sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Sob o olhar das Estrelas, Parte 2, por Érika Prevideli


Sob o Olhar das Estrelas
Parte 2
Cinco anos se passaram e eu e Bruno não desgrudávamos. Contudo, desde quando completei quatorze anos, descobri que sentia algo a mais por ele. Na verdade, eu só estava feliz se estava ao lado dele, respirando o mesmo ar que ele respirava.
Muitas coisas tinham mudado em minha vida. Meus pais se separaram quando fiz doze anos. Minha mãe o flagrou a traindo e aquilo foi a gota d’água.
 Ela e Ester pareciam irmãs de tão amigas, assim como eu e Bruno, embora eu não via mais o Bruno dessa forma.
Já estávamos no ensino médio, eu no primeiro ano e ele no segundo ano. E nossa rotina de ir e voltar juntos da escola era a mesma. E naquela quarta-feira eu saí mais cedo e esperei vários e vários minutos por ele. Até que eu o vi vindo em minha direção.
— Nossa que demora! — falei fingindo estar brava.
— Aquela bruxa da professora de história ficou me segurando.
— Odeio ela. — falei puxando o saco dele.
Andamos cerca de duas quadras e chegamos em nosso prédio. Quando estávamos no elevador Bruno virou-se para mim com os olhos brilhantes.
— Carol preciso te falar uma coisa.
Meu coração disparou. Ele nunca era tão sério daquela maneira.
— Fala!
A porta do elevador se abriu e seguimos em direção ao meu apartamento, pois revezávamos: cada dia um almoçava na casa do outro. Entramos e jogamos nossas mochilas sobre o sofá.
Val veio em nossa direção.
— Oi meus amores. O almoço está na mesa. Não façam bagunça!
— Claro Val! — disse Bruno dando o sorriso mais lindo do mundo. — Estou com uma fome de urso.
Bruno estava ficando bem alto, e como malhava todos os dias, seus músculos estavam ficando definidos. Seus cabelos castanhos ficavam jogadinhos, deixando-o com cara de malandro. Ele sentou-se e colocou tanta comida no prato que mal podia vê-lo. Eu fui até o lavabo, lavei minhas mãos e dei uma conferida no visual. Voltei para a cozinha, onde o urso já estava atacando a comida.
— Você parece um predador, sabia?
Ele riu e continuou a comer.
— O que você queria me dizer?
— Hum depois. — ele disse enquanto bebia o suco.
Eu mexia a comida de um lado para o outro, mas a curiosidade era maior que a fome. Se dei três garfadas foi muito. Em seguida, levantei-me tirei a mesa para a Val e fui novamente ao lavabo onde escovei meus dentes e passei um gloss nos lábios. Segui para meu quarto e me joguei na cama. Depois de uns quinze minutos Bruno apareceu.
— Acho que vou explodir de tanto comer. — ela falou passando a mão sobre a barriga.
Olhei para ele balançando a cabeça negativamente. Se eu não fosse apaixonada por ele, o acharia um ogro.
Bruno deitou-se em minha cama auxiliar e sacou o celular do bolso, mexendo em alguma rede social. Fiquei minutos o admirando. Ele era perfeitamente lindo, seus lábios eram vermelhos e carnudos, sua pele branquinha sem nenhuma acne, coisa difícil na idade dele.
— Esse cara é comédia. — ele disse rindo de algo que via no celular.
— O que você queria me dizer? — disse fingindo mexer em meu celular também.
— Ah, é verdade!
Bruno sentou-se ficando de frente para mim.
— Carol, eu tentei disfarçar, mas faz um tempo que não consigo parar de pensar em uma pessoa.
Meu coração acelerou e minhas pernas ficaram bambas. Abri um largo sorriso para ele, finalmente ele estava se declarando para mim.
— Sério?
— Sério, mas sei lá, não sei como chegar nela.
Minhas bochechas estavam coradas e minhas mãos trêmulas.
— Bruno, fala o que você sente, ela vai amar escutar isso da sua boca.
— Você acha mesmo que ela aceitaria? Sei lá, ela parece tão...
— Claro que sim! — falei sem hesitar, afinal, era tudo o que eu queria escutar dele.
“Ele vai falar. Ele vai falar. ” Pensei.
Bruno levantou-se passando a mão pelos cabelos.
“Fala, fala. ” Pensei comigo. Nesse momento já estava sentada em minha cama, com a coluna ereta. Só esperando para ser beijada.
— Mas ela já falou de mim para você.
Fiquei paralisada.
— Como assim? Ela quem?
— A Patrícia! Ela já falou alguma coisa de mim para você? — ele perguntou apreensivo.
“ Não pode ser! Ele está  falando da minha amiga de classe, a Pati. Como assim? E eu quase me declarando a ele. Idiota, que idiota, mil vezes idiota. ”
Meu mundo caiu naquele momento. Era como se alguém arrancasse meu coração a sangue frio, como eu vi em um episódio no Diário de um Vampiro.
— Ah, ela... (fiz uma pausa tentando me recompor) ela não disse nada, mas eu falo com ela. — falei caindo novamente em minha cama. Dessa vez caí sem ter a intenção de me levantar nunca mais.
— Jura que você fala com ela?
— Amanhã converso com ela. Agora me deixa descansar.
— Por isso que eu amo você. — ele disse indo até mim, beijando meu rosto e se jogando sobre a cama auxiliar.
Tive vontade de chorar, mas me segurei o quanto pude. E Bruno ficou mexendo no celular e rindo feito idiota. Meu coração chegava a doer de tanta decepção, podia ser qualquer garota, menos a minha melhor amiga.
Mais tarde, depois termos cochilado cada um em uma cama, ouvi o celular de Bruno tocar. Ele pulou na cama e atendeu em seguida.
— Fala cara! Ah tamo indo. — falou e desligou o celular rapidamente.
— O Gustavo e o Felipe já estão subindo, vamos lá? — disse vindo em minha direção.
— Ah não! Preciso dormir. — respondi escondendo meu rosto com meu travesseiro. Não queria olhá-lo nunca mais em minha vida.
— Ah não, você! Deixa de ser cuzona! O Tiago já não veio, desse jeito ficaremos desfalcados.  
Bruno puxou meu travesseiro e começou a puxar meu braço.
— Seu grosso! Então espera! — concordei relutantemente, era impossível dizer não a ele.
Fui até o lavado escovei meus dentes novamente, passei o gloss, penteei meus cabelos e fomos ao apartamento dele, já que minha mãe não gostava de todos aqueles meninos sozinhos comigo em meu apartamento. Porém na casa do Bruno, a secretária do lar, ficava o dia todo, então era liberado. Jogamos algumas partidas do Dying Light, e em seguida os meninos quiseram jogar uma partida do Super Elite III.
— Vai ter um show na Oca, alguém vai?
— Black Eyed Peas. — falei enquanto mexia no meu celular.
— Você vai Carol? — perguntou-me Gustavo.
— Minha mãe nunca deixaria. — respondi sem esboçar nenhum interesse.
— Ei, vamos sim Carol, eu falo com ela. — falou Bruno entusiasmado.
— Ela não vai deixar. — repeti sem encará-lo.
— Nós conversaremos com ela, mascote. — falou Felipe.
Felipe e Tiago me chamavam de mascote desde meus dez anos, como se eles fossem muito mais velhos do que eu, mas eu até que gostava do apelido, soava carinhoso.
— Eu convenço ela e você convence a Patrícia, que tal?
Olhei para Bruno incrédula. “Não acredito que ele vai insistir nisso! ” Falei silenciosamente para mim mesma.
— Eu vou ver. — falei forçando um sorriso.
Bruno passou uma semana infernizando minha mãe para que ela nos deixasse ir ao show. No começo ela foi totalmente contra, mas depois com tanta encheção de saco ela estava amolecendo, principalmente ao saber que a irmã de Gustavo que era maior de idade também iria com o namorado, assim eles ficariam responsáveis por nós. E minha mãe também sabia que como eu estaria acompanhada dos meus quatro mosqueteiros, nada de mal aconteceria a mim. Quanto a mim, adiava a cada dia para falar com a Pati sobre o Bruno, rezando para que ela não aceitasse ficar com ele.
Em relação ao show, eu estava animada somente pelo fato de que sairia com os meninos e logicamente com o Bruno; seria nosso primeiro programa de adulto, e é claro que precisávamos estar juntos nesse marco de nossas vidas.
Na sexta-feira pela manhã, Bruno foi do prédio até o colégio me irritando para que eu falasse com a Pati. Eu quase chorei de ódio no meio do caminho, mas me segurei para não passar vergonha. Assim que cheguei em minha sala, Pati veio ao meu encontro.
Patrícia era linda, era alta, corpo malhado, peitos enormes como diziam os meninos, e um cabelo louro platinado de dar inveja. Eu já era baixinha, sem nenhuma curva, cabelos castanhos sem graça, olhos que não se sabia se eram verdes ou não, e meus peitos eram pelo menos a metade dos dela.
— Nem acredito que minha amiga vai sair comigo essa noite. — ela disse mascando um chiclete com a boca aberta.
— Nem eu. — disse fingindo empolgação.
“Vou ter que falar, vou ter que falar. Será que tenho mesmo que falar? ” Pensava comigo mesma.
— Sabe o Bruno?
— Claro que sim, que tem ele? — ela indagou se olhando no celular e retocando o batom.
— Ele está a fim de você. Pediu que eu falasse com você para saber se você aceita ficar com ele no show.
“Não aceita, não aceita, não aceita! ”
— O Bruno? — Patrícia perguntou descrente. — Tem certeza? Sempre achei que ele fosse a fim de você. Sei lá, ele não desgruda, não sai do seu pé.
“Bem que eu queria. ” Pensei.
— Não, claro que não! Ele é meu melhor amigo, nem o vejo dessa forma. — menti.
— Hum, sei! — Pati disse revirando os olhos. — Tá! Fala para o Bruno que se der eu fico com ele.
“Droga, droga, mil vezes droga. ”
— Eu falo. — disse fingindo um sorriso
Assim que saí do colégio, Bruno me esperava do outro lado da rua. Caminhei até ele, encarando-o com todo o rancor que tinha dentro do meu coração.
— E aí? Falou com ela?
— Falei.
Se eu piscasse, minhas lágrimas começariam a cair sem parar.
— E? — ele perguntou apertando minha mão.
— Ela disse que se der ela fica com você.
— Como assim se der?
— Não sei, foi o que ela disse.
Bruno mesmo após o “ se der ”   ficou todo eufórico e nós fomos para o prédio. Ele foi o caminho inteiro planejando como seria a noite dele com a gostosa da Patrícia, como ele dizia. E eu não estava suportando mais ouvir falar no nome da minha própria amiga.
— Bruno, eu não vou almoçar com você hoje, preciso estudar e descansar para o show à noite. — disse assim que saímos do elevador.
— Mas a Maria já fez o almoço.  Almoça comigo e depois você vai estudar. Eu ajudo você, se você quiser
— Não! Estou sem fome! Agradeça a ela por mim. — disse entrando em meu apartamento em seguida.
Fui direto para meu quarto e caí em minha cama, enrolando-me em meu edredom feito um caracol. Chorei a tarde toda, até minhas lágrimas esgotarem e acabei pegando no sono.
Acordei com Bruno me chacoalhando.
— Ei, acorda. Vamos jogar! O Gustavo está esperando a gente.
Ele só me enxergava com uma parceira de jogos.
— Eu não vou jogar hoje, preciso estudar e dormir. — respondi me cobrindo ainda mais e me virando para ficar de costas para ele.
— Carol, vamos lá!
— Bruno, me deixa, estou com cólica.
Ele pausou.
— Vai entender as garotas. — ele disse saindo em seguida.
No final daquela tarde, minha mãe chegou do hospital toda apreensiva, pois naquela noite eu sairia sem a presença dela. Depois de um lanche que eu e ela fizemos, tomei um banho e sequei meus cabelos. Coloquei uma saia jeans, uma camisetinha preta do Nirvana e um tênis all star preto. Fiz uma maquiagem bem leve e saí.
— Carol, pega uma blusa, pois, esfriará mais tarde.
— Mãe, está calor.
— Carolina!
— Nossa, só você mãe!
Peguei um cardigã vermelho e saí em seguida e claro que ela saiu comigo. Encontramos os meninos no hall social, e Bruno já estava lá com a mãe dele. Minha mãe e Ester nos passaram um milhão de sermões e praticamente falaram uma bíblia para a irmã de Gustavo, e assim nós fomos, em dois carros. Em um deles, foi a irmã do Gustavo, o Gustavo o Felipe eu e o Bruno. E no outro carro foi o namorado da irmã do Gustavo o Tiago e o irmão do Tiago.
Ficamos em um camarote com uma vista privilegiada. O local estava ficando cada vez mais lotado. Tinha gente de todos os tipos. Adultos, jovens e acho que nós éramos os mais novos. Bruno começou a dançar todo desengonçado em minha frente para me fazer rir, tanto que acabou me tirando um sorriso dos lábios. Felipe, Gustavo e Tiago também não saíram do meu lado a noite toda. Eu seria uma garota privilegiada se eles me vissem como uma.
Por volta da uma hora da manhã eu precisava fazer xixi, então avisei os meninos e os quatro incrivelmente me levaram até a porta do banheiro. Eu já não era tão atraente assim, e com quatro rapazes ao meu lado, espantaria qualquer carinha que estivesse olhando para mim.
Duas horas da manhã, a banda entrou e a Oca quase foi ao chão de tanta animação. Confesso ter sentido algo inexplicável, era sensacional estar naquele lugar. Todos nós começamos a pular e a cantar. Eles abriram o show ao som de Pump It, e eu gritei como nunca havia gritado antes em toda minha vida.
Segurei a mão de Bruno e juntos pulávamos cantando juntos. Fergie era ainda mais linda no que na televisão e eu mal podia acreditar que eu estava os vendo de tão perto. A música seguinte foi I Gotta Feeling; e ver Will. I.am cantando foi algo indescritível e quando Fergie começou a cantar com ele, o público quase explodiu cantando junto.
Eu tinha enfim esquecido os motivos reais de Bruno estar ali, pois estávamos nos divertindo mais do que eu esperava. E foi assim na próxima música que era Boom Boom Pow, The Time, Just Can´t GetEnough.
Fergie tocou as músicas das quais ela cantava sozinha e os meninos quase morreram de felicidade. Quando ela tocou Big Girls Don´t Cry, eu sem pensar abracei o Bruno, pois era a minha música predileta. Nesse momento ele olhou no fundo dos meus olhos e eu olhei nos olhos dele e ficamos nos olhando como se não existisse mais ninguém ao nosso redor e quase nos beijamos. Não sei o que aconteceu, pois Felipe trombou no Bruno e quase nos derrubou.
Eu e Bruno disfarçamos e naquele momento Bruno saiu totalmente sem jeito e foi buscar um refrigerante e eu o acompanhei com os olhos. Tocaram mais algumas músicas e nada de Bruno voltar. Quase uma hora depois o show acabou e um Dj começou a tocar.
— Mascote, onde o Bruno foi? — indagou Felipe.
— Eu não sei, ele saiu e não voltou.
Felipe balançou a cabeça e ficou olhando ao redor tentando encontrá-lo.
 A irmã de Gustavo já queria ir embora, mas precisávamos achar Bruno primeiro, então, quando estávamos saindo, vi o Bruno e a Pati aos beijos, encostados em um pilar de madeira. Ele com as mãos na cintura dela e ela passando as mãos por todo o corpo dele. Os dois estavam em perfeita sintonia, em um beijo avassalador e sem pudor no meio de todo mundo.
Senti meu chão estremecer naquele momento, e como todos queriam sair ao mesmo tempo, foi um grande empurra-empurra. Gustavo pegou em minha mão me guiando para fora. Se não fosse por ele, eu nem sei como sairia de lá. Um dos meninos avisaram Bruno que estávamos indo embora, e ainda assim precisamos esperá-lo do lado de fora por uns dez minutos.
Quando estávamos no carro, Bruno parecia radiante e queria a todo custo conversar sobre o show.
— Nossa, muito legal esse show, foi demais. Não foi não Gustavo?
— Foi irado. — respondeu Gustavo.
— Foi irado mesmo. — completou Felipe.
— E você Carol, gostou? — indagou Ingrid irmã de Gustavo.
— Amei, foi maravilhoso! — menti, estando totalmente sem graça. — Estou até ficando sem voz de tanto que cantei.
— Achei que eles foram bem animados. — continuou ela.
Concordei silenciosamente, enquanto os outros faziam comentários da noite.
Chegamos ao prédio por volta das três e meia da manhã. No hall, os meninos fizeram sinal que iriam para o terraço. Então eles subiram comigo e com o Bruno, o que me deixou mais aliviada, pois eu nunca mais queria olhar para cara do Bruno.
Apertei o elevador para parar no vigésimo andar.
— Não Carol! Vamos lá com eles. — disse Bruno com olhar pidão.
— Eu estou cansada, Bruno. Vão vocês.
— Carol, por favor, vem comigo? — ele insistiu.
— Vamos mascote, é rápido. — falou Gustavo.
— Vamos mascote. Você sabe que nós não somos nada sem você. — continuou Felipe.
Eu balancei a cabeça positivamente, esboçando um sorriso sem mostrar meus dentes. O terraço era onde eu e Bruno ficávamos quase todas as noites antes de irmos dormir. Deitávamos e olhávamos as estrelas, mesmo quando não tínhamos assunto ficávamos ali, admirando as estrelas e a imensidão azul do céu.
Os meninos tiraram um maço de cigarros do bolso e eu e Bruno nos entreolhamos fazendo cara de nojo.
— Vai pra lá com essa fumaça, cara. — disso Bruno olhando bravo para Gustavo.
Nós nos sentamos no deck de madeira e eu em seguida deite-me olhando o céu, e Bruno fez a mesma coisa.
— Estou achando você diferente. Aconteceu alguma coisa?
— Não, claro que não. Estou normal. — respondi disfarçando.
Bruno virou ficando de frente para mim e ficou me encarando. Senti minhas pernas amolecerem novamente, mesmo estando deitada.
Estava frio e por sorte eu estava com o cardigã amarrado em minha cintura. Então me levantei para vesti-lo e deitei-me novamente.
— Fala, o que você quer me dizer? — falei encarando-o.
— Nada. Só estou olhando para você.
Meu coração disparou naquele instante. Mas eu não queria que ele percebesse meu nervosismo de jeito nenhum.
— Me conta, como foi? — perguntei forçando uma empolgação.
Ele franziu o cenho e fez cara de nojo.
— Tem uma coisa que eu odiei.
— O quê? — indaguei sem entender.
— Ela fuma! Era como se eu beijasse um cinzeiro.
— A Patrícia fuma? Ela não fuma!
— Fuma! — ele afirmou. — Eu estava no bar vendo o show de longe, observando você, estava sei lá, confuso com o que aconteceu?
— O que aconteceu?  — perguntei fingindo não entender. Mas sabia que ele se referia ao nosso quase beijo.
— Àquela hora que nos abraçamos.
— Desencana, não aconteceu nada.
— Hum, sei lá. Quase aconteceu.
— Nada a ver! Não ia acontecer nada.
Bruno ficou pensativo.
— Mas e aí? Continua. — falei friamente.
— Bom, um pouco antes do show terminar eu vi a Patrícia passando e ela parou para me perguntar de você. Então ela perguntou se era verdade que eu queria falar com ela. Eu concordei e ela me surpreendeu e me beijou, assim do nada. Eu nem estava esperando.
Morri de ciúmes naquele momento, mas ele não podia nem sonhar.
— A Pati é assim mesmo. Mas ela é legal, você vai ver.
Ele não respondeu nada.
Os meninos se aproximaram rindo de alguma coisa e com eles o cheiro de cigarro veio junto.
Eu os olhei, fazendo que estava sufocada com o cheiro.
— Ah, não é tão mal assim. — disse Gustavo me abraçando e me fazendo sentir o cheiro dele.
Me perdi no abraço dele, já que ele era em maior que eu.
— Que nojo Gú, me solta. — falei ficando zangada.
— Carol, não exagera! Duvido que não estou mais cheiroso.
Gustavo me encarou, ficando à centímetros de distância dos meus lábios. O cheiro de hortelã se misturava ao de cigarro.
— Para Gustavo, vou vomitar na sua cara. — disse tentando me livrar dele.
— Solta ela cara! — exclamou Bruno segurando o braço dele.
Gustavo me soltou e beijou o topo da minha cabeça.
— Foi mal, mascote. Você sabe que eu amo irritar você, não sabe?
Ele me abraçou novamente nesse momento, mas me soltou logo em seguida.
— Agora eu preciso tomar banho. — falei cheirando meus cabelos.
Nos descemos e no elevador eu e Bruno nos despedimos dos três patetas fumantes. Gustavo piscou para mim e beijou meu rosto todo atencioso como sempre. Cheguei na porta do meu apartamento e Bruno foi até mim.
— Obrigado por ter me ajudado com sua amiga chaminé.
Eu ri balançando a cabeça.
— Ainda acho que você se enganou. Mas... Boa noite Bruno.
Sorri para ele e entrei em seguida. Já estava de pijamas meu celular tocou, era a Patrícia.
— Oi! — falei quase sussurrando para não acordar minha mãe.
Estava profundamente magoada com ela.
— Carol, não achei você, onde você estava?
— Estava no camarote.
— No mesmo do Bruno?
— É. Eu vi vocês juntos. E como foi? — perguntei morrendo de inveja.
— Hum, ele é bem bonitinho, gostosinho. Mas não faz meu estilo, não combina comigo. Sei lá, muito menininho.
— Olha a adulta falando. — brinquei.
Ela riu.
— É sério. Não rola nada! Mas estou te ligando por outro motivo. Amanhã é o aniversário da Mariana, minha prima. E da casa dela, nós combinamos de ir à uma cervejada da turma dela da faculdade. Então queria que você fosse, por favor, por favor?
— Minha mãe não deixa, Pati.
— Faz assim: minha mãe fala com a sua. A festa vai ser na casa do meu tio, então não será totalmente uma mentira, será uma meia mentira. E de lá nós vamos para essa festa.
— Eu não sei, acho que não dá.
— Por favor, hoje nem ficamos juntas.  Por mim, vai?
Na mesma hora pensei no ódio que senti ao ver Bruno atarracado com ela, então queria dar a ele o troco.
— Tá, mas sua mãe precisa ligar pra a minha.
Ela deu gritinhos de felicidade.
— Pode deixar que amanhã minha mãe liga sem falta. Aí sim, quando ver os garotos que eu conheço, você entenderá o que eu disse sobre o Bruno,
— Tá bom, então até amanhã!
Fiquei na cama pensando se deveria ir nessa festa ou não. Pois sabia que se eu fosse, tudo mudaria dali para frente.
E no fundo era exatamente isso que eu precisava, ou perderia meu melhor amigo se ele descobrisse o quanto era apaixonada por ele.

Nenhum comentário:

Postar um comentário