Sob o Olhar das Estrelas
Parte 2
Cinco
anos se passaram e eu e Bruno não desgrudávamos. Contudo, desde quando
completei quatorze anos, descobri que sentia algo a mais por ele. Na verdade,
eu só estava feliz se estava ao lado dele, respirando o mesmo ar que ele
respirava.
Muitas
coisas tinham mudado em minha vida. Meus pais se separaram quando fiz doze
anos. Minha mãe o flagrou a traindo e aquilo foi a gota d’água.
Ela e Ester pareciam irmãs de tão amigas,
assim como eu e Bruno, embora eu não via mais o Bruno dessa forma.
Já
estávamos no ensino médio, eu no primeiro ano e ele no segundo ano. E nossa
rotina de ir e voltar juntos da escola era a mesma. E naquela quarta-feira eu
saí mais cedo e esperei vários e vários minutos por ele. Até que eu o vi vindo
em minha direção.
—
Nossa que demora! — falei fingindo estar brava.
—
Aquela bruxa da professora de história ficou me segurando.
—
Odeio ela. — falei puxando o saco dele.
Andamos
cerca de duas quadras e chegamos em nosso prédio. Quando estávamos no elevador
Bruno virou-se para mim com os olhos brilhantes.
—
Carol preciso te falar uma coisa.
Meu
coração disparou. Ele nunca era tão sério daquela maneira.
—
Fala!
A
porta do elevador se abriu e seguimos em direção ao meu apartamento, pois revezávamos:
cada dia um almoçava na casa do outro. Entramos e jogamos nossas mochilas sobre
o sofá.
Val
veio em nossa direção.
—
Oi meus amores. O almoço está na mesa. Não façam bagunça!
—
Claro Val! — disse Bruno dando o sorriso mais lindo do mundo. — Estou com uma
fome de urso.
Bruno
estava ficando bem alto, e como malhava todos os dias, seus músculos estavam
ficando definidos. Seus cabelos castanhos ficavam jogadinhos, deixando-o com
cara de malandro. Ele sentou-se e colocou tanta comida no prato que mal podia
vê-lo. Eu fui até o lavabo, lavei minhas mãos e dei uma conferida no visual. Voltei
para a cozinha, onde o urso já estava atacando a comida.
—
Você parece um predador, sabia?
Ele
riu e continuou a comer.
—
O que você queria me dizer?
—
Hum depois. — ele disse enquanto bebia o suco.
Eu
mexia a comida de um lado para o outro, mas a curiosidade era maior que a fome.
Se dei três garfadas foi muito. Em seguida, levantei-me tirei a mesa para a Val
e fui novamente ao lavabo onde escovei meus dentes e passei um gloss nos
lábios. Segui para meu quarto e me joguei na cama. Depois de uns quinze minutos
Bruno apareceu.
—
Acho que vou explodir de tanto comer. — ela falou passando a mão sobre a
barriga.
Olhei
para ele balançando a cabeça negativamente. Se eu não fosse apaixonada por ele,
o acharia um ogro.
Bruno
deitou-se em minha cama auxiliar e sacou o celular do bolso, mexendo em alguma
rede social. Fiquei minutos o admirando. Ele era perfeitamente lindo, seus
lábios eram vermelhos e carnudos, sua pele branquinha sem nenhuma acne, coisa difícil
na idade dele.
—
Esse cara é comédia. — ele disse rindo de algo que via no celular.
—
O que você queria me dizer? — disse fingindo mexer em meu celular também.
—
Ah, é verdade!
Bruno
sentou-se ficando de frente para mim.
—
Carol, eu tentei disfarçar, mas faz um tempo que não consigo parar de pensar em
uma pessoa.
Meu
coração acelerou e minhas pernas ficaram bambas. Abri um largo sorriso para
ele, finalmente ele estava se declarando para mim.
—
Sério?
—
Sério, mas sei lá, não sei como chegar nela.
Minhas
bochechas estavam coradas e minhas mãos trêmulas.
—
Bruno, fala o que você sente, ela vai amar escutar isso da sua boca.
—
Você acha mesmo que ela aceitaria? Sei lá, ela parece tão...
—
Claro que sim! — falei sem hesitar, afinal, era tudo o que eu queria escutar
dele.
“Ele
vai falar. Ele vai falar. ” Pensei.
Bruno
levantou-se passando a mão pelos cabelos.
“Fala,
fala. ” Pensei comigo. Nesse momento já estava sentada em minha cama, com a
coluna ereta. Só esperando para ser beijada.
—
Mas ela já falou de mim para você.
Fiquei
paralisada.
—
Como assim? Ela quem?
—
A Patrícia! Ela já falou alguma coisa de mim para você? — ele perguntou
apreensivo.
“
Não pode ser! Ele está falando da minha
amiga de classe, a Pati. Como assim? E eu quase me declarando a ele. Idiota,
que idiota, mil vezes idiota. ”
Meu
mundo caiu naquele momento. Era como se alguém arrancasse meu coração a sangue
frio, como eu vi em um episódio no Diário de um Vampiro.
—
Ah, ela... (fiz uma pausa tentando me recompor) ela não disse nada, mas eu falo
com ela. — falei caindo novamente em minha cama. Dessa vez caí sem ter a
intenção de me levantar nunca mais.
—
Jura que você fala com ela?
—
Amanhã converso com ela. Agora me deixa descansar.
—
Por isso que eu amo você. — ele disse indo até mim, beijando meu rosto e se
jogando sobre a cama auxiliar.
Tive
vontade de chorar, mas me segurei o quanto pude. E Bruno ficou mexendo no
celular e rindo feito idiota. Meu coração chegava a doer de tanta decepção,
podia ser qualquer garota, menos a minha melhor amiga.
Mais
tarde, depois termos cochilado cada um em uma cama, ouvi o celular de Bruno
tocar. Ele pulou na cama e atendeu em seguida.
—
Fala cara! Ah tamo indo. — falou e desligou o celular rapidamente.
—
O Gustavo e o Felipe já estão subindo, vamos lá? — disse vindo em minha
direção.
—
Ah não! Preciso dormir. — respondi escondendo meu rosto com meu travesseiro.
Não queria olhá-lo nunca mais em minha vida.
—
Ah não, você! Deixa de ser cuzona! O Tiago já não veio, desse jeito ficaremos
desfalcados.
Bruno
puxou meu travesseiro e começou a puxar meu braço.
—
Seu grosso! Então espera! — concordei relutantemente, era impossível dizer não
a ele.
Fui
até o lavado escovei meus dentes novamente, passei o gloss, penteei meus
cabelos e fomos ao apartamento dele, já que minha mãe não gostava de todos
aqueles meninos sozinhos comigo em meu apartamento. Porém na casa do Bruno, a
secretária do lar, ficava o dia todo, então era liberado. Jogamos algumas
partidas do Dying Light, e em seguida os meninos quiseram jogar uma partida do
Super Elite III.
—
Vai ter um show na Oca, alguém vai?
—
Black Eyed Peas. — falei enquanto mexia no meu celular.
—
Você vai Carol? — perguntou-me Gustavo.
—
Minha mãe nunca deixaria. — respondi sem esboçar nenhum interesse.
—
Ei, vamos sim Carol, eu falo com ela. — falou Bruno entusiasmado.
—
Ela não vai deixar. — repeti sem encará-lo.
—
Nós conversaremos com ela, mascote. — falou Felipe.
Felipe
e Tiago me chamavam de mascote desde
meus dez anos, como se eles fossem muito mais velhos do que eu, mas eu até que
gostava do apelido, soava carinhoso.
—
Eu convenço ela e você convence a Patrícia, que tal?
Olhei
para Bruno incrédula. “Não acredito que ele vai insistir nisso! ” Falei silenciosamente
para mim mesma.
—
Eu vou ver. — falei forçando um sorriso.
Bruno
passou uma semana infernizando minha mãe para que ela nos deixasse ir ao show.
No começo ela foi totalmente contra, mas depois com tanta encheção de saco ela
estava amolecendo, principalmente ao saber que a irmã de Gustavo que era maior
de idade também iria com o namorado, assim eles ficariam responsáveis por nós.
E minha mãe também sabia que como eu estaria acompanhada dos meus quatro
mosqueteiros, nada de mal aconteceria a mim. Quanto a mim, adiava a cada dia
para falar com a Pati sobre o Bruno, rezando para que ela não aceitasse ficar
com ele.
Em
relação ao show, eu estava animada somente pelo fato de que sairia com os meninos
e logicamente com o Bruno; seria nosso primeiro programa de adulto, e é claro
que precisávamos estar juntos nesse marco de nossas vidas.
Na
sexta-feira pela manhã, Bruno foi do prédio até o colégio me irritando para que
eu falasse com a Pati. Eu quase chorei de ódio no meio do caminho, mas me
segurei para não passar vergonha. Assim que cheguei em minha sala, Pati veio ao
meu encontro.
Patrícia
era linda, era alta, corpo malhado, peitos enormes como diziam os meninos, e um
cabelo louro platinado de dar inveja. Eu já era baixinha, sem nenhuma curva,
cabelos castanhos sem graça, olhos que não se sabia se eram verdes ou não, e
meus peitos eram pelo menos a metade dos dela.
—
Nem acredito que minha amiga vai sair comigo essa noite. — ela disse mascando
um chiclete com a boca aberta.
—
Nem eu. — disse fingindo empolgação.
“Vou
ter que falar, vou ter que falar. Será que tenho mesmo que falar? ” Pensava
comigo mesma.
—
Sabe o Bruno?
—
Claro que sim, que tem ele? — ela indagou se olhando no celular e retocando o
batom.
—
Ele está a fim de você. Pediu que eu falasse com você para saber se você aceita
ficar com ele no show.
“Não
aceita, não aceita, não aceita! ”
—
O Bruno? — Patrícia perguntou descrente. — Tem certeza? Sempre achei que ele
fosse a fim de você. Sei lá, ele não desgruda, não sai do seu pé.
“Bem
que eu queria. ” Pensei.
—
Não, claro que não! Ele é meu melhor amigo, nem o vejo dessa forma. — menti.
—
Hum, sei! — Pati disse revirando os olhos. — Tá! Fala para o Bruno que se der
eu fico com ele.
“Droga,
droga, mil vezes droga. ”
—
Eu falo. — disse fingindo um sorriso
Assim
que saí do colégio, Bruno me esperava do outro lado da rua. Caminhei até ele,
encarando-o com todo o rancor que tinha dentro do meu coração.
—
E aí? Falou com ela?
—
Falei.
Se
eu piscasse, minhas lágrimas começariam a cair sem parar.
—
E? — ele perguntou apertando minha mão.
—
Ela disse que se der ela fica com você.
—
Como assim se der?
—
Não sei, foi o que ela disse.
Bruno
mesmo após o “ se der ” ficou todo eufórico e nós fomos para o prédio.
Ele foi o caminho inteiro planejando como seria a noite dele com a gostosa da Patrícia,
como ele dizia. E eu não estava suportando mais ouvir falar no nome da minha
própria amiga.
—
Bruno, eu não vou almoçar com você hoje, preciso estudar e descansar para o
show à noite. — disse assim que saímos do elevador.
—
Mas a Maria já fez o almoço. Almoça comigo
e depois você vai estudar. Eu ajudo você, se você quiser
—
Não! Estou sem fome! Agradeça a ela por mim. — disse entrando em meu
apartamento em seguida.
Fui
direto para meu quarto e caí em minha cama, enrolando-me em meu edredom feito
um caracol. Chorei a tarde toda, até minhas lágrimas esgotarem e acabei pegando
no sono.
Acordei
com Bruno me chacoalhando.
—
Ei, acorda. Vamos jogar! O Gustavo está esperando a gente.
Ele
só me enxergava com uma parceira de jogos.
—
Eu não vou jogar hoje, preciso estudar e dormir. — respondi me cobrindo ainda
mais e me virando para ficar de costas para ele.
—
Carol, vamos lá!
—
Bruno, me deixa, estou com cólica.
Ele
pausou.
—
Vai entender as garotas. — ele disse saindo em seguida.
No
final daquela tarde, minha mãe chegou do hospital toda apreensiva, pois naquela
noite eu sairia sem a presença dela. Depois de um lanche que eu e ela fizemos,
tomei um banho e sequei meus cabelos. Coloquei uma saia jeans, uma camisetinha preta
do Nirvana e um tênis all star preto. Fiz uma maquiagem bem leve e saí.
—
Carol, pega uma blusa, pois, esfriará mais tarde.
—
Mãe, está calor.
—
Carolina!
—
Nossa, só você mãe!
Peguei
um cardigã vermelho e saí em seguida e claro que ela saiu comigo. Encontramos
os meninos no hall social, e Bruno já estava lá com a mãe dele. Minha mãe e
Ester nos passaram um milhão de sermões e praticamente falaram uma bíblia para
a irmã de Gustavo, e assim nós fomos, em dois carros. Em um deles, foi a irmã
do Gustavo, o Gustavo o Felipe eu e o Bruno. E no outro carro foi o namorado da
irmã do Gustavo o Tiago e o irmão do Tiago.
Ficamos
em um camarote com uma vista privilegiada. O local estava ficando cada vez mais
lotado. Tinha gente de todos os tipos. Adultos, jovens e acho que nós éramos os
mais novos. Bruno começou a dançar todo desengonçado em minha frente para me
fazer rir, tanto que acabou me tirando um sorriso dos lábios. Felipe, Gustavo e
Tiago também não saíram do meu lado a noite toda. Eu seria uma garota
privilegiada se eles me vissem como uma.
Por
volta da uma hora da manhã eu precisava fazer xixi, então avisei os meninos e
os quatro incrivelmente me levaram até a porta do banheiro. Eu já não era tão
atraente assim, e com quatro rapazes ao meu lado, espantaria qualquer carinha
que estivesse olhando para mim.
Duas
horas da manhã, a banda entrou e a Oca quase foi ao chão de tanta animação.
Confesso ter sentido algo inexplicável, era sensacional estar naquele lugar.
Todos nós começamos a pular e a cantar. Eles abriram o show ao som de Pump It, e
eu gritei como nunca havia gritado antes em toda minha vida.
Segurei
a mão de Bruno e juntos pulávamos cantando juntos. Fergie era ainda mais linda
no que na televisão e eu mal podia acreditar que eu estava os vendo de tão
perto. A música seguinte foi I Gotta Feeling; e ver Will. I.am cantando foi
algo indescritível e quando Fergie começou a cantar com ele, o público quase
explodiu cantando junto.
Eu
tinha enfim esquecido os motivos reais de Bruno estar ali, pois estávamos nos
divertindo mais do que eu esperava. E foi assim na próxima música que era Boom
Boom Pow, The Time, Just Can´t GetEnough.
Fergie
tocou as músicas das quais ela cantava sozinha e os meninos quase morreram de
felicidade. Quando ela tocou Big Girls Don´t Cry, eu sem pensar abracei o
Bruno, pois era a minha música predileta. Nesse momento ele olhou no fundo dos
meus olhos e eu olhei nos olhos dele e ficamos nos olhando como se não
existisse mais ninguém ao nosso redor e quase nos beijamos. Não sei o que
aconteceu, pois Felipe trombou no Bruno e quase nos derrubou.
Eu
e Bruno disfarçamos e naquele momento Bruno saiu totalmente sem jeito e foi
buscar um refrigerante e eu o acompanhei com os olhos. Tocaram mais algumas
músicas e nada de Bruno voltar. Quase uma hora depois o show acabou e um Dj
começou a tocar.
—
Mascote, onde o Bruno foi? — indagou Felipe.
—
Eu não sei, ele saiu e não voltou.
Felipe
balançou a cabeça e ficou olhando ao redor tentando encontrá-lo.
A irmã de Gustavo já queria ir embora, mas
precisávamos achar Bruno primeiro, então, quando estávamos saindo, vi o Bruno e
a Pati aos beijos, encostados em um pilar de madeira. Ele com as mãos na
cintura dela e ela passando as mãos por todo o corpo dele. Os dois estavam em
perfeita sintonia, em um beijo avassalador e sem pudor no meio de todo mundo.
Senti
meu chão estremecer naquele momento, e como todos queriam sair ao mesmo tempo,
foi um grande empurra-empurra. Gustavo pegou em minha mão me guiando para fora.
Se não fosse por ele, eu nem sei como sairia de lá. Um dos meninos avisaram
Bruno que estávamos indo embora, e ainda assim precisamos esperá-lo do lado de
fora por uns dez minutos.
Quando
estávamos no carro, Bruno parecia radiante e queria a todo custo conversar
sobre o show.
—
Nossa, muito legal esse show, foi demais. Não foi não Gustavo?
—
Foi irado. — respondeu Gustavo.
—
Foi irado mesmo. — completou Felipe.
—
E você Carol, gostou? — indagou Ingrid irmã de Gustavo.
—
Amei, foi maravilhoso! — menti, estando totalmente sem graça. — Estou até ficando
sem voz de tanto que cantei.
—
Achei que eles foram bem animados. — continuou ela.
Concordei
silenciosamente, enquanto os outros faziam comentários da noite.
Chegamos
ao prédio por volta das três e meia da manhã. No hall, os meninos fizeram sinal
que iriam para o terraço. Então eles subiram comigo e com o Bruno, o que me
deixou mais aliviada, pois eu nunca mais queria olhar para cara do Bruno.
Apertei
o elevador para parar no vigésimo andar.
—
Não Carol! Vamos lá com eles. — disse Bruno com olhar pidão.
—
Eu estou cansada, Bruno. Vão vocês.
—
Carol, por favor, vem comigo? — ele insistiu.
—
Vamos mascote, é rápido. — falou Gustavo.
—
Vamos mascote. Você sabe que nós não somos nada sem você. — continuou Felipe.
Eu
balancei a cabeça positivamente, esboçando um sorriso sem mostrar meus dentes. O
terraço era onde eu e Bruno ficávamos quase todas as noites antes de irmos dormir.
Deitávamos e olhávamos as estrelas, mesmo quando não tínhamos assunto ficávamos
ali, admirando as estrelas e a imensidão azul do céu.
Os
meninos tiraram um maço de cigarros do bolso e eu e Bruno nos entreolhamos
fazendo cara de nojo.
—
Vai pra lá com essa fumaça, cara. — disso Bruno olhando bravo para Gustavo.
Nós
nos sentamos no deck de madeira e eu em seguida deite-me olhando o céu, e Bruno
fez a mesma coisa.
—
Estou achando você diferente. Aconteceu alguma coisa?
—
Não, claro que não. Estou normal. — respondi disfarçando.
Bruno
virou ficando de frente para mim e ficou me encarando. Senti minhas pernas
amolecerem novamente, mesmo estando deitada.
Estava
frio e por sorte eu estava com o cardigã amarrado em minha cintura. Então me
levantei para vesti-lo e deitei-me novamente.
—
Fala, o que você quer me dizer? — falei encarando-o.
—
Nada. Só estou olhando para você.
Meu
coração disparou naquele instante. Mas eu não queria que ele percebesse meu
nervosismo de jeito nenhum.
—
Me conta, como foi? — perguntei forçando uma empolgação.
Ele
franziu o cenho e fez cara de nojo.
—
Tem uma coisa que eu odiei.
—
O quê? — indaguei sem entender.
—
Ela fuma! Era como se eu beijasse um cinzeiro.
—
A Patrícia fuma? Ela não fuma!
—
Fuma! — ele afirmou. — Eu estava no bar vendo o show de longe, observando você,
estava sei lá, confuso com o que aconteceu?
—
O que aconteceu? — perguntei fingindo
não entender. Mas sabia que ele se referia ao nosso quase beijo.
—
Àquela hora que nos abraçamos.
—
Desencana, não aconteceu nada.
—
Hum, sei lá. Quase aconteceu.
—
Nada a ver! Não ia acontecer nada.
Bruno
ficou pensativo.
—
Mas e aí? Continua. — falei friamente.
—
Bom, um pouco antes do show terminar eu vi a Patrícia passando e ela parou para
me perguntar de você. Então ela perguntou se era verdade que eu queria falar
com ela. Eu concordei e ela me surpreendeu e me beijou, assim do nada. Eu nem
estava esperando.
Morri
de ciúmes naquele momento, mas ele não podia nem sonhar.
—
A Pati é assim mesmo. Mas ela é legal, você vai ver.
Ele
não respondeu nada.
Os
meninos se aproximaram rindo de alguma coisa e com eles o cheiro de cigarro
veio junto.
Eu
os olhei, fazendo que estava sufocada com o cheiro.
—
Ah, não é tão mal assim. — disse Gustavo me abraçando e me fazendo sentir o
cheiro dele.
Me
perdi no abraço dele, já que ele era em maior que eu.
—
Que nojo Gú, me solta. — falei ficando zangada.
—
Carol, não exagera! Duvido que não estou mais cheiroso.
Gustavo
me encarou, ficando à centímetros de distância dos meus lábios. O cheiro de
hortelã se misturava ao de cigarro.
—
Para Gustavo, vou vomitar na sua cara. — disse tentando me livrar dele.
—
Solta ela cara! — exclamou Bruno segurando o braço dele.
Gustavo
me soltou e beijou o topo da minha cabeça.
—
Foi mal, mascote. Você sabe que eu amo irritar você, não sabe?
Ele
me abraçou novamente nesse momento, mas me soltou logo em seguida.
—
Agora eu preciso tomar banho. — falei cheirando meus cabelos.
Nos
descemos e no elevador eu e Bruno nos despedimos dos três patetas fumantes.
Gustavo piscou para mim e beijou meu rosto todo atencioso como sempre. Cheguei
na porta do meu apartamento e Bruno foi até mim.
—
Obrigado por ter me ajudado com sua amiga chaminé.
Eu
ri balançando a cabeça.
—
Ainda acho que você se enganou. Mas... Boa noite Bruno.
Sorri
para ele e entrei em seguida. Já estava de pijamas meu celular tocou, era a
Patrícia.
—
Oi! — falei quase sussurrando para não acordar minha mãe.
Estava
profundamente magoada com ela.
—
Carol, não achei você, onde você estava?
—
Estava no camarote.
—
No mesmo do Bruno?
—
É. Eu vi vocês juntos. E como foi? — perguntei morrendo de inveja.
—
Hum, ele é bem bonitinho, gostosinho. Mas não faz meu estilo, não combina
comigo. Sei lá, muito menininho.
—
Olha a adulta falando. — brinquei.
Ela
riu.
—
É sério. Não rola nada! Mas estou te ligando por outro motivo. Amanhã é o
aniversário da Mariana, minha prima. E da casa dela, nós combinamos de ir à uma
cervejada da turma dela da faculdade. Então queria que você fosse, por favor,
por favor?
—
Minha mãe não deixa, Pati.
—
Faz assim: minha mãe fala com a sua. A festa vai ser na casa do meu tio, então
não será totalmente uma mentira, será uma meia mentira. E de lá nós vamos para
essa festa.
—
Eu não sei, acho que não dá.
—
Por favor, hoje nem ficamos juntas. Por
mim, vai?
Na
mesma hora pensei no ódio que senti ao ver Bruno atarracado com ela, então
queria dar a ele o troco.
—
Tá, mas sua mãe precisa ligar pra a minha.
Ela
deu gritinhos de felicidade.
—
Pode deixar que amanhã minha mãe liga sem falta. Aí sim, quando ver os garotos que
eu conheço, você entenderá o que eu disse sobre o Bruno,
—
Tá bom, então até amanhã!
Fiquei
na cama pensando se deveria ir nessa festa ou não. Pois sabia que se eu fosse, tudo
mudaria dali para frente.
E
no fundo era exatamente isso que eu precisava, ou perderia meu melhor amigo se
ele descobrisse o quanto era apaixonada por ele.

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