" Recomeços "
Parte 14
Minha
vontade era de correr atrás do
carro, mas estava congelada, sem saber o que
fazer ou pensar. Alguns minutos depois, fui até a área e me sentei na escada de
madeira. Coloquei as mãos escondendo meu rosto e comecei a chorar sem parar.
Senti
uma mão em meus ombros.
-Alice,
eu mais uma vez não sei o que dizer. Nunca imaginei que fosse seu marido. Não
sei nem como me desculpar.
Balancei
a cabeça em tom de negação.
-Você
não tem culpa, André. Simplesmente é que eu e o João Pedro estamos nos
desencontrando cada vez mais, é isso.
-Acho
que é melhor eu ir embora, não é?
Olhei
para André que também parecia totalmente perdido.
-Eu sinceramente nem sei o que lhe dizer. Mas acho que hoje eu seria uma péssima
companhia.
-Não se
preocupe. Eu só fico preocupado em deixá-la aqui sozinha assim.
-Eu vou
ficar bem. Não se preocupe. Disse sem ao menos olhar nos olhos dele.
André
voltou para dentro da casa e logo saiu com a chave da caminhonete dele.
Levantei-me e o abracei em seguida.
-Você me
desculpa?
-Fica para um outro dia.
Concordei
com a cabeça e ele saiu.
Assim
que André se foi, voltei para dentro de casa e me tranquei. Caí no sofá
chorando sem parar. Eu tinha certeza que se eu e o João Pedro ainda tínhamos
chance de tentarmos outra vez, elas foram extinguidas naquela noite.
...
Passei o
resto da semana sem sair de casa. Estava um farrapo humano. Não tinha mais
falado com André e muito menos com João Pedro, apenas com Malu, que não sabia
mais o que me dizer.
Na
sexta-feira, eu estava em meu escritório, ouvi a campainha tocar. Desci as
escadas correndo e quando abri a porta, me deparei com Dr. Ricardo, o advogado da
família de João Pedro.
-Boa
tarde Alice. Ele disse parecendo-me sem graça.
-Oi Ricardo,
como vai? Eu disse estendendo-lhe a mão.
Ricardo
apertou minha mão, dando-me um meio sorriso.
-Eu vim
a mando do João Pedro.
-Entra.
Eu disse já imaginando sobre o que ele queria falar.
Ricardo
entrou e eu o pedi para que ele se sentasse. Ele sentou-se assim que eu me
sentei, e em seguida colocou a pasta sobre minha mesa de centro.
-Alice,
eu vim tratar do divórcio de vocês. O João Pedro estava adiando, adiando, mas essa semana ele me procurou e pediu que eu viesse.
Senti
meu peito sufocar. Meu coração ficou descompassado.
-Não,
tudo bem! Eu disse tentando disfarçar minha frustração.
Ricardo
suspirou fundo e retirou da pasta alguns papeis, dos quais falava sobre todos
os nossos bens. Ele me explicou em seguida como funcionava o divórcio e como
funcionaria a divisão dos bens.
João
Pedro havia deixado bem claro que queria que eu ficasse com a casa, pois era o
meu lugar preferido, conforme eu vivia dizendo. Eu também ficaria com dois
apartamentos que tínhamos de aluguel, e ele com outros dois apartamentos mais o apartamento que ele estava morando. Nossa poupança seria totalmente dividida, e
cada um ficaria com seu carro. Como eu tinha herdado um apartamento do meu pai,
assim como outros bens dele, isso não entraria na divisão.
João
Pedro abriu mão de todos os moveis, toda a decoração da casa, mas pediu uma
única coisa que ainda estava lá, que era um quadro do qual eu e Pedro havíamos
pintado para ele.
Eu sorri
de tristeza ao ouvir aquilo, tentando sufocar minha vontade de chorar. Disse ao
advogado que o que ele podia pegar o que ele quisesse da casa, aliás, tudo era
dele também. Mas teve uma coisa que eu não concordei, foi com a divisão do
dinheiro da poupança, pois ali também tinha um dinheiro de uma herança que o
avô deixou para o João Pedro. Então todo o dinheiro que estava guardado deveria
ficar para ele, afinal eu ainda tinha os investimentos do meu pai.
O
advogado ficou de falar com o João e marcamos na próxima quarta-feira, em
Curitiba, para que eu fosse assinar os papeis.
Quando Ricardo
foi embora, eu surpreendentemente não chorei, era como se eu estivesse
congelada por dentro. Sentei-me no banco de madeira que ficava em minha área e
passei horas ali sentada, sozinha, sem saber o que pensar.
Naquela
noite eu não consegui dormir de tanta tristeza, pensando em minha vida, em como
ela seria futuramente. Era uma mudança difícil demais, mas eu teria que passar
por ela também.
No
sábado à noite fui até o café, pedi um vinho, mas o André não estava por lá,
quando eu estava saindo, horas mais tarde, ele entrou com as filhas. Nós nos
cumprimentamos e eu as abracei. Elas insistiram que eu ficasse, mas eu achei indelicado atrapalhar aquele momento. Saí de lá e voltei para casa onde liguei para
minha mãe e contei a ela sobre o divórcio.
E como numa corrente, ela deve ter ligado para a Malu que me ligou em
seguida para saber como eu estava. Ficamos um bom tempo nos falando, mas logo
ela precisou ver o que Mariah queria com ela, que a chamava sem parar.
No
domingo acordei com a campainha, enrolei-me em um roupão e desci para ver quem
era. Era André.
-Bom
dia! Ele disse timidamente.
-Bom
dia! Eu disse dando-lhe um meio sorriso.
-Entra.
André
entrou e seguimos para a cozinha.
-Aceita
um café? Perguntei a ele.
Ele
balançou a cabeça positivamente. Eu coloquei a água para ferver e preparei o
coador com o pó. Em seguida sentei-me de frente para ele no balcão da cozinha.
-E como
você está?
-Estou
bem. As coisas enfim estão se resolvendo.
-Como
assim?
-Na
quarta-feira eu assino meu divórcio.
-E como
está sendo encarar isso?
-André,
não vou ser hipócrita em dizer que está sendo fácil, nunca é fácil uma situação
dessa, é uma dor forte e lenta, mas eu estou conseguindo passar por ela.
Ele
balançou a cabeça positivamente. A água do café ferveu e eu o coei em seguida.
Entreguei uma xícara para André e outra para mim.
-Eu me
sinto culpado por isso sabia?
-Claro
que não. Falei sem hesitar. –Minha separação com o João Pedro envolveu uma
série de acontecimentos, você e não teve culpa alguma.
-Então
você não me odeia? Afinal, quando ele veio para cá eu estava beijando você, e
na outra vez, eu estava dentro da sua casa.
-Isso não importa, na verdade eu acho que eu e o João desistimos um do
outro. Talvez seja me de recomeçar, sei lá, eu não deixei de amá-lo, e sei
que ele também me ama, mas o relacionamento já não existe mais.
-Eu
imagino que seja uma situação delicada. Mas...bom eu vim convidar você para
almoçar comigo e com minhas filhas, eu vou preparar um almoço no trailer, e
tanto elas quanto eu queríamos sua presença.
-Eu
aceito. Disse sem ao menos pensar. –Eu preciso sair um pouco daqui, pois estou
enlouquecendo.
-Então
eu espero você lá. Ele disse levantando-se.
André me
deu um beijo no rosto e fui com ele até a porta.
-Eu
preciso ir ao supermercado e já vou direto para lá. Então a hora que você
quiser ir, é só aparecer.
-Se você
quiser posso ajudar você com as compras. É só o tempo de um banho rápido.
Ele
sorriu.
-Eu
adoraria.
-Bom
então, sente-se que vou me arrumar.
Subi em
seguida, tomei um banho rápido e em seguida coloquei um short estampado com uma
camisa branca. Prendi meus cabelos em um rabo de cavalo, coloquei uma sapatilha
e desci em seguida.
Quando
André me viu, encarou-me maliciosamente mas disfarçou em seguida. Fui na
caminhonete dele, fomos direto ao supermercado e em seguida seguimos para o
trailer, onde as meninas ainda estavam dormindo.
Eu o
ajudei com o almoço e logo depois ele acendeu a churrasqueira. Algum tempo
depois, Lavínia e Mirela apareceram, ainda com cara de sono. Eu as cumprimentei
dando-lhes um abraço. Era meio estranho estarmos ali, eu, André e as filhas
dele, mas foi um dia excelente, onde nós conversamos muito, rimos muito,
assistimos um filme e no final da tarde ele me levou embora, pois as levaria
para o aeroporto.
Naquela
noite, estava feliz por ter passado o dia ao lado de pessoas que não me
relembravam meu passado. Assim que cheguei, escrevi minha matéria e em seguida
a enviei para Fabi. Respondi dezenas e dezenas de e-mail para minhas leitoras e
fui tomar um banho. Mais tarde sentei-me em frente ao meu notebook e continuei
a escrever meu livro.
Na
segunda e na terça-feira, eu e André saímos juntos pela manhã para corrermos.
Em seguida paramos no hotel onde tomamos café da manhã.
Na
terça-feira após voltar do hotel, tomei um bom banho e em seguida peguei a
estrada, pois iria para Curitiba, onde no dia seguinte assinaria meu divórcio.
27
Assinando os papéis
Malu me
abraçou fortemente assim que me viu.
-Alice,
como eu sinto sua falta, você não faz ideia.
-Eu
também sinto a sua. Disse a ela, abraçando-a ainda mais.
Abracei
Mariah em seguida e a apertei de tantas saudades que eu sentia.
Depois
de conversamos aleatoriamente sobre diversas coisas, Malu segurou minha mão e
me olhou no fundo dos olhos.
-Como
você está?
Eu sorri
tentando disfarçar minha inquietação.
-Bom,
não está sendo fácil recomeçar, aliás, é difícil demais, principalmente longe
de vocês.
-Mas
então volta para casa Alice.
-Malu,
eu não estou pronta para voltar a cruzar com o João por aí, mesmo longe, eu não
o esqueço, mas ainda assim é mais fácil conseguir seguir minha vida. Eu acho
que eu morreria se eu o visse o tempo todo e principalmente com outra pessoa.
-Ele
ficou muito mal também. Eu prometi a mim mesma que não tocaria neste assunto,
mas eu não consigo. O fato é que quando o João voltou de São Joaquim, ele quase
pirou, chorou por dias por sua causa. Eu só soube disso porque a Maria Helena
disse ao Bruno, ele precisou ficar na casa dela em Florianópolis o resto da
semana, voltou no domingo para Curitiba e quando foi ver a Mariah, eu ainda o
achei péssimo.
-Nem me
fale, eu tentei explicar a ele que o André só tinha ido me visitar, mas ele não
meu deu nem chance.
-Bom,
mas e amanhã, como vai ser? Você está preparada?
-Eu não
sei. Disse dando-lhe um meio sorriso. -Eu não sei. Repeti novamente.
Eu e
Malu conversamos por horas e ela e Mariah deixaram o apartamento de minha mãe
já era tarde da noite.
Dormi
pessimamente durante a noite, só pensando como seria o dia seguinte. Talvez ele
nem estivesse presente, o que era bem provável.
Acordei
por volta das sete horas da manhã, minha mãe me levou um café da manhã na cama
e ela deitou-se ao meu lado quando comecei a chorar. Por volta das oito e meia
da manhã eu me levantei e desci para a academia do prédio, onde corri na
esteira por mais de duas horas. Subi em seguida e tomei um bom banho.
-Alice.
Disse minha mãe adentrando em meu quarto enquanto eu ainda estava de roupão.
–Eu quero ver você no mínimo linda, então chamei meu cabeleireiro para cuidar
de você.
-Mãe,
para quê isso? Eu não vou conquistar o João Pedro, vou me divorciar dele.
-Eu sei,
por isso mesmo. Você tem que impressioná-lo ainda mais. Ela disse sorrindo.
Em
seguida o interfone tocou, e era exatamente o cabeleireiro dela.
Ele me
arrumou e cuidou de me deixar para cima, elogiando meus cabelos, minha pele,
meu corpo. Foi o que me deixou sentindo-me um pouco melhor. Ele hidratou meu
cabelo e depois de enxaguados o escovou. Delineou minha sobrancelha e somente
depois fez uma maquiagem discreta e elegante. Fizemos um lanchinho pois já era
na hora do almoço e eu havia marcado de me encontrar com o advogado uma e meia
da tarde.
Em
seguida fui me arrumar, onde coloquei um vestido branco com uma aplicação em
preto na barra e na parte posterior do vestido, coloquei um scarpin preto e uma
bolsa preta média.
Assim
que minha mãe e o Lú, o cabeleireiro dela, me viram ficaram de boca aberta.
-O quê?
Está exagerado? Perguntei apreensiva.
-Está
linda! Ele vai desistir de assinar, tenho certeza. Disse Lú.
Eu ri
com o comentário.
-Alice,
o João Pedro irá se arrepender com certeza. Você está linda.
-Parem
com isso vocês dois. Eu só quis usar branco para não parecer de luto em uma
roupa escura. Talvez seja uma forma de mostrar a ele que estou bem, sei lá,
mesmo não estando.
-Sábia
você minha filha. Disse minha mãe dando um sorriso para o Lú.
Exatamente
uma e meia da tarde eu estava no fórum, onde o Ricardo havia reservado uma sala
para assinarmos os papéis. Minhas pernas estavam totalmente bambas, meu
estômago parecia estar congelado e meu coração queria saltar pela boca. Mas
algo me dizia que João Pedro não apareceria.
Conforme
eu caminhava fórum adentro, veio em minha cabeça o dia em que eu voltei do
aeroporto para a casa da praia em Bombinhas, onde vi João Pedro sentado em
frente ao mar, e quando ele me viu, abriu um imenso sorriso e me pegou,
girando-me em volta dele. Aquela com certeza foi a decisão mais sábia da minha
vida, pois a partir dali, vivi os melhores momentos que alguém pudesse viver.
Mas vivi os piores também, perdendo tanto o Pedro, quanto o João. E naquele dia
eu estaria perdendo o João para sempre. Uma tristeza invadiu meu peito, mas me
segurei para não chorar.
Uma
atendente foi me guiando até a sala, onde o Ricardo estava me esperando. Eu não
perguntei se o João também estava, mas eu rezava para estar enganada, pois
tinha certeza que ele não iria.
Depois
de andar, virar à direita, depois para esquerda, subir alguns degraus e
novamente virar para direita, cheguei em frente uma sala, que estava com a
porta fechada. A atendente me deixou ali e saiu em seguida. Eu respirei fundo,
tentando não desmoronar ali mesmo, bati na porta e a abri em seguida.
João
Pedro e Ricardo olharam em minha direção e eu fiquei totalmente em reação. João
estava lindo, de terno e gravata, cabelos perfeitamente arrumados e barba por
fazer.
Eu o
olhei em seguida olhei para Ricardo.
-Boa
tarde! Com licença. Disse entrando em seguida.
Os dois
se levantaram e Ricardo pediu que eu me sentasse de frente para João. Mas
primeiramente eu fui até Ricardo e o cumprimentei, em seguida fiz o mesmo com
João, onde dei-lhe um beijo no rosto, e pude sentir o cheiro da minha colônia
preferida.
-Como
vai João? Perguntei olhando diretamente nos olhos dele.
-Bem, na
medida do possível. E você?
Mal,
mal, muito mal, morrendo de saudades de você. Pensei comigo mesma.
-Tentando
me adaptar. Falei olhando-o sem esboçar nenhum sorriso.
Ele
apenas balançou a cabeça e me sentei em seguida.
Ricardo
nos leu novamente a divisão dos nossos bens, onde me disse que João ainda fazia questão de dividir o dinheiro que estava na poupança. Eu tentei contestar, mas João
não me deixou falar. E simplesmente fez que não.
Eu
percebia que enquanto o advogado lia os papeis, João me olhava a todo o momento,
mas eu fingi não perceber.
Ricardo nos explicou alguns pontos importantes
e em seguida perguntou se estávamos de acordo com o que foi lido.
Ambos
apenas balançamos a cabeça.
-Vocês
estão prontos para assinarem os papéis? Indagou Ricardo.
Suspirei
fundo tentando me segurar para não sair correndo daquela sala. Olhei para João
Pedro e o flagrei olhando para mim novamente e dessa vez eu não desviei o
olhar, pelo contrário, continuei o encarando, como se perguntasse a ele se ele
estava tão infeliz quanto eu.
Então
João Pedro apenas balançou a cabeça, como se dissesse para Ricardo que estava
pronto.
Meu
coração doeu em ver que ele estava pronto. Ricardo pegou os papéis e os colocou
em frente ao João Pedro, entregando-lhe uma caneta. João segurou a caneta e a
encostou na linha onde teria que assinar. Quando foi assinar, hesitou por um
instante, então novamente olhou para mim e em seguida para os papéis. João
novamente levou a caneta até o local onde teria que assinar, e quando foi fazer
sua assinatura, parou novamente, levantando-se e deixando os papeis sobre a
mesa e saiu da sala em seguida. Deixando-me sozinha com Ricardo.
Ricardo
olhou para mim sem entender.
-O que
deu nele? Indagou Ricardo.
-Ricardo,
acho que ainda não estamos prontos para isso.
-Bom
Alice, é por isso que eu pergunto aos meus clientes se eles estão preparados,
pois eu sei que é muito delicado esse momento.
Fiquei
calada tentando pensar em algo a fazer.
-Eu
posso levar? Te devolvo depois.
-Pode.
Você vai falar com ele?
-Vou
tentar. Eu disse pegando os papeis sobre a mesa e saindo em seguida.
Após
descer as escadas, perguntei do João Pedro para as atendentes, uma delas me
informou que ele havia saído naquele mesmo instante. Fui até o MP, mas João
também não estava lá. Fui com meu carro até o prédio dele, e vi a Range Rover
Sport preta parada em frente ao prédio.
Estacionei
meu carro atrás do dele, peguei os papéis e saí. Quando o porteiro me viu,
imediatamente deixou-me entrar.
-Dona
Alice, quanto tempo, como vai a senhora?
-Sr.
Alex, tudo bem? Eu perguntei estendendo-lhe a mão.
Sr. Alex
apertou levemente minha mão e sorriu.
-O João
Pedro está aí? Preciso falar com ele.
Subiu
neste instante.
-Obrigada.
Falei dando-lhe um sorriso.
Após
subir dez andares, finalmente cheguei ao apartamento do João Pedro, apartamento
esse, o qual moramos juntos no início do nosso casamento. Quando eu fui tocar a
campainha, hesitei um pouco. Estava totalmente nervosa, pois nem eu mesma sabia
o que estava fazendo ali, sendo que no fundo estava feliz por ele não ter
assinado. Mas então em questão de segundos, decidi o que falaria para ele, eu
também não iria assinar os papéis e se ele quisesse poderíamos tentar mais uma
vez.
Toquei a
campainha duas vezes e nada. Mas na terceira vez João abriu a porta. Quando ele
me viu, seu semblante passou de triste para surpreso.
-Alice?
-João
Pedro, eu preciso saber o que você quer de mim. Uma hora manda seu advogado em
minha casa e uma semana depois desiste de assinar os papéis e me deixa sozinha!
João me
encarou. Seus olhos pareciam confusos. Quando nossos olhares se cruzaram, senti
minhas pernas bambas. Ele esticou a mão, segurando a minha e me puxou para
dentro do apartamento.
João
Pedro fechou a porta em seguida, e eu olhei ao redor, onde nosso casamento
havia começado, e tudo estava exatamente igual. Coloquei minha bolsa e os
papéis sobre um aparador e quando me virei ele estava bem atrás de mim.
-Sabe o
que eu quero de você? Ele me disse maliciosamente.
Não
respondi, apenas balancei minha cabeça fingindo não saber.
-Você.
Ele respondeu beijando-me em seguida.
Os
beijos de João Pedro eram sem dúvida nenhuma o melhor beijo que eu havia
provado. Mesmo após tantos anos, ainda me deixavam desconcertada. Eram doces,
delicados e muito envolventes.
Nos
beijamos como se estivéssemos famintos um do outro. O cheiro da pele de João
deixa-me ainda mais com vontade de tê-lo em meus braços. João Pedro pegou-me no
colo e fomos diretamente para o quarto.
João
delicadamente sentou-me em sua cama, passou a mão pelos meus cabelos, em
seguida pelo meu rosto e por último em meus lábios.
-Eu amo
você Alice. Amo tanto que chega a doer meu coração.
Seu
olhar era meigo e triste.
-Eu
também amo você. Eu disse sem hesitar.
Então eu
o puxei contra mim e novamente nos beijamos. Dessa vez, João Pedro
desceu o zíper do meu vestido e eu rapidamente desabotoei a camisa dele. João
beijou meus ombros, meu pescoço, meus seios e em segundos já estávamos fazendo
amor em nossa antiga cama. Foi sem dúvida nenhuma um dos melhores amores que
fizemos. Ele foi carinhoso e quente ao mesmo tempo.
Quando
nós terminamos, ele deitou-se ao meu lado, apoiando seu corpo sobre o cotovelo,
me fazendo carinho por todo o corpo com a outra mão.
-Você é
linda!
Eu sorri
acanhada. Ele encostou seu rosto entre meus cabelos, inalando meu cheiro.
-Alice,
eu senti tanto sua falta, a falta desse seu cheiro que me deixa louco.
Eu o
abracei fortemente e o beijei em seguida. Naquela tarde fizemos amor várias
vezes. Já estava à noite, levantamos, tomamos um banho juntos como antigamente,
onde João me beijou demoradamente. Em seguida usei uma camiseta dele e ficamos
deitados, juntinhos em nossa antiga cama. João pediu comida em um restaurante
que ficava próximo ao prédio.
Assim
que nosso jantar chegou, eu arrumei a mesa, enquanto ele pegava os pratos e os
talheres. Ele passou por mim e me selou os lábios, em seguida foi até a adega
climatizada e pegou um bom vinho.
Nós
jantamos, tomando vinho como se fossemos um casal de namorados. Ele segurava
minha mão a todo o momento, e sua felicidade era gritante, assim como a minha.
-Eu nem
acredito que você está comigo, sabia? Eu ficava pensando como seria nosso
encontro, como seria após assinarmos os papéis e como seria vendo você ir
embora novamente. Mas você está aqui comigo.
-Eu tive
medo que você não fosse. Sei lá. Achei que mandaria apenas seu advogado.
-Nem me
passou pela cabeça não ir. Eu tinha que ver você. E quando você entrou na sala,
eu simplesmente não sabia mais o que estava fazendo ali. Você entrou tão segura
e estava tão linda, que me deixou desconcertado, e confesso que não escutei uma
única palavra que o Ricardo disse.
Eu ri
emocionada.
-Quando
eu vi você eu também fiquei sem ação. Não demonstrei, mas estava muito nervosa
sentada de frente para você. Foi muito estranho.
Eu
suspirei e ele beijou meus lábios. E em seguida completou novamente meu copo
com vinho.
-João
Pedro, quando você foi até minha casa...
João
colocou seu dedo sobre meus lábios.
-Alice,
está tudo tão perfeito. Eu não quero tocar nesse assunto agora.
Eu
balancei a cabeça concordando.
Após o
jantar eu o ajudei com a louça e em seguida o telefone de João Pedro tocou. Ele
correu para atender, e abriu um largo sorriso quando soube quem era.
-Karen,
minha sogra amada! Ele olhou para mim nesse momento e nós rimos. Lógico que ela
ficaria feliz também.
-A
Alice? Ela está aqui comigo, não se preocupe.
Fui em
direção a ele que parecia uma criança com seu brinquedo novo.
-Só um
minuto que ela fala com você, te amo minha sogra.
João
entregou-me o telefone e me beijou em seguida.
-Oi mãe.
João
continuava a me beijar, dessa vez beijava meus ombros, e eu mal conseguia falar
com ela, pois estava toda arrepiada.
-Alice,
você quase me matou de preocupação, te liguei um milhão de vezes.
-Eu sei
mãe, mas acabei me esquecendo de te ligar, desculpa.
-Bom,
pelo jeito vocês estão se entendendo?
-Acho
que sim. Eu disse virando-me para João que estava me abraçando por trás.
-Depois a gente se fala.
Ela riu
aliviada.
-Mas
você irá dormir aí?
-Não sei
ainda mãe, mas eu aviso você, pode deixar.
-Eu
disse que ele não assinaria os papéis, você estava linda filha.
-Obrigada
mãe.
-Vou
ligar agora mesmo para o Lú, ele vai morrer de felicidade.
Fiz que
sim com a cabeça, mas João estava me tirando fora do ar.
Desliguei
em seguida e larguei o telefone sobre o sofá, e mais uma vez eu e João nos
amamos.
Dormimos
a noite inteirinha abraçados; João Pedro segurava minha mão, como se eu fosse
fugir. Na manhã seguinte, acordei bem cedo como de costume, mas a cama estava
tão boa ao lado do João que decidi ficar mais um pouco. E ele me abraçou ainda
mais.
Mais
tarde, abri os olhos por causa da claridade do quarto. Senti um cheiro
delicioso de café vindo da cozinha. Levantei-me e coloquei a camiseta de João e
fui até ele.
A mesa
da cozinha estava preparada para nosso café da manhã.
-Bom dia
meu amor. Disse ele vindo em minha direção.
-Hummm,
com certeza será um ótimo dia. Eu disse o abraçando.
-Vem,
vamos comer, pois estou faminto. Você usou todas as minhas energias ontem.
-Eu?
Acho que vou ficar dolorida por vários dias. Disse dando-lhe um sorriso.
João
inclinou-se e me selou os lábios. Em seguida sentamos para tomar nosso café da
manhã. Depois eu arrumei todas as coisas com a ajuda dele. Fomos tomar banho e
enquanto eu comecei a me arrumar, ele foi buscar o telefone, pois iria avisar
que não ia trabalhar naquele dia.
Coloquei
meu vestido e penteei meus cabelos e fui até a sala, e o flagrei com meu
celular em suas mãos. Eu não o questionei e fui até a geladeira pegar um copo
de água.
-Seu
celular estava vibrando, mas não deu tempo de atender. Ele disse vindo até mim.
-Não se
preocupe. Depois eu vejo quem era.
João me
beijou novamente, e me encurralou contra a parede.
-Alice,
eu fico louco só em ver você. Eu te amo.
Eu o
abracei com toda a minha força. Mas o telefone dele tocou e ele saiu para
atender, e pelo que eu entendi era o Bruno.
Em
seguida peguei meu celular e vi que tinha duas ligações de André e três
ligações de Malu, então decidi ligar para ela.
-Bom
dia. Eu disse toda sorridente indo até a sacada.
-Bom
dia? Como assim você passa a noite aí e nem me fala? Estava louca para saber
das novidades.
-Desculpa,
mas eu ainda não tive tempo de te ligar. Falei enquanto olhava a linda vista de
Curitiba.
-Me
conta, como foi?
Eu
suspirei nervosamente.
-Ele não
assinou os papéis e levantou-se e saiu me deixando ali com o advogado. Então eu
vim atrás dele.
-Ah, e
caiu nos braços dele, não foi?
-Foi.
Falei tentando conter minha felicidade.
-Agora
que ele desistiu do divórcio, você também desistiu, não é?
-Claro
que sim, foi isso que eu vim fazer aqui.
-Humm,
amiga fico tão feliz, você não imagina o quanto.
-Eu sei
disso, eu também estou. Mas depois nos falamos direito.
-Tá! E
aproveita seu homem.
Eu
sorri.
-Beijos.
Assim
que desliguei o telefone, pensei comigo mesma:
-Talvez
eu volte a morar aqui, fui muito feliz nesse lugar. -É isso. Vai ser aqui que vamos morar por
enquanto. Pensei alto dessa vez.
Fui até
o quarto e me deparei com João Pedro de terno e gravata.
-Mas
você disse que não ia trabalhar.
-É!
Surgiu um imprevisto e eu vou ter que ir. Ele disse sem olhar para mim. Em
seguida foi até o banheiro, arrumou os cabelos com gel, deixando-os perfeitos,
perfumou-se e veio em minha direção.
Seu
semblante já não era mais o mesmo de minutos atrás.
-Aconteceu
alguma coisa? Perguntei apreensiva.
João
olhou para mim, mas dessa vez desviou o olhar.
-Não!
Não aconteceu nada. Ele disse saindo de perto.
Fiquei parada
no quarto sem entender e minutos depois fui atrás dele na sala. Quando cheguei
lá, o vi com as chaves do carro na mão. E os papeis do divórcio na outra mão.
-Aqui
está! Todo seu.
Olhei
para ele sem entender.
-Você
assinou?
-Não foi
isso que você veio fazer? Eu não sou bobo Alice, eu ouvi tudo.
-João
Pedro, você está louco? Perguntei olhando incrédula para ele.
-Alice,
eu preciso ir, quando você sair, deixe a chave em baixo do tapete.
João
simplesmente virou as costas para mim e saiu em seguida. Fiquei paralisada no
meio da sala dele com os papéis assinado por ele, sem entender o que havia
acontecido.
-Ele não
ia fazer isso só porque viu as ligações do André! Ou ia? Perguntei a mim mesma.
Foi
então que eu me lembrei da conversa que eu tive com a Malu na sacada, com
certeza ele escutado parte dela e imaginou que eu estivesse falando com o
André.
-Mas que
inferno! E mais uma vez não me deixou explicar. Pensei comigo mesma.
Tentei
ligar para ele, mas ele não atendia o celular. Liguei milhares de vezes, mas
era em vão.
Fiquei desesperadamente sem saber o que fazer.
Cerca de
duas horas depois, percebi que ele não voltaria tão cedo. Estava acabada, com o
rosto inchado de tanto chorar, então senti ódio de João Pedro ter saído sem ao
menos saber com quem eu estava falando.
Cheguei
na casa da minha mãe irada. Assim que ela abriu a porta eu me joguei nos braços
dela e chorei novamente.
-Filha,
o que houve?
Então eu
contei tudo o que tinha acontecido naquela manhã. E ela assim como eu ficou sem
entender.
-Vocês
dois vão me deixar louca. Mas o que esse André tinha que ligar.
-Mãe,
mas eu ia dizer para o João que era com a Malu que eu estava falando, mas ele não me
deu nem chance. De novo ele me deixou sem me explicar.
Sentei-me
na poltrona da minha mãe e sentia que meus ossos tremiam de nervoso.
-Eu vou
falar com ele. As coisas não são dessa maneira. Ela disse indo em direção ao
telefone.
Eu voei
na direção dela.
-Nem
pensar. Você tem que jurar para mim que não falará com ele. Eu te imploro.
-Mas
Alice, por quê?
-Mãe, o
João Pedro me deixou sozinha no apartamento dele, me largou como se eu fosse
algo descartável. Tudo bem, ele até pode ter entendido errado, mas por que não
me escutou? Poxa, eu fui atrás dele, passei a noite com ele, fizemos juras de
amor a noite toda e ele faz isso no dia seguinte, então quer saber? Já chega.
Minha
mãe me olhou sem dizer nada.
-Você me
promete?
Ela
suspirou parecendo nervosa.
-Eu não
concordo, mas se você quer assim.
Eu
apenas balancei a cabeça e fui me trocar.
Coloquei
uma calça jeans e uma camisa transparente azul marinho e meu scarpin nude.
Prendi meus cabelos e liguei para Ricardo, combinando de encontrar-me com ele
no prédio da minha mãe dentro de uma hora.
Comecei
a arrumar minhas coisas para voltar para São Joaquim e nesse meio tempo Malu
chegou sem entender, pois, minha mãe havia ligado para ela.
Malu
achou um absurdo eu não ir atrás de João para esclarecer a ele que era ela quem
estava falando comigo. Disse a ela as mesmas coisas que disse à minha mãe. Eu
não queria me humilhar para João Pedro depois de tudo que tínhamos passado na
noite anterior. Mesmo contrariadas, minha mãe e Malu me prometeram que não
falariam com ele. Minutos depois Ricardo chegou e eu assinei os papéis e os
entreguei a ele.
Me
despedi de Malu, que estava totalmente em desacordo comigo e logo após o almoço
fui embora. Primeiro passei na revista, onde me encontrei com a Fabi e matei a
saudade do pessoal. Mas depois segui viagem.
Quando
estava em Florianópolis, liguei para Maria Helena. Também queria revê-la e me
despedir dela. Ela me convidou para ir até a casa dela e poucos minutos depois
eu estava lá.
Nós nos
abraçamos quando nos vimos e começamos a chorar. Maria Helena se lastimou pelo
fato de termos enfim assinado o divórcio. Ela não sabia nada sobre o André,
aliás, nem tinha o que saber, além de um único beijo que eu dei nele.
Passamos
algumas horas conversando e tomando chá. E então o celular dela tocou.
-Oi meu
filho, como você está? Ela disse olhando em minha direção.
Meu
coração acelerou, era o João.
-Estou
em casa, pode vir direto para cá. A Alice está aqui tomando um chá comigo. -É,
a Alice!
-Um
beijo, espero você.
Assim
que ela desligou o telefone, eu me levantei.
-Maria
Helena eu preciso ir, está ficando tarde, e eu não quero pegar a estrada a
noite.
-Alice,
o João ainda nem está na cidade, está vindo, por favor, fique mais um pouco.
Eu me
desculpei, mas saí de lá instantes depois, pois não queria correr o risco de
cruzar com ele. Aliás, estava com ódio dele. 28
Página virada
Meus
últimos momentos com João Pedro não saiam da minha cabeça. Era uma tortura
lembrar-me da maneira como ele havia me beijado, me amado e me tocado. Ainda
lembrava do cheiro dele em minha pele. Eu me sentia como um viciado em drogas
em abstinência, era devastador.
No
domingo pela manhã, enfim, consegui sair um pouco de casa. Fui até o centro da
cidade, pois na praça estava tendo uma feira de livros antigos, e aquilo para
mim foi como ir em uma boutique caríssima. Eu amava cada obra que estava ali.
Estava
foleando um livro quando percebi alguém parar ao meu lado, olhei de relance e
vi André, com as mãos nos bolsos da calça cargo marrom.
-Ei,
sumida, como vai?
Eu o
olhei, franzindo o cenho por causa do sol que batia em meu rosto.
-Divorciada.
Falei tentando fingir algum humor.
-Eu
sinto muito. Ele disse fingindo estar chateado.
Continuei
a folear o livro e André pegou um livro qualquer e também fingiu interesse.
-E como
você está? Ele indagou sem olhar em minha direção.
-Quanto
é esse? Perguntei para a garota da banca.
-Dez
reais. Ela respondeu.
Saquei
os dez reais da bolsa e entreguei a ela, que imediatamente colocou o livro em
uma sacola.
Me virei
para André e suspirei fundo.
-Bom, eu
posso dizer que sobrevivi. Não foi fácil, mas aqui estou eu. Disse soltando um
meio sorriso. –Vai levar esse? Perguntei apontando para o livro que estava na
mão dele.
-Ah,
sim.
-Esse é
sete reais. Disse a moça encarando-o.
André
pagou a garota e em seguida veio ao meu lado.
-Acho
que ela está paquerando você.
-Quem? A
garota da banca?
-Hum
hum.
André
olhou para trás e deu a ela um sorriso.
-Ela é
bonita. Falei sem pensar.
-Não faz
meu tipo. Ele disse dando de ombros.
Andamos
pela feira por mais algum tempo, mas já estava ficando tarde.
-Bom, eu
vou voltar para casa. Falei desviando meus olhos dele.
-Você
quer sair para almoçar em algum lugar?
-Hum, na
verdade sair não, mas se você quiser, posso fazer um almoço para nós dois, o
que acha?
Ele
sorriu.
-Até que
enfim provarei seus dotes culinários.
-Não se
empolgue muito, mas vou tentar caprichar.
Fomos
para minha casa em carros separados, já que nos encontramos por acaso. Assim
que cheguei, André me ajudou a preparar um risoto de camarão e uma salada
verde. Almoçamos em seguida e passamos a tarde toda jogando conversa fora e no
final da tarde ele foi para o café. Confesso que foi uma tarde em que me senti
leve, sem pensar em minhas dores e perdas. Mais tarde ele me ligou, me
convidando para jantar com ele, mas eu não aceitei, alegando que estava
cansada.
Tomei um
banho, e liguei meu notebook para enviar minha matéria para a Fabi e em seguida
respondi alguns e-mails das minhas leitoras. Tinha que dar continuidade em meu
livro, mas não tinha inspiração alguma. Me vi parada em frente ao notebook sem
saber o que escrever, então peguei um dos livros que havia comprado naquela
manhã e deitei em minha minibiblioteca e comecei a lê-lo.
Acordei
já era de madrugada, e fui para minha cama. Naquele momento, fiquei pensando em
tudo o que o João Pedro havia me dito, da reação dele ao me ver no fórum, no
modo como ele ficou desconcertado e lembrei-me do sorriso que ele abriu quando
me viu no apartamento dele e depois da mudança de humor na manhã seguinte.
-Ele não
assinou os papéis, levantou-se e saiu me deixando ali com o advogado. Então eu
vim atrás dele.
-Claro
que sim, foi isso que eu vim fazer aqui.
-Eu sei
disso, eu também estou. Mas depois nos falamos direito.
-Beijos.
Foi
exatamente isso que João Pedro escutou naquele telefonema, ou eu estava
tentando me enganar, ou ele realmente achou que eu estivesse falando com o
André e interpretou tudo errado. Talvez no lugar dele, eu também tivesse
interpretado diferentemente da realidade, mas provavelmente eu teria escutado
as explicações dele. Ou será que não! Será que ele se sentiu usado por mim?
Esse assunto não saia mais da minha cabeça, mas não tinha nada mais a ser
feito.
Fui até
o banheiro e lavei meu rosto na água fria.
-Chega
Alice. A página já virou, e agora a nova página está toda em branco esperando
que você dê continuidade para seu final feliz. Eu disse para mim mesma.
Fui
deitar e rezei muito para que Deus tirasse a tristeza de meu peito, e assim,
não sei quando e nem como peguei no sono.

Amando!!! Aí meu Deus, qtos desencontros, conversas cruzadas... Aproveita o feriado e posta mais alguns capítulos!!!
ResponderExcluirAmando!!! Aí meu Deus, qtos desencontros, conversas cruzadas... Aproveita o feriado e posta mais alguns capítulos!!!
ResponderExcluirnossaaaaaaa ..... João deve ter perdido a confiança nela, mas ainda torço para um final felizzzz.....
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