terça-feira, 26 de maio de 2015

" Recomeços" Parte 05 por Érika Prevideli

" Recomeços" 

Parte 05

Era uma sexta-feira e estávamos fazendo seis meses de namoro, eu e João Pedro saímos para jantar e comemorar no Aquarello´s, um restaurante tradicional da cidade. Após o jantar, fomos para o apartamento de João Pedro, onde passamos a noite, como de costume em nossos finais de semana.
Na manhã seguinte, João saiu para correr e eu preferi continuar a dormir, então o interfone começou a tocar. Quando fui atender, era um entregador de flores, com um enorme buquê de rosas brancas, fiquei eufórica. Havia um bilhete, onde estava escrito apenas
Alice,
Achei esquisito. Mas confesso que fiquei feliz com a surpresa. Corri tomar um banho para esperar o João.
Cerca de quinze minutos depois, a campainha tocou novamente, era outro buquê, dessa vez de rosas cor de rosa, eu comecei a rir, sabia que João estava aprontando algo.
O segundo cartão dizia:
Você
 Mais quinze minutos e outro buquê, e eram rosas vermelhas. Abri ansiosamente o cartão para entender a mensagem de João. E este dizia:
Aceita
 Nos próximos quinze minutos seguintes, um outro buquê com flores do campo. Mais uma vez ansiosamente corri ler o cartão:
Ser
 E depois, outro buquê todo de lírios. O cartão dizia:
Minha
A próxima vez, tocou a campainha e eu corri atender, dessa vez era João Pedro, com um enorme buquê de hortênsias, as flores que ele sabia que eram as minhas favoritas.
-Você quer me matar do coração? Perguntei sorrindo.
-O último cartão. Disse ele me entregando o buquê.
Abri imediatamente.
Noiva?
Ps. Minha noiva, minha esposa, minha parceira para a vida toda.
Amo Você.
JP
Olhei para ele incrédula e o abracei.
-Oh João, desse jeito eu morro de tanta emoção? É claro que eu aceito.
João pegou uma caixinha de veludo do meio das flores, entregando-me. Eu a abri e eram duas alianças douradas. Imediatamente ele pegou uma aliança, colocou-a no meu dedo, e eu fiz o mesmo gesto, beijando-o em seguida.
...
Alguns dias depois, teve uma festa de aniversário de um amigo da época que o João ainda namorava, em que nós fomos onde a ex-namorada dele estava presente. Eu temi a reação dele, afinal seria a primeira vez que ele a encontraria desde que se separaram.
Quando nós chegamos, eu senti que algumas das amigas dele, me olharam com desdém. Os amigos diferentemente das garotas, me receberam muito bem. Então passei a maior parte da festa ao lado deles. João Pedro ficou à noite toda ao meu lado, todo carinhoso, romântico e atencioso. Mas eu ainda não havia conhecido a tal ex. Eu estava curiosa em saber se ela estava lá, mas não tive coragem de perguntar.
 Até que algum tempo depois, uma garota se aproximou de nós. Era uma moça loura, estatura média, e com um belo corpão. Estávamos conversando com um dos amigos dele, quando ela parou bem em frente a ele, inclinando-se.
-Oi João, quanto tempo? Não vai me apresentar sua amiga.
Ele olhou ao redor, como se não tivesse entendido a pergunta.
-Você está falando da Alice? Ela não é só a minha amiga, ela é minha noiva.
A garota me olhou me fulminando com o olhar.
-Alice? Hum, tudo bem Alice? Eu sou a Layla, eu e o João éramos...você sabe, nós namoramos por algum tempo.
-Como vai, Layla? Tudo bem? Eu disse dando a ela meu melhor sorriso. Em seguida, levantei-me ficando cara a cara com ela, e a cumprimentei com um beijinho.
Por dentro eu estava trêmula de nervoso, mas não demonstrei em momento algum.
-E você João, acostumou-se em Curitiba? Ela perguntou desviando o olhar de mim.
-Seria impossível não me acostumar. Disse ele olhando para mim, puxando-me em direção a ele.
Eu sorri para ele. Sabia que no fundo ele queria fazer uma cena de ciúmes. Mas mesmo assim eu o deixei que ele me usasse. Nós a ignoramos no instante seguinte e eu o beijei em seguida. E quando olhei ela já não estava mais lá.  Ela mesmo de longe faltava nos engolir com os olhos. Parecia incomodada com a nossa presença, e fazia de tudo para chamar a atenção dele, mas ele não caiu no jogo dela, aliás, em momento algum o vi olhando na direção dela, e isso me deixou muito feliz por dentro.





9
Você e eu
Assim que terminei minha faculdade, nós nos casamos. Alguns até chegaram a dizer provavelmente eu estivesse gravida por estar casando aos vinte e um anos de idade.  Mas nós não nos importávamos, só queríamos ficar juntos.
 Nossa festa de casamento não podia ser em outro lugar, a não ser na casa de praia dos Moretto. Uma enorme tenda foi montada nos jardins da casa com direito à vista do mar como parte da decoração. A decoração foi toda branca, com hortênsias azuis.
Toda a minha família, assim como toda a família de João e todos nossos amigos estavam presentes.
Quando comecei a caminhar sozinha, vestida de noiva em direção à tenda que estava sendo celebrada a cerimônia, achei que não fosse conseguir chegar. Estava totalmente nervosa e só pensava em meu pai e no quanto eu queria que ele estivesse ao meu lado. Mas João Pedro me surpreendeu e foi de encontro a mim e nossa música You and Me, do Lifehouse começou tocar assim que nos encontramos. João deu-me um beijo no topo da cabeça e inclinou-se em meu ouvido.
-Você está maravilhosa.
Olhei para ele emocionada e vi que os olhos deles brilhavam de felicidade.
-Obrigada, achei não fosse conseguir fazer esse caminho sozinha.
-Eu nunca deixaria você sozinha. Ele me disse com um olhar acolhedor.
João segurou minha mão e seguiu comigo até o padre e o juiz de paz. Todos se emocionaram com a atitude gentil da parte dele. Mesmo meu pai não estando presente fisicamente, esteve presente o tempo todo em meus pensamentos.
Foi a noite mais linda da minha vida, tudo estava perfeito, a festa estava linda, a decoração impecável, as pessoas todas felizes, e eu ao lado do meu grande amor.
Durante a festa, Malu me abraçou emocionada.
-Você está linda, minha amiga. Eu amo você e estou muito feliz em ver a sua felicidade.
-Ei, não chora Malu, assim vou ficar emocionada, e se eu borrar essa maquiagem mato você. Eu disse sorrindo.
-Não amiga, é bobeira minha, é que eu vi você e me lembrei do Otávio, eu não queria falar sobre isso com você, mas ele me ligou chorando, disse que hoje com certeza era o pior dia da vida dele.
Eu fiquei sem reação e a abracei.
-Malu, eu só quero que o Otávio seja feliz, ele foi muito importante na minha vida, então eu torço para que ele encontre alguém.
Malu concordou enxugando as lágrimas.
-E o Bruno não para de me encarar. Assim não vou resistir. Ela disse soltando um sorriso em meio as lágrimas.
-Então não resista, ele ainda ama você.
Malu me olhou com segundas intenções e sorriu.
Quando eu joguei o buquê, muitos começaram a gritar que eu havia combinado, pois quando o buquê voou, foi parar diretamente nas mãos de Malu, que correu me abraçar.
Viajamos em lua-de-mel para a Itália, onde eu enfim conheci a Toscana, que por sinal eu amei. Foi uma viagem inesquecível, regada a muito vinho, muitos beijos, muito amor, e muita alegria.
Assim que voltamos de lua de mel, compramos um apartamento maior. João ainda tinha uns dias de folga, então passávamos o tempo todo arrumando e mobiliando nossa casa, da nossa maneira.
Pouco mais de um mês após nosso casamento, uma revista nacionalmente conhecida, com sede em Curitiba me ligou. E depois que comecei a trabalhar, aos poucos fui ganhando meu espaço, até que em menos de seis meses, já tinha uma coluna só minha.
Recebia vários e-mails por dia das minhas leitoras, para que eu adiantasse sobre o que eu falaria nas próximas edições. Muitas delas queriam suas histórias contadas, então eu realmente muitas vezes me inspirava nos fatos reais, ou nos fatos que de certa maneira sempre afetam a vida das mulheres.
Eu estava me realizando profissionalmente, assim como João Pedro em seu emprego, mas estávamos ainda mais realizados em nossas vidas pessoais. Morávamos em um apartamento em uma área nobre de Curitiba, tínhamos muitos amigos que fizemos ao longo do namoro, e ainda saíamos esporadicamente com os amigos de quando éramos solteiros. Nossa vida sexual era extremamente intensa, o desejo um pelo outro era como na primeira noite, mas com muito mais intimidade e muito mais amor.
Minha mãe após vários namorados diferentes, começou a namorar com um advogado, e dessa vez ela estava entrando na linha e estava apaixonada como eu nunca a vi.
...
Três anos se passaram após a data do nosso casamento, eu estava com vinte e quatro anos e João Pedro com vinte e sete, e numa noite, após o nosso sexo ardente de todos os dias, estávamos deitados e conversando como seria se tivéssemos um filho. E decidimos que queríamos ter um bebê. A partir desse momento, todos os amigos que saíam com a gente, como se tivessem combinado, resolveram tornarem-se pais, e quando nos reuníamos, as conversas eram sempre as mesmas. Minhas amigas só falavam de ultrassonografias, enxovais de bebês, decorações de quartos para os pequenos, escolha dos nomes, a maneira de como elas estavam em relação à chegada do bebe, os quilos adquiridos durante à gestação.... Eu sempre escutava atentamente, mas não podia opinar, pois eu era uma das únicas que não estava na mesma situação que elas.
 Cada vez que minha menstruação descia, era uma nova frustração. A cada período fértil, era uma maratona de sexo. Mas nada adiantava.
Os bebês dos nossos amigos nasceram, e eu e João Pedro ainda estávamos tentando. Nosso caso era complicado, pois além de eu ter ovários policísticos, João Pedro tinha uma deficiência na produção de espermatozoides.
Depois de um ano tentando eu engravidei e foi uma verdadeira festa. Nessa época, Malu e Bruno finalmente resolveram assumir o romance. E isso foi mais do que perfeito. Era um casal a mais para sairmos, e eles passaram a ir com frequência para Curitiba.  E é claro que eles seriam os padrinhos do nosso pequeno tesouro.
Infelizmente com três meses de gestação, eu perdi o bebê. E quase morri de tristeza, mas João Pedro foi maravilhoso a todo o instante, pois me deu força e me confortou o tempo todo.
Alguns meses depois, engravidei novamente, e novamente perdi o bebê em poucos meses.
Eu ficava nervosa com essa situação, pois queria muito dar um filho ao João, me sentia incapaz, e com isso eu acabava descontando nele toda minha irritação, e ele em mim. Então, percebemos que nosso casamento estava passando por um certo stress. Claro que como qualquer outro casal, tínhamos discussões, mas elas estavam tornando-se constantes.
No dia do casamento de Malu e Bruno, Curitiba ficou agitada. Pois a família de Malu era bem tradicional e a família de Bruno era ainda mais influente. Então a maioria dos hotéis estavam lotados com os convidados de Bruno que eram a maioria de Floripa.
As duas famílias iriam dividir o mesmo espaço. Ou seja, João Pedro e Otávio, dividiriam o mesmo altar, a mesma festa, e até as mesmas fotos.
João estava visivelmente nervoso, ele tinha medo da minha reação ao ver o Otávio. Pois desde o término do nosso namoro, nós não tínhamos nos encontrado mais. Eu estava tranquila em relação a esse encontro, pois, nem mil Otávio juntos chegariam aos pés do meu João.
E eu fiz questão de dizer isso a ele, enquanto ele se arrumava.
-Você está lindo. Eu disse entrando no closet, enquanto ele terminava de se arrumar.
 João Pedro usava um smoking Armani. Essa era a única exigência dos noivos: padrinhos de smoking e madrinhas de vestido longo preto.
-Obrigado. Mas é você, não vai colocar seu vestido?
-Já vou, só queria falar uma coisa para você antes.
João me olhou pelo canto dos olhos.
- Eu percebi que você está tenso e parece um pouco nervoso. Se é porque nós iremos encontrar o Otávio nessa festa, eu quero que você saiba que nem mil Otávios juntos chegarão aos seus pés, eu amo você João, e nada nesse mundo mudará isso.
-Não seja tola Alice, eu não estou com ciúmes do seu ex-namorado. Afinal de contas foi você que o abandonou, foi uma escolha sua.
Ouvir João Pedro dizendo daquela maneira, totalmente frio e ríspido, me doeu como se uma faca estivesse atravessando em meu peito, mas das duas uma, ou ele estava mentindo ou ele não sentia mais ciúmes de mim.
Eu não respondi nada, e voltei para o nosso quarto, onde terminei de me arrumar. Instantes depois fui até a sala, João Pedro estava tomando uma dose de uísque sentado no sofá. Quando ele me viu, levantou-se vindo até mim.
-Você está maravilhosa, Alice. Ele disse mergulhando o rosto em meus cabelos.
Eu estava usando um vestido logo preto, todo em renda sobre tule cor da pele. Meus cabelos estavam presos com um rabo de cavalo moderno.
-Sinto muito pelo o que eu disse. É claro que eu estou morrendo de ciúmes de você, é a primeira vez que vocês irão se encontrar, e eu tenho medo que você descubra que tenha feito a escolha errada.
-Não se preocupe João, você tem razão, sou uma tola e me equivoquei pensando que você estivesse com ciúmes de mim.
-Alice, não faça isso, me desculpa, por favor?
-Vamos, não quero me atrasar. Eu disse saindo em seguida, deixando-o para trás.
Seguimos para a cerimônia que seria realizada em um clube de luxo em Curitiba; eu e João Pedro não trocamos uma única palavra durante todo o trajeto.



10
Eu ainda te amo, Alice!

Assim que chegamos ao local da cerimônia, todos os convidados já estavam acomodados, mas os padrinhos, as madrinhas e os pais dos noivos estavam esperando para se organizarem. Era nítida a divisão entre as famílias, de um lado a família de Bruno e do outro lado a família da Malu. Ou seja, de um lado a família de João Pedro e do outro lado a família de Otávio.
Bruno estava radiante, porém nervoso ao extremo. Nós os cumprimentamos e em seguida cumprimentamos Maria Helena e José Pedro, e os demais padrinhos do lado de Bruno.
Quando eu me virei, dei de cara com Otávio me olhando, João Pedro provavelmente se arrependera no mesmo instante quando disse que não estava com ciúmes de Otávio, pois Otávio estava extremamente atraente, até mais do que eu me recordava. Ele estava moderno, elegante e dotado de autoconfiança; estava acompanhado de uma bela mulher, também muito elegante e atraente.
Estávamos a apenas alguns passos de distância, mas eu fingi não o ver. E ele não tirava os olhos de mim, João Pedro segurou minha mão, enquanto conversava com Bruno, pois ele estava percebendo os olhares de Otávio em nossa direção. Alguns instantes depois, Roberto e Heloisa, os pais de Malu, vieram me cumprimentar e em seguida cumprimentaram João Pedro e os pais de João. Deram um abraço afável em Bruno e ficaram conversando por algum tempo, até a cerimonialista começar a organizar a fila.
Uma espécie de altar foi preparado para ser realizada a cerimônia, onde um padre deu sua bênção ao casal. Logicamente os padrinhos ficaram em lados opostos, ficando assim um de frente para o outro. Otávio, mesmo com a namorada olhava constantemente para minha direção. Eu tentei disfarçar, mas era impossível olhar para frente e não cruzar com os olhares dele. E isso deixava João Pedro cada vez mais irritado e inquieto.
A cerimônia foi linda, fiquei totalmente emocionada, vendo minha melhor amiga, amiga de todas as horas casando-se e assumindo uma vida a dois, coisa que ela mesma vivia falando que não se imaginava fazendo. Nós nos abraçamos na hora dos cumprimentos.
-Quem disse que não seríamos cunhadas. Ela disse enquanto me abraçava.
-Parabéns minha amiga, estou orgulhosa de você e você está linda.
Malu olhou no fundo dos meus olhos. E essa demora deixava os outros padrinhos inquietos.
-Alice, obrigada por fazer parte da minha vida, eu não saberia viver sem você.
Nos abraçamos e eu saí secando as lágrimas. Eu também não saberia viver sem ela ao meu lado.
 Nos sentamos na mesa de José Pedro e Maria Helena, minha mãe também estava presente com seu marido, e ela sentou-se ao meu lado. João Pedro me agradou de todas as maneiras possíveis, me elogiava a cada segundo, colocava suas mãos em minhas pernas, sob a mesa, e claro que eu não estava mais nem um pouco chateada com ele, pois eu sabia que ele havia se arrependido de cada palavra, afinal, nem eu sabia que Otávio agiria daquela forma.
A festa estava chegando ao seu final, e Otávio passava incansavelmente por nossa mesa, sempre olhando em minha direção. Várias vezes ele parava bem em frente à nossa mesa e ficava conversando com algum conhecido. Eu não o vi em momento nenhum com a namorada. Ela passou a maior parte da noite sozinha, ao lado dos pais de Malu.
Até que Otávio provavelmente depois de algumas doses de champanhe e uísque tomou coragem e parou em minha mesa, cumprimentando minha mãe e seu marido.
-Karen, que honra revê-la novamente depois de tantos anos. Ele disse abraçando-a. -Está bonita como sempre.
-Oi Otávio, prazer em revê-lo também, como tem passado?
-Eu estou bem Karen, depois de alguns anos posso dizer que estou bem.
-Fico feliz por você. E sua namorada onde está?
-Ela está com meus pais, é a primeira vez que ela vem ao Brasil, ainda está se adaptando.
-Então você deveria ficar ao lado dela, afinal, ela deve estar se sentindo perdida. Disse minha mãe o alfinetando.
João Pedro segurava minha mão por debaixo da mesa, sentia que ele estava trêmulo.
-E esse é seu marido?
-Oh, sim, que indelicadeza minha. Disse minha mãe, desculpando-se. -Esse é o Fábio, meu esposo.
Então eles se cumprimentaram educadamente. Otávio fez o mesmo com Maria Helena, com José Pedro, afinal ele era irmão da noiva; depois veio até mim. Assim como os outros, eu precisei me levantar para cumprimentá-lo.
-Oi Alice, como vai?
-Oi Otávio.
Eu apenas estendi minha mão, mas ele me puxou para um abraço, que infelizmente durou a mais do que eu gostaria.
-Como eu senti sua falta! Você está linda! Ele disse sussurrando em meu ouvido quase que inaudível.
Discretamente me soltei, e ele olhou para mim sorrindo.
-Quem diria Alice, de namorada a concunhada.
-Otávio, esse é o meu esposo, João Pedro.
João levantou-se forçadamente para cumprimentá-lo. Mas Otávio olhou para mim balançando a cabeça negativamente. Era nítido que ele havia bebido além da conta.
-Que esposo? Não notei ninguém ao seu lado.
-Otávio é melhor você ir junto da sua namorada. Eu disse nervosamente.
Meus sogros e minha mãe com seu marido estavam assistindo toda aquela cena.
-Eu sou o esposo da Alice. Disse João Pedro, me segurando pela cintura. Eu sou o cara que em apenas dois dias, fez com que ela deixasse oito anos ao seu lado para trás. Então deve ser por isso que você prefere fingir que não me viu.
Otávio olhou para João Pedro, e percebi que o clima estava ficando cada vez mais tenso.
-Vem João, vamos dar uma volta. Eu disse tentando tirá-lo dali, antes que o pior acontecesse.
Otávio cruzou os braços na altura do peito.
-Fico feliz em saber que a minha aluna aprendeu corretamente, ela é boa de cama, não é? Porque eu ensinei a ela cada coisa que ela sabe.
Senti que João fechou sua mão com força, acertando-o em seguida.
Otávio cambaleou e colocou a mão no nariz, que estava escorrendo sangue. José Pedro e Fábio seguraram João, e em segundos a maioria dos convidados da festa estavam ao nosso redor.
-Vamos, vem João por favor. Eu disse puxando-o novamente. Estava em pânico. João segurou minha mão e saímos em seguida.
Passamos pelos convidados, e Bruno e Malu nos pararam desesperados com o acontecido.
-Desculpa, João, meu irmão só pode estar bêbado, caso contrário ele não agiria dessa forma.
-Seu irmão é um babaca Malu, me desculpe, eu amo você, mas esse cara é um completo idiota.
Malu apenas concordou.
-Vamos para casa João Pedro, já está tarde. O Bruno e a Malu entenderão, não é?
-Claro que sim, vai para casa irmão, você está com a cabeça quente.
João concordou e despediu-se dos noivos, e eu fiz o mesmo. Nós voltamos para nos despedirmos dos pais de João, onde eu me desculpei, eles me abraçaram e me disseram que eu não havia feito nada de errado e que eu não tinha o porquê pedir desculpas. Me despedi da minha mãe e do marido dela. Ela abraçou João Pedro e sussurrou no ouvido dele.
-João, eu já era sua fã, agora então nem se fala, gostei de ver as palavras que você disse àquele imbecil.
João Pedro deu um meio sorriso e nós saímos em seguida. Quando chegamos no estacionamento, os pais de Otávio e a namorada estavam ao lado dele, enquanto ele estava com a cabeça para cima, para que o sangramento do nariz cessasse.
Passamos sem olhar na direção deles. Mas então ouvimos novamente a voz de Otávio vindo atrás de nós.
-João, quando tiver comendo a Alice, fale algumas palavras picantes que ela vai adorar, comigo não falhava nunca.
João Pedro parou no mesmo instante e voltou acertando-lhe mais um soco.
O pai de Malu correu em nossa direção.
-Já chega vocês dois e cala essa boca Otávio. A Alice é nossa amiga e eu não admito que fale assim dela.
-Vamos Alice, deixa esse cara para lá. Disse João Pedro pegando em minha mão.
-Quer saber de uma coisa Alice, eu ainda te amo, e você vai voltar a ser minha. Disse Otávio em alto e bom som.
-Eu não acredito nisso, eu vou matar esse cara. Disse João Pedro balançando a cabeça negativamente.
 Eu não disse nada, mas estava morrendo de ódio do Otávio por tudo o que ele havia dito.

João Pedro não disse nenhuma palavra até chegarmos em casa. E eu não sabia ao menos o que lhe dizer.

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