quinta-feira, 4 de junho de 2015

" Recomeços " Parte 14 por -Erika Prevideli

" Recomeços " 


Parte 14

Minha vontade era de correr atrás do 
carro, mas estava congelada, sem saber o que fazer ou pensar. Alguns minutos depois, fui até a área e me sentei na escada de madeira. Coloquei as mãos escondendo meu rosto e comecei a chorar sem parar.
Senti uma mão em meus ombros.
-Alice, eu mais uma vez não sei o que dizer. Nunca imaginei que fosse seu marido. Não sei nem como me desculpar.
Balancei a cabeça em tom de negação.
-Você não tem culpa, André. Simplesmente é que eu e o João Pedro estamos nos desencontrando cada vez mais, é isso.
-Acho que é melhor eu ir embora, não é?
Olhei para André que também parecia totalmente perdido.
-Eu sinceramente nem sei o que lhe dizer. Mas acho que hoje eu seria uma péssima companhia.
-Não se preocupe. Eu só fico preocupado em deixá-la aqui sozinha assim.
-Eu vou ficar bem. Não se preocupe. Disse sem ao menos olhar nos olhos dele.
André voltou para dentro da casa e logo saiu com a chave da caminhonete dele. Levantei-me e o abracei em seguida.
-Você me desculpa?
-Fica para um outro dia.
Concordei com a cabeça e ele saiu.
Assim que André se foi, voltei para dentro de casa e me tranquei. Caí no sofá chorando sem parar. Eu tinha certeza que se eu e o João Pedro ainda tínhamos chance de tentarmos outra vez, elas foram extinguidas naquela noite. 
...
Passei o resto da semana sem sair de casa. Estava um farrapo humano. Não tinha mais falado com André e muito menos com João Pedro, apenas com Malu, que não sabia mais o que me dizer.
Na sexta-feira, eu estava em meu escritório, ouvi a campainha tocar. Desci as escadas correndo e quando abri a porta,  me deparei com Dr. Ricardo, o advogado da família de João Pedro.
-Boa tarde Alice. Ele disse parecendo-me sem graça.
-Oi Ricardo, como vai? Eu disse estendendo-lhe a mão.
Ricardo apertou minha mão, dando-me um meio sorriso.
-Eu vim a mando do João Pedro.
-Entra. Eu disse já imaginando sobre o que ele queria falar.
Ricardo entrou e eu o pedi para que ele se sentasse. Ele sentou-se assim que eu me sentei, e em seguida colocou a pasta sobre minha mesa de centro.
-Alice, eu vim tratar do divórcio de vocês. O João Pedro estava adiando, adiando, mas essa semana ele me procurou e pediu que eu viesse.
Senti meu peito sufocar. Meu coração ficou descompassado.
-Não, tudo bem! Eu disse tentando disfarçar minha frustração.
Ricardo suspirou fundo e retirou da pasta alguns papeis, dos quais falava sobre todos os nossos bens. Ele me explicou em seguida como funcionava o divórcio e como funcionaria a divisão dos bens.
João Pedro havia deixado bem claro que queria que eu ficasse com a casa, pois era o meu lugar preferido, conforme eu vivia dizendo. Eu também ficaria com dois apartamentos que tínhamos de aluguel, e ele com outros dois apartamentos mais o apartamento que ele estava morando. Nossa poupança seria totalmente dividida, e cada um ficaria com seu carro. Como eu tinha herdado um apartamento do meu pai, assim como outros bens dele, isso não entraria na divisão.
João Pedro abriu mão de todos os moveis, toda a decoração da casa, mas pediu uma única coisa que ainda estava lá, que era um quadro do qual eu e Pedro havíamos pintado para ele.
Eu sorri de tristeza ao ouvir aquilo, tentando sufocar minha vontade de chorar. Disse ao advogado que o que ele podia pegar o que ele quisesse da casa, aliás, tudo era dele também. Mas teve uma coisa que eu não concordei, foi com a divisão do dinheiro da poupança, pois ali também tinha um dinheiro de uma herança que o avô deixou para o João Pedro. Então todo o dinheiro que estava guardado deveria ficar para ele, afinal eu ainda tinha os investimentos do meu pai.
O advogado ficou de falar com o João e marcamos na próxima quarta-feira, em Curitiba, para que eu fosse assinar os papeis.
Quando Ricardo foi embora, eu surpreendentemente não chorei, era como se eu estivesse congelada por dentro. Sentei-me no banco de madeira que ficava em minha área e passei horas ali sentada, sozinha, sem saber o que pensar.
Naquela noite eu não consegui dormir de tanta tristeza, pensando em minha vida, em como ela seria futuramente. Era uma mudança difícil demais, mas eu teria que passar por ela também.
No sábado à noite fui até o café, pedi um vinho, mas o André não estava por lá, quando eu estava saindo, horas mais tarde, ele entrou com as filhas. Nós nos cumprimentamos e eu as abracei. Elas insistiram que eu ficasse, mas eu achei indelicado atrapalhar aquele momento. Saí de lá e voltei para casa onde liguei para minha mãe e contei a ela sobre o divórcio.  E como numa corrente, ela deve ter ligado para a Malu que me ligou em seguida para saber como eu estava. Ficamos um bom tempo nos falando, mas logo ela precisou ver o que Mariah queria com ela, que a chamava sem parar.
No domingo acordei com a campainha, enrolei-me em um roupão e desci para ver quem era. Era André.
-Bom dia! Ele disse timidamente.
-Bom dia! Eu disse dando-lhe um meio sorriso.
-Entra.
André entrou e seguimos para a cozinha.
-Aceita um café? Perguntei a ele.
Ele balançou a cabeça positivamente. Eu coloquei a água para ferver e preparei o coador com o pó. Em seguida sentei-me de frente para ele no balcão da cozinha.
-E como você está?
-Estou bem. As coisas enfim estão se resolvendo.
-Como assim?
-Na quarta-feira eu assino meu divórcio.
-E como está sendo encarar isso?
-André, não vou ser hipócrita em dizer que está sendo fácil, nunca é fácil uma situação dessa, é uma dor forte e lenta, mas eu estou conseguindo passar por ela.
Ele balançou a cabeça positivamente. A água do café ferveu e eu o coei em seguida. Entreguei uma xícara para André e outra para mim.
-Eu me sinto culpado por isso sabia?
-Claro que não. Falei sem hesitar. –Minha separação com o João Pedro envolveu uma série de acontecimentos, você e não teve culpa alguma.
-Então você não me odeia? Afinal, quando ele veio para cá eu estava beijando você, e na outra vez, eu estava dentro da sua casa.
-Isso não importa, na verdade eu acho que eu e o João desistimos um do outro. Talvez seja me de recomeçar, sei lá, eu não deixei de amá-lo, e sei que ele também me ama, mas o relacionamento já não existe mais.
-Eu imagino que seja uma situação delicada. Mas...bom eu vim convidar você para almoçar comigo e com minhas filhas, eu vou preparar um almoço no trailer, e tanto elas quanto eu queríamos sua presença.
-Eu aceito. Disse sem ao menos pensar. –Eu preciso sair um pouco daqui, pois estou enlouquecendo.
-Então eu espero você lá. Ele disse levantando-se.
André me deu um beijo no rosto e fui com ele até a porta.
-Eu preciso ir ao supermercado e já vou direto para lá. Então a hora que você quiser ir, é só aparecer.
-Se você quiser posso ajudar você com as compras. É só o tempo de um banho rápido.
Ele sorriu.
-Eu adoraria.
-Bom então, sente-se que vou me arrumar.
Subi em seguida, tomei um banho rápido e em seguida coloquei um short estampado com uma camisa branca. Prendi meus cabelos em um rabo de cavalo, coloquei uma sapatilha e desci em seguida.
Quando André me viu, encarou-me maliciosamente mas disfarçou em seguida. Fui na caminhonete dele, fomos direto ao supermercado e em seguida seguimos para o trailer, onde as meninas ainda estavam dormindo.
Eu o ajudei com o almoço e logo depois ele acendeu a churrasqueira. Algum tempo depois, Lavínia e Mirela apareceram, ainda com cara de sono. Eu as cumprimentei dando-lhes um abraço. Era meio estranho estarmos ali, eu, André e as filhas dele, mas foi um dia excelente, onde nós conversamos muito, rimos muito, assistimos um filme e no final da tarde ele me levou embora, pois as levaria para o aeroporto.
Naquela noite, estava feliz por ter passado o dia ao lado de pessoas que não me relembravam meu passado. Assim que cheguei, escrevi minha matéria e em seguida a enviei para Fabi. Respondi dezenas e dezenas de e-mail para minhas leitoras e fui tomar um banho. Mais tarde sentei-me em frente ao meu notebook e continuei a escrever meu livro.
Na segunda e na terça-feira, eu e André saímos juntos pela manhã para corrermos. Em seguida paramos no hotel onde tomamos café da manhã.
Na terça-feira após voltar do hotel, tomei um bom banho e em seguida peguei a estrada, pois iria para Curitiba, onde no dia seguinte assinaria meu divórcio. 

27
Assinando os papéis
Viajei por seis horas, mais ou menos e fui direto para casa da minha mãe, que já estava me esperando. Descansei um pouco e naquela noite, Malu e Mariah foram me visitar.
Malu me abraçou fortemente assim que me viu.
-Alice, como eu sinto sua falta, você não faz ideia.
-Eu também sinto a sua. Disse a ela, abraçando-a ainda mais.
Abracei Mariah em seguida e a apertei de tantas saudades que eu sentia.
Depois de conversamos aleatoriamente sobre diversas coisas, Malu segurou minha mão e me olhou no fundo dos olhos.
-Como você está?
Eu sorri tentando disfarçar minha inquietação.
-Bom, não está sendo fácil recomeçar, aliás, é difícil demais, principalmente longe de vocês.
-Mas então volta para casa Alice.
-Malu, eu não estou pronta para voltar a cruzar com o João por aí, mesmo longe, eu não o esqueço, mas ainda assim é mais fácil conseguir seguir minha vida. Eu acho que eu morreria se eu o visse o tempo todo e principalmente com outra pessoa.
-Ele ficou muito mal também. Eu prometi a mim mesma que não tocaria neste assunto, mas eu não consigo. O fato é que quando o João voltou de São Joaquim, ele quase pirou, chorou por dias por sua causa. Eu só soube disso porque a Maria Helena disse ao Bruno, ele precisou ficar na casa dela em Florianópolis o resto da semana, voltou no domingo para Curitiba e quando foi ver a Mariah, eu ainda o achei péssimo.
-Nem me fale, eu tentei explicar a ele que o André só tinha ido me visitar, mas ele não meu deu nem chance.
-Bom, mas e amanhã, como vai ser? Você está preparada?
-Eu não sei. Disse dando-lhe um meio sorriso. -Eu não sei. Repeti novamente.
Eu e Malu conversamos por horas e ela e Mariah deixaram o apartamento de minha mãe já era tarde da noite.
Dormi pessimamente durante a noite, só pensando como seria o dia seguinte. Talvez ele nem estivesse presente, o que era bem provável.
Acordei por volta das sete horas da manhã, minha mãe me levou um café da manhã na cama e ela deitou-se ao meu lado quando comecei a chorar. Por volta das oito e meia da manhã eu me levantei e desci para a academia do prédio, onde corri na esteira por mais de duas horas. Subi em seguida e tomei um bom banho.
-Alice. Disse minha mãe adentrando em meu quarto enquanto eu ainda estava de roupão. –Eu quero ver você no mínimo linda, então chamei meu cabeleireiro para cuidar de você.
-Mãe, para quê isso? Eu não vou conquistar o João Pedro, vou me divorciar dele.
-Eu sei, por isso mesmo. Você tem que impressioná-lo ainda mais. Ela disse sorrindo.
Em seguida o interfone tocou, e era exatamente o cabeleireiro dela.
Ele me arrumou e cuidou de me deixar para cima, elogiando meus cabelos, minha pele, meu corpo. Foi o que me deixou sentindo-me um pouco melhor. Ele hidratou meu cabelo e depois de enxaguados o escovou. Delineou minha sobrancelha e somente depois fez uma maquiagem discreta e elegante. Fizemos um lanchinho pois já era na hora do almoço e eu havia marcado de me encontrar com o advogado uma e meia da tarde.
Em seguida fui me arrumar, onde coloquei um vestido branco com uma aplicação em preto na barra e na parte posterior do vestido, coloquei um scarpin preto e uma bolsa preta média.
Assim que minha mãe e o Lú, o cabeleireiro dela, me viram ficaram de boca aberta.
-O quê? Está exagerado? Perguntei apreensiva.
-Está linda! Ele vai desistir de assinar, tenho certeza. Disse Lú.
Eu ri com o comentário.
-Alice, o João Pedro irá se arrepender com certeza. Você está linda.
-Parem com isso vocês dois. Eu só quis usar branco para não parecer de luto em uma roupa escura. Talvez seja uma forma de mostrar a ele que estou bem, sei lá, mesmo não estando.
-Sábia você minha filha. Disse minha mãe dando um sorriso para o Lú.
Exatamente uma e meia da tarde eu estava no fórum, onde o Ricardo havia reservado uma sala para assinarmos os papéis. Minhas pernas estavam totalmente bambas, meu estômago parecia estar congelado e meu coração queria saltar pela boca. Mas algo me dizia que João Pedro não apareceria.
Conforme eu caminhava fórum adentro, veio em minha cabeça o dia em que eu voltei do aeroporto para a casa da praia em Bombinhas, onde vi João Pedro sentado em frente ao mar, e quando ele me viu, abriu um imenso sorriso e me pegou, girando-me em volta dele. Aquela com certeza foi a decisão mais sábia da minha vida, pois a partir dali, vivi os melhores momentos que alguém pudesse viver. Mas vivi os piores também, perdendo tanto o Pedro, quanto o João. E naquele dia eu estaria perdendo o João para sempre. Uma tristeza invadiu meu peito, mas me segurei para não chorar.
Uma atendente foi me guiando até a sala, onde o Ricardo estava me esperando. Eu não perguntei se o João também estava, mas eu rezava para estar enganada, pois tinha certeza que ele não iria.
Depois de andar, virar à direita, depois para esquerda, subir alguns degraus e novamente virar para direita, cheguei em frente uma sala, que estava com a porta fechada. A atendente me deixou ali e saiu em seguida. Eu respirei fundo, tentando não desmoronar ali mesmo, bati na porta e a abri em seguida.
João Pedro e Ricardo olharam em minha direção e eu fiquei totalmente em reação. João estava lindo, de terno e gravata, cabelos perfeitamente arrumados e barba por fazer.
Eu o olhei em seguida olhei para Ricardo.
-Boa tarde! Com licença. Disse entrando em seguida.
Os dois se levantaram e Ricardo pediu que eu me sentasse de frente para João. Mas primeiramente eu fui até Ricardo e o cumprimentei, em seguida fiz o mesmo com João, onde dei-lhe um beijo no rosto, e pude sentir o cheiro da minha colônia preferida.
-Como vai João? Perguntei olhando diretamente nos olhos dele.
-Bem, na medida do possível. E você?
Mal, mal, muito mal, morrendo de saudades de você. Pensei comigo mesma.
-Tentando me adaptar. Falei olhando-o sem esboçar nenhum sorriso.
Ele apenas balançou a cabeça e me sentei em seguida.
Ricardo nos leu novamente a divisão dos nossos bens, onde me disse que João ainda fazia questão de  dividir o dinheiro que estava na poupança. Eu tentei contestar, mas João não me deixou falar. E simplesmente fez que não.
Eu percebia que enquanto o advogado lia os papeis, João me olhava  a todo o momento, mas eu fingi não perceber.
 Ricardo nos explicou alguns pontos importantes e em seguida perguntou se estávamos de acordo com o que foi lido.
Ambos apenas balançamos a cabeça.
-Vocês estão prontos para assinarem os papéis? Indagou Ricardo.
Suspirei fundo tentando me segurar para não sair correndo daquela sala. Olhei para João Pedro e o flagrei olhando para mim novamente e dessa vez eu não desviei o olhar, pelo contrário, continuei o encarando, como se perguntasse a ele se ele estava tão infeliz quanto eu.
Então João Pedro apenas balançou a cabeça, como se dissesse para Ricardo que estava pronto.
Meu coração doeu em ver que ele estava pronto. Ricardo pegou os papéis e os colocou em frente ao João Pedro, entregando-lhe uma caneta. João segurou a caneta e a encostou na linha onde teria que assinar. Quando foi assinar, hesitou por um instante, então novamente olhou para mim e em seguida para os papéis. João novamente levou a caneta até o local onde teria que assinar, e quando foi fazer sua assinatura, parou novamente, levantando-se e deixando os papeis sobre a mesa e saiu da sala em seguida. Deixando-me sozinha com Ricardo.
Ricardo olhou para mim sem entender.
-O que deu nele? Indagou Ricardo.
-Ricardo, acho que ainda não estamos prontos para isso.
-Bom Alice, é por isso que eu pergunto aos meus clientes se eles estão preparados, pois eu sei que é muito delicado esse momento.
Fiquei calada tentando pensar em algo a fazer.
-Eu posso levar? Te devolvo depois.
-Pode. Você vai falar com ele?
-Vou tentar. Eu disse pegando os papeis sobre a mesa e saindo em seguida.
Após descer as escadas, perguntei do João Pedro para as atendentes, uma delas me informou que ele havia saído naquele mesmo instante. Fui até o MP, mas João também não estava lá. Fui com meu carro até o prédio dele, e vi a Range Rover Sport preta parada em frente ao prédio.
Estacionei meu carro atrás do dele, peguei os papéis e saí. Quando o porteiro me viu, imediatamente deixou-me entrar.
-Dona Alice, quanto tempo, como vai a senhora?
-Sr. Alex, tudo bem? Eu perguntei estendendo-lhe a mão.
Sr. Alex apertou levemente minha mão e sorriu.
-O João Pedro está aí? Preciso falar com ele.
Subiu neste instante.
-Obrigada. Falei dando-lhe um sorriso.
Após subir dez andares, finalmente cheguei ao apartamento do João Pedro, apartamento esse, o qual moramos juntos no início do nosso casamento. Quando eu fui tocar a campainha, hesitei um pouco. Estava totalmente nervosa, pois nem eu mesma sabia o que estava fazendo ali, sendo que no fundo estava feliz por ele não ter assinado. Mas então em questão de segundos, decidi o que falaria para ele, eu também não iria assinar os papéis e se ele quisesse poderíamos tentar mais uma vez.
Toquei a campainha duas vezes e nada. Mas na terceira vez João abriu a porta. Quando ele me viu, seu semblante passou de triste para surpreso.
-Alice?
-João Pedro, eu preciso saber o que você quer de mim. Uma hora manda seu advogado em minha casa e uma semana depois desiste de assinar os papéis e me deixa sozinha!
João me encarou. Seus olhos pareciam confusos. Quando nossos olhares se cruzaram, senti minhas pernas bambas. Ele esticou a mão, segurando a minha e me puxou para dentro do apartamento.
João Pedro fechou a porta em seguida, e eu olhei ao redor, onde nosso casamento havia começado, e tudo estava exatamente igual. Coloquei minha bolsa e os papéis sobre um aparador e quando me virei ele estava bem atrás de mim.
-Sabe o que eu quero de você? Ele me disse maliciosamente.
Não respondi, apenas balancei minha cabeça fingindo não saber.
-Você. Ele respondeu beijando-me em seguida.
Os beijos de João Pedro eram sem dúvida nenhuma o melhor beijo que eu havia provado. Mesmo após tantos anos, ainda me deixavam desconcertada. Eram doces, delicados e muito envolventes.
Nos beijamos como se estivéssemos famintos um do outro. O cheiro da pele de João deixa-me ainda mais com vontade de tê-lo em meus braços. João Pedro pegou-me no colo e fomos diretamente para o quarto.
João delicadamente sentou-me em sua cama, passou a mão pelos meus cabelos, em seguida pelo meu rosto e por último em meus lábios.
-Eu amo você Alice. Amo tanto que chega a doer meu coração.
Seu olhar era meigo e triste.
-Eu também amo você. Eu disse sem hesitar.
Então eu o puxei contra mim e novamente nos beijamos. Dessa vez, João Pedro desceu o zíper do meu vestido e eu rapidamente desabotoei a camisa dele. João beijou meus ombros, meu pescoço, meus seios e em segundos já estávamos fazendo amor em nossa antiga cama. Foi sem dúvida nenhuma um dos melhores amores que fizemos. Ele foi carinhoso e quente ao mesmo tempo.
Quando nós terminamos, ele deitou-se ao meu lado, apoiando seu corpo sobre o cotovelo, me fazendo carinho por todo o corpo com a outra mão.
-Você é linda!
Eu sorri acanhada. Ele encostou seu rosto entre meus cabelos, inalando meu cheiro.
-Alice, eu senti tanto sua falta, a falta desse seu cheiro que me deixa louco.
Eu o abracei fortemente e o beijei em seguida. Naquela tarde fizemos amor várias vezes. Já estava à noite, levantamos, tomamos um banho juntos como antigamente, onde João me beijou demoradamente. Em seguida usei uma camiseta dele e ficamos deitados, juntinhos em nossa antiga cama. João pediu comida em um restaurante que ficava próximo ao prédio.
Assim que nosso jantar chegou, eu arrumei a mesa, enquanto ele pegava os pratos e os talheres. Ele passou por mim e me selou os lábios, em seguida foi até a adega climatizada e pegou um bom vinho.
Nós jantamos, tomando vinho como se fossemos um casal de namorados. Ele segurava minha mão a todo o momento, e sua felicidade era gritante, assim como a minha.
-Eu nem acredito que você está comigo, sabia? Eu ficava pensando como seria nosso encontro, como seria após assinarmos os papéis e como seria vendo você ir embora novamente. Mas você está aqui comigo.
-Eu tive medo que você não fosse. Sei lá. Achei que mandaria apenas seu advogado.
-Nem me passou pela cabeça não ir. Eu tinha que ver você. E quando você entrou na sala, eu simplesmente não sabia mais o que estava fazendo ali. Você entrou tão segura e estava tão linda, que me deixou desconcertado, e confesso que não escutei uma única palavra que o Ricardo disse.
Eu ri emocionada.
-Quando eu vi você eu também fiquei sem ação. Não demonstrei, mas estava muito nervosa sentada de frente para você. Foi muito estranho.
Eu suspirei e ele beijou meus lábios. E em seguida completou novamente meu copo com vinho.
-João Pedro, quando você foi até minha casa...
João colocou seu dedo sobre meus lábios.
-Alice, está tudo tão perfeito. Eu não quero tocar nesse assunto agora.
Eu balancei a cabeça concordando.
Após o jantar eu o ajudei com a louça e em seguida o telefone de João Pedro tocou. Ele correu para atender, e abriu um largo sorriso quando soube quem era.
-Karen, minha sogra amada! Ele olhou para mim nesse momento e nós rimos. Lógico que ela ficaria feliz também.
-A Alice? Ela está aqui comigo, não se preocupe.
Fui em direção a ele que parecia uma criança com seu brinquedo novo.
-Só um minuto que ela fala com você, te amo minha sogra.
João entregou-me o telefone e me beijou em seguida.
-Oi mãe.
João continuava a me beijar, dessa vez beijava meus ombros, e eu mal conseguia falar com ela, pois estava toda arrepiada.
-Alice, você quase me matou de preocupação, te liguei um milhão de vezes.
-Eu sei mãe, mas acabei me esquecendo de te ligar, desculpa.
-Bom, pelo jeito vocês estão se entendendo?
-Acho que sim. Eu disse virando-me para João que estava me abraçando por trás. -Depois a gente se fala.
Ela riu aliviada.
-Mas você irá dormir aí?
-Não sei ainda mãe, mas eu aviso você, pode deixar.
-Eu disse que ele não assinaria os papéis, você estava linda filha.
-Obrigada mãe.
-Vou ligar agora mesmo para o Lú, ele vai morrer de felicidade.
Fiz que sim com a cabeça, mas João estava me tirando fora do ar.
Desliguei em seguida e larguei o telefone sobre o sofá, e mais uma vez eu e João nos amamos.
Dormimos a noite inteirinha abraçados; João Pedro segurava minha mão, como se eu fosse fugir. Na manhã seguinte, acordei bem cedo como de costume, mas a cama estava tão boa ao lado do João que decidi ficar mais um pouco. E ele me abraçou ainda mais.
Mais tarde, abri os olhos por causa da claridade do quarto. Senti um cheiro delicioso de café vindo da cozinha. Levantei-me e coloquei a camiseta de João e fui até ele.
A mesa da cozinha estava preparada para nosso café da manhã.
-Bom dia meu amor. Disse ele vindo em minha direção.
-Hummm, com certeza será um ótimo dia. Eu disse o abraçando.
-Vem, vamos comer, pois estou faminto. Você usou todas as minhas energias ontem.
-Eu? Acho que vou ficar dolorida por vários dias. Disse dando-lhe um sorriso.
João inclinou-se e me selou os lábios. Em seguida sentamos para tomar nosso café da manhã. Depois eu arrumei todas as coisas com a ajuda dele. Fomos tomar banho e enquanto eu comecei a me arrumar, ele foi buscar o telefone, pois iria avisar que não ia trabalhar naquele dia.
Coloquei meu vestido e penteei meus cabelos e fui até a sala, e o flagrei com meu celular em suas mãos. Eu não o questionei e fui até a geladeira pegar um copo de água.
-Seu celular estava vibrando, mas não deu tempo de atender. Ele disse vindo até mim.
-Não se preocupe. Depois eu vejo quem era.
João me beijou novamente, e me encurralou contra a parede.
-Alice, eu fico louco só em ver você. Eu te amo.
Eu o abracei com toda a minha força. Mas o telefone dele tocou e ele saiu para atender, e pelo que eu entendi era o Bruno.
Em seguida peguei meu celular e vi que tinha duas ligações de André e três ligações de Malu, então decidi ligar para ela.
-Bom dia. Eu disse toda sorridente indo até a sacada.
-Bom dia? Como assim você passa a noite aí e nem me fala? Estava louca para saber das novidades.
-Desculpa, mas eu ainda não tive tempo de te ligar. Falei enquanto olhava a linda vista de Curitiba.
-Me conta, como foi?
Eu suspirei nervosamente.
-Ele não assinou os papéis e levantou-se e saiu me deixando ali com o advogado. Então eu vim atrás dele.
-Ah, e caiu nos braços dele, não foi?
-Foi. Falei tentando conter minha felicidade.
-Agora que ele desistiu do divórcio, você também desistiu, não é?
-Claro que sim, foi isso que eu vim fazer aqui.
-Humm, amiga fico tão feliz, você não imagina o quanto.
-Eu sei disso, eu também estou. Mas depois nos falamos direito.
-Tá! E aproveita seu homem.
Eu sorri.
-Beijos.
Assim que desliguei o telefone, pensei comigo mesma:
-Talvez eu volte a morar aqui, fui muito feliz nesse lugar.  -É isso. Vai ser aqui que vamos morar por enquanto. Pensei alto dessa vez.
Fui até o quarto e me deparei com João Pedro de terno e gravata.
-Mas você disse que não ia trabalhar.
-É! Surgiu um imprevisto e eu vou ter que ir. Ele disse sem olhar para mim. Em seguida foi até o banheiro, arrumou os cabelos com gel, deixando-os perfeitos, perfumou-se e veio em minha direção.
Seu semblante já não era mais o mesmo de minutos atrás.
-Aconteceu alguma coisa? Perguntei apreensiva.
João olhou para mim, mas dessa vez desviou o olhar.
-Não! Não aconteceu nada. Ele disse saindo de perto.
Fiquei parada no quarto sem entender e minutos depois fui atrás dele na sala. Quando cheguei lá, o vi com as chaves do carro na mão. E os papeis do divórcio na outra mão.
-Aqui está! Todo seu.
Olhei para ele sem entender.
-Você assinou?
-Não foi isso que você veio fazer? Eu não sou bobo Alice, eu ouvi tudo.
-João Pedro, você está louco? Perguntei olhando incrédula para ele.
-Alice, eu preciso ir, quando você sair, deixe a chave em baixo do tapete.
João simplesmente virou as costas para mim e saiu em seguida. Fiquei paralisada no meio da sala dele com os papéis assinado por ele, sem entender o que havia acontecido.
-Ele não ia fazer isso só porque viu as ligações do André! Ou ia? Perguntei a mim mesma.
Foi então que eu me lembrei da conversa que eu tive com a Malu na sacada, com certeza ele escutado parte dela e imaginou que eu estivesse falando com o André.
-Mas que inferno! E mais uma vez não me deixou explicar. Pensei comigo mesma.
Tentei ligar para ele, mas ele não atendia o celular. Liguei milhares de vezes, mas era em vão.
Fiquei desesperadamente sem saber o que fazer. 
Cerca de duas horas depois, percebi que ele não voltaria tão cedo. Estava acabada, com o rosto inchado de tanto chorar, então senti ódio de João Pedro ter saído sem ao menos saber com quem eu estava falando.
Cheguei na casa da minha mãe irada. Assim que ela abriu a porta eu me joguei nos braços dela e chorei novamente.
-Filha, o que houve? 
Então eu contei tudo o que tinha acontecido naquela manhã. E ela assim como eu ficou sem entender.
-Vocês dois vão me deixar louca. Mas o que esse André tinha que ligar.
-Mãe, mas eu ia dizer para o João que era com a Malu que eu estava falando, mas ele não me deu nem chance. De novo ele me deixou sem me explicar.
Sentei-me na poltrona da minha mãe e sentia que meus ossos tremiam de nervoso.
-Eu vou falar com ele. As coisas não são dessa maneira. Ela disse indo em direção ao telefone.
Eu voei na direção dela.
-Nem pensar. Você tem que jurar para mim que não falará com ele. Eu te imploro.
-Mas Alice, por quê?
-Mãe, o João Pedro me deixou sozinha no apartamento dele, me largou como se eu fosse algo descartável. Tudo bem, ele até pode ter entendido errado, mas por que não me escutou? Poxa, eu fui atrás dele, passei a noite com ele, fizemos juras de amor a noite toda e ele faz isso no dia seguinte, então quer saber?  Já chega.
Minha mãe me olhou sem dizer nada.
-Você me promete?
Ela suspirou parecendo nervosa.
-Eu não concordo, mas se você quer assim.
Eu apenas balancei a cabeça e fui me trocar.
Coloquei uma calça jeans e uma camisa transparente azul marinho e meu scarpin nude. Prendi meus cabelos e liguei para Ricardo, combinando de encontrar-me com ele no prédio da minha mãe dentro de uma hora.
Comecei a arrumar minhas coisas para voltar para São Joaquim e nesse meio tempo Malu chegou sem entender, pois, minha mãe havia ligado para ela.
Malu achou um absurdo eu não ir atrás de João para esclarecer a ele que era ela quem estava falando comigo. Disse a ela as mesmas coisas que disse à minha mãe. Eu não queria me humilhar para João Pedro depois de tudo que tínhamos passado na noite anterior. Mesmo contrariadas, minha mãe e Malu me prometeram que não falariam com ele. Minutos depois Ricardo chegou e eu assinei os papéis e os entreguei a ele.
Me despedi de Malu, que estava totalmente em desacordo comigo e logo após o almoço fui embora. Primeiro passei na revista, onde me encontrei com a Fabi e matei a saudade do pessoal. Mas depois segui viagem.
Quando estava em Florianópolis, liguei para Maria Helena. Também queria revê-la e me despedir dela. Ela me convidou para ir até a casa dela e poucos minutos depois eu estava lá.
Nós nos abraçamos quando nos vimos e começamos a chorar. Maria Helena se lastimou pelo fato de termos enfim assinado o divórcio. Ela não sabia nada sobre o André, aliás, nem tinha o que saber, além de um único beijo que eu dei nele.
Passamos algumas horas conversando e tomando chá. E então o celular dela tocou.
-Oi meu filho, como você está? Ela disse olhando em minha direção.
Meu coração acelerou, era o João.
-Estou em casa, pode vir direto para cá. A Alice está aqui tomando um chá comigo. -É, a Alice!
-Um beijo, espero você.
Assim que ela desligou o telefone, eu me levantei.
-Maria Helena eu preciso ir, está ficando tarde, e eu não quero pegar a estrada a noite.
-Alice, o João ainda nem está na cidade, está vindo, por favor, fique mais um pouco.

Eu me desculpei, mas saí de lá instantes depois, pois não queria correr o risco de cruzar com ele. Aliás, estava com ódio dele.28
Página virada
O caminho até São Joaquim eu fui chorando, depois pensando, novamente chorando. E para espantar os males, comecei a cantar algumas músicas da minha playlist do Coldplay, mas nada funcionava, nada me fazia sentir-me melhor. Cheguei em minha casa por volta das oito horas da noite e lá me trancafiei por dois dias.
Meus últimos momentos com João Pedro não saiam da minha cabeça. Era uma tortura lembrar-me da maneira como ele havia me beijado, me amado e me tocado. Ainda lembrava do cheiro dele em minha pele. Eu me sentia como um viciado em drogas em abstinência, era devastador.
No domingo pela manhã, enfim, consegui sair um pouco de casa. Fui até o centro da cidade, pois na praça estava tendo uma feira de livros antigos, e aquilo para mim foi como ir em uma boutique caríssima. Eu amava cada obra que estava ali.
Estava foleando um livro quando percebi alguém parar ao meu lado, olhei de relance e vi André, com as mãos nos bolsos da calça cargo marrom.
-Ei, sumida, como vai?
Eu o olhei, franzindo o cenho por causa do sol que batia em meu rosto.
-Divorciada. Falei tentando fingir algum humor.
-Eu sinto muito. Ele disse fingindo estar chateado.
Continuei a folear o livro e André pegou um livro qualquer e também fingiu interesse.
-E como você está? Ele indagou sem olhar em minha direção.
-Quanto é esse? Perguntei para a garota da banca.
-Dez reais. Ela respondeu.
Saquei os dez reais da bolsa e entreguei a ela, que imediatamente colocou o livro em uma sacola.
Me virei para André e suspirei fundo.
-Bom, eu posso dizer que sobrevivi. Não foi fácil, mas aqui estou eu. Disse soltando um meio sorriso. –Vai levar esse? Perguntei apontando para o livro que estava na mão dele.
-Ah, sim.
-Esse é sete reais. Disse a moça encarando-o.
André pagou a garota e em seguida veio ao meu lado.
-Acho que ela está paquerando você.
-Quem? A garota da banca?
-Hum hum.
André olhou para trás e deu a ela um sorriso.
-Ela é bonita. Falei sem pensar.
-Não faz meu tipo. Ele disse dando de ombros.
Andamos pela feira por mais algum tempo, mas já estava ficando tarde.
-Bom, eu vou voltar para casa. Falei desviando meus olhos dele.
-Você quer sair para almoçar em algum lugar?
-Hum, na verdade sair não, mas se você quiser, posso fazer um almoço para nós dois, o que acha?
Ele sorriu.
-Até que enfim provarei seus dotes culinários.
-Não se empolgue muito, mas vou tentar caprichar.
Fomos para minha casa em carros separados, já que nos encontramos por acaso. Assim que cheguei, André me ajudou a preparar um risoto de camarão e uma salada verde. Almoçamos em seguida e passamos a tarde toda jogando conversa fora e no final da tarde ele foi para o café. Confesso que foi uma tarde em que me senti leve, sem pensar em minhas dores e perdas. Mais tarde ele me ligou, me convidando para jantar com ele, mas eu não aceitei, alegando que estava cansada.
Tomei um banho, e liguei meu notebook para enviar minha matéria para a Fabi e em seguida respondi alguns e-mails das minhas leitoras. Tinha que dar continuidade em meu livro, mas não tinha inspiração alguma. Me vi parada em frente ao notebook sem saber o que escrever, então peguei um dos livros que havia comprado naquela manhã e deitei em minha minibiblioteca e comecei a lê-lo.
Acordei já era de madrugada, e fui para minha cama. Naquele momento, fiquei pensando em tudo o que o João Pedro havia me dito, da reação dele ao me ver no fórum, no modo como ele ficou desconcertado e lembrei-me do sorriso que ele abriu quando me viu no apartamento dele e depois da mudança de humor na manhã seguinte.
-Ele não assinou os papéis, levantou-se e saiu me deixando ali com o advogado. Então eu vim atrás dele.
-Claro que sim, foi isso que eu vim fazer aqui.
-Eu sei disso, eu também estou. Mas depois nos falamos direito.
-Beijos.
Foi exatamente isso que João Pedro escutou naquele telefonema, ou eu estava tentando me enganar, ou ele realmente achou que eu estivesse falando com o André e interpretou tudo errado. Talvez no lugar dele, eu também tivesse interpretado diferentemente da realidade, mas provavelmente eu teria escutado as explicações dele. Ou será que não! Será que ele se sentiu usado por mim? Esse assunto não saia mais da minha cabeça, mas não tinha nada mais a ser feito.
Fui até o banheiro e lavei meu rosto na água fria.
-Chega Alice. A página já virou, e agora a nova página está toda em branco esperando que você dê continuidade para seu final feliz. Eu disse para mim mesma.
Fui deitar e rezei muito para que Deus tirasse a tristeza de meu peito, e assim, não sei quando e nem como peguei no sono.

3 comentários:

  1. Amando!!! Aí meu Deus, qtos desencontros, conversas cruzadas... Aproveita o feriado e posta mais alguns capítulos!!!

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  2. Amando!!! Aí meu Deus, qtos desencontros, conversas cruzadas... Aproveita o feriado e posta mais alguns capítulos!!!

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  3. nossaaaaaaa ..... João deve ter perdido a confiança nela, mas ainda torço para um final felizzzz.....

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