" Recomeços "
Parte 02
Malu
falou, falou, falou. Uma coisa ela e Otávio tinham em comum, ambos tinham o
poder de persuasão incrível. Tanto que depois de muita insistência acabei
aceitando, mesmo morrendo de medo da reação dele.
Malu ficou eufórica, correndo pelo apartamento
e gritando feito doida.
Enquanto
tentava falar com o irmão de Malu, ela foi para a casa dela arrumar as malas e
logo voltou para meu apartamento, pois dormiria comigo para que eu não ficasse
sozinha, assim sairíamos bem cedo no dia seguinte.
Fiquei
desesperada sem saber o que fazer, tentei falar com o Otávio novamente, mas ele
não atendia o celular. Depois de muitas tentativas, Otávio me ligou e disse que
estava de saída para comemorar a apresentação do trabalho dele que tinha sido um
sucesso. Eu o parabenizei, mas ele
precisou desligar antes mesmo que eu falasse sobre a viagem. E aquilo me deixou
enfurecida. Peguei minha mala e comecei a selecionar as roupas que eu levaria.
Decidi então em não ficar em casa, mendigando por ligações rápidas de Otávio.
Acordamos
muito cedo e saímos após o café da manhã. Como Malu não sabia o endereço da
casa de praia, os amigos dela combinaram de nos encontrar em Florianópolis.
Assim
que chegamos no posto de gasolina em Florianópolis, o qual havíamos combinado
de encontrarmos os amigos da Malu, um rapaz alto, louro de olhos azuis e corpo
saradinho, como disse Malu, veio em nossa direção. Era o Bruno.
Bruno era totalmente simpático, educado e
charmoso. Malu ficou encantada, e não tirava os olhos dele. Depois alguém o
chamou, ele se afastou de nós. Nesse momento Malu pegou em minha mão.
-Alice,
acho que estou apaixonada. Que cara lindo, puta que pariu!
Eu
sorri em ver a reação dela. Bruno voltou após alguns instantes.
-Só
tem um problema meninas. A casa tem nove quartos, mas um deles é o dos meus
pais, então esse não usaremos; eu optei em deixar um quarto para cada casal, a
Malu iria ficar no quarto que tem três camas de solteiro, onde mais duas amigas
minhas ficarão também. Quando ela me falou sobre você Alice, eu pensei em
coloca-las no quarto do meu irmão, mas em cima da hora ele resolveu vir, então
se não tiver problema, você dorme com as meninas, mas nesse caso terá que
colocar um colchão no chão.
Nós
nos entreolhamos, isso afinal não era problema algum.
-Bruno,
fica tranquilo, não tem problema algum, eu durmo em qualquer lugar.
Nisso
um rapaz alto, cabelos castanhos claros, olhos verdes, e com um corpo de tirar
o fôlego, parou perto de nós.
-Tá
tudo certo? Vamos nessa? Ele disse para Bruno e em seguida me encarou.
-Oi...
-Oi.
Eu respondi sem graça.
-Esse
é o meu irmão João Pedro. Disse Bruno.
-João
essa é a Alice, e a Malu. Bruno disse encarando a Malu.
Nós
nos cumprimentamos.
-Então
João, a Alice decidiu vir de última hora também cara, como você; então nesse
caso, elas dormirão no quarto com a Sabrina e a Flavinha, mas o problema é que
a Alice vai ter que colocar um colchão no chão.
-Bruno,
fica tranquilo, eu me viro. Isso não é problema nenhum. Eu disse em seguida.
-Não,
claro que não! Elas podem ficar em meu quarto. É grande, espaçoso. Eu fico no
seu meu irmão. Disse João Pedro batendo o ombro em Bruno.
Em
seguida ele me olhou novamente, me deixando sem reação.
-João
Pedro não precisa se incomodar, eu fico com as outras meninas sem nenhum
problema.
-Alice,
não é incomodo algum, pode ficar tranquila, eu fico no quarto do Bruno, eu nem
sei ao certo quantos dias eu vou ficar. Não é Brunão? Falou João dando um
tapinha no ombro de Bruno.
Bruno
sorriu e concordou com a cabeça, sem tirar os olhos de Malu.
Depois
de conhecermos todo o pessoal que ficaria na casa, voltamos para a estrada, cada
um em seus carros. E um pouco mais de uma hora chegamos até a casa de praia dos
meninos, que por sinal era uma senhora de uma casa de praia com três andares,
uma enorme área de lazer, piscina com a vista para o mar, era um verdadeiro
luxo.
Pegamos
nossas malas e quando estávamos indo em direção a casa, João Pedro nos abordou
no meio do caminho.
-Alice
e Malu, vamos que eu vou mostrar meu quarto pra vocês.
-João,
não se preocupe, fica você em seu quarto, eu e a Malu ficamos com as outras
meninas, não queremos incomodar.
-Não,
claro que não! Eu quero que aproveitem. Disse ele seguindo na frente.
A
casa era tão bonita por dentro quanto por fora. Uma ampla sala, bem decorada e
moderna, logo à frente uma enorme sala de jantar, com direito a cristaleira e
lustres luxuosos, uma escada enorme nos levava para os andares de cima. Cinco
suítes ficavam no segundo andar, e quatro suítes no terceiro andar, que eram os
quartos dos irmãos e dos pais de João e Bruno, e um outro de hóspedes.
-Aqui
está! Disse João Pedro abrindo a porta do quarto para mim e para Malu. Era um
quarto imenso, com uma cama no mínimo super king.
-Obrigada,
João Pedro. Disse Malu.
João
sorriu mas não disse nada.
-João
Pedro, muito obrigada, fico te devendo uma. Eu disse dando um sorriso para ele,
que me encarou novamente e sorriu.
-Meninas,
fiquem à vontade. Ele disse saindo em seguida.
Entramos
no quarto dele, eu olhei para Malu e ela soltou um sorriso.
-Puts,
que gato. Percebi que ele não parou de encarar você.
-Malu,
nem começa hein!
Malu
revirou os olhos, divertindo-se ao me ver encabulada.
Demos
uma olhada em todo o quarto, que era suíte, e tinha uma vista maravilhosa de
frente para o mar. Eu e Malu involuntariamente, sem que combinássemos, nos
jogamos na cama imensa, rindo feito bobas.
-Amiga,
você não faz ideia do quanto estou feliz por você estar aqui comigo.
-Espero
que seu irmão pense como você. Eu disse séria olhando para o teto.
Em
seguida uma olhou para outra.
-Nãoooooo!
Dissemos juntas e começamos a rir novamente.
Fomos
para o mar com os amigos da Malu, depois para a piscina, em seguida jogamos
vôlei. Fomos almoçar já era bem tarde. Fiz amizade com Paula e Guilherme, com
Monique e Paulinho que também namoravam, Carlos e Antonela que estavam apenas
ficando, assim como Marcos e Letícia, Hugo e Renata e com as meninas Sabrina e
Flavinha. Eram essas as pessoas que passariam cerca de um mês comigo. Se Otávio
visse com certeza ele morreria de ódio.
No
final da tarde, enquanto Malu estava conversando com o pessoal, fui me arrumar
para dar uma corrida na praia. Fui para o quarto, coloquei um short, uma
regatinha e tênis. Passei pela cozinha e resolvi pegar uma água antes de sair.
João Pedro estava preparando uma porção de frios para ele e os garotos.
-Oi.
Ele disse.
-Oi,
vou pegar uma água.
João
só fez que sim com a cabeça. Abri a geladeira e em uma fração de segundos
bummm!!! Três refratários lotados de panquecas que possivelmente seriam para o
jantar caíram, voando panquecas, molho de tomate por todo lado.
Eu
fiquei em pânico, não sabia se segurava as garrafas de água mineral que também
começaram a cair, se fechava a porta da geladeira, se segurava os refratários
ou se me afogava na pia.
-Calma,
calma. Disse João Pedro me ajudando com as garrafinhas de água.
-Desculpa,
desculpa... Meu Deus que vergonha.
Ele
começou a rir.
-Calma,
Alice. Isso acontece.
-Não,
não acontece. Eu disse me abaixando imediatamente e começando a limpar toda a
sujeira.
João
Pedro pegou o lixo sobre a pia e me ajudou a limpar toda a bagunça. Ele não
sabia se ria ou se me acalmava.
-Eu
juro que não sou tão estabanada assim, acho que os refratários escorregaram,
sei lá.
João
Pedro sentou-se, colocou o dedo no molho em seguida carimbou a ponta do meu
nariz, me deixando ainda mais suja.
-Calma!
Quando eu peguei os frios na geladeira, eu não devo ter colocado corretamente
as travessas, mas fica tranquila, nós vamos dar um jeito, já estamos dando. Ah,
por sinal, você ficou muito bonita à bolonhesa.
Eu
balancei a cabeça e acabei sorrindo. Levamos cerca de uma hora para limpar toda
a bagunça. Eu não tinha nem como voltar para o quarto daquela maneira, pois
meus pés e minhas pernas, estavam cheias de restos de molhos, pedaços de
panquecas.
Assim
que a cozinha estava um brinco novamente, e sem vestígios do acidente, João me
levou até a lavanderia, onde havia uma ducha enorme. Eu retirei toda a minha
roupa, meu tênis, meia, ficando apenas de biquíni, em seguida me lavei toda.
Quando vi, João estava me observando, parecendo se divertir. Assim que acabei
de me lavar, João Pedro me trouxe um roupão branco, no qual me enrolei.
-Eu
não sei nem o que te dizer. Obrigada mais uma vez.
Ele
sorriu, balançou a cabeça.
-Já
disse, você não precisa me agradecer. Foi um acidente.
-Quer
saber? Eu nunca mais comerei panquecas em minha vida. Eu disse revirando os
olhos.
-Quer
saber? Toda vez que eu ver uma panqueca na frente, me lembrarei de você, com
certeza. Ele disse sorrindo.
Fui
para o quarto, onde lá tomei um banho de verdade, com sabonete, shampoo,
condicionador. Coloquei um short branco e uma camisa de manga longa estampada,
com as mangas dobradas, e um all star converse branco. Sequei meus cabelos pretos
e passei uma maquiagem de leve apenas para realçar meus olhos. Chequei meu
celular e não havia nenhum sinal de Otávio, melhor assim. Pensei comigo mesma.
3
Full House
Quando
desci já estava anoitecendo. Os meninos jogavam cartas, e Bruno quando me viu
passando, fez sinal me chamando.
-Você
joga?
-É
pôquer?
-Sim.
Você sabe?
-Até
que sei. Eu disse mentindo. Se tinha uma coisa que eu fazia muito bem era jogar
pôquer, aprendi com meu pai, todas as manhas e técnicas.
-Posso?
Eu disse apontando para a mesa.
-Opa,
com certeza, disse-me Bruno.
Então
eu sentei-me com os meninos. Todos pareciam sérios, mas quando eu me sentei
eles provavelmente duvidaram dos meus dons.
Começamos
a jogar o Texas Holdem. João Pedro fez a aposta inicial, na sequência foi o
Guilherme. Definido isso, cada jogador recebeu duas cartas, Bruno ao ver suas
cartas, desistiu, Guilherme passou, então ficamos apenas eu, João Pedro e o
Paulinho, então seguimos para o Flop onde as três cartas foram colocadas sobre
a mesa, e outra rodada de apostas na sequência. Terminada a rodada de apostas,
João Pedro apresentou o Turn, a quarta carta comunitária, onde outra rodada de
apostas foi feita. Após a rodada de apostas e do Turn, João apresentou o River,
eu sorria por dentro. Eu fui a última jogadora a mostrar as cartas, e eram um
Full House. Os meninos ficaram doidos, e jogamos novamente. A próxima rodada,
restamos apenas eu e o João, e no final eu tinha uma quadra, mas o João Pedro também.
Porém minha quadra era de valor mais alto.
Os
meninos começaram a zoar, e fizemos outra rodada. Desta vez, fiquei por último
com Bruno, mas eu terminei a partida com outro Full House.
João
Pedro me olhava descrente, parecia se divertir com a situação. Nessa altura já
tínhamos plateia. Malu chegou a gritar que se eu estivesse jogando, era bom os
meninos desistirem.
Na
última rodada, eu fiquei com João Pedro novamente. E eu tinha em mãos um
Straight Flush , então não havia nem o que dizer. Todos bateram palmas. João
Pedro me olhou balançando a cabeça positivamente.
-Confesso
que nunca vi uma garota jogar como você.
-Eu
nunca vi ninguém jogar como ela. Disse Bruno.
Eu
me levantei e João veio em minha direção.
-Parabéns
Alice. Foi uma honra dividir a mesa com você.
Eu
sorri para ele.
-Aprendi
algumas coisas com meu pai. Falei dando-lhe um meio sorriso.
Mais
tarde, estávamos todos sentados na areia, em frente ao mar. Guilherme tocava
violão e nós ficamos ao redor dele. Malu estava ao lado de Bruno, os dois
pareciam estar se entendendo.
Sabrina
saiu, mas depois voltou aflita.
-Gente,
a dona Val havia deixado nosso jantar na geladeira. Alguém tirou de lá? Porque
eu procurei por toda parte; eu ia esquentar as panquecas para jantarmos.
Todos
se entreolharam sem saber de nada. Eu devo ter ficado roxa de vergonha. João
Pedro olhou para mim, soltando um sorrisinho. Eu levantei minha mão e todos me
olharam.
-Gente,
houve um acidente. Eu fui tirar os frios para fazer umas porções e acho que não
coloquei as travessas corretamente. Então desmoronou tudo. A Alice precisou me
ajudar com a sujeira. Disse João falando antes de mim.
Eu
olhei para ele sem reação.
-Ô
loco, cara, era nosso jantar! Deixei para pegar as coisas do churrasco só
amanhã, e agora? Questionou Bruno.
-Agora,
eu pego umas pizzas. Disse João Pedro dando de ombros.
-Eu
ajudo. Eu disse tirando uns cem reais do meu bolso, já que a culpa era toda
minha. Feito isso, todo mundo começou a colaborar com a vaquinha. Juntamos
dinheiro mais do que o suficiente. Então João levantou-se e veio até mim.
-Acho
que vou precisar de ajuda. Você vem comigo?
Ele
estava praticamente me intimando.
-Eu
não sei, e se eu derrubar as pizzas? Disse sorrindo.
-Não
se preocupe. Dessa vez eu ajudo você.
-Nesse
caso, vamos!
Avisei
a Malu, e quando estávamos saindo, Malu e Bruno correram vieram atrás de nós. O
que para mim foi um alívio, pois estava em pânico só de pensar em sair sozinha
de carro com João Pedro.
Fomos
conversando e dando muitas risadas durante o caminho. Mas João não comentou
absolutamente nada sobre o acidente com as panquecas. Eu e ele entramos na
pizzaria e Malu ficou com Bruno do lado de fora, na hora de pagar a conta, João
devolveu meu dinheiro.
-Não,
nem pensar. Se você não aceitar eu vou embora. Eu disse ficando irritada.
-Você
está louca, tem dinheiro para um batalhão de pizzas aqui. O dinheiro vai
sobrar.
-Você
se esqueceu que eu já tirei dinheiro de vocês o suficiente, durante o jogo?
-Ah,
é? Então espera, eu tenho um novo destino para esse dinheiro.
Fiquei
curiosa, mas não disse nada.
Quando
voltamos para o carro, Malu e Bruno estavam se beijando. Eu fiquei totalmente
sem graça, ela mal conhecia o garoto. João me olhou e deu risada.
Abrimos
a porta e eles pararam imediatamente, dando risadinhas no banco de trás. João
saiu da pizzaria e parou em uma casa de bebidas. Voltou daí uns instantes com
duas sacolas, com cinco garrafas de champanhe Veuve Clicquot
Brut, energéticos e uma garrafa de uísque. Era obvio que ele gastara no mínimo
seis vezes a mais do que o valor que dei a ele.
-Você
é louco? Perguntei.
-Não!
Você se lembra que hoje mais cedo me disse que me devia uma? Pronto, vai ter
que me acompanhar hoje à noite.
-Opa,
e nós? Indagou Bruno.
-Vocês
também, é claro. Completou João Pedro.
Eu
só pensava em Otávio e no que ele pensaria de mim, quando soubesse de tudo.
Depois
do jantar, todos ajudamos com a bagunça. Deixando a casa organizada. Uns foram
para a piscina, outro foram cantar em volta de uma grande fogueira na areia,
mas João Pedro, pegou um balde de champanhe com gelo, colocou as bebidas e me
pegou pela mão. Malu viu aquela cena e sorriu sem dizer nada e novamente ela e
Bruno vieram atrás de nós.
Ficamos
mais afastados da casa, em frente ao mar, sentados na areia e bebendo. Conversamos sobre músicas, bandas favoritas,
programas favoritos, mas qualquer assunto que surgisse era motivo de muitas
risadas. Já tínhamos bebido quase todo o uísque com energético e quase todo o champanhe. Eu estava ficando alta, assim
como os outros. Malu e Bruno saíram provavelmente ficariam mais uma vez.
João
Pedro me olhou com um sorriso malicioso.
-Mas,
me fala uma coisa, percebi que você namora, e o que uma garota com namorado faz
aqui sozinha?
-João Pedro, eu não quero que você faça mal
juízo de mim, não sou esse tipo de garota que você está pensando.
-Não
Alice, não quis dizer isso, me desculpa se eu me expressei errado.
-Não,
eu sei. Eu namoro sim, namoro o irmão da Malu, é que ele está morando em
Vancouver.
-Que
bacana. Eu não sabia que você namorava o irmão da sua amiga. Deve ser bem legal.
-É,
eu namoro com ele desde os meus doze anos.
Fiu...Assobiou
João.
-É
tempo hein!
-Pois
é!
Eu
fiquei calada pensando no Otávio.
-É
complicado meu namoro. O Otávio é uma pessoa extremamente ciumenta,
absurdamente possessivo, você não faz ideia. Eu disse com olhar triste olhando
na direção do mar.
-Mas
como assim? Não me diga que ele só deixou você vir porque a irmã dele está
junto?
-Não!
Ele nem sonha que eu estou aqui. Eu disse fazendo careta.
-Sério?
Eu
sorri, passei a mão pelos meus cabelos.
-É!
Na verdade, ele não me deixa fazer absolutamente nada. Nem ao cinema com as
amigas eu posso ir. Até algumas festas de família eu preciso inventar
desculpas, pois se ele não estiver junto, ele diz que não é “prudente” que eu
vá sozinha. Minha mãe fechou um cruzeiro por toda a Europa com a minha família
agora nas férias. Ela comprou nossas passagens e me fez uma surpresa. Mas
quando eu contei a ele, ele quase morreu, aliás, quase me matou por telefone.
Ele não admitia que eu fosse. E ficamos dias, semanas brigando mesmo à distância
por causa dessa viagem. Por isso eu desisti.
-Com
a sua mãe?
-É
com a minha mãe, tios, primos, enfim. Eu desisti. Mas acontece que ele está lá,
e está despontando no trabalho cada dia mais. Ele é cientista da computação.
Hoje mesmo ele está em um coquetel em homenagem a ele e à equipe dele. E eu
aceitei em ficar sozinha, um mês, pois minha mãe ficará mais de três semanas
fora. E quando a Malu chegou em meu apartamento e soube que eu havia cancelado
a viagem me deixou louca, pois não se conformava que eu ficasse sozinha, e insistiu,
insistiu, até que eu resolvi aceitar. Mas se hoje ele não me ligar, amanhã ele
ligará com certeza e então terei que contar e enfrentar a fera.
-Caramba,
mas esse cara não confia em você?
-Ele
confia, mas ele é assim desde o começo. Ele começou a namorar comigo, eu era
muito nova, talvez isso seja excesso de cuidado.
-É
complicado isso Alice, porque você precisa ter sua vida também, assim como ele
está tocando a vida dele no Canadá.
-É
e foi por isso que eu aceitei vir. Mas quando ele souber, eu não sei o que irá
acontecer.
Nós
dois ficamos calados.
Eu
comecei a rir.
-Se
ele me visse aqui, sentada com você, e ainda por cima alcoolicamente alterada
ele teria um treco. Não quero nem pensar.
-Mas
você está com a irmã dele, ele precisa confiar em você, sem confiança, amor
nenhum resisti.
-É,
eu sei. Respondi pensativa.
-Mas
e você, onde está sua namorada?
-Eu
não tenho. Quer dizer, eu tinha até um mês atrás, ela faz medicina, e eu
descobri que ela estava e está tendo um caso com o professor.
-Nossa
que chato.
-É,
para você ver. Mas eu superei. Foi uma barra, foi a maior desilusão da minha
vida, nós namorávamos quatro anos e ela aprontou isso comigo. Dizem que o caso
dos dois vem de um ano atrás, então, não tem nem o que dizer.
-Eu
sinto muito.
-Não,
não sinta. Eu estou bem agora. No começo achei que nunca mais me interessaria
por ninguém, era como se você fosse morrer sem ela, mas agora passou. Eu
confesso que conheci uma garota que mexeu comigo de uma forma inexplicável.
-Sério?
Que bom. Ela é de onde?
-Eu
não sei ainda o certo, mas irei descobrir, depois te falo.
Eu
achei estranho, mas não disse nada.
-E
o que você faz? Ele indagou.
-Bom,
eu faço jornalismo, estou indo para o terceiro ano. Amo escrever, amo ler.
Puxei para o meu pai (fiz uma pausa) ele já faleceu.
-Eu
sinto muito.
-É,
nem me fale. Mas é uma dor que você passa a se acostumar com ela.
-Eu
imagino o quão duro seja. Ele disse compassivo. -E você mora onde?
-Eu
moro em Curitiba, e estudo lá também. Não quis deixar minha mãe sozinha. Ela é
desmiolada, então alguém precisa cuidar dela.
João
Pedro deu risada.
-Sua
mãe, como assim?
-Minha
mãe não é uma mãe convencional. Ela parece uma mocinha, ela quer ser uma
mocinha, vive arrumando garotos da minha idade. Ela e meu pai estavam separados
quando ele faleceu, ele sempre a amou, mas ela nunca deu valor a ele. Talvez
isso que o matou aos poucos, vai saber.
4
É
um prazer conhecê-lo
Uma
certa tristeza invadiu meu peito, lembrando das vezes que eu via meu pai
chorando por causa da minha mãe.
-Agora
me fala de você.
-Bom,
meu nome é João Pedro. Ele disse dando um sorriso. Eu sou advogado há quase
dois anos. Meu pai é juiz, então as coisas meio que fluíram para mim. E eu amo
o que eu faço. Há alguns meses, prestei um concurso para promotoria pública e
passei. Começo a trabalhar na promotoria em março, e por sinal é em Curitiba.
-Sério?
Você vai amar morar lá. Bom, eu adoro.
-Até
então eu não estava muito animado para mudar de cidade, mas confesso que mudei
de ideia.
Ele
olhou para mim e isso fez com que eu sentisse um frio na barriga.
-A
cidade é ótima você vai ver. Eu disse disfarçando o nervosismo.
Nisso
Malu e Bruno voltaram, abraçadinhos e voltamos a beber.
João
Pedro disse a ela que não sabia que ela era minha cunhada, e ela disse sobre o
ciúme do Otávio. Ficamos conversando até quatro horas da manhã. Então quando
todas as bebidas haviam acabado, voltamos para a casa. Todos alterados por
sinal.
Tinha
dois casais na sala assistindo filme, outros na cozinha. Malu e Bruno pararam
por lá, mas eu me despedi deles e fui dormir. João Pedro me acompanhou até a
porta do quarto.
-Boa
noite Alice, obrigada pela companhia.
-João,
eu quem preciso agradecer, estava ótimo.
-Ah,
eu descobri onde mora a garota da qual falei.
-É
sério? Onde? Perguntei sem graça.
-Curitiba!
Bons sonhos. Disse ele saindo em seguida, sem ao menos ver a minha reação.
Me
tranquei no quarto e fiquei pensando nos últimos acontecimentos e confesso não
ter sentido orgulho de mim, eu estava balançada por uma pessoa que eu tinha
acabado de conhecer.
Peguei
meu celular e tinha uma mensagem do Otávio.
Amor, não consegui ligar para você!
Mas está saindo tudo conforme eu planejei, tudo está dando certo. Agora vamos
sair para comemorar, te ligo amanhã sem falta. Amo Você!!!
O.
Amores não deixem de seguir o blog!!!
Amanhã tem mais.
Bjokas
Érika

ESTOU AMANDO.....
ResponderExcluirQuero maissss
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