" Recomeços "
Parte 17
32
Casa comigo?
-André,
no próximo final de semana preciso ir a Curitiba.
André me
olhou pensativo.
-Por
quê? Aconteceu alguma coisa? Ou é a trabalho?
-Não, é
o aniversário da Malu e se eu não for ela me mata.
-Eu ia
visitar as meninas em Porto Alegre, e queria que você fosse comigo. Mas então
deixo para o próximo fim de semana. Assim posso ir com você.
Tomei um
gole do meu chá, tentando achar uma saída para meu problema.
-Humm,
então, é isso que queria fala com você. Na verdade, eu não sei se é uma boa
ideia você ir, quer dizer, eu adoraria, mas como toda a família do João Pedro
estará lá, e é tudo tão recente, e também não quero deixar a Malu em uma saia
justa. Você ficaria muito chateado se eu fosse sozinha?
André me
olhou consternado.
-Você
quem sabe Alice. Mas... (André fez uma pausa) por acaso você está tentando
esconder nosso relacionamento?
-Não,
claro que não. Eu só acho tudo muito recente e acho chato chegar acompanhada,
embora todos saibam que eu estou com alguém, assim como o João Pedro também
está. Mas a minha situação é diferente. Sei lá, tenho medo que eles pensam mal
de mim.
Ele
concordou com a cabeça, mas não disse nada. Após alguns minutos de puro
silêncio André resolveu olhar em meus olhos.
-Alice,
eu amo você e minhas intenções com você são as melhores, mas eu não quero ficar
sempre em segundo plano em sua vida. Eu percebi isso desde que sua mãe e sua
amiga vieram visitar você, você mal ficou comigo. Eu sei que fazia um tempo que
vocês não se falavam, por isso não me importei, mas desde então você tem se
afastado de mim e agora tem esse aniversário que você não quer me levar. Só que
eu não vou ficar implorando para ir junto, faça o que tem que ser feito.
-André,
não é isso. Eu só achei chato chegar a essa festa acompanhada, mas tudo bem,
vamos comigo.
Ele
levantou-se em seguida, colocando o jornal sobre a cadeira, pegou as chaves do
carro dele e foi até a porta. Quando ele abriu a porta, olhou para mim.
-Não se
preocupe Alice. Quer saber, já estou farto disso tudo.
André
saiu em seguida e desapareceu o final de semana inteiro. Tentei ligar para ele,
mas ele não atendeu.
Na
segunda-feira cheguei em casa após minha corrida e vi a caminhonete de André
parada ao lado do meu carro. Ele estava sentado em minha área com a cabeça
baixa.
-Resolveu
aparecer? Falei dando de ombros.
-Alice,
me desculpa. Eu agi feito um moleque. Fiquei maluco só de imaginar você
encontrando seu ex novamente e eu sinto que no fundo você ainda gosta dele,
então...
Fiquei
calada, sem discordar do que ele havia dito.
-Mas eu
prometo a você que vou fazer você esquecê-lo, você vai ver, nós seremos felizes
juntos, prometo.
-André,
eu nem sei o que te dizer, na verdade eu não sei se estou ...
- Não
precisa dizer nada. Eu tenho uma surpresa para você.
André
tirou da calça uma caixinha de veludo. Meu coração disparou só de imaginar.
-Alice,
eu quero me casar com você. Ele disse enquanto me entregava a caixa.
Olhei
para ele sem saber o que fazer. André nesse momento abriu a caixa e retirou um
solitário em ouro amarelo, com um brilhante enorme. Ele pegou minha mão e
colocou o anel em meu dedo.
Fiquei
congelada sem me mover, mal podia respirar.
-Eu...
-Eu sei
que você não esperava isso. E sei que é tudo muito recente. Se você quiser, nem
precisa ser agora, poderemos esperar uns meses, ou o tempo que você achar
necessário, mas que quero me casar com você. Ele disse me beijando em seguida.
Eu mal
consegui beijá-lo.
-Bom eu
quero eu você pense com carinho e a noite venho te buscar para ir jantar em
algum lugar, assim conversaremos com mais calma.
Fiz que
sim com a cabeça. André me selou os lábios.
-Amo
você minha futura esposa. Ele disse saindo em seguida.
Meu
coração estava descompassado. Olhei para aquele anel em minha mão sem saber no
que pensar. Fiquei horas andando de um lado para o outro, olhando em minha mão
de cinco em cinco minutos.
Eu não
amo o André! Não da maneira que ele merece! O que eu faço? Perguntava para mim
mesma, sem ter as respostas.
Liguei
em prantos para a minha mãe que estava de férias com o Fábio no Nordeste. E ela
fez um longo silêncio após ouvir o que havia acontecido.
-Filha,
infelizmente é só você que pode resolver essa situação. Você o ama a ponto de
se casar com ele e mudar toda sua vida? Se sim, faça isso, mas só se estiver
convicta disso. Mas se a resposta for
não, por favor não cometa essa bobagem, pois você poderá se arrepender pelo
resto da sua vida.
-Mãe, eu
não estou pronta para isso. Eu gostaria de estar, mas eu não amo o André. Ele é
uma pessoa maravilhosa, mas...
-Ser
maravilhoso não é o suficiente se não é ele quem você ama. Filha (ela fez uma
pausa) volta para casa, volta para sua vida! Já chega de fugir.
Ouvi
minha mãe dizer aquelas palavras foi o mesmo de um empurrão em uma ladeira.
-Obrigada
mãe.
Respirei
fundo enxugando minhas lágrimas e tomei uma decisão. Comecei tirando o anel que
estava em meu dedo e em seguida comecei a arrumar minhas coisas, encaixotar
meus objetos. Passei a tarde toda fazendo isso e quando estava anoitecendo tudo
estava devidamente embalado e minhas malas prontas.
Tomei um
banho e me arrumei. Dei uma última olhada na casa despedindo-me dela. Fui até o
café, mas André não estava, Silvinha me disse que ele estava no hotel. Mas
assim eu cheguei lá, vi que ele já havia saído. Então fui até o trailer. E a
caminhonete dele estava lá. Bati na porta e ele me atendeu rapidamente.
André me
olhou todo sorridente.
-Que
surpresa! Ele disse me selando os lábios.
Queria
fazer aquilo da maneira mais rápida possível.
-André, eu preciso conversar com você.
Ele me
olhou apreensivo.
Meu
coração estava disparado, e sem saber por onde começar.
-Eu não
posso aceitar isso. Eu disse entregando-lhe a caixinha com o anel.
Ele me
olhou sem entender.
-Por que
não?
-Eu não
posso me casar com você. Não seria justo isso com você, você é maravilhoso e
merece alguém que te ame de verdade. E eu não o amo como deveria amar. Talvez
eu tenha confundido meus sentimentos, pois você foi maravilhoso comigo. Foi um
grande amigo e no fundo é assim que eu ainda o vejo, como um grande amigo. Mas
isso não é o suficiente nem para você e nem para mim.
André me
olhou sem reação. Sua respiração estava descompassada.
-Você
não pode estar falando sério?
-Estou
sim André, eu só vim me despedir e lhe agradecer por tudo. Eu espero que um dia
você possa me perdoar.
-Alice,
eu não sei se isso vai ser possível. Ele disse ficando de costas para mim.
Depois
de alguns minutos André virou-se novamente para mim.
-Me diga
o que eu posso fazer para você mudar de ideia. Se pedir você em casamento foi
muito precipitado, podemos adiar isso e então quando você estiver preparada
falamos sobre isso novamente.
Olhei
para ele apenas balançando a cabeça em negação.
-Nada
fará você mudar de ideia?
Minhas
lágrimas começaram a cair.
-Não dá!
André me
encarou decepcionado.
-Vai
embora Alice. Por favor, me deixa sozinho.
-André,
por favor...
-Vai
Alice! Ele disse alterando a voz e me apontando a saída.
Saí de
lá arrasada, mas por outro lado me sentia aliviada. O que me torturava era ver
a tristeza nos olhos dele, mas eu não tinha o que fazer.
De volta para casa
Cheguei
em minha casa já passava das duas da manhã. Eu estava feliz em estar de volta.
Descarreguei meu carro, tomei um banho quente e fui me deitar. Acordei na manhã
de terça-feira e liguei para a Bel, minha antiga ajudante, e em pouco mais de
uma hora ela estava lá, toda feliz com a minha volta. Eu a ajudei com a limpeza
e a organização da casa e depois fui até o supermercado onde reabasteci minha dispensa.
Após
terminarmos tudo, sentia-me realizada e feliz por estar de volta em meu lar.
Fui levá-la para casa e na volta passei em frente ao prédio. Vi João Pedro
saindo com roupa de corrida. Ele estava lindo e eu quase tive um troço ao
vê-lo.
Voltei para
a casa e pensei em ligar para Malu, mas sabia que do jeito que ela era, ela
estava atarefada com a organização da festa.
Naquele
dia, preparei meu jantar e passei horas escrevendo para minha coluna na
revista. Pela primeira vez desde que o Pedro havia partido, tive uma noite
tranquila de sono naquela casa.
Eu estava cuidando do meu jardim, quando vi uma borboleta
azul pousar perto de mim. Eu a olhei, admirando sua beleza. Era a terceira vez
que eu via uma daquelas.
Ouvi uma risada e meu coração disparou instantaneamente.
-Mãe, como ela é linda. Pedro disse sentando-se ao meu lado
para observar a borboleta. Disseram que ela estava em extinção.
-Pedro! Falei mal podendo respirar.
Ele olhou para mim e sorriu. Levantou sua mãozinha e a passou
em meu rosto.
-Senti tanto sua falta.
Minhas lágrimas começaram a escorrer e eu o abracei com
força.
-Meu filho, eu senti sua falta. Falei em prantos.
Não queria soltá-lo nunca mais.
-Mãe, não fica assim, eu estou bem. E quero que você fique
também.
Olhei para e ele colocou sua mão sobre meu coração e como num
passe de mágica minha vontade de chorar se foi.
-Eu só quero que você e o papai sejam felizes, mas isso só
será possível se vocês estiverem juntos. E quando isso acontecer eu finalmente
ficarei em paz e estarei completamente feliz.
-Filho, você não tem ideia da falta que me faz. Eu fico
perdida aqui sem você.
Pedro me olhou sereno e sorrindo.
-Mas mãe, eu gosto de onde estou, é tudo tão lindo e eu não
estou sozinho não precisa se preocupar.
Quando ele disse isso, Pedro olhou para o lado e abriu um
sorriso enorme. Olhei em seguida na mesma direção dele e vi meu pai, nos
olhando. Meu pai também parecia feliz e Pedro correu em direção a ele e eles se
abraçaram.
Vieram em seguida até mim e
Meu pai me abraçou fortemente em seguida.
Nem podia acreditar ao ver o Pedro e meu pai juntos. Era
muita felicidade para mim.
-Fico feliz que esteja de volta Alice. Agora você precisa
ouvir seu coração, minha filha. Eu o encarei ele beijou minha face.
Pedro me abraçou
novamente, pulando em meu colo, como ele fazia quando era menor. Foi o melhor
abraço de toda minha vida.
-Agora tudo dará certo, você vai ver. Minha irmãzinha precisa
de vocês. De você e do meu pai, juntos.
Olhei para ele sem entender.
-Mas que irmãzinha meu filho?
-Você saberá.
Pedro inclinou-se em meu ouvido.
-Eu te amo mãe.
-Eu amo você meu filho.
Ele sorriu para mim e nesse momento a borboleta que estava ao
meu lado voou e ficamos observando ele voar. Senti uma paz inexplicável. Quando
fui olhar para o Pedro novamente, ele não estava mais lá, assim como meu pai.
Acordei
toda suada, sem saber o que pensar, não sabia se havia sido um sonho ou um
encontro. Levantei-me e passava das sete horas da manhã. Meu coração parecia em
paz. Fui até a cozinha beber um copo de água e quando voltei em meu quarto abri
a janela e caí na cama tentando relembrar cada palavra.
-Foi um
encontro! Disse a mim mesma.
Me senti
a pessoa mais feliz do mundo naquele momento, pois tinha tido a oportunidade de
abraçar meu filho novamente. Chorei de saudades, mas não de tristeza pois sabia
que ele estava bem. Era como se ele tivesse vindo me visitar e levado com ele
toda minha tristeza. Era algo inexplicável.
Mais
tarde naquela quarta-feira estava indo até a revista, mas decidi mudar o
caminho. Decidi ir até o orfanato.
Cheguei
lá, a Madre me atendeu toda saudosa e feliz. Fui ver as crianças e notei uma
que eu não conhecia. Aproximei-me dele sentindo algo de diferente.
Ele me
olhou desconfiado.
-Oi! Eu
disse dando a ele um sorriso.
Ele não
respondeu nada.
-Ele é
tímido, não é Vinícius? Disse Irmã Clara.
Vinícius
se aproximou de mim.
-Você é
bonita!
Ao olhar
para os olhos de Vinícius, não sei o porquê, mas senti uma paz e uma afinidade
incrível.
-Oh meu
amor, você que é lindo. Eu disse o abraçando.
Passamos
a tarde inteira juntos, e sem nenhuma explicação, em meio a tantas crianças eu
só tinha olhos para o Vinícius.
Eu me
sentei no chão e eles fizeram uma roda ao meu redor para que eu lhes contasse
uma história. Vinícius sentou-se ao meu lado e segurou minha mão tempo todo.
Antes de ir embora, peguei com as Irmãs a
numeração de roupas das crianças, pois queria comprar algo para elas que eram
tão carentes de tudo, de bens materiais, de amor, de cuidados de carinhos, etc.
Só saí
do orfanato no final da tarde e passei no salão do Lú, o cabeleireiro da minha
mãe. Lú me recebeu cheio de pompas, ele era incrivelmente para cima e de bem
com a vida. Naquela noite eu o convidei para sairmos para beber alguma coisa e
fomos ao Sr. Cachaça, um barzinho bem badalado de Curitiba.
Cheguei
em casa já era tarde, pensava no Pedro, em meu sonho/encontro que tive com ele
e rezei para que eu sonhasse com ele novamente. E incrivelmente sonhei com ele.
Ele vinha correndo me abraçar, todo feliz, me beijava e depois desaparecia.
Acordei agoniada, pois precisava de mais, queria abraçar meu filho, beijá-lo,
niná-lo, mimá-lo, mas não era mais possível. Rezei bastante para ele e acabei
pegando novamente no sono.
Na manhã
de quinta-feira, acordei com o cheiro de café em minha casa, era a Dona Bel me
mimando novamente. Levantei-me e me enrolei em um roupão e desci em seguida.
-Bom dia
Alice. Preparei o seu café da manhã, do jeito que você gosta.
Eu sorri
para ela em agradecimento.
-Eu
sinto falta de vocês juntos, sabia?
-De
quem?
-De você
e do seu João Pedro. Sempre achei lindo o amor de vocês.
Concordei
com ela e fiquei pensativa, mas não disse nada.
Mais
tarde liguei para minha mãe que ficou toda orgulhosa de mim, ela chegaria
apenas na semana seguinte, mas estava doida para voltar só para me ver.
Liguei
para a Fabi e combinamos de almoçar juntas. Em seguida escrevi para meus
leitores, respondendo às centenas de e-mails e depois fui me arrumar meu almoço
com ela. Quando estava saindo, Bel estava terminando de organizar a casa.
-Eu
também sinto falta. Falei.
Ela
olhou para mim e sorriu tristemente. Dei-lhe um beijo no rosto e saí em
seguida. Meu almoço com a Fabi foi extremamente divertido e produtivo. Ela
ficou muito feliz com a minha volta. Depois ela foi comigo a uma loja de departamentos
e me ajudou a escolher roupas para as crianças do orfanato. Em seguida fomos a
um supermercado onde fiz uma compra generosa de guloseimas para elas.
Me
despedi de Fabi e fui buscar Lú, pois ele queria ir comigo visitar o orfanato.
Quando chegamos lá, foi a maior festa e incrivelmente não conseguia sair de
perto do Vinícius.
Vinícius
era um garoto franzino, moreno claro dos olhos castanhos esverdeados. Seus
cabelos lisinhos estavam totalmente sem corte. Suas roupinhas surradas e
pequenas não seriam mais uteis, já que havia feito uma compra completa para
ele. Ele ficou maravilhado com tantas coisas novas e mais uma vez grudou em mim
o dia todo.
-Ele
gostou de você sabia Alice? Ontem quando você foi embora, ele só falava de
você.
Eu sorri
ao ouvir a Irmã Clara falar.
-Vem
Vinícius, quero ver se você sabe jogar futebol. Disse Lú, levando-o para que eu
pudesse conversar com a Irmã.
-O que
houve com ele?
-Ele
perdeu o pai. Na verdade, os pais eram viciados. A mãe dele mora na rua com uns
viciados e o pai foi preso, mas faleceu recentemente. Ele sofreu muito com aqueles dois. Eles
colocavam o garoto na rua para pedir dinheiro e usavam drogas com o dinheiro
que ele conseguia. Quando ele não conseguia nada, ele apanhava muito. O pai foi
preso porque queria vender o garoto, acredita? Ele é todo marcado nas pernas
por causas das cintadas que levava do pai. Então ele foi morar com uma tia, mas
que também é muito carente. E como ela já tem filhos inclusive um deles é
deficiente, ficaria muito difícil criar mais um. Aí ela trouxe o Vinícius para
cá. Ele é muito carente, carente de amor, de afeto. Ele chegou aqui bem
revoltado com a vida, mas aos poucos está se acostumando aos novos amigos.
-Eu não
consigo nem imaginar o quão foi difícil a vida dele. Passar por tudo isso,
assim tão jovem.
Cheguei
a sentir náuseas só de imaginar o que os pais faziam com ele.
-É
verdade, ele só tem quatro anos, e uma bagagem bem pesada para carregar.
Vinícius
voltou correndo e se atirou em meus braços. Fui embora algum tempo depois, com
o coração na mão, pois ele ficou chorando dizendo que sentiria minha falta.
Naquela
noite resolvi não sair de casa, tentei pesquisar sobre a família de Vinícius,
mas não achei nada na internet. O rostinho dele não me saia da cabeça, minha
vontade era de buscá-lo e trazer para minha casa e dar a ele tudo o que ele
nunca nem sonhou em ter. E o que mais ele queria ter no mundo, que era amor de
verdade.
Liguei
para a Malu, ela ficou eufórica com a minha ligação, mas falou por quase uma
hora sobre os preparativos da festa dela. Não quis interrompê-la, por isso nem
disse a ela que estava de volta. Ela me mataria quando soubesse, mas deixei
para fazer uma surpresa.
Na
sexta-feira, acordei totalmente descansada após uma noite tranquila de sono,
estava me sentindo bem comigo mesma, bem por estar de volta, bem em minha casa.
O jardineiro chegou para cuidar do meu jardim e o deixou ainda mais lindo. Bel
chegou mais tarde naquele dia e almoçamos juntas. Depois de trabalhar um pouco,
fui até o orfanato ver as crianças, era como se tivesse um imã que me puxava
para lá. E quando cheguei lá e vi o Vinícius novamente, meu coração se encheu
de felicidade.
Após
fazê-lo dormir, Irmã Clara chamou.
-Alice,
eu nem podia estar lhe dizendo o que vou lhe dizer, mas é que é incrível.
-O quê?
-Eu
fiquei observando você todos esses dias e me parece que você gostou desse
garoto, não é mesmo?
-Olha,
eu... (fiz uma pausa) é incrível, mas esse garoto está me trazendo uma paz. Sei
lá, me sinto tão bem ao lado dele, quero poder cuidar dele, ajudá-lo. Os olhos
dele trazem uma tristeza tão grande que me corta o coração.
-Pois é
minha filha, coincidentemente você e o João Pedro se encantaram pela mesma
criança.
-Como
assim? O João tem vindo aqui?
-Tem
sim, ele vem toda a semana, inclusive já veio hoje na parte da manhã, e quando
ele conheceu o Vinicius, os olhos dele encheram-se de lágrimas. E a partir de
então, ele vem brincar com o garoto.
-Sério?
Nem sei o que dizer Irmã.
-Hoje
mesmo o Vinícius disse que a ele que tem uma nova amiga e que ele gostou muito
dele. O João perguntou quem era, mas o Vinícius só falou que era uma amiga que
estava vindo visitá-lo. Eu quase disse ao João, mas não quis me intrometer,
pois eu sei que vocês...
Eu a
abracei e ela me abraçou ainda mais forte.
Quando
saí de lá fui até o salão do Lú, onde ele me arrumou para a festa da Malu. Eu
mal conseguia me concentrar nas conversas do salão, só pensando em Vinícius e
no João Pedro.
-Você
arrasará nesta festa, tenho certeza disso. Disse Lú quando nos despedimos.
Eu sorri
para ele.
-Tomara
que você tenha razão. Falei abraçando-o.
Fui para
minha casa e quando virei a esquina, tive a impressão de ver o carro de João
Pedro, passando em frente da minha casa bem devagar. Mas ele estava no mesmo
sentido que o meu, por isso não nos cruzamos. Meu coração estremeceu apenas em
ver o carro dele. Me peguei rindo.
-Sua
boba, nem deve ser ele! Falei para mim mesma.
Tomei um
banho e terminei de me arrumar. Faltava apenas colocar meu vestido, já que Lú
havia arrumado meu cabelo e feito minha maquiagem.
Depois
de provar vários vestidos, resolvi colocar um vestido estilo princesa, um pouco
acima do joelho, com o top todo bordado em pedrarias prata sobre o tule
transparente, e a saia em renda preta. Usei o scarpin Christian Louboutin
que a Malu me deu no Natal.
Era como
se tivesse borboletas em meu estômago. Estava totalmente nervosa em chegar a
festa da Malu, onde estaria meu ex-marido que provavelmente estaria acompanhado
e toda a família dele que eu amava. E sim, eu estava em pânico. Mas respirei
fundo, passei o perfume favorito do João Pedro e saí em seguida. Já passava das
nove horas da noite e com certeza a maioria dos convidados já estavam
presentes, já que a festa começava as oito horas.
Assim
que cheguei em frente ao requintado espaço de festas, o manobrista levou meu
carro para estacionar. Olhei ao meu redor e não vi ninguém conhecido.
Me senti
como quando eu voltei do aeroporto para a casa de praia em Bombinhas, onde
conheci o João Pedro, mas dessa vez sabia que ele não estava esperando por mim,
ou talvez tivesse. Deu meu nome para a recepcionista e entreguei a ela um
envelope com um cheque, já que a Malu pediu doações para uma instituição, ao
invés de presente. A recepcionista anotou meu nome e me acompanhou até a
entrada principal. O lugar estava perfeitamente decorado, a cara da Malu.

Aahhhh que lindaaaa a postagem de hoje....acho que deveria postar tudinho já hoje kkkkk .
ResponderExcluirPor favor Erika, nao vou aguentar essa curiosidade...
ResponderExcluir