segunda-feira, 11 de abril de 2016

Resenha: Mar da Tranquilidade

Resenha: Mar de Tranquilidade
Katja Millay


Nastya Kashnikov foi privada daquilo que mais amava e perdeu sua voz e a própria identidade. Agora, dois anos e meio depois, ela se muda para outra cidade, determinada a manter seu passado em segredo e a não deixar ninguém se aproximar. Mas seus planos vão por água abaixo quando encontra um garoto que parece tão antissocial quanto ela. É como se Josh Bennett tivesse um campo de força ao seu redor. Ninguém se aproxima dele, e isso faz com que Nastya fique intrigada, inexplicavelmente atraída por ele. A história de Josh não é segredo para ninguém. Todas as pessoas que ele amou foram arrancadas prematuramente de sua vida. Agora, aos 17 anos, não restou ninguém. Quando o seu nome é sinônimo de morte, é natural que todos o deixem em paz. Todos menos seu melhor amigo e Nastya, que aos poucos vai se introduzindo em todos os aspectos de sua vida. À medida que a inegável atração entre os dois fica mais forte, Josh começa a questionar se algum dia descobrirá os segredos que Nastya esconde – ou se é isso mesmo que ele quer.



Com uma narrativa  repleta de segredos e reflexões sociais – a autora Katja MillayA nos prende a uma história cheia de mistério e suspense. A narrativa é conduzida por um grande segredo, um acontecimento que modificou completamente a vida da protagonista, enchendo-a de amargura, solidão e ódio. E o que surpreende é a riqueza de detalhes com os quais esses sentimentos são descritos, fato que torna a leitura desesperadamente real, do tipo que penetra no coração do leitor e o faz experimentar as mais diversas e nauseantes sensações. Em Mar da Tranquilidade a vingança nunca pareceu tão tentadora, a raiva tão necessária, e o perdão tão libertador.
A história é intercalada entre dois pontos de vistas: o de Nastya e o do Josh, característica essa que eu insisto em repetir: AMOOOO. Nastya é uma jovem que perdeu tudo aquilo que considerava importante e que agora, em meio ao caos de uma família destruída, muda de cidade para tentar recomeçar sua vida – e a dor dessa protagonista é tão palpável que a grande incógnita do livro é descobrir o que realmente aconteceu com ela. Já Josh viu a morte levar aqueles que ele amava e, para se proteger de novas perdas, criou uma barreira invisível que mantém as pessoas afastadas. É previsível que eles, tão parecidos em suas dores, encontrem um no outro um porto seguro, porém a relação de Josh e Nastya foge do esperado por trazer à tona o pior, e não melhor, desses dois jovens. A expectativa é que o amor os cure, mas no caso deles nada pode curá-los do passado, não até que eles decidam enfrentar seus medos. 

Essa leitura é tão complexa e agridoce que não tenho palavras para descrevê-la. O segredo de Nastya foi o que, pelo menos a princípio, manteve meu interesse na história. A cada página a autora dá um vislumbre do que aconteceu com a jovem, e os sentimentos narrados são tão angustiantes que é impossível não devorar os capítulos em busca desse grandioso mistério. Durante a leitura criei várias e mirabolantes teorias, porém nenhuma delas chegou perto da realidade. E sabe o que é mais incrível? É que a autora trata de um tema polêmico que, infelizmente, poderia mudar a vida de qualquer um de nós. Característica que torna tudo – a dor, o ódio, a negação, a sede por vingança – ainda mais real e aceitável.
Sendo assim, o encanto do livro está na história de vida dos personagens principais. Nastya está tão perdida que deixa a raiva guiar suas ações autodestrutivas; no fundo seu comportamento não passa de um grito de socorro, contudo ela não está disposta a aceitar ajuda. Já Josh acredita ter se libertado do passado, porém ele não é capaz de abrir seu coração para ninguém. E o grande acerto da autora foi ter unido os dois em uma relação que surpreende não porque permite que eles sejam curados, mas porque faz com que eles anseiem um futuro diferente, fagulha forte o suficiente para mudar o rumo da história e para emocionar completamente os leitores. Esses jovens erram, pecam, se magoam, mas – assim como nós – merecem uma segunda chance. E o melhor de tudo é que eles são fortes o suficiente para perdoar e seguir em frente. Então se eu precisasse resumir o livro em uma única palavra ela seria, sem dúvida, perdão. 



Nenhum comentário:

Postar um comentário