" Recomeços "
Parte 03
Sim,
ele vai pirar quando souber. Mas ele também está comemorando, então não pode
falar nada. Eu pensei tentando me convencer de que eu estava certa.
Malu
foi para o quarto por volta das seis horas da manhã, estava amanhecendo.
-Alice,
está dormindo? Alice! Alice!
Abri
os olhos querendo enforcá-la.
-Te
acordei?
-Não
só estava me descansando os olhos. Claro que me acordou!
-Estou
apaixonada pelo Bruno, amiga!
-Mas
já? Você o conheceu ontem.
-Eu
sei, mas ele é perfeito, carinhoso, bonzinho, gostoso. Não consigo desgrudar
dele.
-Eu
percebi. Eu disse cobrindo meu rosto por causa da luz bem na minha cara.
-O
que eu faço?
-Tenho
uma ideia, dorme e amanhã fica com ele novamente.
-Por
isso que eu amo você. Você tem razão!
Assim
que acordamos e nos arrumamos, sentamos ao redor da grande mesa para o café da
manhã. João Pedro sentou-se ao meu lado, mas estava mais calado que na noite
anterior. Meu celular tocou e era o Otávio, eu olhei mas não atendi, meu
coração quase saiu pela boca de preocupação.
Eles
estavam combinando um passeio com a lancha para uma ilha próxima de onde estávamos,
eu fiquei me sentindo insegura, mas na verdade era a preocupação que estava me
matando.
Durante
o passeio, eu olhava para as pessoas ao me redor que se divertiam sem nenhum
tipo de preocupação ou medo, elas estavam realmente aproveitando cada minuto.
Uns cantavam ao som de Jason Mraz, outros bebiam, outros se beijavam, outros
apenas admiravam a paisagem. Eu tentava absorver o ar puro que entrava em meus
pulmões, mas cada vez que meu celular vibrava dentro do meu bolso, meu coração
disparava.
-Ei,
estou te achando tensa, está tudo bem? Disse João Pedro parando ao meu lado.
-Está
sim, é que não estou acostumada com tanta movimentação, então às vezes fico um
pouco perdida. Mas estou adorando.
-É
eu também havia me desacostumado. Disse ele colocando as mãos nos bolsos de sua
bermuda cargo.
-E
o namorado, ligou?
Eu
olhei sem graça, sem saber se dizia a verdade ou não. Então suspirei tomando
coragem.
-Ligou,
mas não atendi. Acho que estou adiando o inadiável.
-Se
você quiser eu falo com ele.
Olhei
incrédula.
-É
brincadeira.
Então
ele ficou ao meu lado, apenas observando o azul do céu e do mar, ambos em
silêncio.
Assim
que chegamos na ilha, que era lindíssima, fomos de bote até a praia. Cada um
foi para um lado, e eu colei na Malu e no Bruno. Havia um barzinho muito
simples, porém aconchegante, onde ficamos algum tempo. João Pedro estava com os
rapazes conversando e dando risadas. Malu me chamou para nadar, mas não estava
muito animada. Tirei meu celular do bolso, apenas para verificar o total de
ligações e quase desmaiei. Quinze chamadas perdidas e uma dezena de mensagens,
todas perguntando onde eu estava, onde eu havia me metido, por que não atendia
o celular.
Fiquei
verificando uma por uma enquanto Malu e Bruno foram nadar. Não cheguei a
responder a nenhuma, era a primeira vez em anos que eu não senti vontade de
falar com Otávio, aliás, estava o evitando ao máximo, pois eu sabia que haveria
briga. Talvez seria melhor se eu não tivesse ido, nada disso teria acontecido,
eu pensava comigo mesma. Mas por outro lado, vendo todo mundo se divertir,
fiquei pensando quando foi a última vez que eu havia me divertido daquela maneira.
E cheguei a uma conclusão; nos últimos oito anos, eu nunca havia me divertido
para valer. Eu cheguei a sentir vontade de chorar, meu namoro tinha se
transformado em prisão, e eu era a prisioneira, não o Otávio.
Tirei
minha roupa e fui até a margem da praia, então avistei Malu, Bruno e João
conversando, e fui de encontro a eles. João não tirava os olhos de mim, eu
tentei disfarçar, mas também não conseguia olhar para outro lugar, a não ser
para ele.
-Meu
irmão te ligou? Indagou Malu.
-Ligou,
mas ainda não falei com ele.
-Fica
tranquila Alice, ele não vai dizer nada, você está com a Malu. Comentou Bruno.
-Você
não conhece meu irmão, ele é insuportável às vezes, principalmente se tratando
da Alice, se ele pudesse, ele a guardava em uma caixinha com senha e vários
cadeados, para que ninguém pudesse falar com ela ou ao menos olhá-la.
João
Pedro meu encarou ao ouvir isso, mas não disse nada.
Estávamos
em uma piscina de águas naturais, a água era totalmente translúcida, era
perfeito.
-Chega
de ficar assim. Disse João Pedro me pagando no colo e me girando ao redor dele.
Eu
comecei a me debater e rir ao mesmo tempo, até que os dois caíram na água. Começamos
a brincar, um correndo atrás do outro, Bruno pegou Malu no colo e também a
jogou. Até que algum tempo depois, Flavinha e Sabrina chegaram perto de nós,
loucas para participarem da brincadeira. Os meninos ficaram sem graça e pararam
na mesma hora.
Então
Flavinha começou a conversar com Malu e Bruno disfarçando para Sabrina chegar
em João Pedro. Eu percebi o esquema e acabei me afastando, e vi que Sabrina o
abordou, começando a falar com ele. Ele olhou para mim, e eu sorri como se
estivesse apoiando os dois.
Quando
estávamos voltando para o bar, João que ainda conversava com a Sabrina, fez um
gesto para que eu o esperasse, pois ele também iria sair. Sabrina imediatamente
o segurou pelo braço quando ele estava saindo e em seguida o agarrou dando um
super, mega beijo. Ele foi pego de surpresa, mas depois acabou correspondendo
da maneira que ela queria.
Eu
me sentia totalmente estranha, não que eu estivesse com ciúme, eu não podia
estar com ciúme de uma pessoa que tinha conhecido no dia anterior. Mas que
vaca! Ela o puxou, e o atacou como se fosse uma predadora. Falei para mim
mesma. Sim, eu estava com muito ciúme.
Malu
até chegou a fazer um comentário da audácia da tal garota.
-Malu,
os dois estão solteiros, o que que têm?
Eu disse fingindo não me importar.
-Eu
sei, não tem nada demais, mas ela o cercou enquanto ele ainda estava com a
gente, que falta de respeito. Ela disse indignada.
Eu
sorri concordando, amaldiçoando a garota por dentro, só que não disse nada.
-Não
é dela que o João está afim. Disse Bruno olhando o cardápio.
-E
é de quem? Indagou Malu.
Bruno
não respondeu e eu faltei decorar o cardápio, pois não conseguia olhar na
direção da Malu. O que ela acharia de mim, afinal, eu namorava o irmão dela.
Algum
tempo depois, João Pedro veio todo molhado em nossa direção, parando ao meu
lado. Eu não o olhei, mas estendi minha
toalha para que ele se secasse.
-Que
garota louca. Ele disse sentando-se ao meu lado.
Eu
beberiquei minha caipirinha e continuei mexendo em meu celular.
-Ela
é muito bonita, aproveita. Eu disse ainda olhando no celular, fingindo não
ligar, mas me arrependi no mesmo instante.
-É
uma vadia oferecida. Disse Malu.
Ninguém
disse nada, nem concordando, nem discordando. Então meu celular tocou, era
minha mãe. Eu atendi levantando-me da mesa, ela me disse que Otávio havia
ligado no celular dela, e que estava preocupado e uma fera, pois não conseguia
falar comigo. Ela mentiu, dizendo que não sabia onde eu estava, e ainda o
culpou por eu estar sozinha em casa. Depois minha mãe me falou sobre a viagem,
que estava tudo perfeito, e do gato que ela estava paquerando.
Quando
eu retornei para mesa, todos me olhavam intrigados e curiosos para saber quem
era.
-Era
a minha mãe. Eu disse matando a curiosidade dos três.
-Ufaaa.
Soltou Malu.
-Seu
irmão vai te matar desse jeito. Disse Bruno.
-O
Otávio ligou até para ela, ela disse que ele está uma fera.
-Credo,
que mala. Disse Malu. –Eu só espero que você não ceda hein Alice!
Eu
não disse nada, apenas pedi mais uma caipirinha.
Na
viagem de volta para a casa da praia, João Pedro e Bruno ficaram com os rapazes
conversando e Malu veio me dando milhões conselhos. Até que eu me vi tão
nervosa que comecei a chorar discretamente. João Pedro percebeu, pois não
tirava os olhos de onde estávamos. Sabrina foi até ele novamente e instalou-se
ao lado dele, mas João não deu papo para ela, que ficou sem graça e saiu de
perto.
Mais
tarde Bruno chamou Malu e me deixou sozinha, por pouco tempo, pois vi que João
se achegou novamente.
-Tá
tudo bem, Alice?
Só
fiz que sim com a cabeça. Então ele me puxou para um abraço protetor, como se
quisesse me consolar. E pude sentir, seu cheiro maravilhoso. Todas as minhas
terminações nervosas ficaram abaladas nesse momento, mas eu não tive reação de
me mover e fiquei algum tempo nos braços dele.
Vimos
golfinhos, e foi uma festa, foi nessa hora que nos soltamos. Então eu saquei
meu celular fotografando esse momento lindo, os golfinhos pareciam ter ensaiado
para se apresentar para nós, foi lindo. João Pedro tirou o celular da minha mão
e fotografou nós dois juntos, com rosto colado, foto dele fazendo careta, foto
dele fingindo que ia me morder.
Chegamos
no final da tarde; enquanto alguns foram direto para a casa, João Pedro me
puxou me levando para ver o sol se por. Eu fiquei mais do que feliz, foi lindo.
Estávamos
curtindo aquele momento, que parecia mágico. Eu e João estávamos nos entendendo
muito bem, ele era divertido, inteligente, carismático. Descobrimos vários
gostos em comum, tanto em música, filmes, programas de finais de semana, comidas.
Fomos
interrompidos no meio de uma risada, quando a vadia atirada, como disse Malu,
parou ao nosso lado.
-Aí
estão vocês! Exclamou Sabrina sentando-se ao lado de João.
Eu
fiquei desconcertada. Ela começou a puxar papo com ele e comigo, conversamos um
pouco, porém, era uma situação estranha. Eu comecei a me sentir mal por estar
ali com eles, se bem que ela é quem deveria sentir-se mal, pois eu estava com
ele primeiro.
-Bom,
eu vou tomar um banho. Eu disse levantando-me e batendo em meu short para retirar
a areia.
-Vamos,
eu também vou. Disse João Pedro fazendo o mesmo gesto.
-João
Pedro, você vai me deixar aqui sozinha? Ela indagou parecendo irritada.
Ele
me olhou sem reação. Quando ele provavelmente ia dar um fora nela, eu o
interrompi.
-João,
ela está certa, fica aí, eu vou tomar um banho, depois a gente se fala. Eu
disse dando-lhe um sorriso e saindo em seguida.
Eu
não tinha o direito de atrapalhá-los, afinal eu estava namorando. Passei pelo
pessoal, e eles estavam na área de lazer jogando bilhar. Malu me viu e me
chamou para participar. E eu então aceitei.
-Ei,
mas não vai arrasar com a gente igual no pôquer. Disse Guilherme fingindo me
acertar o taco.
-Aquilo
foi sorte de principiante. Eu disse dando risada.
-Ah,
nossa, eu nunca tive essa sorte. Disse Bruno.
E
começamos a jogar. Uma, duas, três, quatro rodadas. Foi muito divertido, eu
ganhei uma partida, Bruno ganhou as outras três. Terminamos a partida, eu vi
João Pedro nos observando de longe, tomando cerveja.
Quando
nossos olhares se cruzaram, ele ergueu a long neck, soltando um sorriso sem
graça. Eu balancei a cabeça e entrei em seguida para então tomar um banho.
5
Ganhando tempo
Meu celular estava descarregado, coloquei-o
para carregar enquanto tomava banho. Assim que terminei o banho, vi inúmeras
ligações perdidas de Otávio, e milhares de mensagens, já era hora de falar com
ele, mas preferi ganhar um pouco mais de tempo.
Coloquei
um vestido floral bem romântico, Sequei meus cabelos e prendi minha franja para
trás, estava com um tom corado na pele por causa do sol que me deixou com
aspecto mais saudável. Passei algumas camadas de rímel, lápis e um gloss
labial.
Peguei
meu celular e desci em seguida. Malu, Bruno e João Pedro estavam sentados em
cadeiras espreguiçadeiras, tomando cerveja. Quando João Pedro me viu, até
endireitou-se na cadeira para poder me olhar.
-Oi.
Eu disse sentando-me ao lado de Malu.
Ele
me olhava sem disfarçar.
-Você
está linda Alice. Ele disse me deixando ainda mais corada.
-Ah...Obrigada.
Respondi sem graça.
Malu
me olhou, dando-me uma piscadinha. Então o celular dela tocou e ela atendeu sem
mesmo ver quem era. Assim que ela ouviu quem era, deu um pulo na cadeira. Eu
deduzi que fosse Otávio, meu coração acelerou.
-Oi
irmão. Ela disse fazendo careta.
-A
Alice? Não eu não a vi. É sério!
Ele
provavelmente começou a gritar com ela, e ela afastou o telefone da orelha.
Levantando-se em seguida e se afastando de nós.
-Ah,
Otávio, que ignorância. Você precisa parar de ser um lunático, acha que as
pessoas estão passando a perna em você o tempo todo.
Ela
começou a alterar o tom de voz, João Pedro levantou-se e sentou-se ao meu lado.
-É
ele, não é?
Fiz
que sim, respirei fundo e fui até ela.
-Daqui
Malu, eu falo com ele.
Malu
me olhou fazendo que não com a cabeça. Mas eu insisti e ela acabou me
entregando o celular.
Você
não vai embora! Ela sussurrou. –Não vai!
-Oi
Otávio.
-Porra
Alice, onde você se meteu o dia todo. Eu te liguei um milhão de vezes, por que
você não atendeu essa porcaria de celular.
-Meu
celular ficou sem área, e está sem bateria agora. E ontem foi tudo bem?
-Tudo
bem o cacete, onde você está? Tenho certeza que a Malu já arrastou você para
algum lugar.
-Por
que me arrastou? Você acha que eu não tenho personalidade o suficiente para
fazer alguma coisa.
-Onde
você está? Ele disse abaixando o tom de voz.
-Otávio,
eu decidi não ficar em casa sozinha nas minhas férias. A Malu combinou com
alguns amigos para viajar e eu pedi para vir junto?
-Você
o quê? Ele disse gritando.
-Eu
viajei com a sua irmã, soube que ela viajaria e pedi para vir junto.
Meu
coração estava quase em colapso.
Ele
começou a rir, descrente.
-Alice,
eu conheço você, mais do que você mesma. Eu sei que isso nunca partiria de
você, foi a vadia da minha irmã que fez sua cabeça.
-Olha
Otávio eu não quero conversar com você se for para você falar dessa maneira de
mim ou da Malu. E não, a Malu até hesitou em me trazer, mas eu estava me sentindo
sozinha e insisti até que a convenci. Você não tem que ofendê-la, muito menos
dizer nenhuma palavra a ela, eu sou sua namorada.
-O
que está acontecendo com você? Ele me perguntou secamente.
-Nada,
eu só não quis ficar sozinha. É isso.
-Só
me fala onde vocês estão? Ele disse ríspido.
-Estamos
em uma casa de praia em Florianópolis, com uma turma. São pessoas muito boas,
você não tem com que se preocupar, só tem que confiar em mim, eu te amo, você
sabe disso.
-Me
ama? Você agiu pelas minhas costas, Alice. Me fez de bobo todos esses dias,
armando essa viagem, e vem me dizer que me ama?
-Não
Otávio, você está enganado. Há dois dias que eu falei com sua irmã, onde fiquei
sabendo da viagem. Você me conhece, sabe quem eu sou, eu não tenho o porquê
mentir para você. E outra estou com a sua irmã.
Otávio
soltou uma gargalhada.
-Faça-me
o favor Alice, estar com a Malu e nada é a mesma coisa, você sempre soube que a
Malu cai na cama de qualquer um, não é porque ela é minha irmã que eu vou
tampar o sol com a peneira.
Eu
sentia meu coração descompassado. Olhei para os três e eles me olhavam
atônitos.
-Alice,
nós estamos juntos há oito anos. Eu nunca tive esse tipo de problema com você.
-Não!
Espera! Quer saber? Eu estou com você durante oito anos, seguindo à risca tudo
o que você me pede. Mas você está aí, e eu estou sozinha. Nem com a minha mãe
você quis que eu fosse viajar. Então tudo me leva a crer que você não confia em
mim, e se você não confia, é melhor terminarmos esse relacionamento.
Ele
ficou mudo, eu nunca havia dito algo parecido antes para ele.
-Eu
só vou lhe falar uma vez, saia daí, vá para sua casa, te dou até amanhã de
manhã, senão realmente tudo estará acabado.
Otávio
desligou o telefone em seguida. Eu comecei a chorar de nervoso, de ódio. Passei
por eles que me olhavam agoniados.
-Eu
odeio seu irmão. Disse a Malu, entrando para a casa.
Fui
para o quarto, sentei-me e chorando sem parar.
-Ei,
você não precisa fazer isso, você sabe, não sabe? Disse Malu, entrando no
quarto e sentando-se ao meu lado.
-Alice,
eu amo o Otávio, poxa ele é meu irmão. Mas acontece que você não é propriedade
dele, não é um cachorrinho que ele manda e desmanda. Tenho certeza absoluta do
amor dele por você, isso é incontestável, mas acontece que chega a ser sufocante.
Você se lembra de um aniversário meu de dezessete anos, se eu não me engano,
que ele fez você ficar com ele trancado dentro do quarto, só porque tinha uns
amigos meus que conheciam você?
Fiz
que sim com a cabeça, me lembrando que naquela noite, eu me arrumei toda, mas
quando cheguei na festa de Malu, que estava cheia de amigos e amigas dela, ele
me fez ficar a noite toda trancada com ele assistindo filme.
-Quantos
churrascos meus pais fizeram, que vocês nem chegavam a ir somente porque tinha
alguns amigos dos meus pais com seus filhos e o Otávio morria de ciúmes deles.
Então, meu irmão é obsessivo demais, chega a ser uma doença, e isso amiga, não
é saudável. Até no aniversário da sua mãe, vocês discutiram porque tinha uns
amigos dela e ele queria voltar para
casa logo no início da festa. Eu nunca me esqueço de você chorando naquela
noite. Então pensa bem se é isso que você quer da vida.
-Mas
Malu, ele é meu namorado.
-Eu
sei, você disse bem, seu namorado, não seu dono.
Me
joguei na cama e me veio um filme desses momentos com o Otávio. Não que não
tivéssemos tido momentos bons, aliás tivemos milhares de momentos bons juntos,
mas os ruins também eram constantes, as crises de ciúmes, noites sem sair de
casa, discussões...
Malu
foi tomar um banho e meu celular tocou, era o Otávio.
-Oi.
Eu disse secamente.
-Alice,
me desculpa, eu não quero ficar assim com você, eu amo você demais, você sabe
disso. Faz assim, eu comprei uma passagem de avião para você. Sai de
Florianópolis para Curitiba amanhã às dez da manhã, pede para a Malu levar você
até o aeroporto, assim ela não precisa voltar também, cerca de quarenta minutos
você chega em Curitiba. Aí eu prometo que te ligo para conversarmos com calma,
pode ser?
-Tudo
bem Otávio, amanhã eu irei embora. Agora, eu preciso arrumar minhas coisas,
depois a gente se fala. Eu disse desligando o celular na cara dele.
Em
seguida veio uma mensagem.
Eu te amo minha pequena.
Otávio
Senti
raiva apenas em ler aquelas palavras. Malu voltou para o quarto e se trocou
calada. Quando ela estava pronta, ela virou-se para mim, sentando-se ao meu
lado.
-Você
vai mesmo?
-Vou.
Amanhã você me leva para o aeroporto, logo pela manhã?
-Alice,
você é minha melhor amiga, eu nunca irei me opor com as suas decisões, se você
acha que é o melhor a fazer, então eu lhe apoio. Eu levo você sim, e só lhe
peço desculpas pelo o que eu lhe causei.
-Não,
claro que não! Você não tem que pedir desculpas. Eu quem preciso lhe agradecer,
eu amei esses dias, de verdade. Disse dando-lhe um abraço.
-Vamos
descer, eles estão fazendo um luau.
-Pode
ir, eu vou arrumar minhas coisas e desço em seguida.
-Tá,
eu espero você, então. Disse Malu, dando-me um beijo no rosto e saindo em
seguida.
Cerca
de uma hora depois, minhas malas estavam arrumadas, e eu estava deitada na cama
ouvindo música, tinha perdido totalmente a vontade de interagir com os outros.
Alguém
bateu na porta, abrindo-a em seguida.
-Atrapalho?
Disse João Pedro, só com a cabeça dentro do quarto.
Eu
me sentei na cama, desligando o celular.
-Não,
claro que não. Sinta-se à vontade. Eu disse gesticulando para o quarto dele.
João
entrou e deitou-se na cama ao meu lado. Eu fiquei sem reação, estava nervosa
com a presença dele, naquele quarto a sós comigo.
-Sua
“amiga” ficará com ciúmes se ver você aqui comigo.
-Amiga?
Aquela garota é maluca. Deixa pra lá. Ele disse balançando a cabeça
negativamente.
-Oras,
por quê? Ela é bonita, vocês dois estão solteiros, o que há de errado nisso?
-Alice,
ela não faz meu tipo, é bonita sim, não vou negar, mas não é meu estilo.
Eu
sorri.
-Mas
e você, vai mesmo embora?
-Eu
preciso ir, João Pedro, eu sabia que quando falasse com o Otávio, minhas férias
terminariam naquele momento, e foi isso que aconteceu. No fundo ele tem razão,
eu nem tinha que estar aqui, os que não estão em casais, estão solteiros, então
eu estou totalmente avulsa. Mas eu amei conhecer vocês, você principalmente. Eu
disse olhando para os olhos dele.
João
Pedro sentou na cama, encostando as costas na cabeceira.
-Olha
Alice, eu nem conheço esse Otávio e quer saber, se você fosse minha garota, eu
também não gostaria de ver você aqui sozinha sem mim, tanto que eu conheci você
e ...
-E?
João
Pedro passou as mãos pelo cabelo, parecia exasperado.
-Tanto
que quando eu larguei da Marina, eu achei que jamais me interessaria por
alguém, mas assim que eu vi você eu vi que estava totalmente errado. Eu decidi
vir para cá com o Bruno, justamente na sexta-feira à noite. No sábado pela
manhã eu quase desisti, mas então, foi como se tudo encaminhasse para que eu
viesse. Quando eu vi você, eu tive a certeza que eu tinha que realmente ter
vindo. Eu fiquei encantado, pode parecer estranho, mas você mexeu comigo de uma
forma, que garota nenhuma nunca mexeu.
Me
vi sem reação ao lado de João que parecia estar desabafando.
-Eu
disse que se eu fosse o Otávio, eu realmente não gostaria que você viesse para
uma viagem dessa, mas eu também jamais deixaria você sozinha, por emprego
algum. Mesmo que seja por um ano, dois, sei lá, e com um salário absurdamente
alto, mas eu não arriscaria perder alguém como você. Emprego, ele arruma outro,
se ele for bom no que ele faz, se sairá bem em qualquer lugar; mas outra pessoa
como você, ele não vai arrumar em lugar algum.
-Não,
João Pedro, eu não posso nem questionar em relação ao emprego dele, é a
carreira dele, o futuro dele. Só que eu queria que ele fosse mais “normal”, sei
lá, compreensivo. Mas infelizmente não é assim, eu o conheci assim e
provavelmente ele não mudará.
-E
você acha que ele vale tudo isso, a ponto de anular sua vida?
-Eu
não estou anulando minha vida. Tudo bem que abro mão de algumas coisas, mas em
um relacionamento alguém tem que ceder, não é?
-Eu
não concordo com você, me desculpa, mas em um relacionamento, os dois precisam
aprender a ceder, não apenas um dos lados, senão alguém sempre sairá
prejudicado.
-Tá,
e você acha que eu devo fazer o quê?
João
suspirou.
-Eu
nem tenho o direito de pedir para que você fique, você me conhece há apenas
dois dias, mas eu só acho que você não deve se deixar manipular a vida toda,
você é linda, é extremamente linda, inteligente, educada, centrada, é recatada,
é fiel, porque em momento algum você sequer negou ter um namorado. Então eu só
acho que você merece mais do que uma relação como essa.
Eu
abracei minhas pernas, digerindo todas aquelas palavras.
-Eu
não sou manipulável. Eu só quero fazer as coisas corretamente, evitar
discussões, agir coerentemente. Ele não é um manipulador, é ciumento sim, mas
não manipulador.
-Alice,
uma relação é baseada no amor, no cuidado, na amizade; e claro o ciúme de uma
maneira comedida é até saudável, mas só o pouco que a Malu disse sobre ele, me
fez entender que ele é doente por você, e isso não é saudável.
-João,
não tiro sua razão, mas agora eu só quero dormir, é sério! Estou cansada, e
amanhã eu saio bem cedo. Se você não se importar, eu gostaria de ficar sozinha.
-Claro,
com certeza. Disse João Pedro totalmente sem graça, saindo da cama em seguida.
-Boa
noite! Ele disse inclinando-se e me dando um beijo no rosto.
-Boa
noite.
Caí
na cama e comecei a chorar, perdida em meio de tantas verdades que estavam
despejando em mim. Da cama podia-se ouvir o barulho vindo de baixo, pessoas
cantando em volta de uma fogueira, dançando, outros rindo. Enfim, cada um
divertindo-se da melhor maneira. O que mais doía era que assim como minha mãe,
Malu e João Pedro, estavam certos.
No
outro dia pela manhã, tomei um banho demorado, coloquei uma calça jeans da qual
eu gostava muito, que era bem justa ao corpo e cheia de rasgos pela perna, uma
blusa branca, deixando um dos meus ombros todo de fora, calcei um tênis slip on
com estampa de oncinha e sequei meus cabelos. Fiz uma maquiagem apenas para
disfarçar as olheiras da noite mal dormida. Enquanto Malu estava no banho, eu
desci para tomar um café.
Dona
Val tinha deixado uma mesa de café da manhã posta. Tomei apenas uma xícara de
café preto. A casa estava em silêncio, provavelmente todos ainda estavam
dormindo. Malu desceu, linda e serena como sempre. Malu era o tipo de garota
que onde chegava chamava a atenção. Era uma garota de estatura média, cabelos
volumosos castanhos, olhos azuis, e um corpo de dar inveja.
Eu
já era o tipo de garota sem gracinha. Também tinha uma estatura média, sem
muitas curvas, cabelos longos, castanho escuro e olhos verdes. Eu não era o
tipo de garota que chamava a atenção por onde passava, como a Malu.
-Dormiu
bem? Ela disse sentando-se e servindo-se de suco de laranja e pão com geleia.
-Dormi
sim, tanto que nem ouvi você voltando para o quarto.
Ela
revirou os olhos suspirando em seguida.
-Voltei
já era bem tarde, estava com o Bruno.
-Ah,
logo imaginei. Eu disse saindo em seguida.
Fui
até o lavabo, onde escovei os dentes novamente e retoquei o batom.
Quando
voltei para a mesa, Malu já estava terminando o suco.
-Eu
queria dizer um tchau para os meninos, mas eles devem estar dormindo, então
depois você manda um beijo para eles e os agradece por mim.
-Eu
até achei que o João Pedro fosse estar aqui para se despedir de você, precisava
ver como ele ficou triste ontem.
Me
senti sem graça da irmã do meu namorando fazendo aquele tipo de comentário de
outro cara.
-Vamos
Malu, senão vamos nos atrasar.
Assim
que saímos, vi João Pedro e Bruno encostados no carro de Malu.
João
Pedro veio em minha direção, enquanto Malu conversava com Bruno.
-Bom
dia Alice. Eu queria que você me desculpasse pelo o que eu disse a você ontem.
Eu não deveria ter dito nada daquilo...
-Shiu...
Eu disse colocando meu dedo nos lábios dele.
-Você
não tem que me pedir desculpas de nada, você só falou o que todo mundo sabe.
Mas obrigada por ter sido tão maravilhoso nesses últimos dias.
Eu
o abracei, e senti o cheiro maravilhoso vindo dele. Se eu ficasse mais um dia
vendo aquele sorriso, aquele rosto lindo, eu me apaixonaria com certeza, se isso
já não tivesse acontecido.
-Eu
fico feliz que você esteja aqui, não queria sair sem me despedir e agradecer
você. Continuei.
-Eu
vou levar você até o aeroporto, se você não se importar.
Eu
sorri, pois era impossível negar um pedido dele.
-Vou
adorar. Disse olhando-o no fundo dos olhos.
Nós
fomos no Jeep Cherokee de João Pedro. Quarenta minutos depois já estávamos
estacionando em frente ao aeroporto.
João
estacionou o carro e em seguida me ajudou com a minha mala, e eu em seguida comecei
a me despedir deles.
-Bruno,
muito obrigada pela hospitalidade, quero que saiba que adorei conhecer você. E
me desculpa por qualquer coisa.
-Alice,
eu gostei muito de conhecer você, pena que foi muito rápido, mas não faltará
oportunidade de nos encontrarmos novamente. Ele me disse me dando um forte
abraço.
-Amiga,
me desculpa mais uma vez, me sinto péssima por ter convencido você a vir e ter
passado por tudo isso. Disse Malu.
-Não
diga isso, eu amei ter vindo, ficaria até o final se pudesse. E obrigada por
tudo e por entender a minha situação. Ah e me liga para me contar as novidades.
Eu disse abraçando-a.
João
Pedro estava nitidamente chateado por eu estar indo embora.
Ele
chegou bem perto de mim, com a cabeça baixa e as mãos no bolso.
-João,
eu sei que já lhe disse isso, mas só tenho que agradecer por ter sido tão
maravilhoso comigo nesses últimos dias, valeu a pena cada segundo, só por ter
conhecido você. Muito obrigada por tudo, pela sua preocupação, sua proteção,
enfim, vou sentir sua falta. Eu disse abraçando-o.
João
me segurou pela cintura e me levantou do chão. Eu olhei para ele e em seguida
para seus lábios que estava milímetros de distância dos meus.
-Nos
vemos em Curitiba! Falei soltando um sorriso triste.
Ele
olhou para mim, apenas concordando com a cabeça.
-Alice,
foi por sua causa que eu entendi que quando a gente perde alguma coisa, é
porque existe algo muito melhor por vir. E no meu caso, você foi meu “algo”
muito melhor. E sim, com certeza, a gente se vê em Curitiba. Ele disse me abraçando
novamente.
Peguei
minhas coisas e entrei no aeroporto sem olhar para trás, com o coração
apertado, estava tão nervosa que me sentei em umas poltronas que ficavam no
saguão, sendo que já estava atrasada para fazer o check in, mas primeiramente
eu precisava processar tudo o que tinha acontecido.
Em pouquíssimos dias, eu conheci pessoas que
jamais achei que um dia conheceria e o mais engraçado foi que essas pessoas
mudaram meu jeito de ver as coisas.
6
Algumas mudanças vêm para o bem
Eu
nunca tinha conhecido alguém que mexesse com meu juízo como o João Pedro mexeu.
E eu que achei que nunca olharia para outro homem que não fosse o Otávio, pois sempre
o achei perfeito, encantador, sensual. Mas não era nada disso. Ele era apenas
um cara que com o passar dos anos, começou a me tratar como propriedade dele, e
só então eu comecei a enxergar isso e comecei a ver que eu me apaixonei pelo
Otávio que eu conheci, mas ele havia mudado, e muito.
Não sabia ao certo o que sentia pelo Otávio,
mas depois daquele final de semana, percebi que se eu o amei no passado, esse
amor já havia terminado e o que restou foi apenas comodismo e medo de mudança.
Uma
vida não podia ser sacrificada em nome do comodismo, eu não podia deixar meus
melhores anos passarem sem que eu os vivesse realmente. Uma coisa é você
sobreviver e outra é você viver sua própria vida, sem ser ditada por ninguém.
Eu
não conseguia me lembrar da última vez que me senti tão feliz estando ao lado
do Otávio, da mesma maneira que me senti ao lado de João Pedro.
Fiquei
remoendo cada lembrança minha, cada lágrima derrubada, e cada momento feliz.
Era como se fosse uma balança que me mostrava o que realmente pesava mais. E
por incrível que pareça, os momentos felizes ao lado de Otavio perderam
totalmente o brilho, o que sobressaíam foram as coisas que eu deixei de fazer
por causa dele, coisas que eram importantes para mim, mas que abri mão mesmo
assim. Coisas essas que eram importantes para mim, não para ele, afinal, ele
nunca deixou de fazer algo importante por minha causa. E seria assim enquanto
eu estivesse com ele, vivendo na sombra dele, realizando as vontades dele e me
abdicando das minhas. Isso não era amor, era dependência.
As
horas foram passando, pessoas iam e vinham e eu continuava sentada, pensando na
minha vida, no tempo que eu havia perdido e nas consequências da minha atitude.
Ficava
pensando no fato de que João Pedro conseguiu me conquistar em apenas dois dias,
coisa que o Otávio em oito anos ainda não havia feito completamente.
Uma,
duas, três, quatro horas se passaram após meu voo ter saído e eu ainda estava
na poltrona do saguão. Respirei fundo e peguei meu celular que estava desligado
e liguei para o Otávio.
-Oh
minha linda, estou ligando na sua casa para ver se você chegou bem, mas ninguém
atende, liguei o dia todo. Onde você esteve? Como foi a viagem?
-Oi
Otávio, eu ainda estou no aeroporto.
-Como
assim? Acompanhei seu voo e verifiquei que não teve atraso.
Como
sempre ele rastreando cada passo meu.
-Eu
não viajei Otávio, estou sentada há horas no saguão do aeroporto, pensei e
repensei sobre a minha vida, sobre nós dois e decidi que não quero mais namorar
com você, não quero mais estar com você. Eu preciso viver minha vida, preciso
amadurecer sem que você dite as regras que eu devo seguir, preciso dar meus
próprios passos e parar de viver da sua sombra.
Assim
que acabei minha frase, estava quase sem fôlego, de tanto nervosismo.
-Alice,
você não está falando sério? Ele disse quase pausadamente. - Olha se você
quiser, eu vejo se consigo uns dias para ir ao Brasil, assim conversaremos com
mais calma, com a cabeça no lugar.
Eu
ri descrente.
-Eu
estou calma, estou com a cabeça no lugar. Não foi uma decisão de última hora.
Eu analisei cada coisa do nosso relacionamento, cada momento e decidi que eu
não quero mais isso para mim, eu quero que você seja feliz, que encontre alguém
que aceite a viver da maneira que você quer, porque viver assim não dá mais
para mim.
Um
longo silêncio tomou conta da nossa conversa.
-Alice,
vamos conversar pessoalmente, você coloca as cartas sobre a mesa, eu tento
mudar, eu prometo mudar! Vamos tentar do seu jeito, mas eu não posso ficar sem
você, eu amo você mais do que tudo. Olha, se você quiser eu volto hoje mesmo para
o Brasil, fico uns dias aí com você, pra gente resolver isso.
-Otávio,
eu sei que não correto eu fazer isso assim por telefone, mas a nossa situação
me obriga a fazer isso. Quero que você saiba que você sempre esteve em primeiro
lugar em meus planos. Eu nunca fiz algo que o magoasse, e com isso deixei de
fazer milhares de coisas, das quais eu realmente gostaria de ter feito, apenas
para não deixar você insatisfeito. Mas... (suspirei fundo, como se tomasse
coragem) mas é a minha vida, a minha juventude, e eu simplesmente quero
aproveitar as oportunidades que a vida me dá, sem ter que ter o seu aval para
tudo. Eu sou muito nova para isso, você simplesmente impõe suas vontades e eu
tenho que acatá-las, sem ao menos expor as minhas vontades. Então para mim não
dá mais. Acabou!
Fiz
uma pausa. Minha respiração estava ofegante.
-Eu
preciso ir agora, eu vou voltar para a casa da praia, eu quero curtir minhas
férias, eu nunca tive férias antes sabia? Então eu quero começar a viver de
acordo com a minha idade.
-Você
está me dizendo, que vai trocar um namoro de oito anos, por causa de alguns
dias de farra?
-Não!
Estou dizendo que eu não quero mais ser sua namorada. Mesmo que se eu voltar
agora para Curitiba, saiba que acabou. E quanto a farra da qual você falou,
você está enganado, não teve farra alguma, são apenas pessoas normais e do bem
que estão se divertindo, coisa que eu não pude fazer por medo que eu estava de
você. Mas agora chega, eu não quero mais sentir medo ou receio de fazer algo
que te desagrade. É simplesmente por isso que eu quero ser livre daqui para
frente. Adeus Otávio!

Eu já estsva ficando com raiva, quando ela foi para o aeroporto kkkk... mas adoreiii que criou coragem .... e vamosss aguardar próximos capítulos....
ResponderExcluirAi meu Deus é isso aí Alice parabéns pela coragem..... não vejo a hora do próximo capítulo...
ResponderExcluirAi meu Deus mais um livro para me matar de curiosidade kkk tiaaaaaa vc não pode fazer isso comigo kkkk
ResponderExcluirErikaaa...precisoooo urgente.
ResponderExcluirKkkkkk
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