sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Palavras ao Vento: Leve-me de volta ao começo

Palavras ao Vento: Leve-me de volta ao começo: Vicente Bacchi é atormentado pela culpa de um grande erro que não pode impedir que acontecesse. Bianca Cintra, uma garota admirá...

Leve-me de volta ao começo






Vicente Bacchi é atormentado pela culpa de um grande erro que não pode impedir que acontecesse. Bianca Cintra, uma garota admirável, vê seu mundo desabar e sozinha precisa enfrentar seus maiores medos. Porém, o destino cumpre seu papel e reúne essas duas pessoas de almas feridas: Vicente encontra em Bianca um propósito para seguir com sua batalha, e Bianca, ao se apaixonar por ele, volta a confiar novamente nas pessoas. Entretanto, ambos escondem um segredo que quando revelado coloca em risco esse amor.

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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Resenha sobre o livro: O Julgamento de Gabriel


 Resenha sobre a trilogia:

O inferno de Gabriel
O Julgamento de Gabriel e,
A Redenção de Gabriel

Sylvain Reynard

Quando li uma das resenhas sobre o livro O Inferno de Gabriel, e me disseram que eu não iria conseguir parar de ler; fiquei extremamente empolgada e curiosa e só depois de devorar a trilogia descobri o porquê.
O livro pode ser baseado em clichês como a garota pobre que sempre amou o homem rico e a aluna se envolvendo com professor, mas fica por aí. A narrativa é envolvente e muito bem estruturada. É impossível se perder ao longo da história, os diálogos são inteligentes e os personagens são profundos e nada previsíveis.
Assim como vários livros são citados como Romeu e Julieta dos dias de hoje, a trilogia O Inferno de Gabriel é a história de Dante e Beatriz da Divina Comédia contextualizada nos nossos dias, pode-se dizer assim. A história faz inúmeras referências ao clássico de Dante Alighieri.  



“A salvação de um homem. O despertar da sexualidade de uma mulher.

Enigmático e sedutor, Gabriel Emerson é um renomado especialista em Dante. Durante o dia assume a fachada de um rigoroso professor universitário, mas à noite se entrega a uma desinibida vida de prazeres sem limites.

O que ninguém sabe é que tanto sua máscara de frieza quanto sua extrema sensualidade na verdade escondem uma alma atormentada pelas feridas do passado. Gabriel se tortura pelos erros que cometeu e acredita que para ele não há mais nenhuma esperança ou chance de se redimir dos pecados.

Julia Mitchell é uma jovem doce e inocente que luta para superar os traumas de uma infância difícil, marcada pela negligência dos pais. Quando vai fazer mestrado na Universidade de Toronto, ela sabe que reencontrará alguém importante – um homem que viu apenas uma vez, mas que nunca conseguiu esquecer.

Assim que põe os olhos em Julia, Gabriel é tomado por uma estranha sensação de familiaridade, embora não saiba dizer por quê. A inexplicável e profunda conexão que existe entre eles deixa o professor numa situação delicada, que colocará sua carreira em risco e o obrigará a enfrentar os fantasmas dos quais sempre tentou fugir.

Primeiro livro de uma trilogia, O inferno de Gabriel explora com brilhantismo a sensualidade de uma paixão proibida. É a história envolvente de dois amantes lutando para superar seus infernos pessoais e enfim viver a redenção que só o verdadeiro amor torna possível.”

 

O primeiro livro da trilogia nos apresenta a ponta do iceberg da história de Gabriel e Julianne, introduzindo seus passados e nos apresentando os personagens. Exatamente como é explicitado acima, o livro explora brilhantemente o reencontro dos dois.
O livro é escrito de maneira exemplar, possui um vocabulário digno de se referir à Divina Comédia e aborda questões do íntimo de Gabriel e Julia com precisão. Sylvain Reynard escreve como quem sabe o que está dizendo e mostra que possui um vasto conhecimento de literatura, línguas e cultura. O Inferno de Gabriel é robusto e inteligente, mas sem chatear ou enjoar o leitor, não pensei em abandonar a leitura nenhuma vez. Ao longo da narrativa Sylvain mostra que sabe o que está dizendo sem “forçar a barra” com as referências e diálogos, não precisa ser um especialista em Dante como o Professor Emerson para se apaixonar pela história e se encantar pela inocência e inteligência de Julianne.  
A leitura por ser de fácil compreensão, flui de maneira bem positiva. Com certeza, o amor de Gabriel e Júlia irá conquistar muitos corações, assim como me conquistou.
O Inferno de Gabriel foi escrito por Sylvain Reynard e publicado no Brasil pela editora Arqueiro. O segundo volume é O Julgamento de Gabriel e o último A Redenção de Gabriel

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terça-feira, 4 de agosto de 2015

Resenha Desastre Imimente


Desastre Iminente
por Jamie McGuire


Sim, esse sem dúvida foi o livro pelo qual mais me encantei! Não tem como descrevê-lo em outras palavras, senão na palavra PERFEITO! 
Esse livro me envolveu da primeira página a última, sem ter vontade de parar de ler pra nada. Logo nas primeiras linhas, chorei horrores.

Desastre acompanhamos todos os conflitos vividos pelo conturbado relacionamento de Abby e Travis através do olhar da mocinha, em Desastre Iminente conhecemos o ponto de vista de Travis sobre este relacionamento. 

Quem se apaixonou pelo jeito explosivo e passional de Travis no primeiro livro, em Desastre Iminente provavelmente irá cortar os pulsos de tanta aflição. 
Apaixonante, enlouquecedor e capaz de fazer qualquer uma comer as páginas do livro literalmente Travis narra com toda impetuosidade que lhe é característico, os momentos mais conflitantes de sua vida. 

Em Desastre Iminente Travis vibra muito mais do que Abby ao narrar seus sentimentos. Travis se entrega as suas emoções e, com isso faz com que entendamos o motivo de tanta rebeldia. 
A morte de sua mãe deixou marcas profundas em seu coração e em toda sua família. Travis teve de lidar com a profunda tristeza do pai que tornou-se refém do álcool deixando a cargo de Thomas, o irmão mais velho, a responsabilidade de criá-lo. 
No leito de morte a mãe de Travis o encoraja a seguir em frente e lhe recomenda que assim que ele encontrasse o seu verdadeiro amor que, ele nunca deveria deixar de lutar por esse amor. 
Mas Travis não imaginara que tal pedido lhe exigisse tanto. Vamos combinar que Abby é osso duro de roer e, mantê-la longe de confusões é tarefa árdua. 

É como se Travis e Abby fossem como água e óleo. Pois não se misturam. Tem suas diferenças, mas ambos necessitam do outro para viver. É essa química que rola entre o casal que faz com que os romances de Jamie McGuire façam tanto sucesso. 
Travis descreve um dos momentos mais difíceis de sua vida e neste momento certamente lágrimas surgirão nos olhos do leitor. 
Não que Belo Desastre não tenha sido emocionante, só que Abby é mais contida quando o assunto é expor seus sentimentos. 

Não existe outro adjetivo que defina melhor o talento de Jamie McGuire. Sim, eu sei, estou sendo redundante, mas o que eu posso fazer? Se a autora conseguiu tornar algo que já era bom o suficiente tornar-se ainda melhor. Criar um enredo tão inebriante quanto à relação de Abby e Travis numa história de amor, devoção e entrega total. Costumo dizer que Jamie McGuire vai além dos que os meros mortais costumam fazer. Escrever uma história crível, impactante ao ponto de fazer o leitor confundir realidade e ficção. 


Resenha: Belo Desastre

Resenha

Belo Desastre


O que dizer desse livro? Demorei pra fazer a resenha dele, pois foi um dos, senão o livro do que mais gostei!!!! É sensacional!
Confesso que li alguns alguns com história até mais bonitas, mas esse não sei o porquê, mas me ganhou de uma forma inexplicável!
Ele é apaixonante, carismático, me fez rir e chorar. Embora,  muitas vezes discordava com a atitude dos personagens, mas ainda assim foi totlmente viciante, tanto que li e reli pelo menos umas três vezes!
Esse livro é narrado pela divertida Abby Abernathy, e o que é ainda melhor é que a outra versão é narrada pelo lindo Travis, que é ainda mais apaixonante!!!!


Escrito pela autora americana Jamie McGuire, autora que marcou sua estreia em 2012 ficando na lista dos mais vendidos do The New York Times com Belo Desastre que aqui no Brasil foi lançado pela Editora Versus.


A história é ambientada em uma típica universidade americana com direito a fraternidades, dormitórios, festas e tudo mais. Neste meio, 
Abby Abernathy é uma boa garota. Ela não bebe nem fala palavrão, e tem a quantidade apropriada de cardigãs no guarda-roupa. Abby acredita que seu passado sombrio está bem distante, mas, quando se muda para uma nova cidade com America, sua melhor amiga, para cursar a faculdade, seu recomeço é rapidamente ameaçado pelo bad boy da universidade. 
Travis Maddox, com seu abdômen definido e seus braços tatuados, é exatamente o que Abby precisa – e deseja – evitar. 
Ele passa as noites ganhando dinheiro em um clube da luta e os dias seduzindo as garotas da faculdade. Intrigado com a resistência de Abby ao seu charme, Travis a atrai com uma aposta. Se ele perder, terá que ficar sem sexo por um mês. Se ela perder, deverá morar no apartamento dele pelo mesmo período. Qualquer que seja o resultado da aposta, Travis nem imagina que finalmente encontrou uma adversária à altura. E é então que eles se envolvem em uma relação intensa e conturbada, que pode acabar levando-os à loucura.
Ah, e o livro irá virar filme e estão cotando diversos personagens para o papel do Travis, entre eles estão:

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Faça por mim. Parte Final por Érika Prevideli

Faça por mim

Final
29
Grandes Amigos
Quando foi a noite, fomos para o H2CHOPP. Assim que chegamos lá, o pessoal da agência estava todo reunido, onde fizeram uma despedida para mim e para o Théo e para os outros quatro publicitários.
Foi um momento muito emocionante, eu jamais imaginei que fosse tão querida assim pelos meus companheiros da agência, me despedi de todos com muita dor no coração. E Théo em agradecimento pagou toda a conta. Um pouco antes de irmos embora, Théo que aparentemente já estava um pouco alterado, subiu em uma cadeira, batendo um talher em uma taça, chamando assim a atenção de todos.
—Meus meninos, só um minuto da atenção de vocês; eu queria agradecer a vocês que durante tantos anos me acompanharam nos momentos bons e ruins da minha vida, tanto pessoal quanto profissionalmente. E aqui nesse bar, rimos, choramos, comemoramos, desabafamos muitas vezes. Então saibam que vocês são mais do que amigos, são meus irmãos. E eu terei muitas saudades de todos vocês. Mas queria ressaltar que sentirei saudades imensuráveis dos meus eternos companheiros, que nunca fizeram nada sem me convidar, nunca vieram nessa choperia, sem que eu viesse. Isso sempre me deixou muito feliz, muito orgulhoso em saber que minha presença era importante para vocês, e sei que nunca foi por interesse, mas sim por amizade mesmo, então eu devo muito a vocês Ana, Alessandra e Willian.
Depois que Théo disse essas palavras começou a chorar, e nós logicamente fizemos o mesmo, e nos abraçamos.
Alessandra me puxou para o lado me abraçando bem forte.
—Amiga, você não faz ideia de como sentirei sua falta. O que eu farei sem você?
Enxuguei as lágrimas dela e a abracei novamente.
—Você também vai fazer muita falta, mas eu prometo a você que não perderemos o contato nunca.
—Você promete mesmo?
—Claro que sim! Eu nem conseguiria viver sem seus conselhos. —disse sorrindo em meio as lágrimas.
—E o Willian, como vou viver com ele grudado no meu pé. Principalmente agora que a esposa dele se foi? Eu não sei se saberei lidar com isso, eu o amo, mas também amo minha liberdade.
—Ei, é claro que vai. Você o ama! Tenho certeza que no fundo, você não sabe viver sem ele.
Ela me olhou desconfiada e nós caímos na risada. Era um pouco de exagero da minha parte, Alessandra não era esse tipo de mulher, que se apega tanto a alguém.
 Depois de tantos brindes me despedi realmente dos meus ex companheiros de trabalho e fui para meu apartamento com Willian e Alessandra, pois Willian ia levar todas as coisas dele para lá. E mais tarde fomos ao apartamento da Alessandra, onde ficamos bebendo até tarde e eu e o Willian acabamos dormindo por lá.
Na sexta-feira, corri a manhã toda atrás da papelada do aluguel do meu apartamento e da venda do meu carro, já que não sabia ao certo quanto tempo ficaria em Nova Iorque. Mais tarde fui até a agência, acertar minha situação. Pois a TG3 me mandou embora, e eu seria recontratada pela WP4 Group.
Por volta das quatro horas da tarde, Alessandra e Willian me levaram para o aeroporto, onde nos despedimos em meio a lágrimas.







30
Eu queria que você estivesse aqui...
Cheguei em Porto Alegre, pensei em ligar para alguém ir me buscar, mas achei melhor chegar de surpresa, por isso chamei um taxi.
Não tinha como não ser apaixonada pelo sul. O caminho para Canela parecia mágico de tão lindo, repleto de hortênsias beirando a pista, uma natureza quase intocável, aliás, Canela parecia um cenário de filme romântico. Fechei meus olhos, pensando como seria minha vida dali para a frente, pensando se minha escolha era realmente a mais sábia, ou não.
Assim que o taxi me deixou na fazenda, vi que a casa estava toda fechada. Maria veio de encontro, pois achou estranho a chegada de um táxi dentro da fazenda. Assim que ela me viu, notei seu imenso sorriso.
—Ana! Minha filha! Você aqui?  —ela disse me puxando para um abraço. —Como você está minha menina, tudo bem?
Sorri, aquele abraço era extremamente sincero e reconfortante, me fazia sentir em casa.
—Tudo bem sim Maria, e as coisas como vão? Cadê todo mundo? —Meu pai e minha mãe não estão em casa?
 —Não minha linda, eles foram para um leilão, saíram antes do almoço, o Tomas os levou até Porto Alegre, de lá eles iam para Goiânia, só voltam na segunda-feira de manhã.
Fiquei totalmente frustrada, pois eu estava lá justamente para me despedir deles.
—Mas vem, vamos entrar, vou colocar suas coisas lá dentro. —ela disse  pegando uma das minhas malas.
Tomas também foi correndo em nossa direção.
 —Boa noite, dona Ana, como vai? Deixa que eu levo para senhora. —ele disse pegando minha outra mala.
—Obrigada Tomas!
Percebi que eles estavam mais arrumados do que o habitual. Maria usava uma das trocas de roupa que eu havia comprado para ela há alguns meses. Com certeza eles estavam de saída.
 —Como vocês estão elegantes. —disse soltando um sorriso.
—Eu ia visitar minha irmã em Bento Gonçalves. Sua mãe havia nos dado o final de semana de folga. Mas não se preocupe, eu ligo para minha irmã e marco para um outro dia.
—Nem pensar Maria! Se você fizer isso vou ficar extremamente magoada, podem ir sim.
Eles se entreolharam, Tomas balançou o ombro como se dissesse para ela decidir.
—Não filha! Jamais deixaria você sozinha aqui. —respondeu Maria.
—Maria, se você fizer isso, vou ficar muito chateada com você. Quero que você vá visitar sua irmã. Só estou de passagem, e pretendo rever a Rebeca, o Arthur, a Déb, então nem ficarei em casa.
—Mas filha, me tira uma dúvida. Seu Rafa foi ontem mesmo para São Paulo, e voltou hoje logo após o almoço, todo chateado que não conseguiu falar com você. Disseram a ele que você havia se mudado do seu apartamento.
—Como assim? Quando ele foi ao meu apartamento?
—O Rafa pegou um voo ontem a noitinha. Chegou em São Paulo de madrugada. Foi para seu apartamento, mas disseram a ele que você havia se mudado. E quando foi hoje pela manhã, ele tornou a ir até lá, então um outro porteiro disse a mesma coisa e que seu apartamento já estava até alugado para um amigo seu. E na agência disseram a ele que você não estava lá, e que tinha ido para Nova Iorque.
Eu ri.
—Eles não souberam explicar. Sim, eu fui transferida para Nova Iorque, mas só começo na próxima semana.  Aluguei meu apartamento pra um amigo, e tirei minhas coisas de lá ontem à noite, já era bem tarde por sinal. Foi por isso tive que dormir na casa de uma amiga.
—Então vocês se desencontraram. —concluiu Maria.
—Ele chegou arrasado aqui na fazenda. Tanto que o Seu Enzo o chamou para ir naquele barzinho que eles costumam tocar, pois é o aniversário da dona Débora. Mas ele não queria ir de jeito nenhum.
—E onde ele está?
—Ele foi trabalhar na loja na parte da tarde, e não voltou ainda, talvez tenha mudado de ideia.
Senti meu coração apertado, só de imaginar Rafael chegando em meu apartamento novamente e não me encontrar.
Maria olhou no relógio.
—Eles iam começar a tocar as nove horas da noite. Talvez você devesse ir até lá. Quem sabe, ele decidiu ficar para a festa da Déb. —disse Maria com um sorriso malicioso nos lábios.
Pensei por um minuto. Segurei as mãos dela.
—Não sei se é uma boa ideia.
Maria e Tomas me olharam sem entender.
—Eu vou! Tomas, você poderia me dar uma carona até a cidade, e de lá vocês seguem para Bento Gonçalves?
 Ele sorriu.
—É claro dona Ana.
—Acho que você realmente você não vai sentir minha falta esse final de semana. Não é? —disse Maria.
 —Não sei do que você está falando. —disse ironicamente.
—Tomas é o tempo de um banho rápido.
—Sem problema dona Ana. Espero lá fora.
Corri para o chuveiro. Tomei um banho rápido, só para tirar a canseira. Maria voltou para o meu quarto enquanto me arrumava.
—Mas Ana minha filha, me fala, você vai mesmo se mudar para outro país? Vai com seu noivo?
—Maria, meu chefe vendeu a agência para um grupo de americanos. E alguns americanos vieram trabalhar aqui no Brasil, e alguns de nós iremos para Nova Iorque. Não sei ao certo por quanto tempo. Na verdade, fiquei muito em dúvida, mas sei lá, preciso arriscar. E quanto ao meu noivo, eu terminei há alguns meses.
Ela abriu um sorriso.
—Minha filha, eu amo você e o Rafa, só quero ver vocês dois felizes. E hoje quando eu o vi tão chateado daquela maneira, fiquei com o coração perdido. Ele achou que você já tivesse ido embora, sem ao menos se despedir. Ele está arrasado. Bom, na verdade, faz algum tempo que não vejo meu menino feliz. Ele anda passando por uma fase bem difícil na vida dele.
—É, eu sei! Posso imaginar como ele deve estar, depois de tudo o que ele passou. Eu passei por um período bem difícil também, depois que eu saí daqui. Você não faz ideia.
—Eu faço sim minha filha, eu vi nos seus olhos a tristeza que você saiu daqui naquela manhã, e seu olhar estava apagado no dia do casamento do Rafael. Por isso que eu acho que agora vocês mereciam finalmente uma chance.
Eu sorri sem graça e sem saber o que pensar.
—Eu queria estar lá, só para ver o rostinho de felicidade do Rafa, ele nem vai acreditar quando ver você. —disse Maria toda sorridente.
Coloquei uma saia rodada preta, um top cropped da Zara com o fundo vermelho e preto, todo bordado em pedrarias pretas e um scarpin preto. Enrolei rapidamente as pontas do meu cabelo, e fiz uma maquiagem neutra. Olhei-me no espelho novamente para verificar se estava tudo em ordem, então me lembrei do meu perfume, do qual o Rafael dizia amar.
Sorri para mim mesma, eu estava me arrumando como se fosse para um encontro, sendo que na verdade, não era bem assim, era mais pra uma despedida.
—Você está perfeita, filha. Ele vai ficar ainda mais apaixonado.
—Maria, não fala assim! Eu só quero ver e conversar com o Rafael. Devo isso a ele, já que ele foi duas vezes para São Paulo e não me encontrou. Contudo, na segunda-feira, eu vou embora.
Ela sorriu com desdém.
—Eu acho que você vai mudar de ideia.
Eu sorri balançando a cabeça em negação. Tomas e Maria me deixaram em frente ao Open Door.
—Ana, não faça nada precipitado. Eu volto no domingo pela manhã e vou torcer pra que você tenha mudado de ideia.
—Maria! —falei advertindo-a.
Ela sorriu e eles se foram.
Passava das nove horas quando consegui entrar na boate. Déb me avistou assim que eu entrei. Dessa vez ela não estava atrás do balcão, já que era aniversário dela.
—Não acredito que você está aqui! Vem aqui. —disse Déb me puxando para um abraço.
—Parabéns Déb, a Maria me disse que é seu aniversário.
—O aniversário é meu, mas o danado do Rafael que irá ganhar o presente.
Eu corei.
 —Mas espera, o Rafa sabe que você está aqui? Porque a pouco ele estava todo chateado dizendo que foi atrás de você, mas não conseguiu te achar, ele está arrasado achando que você já havia se mudado para Nova Iorque.
—Então Déb, nós nos desencontramos. A Maria me disse que ele foi para São Paulo, só que precisei deixar meu apartamento, pois o aluguei pra um amigo. Estava na casa de uma amiga minha.
—E você vai mesmo viajar?
Suspirei fundo.
—Não me responda isso hoje! Me responda somente no domingo. —ela disse dando-me uma piscada.
—Cacete Ana, o Rafa vai gostar muito em lhe ver por aqui. Ele nem imagina.  —disse ela apontando pro palco com a cabeça.
 —Como você sabia que ele estaria aqui? —indagou Déb.
 —A Maria me contou assim que cheguei à fazenda, então quis fazer uma surpresa.
—Com certeza será uma surpresa.! Torço muito por vocês, garota. Eu amo aquele cara, e ele merece ser feliz. E ele ama você mais do que tudo. Ele nunca se cansou de me dizer isso.
Senti meu coração descompassado.
Os clientes estavam impacientes atrás de mim, com a Déb conversando comigo, sem ao menos dar atenção a eles. Déb me apresentou a namorada dela que me serviu uma cerveja sem que eu pedisse.
Dei uma olhada ao redor, mas o bar estava muito lotado, os meninos já haviam começado a tocar, pude ver o Rafa de longe, ele usava jeans e camisa preta com as mangas dobradas. Ele ficava lindo quando tocava violão, aliás, ele ficava lindo de qualquer maneira.   Tocaram Dire Straits, depois Mettalica.
—Você não vai chegar mais perto? —perguntou Déb elevando a voz por causa do som.
— Preciso tomar mais coragem. —respondi, erguendo a longneck que estava vazia.
Um garçom passou e Déb me entregou outra longneck. Eles tocaram outra música do Mettalica, Nothing Else Mathers, e quando terminaram o público do bar aplaudiu muito. Os rapazes fizeram uma pausa de menos de um minuto.
 Olhei e de relance pude ver Rebeca em uma mesa com mais um casal, ela parecia muito feliz. Tive vontade de ir até ela, mas estava tão nervosa que preferi esperar. Aliás eu estava mais do que nervosa, só de ver o Rafael, mesmo de longe, parecia que eu ia desmaiar a qualquer minuto, minhas mãos estavam trêmulas e minhas pernas estavam mais ainda.
O palco ficou mais escuro, apenas uma luz iluminava o centro do palco, estiquei-me para ver. Um dos meninos colocou dois bancos bem onde a luz refletia, então eles retornaram, e dessa vez o Rafael sentou-se em frente ao microfone, olhei para Déb que  também olhou para mim sem entender.
 —Acho que agora você precisa ir ver bem de perto, e alegrar um pouco aquela carinha linda que está no palco.
Sorri para ela. Déb foi até o balcão e me serviu uma dose de uísque e eu virei para tomar coragem. Cheguei bem perto do palco, mas ainda havia algumas pessoas em minha frente. Assim que eles começaram alguns acordes o público começou a bater palmas.
Rafael começou a dedilhar a música que ele dizia ser nossa, Whish you were Here do Pink Floyd, meu coração quase saiu pela boca, minha barriga gelou, não sentia mais minhas pernas. Lembrei-me imediatamente que na nossa primeira noite, ele me disse que aprenderia tocar aquela canção, e ele realmente cumpriu com a palavra dele.
 Rafael que estava tocando o violão começou a cantar, pegando todo mundo de surpresa, inclusive a mim. Foi sem dúvida, um momento indescritível. Algumas meninas começaram a gritar, chamando a atenção do Rafael e do Enzo, mas eles permaneciam sérios, pareciam profissionais.
Poderia passar horas, dias, meses vendo o Rafael cantando e tocando daquela maneira, que eu jamais enjoaria.
Enquanto Rafael cantava, seus olhos que até então estavam grudados no violão, percorreram o público do bar. Quando seu olhar se cruzou com o meu, Rafa balançou a cabeça, olhou para outro lado, e depois, olhou novamente como se estivesse confirmando se era eu quem estava ali.  Olhei para ele dando meu melhor sorriso.
—Eu estou aqui! —disse apenas movendo os lábios.                             
Rafael fechou os olhos, continuou cantando e abriu um sorriso; o sorriso mais lindo que já vi em toda minha vida. Esse reencontro parecia um sonho.  Enzo me viu e abriu um sorriso e em seguida acenou para mim, enquanto Rafael continuava cantando.
Cantei cada palavra junto com ele, como se existisse apenas nós dois, um cantando para o outro. Apesar das garotas ao redor ficarem gritando para ele, Rafael não tirou os olhos de mim por nenhum segundo.
Assim que a música acabou, eu puxei as palmas, e todos vibraram e aplaudiram; conforme as pessoas batiam palmas e gritavam, eu saí, passando entre os clientes que estavam diante do palco curtindo o show. Passei pela Déb e disse a ela que esperaria ele do lado de fora, ela piscou e sorriu pra mim.
Quando estava do lado de fora do bar, fiquei sem saber para onde ir, estava até zonza de tanta emoção, foi então que eu senti uma mão quente segurar minhas costas.
—Ana?
Virei-me, sorrindo só de escutar a voz do Rafael. Ele me abraçou e beijou-me o topo da cabeça. Era como se eu fosse à outra metade dele.
—Não acredito que você está aqui!
Rafael inclinou e quando vi, nossos lábios já estavam um no outro. Foi um beijo que me fez perder todo o meu sentido. Mas era exatamente onde eu queria estar.
Rafael se afastou de mim, me olhou nos olhos dizendo:
—Eu não acredito que você está aqui! É sério! Quando eu a vi, achei que eu estava ficando louco. Eu fui para São Paulo atrás de você e me disseram que você já havia se mudado. Fiquei arrasado, voltei para Canela, desacredito. Mas quando vi você, foi como se uma luz se acendesse dentro de mim outra vez.
Rafael segurou meu rosto entre suas mãos e novamente me beijou, chegando  a me deixar fora de mim.
—Eu amo tanto você Ana.
—Também amo você! Eu sofri muito com tudo o que aconteceu. Aconteceram coisas que eu preciso te contar com muita calma.  
—Sim, eu quero que você me conte tudo. Mas, só me responde uma coisa, você não vai embora, não é?
Sorri nervosamente.
—Na verdade, eu vim para me despedir. Meu voo está marcado para segunda-feira. Porém, precisamos conversar. 
—Você tem razão. Vamos sair daqui. 
No caminho pra casa do lago, o silêncio era ensurdecedor, Entretanto, Rafael me olhava a cada segundo, tentando decifrar meus pensamentos. Eu por outro lado, estava aflita sem saber que decisão tomar. A simples presença dele me deixava anestesiada.
Assim que chegamos a casa, Rafa segurou minha mão e logo que entramos ele me beijou novamente.
—Senti sua falta como o inferno sabia? Quase enlouqueci no dia do casamento.Quando vi você indo embora  com seu..., bom enfim, me amaldiçoei por dias por ter me casado com ela. Mas agora não tem mais nada que impeça de ficarmos juntos, você sabe disso.
—Eu sei disso, mas eu sofri muito todo esse tempo. Você não faz ideia por tudo que  passei e morro de medo de não dar certo novamente.
—Vai dar certo, prometo a você. Basta você ficar!
Olhei exasperada pra ele.
—Uns meses depois de ter saído de Canela, sofri um acidente de carro. Cheguei a comentar com você sobre isso.
Rafael apenas concordou.
—Já no hospital, descobri que estava grávida, estava esperando um filho seu.  Me vi totalmente perdida, sem saber o que fazer, sem saber o que pensar. Foi então que você mandou uma mensagem dizendo que iria com a Fernanda ao médico. Eu sei que você fez o que tinha que fazer, porém, quase morri de tristeza. Enfrentei uma barra sozinha, aliás, só tinha a Alessandra ao meu lado. 
Rafael me olhou sem entender.
—Como assim? Por que você nunca me disse sobre isso?
—Rafa fiquei sem saber o que fazer, você estava fazendo sua vida, as coisas estavam se acertando, e eu não tinha o direito de estragar tudo.
—Mas eu tinha o direito de saber!
—Eu sei disso, eu também queria ter dito a minha mãe, ao meu pai. Mas o que eu podia fazer. Além disso tinha o Léo que queria voltar comigo, sem saber que eu estava grávida de outra pessoa. Foi terrível Rafael, ninguém imagina o que eu passei. E então, pensei em ligar pra Rebeca, pois dependendo do que ela me diria, eu viria pra cá atrás de você, então ela disse que você estava com a Fernanda. 
Rafael desviou o olhar, abaixando a cabeça.
—Ainda assim nunca desisti do meu filho, eu ia seguir com a gravidez e enfrentar sozinha tudo o que ela acarretaria, afinal, nunca me passou pela cabeça tomar outra atitude. Mas infelizmente eu não consegui e perdi o bebê, e então cheguei o fundo do poço novamente.
Rafael balançou a cabeça em negação.
—Eu nem o que dizer!Você tinha que ter me dito, tudo seria diferente. Eu nunca deixaria vocês sozinhos, nunca. 
Sorri magoada.
—Quando eu finalmente estava melhorando você foi pra São Paulo e me falou sobre o casamento. Então será mesmo que as coisas seriam diferentes?
Rafael me abraçou.
—Ana, me desculpa, me desculpa, por favor! Eu nunca imaginei que você estava passando por tudo isso. Eu juro à você que se soubesse sobre essa gravidez, jamais me casaria com a Fernanda, não tinha nem o porquê eu fazer isso, sendo que sempre foi você que eu sempre amei. Por favor, só me dá uma chance de fazer a coisa certa dessa vez, prometo à você que não se arrependerá jamais. Eu quero me casar com você, quero morar aqui em nossa casa, nessa casa que fiz unicamente pensando em você. Você é tudo pra mim, se aquele não era o momento certo, esse é! Me deixa fazer isso por você, me deixa ter fazer feliz!
—Então me promete que se eu decidir ficar nunca irei me arrepender?
—Prometo a você que se você decidir ficar, farei de você a mulher mais feliz desse mundo.
Sorri.
—Talvez a Maria tenha razão, quando me disse que eu mudaria de ideia.
Ele sorriu e se afastou, pegando algo que estava sobre o aparador e voltou ficando frente a frente comigo.
—Ana Holpe, quer casar comigo?
Olhei incrédula e sorri imediatamente.
—Como assim? Como você tinha esse anel?
—Foi isso o que eu fui fazer em São Paulo, mas quando cheguei lá, me disseram que você estava viajando a trabalho. Decidi voltar e esperar, então ontem novamente fui atrás de você pra te pedir em casamento e novamente nos desencontramos, mas agora você está aqui. 
Suspirei nervosamente.
—E então, aceitar ser a minha esposa.
Meus lábios me trairiam e sorri de orelha a orelha.
—É tudo o que eu mais quero!




Epílogo

Era uma linda tarde de inverno. Estava sentada em minha cadeira de balanço que havia no deck de madeira em frente ao lago. Era um dos meus lugares preferidos da casa. O lugar ideal para quando eu quisesse ler, escrever ou simplesmente descansar, vislumbrando meu pedacinho de paraíso.
 Estava foleando pela milésima vez meu álbum de casamento. Adorava lembrar daquela manhã de domingo, há seis meses, em que eu e o Rafael oficializamos perante ao juiz, perante as pessoas e perante a Deus o nosso amor.
A cerimônia foi realizada no gramado em nossa casa do lago. Tendo o lago como cenário e decoração principal da festa. Havia vasos imensos com hortênsias espalhados por todo o gramado. Assim como o meu buquê que também eram das lindas e pequeninas flores. Fizemos uma cerimônia para as pessoas mais chegadas, um número restrito em se tratando de um casamento. Mas eram apenas pessoas amigas e muito queridas. Entre elas estavam Alessandra e Willian que estavam, que finalmente estavam namorando oficialmente. Théo e Vanessa, Enzo e Rebeca, Déb e sua namorada, Maria e Tomas entre outros funcionários mais chegados.
Era nítida a felicidade dos meus pais. A única exigência do meu pai quando soube do nosso namoro logo que eu voltei, era que morássemos em casas separadas, até nos casarmos, sendo assim fiquei na fazenda e o Rafael na casa do lago. E nós seguimos à risca o que meu pai nos pediu, embora nos víamos praticamente o dia todo.
Ainda me lembro do brilho dos olhos de Rafael, assim que me viu passando pelo imenso tapete cor de creme, indo em direção a ele. Seu sorriso era verdadeiro, sincero e apaixonante. Senti meu coração quase sair pela boca assim que eu o vi. Foi sem dúvida o momento mais feliz da minha vida.
...
Estava perdida em minhas lembranças quando ouvi um barulho de alguém se aproximando.
 Coloquei álbum de lado e olhei para trás, dando de cara com Rafael vindo em minha direção todo sorridente, trazendo consigo uma bandeja contendo duas xícaras.
—Oi meu amor, que bom que chegou! —disse dando-lhe um sorriso.
Ele inclinou-se para mim selando meus lábios. Eu me levantei ajudando-o com as xícaras. 
—Estava morrendo de saudade de vocês, por isso resolvi sair mais cedo. Rafael falou enquanto se abaixava para encher de beijos a minha barriga de quatro meses de gestação.
Por causa do aborto espontâneo que eu tive em minha primeira gravidez, meu médico me pediu que eu fizesse muito repouso dessa vez, embora estivesse tudo bem com nosso bebê.
—O papai chegou e trouxe chocolate quente.
—Você está nós acostumando mal.
—Eu quero mimar vocês o máximo que puder. —ele disse beijando meus lábios.
Sorri. Amava quando ele me paparicava. Rafa sentou-se ao meu lado na cadeira de balanço entregando-me uma xícara de chocolate quente para mim e puxando-me para junto dele, que ficou acariciando minha barriga enquanto tomávamos a deliciosa bebida de chocolate meio amargo.
—Isso é tudo o que eu sempre quis Ana, eu e você em nossa casa e esse anjinho que está chegando.
Concordei com ele.
—É tudo o que eu sempre quis Rafael. E agora minha vida está completa. —disse colocando minha mão sobre a dele que repousava em minha barriga.
 Nesse instante, Rafael olhou para mim apaixonadamente.
—Prometo fazer tudo o que estiver ao meu alcance pra fazer vocês duas as pessoas mais felizes desse mundo.
Eu senti os sinos dos meus anjinhos tocarem em meus ouvidos de tanta alegria.
—Nós já somos as pessoas mais felizes do mundo, pode ter certeza!
Então, nós dois com as mãos sobre minha barriga, sentimos um tremor vindo de dentro do meu ventre. Era a primeira vez que a nossa Rafaela havia mexido. 
Eu e o Rafael nos entreolhamos sorrindo, sentindo uma emoção imensurável.


Fim