sábado, 6 de junho de 2015

" Recomeços " Parte 17 por Érika Prevideli

" Recomeços "

Parte 17

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Casa comigo?
No final de semana seguinte André estava em minha casa lendo um jornal enquanto tomávamos nosso café da manhã. Estava pensativa, tentando arrumar um modo de dizer a ele sobre o aniversário de Malu, mas o problema era que eu não tinha a intenção de levá-lo comigo, pois estaria toda a família do João Pedro e me sentiria constrangida chegando à festa acompanhada.
-André, no próximo final de semana preciso ir a Curitiba.
André me olhou pensativo.
-Por quê? Aconteceu alguma coisa? Ou é a trabalho?
-Não, é o aniversário da Malu e se eu não for ela me mata.
-Eu ia visitar as meninas em Porto Alegre, e queria que você fosse comigo. Mas então deixo para o próximo fim de semana. Assim posso ir com você.
Tomei um gole do meu chá, tentando achar uma saída para meu problema.
-Humm, então, é isso que queria fala com você. Na verdade, eu não sei se é uma boa ideia você ir, quer dizer, eu adoraria, mas como toda a família do João Pedro estará lá, e é tudo tão recente, e também não quero deixar a Malu em uma saia justa. Você ficaria muito chateado se eu fosse sozinha?
André me olhou consternado.
-Você quem sabe Alice. Mas... (André fez uma pausa) por acaso você está tentando esconder nosso relacionamento?
-Não, claro que não. Eu só acho tudo muito recente e acho chato chegar acompanhada, embora todos saibam que eu estou com alguém, assim como o João Pedro também está. Mas a minha situação é diferente. Sei lá, tenho medo que eles pensam mal de mim.
Ele concordou com a cabeça, mas não disse nada. Após alguns minutos de puro silêncio André resolveu olhar em meus olhos.
-Alice, eu amo você e minhas intenções com você são as melhores, mas eu não quero ficar sempre em segundo plano em sua vida. Eu percebi isso desde que sua mãe e sua amiga vieram visitar você, você mal ficou comigo. Eu sei que fazia um tempo que vocês não se falavam, por isso não me importei, mas desde então você tem se afastado de mim e agora tem esse aniversário que você não quer me levar. Só que eu não vou ficar implorando para ir junto, faça o que tem que ser feito.
-André, não é isso. Eu só achei chato chegar a essa festa acompanhada, mas tudo bem, vamos comigo.
Ele levantou-se em seguida, colocando o jornal sobre a cadeira, pegou as chaves do carro dele e foi até a porta. Quando ele abriu a porta, olhou para mim.
-Não se preocupe Alice. Quer saber, já estou farto disso tudo.
André saiu em seguida e desapareceu o final de semana inteiro. Tentei ligar para ele, mas ele não atendeu.
Na segunda-feira cheguei em casa após minha corrida e vi a caminhonete de André parada ao lado do meu carro. Ele estava sentado em minha área com a cabeça baixa.
-Resolveu aparecer? Falei dando de ombros.
-Alice, me desculpa. Eu agi feito um moleque. Fiquei maluco só de imaginar você encontrando seu ex novamente e eu sinto que no fundo você ainda gosta dele, então...
Fiquei calada, sem discordar do que ele havia dito.
-Mas eu prometo a você que vou fazer você esquecê-lo, você vai ver, nós seremos felizes juntos, prometo.
-André, eu nem sei o que te dizer, na verdade eu não sei se estou ...
- Não precisa dizer nada. Eu tenho uma surpresa para você.
André tirou da calça uma caixinha de veludo. Meu coração disparou só de imaginar.
-Alice, eu quero me casar com você. Ele disse enquanto me entregava a caixa.
Olhei para ele sem saber o que fazer. André nesse momento abriu a caixa e retirou um solitário em ouro amarelo, com um brilhante enorme. Ele pegou minha mão e colocou o anel em meu dedo.
Fiquei congelada sem me mover, mal podia respirar.
-Eu...
-Eu sei que você não esperava isso. E sei que é tudo muito recente. Se você quiser, nem precisa ser agora, poderemos esperar uns meses, ou o tempo que você achar necessário, mas que quero me casar com você. Ele disse me beijando em seguida.
Eu mal consegui beijá-lo.
-Bom eu quero eu você pense com carinho e a noite venho te buscar para ir jantar em algum lugar, assim conversaremos com mais calma.
Fiz que sim com a cabeça. André me selou os lábios.
-Amo você minha futura esposa. Ele disse saindo em seguida.
Meu coração estava descompassado. Olhei para aquele anel em minha mão sem saber no que pensar. Fiquei horas andando de um lado para o outro, olhando em minha mão de cinco em cinco minutos.
Eu não amo o André! Não da maneira que ele merece! O que eu faço? Perguntava para mim mesma, sem ter as respostas.
Liguei em prantos para a minha mãe que estava de férias com o Fábio no Nordeste. E ela fez um longo silêncio após ouvir o que havia acontecido.
-Filha, infelizmente é só você que pode resolver essa situação. Você o ama a ponto de se casar com ele e mudar toda sua vida? Se sim, faça isso, mas só se estiver convicta disso.  Mas se a resposta for não, por favor não cometa essa bobagem, pois você poderá se arrepender pelo resto da sua vida.
-Mãe, eu não estou pronta para isso. Eu gostaria de estar, mas eu não amo o André. Ele é uma pessoa maravilhosa, mas...
-Ser maravilhoso não é o suficiente se não é ele quem você ama. Filha (ela fez uma pausa) volta para casa, volta para sua vida! Já chega de fugir.
Ouvi minha mãe dizer aquelas palavras foi o mesmo de um empurrão em uma  ladeira.
-Obrigada mãe.
Respirei fundo enxugando minhas lágrimas e tomei uma decisão. Comecei tirando o anel que estava em meu dedo e em seguida comecei a arrumar minhas coisas, encaixotar meus objetos. Passei a tarde toda fazendo isso e quando estava anoitecendo tudo estava devidamente embalado e minhas malas prontas.
Tomei um banho e me arrumei. Dei uma última olhada na casa despedindo-me dela. Fui até o café, mas André não estava, Silvinha me disse que ele estava no hotel. Mas assim eu cheguei lá, vi que ele já havia saído. Então fui até o trailer. E a caminhonete dele estava lá. Bati na porta e ele me atendeu rapidamente.
André me olhou todo sorridente.
-Que surpresa! Ele disse me selando os lábios.
Queria fazer aquilo da maneira mais rápida possível.
 -André, eu preciso conversar com você.
Ele me olhou apreensivo.
Meu coração estava disparado, e sem saber por onde começar.
-Eu não posso aceitar isso. Eu disse entregando-lhe a caixinha com o anel.
Ele me olhou sem entender.
-Por que não?
-Eu não posso me casar com você. Não seria justo isso com você, você é maravilhoso e merece alguém que te ame de verdade. E eu não o amo como deveria amar. Talvez eu tenha confundido meus sentimentos, pois você foi maravilhoso comigo. Foi um grande amigo e no fundo é assim que eu ainda o vejo, como um grande amigo. Mas isso não é o suficiente nem para você e nem para mim.
André me olhou sem reação. Sua respiração estava descompassada.
-Você não pode estar falando sério?
-Estou sim André, eu só vim me despedir e lhe agradecer por tudo. Eu espero que um dia você possa me perdoar.
-Alice, eu não sei se isso vai ser possível. Ele disse ficando de costas para mim.
Depois de alguns minutos André virou-se novamente para mim.
-Me diga o que eu posso fazer para você mudar de ideia. Se pedir você em casamento foi muito precipitado, podemos adiar isso e então quando você estiver preparada falamos sobre isso novamente.
Olhei para ele apenas balançando a cabeça em negação.
-Nada fará você mudar de ideia?
Minhas lágrimas começaram a cair.
-Não dá!
André me encarou decepcionado.
-Vai embora Alice. Por favor, me deixa sozinho.
-André, por favor...
-Vai Alice! Ele disse alterando a voz e me apontando a saída.
Saí de lá arrasada, mas por outro lado me sentia aliviada. O que me torturava era ver a tristeza nos olhos dele, mas eu não tinha o que fazer.

 33
 De volta para casa

Dirigi por quase quatro horas, e depois de uma parada para comer alguma coisa voltei para a estrada, só parando em Curitiba.
Cheguei em minha casa já passava das duas da manhã. Eu estava feliz em estar de volta. Descarreguei meu carro, tomei um banho quente e fui me deitar. Acordei na manhã de terça-feira e liguei para a Bel, minha antiga ajudante, e em pouco mais de uma hora ela estava lá, toda feliz com a minha volta. Eu a ajudei com a limpeza e a organização da casa e depois fui até o supermercado onde reabasteci minha dispensa.
Após terminarmos tudo, sentia-me realizada e feliz por estar de volta em meu lar. Fui levá-la para casa e na volta passei em frente ao prédio. Vi João Pedro saindo com roupa de corrida. Ele estava lindo e eu quase tive um troço ao vê-lo.
Voltei para a casa e pensei em ligar para Malu, mas sabia que do jeito que ela era, ela estava atarefada com a organização da festa.
Naquele dia, preparei meu jantar e passei horas escrevendo para minha coluna na revista. Pela primeira vez desde que o Pedro havia partido, tive uma noite tranquila de sono naquela casa.
Eu estava cuidando do meu jardim, quando vi uma borboleta azul pousar perto de mim. Eu a olhei, admirando sua beleza. Era a terceira vez que eu via uma daquelas.
Ouvi uma risada e meu coração disparou instantaneamente.
-Mãe, como ela é linda. Pedro disse sentando-se ao meu lado para observar a borboleta. Disseram que ela estava em extinção.
-Pedro! Falei mal podendo respirar.
Ele olhou para mim e sorriu. Levantou sua mãozinha e a passou em meu rosto.
-Senti tanto sua falta.
Minhas lágrimas começaram a escorrer e eu o abracei com força.
-Meu filho, eu senti sua falta. Falei em prantos.
Não queria soltá-lo nunca mais.
-Mãe, não fica assim, eu estou bem. E quero que você fique também.
Olhei para e ele colocou sua mão sobre meu coração e como num passe de mágica minha vontade de chorar se foi.
-Eu só quero que você e o papai sejam felizes, mas isso só será possível se vocês estiverem juntos. E quando isso acontecer eu finalmente ficarei em paz e estarei completamente feliz.
-Filho, você não tem ideia da falta que me faz. Eu fico perdida aqui sem você.
Pedro me olhou sereno e sorrindo.
-Mas mãe, eu gosto de onde estou, é tudo tão lindo e eu não estou sozinho não precisa se preocupar.
Quando ele disse isso, Pedro olhou para o lado e abriu um sorriso enorme. Olhei em seguida na mesma direção dele e vi meu pai, nos olhando. Meu pai também parecia feliz e Pedro correu em direção a ele e eles se abraçaram.
Vieram em seguida até mim e
Meu pai me abraçou fortemente em seguida.
Nem podia acreditar ao ver o Pedro e meu pai juntos. Era muita felicidade para mim.
-Fico feliz que esteja de volta Alice. Agora você precisa ouvir seu coração, minha filha. Eu o encarei ele beijou minha face.
 Pedro me abraçou novamente, pulando em meu colo, como ele fazia quando era menor. Foi o melhor abraço de toda minha vida.
-Agora tudo dará certo, você vai ver. Minha irmãzinha precisa de vocês. De você e do meu pai, juntos.
Olhei para ele sem entender.
-Mas que irmãzinha meu filho?
-Você saberá.
Pedro inclinou-se em meu ouvido.
-Eu te amo mãe.
-Eu amo você meu filho.
Ele sorriu para mim e nesse momento a borboleta que estava ao meu lado voou e ficamos observando ele voar. Senti uma paz inexplicável. Quando fui olhar para o Pedro novamente, ele não estava mais lá, assim como meu pai.
Acordei toda suada, sem saber o que pensar, não sabia se havia sido um sonho ou um encontro. Levantei-me e passava das sete horas da manhã. Meu coração parecia em paz. Fui até a cozinha beber um copo de água e quando voltei em meu quarto abri a janela e caí na cama tentando relembrar cada palavra.
-Foi um encontro! Disse a mim mesma.
Me senti a pessoa mais feliz do mundo naquele momento, pois tinha tido a oportunidade de abraçar meu filho novamente. Chorei de saudades, mas não de tristeza pois sabia que ele estava bem. Era como se ele tivesse vindo me visitar e levado com ele toda minha tristeza. Era algo inexplicável.
Mais tarde naquela quarta-feira estava indo até a revista, mas decidi mudar o caminho. Decidi ir até o orfanato.
Cheguei lá, a Madre me atendeu toda saudosa e feliz. Fui ver as crianças e notei uma que eu não conhecia. Aproximei-me dele sentindo algo de diferente.
Ele me olhou desconfiado.
-Oi! Eu disse dando a ele um sorriso.
Ele não respondeu nada.
-Ele é tímido, não é Vinícius? Disse Irmã Clara.
Vinícius se aproximou de mim.
-Você é bonita!
Ao olhar para os olhos de Vinícius, não sei o porquê, mas senti uma paz e uma afinidade incrível.
-Oh meu amor, você que é lindo. Eu disse o abraçando.
Passamos a tarde inteira juntos, e sem nenhuma explicação, em meio a tantas crianças eu só tinha olhos para o Vinícius.
Eu me sentei no chão e eles fizeram uma roda ao meu redor para que eu lhes contasse uma história. Vinícius sentou-se ao meu lado e segurou minha mão tempo todo.
 Antes de ir embora, peguei com as Irmãs a numeração de roupas das crianças, pois queria comprar algo para elas que eram tão carentes de tudo, de bens materiais, de amor, de cuidados de carinhos, etc.
Só saí do orfanato no final da tarde e passei no salão do Lú, o cabeleireiro da minha mãe. Lú me recebeu cheio de pompas, ele era incrivelmente para cima e de bem com a vida. Naquela noite eu o convidei para sairmos para beber alguma coisa e fomos ao Sr. Cachaça, um barzinho bem badalado de Curitiba.
Cheguei em casa já era tarde, pensava no Pedro, em meu sonho/encontro que tive com ele e rezei para que eu sonhasse com ele novamente. E incrivelmente sonhei com ele. Ele vinha correndo me abraçar, todo feliz, me beijava e depois desaparecia. Acordei agoniada, pois precisava de mais, queria abraçar meu filho, beijá-lo, niná-lo, mimá-lo, mas não era mais possível. Rezei bastante para ele e acabei pegando novamente no sono.
Na manhã de quinta-feira, acordei com o cheiro de café em minha casa, era a Dona Bel me mimando novamente. Levantei-me e me enrolei em um roupão e desci em seguida.
-Bom dia Alice. Preparei o seu café da manhã, do jeito que você gosta.
Eu sorri para ela em agradecimento.
-Eu sinto falta de vocês juntos, sabia?
-De quem?
-De você e do seu João Pedro. Sempre achei lindo o amor de vocês.
Concordei com ela e fiquei pensativa, mas não disse nada.
Mais tarde liguei para minha mãe que ficou toda orgulhosa de mim, ela chegaria apenas na semana seguinte, mas estava doida para voltar só para me ver.
Liguei para a Fabi e combinamos de almoçar juntas. Em seguida escrevi para meus leitores, respondendo às centenas de e-mails e depois fui me arrumar meu almoço com ela. Quando estava saindo, Bel estava terminando de organizar a casa.
-Eu também sinto falta. Falei.
Ela olhou para mim e sorriu tristemente. Dei-lhe um beijo no rosto e saí em seguida. Meu almoço com a Fabi foi extremamente divertido e produtivo. Ela ficou muito feliz com a minha volta. Depois ela foi comigo a uma loja de departamentos e me ajudou a escolher roupas para as crianças do orfanato. Em seguida fomos a um supermercado onde fiz uma compra generosa de guloseimas para elas.
Me despedi de Fabi e fui buscar Lú, pois ele queria ir comigo visitar o orfanato. Quando chegamos lá, foi a maior festa e incrivelmente não conseguia sair de perto do Vinícius.
Vinícius era um garoto franzino, moreno claro dos olhos castanhos esverdeados. Seus cabelos lisinhos estavam totalmente sem corte. Suas roupinhas surradas e pequenas não seriam mais uteis, já que havia feito uma compra completa para ele. Ele ficou maravilhado com tantas coisas novas e mais uma vez grudou em mim o dia todo.
-Ele gostou de você sabia Alice? Ontem quando você foi embora, ele só falava de você.
Eu sorri ao ouvir a Irmã Clara falar.
-Vem Vinícius, quero ver se você sabe jogar futebol. Disse Lú, levando-o para que eu pudesse conversar com a Irmã.
-O que houve com ele?
-Ele perdeu o pai. Na verdade, os pais eram viciados. A mãe dele mora na rua com uns viciados e o pai foi preso, mas faleceu recentemente.  Ele sofreu muito com aqueles dois. Eles colocavam o garoto na rua para pedir dinheiro e usavam drogas com o dinheiro que ele conseguia. Quando ele não conseguia nada, ele apanhava muito. O pai foi preso porque queria vender o garoto, acredita? Ele é todo marcado nas pernas por causas das cintadas que levava do pai. Então ele foi morar com uma tia, mas que também é muito carente. E como ela já tem filhos inclusive um deles é deficiente, ficaria muito difícil criar mais um. Aí ela trouxe o Vinícius para cá. Ele é muito carente, carente de amor, de afeto. Ele chegou aqui bem revoltado com a vida, mas aos poucos está se acostumando aos novos amigos.
-Eu não consigo nem imaginar o quão foi difícil a vida dele. Passar por tudo isso, assim tão jovem.
Cheguei a sentir náuseas só de imaginar o que os pais faziam com ele.
-É verdade, ele só tem quatro anos, e uma bagagem bem pesada para carregar.
Vinícius voltou correndo e se atirou em meus braços. Fui embora algum tempo depois, com o coração na mão, pois ele ficou chorando dizendo que sentiria minha falta.
Naquela noite resolvi não sair de casa, tentei pesquisar sobre a família de Vinícius, mas não achei nada na internet. O rostinho dele não me saia da cabeça, minha vontade era de buscá-lo e trazer para minha casa e dar a ele tudo o que ele nunca nem sonhou em ter. E o que mais ele queria ter no mundo, que era amor de verdade.
Liguei para a Malu, ela ficou eufórica com a minha ligação, mas falou por quase uma hora sobre os preparativos da festa dela. Não quis interrompê-la, por isso nem disse a ela que estava de volta. Ela me mataria quando soubesse, mas deixei para fazer uma surpresa.
Na sexta-feira, acordei totalmente descansada após uma noite tranquila de sono, estava me sentindo bem comigo mesma, bem por estar de volta, bem em minha casa. O jardineiro chegou para cuidar do meu jardim e o deixou ainda mais lindo. Bel chegou mais tarde naquele dia e almoçamos juntas. Depois de trabalhar um pouco, fui até o orfanato ver as crianças, era como se tivesse um imã que me puxava para lá. E quando cheguei lá e vi o Vinícius novamente, meu coração se encheu de felicidade.
Após fazê-lo dormir, Irmã Clara chamou.
-Alice, eu nem podia estar lhe dizendo o que vou lhe dizer, mas é que é incrível.
-O quê?
-Eu fiquei observando você todos esses dias e me parece que você gostou desse garoto, não é mesmo?
-Olha, eu... (fiz uma pausa) é incrível, mas esse garoto está me trazendo uma paz. Sei lá, me sinto tão bem ao lado dele, quero poder cuidar dele, ajudá-lo. Os olhos dele trazem uma tristeza tão grande que me corta o coração.
-Pois é minha filha, coincidentemente você e o João Pedro se encantaram pela mesma criança.
-Como assim? O João tem vindo aqui?
-Tem sim, ele vem toda a semana, inclusive já veio hoje na parte da manhã, e quando ele conheceu o Vinicius, os olhos dele encheram-se de lágrimas. E a partir de então, ele vem brincar com o garoto.
-Sério? Nem sei o que dizer Irmã.
-Hoje mesmo o Vinícius disse que a ele que tem uma nova amiga e que ele gostou muito dele. O João perguntou quem era, mas o Vinícius só falou que era uma amiga que estava vindo visitá-lo. Eu quase disse ao João, mas não quis me intrometer, pois eu sei que vocês...
Eu a abracei e ela me abraçou ainda mais forte.
Quando saí de lá fui até o salão do Lú, onde ele me arrumou para a festa da Malu. Eu mal conseguia me concentrar nas conversas do salão, só pensando em Vinícius e no João Pedro.
-Você arrasará nesta festa, tenho certeza disso. Disse Lú quando nos despedimos.
Eu sorri para ele.
-Tomara que você tenha razão. Falei abraçando-o.
Fui para minha casa e quando virei a esquina, tive a impressão de ver o carro de João Pedro, passando em frente da minha casa bem devagar. Mas ele estava no mesmo sentido que o meu, por isso não nos cruzamos. Meu coração estremeceu apenas em ver o carro dele. Me peguei rindo.
-Sua boba, nem deve ser ele! Falei para mim mesma.
Tomei um banho e terminei de me arrumar. Faltava apenas colocar meu vestido, já que Lú havia arrumado meu cabelo e feito minha maquiagem.
Depois de provar vários vestidos, resolvi colocar um vestido estilo princesa, um pouco acima do joelho, com o top todo bordado em pedrarias prata sobre o tule transparente, e a saia em renda preta. Usei o scarpin Christian Louboutin que a Malu me deu no Natal.  
Era como se tivesse borboletas em meu estômago. Estava totalmente nervosa em chegar a festa da Malu, onde estaria meu ex-marido que provavelmente estaria acompanhado e toda a família dele que eu amava. E sim, eu estava em pânico. Mas respirei fundo, passei o perfume favorito do João Pedro e saí em seguida. Já passava das nove horas da noite e com certeza a maioria dos convidados já estavam presentes, já que a festa começava as oito horas.
Assim que cheguei em frente ao requintado espaço de festas, o manobrista levou meu carro para estacionar. Olhei ao meu redor e não vi ninguém conhecido.
Me senti como quando eu voltei do aeroporto para a casa de praia em Bombinhas, onde conheci o João Pedro, mas dessa vez sabia que ele não estava esperando por mim, ou talvez tivesse. Deu meu nome para a recepcionista e entreguei a ela um envelope com um cheque, já que a Malu pediu doações para uma instituição, ao invés de presente. A recepcionista anotou meu nome e me acompanhou até a entrada principal. O lugar estava perfeitamente decorado, a cara da Malu.

2 comentários:

  1. Aahhhh que lindaaaa a postagem de hoje....acho que deveria postar tudinho já hoje kkkkk .

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  2. Por favor Erika, nao vou aguentar essa curiosidade...

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