terça-feira, 2 de junho de 2015

" Recomeços " Parte 12 por Érika Prevideli

 " Recomeços"


Parte 12


22
Florianópolis
Na manhã seguinte, tentei ligar para João Pedro, e claro que o celular dele só caía na caixa postal. Fiz o checkout, mas não podia sair antes de me despedir de André. Fui informada que ele estava em seu escritório e então fui até lá e bati na porta.
-Entra! Disse ele sem ao menos saber de quem se tratava. Quando eu abri a porta ele ficou desconcertado ao me ver.
-Alice? Nunca imaginei que fosse você. Ele disse levantando-se em seguida e vindo até minha direção. –Como você está? Ele continuou.
-Bom dia, André! Estou bem, é sério! Vim me despedir, estou indo para Floripa, assim chegarei cedo no hotel, encontro o pessoal da revista e me aprofundo dos últimos acontecimentos.  Estou enferrujada, então vai ser bom chegar com antecedência.
-Alice, não dormi à noite toda, só pensando em você, em como você estava. Eu estou me sentindo péssimo com o que aconteceu, e por mais que você me diga que não foi minha culpa, eu sei que foi. Eu beijei você, não que eu me arrependa, beijaria você até meu último segundo de vida, mas com isso, coloquei tudo a perder. Mas eu só te peço uma coisa, vai, faz o que você precisa fazer e volte para cá, pois eu estou completamente apaixonado por você e quem sabe dá certo. Eu juro que farei o possível e o impossível para que dê certo.
Confesso que fiquei surpresa com a declaração de André pois eu não fazia ideia das pretensões dele.
-André, as coisas não são tão fáceis assim. Você mal me conhece. E uma coisa eu te falo, sou completamente cheia de defeitos.
-Não para mim. Tenho certeza disso.
Eu ri sem graça.
-Eu prometo que vou pensar. Eu disse dando-lhe um sorriso afável.
Nós nos abraçamos e eu lhe dei um beijo em seu rosto.
-Dê um grande beijo nas meninas por mim.
André balançou a cabeça e eu saí em seguida sem olhar para trás.
Três horas depois, eu já estava em Florianópolis, instalada no hotel, no mesmo hotel em que toda a equipe da revista ficaria. Aproveitei que cheguei mais cedo e tentei descansar um pouco, mas nada, nada me tirava da cabeça as imagens de João Pedro me vendo nos braços de André. Fiquei deitada na cama do hotel, lembrando em cada palavra que ele me disse, e principalmente do olhar magoado dele para mim. Foi uma experiência terrível, da qual eu queria apagar da minha memória, mas era impossível. E eu sabia que no fundo, João estava coberto de razão, pois, eu o abandonei por ele ter me traído e dias depois eu fiz a mesma coisa com ele.
Minhas lágrimas teimavam em cair, e mais uma vez tentei falar com ele em vão, pois ele não me atendia nem no celular, nem no fórum e muito menos em nossa casa. Liguei para Malu, que também não estava no escritório dela e não atendeu ao celular. Me vi literalmente sozinha.
Horas depois fui informada que a equipe da revista já havia chegado. Liguei para minha editora-chefe e marcamos uma reunião no bar do hotel. Tomei um banho demorado, afinal, depois de tanto tempo sem vê-los, não queria que eles me vissem mais uma vez acabada. Coloquei uma calça cigarrete preta e uma regata verde de seda. Arrumei meus cabelos e tentei amenizar a expressão pesada em meu rosto.
Fabi já me esperava no bar do hotel, e como sempre linda e moderna. Fabi era uma mulher alta, magérrima, cabelos castanho na altura dos ombros que estavam sempre com cara de “pós salão de beleza”, era uma pessoa incrivelmente inteligente, comunicativa e sabia ser dura sempre que necessário, e isso intimidava a maioria das pessoas que trabalhavam com ela. Mas nossa relação sempre foi mais informal, talvez por nos conhecermos desde quando ela me deu aula na faculdade no último ano, então eu meio que sabia o jeito dela, e ela sabia o quão dedicada eu era, mesmo não estando presente fisicamente na revista.
            Fabi tinha uma namorada, a Leila, que também era da época da faculdade. Elas estavam juntas desde então. E esse era mais um dos motivos pelo qual ela me respeitava bastante, pois eu sempre fui extremamente discreta em relação ao namoro delas.  O que era segredo para a maioria das pessoas da revista.
Conversamos por algum tempo, colocando as fofocas em dia, ela foi extremamente atenciosa comigo, e logo em seguida o resto do pessoal juntou-se a nós. Voltamos para nossos quartos já era tarde da noite.
Quando cheguei, verifiquei meu celular e tinha inúmeras chamadas da minha mãe e algumas da Malu, como era tarde da noite, não liguei para nenhuma delas e fui dormir.
Durante toda a semana tivemos reuniões e palestras praticamente o dia todo e sempre saíamos para comer alguma coisa durante à noite. Foi uma semana cansativa, mas muito produtiva, o que por sorte me fez esquecer pelo menos um pouco dos meus problemas.
Falei com Malu algumas vezes, mas ela ainda não tinha visto e nem falado com João. Só sabia que ele estava arrasado e afogando as mágoas em noitadas em bares da cidade. Aquilo me deixou destruída por dentro, era impossível não me abalar ao saber o modo que ele estava. O sábado teríamos o dia todo livre, porém, a noite teríamos uma festa em homenagem à revista.
Eu não estava nem um pouco animada em ir à tal festa, porém, ninguém podia faltar. Depois de um dia inteiro de spa com as outras meninas da revista, chegamos a festa, que era um luxo só. Usei um vestido preto de renda na altura dos joelhos, deixando algumas partes do corpo com certa transparência, mas sem deixar de ser elegante e discreto. Passei parte da noite com a Fabi e as outras meninas, mas como se não bastasse, quando saímos da festa, elas quiseram ir em uma boate badalada da cidade.
Eu fui contrariada pois estava cansada e queria voltar para o hotel, pois no dia seguinte voltaria para Curitiba. Alguns drinques depois, já me sentia mais à vontade com o ambiente. Tiramos diversas fotos para revistas de fofocas, sites da cidade e coisas do tipo.
Estávamos em um camarote, as meninas dançavam animadamente e eu estava mais retraída. Olhei de relance e vi alguém me encarando. Olhei novamente e tive a impressão de ser o João Pedro. Mas em seguida eu não o vi mais. Fiquei desesperada, andei pela boate inteira, mas não tinha mais nem sinal dele. Fabi me disse que eu estava vendo coisas, talvez fosse a tequila, mas eu tinha quase certeza de que era ele realmente.



23
Ele sempre vem me ver
No dia seguinte voltei para Curitiba. Minha primeira parada foi no apartamento da minha mãe.
Quando ela abriu a porta, ficou totalmente surpresa.
-Alice? Ela disse eufórica.
-Oi, mãe!
-Filha, que saudade! Ela disse me abraçando fortemente.
E foi nesse momento que eu não resisti e desabei nos braços dela. Toda a emoção que eu havia guardado a semana toda, derrubei nos braços de minha mãe.
Nós entramos e eu deixei minhas coisas no chão e continuei abraçada a ela, chorando sem parar.
-Filha, eu nem sei o que te dizer. Eu queria tanto ajudar você, mas eu não sei como.
-Você soube o que houve?
Ela me olhou complacente.
-Já! O João Pedro veio aqui no começo da semana, estava arrasado Alice. Estava destruído assim como você. Ele ama você filha, ama muito, mas também está muito magoado. O que vocês estão fazendo um para o outro? Eu não consigo entender!
-Eu não sei mãe. Não sei como as coisas chegaram a esse ponto. E eu vi nos olhos dele todo o ressentimento. Mas e quanto a mim? Será que ele se esqueceu do que ele me fez?
-Não Alice, claro que não. Ele vinha aqui todos os dias saber notícias sua. Nós conversamos muito sobre vocês, ele tinha planos de recomeçar, de viajar com você para uma segunda lua-de-mel, enfim, ele estava disposto a reconquistá-la de todas as formas, e tenho certeza que ele aceitaria qualquer imposição sua.
-Mãe, eu preciso te contar o que houve, não foi nada demais, eu juro. Você precisa acreditar em mim.
-Eu acredito em você, sempre, minha filha! Vem, vamos lá, vamos para seu quarto, e você me conta tudo o que aconteceu, desde o começo. Ela disse me pegando pela mão.
Eu e minha mãe passamos horas conversando, contei a ela tudo o que realmente aconteceu, desde que eu encontrei João no bar com a tal garota, até ele me ver com o André.
Minha mãe não foi muito com a cara do André, só de me ouvir falar dele. Ela o achou pretencioso e conquistador barato, que queria me levar para cama a todo custo. Mas eu não o enxergava dessa forma, ele não era um conquistador barato, pelo contrário, era uma pessoa muito especial e que de certa forma fez com que eu me sentisse viva. Mas enfim, era a opinião dela.
Eu que iria apenas fazer uma visita rápida para minha mãe, acabei almoçando, jantando e dormindo por lá. Na segunda-feira pela manhã, ela foi comigo até minha casa, e quando cheguei, um vazio enorme fez meu coração doer. A casa estava intacta, porém, sem nenhum sinal das coisas do João Pedro.
Ao entrar na casa, relembrei de como ela era alegre, com o Pedro correndo para lá e para cá, os brinquedos dele esparramados pela casa, o João tentando assistir televisão, com todo o barulho que o Pedro fazia, enfim, era a vida que eu sempre desejei ter, com os meus homens ao meu lado, me enchendo de felicidade. Mas que de repente nada mais existia, nem o Pedro, com o sorriso lindo e iluminado dele, nem os seus brinquedos esparramados, nem o João estava mais lá, nem ao menos as coisas dele. Era só uma grande casa vazia. Mas ela transbordava saudade, pois foi ali que eu vivi sem dúvida nenhuma os melhores anos da minha vida.
Eu me segurei, mas deixei minha mãe e fui até o jardim, onde era o lugar preferido do Pedro. Sentei-me no banco branco de madeira e comecei a chorar novamente, lamentando tudo o que eu havia perdido em minha vida.
Algum tempo depois, minha mãe veio em minha direção, com um papel nas mãos.
-O que é isso? Perguntei sem entender.
-Eu não sei filha, mas é para você. Ela me disse entregando-me um envelope.
Assim que eu o abri, estava escrito com a letra do João Pedro:
Alice, favor entrar em contato com o nosso advogado o mais breve possível.
Eu li e reli o bilhete deixado pelo João, e minha única atitude foi rasgar o bilhete e jogar os pedaços de papéis no chão.
-O que você vai fazer, filha?
-Nada. Se ele quiser, o advogado dele que me procure. Eu não vou atrás de ninguém. Eu disse me levantando em seguida.
Senti uma onda de raiva, com revolta, e dor, tudo ao mesmo tempo.
-Vamos, mãe! Eu disse saindo e deixando-a para trás.
Eu e minha mãe voltamos para o apartamento dela, e de lá eu liguei para Malu, que em minutos correu me ver.
Assim que o interfone tocou, senti um frio na barriga, cheguei a imaginar que Malu tivesse avisado João e que era ele quem estava lá. Mas não era, era a Malu.
-Aliceeeee! Que saudades! Como você está? Disse ela me abraçando forte.
Nós entramos e Malu pegou uma das minhas mãos e em seguida me analisou olhando-me dos pés à cabeça.
 –Uauuu, você está linda! Esperava te encontrar, sei lá, mais arrasada. Mas não! Você está maravilhosa! Ela disse dando-me um lindo sorriso.
Malu colocou sua Louis Vitton sobre o aparador e sentou-se no sofá, me levando com ela.
-Me conta tudo, quero todos os detalhes. Ela disse ansiosa.
-Malu, primeiro me fala do João Pedro. Você o viu?
Malu suspirou fundo, como se tomasse coragem para me dizer algo.
-Sim. Ontem nós fomos para Florianópolis, e ele estava debaixo da asa da mãe dele.
-Então foi ele que eu vi na boate? Indaguei surpresa.
-Foi sim! Ele também viu você. Ele não me disse nada, aliás eu acho que ele nunca mais me dirá nada, ele meio que me culpou por eu saber onde você estava e não dizer a ninguém. Eu jurei que também não sabia, mas ele não acreditou. Bom, mas enfim, ele disse ao Bruno que viu você chegar com umas garotas, das quais ele só reconheceu a Fabi, mas ele deduziu que as outras meninas também fossem da revista. João disse que você parecia feliz e que estava linda. Estava tão linda que ele precisou ir embora antes que cometesse algum erro, tipo, indo atrás de você.
Meus olhos começaram a encher de lágrimas e sem que eu conseguisse me segurar, elas começaram a cair sem parar.
-Alice, você não tem que chorar, a culpa não é sua. Aliás que o João anda cometendo uma sucessão de erros, você sabe que ele tem bebido muito, e grande parte do que tem acontecido entre vocês é culpa da bebida. E desde que o João Pedro foi para São Joaquim e viu você com o tal de André, tem se mostrado forte, determinado e decidido em relação ao término do casamento. Tanto que faz questão de deixar bem claro que está saindo todos os dias e aproveitando ao máximo a vida dele. E o pior, é que às vezes ainda convida o Bruno para ir com ele. Mas no fundo, eu sei que ele está fazendo isso justamente para eu contar para você.
-E ele tem saído com alguém?
Malu olhou para mim exasperada e em seguida olhou para minha mãe.
-Tem?
-Eu não sei dizer. Na verdade, eu escutei sem querer, quer dizer, eu escutei eles conversarem e eu ouvi o João dizer que depois que ele saiu de São Joaquim, ficou tão cego de ódio que acabou saindo com uma garota que ele conheceu em um barzinho, mas ele nem se lembrava o nome dela de tão bêbado que ele estava. Mas lógico que você nem deve se preocupar com isso. Ele fez isso para se vingar. Ele disse que achou que fosse possível esquecer você, mas quando a viu na boate ficou desconcertado, tanto que precisou ir embora. Ele esperava encontrar qualquer pessoa naquela boate, menos você.
-Eu me sinto péssima pelo o que aconteceu. Eu juro que não queria que nada disso tivesse acontecido. Juro que não beijei o André para me vingar dele, aliás que eu evitei o André ao máximo.
-Filha, ninguém está culpando você por nada. Foram as circunstâncias que levaram você a conhecer outra pessoa. Tudo bem, você pode ter errado, mas ninguém pode julgar você, pois foi o próprio João Pedro que acabou favorecendo essa situação. O que você pode fazer é ter uma conversa séria com ele. Sei lá, tentar resolver essa situação. Se você o ama, por que não o perdoar. Assim como ele, que agora se encontra na mesma situação. Se ele a ama, por que não perdoar você!
Eu suspirei com dificuldade, tentando pensar em uma solução.
-É Alice, agora é o João Pedro que está com o ego ferido. Mas ele ama você, isso não é segredo para ninguém. Completou Malu.
-Eu vou falar com ele. Não sei se ele vai me escutar, mas nós temos que ter uma conversa séria, seja lá qual for o resultado dessa conversa. Embora ele me deixou um bilhete, onde me pediu para que eu procurasse o advogado dele.
-Ele fez isso? Perguntou Malu, intrigada. –Mas isso foi apenas para chamar sua atenção, tenho certeza. Concluiu ela.
Naquela noite eu e minha mãe fomos jantar na casa de Malu e Bruno. Quando cheguei na casa dela, Mariah correu em minha direção e me abraçou com força.
-Tia Alice, eu estava com saudades, onde você estava?
Eu a segurei em meu colo e me lembrei de como era abraçar Pedro. Eu a apertei contra meu corpo e segurei-me para não começar a chorar.
-A tia precisou ir viajar a trabalho. Mas me fala, como estão as coisas? E a escolinha, como está?
Mariah me olhou e sorriu.
-Tia, o Pedro vem me visitar quase todos os dias, sabia?
Estremeci dos pés à cabeça.  O ar me faltou. Meu coração parecia esmagado. Não sabia nem o que dizer.
-Como assim, ele vem aqui ver você?
Ela apenas abriu um sorriso e concordou com a cabeça.
-Mariah, por favor! O que nós combinamos? Disse Malu advertindo a garota.
-Não, Malu, tudo bem, deixa ela falar.
-Não tia, eu não posso. Meu pai me proibiu de falar nisso com você e com meu tio. Ele disse que isso deixaria vocês ainda mais tristes, então eu não posso falar. Mas vem, vamos ver meu quarto.
Eu segurei na mãozinha dela e a segui em direção ao quarto dela. Minha vontade era de saber tudo sobre meu filho, como ele estava, o que ele dizia, o que ele fazia.
Quando eu vi que estávamos apenas nos duas no quarto, eu olhei para ela e sussurrei.
-Mariah, o Pedro sempre gostou muito de você, vocês eram como irmãos, então se ele vem te ver é porque ele te ama muito, e eu juro que não vou ficar triste, pelo contrário, eu quero saber dele. Eu preciso saber como ele está?
Mariah disfarçou e continuou a brincar com as bonecas. Mas depois de alguns instantes ela disse bem baixinho.
-Ele vem sempre me ver, a gente brinca, conversa. Ele está bem, quer dizer, tem dias que ele parece um pouco triste, mas depois ele sempre melhora.
-Como assim triste? Ele fala para você o que o deixa triste?
Nisso alguém bate na porta e a abre lentamente. Olhei aflita e vi Bruno.
-Oi meninas! Disse ele todo simpático.
-Bruno! Eu disse como se tivesse sido pega em flagrante novamente.
Levantei-me e fui até ele e o abracei.
-Como você está Alice? Sentimos sua falta!
-Oi meu amigo! Falei abraçando-o ainda mais forte. Posso te chamar assim ainda?
-Claro que sim, independente do que aconteça, nós seremos sempre amigos Alice. Você pode contar comigo para o que der e vier, o que você precisar e estiver ao meu alcance, farei por você.
Olhei para ele e balancei a cabeça positivamente.
-Obrigada Bruno! Não esperaria outra coisa de você.
-Pai, deixa a tia Alice brincar comigo! Disse Mariah fazendo biquinho.
-Claro filha, mas antes, vem aqui me dar um abraço. Bruno disse ficando de joelhos para abraçar a filha.
Percebi que ele disse algo no ouvido dela, e ela apenas concordou.
-Bom, eu vou deixar vocês brincando e vou tomar um banho, e já volto.
Eu e Mariah concordamos e Bruno saiu em seguida.
-Está vendo só tia, eu não posso mais falar sobre o Pedro com você.
Suspirei fundo tentando sufocar a tristeza em meu peito.
-Tudo bem, vamos brincar então. Eu disse sufocando minha vontade e disfarçando à necessidade imensa de falar sobre o Pedro.
Não conseguia me concentrar em mais nada, apenas no Pedro, no porquê de ele estar triste.
Eu e Mariah brincamos por algum tempo, mas logo Malu nos chamou porque o jantar logo seria servido.
Após o jantar, eu, minha mãe, Malu e Bruno ainda conversamos um pouco ao redor da piscina. Percebi que Malu estava agitada, foi então que deduzi que ela ou Bruno tivessem chamado o João, mas ele não foi. 
Mariah começou a ficar manhosa, pois estava com sono. Eu e minha mãe nos levantamos para nos despedirmos.
-Não Alice, ainda está cedo. Eu vou fazer a Mariah dormir, mas me espera aqui, por favor. Ainda temos muito que conversar.
-Não Malu, já tomei tempo demais de vocês. Vocês também precisam descansar.
Malu olhou para Bruno exasperada e disfarçadamente fez sinal para ele ligar para o João. Bruno disfarçou e disse que ele não estava atendendo o celular. Eu fingi não perceber o que eles estavam planejando, despedi-me deles e em seguida peguei Mariah em meu colo e a abracei forte.
-Diga ao Pedro que eu o amo mais do que tudo nesse mundo, e que eu sinto muito a falta dele. Eu disse sussurrando no ouvido dela.
Mariah apenas deu um sorriso e balançou a cabeça concordando. Em seguida me abraçou e beijou meu rosto.
Saí da casa de Malu com meu coração apertado. Quando entrei no carro de minha mãe, não consegui me segurar e comecei a chorar descontroladamente. Minha mãe parou o carro no meio da rua e me abraçou sem entender.
-Alice, minha filha, o que foi? É por causa do João?
Eu não conseguia responder à pergunta dela, era como se um nó tivesse formado em minha garganta.
-Não mãe, por causa do Pedro. Respondi entre soluços. -Acho que a Mariah consegue sentir a presença dele, ela não soube me explicar direito.
Minha mãe não disse nada, apenas me abraçou fortemente.
Fábio já estava no apartamento esperando por minha mãe, ele tinha acabado de chegar de uma viagem de negócios. Conversamos um pouco, mas eu ainda estava totalmente desnorteada por causa do Pedro, quando eu falei para minha mãe que iria embora, ela simplesmente me impediu, alegando que eu não estava em condições de voltar para minha antiga casa naquela noite. Acabei concordando após a grande insistência de minha mãe e Fábio, porém eu me sentia invadindo a privacidade deles. Fui para meu antigo quarto, acabei passando outra noite ali, mas diferentemente da noite anterior, chorei o tempo todo, só pensando em meu filho, no quanto eu queria poder vê-lo, poder tocá-lo e abraçá-lo mais uma vez. As horas custaram a passar, e eu apenas rezei para que meu filho não ficasse mais triste.
Na manhã seguinte, eu e minha mãe saímos para comprar algumas coisas para minha casa. Decidi que precisava voltar para meu lar, mas para isso, precisava dar a ele vida novamente. Comprei algumas decorações, alguns móveis diferenciados, coloquei muitas flores, abastecemos os armários, a geladeira. E fizemos uma boa limpeza na casa, embora não estivesse tão suja, já que Bel ainda continuava a ir de vez em quando, a mando de João Pedro.
Eu só precisava me sentir em casa novamente. Mas no final da tarde, assim que minha mãe foi embora, a tristeza e a solidão invadiu meu coração novamente, e percebi que era impossível ficar ali sozinha.
Tentei assistir a um filme, mas não conseguia me concentrar. Peguei um livro e comecei a folheá-lo, mas também não me prendia a atenção, joguei o livro no sofá e subi para meu escritório onde tentei escrever, mas isso também não funcionou. Eram lembranças demais, tanto de João como de Pedro e embora eu não quisesse me desfazer daquela casa onde passei os melhores momentos da minha vida, eu não conseguia ficar sozinha nela. A noite parecia não ter fim, foram horas terríveis, mas enfim o dia amanheceu, e só então eu consegui dormir um pouco.  Quando acordei, tomei um banho, me arrumei e saí para ver o João Pedro, não queria falar com os advogados dele, era com ele que eu precisava falar.
Fui até ao Ministério Público, mas quando foram avisar o João que eu estava lá, a assistente dele voltou e me disse que João Pedro estava em uma reunião e que iria demorar. Eu disse que esperaria, e assim o fiz. Esperei por João horas e horas. Mas não tinha nem sinal dele. Falei com a assistente novamente e ela insistiu que ele ainda estava em reunião com uns advogados e outro promotor.
Eu sabia que era apenas uma desculpa para ele não me atender. Então eu saí sem dizer nada. Me senti uma boba esperando por João cerca de três horas, que simplesmente não me atendeu, e ainda me deixou plantada esperando por ele. Saí do fórum revoltada, voltei para minha casa, carreguei meu carro com as minhas malas e objetos pessoais fui me despedir da minha mãe.
Minha mãe abriu a porta toda preocupada.
-Alice, tentei falar com você à tarde toda. Ela disse me abraçando em seguida. –Estava preocupada, filha. Como foi sua primeira noite em sua casa novamente?
-Mãe, eu vim me despedir!
-Como assim? Você vai para onde? Você estava toda animada ontem? Aconteceu alguma coisa?
-Não mãe, não aconteceu nada, mas foi terrível ficar lá sozinha. Eu preciso recomeçar minha vida, mas em outro lugar que não me traga tantas recordações. Vou enlouquecer se ficar sozinha naquela casa.
-Mas e o João? Vocês precisam conversar.
- Eu tentei falar com o João Pedro, juro que tentei. Pensei que realmente pudéssemos conversar, nem que fosse para colocar um ponto final em nossa história, mas ele não quis falar comigo, mãe.
Ela arregalou os olhos exasperada.
-Eu fui até ao MP e ele me deixou plantada por horas esperando por ele; disseram que ele estava em reunião e mesmo assim decidi esperar.
-Ele não quis falar com você?
-Não mãe. Quando ele soube que eu estava lá, simplesmente inventou uma desculpa e me deixou esperando por horas. Então para mim já chega, eu não foi ficar implorando por atenção dele. Se o advogado dele quiser entrar em contato comigo, passe o novo número do meu celular e diga que estou em São Joaquim.
-Alice, você voltar para lá? Ela me perguntou incrédula.
-Vou! Sei lá, vou alugar uma casa, uma cabana, um chalé, o que eu achar. Mas eu quero ficar lá por um tempo. Não se preocupe, eu não vou fazer nada que me arrependa depois. Não vou me jogar nos braços do André, não se preocupe. Pelo contrário, preciso ficar sozinha.
-Quer saber de uma coisa Alice? É o João Pedro quem está perdendo. E quando ele acordar pode ser tarde demais.
-É, mas eu não estou disposta a esperar que ele acorde, talvez ele nem queira mais acordar.

Eu abracei minha mãe e algum tempo depois estava na estrada voltando para São Joaquim.

2 comentários:

  1. Queria ler mais hoje kkkkkkk.....estou inconformadaaaa. .....

    ResponderExcluir
  2. Erika....preciso de mais.... Por favor....estou.louca de curiosidade

    ResponderExcluir