sábado, 23 de maio de 2015

" Recomeços " Parte 02

 " Recomeços "

Parte 02

Malu falou, falou, falou. Uma coisa ela e Otávio tinham em comum, ambos tinham o poder de persuasão incrível. Tanto que depois de muita insistência acabei aceitando, mesmo morrendo de medo da reação dele.
 Malu ficou eufórica, correndo pelo apartamento e gritando feito doida.
Enquanto tentava falar com o irmão de Malu, ela foi para a casa dela arrumar as malas e logo voltou para meu apartamento, pois dormiria comigo para que eu não ficasse sozinha, assim sairíamos bem cedo no dia seguinte.
Fiquei desesperada sem saber o que fazer, tentei falar com o Otávio novamente, mas ele não atendia o celular. Depois de muitas tentativas, Otávio me ligou e disse que estava de saída para comemorar a apresentação do trabalho dele que tinha sido um sucesso.  Eu o parabenizei, mas ele precisou desligar antes mesmo que eu falasse sobre a viagem. E aquilo me deixou enfurecida. Peguei minha mala e comecei a selecionar as roupas que eu levaria. Decidi então em não ficar em casa, mendigando por ligações rápidas de Otávio.
Acordamos muito cedo e saímos após o café da manhã. Como Malu não sabia o endereço da casa de praia, os amigos dela combinaram de nos encontrar em Florianópolis.
Assim que chegamos no posto de gasolina em Florianópolis, o qual havíamos combinado de encontrarmos os amigos da Malu, um rapaz alto, louro de olhos azuis e corpo saradinho, como disse Malu, veio em nossa direção. Era o Bruno.
 Bruno era totalmente simpático, educado e charmoso. Malu ficou encantada, e não tirava os olhos dele. Depois alguém o chamou, ele se afastou de nós. Nesse momento Malu pegou em minha mão.
-Alice, acho que estou apaixonada. Que cara lindo, puta que pariu!
Eu sorri em ver a reação dela. Bruno voltou após alguns instantes.
-Só tem um problema meninas. A casa tem nove quartos, mas um deles é o dos meus pais, então esse não usaremos; eu optei em deixar um quarto para cada casal, a Malu iria ficar no quarto que tem três camas de solteiro, onde mais duas amigas minhas ficarão também. Quando ela me falou sobre você Alice, eu pensei em coloca-las no quarto do meu irmão, mas em cima da hora ele resolveu vir, então se não tiver problema, você dorme com as meninas, mas nesse caso terá que colocar um colchão no chão.
Nós nos entreolhamos, isso afinal não era problema algum.
-Bruno, fica tranquilo, não tem problema algum, eu durmo em qualquer lugar.
Nisso um rapaz alto, cabelos castanhos claros, olhos verdes, e com um corpo de tirar o fôlego, parou perto de nós.
-Tá tudo certo? Vamos nessa? Ele disse para Bruno e em seguida me encarou.
-Oi...
-Oi. Eu respondi sem graça.
-Esse é o meu irmão João Pedro. Disse Bruno.
-João essa é a Alice, e a Malu. Bruno disse encarando a Malu.
Nós nos cumprimentamos.
-Então João, a Alice decidiu vir de última hora também cara, como você; então nesse caso, elas dormirão no quarto com a Sabrina e a Flavinha, mas o problema é que a Alice vai ter que colocar um colchão no chão.
-Bruno, fica tranquilo, eu me viro. Isso não é problema nenhum. Eu disse em seguida.
-Não, claro que não! Elas podem ficar em meu quarto. É grande, espaçoso. Eu fico no seu meu irmão. Disse João Pedro batendo o ombro em Bruno.
Em seguida ele me olhou novamente, me deixando sem reação.
-João Pedro não precisa se incomodar, eu fico com as outras meninas sem nenhum problema.
-Alice, não é incomodo algum, pode ficar tranquila, eu fico no quarto do Bruno, eu nem sei ao certo quantos dias eu vou ficar. Não é Brunão? Falou João dando um tapinha no ombro de Bruno.
Bruno sorriu e concordou com a cabeça, sem tirar os olhos de Malu.
Depois de conhecermos todo o pessoal que ficaria na casa, voltamos para a estrada, cada um em seus carros. E um pouco mais de uma hora chegamos até a casa de praia dos meninos, que por sinal era uma senhora de uma casa de praia com três andares, uma enorme área de lazer, piscina com a vista para o mar, era um verdadeiro luxo.
Pegamos nossas malas e quando estávamos indo em direção a casa, João Pedro nos abordou no meio do caminho.
-Alice e Malu, vamos que eu vou mostrar meu quarto pra vocês.
-João, não se preocupe, fica você em seu quarto, eu e a Malu ficamos com as outras meninas, não queremos incomodar.
-Não, claro que não! Eu quero que aproveitem. Disse ele seguindo na frente.
A casa era tão bonita por dentro quanto por fora. Uma ampla sala, bem decorada e moderna, logo à frente uma enorme sala de jantar, com direito a cristaleira e lustres luxuosos, uma escada enorme nos levava para os andares de cima. Cinco suítes ficavam no segundo andar, e quatro suítes no terceiro andar, que eram os quartos dos irmãos e dos pais de João e Bruno, e um outro de hóspedes.
-Aqui está! Disse João Pedro abrindo a porta do quarto para mim e para Malu. Era um quarto imenso, com uma cama no mínimo super king.
-Obrigada, João Pedro. Disse Malu.
João sorriu mas não disse nada.
-João Pedro, muito obrigada, fico te devendo uma. Eu disse dando um sorriso para ele, que me encarou novamente e sorriu.
-Meninas, fiquem à vontade. Ele disse saindo em seguida.
Entramos no quarto dele, eu olhei para Malu e ela soltou um sorriso.
-Puts, que gato. Percebi que ele não parou de encarar você.
-Malu, nem começa hein!
Malu revirou os olhos, divertindo-se ao me ver encabulada.
Demos uma olhada em todo o quarto, que era suíte, e tinha uma vista maravilhosa de frente para o mar. Eu e Malu involuntariamente, sem que combinássemos, nos jogamos na cama imensa, rindo feito bobas.
-Amiga, você não faz ideia do quanto estou feliz por você estar aqui comigo.
-Espero que seu irmão pense como você. Eu disse séria olhando para o teto.
Em seguida uma olhou para outra.
-Nãoooooo! Dissemos juntas e começamos a rir novamente.
Fomos para o mar com os amigos da Malu, depois para a piscina, em seguida jogamos vôlei. Fomos almoçar já era bem tarde. Fiz amizade com Paula e Guilherme, com Monique e Paulinho que também namoravam, Carlos e Antonela que estavam apenas ficando, assim como Marcos e Letícia, Hugo e Renata e com as meninas Sabrina e Flavinha. Eram essas as pessoas que passariam cerca de um mês comigo. Se Otávio visse com certeza ele morreria de ódio.
No final da tarde, enquanto Malu estava conversando com o pessoal, fui me arrumar para dar uma corrida na praia. Fui para o quarto, coloquei um short, uma regatinha e tênis. Passei pela cozinha e resolvi pegar uma água antes de sair. João Pedro estava preparando uma porção de frios para ele e os garotos.
-Oi. Ele disse.
-Oi, vou pegar uma água.
João só fez que sim com a cabeça. Abri a geladeira e em uma fração de segundos bummm!!! Três refratários lotados de panquecas que possivelmente seriam para o jantar caíram, voando panquecas, molho de tomate por todo lado.
Eu fiquei em pânico, não sabia se segurava as garrafas de água mineral que também começaram a cair, se fechava a porta da geladeira, se segurava os refratários ou se me afogava na pia.
-Calma, calma. Disse João Pedro me ajudando com as garrafinhas de água.
-Desculpa, desculpa... Meu Deus que vergonha.
Ele começou a rir.
-Calma, Alice. Isso acontece.
-Não, não acontece. Eu disse me abaixando imediatamente e começando a limpar toda a sujeira.
João Pedro pegou o lixo sobre a pia e me ajudou a limpar toda a bagunça. Ele não sabia se ria ou se me acalmava.
-Eu juro que não sou tão estabanada assim, acho que os refratários escorregaram, sei lá.
João Pedro sentou-se, colocou o dedo no molho em seguida carimbou a ponta do meu nariz, me deixando ainda mais suja.
-Calma! Quando eu peguei os frios na geladeira, eu não devo ter colocado corretamente as travessas, mas fica tranquila, nós vamos dar um jeito, já estamos dando. Ah, por sinal, você ficou muito bonita à bolonhesa.
Eu balancei a cabeça e acabei sorrindo. Levamos cerca de uma hora para limpar toda a bagunça. Eu não tinha nem como voltar para o quarto daquela maneira, pois meus pés e minhas pernas, estavam cheias de restos de molhos, pedaços de panquecas.
Assim que a cozinha estava um brinco novamente, e sem vestígios do acidente, João me levou até a lavanderia, onde havia uma ducha enorme. Eu retirei toda a minha roupa, meu tênis, meia, ficando apenas de biquíni, em seguida me lavei toda. Quando vi, João estava me observando, parecendo se divertir. Assim que acabei de me lavar, João Pedro me trouxe um roupão branco, no qual me enrolei.
-Eu não sei nem o que te dizer. Obrigada mais uma vez.
Ele sorriu, balançou a cabeça.
-Já disse, você não precisa me agradecer. Foi um acidente.
-Quer saber? Eu nunca mais comerei panquecas em minha vida. Eu disse revirando os olhos.
-Quer saber? Toda vez que eu ver uma panqueca na frente, me lembrarei de você, com certeza. Ele disse sorrindo.
Fui para o quarto, onde lá tomei um banho de verdade, com sabonete, shampoo, condicionador. Coloquei um short branco e uma camisa de manga longa estampada, com as mangas dobradas, e um all star converse branco. Sequei meus cabelos pretos e passei uma maquiagem de leve apenas para realçar meus olhos. Chequei meu celular e não havia nenhum sinal de Otávio, melhor assim. Pensei comigo mesma.
3
Full House
Quando desci já estava anoitecendo. Os meninos jogavam cartas, e Bruno quando me viu passando, fez sinal me chamando.
-Você joga?
-É pôquer?
-Sim. Você sabe?
-Até que sei. Eu disse mentindo. Se tinha uma coisa que eu fazia muito bem era jogar pôquer, aprendi com meu pai, todas as manhas e técnicas.
-Posso? Eu disse apontando para a mesa.
-Opa, com certeza, disse-me Bruno.
Então eu sentei-me com os meninos. Todos pareciam sérios, mas quando eu me sentei eles provavelmente duvidaram dos meus dons.
Começamos a jogar o Texas Holdem. João Pedro fez a aposta inicial, na sequência foi o Guilherme. Definido isso, cada jogador recebeu duas cartas, Bruno ao ver suas cartas, desistiu, Guilherme passou, então ficamos apenas eu, João Pedro e o Paulinho, então seguimos para o Flop onde as três cartas foram colocadas sobre a mesa, e outra rodada de apostas na sequência. Terminada a rodada de apostas, João Pedro apresentou o Turn, a quarta carta comunitária, onde outra rodada de apostas foi feita. Após a rodada de apostas e do Turn, João apresentou o River, eu sorria por dentro. Eu fui a última jogadora a mostrar as cartas, e eram um Full House. Os meninos ficaram doidos, e jogamos novamente. A próxima rodada, restamos apenas eu e o João, e no final eu tinha uma quadra, mas o João Pedro também. Porém minha quadra era de valor mais alto.
Os meninos começaram a zoar, e fizemos outra rodada. Desta vez, fiquei por último com Bruno, mas eu terminei a partida com outro Full House.
João Pedro me olhava descrente, parecia se divertir com a situação. Nessa altura já tínhamos plateia. Malu chegou a gritar que se eu estivesse jogando, era bom os meninos desistirem.
Na última rodada, eu fiquei com João Pedro novamente. E eu tinha em mãos um Straight Flush , então não havia nem o que dizer. Todos bateram palmas. João Pedro me olhou balançando a cabeça positivamente.
-Confesso que nunca vi uma garota jogar como você.
-Eu nunca vi ninguém jogar como ela. Disse Bruno.
Eu me levantei e João veio em minha direção.
-Parabéns Alice. Foi uma honra dividir a mesa com você.
Eu sorri para ele.
-Aprendi algumas coisas com meu pai. Falei dando-lhe um meio sorriso.
Mais tarde, estávamos todos sentados na areia, em frente ao mar. Guilherme tocava violão e nós ficamos ao redor dele. Malu estava ao lado de Bruno, os dois pareciam estar se entendendo.
Sabrina saiu, mas depois voltou aflita.
-Gente, a dona Val havia deixado nosso jantar na geladeira. Alguém tirou de lá? Porque eu procurei por toda parte; eu ia esquentar as panquecas para jantarmos.
Todos se entreolharam sem saber de nada. Eu devo ter ficado roxa de vergonha. João Pedro olhou para mim, soltando um sorrisinho. Eu levantei minha mão e todos me olharam.
-Gente, houve um acidente. Eu fui tirar os frios para fazer umas porções e acho que não coloquei as travessas corretamente. Então desmoronou tudo. A Alice precisou me ajudar com a sujeira. Disse João falando antes de mim.
Eu olhei para ele sem reação.
-Ô loco, cara, era nosso jantar! Deixei para pegar as coisas do churrasco só amanhã, e agora? Questionou Bruno.
-Agora, eu pego umas pizzas. Disse João Pedro dando de ombros.
-Eu ajudo. Eu disse tirando uns cem reais do meu bolso, já que a culpa era toda minha. Feito isso, todo mundo começou a colaborar com a vaquinha. Juntamos dinheiro mais do que o suficiente. Então João levantou-se e veio até mim.
-Acho que vou precisar de ajuda. Você vem comigo?
Ele estava praticamente me intimando.
-Eu não sei, e se eu derrubar as pizzas? Disse sorrindo.
-Não se preocupe. Dessa vez eu ajudo você.
-Nesse caso, vamos!
Avisei a Malu, e quando estávamos saindo, Malu e Bruno correram vieram atrás de nós. O que para mim foi um alívio, pois estava em pânico só de pensar em sair sozinha de carro com João Pedro.
Fomos conversando e dando muitas risadas durante o caminho. Mas João não comentou absolutamente nada sobre o acidente com as panquecas. Eu e ele entramos na pizzaria e Malu ficou com Bruno do lado de fora, na hora de pagar a conta, João devolveu meu dinheiro.
-Não, nem pensar. Se você não aceitar eu vou embora. Eu disse ficando irritada.
-Você está louca, tem dinheiro para um batalhão de pizzas aqui. O dinheiro vai sobrar.
-Você se esqueceu que eu já tirei dinheiro de vocês o suficiente, durante o jogo?
-Ah, é? Então espera, eu tenho um novo destino para esse dinheiro.
Fiquei curiosa, mas não disse nada.
Quando voltamos para o carro, Malu e Bruno estavam se beijando. Eu fiquei totalmente sem graça, ela mal conhecia o garoto. João me olhou e deu risada.
Abrimos a porta e eles pararam imediatamente, dando risadinhas no banco de trás. João saiu da pizzaria e parou em uma casa de bebidas. Voltou daí uns instantes com duas sacolas, com cinco garrafas de champanhe Veuve Clicquot Brut, energéticos e uma garrafa de uísque. Era obvio que ele gastara no mínimo seis vezes a mais do que o valor que dei a ele.
-Você é louco? Perguntei.
-Não! Você se lembra que hoje mais cedo me disse que me devia uma? Pronto, vai ter que me acompanhar hoje à noite.
-Opa, e nós? Indagou Bruno.
-Vocês também, é claro. Completou João Pedro.
Eu só pensava em Otávio e no que ele pensaria de mim, quando soubesse de tudo.
Depois do jantar, todos ajudamos com a bagunça. Deixando a casa organizada. Uns foram para a piscina, outro foram cantar em volta de uma grande fogueira na areia, mas João Pedro, pegou um balde de champanhe com gelo, colocou as bebidas e me pegou pela mão. Malu viu aquela cena e sorriu sem dizer nada e novamente ela e Bruno vieram atrás de nós.
Ficamos mais afastados da casa, em frente ao mar, sentados na areia e bebendo.  Conversamos sobre músicas, bandas favoritas, programas favoritos, mas qualquer assunto que surgisse era motivo de muitas risadas. Já tínhamos bebido quase todo o uísque com energético e quase todo o champanhe.  Eu estava ficando alta, assim como os outros. Malu e Bruno saíram provavelmente ficariam mais uma vez.
João Pedro me olhou com um sorriso malicioso.
-Mas, me fala uma coisa, percebi que você namora, e o que uma garota com namorado faz aqui sozinha?
 -João Pedro, eu não quero que você faça mal juízo de mim, não sou esse tipo de garota que você está pensando.
-Não Alice, não quis dizer isso, me desculpa se eu me expressei errado.
-Não, eu sei. Eu namoro sim, namoro o irmão da Malu, é que ele está morando em Vancouver.
-Que bacana. Eu não sabia que você namorava o irmão da sua amiga. Deve ser bem legal.
-É, eu namoro com ele desde os meus doze anos.
Fiu...Assobiou João.
-É tempo hein!
-Pois é!
Eu fiquei calada pensando no Otávio.
-É complicado meu namoro. O Otávio é uma pessoa extremamente ciumenta, absurdamente possessivo, você não faz ideia. Eu disse com olhar triste olhando na direção do mar.
-Mas como assim? Não me diga que ele só deixou você vir porque a irmã dele está junto?
-Não! Ele nem sonha que eu estou aqui. Eu disse fazendo careta.
-Sério?
Eu sorri, passei a mão pelos meus cabelos.
-É! Na verdade, ele não me deixa fazer absolutamente nada. Nem ao cinema com as amigas eu posso ir. Até algumas festas de família eu preciso inventar desculpas, pois se ele não estiver junto, ele diz que não é “prudente” que eu vá sozinha. Minha mãe fechou um cruzeiro por toda a Europa com a minha família agora nas férias. Ela comprou nossas passagens e me fez uma surpresa. Mas quando eu contei a ele, ele quase morreu, aliás, quase me matou por telefone. Ele não admitia que eu fosse. E ficamos dias, semanas brigando mesmo à distância por causa dessa viagem. Por isso eu desisti.
-Com a sua mãe?
-É com a minha mãe, tios, primos, enfim. Eu desisti. Mas acontece que ele está lá, e está despontando no trabalho cada dia mais. Ele é cientista da computação. Hoje mesmo ele está em um coquetel em homenagem a ele e à equipe dele. E eu aceitei em ficar sozinha, um mês, pois minha mãe ficará mais de três semanas fora. E quando a Malu chegou em meu apartamento e soube que eu havia cancelado a viagem me deixou louca, pois não se conformava que eu ficasse sozinha, e insistiu, insistiu, até que eu resolvi aceitar. Mas se hoje ele não me ligar, amanhã ele ligará com certeza e então terei que contar e enfrentar a fera.
-Caramba, mas esse cara não confia em você?
-Ele confia, mas ele é assim desde o começo. Ele começou a namorar comigo, eu era muito nova, talvez isso seja excesso de cuidado.
-É complicado isso Alice, porque você precisa ter sua vida também, assim como ele está tocando a vida dele no Canadá.
-É e foi por isso que eu aceitei vir. Mas quando ele souber, eu não sei o que irá acontecer.
Nós dois ficamos calados.
Eu comecei a rir.
-Se ele me visse aqui, sentada com você, e ainda por cima alcoolicamente alterada ele teria um treco. Não quero nem pensar.
-Mas você está com a irmã dele, ele precisa confiar em você, sem confiança, amor nenhum resisti.
-É, eu sei. Respondi pensativa.
-Mas e você, onde está sua namorada?
-Eu não tenho. Quer dizer, eu tinha até um mês atrás, ela faz medicina, e eu descobri que ela estava e está tendo um caso com o professor.
-Nossa que chato.
-É, para você ver. Mas eu superei. Foi uma barra, foi a maior desilusão da minha vida, nós namorávamos quatro anos e ela aprontou isso comigo. Dizem que o caso dos dois vem de um ano atrás, então, não tem nem o que dizer.
-Eu sinto muito.
-Não, não sinta. Eu estou bem agora. No começo achei que nunca mais me interessaria por ninguém, era como se você fosse morrer sem ela, mas agora passou. Eu confesso que conheci uma garota que mexeu comigo de uma forma inexplicável.
-Sério? Que bom. Ela é de onde?
-Eu não sei ainda o certo, mas irei descobrir, depois te falo.
Eu achei estranho, mas não disse nada.
-E o que você faz? Ele indagou.
-Bom, eu faço jornalismo, estou indo para o terceiro ano. Amo escrever, amo ler. Puxei para o meu pai (fiz uma pausa) ele já faleceu.
-Eu sinto muito.
-É, nem me fale. Mas é uma dor que você passa a se acostumar com ela.
-Eu imagino o quão duro seja. Ele disse compassivo. -E você mora onde?
-Eu moro em Curitiba, e estudo lá também. Não quis deixar minha mãe sozinha. Ela é desmiolada, então alguém precisa cuidar dela.
João Pedro deu risada.
-Sua mãe, como assim?
-Minha mãe não é uma mãe convencional. Ela parece uma mocinha, ela quer ser uma mocinha, vive arrumando garotos da minha idade. Ela e meu pai estavam separados quando ele faleceu, ele sempre a amou, mas ela nunca deu valor a ele. Talvez isso que o matou aos poucos, vai saber.

4
É um prazer conhecê-lo

Uma certa tristeza invadiu meu peito, lembrando das vezes que eu via meu pai chorando por causa da minha mãe.
-Agora me fala de você.
-Bom, meu nome é João Pedro. Ele disse dando um sorriso. Eu sou advogado há quase dois anos. Meu pai é juiz, então as coisas meio que fluíram para mim. E eu amo o que eu faço. Há alguns meses, prestei um concurso para promotoria pública e passei. Começo a trabalhar na promotoria em março, e por sinal é em Curitiba.
-Sério? Você vai amar morar lá. Bom, eu adoro.
-Até então eu não estava muito animado para mudar de cidade, mas confesso que mudei de ideia.
Ele olhou para mim e isso fez com que eu sentisse um frio na barriga.
-A cidade é ótima você vai ver. Eu disse disfarçando o nervosismo.
Nisso Malu e Bruno voltaram, abraçadinhos e voltamos a beber.
João Pedro disse a ela que não sabia que ela era minha cunhada, e ela disse sobre o ciúme do Otávio. Ficamos conversando até quatro horas da manhã. Então quando todas as bebidas haviam acabado, voltamos para a casa. Todos alterados por sinal.
Tinha dois casais na sala assistindo filme, outros na cozinha. Malu e Bruno pararam por lá, mas eu me despedi deles e fui dormir. João Pedro me acompanhou até a porta do quarto.
-Boa noite Alice, obrigada pela companhia.
-João, eu quem preciso agradecer, estava ótimo.
-Ah, eu descobri onde mora a garota da qual falei.
-É sério? Onde? Perguntei sem graça.
-Curitiba! Bons sonhos. Disse ele saindo em seguida, sem ao menos ver a minha reação.
Me tranquei no quarto e fiquei pensando nos últimos acontecimentos e confesso não ter sentido orgulho de mim, eu estava balançada por uma pessoa que eu tinha acabado de conhecer.
Peguei meu celular e tinha uma mensagem do Otávio.

Amor, não consegui ligar para você! Mas está saindo tudo conforme eu planejei, tudo está dando certo. Agora vamos sair para comemorar, te ligo amanhã sem falta. Amo Você!!!

O.




Amores não deixem de seguir o blog!!!
Amanhã tem mais.
Bjokas

Érika

2 comentários: