago serviu Bruno e eles ficaram
conversando em uma roda de garotos e de longe era possível escutar as risadas
altas. Procurei deixá-los o mais à vontade possível, mas percebi que Bruno me
seguia com os olhos.
— Por que vocês não param logo com essa
frescura e assumem o que sentem um pelo outro de uma vez? — indagou Patrícia.
— Eu não sei do que você está falando. — menti.
— Ah, você sabe sim! Pensa que eu não vejo
essa troca de olhares, sua reação perto dele e a reação dele perto de você, é
mais do que nítido.
Dei um sorriso sem graça, não discordei e
nem concordei com ela. Quando dei por mim, Bruno já estava novamente ao meu
lado.
— E aí Carol? Você nem me disse como vão
as coisas.
Patrícia saiu de perto, deixando-me
sozinha com ele. Nós começamos a caminhar e sentamos ao redor da piscina.
— Estão bem. Estou estudando bastante, já
posso dizer que me sinto pronta para a onda de vestibulares.
— Tem saído?
— Às vezes, já que a Pati está saindo com
o Felipe, então acabo saindo com eles. E você, por que não me disse que viria
essa semana? Imaginei que viesse apenas na próxima semana ou nem viesse por
causa da namorada.
Por mais que eu e Bruno conversámos por
mensagens, ele nunca tocava no assunto da namorada, e nem eu perguntava. Então
era hora de bancar a indiferente.
— Estava marcado para eu voltar na próxima
semana, mas minhas provas terminaram antes, aí quis fazer uma surpresa.
— E sua namorada?
Foi a primeira vez que consegui perguntar
a ele sobre a tal Melissa.
— Ela voltou para Campinas.
— E ela é legal?
— É sim! Ela é bem legal. Estamos nos
dando bem.
Meu ciúme foi gigantesco nesse momento, porém,
tentei disfarçar o máximo que pude.
— Que bom! Fico feliz por vocês.
— E você, não voltou mesmo com o namorado?
Balancei a cabeça em negação.
— Não. Ele me procurou diversas vezes e
embora ele fosse um cara legal, não estava mais dando certo.
Bruno ficou pensativo.
— Já o Gustavo não desiste, não é? Está
sempre de marcação cerrada.
— Ele é legal, apesar das gracinhas de
sempre.
Bruno forçou um sorriso, claramente
irritado com o Gustavo.
— Preciso pedir desculpa por aquele dia.
Eu fiquei sem reação ao ver você falar com a sua... com a Melissa. Você tinha
razão, não posso cobrar nada de você e também não quero que a nossa amizade
fique abalada. E mesmo assim, percebi que nos distanciamos um pouco e não podemos
deixar que isso nos afaste ainda mais.
Bruno continuou calado.
— Senti sua falta Carol! Tinha vontade de
te ligar a todo tempo, mas sei lá... é tão complicado, quer dizer, as coisas
ficaram tão complicadas entre nós.
Fiquei sem reação ao escutar as palavras
dele.
“Será que ele simplesmente não quer mais
nem ao menos ser meu amigo?”
— Você acha que é melhor nós... — fiz uma
pausa tentando encontrar as palavras certas — Sei lá, nós nos afastarmos de
vez?
Ele se calou e seu olhar ficou perdido por
um tempo, até encontrar com o meu.
— Carol, eu sofri muito quando você estava
com seu namorado. Você não faz ideia de como foi difícil ter que dividir você
com ele. Mas eu fiz isso por você, continuei sendo seu amigo, fiquei ao seu
lado sempre que você estava disponível. Não queria me afastar de você e nem te
perder. E quando enfim encontro alguém legal, alguém que me vê além de apenas
um amigo, você simplesmente se afasta de mim! Fiquei puto com isso, e fiquei ainda
mais fodido porque você terminou seu namoro e não se deu nem ao trabalho de me
contar, sendo que ligo a todo instante para te contar coisas das mais banais
possíveis.
— É tão fácil julgar não é Bruno? Quer
dizer, quem ouve você falando, pensa que eu o enrolei esse tempo todo. Sendo
que não dava a mínima quando eu era apaixonada por você, tanto que ficou com a
minha melhor amiga. E você nunca se colocou em meu lugar para saber como me senti
em relação a isso. Isso sem contar que disse na minha cara que não me enxergava
como uma garota. Como assim? Eu ali o tempo todo ao seu lado, suspirando por
você a todo o momento e você me diz que não me via da forma como eu queria ser
vista? Me senti péssima com aquilo. Só depois que encontrei alguém legal e que
realmente gostava de mim, você começou a mudar o jeito de me tratar. E quando eu estava realmente feliz ao lado do
meu namorado, você simplesmente chegou em mim e bagunçou todos os meus
sentimentos ao falar dos seus sentimentos. Isso fez com que eu ficasse sem
saber o que fazer, tanto que cheguei a largar do Guilherme por sua causa. Mas
você estava naquela fase de querer beijar todas as garotas da face da Terra,
então voltei com ele, sem ao menos dizer a ninguém que havíamos dado um tempo, porque
não queria mais sofrer por você. Ainda sim Bruno, briguei com o Guilherme
milhões de vezes, porque ele não aceitava nossa amizade, entretanto, jamais me
afastei de você por causa dele, pelo contrário, eu e você éramos inseparáveis.
Ele me encarava aturdido.
— Fui pra Lorena com sua mãe, e enfrentei
uma guerra depois por causa disso. E depois de um tempo, mais uma vez terminei
com ele, porque não achava justo namorar com um cara, gostando de outra pessoa.
A respiração de Bruno estava entrecortada.
— Foi aí que te liguei. Queria muito que
soubesse que... Enfim, que eu estava sozinha, acontece que quando liguei pra
você, você me disse que estava namorando e que ela é super legal, que te
entende, te faz e feliz e blá, blá, blá. Você estava feliz e não seria eu quem
ia estragar aquele momento, por isso decidi não dizer nada. Na verdade, foi um
balde de água fria.
Bruno me olhou apreensivo.
— No dia do meu aniversário, você me fez
uma surpresa da qual nunca me esquecerei, depois me pediu um beijo, mas na
manhã seguinte, ouvi você falando para a Melissa que eu era apenas uma amiga de
infância. Então a verdade, é que você não sabe ao certo o que quer. Talvez seja
melhor a gente se afastar de vez.
Levantei-me e Bruno fez o mesmo, porém segurou
meu braço.
— Não quero me afastar de você! Carolina, você
não entendeu nada do que disse? Quis dizer que eu fiquei ao seu lado, mesmo
estando com o Guilherme colado em você o tempo todo, mas só porque conheci
alguém, a primeira coisa que você fez foi sair de cena, sequer me liga ou manda
alguma mensagem. Se não for eu ligar pra você, ficamos sem nos falar por
sabe-se lá quanto tempo. Agora eu te pergunto: você acha melhor que eu me
afaste de você?
— Não. Claro que não. Só disse isso
porque, sei lá, achei que quisesse dar um tempo na nossa relação, justamente
porque está namorando .
— E você acha que se eu quisesse me
afastar estaria aqui? Você é a única pessoa que me faz querer voltar pra casa.
Só estou aqui por sua causa, pra te ver.
Olhei atordoada pra ele.
— Carol, eu amo ficar perto de você, estar
com você. Não quero brigar. Me desculpa por ter dito todas aquelas coisas.
Agora vem aqui. — disse ele, me abraçando.
— Bruno, desculpa-me também. Não vamos
mais deixar que nada atrapalhe nossa relação. Eu não saberia viver sem você. Já
é tão difícil sem você ao meu lado, e eu morreria ficar sem notícias sua.
Ele me olhou e me beijou o topo da cabeça.
— Quando eu estava com o Guilherme você
ainda continuou sendo meu amigo, então é minha vez de ficar ao seu lado, mas se
ela fizer você sofrer eu a mato, está ouvindo?
Bruno me olhou e sorriu novamente. Aquele
sorriso dele era o suficiente para me matar de felicidade.
— Vem aqui! Ele disse pegando-me no colo e
me jogando por cima dos ombros dele.
Eu gritei e comecei a rir, Bruno me
carregou em seus ombros até onde nossos amigos estavam.
Tínhamos três semanas para curtirmos as
férias juntos. Tudo estava perfeito. Eu tinha o Bruno tempo integral e ele
tinha a mim. Quando a namorada dele ligava eu não me afastava, sentia meu
coração doer ao vê-lo conversando com ela, mas disfarçava o máximo possível.
Até que com o passar dos dias, ele começou a evitar as ligações dela.
E era como antes, havia algo que nos atraía,
uma força maior do que nos dois. Estava cada vez mais impossível ficarmos
afastados um do outro. E quando eu estava com o Bruno, tudo ficava melhor, mais
bonito, mais colorido, mais vivo. Sentia como se eu dependesse dele para
sobreviver.
Saíamos quase todos os dias à noite,
quando não era apenas nós dois, era com os garotos e a Patrícia. Passávamos as
tardes inteiras jogando conversa fora assistindo a filmes ou com Bruno me dando
aulas de Química e Física, afinal, ele manjava muito.
Gustavo nos levou a uma boate que havia
acabado de inaugurar, e como eu ainda era menor de idade, Bruno entrou como meu
responsável, o que o deixou todo dono de si, e eu bem que gostei.
Na segunda semana, a avó de Bruno precisou
ser internada, então Ester e uma outra tia se revezavam para ficar com ela no
hospital durante à noite. Bruno foi visitá-la algumas vezes e sempre me levava
junto dele.
Já estávamos na quarta-feira da segunda
semana, e meu coração ficava cada vez mais apertado, pois as férias estavam
terminando e logo Bruno voltaria para Lorena.
Naquela manhã, estava deitada em minha
cama, pensando como seria quando tudo voltasse ao normal. Seria horrível me
acostumar novamente sem ele por perto. E aquilo me dilacerava por dentro.
— Carol? Está acordada, filha?
— Se eu estivesse dormindo, você
provavelmente me acordaria ao entrar assim. Falei em tom de brincadeira.
Ela sorriu.
— Filha, lembra que comentei com você
sobre um congresso em São Paulo?
Eu me lembrava vagamente de minha mãe ter
me comentado sobre um tal congresso de cardiologia.
— Hum, meio que lembro, mas por que está
perguntando?
— Eu imaginava que esse congresso seria na
próxima semana, mas minha secretária me confirmou ontem à tarde que será amanhã
e sexta-feira. Nesse caso irei para o consultório apenas na parte da manhã e à
tarde quero sair para comprar algumas coisas. Queria que você viesse comigo,
assim compraremos algumas coisas para você levar também.
Olhei para ela sem entender.
— Para eu levar aonde?
— Para São Paulo. Você não vai comigo?
— Não, mãe! Eu nem posso ir, estamos
fazendo grupos de estudos. Além disso, são minhas férias e...
— Mas você tinha comentado que gostaria de
ir comigo.
— Mãe isso foi antes.
— Antes do quê? Por acaso o fato de você
não querer ir tem a ver com o Bruno estar aqui em Porto Alegre.
Sabia que não podia mentir para minha mãe,
mas também não precisava dizer-lhe toda a verdade.
— Ah, sei lá, em partes sim, acontece que
justo agora a turma toda está reunida, está sendo tão divertido e sei que na próxima
semana tudo isso acaba, as aulas voltarão e começa tudo outra vez. Então me
deixa ficar, mãe, por favor?
— O quê? Ficar sozinha? Eu tenho medo! Nunca
deixei você sozinha, e sei lá, vendo você e o Bruno grudados o tempo todo, não
sei se é uma boa ideia.
— Mãe, o Bruno é meu amigo, apenas isso.
Meu melhor amigo, aliás, você sabe disso, é assim desde que éramos crianças, e
também tem a Ester aqui ao lado, se precisar você conversa com ela, tenho
certeza que ela não se importará de cuidar de mim por um final de semana.
— A mãe da Ester está doente, esqueceu?
Ela mal fica em casa.
— Tá, eu sei, mas ela não fica todas as
noites no hospital e além disso, tem a Pati, posso ficar uma ou duas noites na
casa dela.
Ela ponderou e ficou em silêncio por um
instante.
— Mãe, por favor!
— Tá certo, só espero não me decepcionar
com você.
— Eu já te decepcionei alguma vez?
— Não, nunca.
— Então.
— Tudo bem filha! Eu ligo para a mãe da Patrícia
e vejo se tem problema você ficar por lá pelo menos na noite em que a Ester
ficará no hospital.
Sorri aliviada.
— Obrigada, mãe!
Ela sorriu e em seguida me beijou.
Naquela tarde, saí com minha mãe e a
ajudei a comprar algumas roupas novas e em seguida fomos a um salão de beleza,
onde cortamos os nossos cabelos, fizemos escova, as unhas, sobrancelhas e
massagens. Saímos de lá renovadas. Assim que chegamos ao apartamento, Bruno me
ligou.
— Oi. — falei animadamente.
— Onde você esteve o dia todo? Te liguei
várias vezes, fui até aí e nada.
— Ah, a bateria do meu celular acabou para
variar. E eu fui fazer umas compras com a minha mãe.
— Hum. Bom, pensei em sairmos para jantar.
Minha mãe aceitou em ir com a gente, será que sua mãe topa?
— Preciso ver com ela, ligo para você
daqui uns minutos, pode ser?
— Pode. Eu espero.
Podia imaginar Bruno dando um sorriso do
outro lado da linha e isso fez com que eu sorrisse também. Fui em seguida falar
com minha mãe.
— Mãe, a Ester nos convidou para sairmos
pra jantar, o que você acha?
— Ah, filha, eu ainda preciso arrumar
minhas coisas para amanhã cedo.
— Depois eu ajudo você.
— Tudo bem. Nem é tanta coisa assim para
eu levar. Posso arrumar isso depois.
— Posso ligar para ela para confirmando.
— Pode, Carol. Me diga o que eu não faço
por você?
Festejei por dentro. Seria um programinha
como os de antigamente. Não tinha nada no mundo que eu gostasse mais que programinhas
em família com o Bruno.
Nós fomos para um restaurante de comida
japonesa. Fomos os quatro no mesmo carro. Bruno foi dirigindo, eu fui ao lado
dele e nossas mães no banco de trás.
O jantar do início ao fim foi muito
animado, conversamos muito, rimos muito, fizemos planos para as próximas
férias, enfim, foi um jantar em família perfeito.
Quando estávamos esperando a sobremesa,
minha mãe olhou para mim e em seguida para o Bruno e por fim para Ester.
— Ester, amanhã cedo eu vou para São
Paulo, acontecerá um congresso de cardiologia e eu não queria perder de maneira
alguma. Conversei com a Carolina, mas ela não quer ir comigo e eu tenho medo de
deixá-la sozinha no apartamento. Nesse caso, queria ver se a Carol pode ficar
com você, pelo menos na noite em que não for ficar com a sua mãe.
Bruno me olhou aprovando totalmente a
situação.
— Claro que sim! Minha mãe já está melhor,
vai para casa dela amanhã pela manhã, então estarei em casa todas as noites e a
Carol pode ficar com a gente quanto tempo quiser.
Minha mãe olhou para Bruno e em seguida
para Ester.
— Se caso precisar sair algum dia, ela
fica na casa da Patrícia, porque tenho medo de deixar esses dois completamente
sozinhos. Nunca se sabe.
— Mãe!
— Filha eu confio em vocês! Não é isso, é que na idade
de vocês, todo cuidado é pouco.
Bruno ficou corado.
— Não se preocupe, Marília, eu cuido da
Carol. Ela é minha melhor amiga, esqueceu?
Quase afundei na cadeira do restaurante,
de vergonha e tristeza por ele afirmar “Nós
somos apenas amigos” com tanta convicção.
— Eu cuido dos dois, pode ir tranquila. — continuou
Ester.
Minha mãe me olhou soltando um sorriso de
alívio.
Bruno me encarava algumas vezes, era como
se ele não conseguisse tirar os olhos de mim e eu dele. Voltamos para o prédio
e nos despedimos na porta dos nossos apartamentos.
— Carol, espero você amanhã! — falou Ester
dando-me um beijo no rosto.

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