quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Sob o olhar das Estrelas, parte 07, por Érika Prevideli

Sob o olhar das Estrelas 

Parte 07

Bruno me olhou mas não respondeu.
— Eu preciso ir para o colégio.
Ele deu um passo para trás e não disse mais nada. Fui até meu apartamento com as pernas trêmulas.
— Carol, achei que você estivesse em seu quarto!
— Ah, mãe, só fui me despedir do Bruno, mas já estou indo para o colégio. — disse indo até meu quarto para pegar minha mochila.
Sentia meu coração acelerado de nervoso, mas não podia demonstrar naquele momento.
— Está tudo bem, filha? — disse minha mãe vindo atrás de mim.
— Ah... está sim, mãe! Já vou porque não posso me atrasar.
Dei-lhe um beijo e saí em seguida. Fiz o caminho do colégio sem enxergar um palmo em minha frente. Mas desviei meu trajeto. Precisava apenas ficar sozinha para pensar no que estava acontecendo. Fiquei sentada em um parque, pensando nas coisas que ouvi Bruno dizer a tal Melissa. Ele se justificava para ela, e senti que parecia estar com medo de desapontá-la.
“Estou com saudade de você. ”  Aquelas palavras não saíam da minha cabeça. Ou seja, o fato era que Bruno não sentia por mim o que eu sentia por ele, e por isso eu tinha que tocar minha vida.
Mas ao mesmo tempo me lembrava do que ele havia me dito. — O que você quer de mim? E no fundo ele tinha razão. Não tinha o direito de cobrar nada do Bruno, sendo que fiquei com Guilherme por quase dois anos.
A verdade era uma só, no fundo minha mãe tinha total razão em relação à minha relação com o Bruno. Afinal, a partir do momento que meus sentimentos mudaram em relação a ele, nossa amizade ficou extremamente abalada.
Naquele dia, nem cheguei a ir para o colégio, fiz hora na rua até dar meu horário de ir para casa. Assim, teria certeza de que quando voltasse, Bruno já teria ido embora e minha mãe estaria no trabalho e foi justamente isso que aconteceu.
Passei junho estudando com um grupo da escola. Fizemos grupos de estudos, onde tirávamos todas as nossas dúvidas sobre determinadas matérias.
Patrícia e Felipe estavam meio que namorando, embora, ela nunca admitiria uma coisa dessas, afinal, mesmo com ele, vivia de olho em outros carinhas. Ainda assim, eles passavam os finais de semana grudados e ela por sinal não saía mais do nosso prédio, o que por um lado foi bom para mim, pois estava constantemente ao lado da minha melhor amiga e ao lado dos meus amigos. Eu e Bruno conversávamos menos do que o normal, mas estávamos tentando manter um relacionamento saudável entre nós.
Na primeira semana de julho, Tiago, Felipe e Gustavo estavam de férias da faculdade, e eu e a Pati de férias do colégio. Combinamos um churrasco no prédio, onde alguns amigos da faculdade de Gustavo e Felipe também iriam. No dia do churrasco, passamos a tarde toda preparando e comprando as coisas enquanto os meninos organizavam o resto. Estávamos todos na área de lazer, onde conheci algumas amigas e alguns amigos de Gustavo e Felipe que foram super legais comigo. Meu celular tocou, e vi que era o Bruno.
— Oi, tudo bem?
— Oi, onde você está?
— Estou no prédio, os meninos estão fazendo um churrasco para os amigos da faculdade. E por aí está tudo bem?
Ele sorriu.
— Estou bem sim. Depois falo com você. — ele falou desligando em seguida.
Fiquei sem entender.
— O que foi? — disse Gustavo vindo em minha direção.
— Ah, o Bruno, me ligou pra saber onde eu estou, mas desligou assim que eu disse. Sinceramente não entendi.
— Acho que já está na hora de você parar de se importar tanto com o Bruno. — disse ele passando o braço ao redor da minha cintura. — Nós poderíamos sair hoje para dar uma volta, acha? — ele disse quase sussurrando.
— Gustavo!
Quando me livrei da pegada de Gustavo, vi Bruno vindo em nossa direção nos encarando. Bruno olhou para mim e abaixou a cabeça e colocou suas mãos na bermuda cargo. Senti minhas pernas ficarem bambas. Meus batimentos cardíacos foram quase a mil. Não resisti e fui de encontro a ele.
— Como você chega sem me avisar? Quer me matar do coração?
Ele riu.
— É bom ver você também.
Eu sorri para ele e o abracei em seguida.
— Senti sua falta.
Bruno me abraçou como se não tivesse intenção de me soltar.
— Ora, ora! A quanto tempo mesmo vocês não se viam? Dez anos? — brincou Pati, vindo em nossa direção.
Bruno me soltou sorrindo, contudo, continuou com uma das mãos em minha cintura.
— Oi Patrícia.
— Oi Bruno, como vai? — ela disse dando-lhe um beijo no rosto.
Senti uma fisgada de ciúme, afinal o beijo dela quase pegou no canto dos lábios dele. Por sorte Bruno desviou.
— E aí Brunão! — falou Gustavo sem esboçar muita alegria.
Bruno o encarou por um momento. Senti certa tensão no ar.
­— E aí cara, como vai?
Eles se abraçaram e em seguida Felipe e Tiago foram cumprimentá-lo. Eu queria me manter distante, mas falhava a todo momento, o tal imã que nos atraía ainda era muito forte.
Tiago serviu Bruno e eles ficaram conversando em uma roda de garotos e de longe era possível escutar as risadas altas. Procurei deixá-los o mais à vontade possível, mas percebi que Bruno me seguia com os olhos.
— Por que vocês não param logo com essa frescura e assumem o que sentem um pelo outro de uma vez? — indagou Patrícia.
— Eu não sei do que você está falando. — menti.
— Ah, você sabe sim! Pensa que eu não vejo essa troca de olhares, sua reação perto dele e a reação dele perto de você, é mais do que nítido.
Dei um sorriso sem graça, não discordei e nem concordei com ela. Quando dei por mim, Bruno já estava novamente ao meu lado.
— E aí Carol? Você nem me disse como vão as coisas.
Patrícia saiu de perto, deixando-me sozinha com ele. Nós começamos a caminhar e sentamos ao redor da piscina.
— Estão bem. Estou estudando bastante, já posso dizer que me sinto pronta para a onda de vestibulares.
— Tem saído?
— Às vezes, já que a Pati está saindo com o Felipe, então acabo saindo com eles. E você, por que não me disse que viria essa semana? Imaginei que viesse apenas na próxima semana ou nem viesse por causa da namorada.
Por mais que eu e Bruno conversámos por mensagens, ele nunca tocava no assunto da namorada, e nem eu perguntava. Então era hora de bancar a indiferente.
— Estava marcado para eu voltar na próxima semana, mas minhas provas terminaram antes, aí quis fazer uma surpresa.
— E sua namorada?
Foi a primeira vez que consegui perguntar a ele sobre a tal Melissa.
— Ela voltou para Campinas.
— E ela é legal?
— É sim! Ela é bem legal. Estamos nos dando bem.
Meu ciúme foi gigantesco nesse momento, porém, tentei disfarçar o máximo que pude.
— Que bom! Fico feliz por vocês.
— E você, não voltou mesmo com o namorado?
Balancei a cabeça em negação.
— Não. Ele me procurou diversas vezes e embora ele fosse um cara legal, não estava mais dando certo.
Bruno ficou pensativo.
— Já o Gustavo não desiste, não é? Está sempre de marcação cerrada.
— Ele é legal, apesar das gracinhas de sempre.
Bruno forçou um sorriso, claramente irritado com o Gustavo.
— Preciso pedir desculpa por aquele dia. Eu fiquei sem reação ao ver você falar com a sua... com a Melissa. Você tinha razão, não posso cobrar nada de você e também não quero que a nossa amizade fique abalada. E mesmo assim, percebi que nos distanciamos um pouco e não podemos deixar que isso nos afaste ainda mais.
Bruno continuou calado.
— Senti sua falta Carol! Tinha vontade de te ligar a todo tempo, mas sei lá... é tão complicado, quer dizer, as coisas ficaram tão complicadas entre nós.
Fiquei sem reação ao escutar as palavras dele.
“Será que ele simplesmente não quer mais nem ao menos ser meu amigo?”
— Você acha que é melhor nós... — fiz uma pausa tentando encontrar as palavras certas — Sei lá, nós nos afastarmos de vez?
Ele se calou e seu olhar ficou perdido por um tempo, até encontrar com o meu.
— Carol, eu sofri muito quando você estava com seu namorado. Você não faz ideia de como foi difícil ter que dividir você com ele. Mas eu fiz isso por você, continuei sendo seu amigo, fiquei ao seu lado sempre que você estava disponível. Não queria me afastar de você e nem te perder. E quando enfim encontro alguém legal, alguém que me vê além de apenas um amigo, você simplesmente se afasta de mim! Fiquei puto com isso, e fiquei ainda mais fodido porque você terminou seu namoro e não se deu nem ao trabalho de me contar, sendo que ligo a todo instante para te contar coisas das mais banais possíveis.
— É tão fácil julgar não é Bruno? Quer dizer, quem ouve você falando, pensa que eu o enrolei esse tempo todo. Sendo que não dava a mínima quando eu era apaixonada por você, tanto que ficou com a minha melhor amiga. E você nunca se colocou em meu lugar para saber como me senti em relação a isso. Isso sem contar que disse na minha cara que não me enxergava como uma garota. Como assim? Eu ali o tempo todo ao seu lado, suspirando por você a todo o momento e você me diz que não me via da forma como eu queria ser vista? Me senti péssima com aquilo. Só depois que encontrei alguém legal e que realmente gostava de mim, você começou a mudar o jeito de me tratar.  E quando eu estava realmente feliz ao lado do meu namorado, você simplesmente chegou em mim e bagunçou todos os meus sentimentos ao falar dos seus sentimentos. Isso fez com que eu ficasse sem saber o que fazer, tanto que cheguei a largar do Guilherme por sua causa. Mas você estava naquela fase de querer beijar todas as garotas da face da Terra, então voltei com ele, sem ao menos dizer a ninguém que havíamos dado um tempo, porque não queria mais sofrer por você. Ainda sim Bruno, briguei com o Guilherme milhões de vezes, porque ele não aceitava nossa amizade, entretanto, jamais me afastei de você por causa dele, pelo contrário, eu e você éramos inseparáveis.
Ele me encarava aturdido.
— Fui pra Lorena com sua mãe, e enfrentei uma guerra depois por causa disso. E depois de um tempo, mais uma vez terminei com ele, porque não achava justo namorar com um cara, gostando de outra pessoa.
A respiração de Bruno estava entrecortada.
— Foi aí que te liguei. Queria muito que soubesse que... Enfim, que eu estava sozinha, acontece que quando liguei pra você, você me disse que estava namorando e que ela é super legal, que te entende, te faz e feliz e blá, blá, blá. Você estava feliz e não seria eu quem ia estragar aquele momento, por isso decidi não dizer nada. Na verdade, foi um balde de água fria.
Bruno me olhou apreensivo.
— No dia do meu aniversário, você me fez uma surpresa da qual nunca me esquecerei, depois me pediu um beijo, mas na manhã seguinte, ouvi você falando para a Melissa que eu era apenas uma amiga de infância. Então a verdade, é que você não sabe ao certo o que quer. Talvez seja melhor a gente se afastar de vez.
Levantei-me e Bruno fez o mesmo, porém segurou meu braço.
— Não quero me afastar de você! Carolina, você não entendeu nada do que disse? Quis dizer que eu fiquei ao seu lado, mesmo estando com o Guilherme colado em você o tempo todo, mas só porque conheci alguém, a primeira coisa que você fez foi sair de cena, sequer me liga ou manda alguma mensagem. Se não for eu ligar pra você, ficamos sem nos falar por sabe-se lá quanto tempo. Agora eu te pergunto: você acha melhor que eu me afaste de você?
— Não. Claro que não. Só disse isso porque, sei lá, achei que quisesse dar um tempo na nossa relação, justamente porque está namorando .
— E você acha que se eu quisesse me afastar estaria aqui? Você é a única pessoa que me faz querer voltar pra casa. Só estou aqui por sua causa, pra te ver.
Olhei atordoada pra ele.
— Carol, eu amo ficar perto de você, estar com você. Não quero brigar. Me desculpa por ter dito todas aquelas coisas. Agora vem aqui. — disse ele, me abraçando.
— Bruno, desculpa-me também. Não vamos mais deixar que nada atrapalhe nossa relação. Eu não saberia viver sem você. Já é tão difícil sem você ao meu lado, e eu morreria ficar sem notícias sua.
Ele me olhou e me beijou o topo da cabeça.
— Quando eu estava com o Guilherme você ainda continuou sendo meu amigo, então é minha vez de ficar ao seu lado, mas se ela fizer você sofrer eu a mato, está ouvindo?
Bruno me olhou e sorriu novamente. Aquele sorriso dele era o suficiente para me matar de felicidade.
— Vem aqui! Ele disse pegando-me no colo e me jogando por cima dos ombros dele.
Eu gritei e comecei a rir, Bruno me carregou em seus ombros até onde nossos amigos estavam.
Tínhamos três semanas para curtirmos as férias juntos. Tudo estava perfeito. Eu tinha o Bruno tempo integral e ele tinha a mim. Quando a namorada dele ligava eu não me afastava, sentia meu coração doer ao vê-lo conversando com ela, mas disfarçava o máximo possível. Até que com o passar dos dias, ele começou a evitar as ligações dela.
E era como antes, havia algo que nos atraía, uma força maior do que nos dois. Estava cada vez mais impossível ficarmos afastados um do outro. E quando eu estava com o Bruno, tudo ficava melhor, mais bonito, mais colorido, mais vivo. Sentia como se eu dependesse dele para sobreviver.
Saíamos quase todos os dias à noite, quando não era apenas nós dois, era com os garotos e a Patrícia. Passávamos as tardes inteiras jogando conversa fora assistindo a filmes ou com Bruno me dando aulas de Química e Física, afinal, ele manjava muito.
Gustavo nos levou a uma boate que havia acabado de inaugurar, e como eu ainda era menor de idade, Bruno entrou como meu responsável, o que o deixou todo dono de si, e eu bem que gostei.
Na segunda semana, a avó de Bruno precisou ser internada, então Ester e uma outra tia se revezavam para ficar com ela no hospital durante à noite. Bruno foi visitá-la algumas vezes e sempre me levava junto dele.
Já estávamos na quarta-feira da segunda semana, e meu coração ficava cada vez mais apertado, pois as férias estavam terminando e logo Bruno voltaria para Lorena.
Naquela manhã, estava deitada em minha cama, pensando como seria quando tudo voltasse ao normal. Seria horrível me acostumar novamente sem ele por perto. E aquilo me dilacerava por dentro.
— Carol? Está acordada, filha?
— Se eu estivesse dormindo, você provavelmente me acordaria ao entrar assim. Falei em tom de brincadeira.
Ela sorriu.
— Filha, lembra que comentei com você sobre um congresso em São Paulo?
Eu me lembrava vagamente de minha mãe ter me comentado sobre um tal congresso de cardiologia.
— Hum, meio que lembro, mas por que está perguntando?
— Eu imaginava que esse congresso seria na próxima semana, mas minha secretária me confirmou ontem à tarde que será amanhã e sexta-feira. Nesse caso irei para o consultório apenas na parte da manhã e à tarde quero sair para comprar algumas coisas. Queria que você viesse comigo, assim compraremos algumas coisas para você levar também.
Olhei para ela sem entender.
— Para eu levar aonde?
— Para São Paulo. Você não vai comigo?
— Não, mãe! Eu nem posso ir, estamos fazendo grupos de estudos. Além disso, são minhas férias e...
— Mas você tinha comentado que gostaria de ir comigo.
— Mãe isso foi antes.
— Antes do quê? Por acaso o fato de você não querer ir tem a ver com o Bruno estar aqui em Porto Alegre.
Sabia que não podia mentir para minha mãe, mas também não precisava dizer-lhe toda a verdade.
— Ah, sei lá, em partes sim, acontece que justo agora a turma toda está reunida, está sendo tão divertido e sei que na próxima semana tudo isso acaba, as aulas voltarão e começa tudo outra vez. Então me deixa ficar, mãe, por favor?
— O quê? Ficar sozinha? Eu tenho medo! Nunca deixei você sozinha, e sei lá, vendo você e o Bruno grudados o tempo todo, não sei se é uma boa ideia.
— Mãe, o Bruno é meu amigo, apenas isso. Meu melhor amigo, aliás, você sabe disso, é assim desde que éramos crianças, e também tem a Ester aqui ao lado, se precisar você conversa com ela, tenho certeza que ela não se importará de cuidar de mim por um final de semana.
— A mãe da Ester está doente, esqueceu? Ela mal fica em casa.
— Tá, eu sei, mas ela não fica todas as noites no hospital e além disso, tem a Pati, posso ficar uma ou duas noites na casa dela.
Ela ponderou e ficou em silêncio por um instante.
— Mãe, por favor!
— Tá certo, só espero não me decepcionar com você.
— Eu já te decepcionei alguma vez?
— Não, nunca.
— Então.
— Tudo bem filha! Eu ligo para a mãe da Patrícia e vejo se tem problema você ficar por lá pelo menos na noite em que a Ester ficará no hospital.
Sorri aliviada.
— Obrigada, mãe!
Ela sorriu e em seguida me beijou.
Naquela tarde, saí com minha mãe e a ajudei a comprar algumas roupas novas e em seguida fomos a um salão de beleza, onde cortamos os nossos cabelos, fizemos escova, as unhas, sobrancelhas e massagens. Saímos de lá renovadas. Assim que chegamos ao apartamento, Bruno me ligou.
— Oi. — falei animadamente.
— Onde você esteve o dia todo? Te liguei várias vezes, fui até aí e nada.
— Ah, a bateria do meu celular acabou para variar. E eu fui fazer umas compras com a minha mãe.
— Hum. Bom, pensei em sairmos para jantar. Minha mãe aceitou em ir com a gente, será que sua mãe topa?
— Preciso ver com ela, ligo para você daqui uns minutos, pode ser?
— Pode. Eu espero.
Podia imaginar Bruno dando um sorriso do outro lado da linha e isso fez com que eu sorrisse também. Fui em seguida falar com minha mãe.
— Mãe, a Ester nos convidou para sairmos pra jantar, o que você acha?
— Ah, filha, eu ainda preciso arrumar minhas coisas para amanhã cedo.
— Depois eu ajudo você.
— Tudo bem. Nem é tanta coisa assim para eu levar. Posso arrumar isso depois.
— Posso ligar para ela para confirmando.
— Pode, Carol. Me diga o que eu não faço por você?
Festejei por dentro. Seria um programinha como os de antigamente. Não tinha nada no mundo que eu gostasse mais que programinhas em família com o Bruno.
Nós fomos para um restaurante de comida japonesa. Fomos os quatro no mesmo carro. Bruno foi dirigindo, eu fui ao lado dele e nossas mães no banco de trás.
O jantar do início ao fim foi muito animado, conversamos muito, rimos muito, fizemos planos para as próximas férias, enfim, foi um jantar em família perfeito.
Quando estávamos esperando a sobremesa, minha mãe olhou para mim e em seguida para o Bruno e por fim para Ester.
— Ester, amanhã cedo eu vou para São Paulo, acontecerá um congresso de cardiologia e eu não queria perder de maneira alguma. Conversei com a Carolina, mas ela não quer ir comigo e eu tenho medo de deixá-la sozinha no apartamento. Nesse caso, queria ver se a Carol pode ficar com você, pelo menos na noite em que não for ficar com a sua mãe.
Bruno me olhou aprovando totalmente a situação.
— Claro que sim! Minha mãe já está melhor, vai para casa dela amanhã pela manhã, então estarei em casa todas as noites e a Carol pode ficar com a gente quanto tempo quiser.
Minha mãe olhou para Bruno e em seguida para Ester.
— Se caso precisar sair algum dia, ela fica na casa da Patrícia, porque tenho medo de deixar esses dois completamente sozinhos. Nunca se sabe.
— Mãe!
— Filha eu confio em vocês! Não é isso, é que na idade de vocês, todo cuidado é pouco.
Bruno ficou corado.
— Não se preocupe, Marília, eu cuido da Carol. Ela é minha melhor amiga, esqueceu?
Quase afundei na cadeira do restaurante, de vergonha e tristeza por ele afirmar “Nós somos apenas amigos” com tanta convicção.
— Eu cuido dos dois, pode ir tranquila. — continuou Ester.
Minha mãe me olhou soltando um sorriso de alívio.
Bruno me encarava algumas vezes, era como se ele não conseguisse tirar os olhos de mim e eu dele. Voltamos para o prédio e nos despedimos na porta dos nossos apartamentos.
— Carol, espero você amanhã! — falou Ester dando-me um beijo no rosto.


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