Sob o olhar das Estrelas
Parte 03
Bruno - Ficando
sem palavras
Estava
deitado em minha cama, pensando na Carol. No momento em que eu quase a beijei.
Foi algo tão estranho que senti, pois até então, nunca tinha olhado para ela
como uma garota. Eu a considerava como meu melhor amigo, um irmão. Mas então,
eu a vi com outros olhos e a achei de uma beleza sem igual.
“Que
coisa estranha! ” Pensei comigo mesmo. “A Carol”? — perguntei-me balançando a
cabeça negativamente, tentando me convencer de que estava ficando louco.
Então
me lembrei de estar deitado ao lado dela e observar cada movimento que ela
fazia, como no momento em que ela se levantou e colocou seu casaco vermelho. E
quando ela se deitou, me olhou e abriu um sorriso que me fez sentir frio na
barriga.
E
me lembrei do ódio que senti do Gustavo, ao vê-lo abraçá-la à força. Eu sabia
que Gustavo era apaixonado por ela. Ele já tinha comentado com a gente sobre o
quanto gostava dela, do quanto ela era gostosa, só que até então nunca me
importei. Aliás, quando eu via os olhares que o Gustavo dava para Carol, eu não
entendia como ele podia gostar de uma moleca, sim, porque para mim a Carol era
um de nós.
“Cara,
tira isso da sua cabeça! Ela nunca vai olhar para você com essa intenção. ” — falei
alto e em bom tom para mim mesmo. “E outra, vocês não têm nada a ver.” — continuei,
tentando me convencer.
Mas
ao mesmo tempo que eu queria esquecer aquele assunto, a Carol não saía da minha
cabeça.
Peguei
meu celular e comecei a ver um milhão de fotos da Carol comigo: nós nos
abraçando, ela me beijando o rosto, nós dois na piscina, no cinema, na minha
sala cobertos com o edredom, na casa dela deitados assistindo filmes, na praia
em uma de nossas férias, ela tentando pegar onda, ela entre os meninos jogando
vídeo game, ela e minha mãe na cozinha fazendo o jantar, nós dois juntos no meu
dentista quando fui tirar meu aparelho, assistindo a seleção brasileira de
basquete, no estádio de futebol, enfim, eram vários momentos maravilhosos
juntos.
Fiquei
pensando horas naquele assunto e demorei a pegar no sono.
No
dia seguinte, assim que me levantei e tomei o café da manhã, fui até o apê da
Carol. Mas nem ela e nem a Marília estavam lá e nem minha mãe estava em meu
apartamento, o que me levou a pensar que elas estariam juntas.
Elas
passaram a tarde inteira fora e quando chegaram eu estava inquieto, esperando
por elas, sentado na escadaria do hall. E a vi, chegando com os cabelos
diferentes, todo arrumado, como se tivesse saído do salão de beleza. E ela
estava linda, e me vi totalmente perdido olhando para ela.
Carol
me viu e sorriu instantaneamente. As três estavam cheias de sacolas de roupas e
calçados.
—
Oi Bruno. — disse Marília ao passar por mim.
—
Oh, meu filho. Tudo bem? Comprei umas coisinhas para você.
—
Oi mãe, onde vocês estavam?
—
Fomos ao salão de beleza e depois às compras, porque a Carol tem uma festa
hoje.
—
Que festa? — perguntei surpreso.
—
A Patrícia me convidou para o aniversário da prima dela e minha mãe me deixou
ir. — ela respondeu toda sorridente.
Não
acreditei quando ela disse que sairia com a Patrícia, aquela...
Marília
e minha mãe foram na frente. Eu e Carol fomos no outro elevador em seguida.
—
Sério que você vai?
—
Vou. — Carol falou fazendo cara que não entendeu meu espanto.
Eu
quis morrer por dentro, afinal, A Patrícia não era companhia para ela.
—
Mas hoje a gente não ia assistir um filme? Lembra que combinamos?
Não
sei de onde tirei isso, mas quando vi já tinha saído.
—
Não! Não me lembro de ter combinado nada. Você deve ter combinado com os
meninos, não comigo.
—
Então fica! Vamos alugar um filme, sei lá, baixar na internet. Ah, vamos ao
cinema? — falei parecendo desesperado.
Ela
seguiu para o apartamento dela e eu fui atrás.
—
Não, Bruno! A mãe da Pati até ligou para minha mãe, fica chato eu não ir.
Carol
abriu a porta do quarto, se jogando em sua cama na sequência, sacou o celular e
era como se eu não estivesse mais ali. Eu me deitei na cama auxiliar e a
encarei por um bom tempo, até que a mãe dela entrou no quarto.
—
Estão com fome?
Fiz
que não com a cabeça.
—
Hum, estou. — ela disse pulando e saindo em seguida.
—
Vamos lá comer alguma coisa. — Carol me chamou segurando minha mão.
Mais
tarde voltei para meu apartamento e combinei com os caras de jogarmos vídeo
game e assistirmos alguma coisa, já que nenhum de nós iriamos sair naquela
noite. Eles aceitaram e subiriam logo após o jantar. Minha mãe saiu com umas
amigas do trabalho e insistiu para que eu fosse, porém, eu não quis ir, nada a
ver sair com ela e com as amigas.
Os
meninos chegaram por volta das nove horas da noite e claro todos perguntaram
pela Carol, principalmente o Gustavo.
Nove
e meia tocou o interfone e quando eu abri, fiquei literalmente sem chão. Era
ela, a Carol da qual eu não conhecia até então; a garota mais linda que eu já
tinha visto até aquele momento.
Ela
entrou e eu senti seu perfume com aroma de frutas. Carol estava com o cabelo
escovado, um conjunto preto de saia preta e uma blusa um pouco curta, mostrando
discretamente o abdômen dela e um sapato de salto. Seu rosto estava
discretamente maquiado, mas evidenciaram os olhos verdes dela de uma maneira
inexplicável.
—
Só vim dar um oi para vocês, daqui a pouco a Patrícia vem me buscar. Quer que
eu falo para ela subir? Assim você a vê um pouquinho.
—
Não! — falei revirando os olhos.
—
Ei, Bruno vai fugir? — gritou Felipe da outra sala.
—
Já vou. — gritei de volta.
Carol
foi até o lavabo e sacou um batom da sua bolsa e um lápis de olho. Ela parou em
frente ao espelho e reforçou o lápis ao redor dos olhos dela.
—
Depois eu te conto sobre a festa. — ela falou enquanto passava o lápis.
—
Nossa, você está tão...
—
Tão o quê? Estou feia?
Eu
sorri em negação.
—
Não, pelo contrário, está linda.
—
Hum, obrigada.
Passei
a mão pelos cabelos e ri descrente.
—
O que foi?
Era
possível ouvir os caras gritando da outra sala quarto.
—
Não, é que eu sempre achei você tão moleca...
—
Moleca? Você achava que eu era lésbica? — Carol perguntou alarmada.
—
Não, claro que não! É que eu não via você assim, como uma garota.
—
Nossa Bruno, você me vê como um garoto?
—
Não! Eu não estou sabendo explicar.
Na
verdade, eu estava totalmente sem reação em frente à ela.
—
Vou te mostrar que eu não sou um garoto. — ela falou vindo em minha direção.
Nesse
momento Carol esticou-se e simplesmente me beijou de uma forma que nunca
ninguém me beijara antes. Foi mágico
sentir os lábios doces dela colados nos meus. Ela beijava suave e perfeitamente
bem. Quando ela ameaçou a parar, eu a segurei beijando-a um pouco mais. Não
queria que aquele momento nunca mais terminasse. Mas o celular dela tocou e
instantaneamente ela parou.
—
Oi. Ah, então desço daqui uns cinco minutos.
Eu
não sabia nem como agir diante daquela situação.
—
Isso foi para você nunca mais ter dúvida de que eu sou uma garota, seu bobo. —
ela falou me encarando de forma desafiadora.
Em
seguida virou-se e retocou novamente o batom quase que vermelho e saiu indo em
direção à sala de tevê, onde os caras estavam jogando.
—
Uauu! — eles gritaram provavelmente ao vê-la.
—
Caramba mascote, com você está gata. — disse Tiago.
Um
deles assoviaram, me deixando irado. Fui atrás dela assim que me recuperei do
beijo.
—
Seus bobos! Só vim dar boa noite para vocês.
Parei
ao lado dela, com as mãos nos bolsos da minha bermuda cargo.
—
Viu só no que nossa mascote se transformou? — Indagou Felipe olhando pra mim.
Gustavo
a olhava tão sem palavras assim como eu, e eu queria matá-lo naquele momento. Ela
se despediu deles e em seguida foi em direção da sala de estar, e eu feito um
cachorrinho fui atrás dela.
—
Bom, depois te conto tudo. — disse ela me dando um beijo no rosto.
—
Cuidado com aquela Patrícia.
—
Não se preocupa! A Pati é minha amiga.
Eu
a acompanhei até a porta, e a segui com os olhos, ela entrou no elevador e vi a
porta se fechar com ela dentro. Fiquei paralisado na sala, como se meus pés
estivessem colados.
“Que
beijo foi aquele? E o cheiro dela que sensacional! ” Pensei comigo mesmo.
Estava
parado passando a mão em meus lábios como se pudesse sentir o gosto dela
novamente. Os meninos vieram e se jogaram em meu sofá.
—
Ei cara, o que foi aquilo? — perguntou Felipe incrédulo.
—
Aquilo o quê? — perguntei desconfiado, pois talvez eles teriam visto o beijo.
—
A Carol! Que gata!
—
Gata? Eu sempre falei que ela ia dar trabalho, ela está linda. — falou Gustavo
suspirando.
—
É Gustavão, é melhor você investir antes que seja tarde demais. — insinuou
Felipe.
Gustavo
riu com cara de apaixonado.
—
Mas o que eu não entendo, é que ela era nossa mascotinha, uma menininha, e de
um dia para o outro virou essa gostosa. — falou Tiago.
—
Ei cara, olha como fala, ela ainda é nossa amiga, minha melhor amiga! — exclamei
ficando cego de ciúmes.
Gustavo
me encarou como se estivéssemos nos preparando para uma competição. E eu também
o encarei sem esboçar nenhum sorriso.
—
Bom, acontece que assim que ela conhecer o mundo lá fora, adeus meninos. — disse
Tiago.
—
Como assim? — perguntei.
—
Hoje ela vai conhecer vários carinhas, caras mais velhos, que com certeza
cairão matando em cima dela à noite toda, afinal, ela está um tesão. Depois
disso, a Carol irá nos achar completos idiotas, podem apostar.
Eu
não tinha pensado naquele fato até então. Mas ao ouvir Tiago falando com tanta
convicção, infelizmente tive que concordar com ele. Naquela noite a Carol
conheceria o mundo fora da nossa proteção, e linda como ela estava,
provavelmente vários carinhas chegariam nela e com isso ela provavelmente se
afastaria de nós.
—
Ela é nossa amiga, isso nunca vai mudar. — falei tentando acreditar na minha
própria mentira.
—
Cara, eu preciso conquistar essa garota. Sou louco para beijar aquela boca, mas
ela não me dá chance nenhuma. — disse Gustavo olhando para o teto.
Não
disse nada, embora minha vontade era de jogá-lo pela sacada do vigésimo andar.
Voltamos
a jogar, mas eu não conseguia pensar em mais nada a não ser naquele beijo que
me deixou desconcertado para o resto da minha vida. Perdi vários jogos seguidos
e desisti de jogar. Peguei meu celular na esperança de haver uma mensagem dela,
pedindo que eu fosse buscá-la ou que a festa estava uma droga, ou então que ela
assim como eu não conseguia parar de pensar em nosso beijo. Mas meu celular
estava ainda mais sem notícias do que eu.
Os
caras foram embora por volta da uma hora da manhã e eu olhei em direção do apê
da Carol e tudo estava silencioso, com certeza ela ainda não tinha chegado.
Deitei-me no sofá, na esperança de que quando ela chegasse eu conseguisse
escutar o barulho do elevador.
Meia
hora se passou e escutei o elevador, assim como eu queria. Corri abrir a porta,
mas era a minha mãe.
—
Oh filho, acordado ainda?
—
Fiquei preocupado que a senhora não chegava logo.
—
Sério?
—
Claro! Sou seu filho e fiquei preocupado, o que tem nisso? — falei me jogando
novamente no sofá.
Ela
inclinou-se e me beijou o topo da cabeça.
—
Então vá se deitar, já estou aqui.
—
Não, agora já me acomodei aqui, daqui a pouco eu vou. — disfarcei.
Ela
concordou desconfiada, mas seguiu para seu quarto.
Olhava
meu celular de cinco em cinco minutos, e era como se esse intervalo durasse uma
vida inteira. Acabei pegando no sono, mas por volta das três da manhã, não sei
como, acordei com o barulho do elevador, então só podia ser a Carol. Corri abrir
a porta e a vi procurando a chave do apartamento dela no vaso de flor que
ficava do lado de fora.
—
Ei. — sussurrei.
Carol
pulou de susto.
—
Bruno, quer me matar? — Aconteceu alguma coisa?
—
Não! Só fiquei preocupado com você que não chegava mais.
Já
havia dito aquela frase para outra mulher naquela noite, mas mesmo assim falei
novamente.
Saí
do meu apartamento e fui em direção a ela e pude notar que ela estava
totalmente sem batom, e aquilo não era bom sinal.
—
Vou dormir, amanhã a gente se fala. — ela falou sem me encarar, enquanto ainda
procurava a chave no vaso de flor.
—
Não vou demorar, daqui a pouco vou embora. — disse pegando a chave dela que não
estava tão escondida assim.
Assim
que entramos, fomos direto para o quarto dela.
—
E aí como foi?
Ela
me olhou, suspirando fundo.
—
Filha, chegou? — disse Marília abrindo a porta com tudo.
Marília
me viu e fez cara de assustada.
—
Bruno, o que você está fazendo aqui? Você também foi à festa?
—
Não! Fiquei em casa, só vim saber como foi. — respondi morrendo de vergonha de
ter sido pego em flagrante.
—
Mãe, ele quer saber da Patrícia, eles estão meio que...você sabe.
—
Hum, tudo bem, mas já está tarde e os dois precisam dormir. Ah, e Carol depois
não esquece de trancar a porta.
—
Pode deixar mãe!
—
Marília, eu vou embora daqui alguns minutos.
—
Tá bom Bruno, fique à vontade. Boa noite meninos!
“Cara,
que mancada que eu dei. ” Pensei.
Marília
voltou para o quarto dela e fechou a porta.
—
Eu disse que estava tarde.
—
Tá, já vou, mas me fala como foi.
Carol
caiu em sua cama e deu um sorriso. Me
sentei na cama auxiliar ficando de frente para ela. Ela tirou os sapatos e os
chutou para longe.
—
No começo eu achei muito legal. A festa de aniversário estava animada, pessoas
diferentes, mas enfim, uma festa comum. Aí por volta da meia noite, os primos
da Pati quiseram ir em uma cervejada da turma deles da faculdade.
—
E você foi?
—
Eu fui morrendo de medo da minha mãe descobrir. Mas fui.
Nesse
momento ela deitou-se colocando a almofada sobre as pernas dela.
—
Minha mãe não pode nem sonhar, está ouvindo?
Eu
a fitei com raiva, mas acabei balançando a cabeça concordando.
—
A princípio odiei o lugar. Era uma
espécie de galpão, sem nada, diferente de uma boate, mas tinha muita gente,
muito estudante, muita bebida, vi até gente usando droga, assim, no meio de
todo mundo.
—
Você é louca em ir a um lugar desses? Você só tem quinze anos.
—
Eu sei! Pensava nisso a todo momento. Mas acredita que todo mundo pensava que
eu estava na faculdade? Você precisava ver. E os carinhas? Eles vinham falar
comigo a todo momento, queriam saber se eu fazia comunicação social ou se era
jornalismo, queriam dançar, ofereciam bebidas, cigarro, até baseados me
ofereceram, eu quase morri de susto, mas enfim, foi bem estranho. Entretanto, depois
eu comecei a dançar com a Pati e logo fui me acostumando.
Ela
soltou um sorriso e passou a mão arrumando os cabelos, era como se ela
estivesse recordando os momentos passados.
—
Ah, e você tinha razão. A Patrícia está fumando. Ela fumou na minha frente, e
eu fiquei chocada ao ver aquilo, e além de cigarro normal, ela fumou maconha, e
ainda me ofereceu várias vezes, acredita?
—
O quê? Você não aceitou, não é?
—
Claro que não! Esqueceu que eu odeio cigarro? E o cheiro do baseado, então? Só
cheiro me enjoa. Aliás que estou cheirando a cigarros. O cheiro impregnou em
mim. — ela disse cheirando os cabelos. — Mas tem uma coisa?
—
O quê?
—
Bebi cerveja. Duas latas. Duas ou três, talvez. Mas eu bebi. E foi muito
esquisito, precisa ver, minhas pernas ficaram moles e com isso acabei dançando
com mais facilidade. Foi divertido.
Olhei
para ela incrédulo e balancei a cabeça negativamente.
—
Eu sei que o que eu fiz foi feio. Mas eu prometo que não vou mais beber, eu
juro!
Eu
a encarei decepcionado, mas ao mesmo tempo queria deitá-la naquela cama e
beijá-la o resto da noite. Carol era extremamente delicada, e aquilo me deixava
ainda mais encantado por ela.
“Como
eu nunca prestei atenção nela antes? ”
—
Você sabe que esse tipo de festa não é para você.
Ela
me olhou concordando.
—
Eu sei disso. Foi legal, mas não é para mim. Quem sabe daqui a alguns anos, mas
não agora. Eu disse para a Patrícia que a próxima vez que eu for sair com ela, sem
essa de festas de faculdade.
“Ela
ainda não descartou a possibilidade de sair com a Patrícia? ”
Ficamos nos olhando por um momento e senti meu
coração disparar e um frio apoderou-se do meu estômago.
—
O que foi? — Carol perguntou dando-me um sorriso malicioso.
Fiquei
sem graça e tentei disfarçar.
—
Não, nada! Mas acho que você ainda não contou tudo.
“Tomara
que seja tudo, tomara que seja tudo! ”
Carol
suspirou novamente como se ganhasse coragem.
—
Teve um carinha que eu conheci, ele chama Guilherme. Depois de algum tempo que
estávamos nessa festa, eu o vi me encarando e ficou me encarando por um tempão.
Aí eu fui dançar e ele lá me olhando sem parar. Então quando estávamos indo ao
banheiro ele me parou e quis falar comigo. Mas eu me esquivei e fui ao banheiro
com a Pati.
Confesso
ter morrido de medo de saber o que seriam as próximas palavras que ela diria,
mas eu me segurei.
—
A Pati, logicamente queria que eu ficasse com ele a todo custo, mas eu nem dei
bola para ela. Quando saímos do banheiro ele ainda estava me esperando e dessa
vez com os primos da Pati, então, todos nós nos sentamos em uma mesa do lado de
fora desse galpão, onde o som era bem mais baixo. E ele conversou comigo por
horas, você precisava ver, ele foi muito legal.
Carol
olhou para cima parecendo vislumbrada.
—
E o que vocês conversaram?
—
Ah, ele quis saber que curso eu fazia. Quase morri de vergonha quando falei que
estava no ensino médio. E quando fui falar minha idade então! Guilherme não acreditava
que eu só tinha quinze anos.
Ela
esboçava um sorriso como se estivesse encantada por aquele sacana.
—
O Guilherme tem dezenove anos e faz publicidade e propaganda. Está no segundo
ano.
Senti
meu mundo desabar ao testemunhar o jeito que ela estava. Deitei-me na cama
auxiliar tentando esconder minha decepção. Ela sorriu como se lembrasse de algo
e aquilo me torturava ainda mais.
—
E você ficou com ele?
—
Então! Foi assim! — ela disse quase suspirando. — Conversamos nesse lugar por
quase duas horas. E o primo da Patrícia que nos levou, sumiu com uma garota e
já estava ficando tarde e nós precisávamos ir embora. A Pati foi procurá-lo e
ele veio em seguida. Mas o Guilherme também queria nos levar embora, só que eu
não quis, sei lá, não achei certo. E quando nós nos despedimos ele pediu o
número do meu celular. Quando eu estava saindo, ele segurou minha mão e me
pediu um beijo.
—
E você deu?
—
Não, claro que não!
Olhei
para ela sem saber o que dizer e ficamos nos olhando por um tempo.
—
Bom, agora não sei se ele vai me ligar. Acho que não, afinal só tenho quinze
anos.
Carol
foi até a cômoda de roupas e pegou um pijama e saiu em seguida para seu
banheiro onde passou cerca de quinze minutos. Quando ela voltou, eu ainda
estava deitado na cama auxiliar, prorrogando ao máximo o horário de ir embora.
Ela
estava linda, com um short de malha bem curtinho e uma blusinha justinha ao corpo.
O engraçado era que eu tinha visto a Carol com pijamas como aquele milhares de
vezes, mas nunca prestei atenção no quanto ela ficava gostosa neles.
Ela
jogou as almofadas no chão e puxou a colcha deitando cobrindo-se em seguida.
—
E vocês, o que fizeram?
—
Nós fomos para umas duas baladas, enchemos a cara, usamos muita droga, comi
várias garotas e voltei para casa.
Ela
riu e me jogou a almofada.
—
Seu bobo.
Eu
a admirei novamente. E só pensava que depois daquele beijo nossa amizade nunca
mais seria igual.
—
Eu já vou. — falei sentando-me em seguida.
—
Achei que fosse ficar.
—
Posso?
—
Você sempre acaba ficando.
—
Mas você quer que eu fique?
—
Sei lá Bruno! Fica, já está aqui.
Saí
da cama em seguida, abri o armário dela e peguei um travesseiro que já era meu
por direito e um edredom que também já me pertencia, de tanto que eu dormia lá.
—
Boa noite! — falei indo até ela e dando-lhe um beijo no rosto.
Ela
me olhou assustada e me segurei para não beijá-la ali mesmo. Voltei para a cama
que também já era quase de minha e me cobri em seguida.
—
Bruno, preciso te contar uma coisa.
—
Outra? Você vai me matar com tantas novidades.
Ela
riu.
—
É sério! Mas você não vai gostar muito, sei que ficará chateado.
—
O que foi? — falei prevendo algo de muito ruim, tipo: ela ter voltado e beijado
o tal carinha.
—
A Pati ficou com outro garoto, aliás, com dois. Pensei em você na hora, sei que
você gosta dela, então, fiquei com ódio quando a vi agarrada com eles. E
acredite, foi em um curto intervalo de tempo, como ela consegue?
Ouvir
aquilo foi um alívio. A Patrícia não me importava nem um pouco.
—
Carol, não tem nada a ver, foi só um beijo e eu nem curti.
—
É sério mesmo? Fiquei adiando para te contar, porque imaginei que você ficaria
chateado.
—
Não, claro que não! Fica tranquila que não rola nada entre eu e a Patrícia.
Pelo contrário, eu nem sei o porquê me interessei nela, ela é uma ... bom, você
sabe disso.
Ela
sorriu aliviada, balançou a cabeça concordando e desligou a luz em seguida.
—
Boa noite Bruno.
—
Boa noite Carol.

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